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sábado, 26 de janeiro de 2013

119. (ESPECIAL OSCAR 2013) OS MISERÁVEIS, de Tom Hopper


Um retrato fantástico de uma sociedade preconceituosa que ganharia muito mais se deixasse a intolerância de lado. Seu único defeito: exageradamente longo para um musical.
Nota: 9,5


Título Original: Les Misérables
Direção: Tom Hooper
Elenco: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen, Helena Boham Carter, Eddie Redmaine, Aaron Tveit, Samantha Barks
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Debra Hayward, Cameron Mackintosh
Roteiro: William Nicholson, James Fenton, Alain Boublil (história), Jean-Mark Natek, Herbet Kretzmer (músicas), Victor Hugo (romance) e Claude-Michael Schönberg
Ano: 2012
Duração: 157 min.
Gênero: Musical / Drama

Jean Valjean, após 19 anos, é um criminoso recém liberto que será obrigado a passar a vida apresentando-se uma vez por ano para a justiça francesa. Seu hediondo crime? Roubar um pão para o seu sobrinho que estava quase morrendo. Após ser acolhido e beneficiado por um bom padre, Jean decide mudar sua vida. Anos depois ele acaba conhecendo Fantine, uma bela mulher que trabalha duro para ajudar sua filhinha que mora com o pai e a madrasta. Por motivos que apenas o destino compreende, Fantine morre, mas Jean se vê obrigado a encontrar Cosette, a filha, e criá-la como sua. Para isso, eles fogem a vida toda da polícia. Nove anos depois, porém, os rebeldes se revelam contra o governo autoritário da França e a vida de todos os envolvidos mudará para sempre.


O filme é um musical que se passa na França pós Revolução Francesa, época em que o país se tornou um lugar terrível para se morar, afinal, toda a forma de governo era incerta e deixava a população a mercê da fome, do desemprego, das doenças, da sujeira e da falta de organização social e, assim sendo, a miséria corroia todo o país como um tumor em um homem. E é bem isso que Victor Hugo, autor da maravilhosa obra literária na qual o longa foi baseado, deseja criticar: não havia maneira de deixar que tudo o que seus olhos franceses viam permanecesse como estava. Na história temos representações perfeitas de todos os tipo de pessoas que habitavam o país – destacando-se os pobres -, são elas: Jean Valjean, o ex-presidiário que foi preso por 19 anos por roubar pão para o sobrinho (uma crítica clara de como não havia nada do mais básico para a população, pergunto-me, será que nem brioches mais eram distribuídos ao povo?); Inspetor Javert, o retrato da polícia falha que se importava com pequenos casos ao invés de olhar para todos os grandes problemas em volta; Fantine, uma jovem que teve de deixar a filha com o pai – um malandro da pior espécie – e ainda é obrigada a enviar todo o pouco dinheiro que ganha para o canalha “sustentar” a menina; Cosette, a parte inocente e sem culpa da história, mal tratada pelo pai e pela madrasta que a tratam como uma empregada, mas vê sua vida melhorar ao ser acolhida por Valjean; Thénardier, o pai de Cosette, um canastrão proprietário de uma estalagem, ele e a esposa, Madame Thénardier, roubam seus clientes a torto e direito, no entanto, não são punidos por ninguém; Marius, o jovem de origem rica que deseja a igualdade entre as classes; Enjolras, jovem de origem humilde que se junta a Marius por uma França melhor e mais justa; o avô de Marius e seus amigos e conhecidos ricos, pessoas favorecidas por nascimento ou sorte, pouco vistas no filme, mas as mais criticadas. O filme, como disse, é um musical, mas não um musical simples, daqueles em que há diálogo e músicas, mas onde os diálogos são transformados em música. Confesso que esse gênero “musical sem falas” não me conquista com qualquer enredo ou rima barata, nesse contexto, qual foi minha surpresa ao ver um filme equilibrado onde a música é o que mais importa para deixá-lo interessante. O único problema fica a cargo da duração, apesar de um ótimo musical, filmes do gênero que tem mais de duas horas são um risco tremendo.


O longa é indicado em oito categorias no Oscar: melhor filme, apesar de poucas chances, é um dos cinco favoritos na disputa; melhor ator, para Hugh Jackaman, mesmo que atuação seja tocante e tenha cantado – o que a Academia adora -, o prêmio já é de Daniel Day-Lewis por “Lincoln” (2012); melhor atriz coadjuvante para Anne Hathaway, ela dançou, fez a vez da prostituta que não queria tal emprego, cortou os cabelos no próprio filme, cantou chorando e morreu como uma literal miserável, tudo o que a academia quer; melhor direção de arte, o filme é escuro em alguns momentos e tem a luz perfeita em outros, seu maior concorrente é “As Aventuras de Pi”; melhor figurino, apesar de ser muito bonito e diferenciado, o favorito é “Anna Karenina”, um filme mais de época e com roupas mais extravagantes; melhor maquiagem, acredito que o prêmio esteja entre “Hitchcock” e “O Hobbit”, sem chances para “Os Miseráveis”, que roubou o lugar de “Lincoln” na categoria; melhor mixagem de som, seria o prêmio mais merecido, pois as músicas não foram dubladas, estão, portanto, em seu áudio original, algo muito difícil para qualquer filme; melhor canção, para “Suddenly” de Hebert Kretzman, Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil, interpretada por Hugh Jackman, seu único concorrente de peso é “Skyfall”, a música que Adele compôs para o novo 007. Ainda é indicado em nove categorias no BAFTA, o Oscar inglês, onde deve se firmar como favorito; também é indicado em quatro categorias do Sindicato dos Atores; e venceu três Globos de Ouro: melhor filme comédia ou musical, melhor ator em comédia ou musica (Jackman) e melhor atriz coadjuvante (Hathaway).


Hugh Jackman vive Valjean, obviamente, em teoria a voz do protagonista de um musical deveria ser a mais perfeita possível, é um fato que Jackman não possui a voz mais perfeita do elenco masculino, em teoria, mas para o filme sua voz, rouca e triste caiu como uma luva para o personagem, além disso, nos momentos iniciais, Jackman aparece como um homem com medo e apavorado, depois, quando Jean começa a criar Cosette e até sua morte, ele se torna um homem bom, gentil e feliz. Russell Crowe, a melhor voz masculina do elenco, é o Inspetor Javert, um homem misterioso que parece esconder inúmeros segredos acerca de sua vida passada, ainda sim, parece que ela não foi fácil, pois é rancoroso e as feições do ator denotam a criação de um personagem com poucos sentimentos, ainda sim, não devemos esquecer que, durante a trama, o inspetor apenas está realizando seu trabalho. Anne Hathayway é Fantine, com disse, ela canta chorando, dança, sofre, corta os cabelos, vive longe da filha, se sacrifica por amor e acaba morrendo como mais uma das tantas miseráveis, apesar de aparecer pouco, confesso que poucas vezes assisti a uma interpretação tão bela de uma música como a sua principal canção no longa, e a maior canção da história: "I Dreamed a Dream". Amanda Seyfried e Isabelle Allen são Cosette adulta e criança, respectivamente, o pouco que Allen canta é quase inacreditável, e parece que a pequena de dez anos já compreende tudo o que se passa na vida da personagem, Seyfried, por sua vez, acaba sendo menos tocante, pois suas cenas são mais felizes, mas, ainda sim, sua voz continua linda e sua atuação também é ótima. Sacha Baron Cohen e Helena Boham Carter são os reais vilões da história, os Thénardier, sempre digo – e quando digo que faço isso sempre, é porque faço isso sempre – que os vilões atingem seu auge quando nos apaixonamos por eles, ou os compreendemos por completo, ou os odiamos a ponto de sentirmos asco deles, esse dois estão na terceira categoria, são rancorosos, perversos e só pensam em seu bem e no de mais ninguém, portanto, perfeitos vilões.


Toda a arte do filme e sua criação em si é uma obra tão bela a arriscada que é triste não ver Tom Hooper indicado ao Oscar por sua direção brilhante – lembrando que ele venceu a premiação na mesma categoria, além de melhor filme, com “O Discurso do Rei (2010) -, ainda mais lembrando de sua indicação no Sindicato dos Diretores, entretanto, tal fato não faz com que “Os Miseráveis” se torne digno de pena ou não mereça ser visto, muito pelo contrário, o filme é de uma beleza única, tanto o é que se torna impossível achar muitos defeitos, que não o fato de ser demasiadamente longo. Apesar de parecer uma adaptação da Broadway que apenas deseja ganhar dinheiro, “Os Miseráveis” vai muito além disso, ele retoma tudo o que a obra literária desejou repassar ao mundo. No final das contas, esse filme nada mais é que uma apelação positiva sobre como devemos aceitar as diferenças, pois, não importa se somos homens ou mulheres, pretos ou brancos, heterossexuais ou homossexuais, pobres ou ricos, americanos ou europeus, feios ou belos, somos todos iguais, viemos todos de lugares semelhantes, iremos todos para o mesmo lugar, afinal, mesmo com todas as evoluções e utópicas transformações ocorridas durante a história de nossa humanidade, somos todos eternos incorrigíveis miseráveis, aos resta, apenas, lutar, sonhar, esperar e amar.




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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

230. O DIÁRIO DA PRINCESA, de Garry Marshall


Uma comédia melosa e sem graça que ganha pela presença de Julie Andrews e pela estréia de Anne Hathaway
Nota: 7,2


Título Original: The Princess Diaries
Direção: Garry Marshall
Elenco: Julie Andrews, Anne Hathaway, Hector Elizondo, Caroline Goodall, Heather Matarazzo, Mandy Moore, Robert Schwartzman, Erik Von Detten
Produção: Debra Martin Chase, Whitney Huston, Mario Iscovich e Ellen H. Schwartz
Roteiro: Gina Wendkos e Meg Cabot (romance)
Ano: 2001
Duração: 115 min.
Gênero: Comédia / Romance

Mia Thermopolis é uma jovem americana que nuca soube todas as verdades sobre seu pai. Apesar de inteligente, ela não é nada popular no colégio e é apaixonada pelo garoto mais bonito e desejado da redondeza, até aí a história não tem nada de novidade para o estilo da trama. Entretanto, Mia descobrirá que o pai morreu, e quem contará toda a verdade de sua família é a mãe de seu pai, ninguém mais ninguém menos que a Rainha da Genovia. Mia terá, portanto, de aprender a agir, se portar e ser uma verdadeira princesa, pois é a única herdeira direta do trono.


Garry Marshall ficou conhecido e popularizado na década de 70 com a série para televisão vencedora do Emmy e do Globo de Ouro, “The Odd Couple” (1971-1974), além de uma dezena de filmes de comédia divertidos, engraçados e bem populares: “Nada em Comum” (1986), com Tom Hanks, “Um Salto para a Felicidade” (1987), com Goldie Hawn, “Uma Linda Mulher” (1990), com Julia Roberts e Richard Gere, “Frankie & Johnny” (1991), com Al Pacino e Michelle Pfeiffer, “Simples Como Amar” (1999), com Juliette Lewis e Diane Keaton, “Noiva em Fuga” (1999), novamente com a dupla Gere-Roberts, “Um Presente para Helen” (2004), com Kate Hudson e Joan Cusack, “O Diário da Princesa 2” (2004), “Ela é Poderosa” (2007, com Jane Fonda, Lindsey Lohan e Felicity Huffman, “Idas e Vindas do Amor” (2010), com Julia Roberts, Anne Hathaway e grande elenco e “Noite de Ano Novo” (2011), com Michelle Pfeiffer e Robert De Niro. Além de dirigir, Marshall é roteirista, produtor e ator. Seu trabalho nos filmes que retratam a vida da princesa Mia é simples: adaptar os livros melosos de Meg Cabot para um filme mais meloso e sem graça. Não que o filme seja de todo ruim, afinal, ele conta com Julie Andrews no elenco, mas o resto simplesmente parece não funcionar, o fato é que todos os outros filmes do diretor conseguem fugir tranquilamente do quesito comédia idiota, mas esse passa perto do gênero. A trilha sonora de John Debney é bem jovem e propícia para um filme destinado ao público adolescente feminino.


Talvez o melhor do filme seja mesmo em ele trazer uma das atrizes mais carismáticas e promissoras do século XXI, Mia é a primeira personagem de Anne Hathaway que, desde então não parou mais de trabalhar, depois desse vieram: “O Herói da Família” (2002), “Uma Garota Encantada” (2004), “O Segredo de Broakeback Mountain” (2005), “O Diabo Veste Prada” (2006), “Amor e Inocência” (2007), “O Casamento de Rachel” (2008), “Noivas em Guerra” (2009), “Alice no País das Maravilhas” (2010), “Rio” (2011) e “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2012). No início da trama, Hathaway nos traz uma personagem feia e toda desengonçada, depois que descobre sua nobreza, a menina passa a ficar bela e se tornar uma verdadeira dama. A outra parte do elenco é formada pela grande atriz Julie Andrews, conhecida por seus papeis em “Mary Poppins” (1964), “A Noviça Rebelde” (1965), “Mulher Nota 10” (1979) e “Victor ou Victoria” (1982). Apesar de ser uma das melhores coisas do filme, parece-me mais que Andrews age naturalmente e deixa a personagem extremamente fácil de ser interpretada, afinal, poucas mulheres possuem a mesma classe que a atriz. Além dessa ótima dupla, no elenco ainda temos Caroline Goodall com a mãe de Mia, Heather Matarazzo como a melhor amiga de Mia, Mandy Moore em um dos seus primeiros papeis como o desafeto escolar de Mia, Robert Schwartzman como o amigo apaixonado de Mia e Hector Elizondo como o motorista real.

Toda garota que se preze um dia já sonhou em ser uma autentica princesa, encontrar a perfeição em um belo príncipe ao estilo europeu, ter um casamento de conto de fadas, ter filhos tão lindos quanto o pai e serem felizes para sempre, pois bem, em algum momento da vida, toda garota que se preze acorda desse sonho ridículo. Aqui o sonho vem de forma aparentemente agradável, até Mia começar a descobrir que não é tão fácil ser uma princesa e se questionar quanto ao que ela deseja da vida. Definitivamente esse não é um dos melhores filmes de Garry Marshall, aliás, está longe de ser, mas que todas as adolescentes sonhadoras irão gostar dele, isso é indiscutível.


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sábado, 4 de agosto de 2012

234. BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, de Christopher Nolan

Um fechamento original, que traz toda a maestria de Nolan para sua despedida do Homem-Morcego.
Nota: 9,7


Título Original: The Dark Knight Rises
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordom-Levitt, Anne Hathaway, Morgan Freeman, Michael Kane, Matthew Modine, Alon Aboutboul, Ben Mendelson, Juno Temple, Liam Neeson
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven, Emma Thomas
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer, Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2012
Duração: 164 min.
Gênero: Drama / Aventura / Ação / Fantasia


Há 8 anos Bruce Wayne, ou melhor, Batman, deixou que toda a culpa da morte de Harvey Dent caísse sobre ele. Após todos os acontecimentos do filme anterior, portanto, o excêntrico bilionário exilou-se em sua própria mansão para ficar longe de tudo e todos. Entretanto, Gothan City jamais está a salvo de todos os perigos do mundo: agora o perigoso vilão Bane irá deixar a cidade apavorada, ele conseguirá uma máquina capaz de destruir tudo o que os cidadãos tanto amam. Agora é mais que hora do protetor de Gothan ressurgir e mostrar que um herói jamais morre.


Não existe herói sem vilão, e é por isso que reservei esse parágrafo apenas para falar, rapidamente, sobre o que temos nesse filme. Claro que falar sobre qualquer vilão de Batman e não compará-lo com a, literalmente, monstruosa atuação de Heath Ledger como Coringa no filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2009) é impossível. Acho o segundo filme da trilogia fantástico, mas como um todo vejo nesse desfecho o melhor filme dos três, o que realmente me chamou a atenção no segundo foi Ledger, o ator foi original e repugnante, o que nos faz pensar o quanto seria agradavelmente diabólico assistir a um filme onde os dois vilões se encontrassem e aterrorizassem Gothan City, afinal, bem como o Coringa, aqui temos alguém que pensa somente em si próprio, em fazer o que considera certo e ir além do que qualquer ser humano seria capaz, sem se preocupar com a vida das demais pessoas em detrimento de sua vingança.


Christopher Nolan dirigiu três filmes que gosto antes de sua trilogia de Batman: “Amnésia” (2000), com Guy Pearce; “Insônia” (2002), com Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank; e “O Grande Truque” (2006), com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine e Andy Serkis. Em 2005 deu início a sua épica trilogia do super-heroi de Gothan City, com “Batman Begins” ele renovou todo o filme e nos trouxe o melhor Batman de todos, ainda superou todas as possíveis expectativas ao escolher Michael Cane para viver o mais perfeito Alfred que poderia se imaginar, e ainda completou o trio com Morgan Freeman vivendo Lucius Fox. Nos três filmes das sequência Nolan nos traz a excelência de sempre em seus trabalhos, sua técnica é exatamente o que se espera, isso quando não se supera: para um filme que tem como protagonista o cavaleiro das trevas, nada mais digno que as sombras e a escuridão permanecerem presentes a maior parte do tempo. As sequências em que Batman, ainda um bandido, é perseguido pela polícia, sua luta com o vilão Bane, as ironias (como o fato de Bane querer devolver o poder ao povo e a bandeira americana toda rasgada), as retomadas de outras passagens dos outros filmes (a sensação de ser deixado sozinho do nada) e a parceria do homem-morcego com a Mulher-Gato são pontos altos do filme.


Nolan, toda via, não está só para deixar essa produção tão fantástica: ninguém mais que Hans Zimmer faz a vez do compositor da melhor trilha sonora nos três filmes. Apesar de ter começado em 1984 e sempre ter sido querido pela crítica, foi apenas dez anos depois que ganhou o público, e o Oscar, com “O Rei Leão”. Na franquia produzida por Nolan, os dois primeiros filmes contam com James Newton Howard, mas aqui o trabalho é apenas de Zimmer, e, é claro, que ele o faz com perfeição. Desde o início da trama conferimos cenas de ação e com elas é quase obrigação dos compositores serem impecáveis nas músicas, entretanto, chama a atenção a originalidade de Zimmer ao optar por deixar a primeira e mais significativa luta de Batman e Bane ser praticamente muda: ouvimos apenas a pancadaria e o barulho da água do esgoto em que os dois estão. Nas demais cenas, Zimmer nos proporciona uma trilha irreverente e maravilhosa, cheia de diferenças e adaptações para cada momento.

Christian Bale é um dos atores mais versáteis do cinema atual, já  interpretou um jovem preso em um campo de concentração japonês, foi Demetrio na adaptação do romance de Shakespeare, um psicopata com sérios problemas, um operário com problemas de saúde, um pastor e um ex-lutador de boxe (com o qual venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante). Aqui ele é o maior estímulo que se pode existir na ficção: o super-heroi que preza pela moral e os bons costumes, apesar de seu alter ego, Batman, ser o perfeito homem que quer ajudar os outros, Bruce Wayne está confuso e frustrado com muitas coisas que aconteceram em sua vida, e precisará superar todos seus anseios e medos para voltar a salvar a humanidade. Anne Hathaway é bela Mulher-Gato, uma mulher sexy, inteligente, esperta, audaciosa e confiante, que ganha a vida roubando dos ricos, a atriz surpreende ao ser sexy andando, sentando, beijando o protagonista, subindo na moto de Batman e até mesmo roubando. Gary Oldman volta como o comissário Gordon, uma das melhores e mais queridas personagens da trama, perdendo apenas para o amável e insuperável Alfred de Michael Caine, a única pessoa que realmente compreende e ama Wayne verdadeiramente. Além deles temos Josephe Gordon-Levitt como o policial Blake, um órfão que vê em Wayne o maior exemplo de superação; Tom Hardy é o vilão Bane, simplesmente irreconhecível, ele não tira sua máscara o filme todo e nos traz uma personagem condicionada a matar, criada para fazer o mal, bem como os inúmeros terroristas que vemos em nosso dia-a-dia; Morgan Freeman é Fox, o homem que auxilia Wayne/Batman em seus projetos; e Marion Cotillard vem em sua performance mais decepcionante, apesar de sempre ser fantástica, como a apagada mulher de negócios Miranda Tate, que preza pela saúde, educação e pelo desenvolvimento sustentável.


Como disse, esse filme é o melhor de todos já produzidos sobre o bilionário super-heroi órfão que encontrou uma forma de fazer algo de bom pelo mundo e dedicou cada segundo de sua vida a isso. Voltamos a personagens adoradas pelo público e temos atores e atrizes sempre muito elogiados pela crítica, a relação entre Batman e a Mulher-Gato se torna uma receita infalível e o desespero proporcionado pelos exatos 30 últimos minutos de filme são excitantes e nos deixam inquietos na poltrona, além de proporcionarem inúmeras surpresas (ressalvo, nem todas muito agradáveis), nesse filme, até mesmo os clichês românticos e relacionados a super-herois e ao cinema funcionam perfeitamente. “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, fecha com chave de ouro a trilogia criada por Christopher Nolan, sem sombra de dúvidas os três filmes marcaram a história contemporânea do cinema e jamais será possível falar do super-heroi sem ao menos citar um pouco cada um dos filmes. Nosso Batman volta forte, obstinado, decidido e cheio de vida para salvar a terra que tanto ama, Nolan, portanto, presenteia o cinema e o público ao nos apresentar uma série que só fez melhorar de um filme para o outro e se tornar uma das melhores dos últimos tempos, se tem alguma coisa que o diretor pode se orgulhar de ter em comum com a personagem com quem viveu tantos anos é da inigualável sensação do ar de superioridade.


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terça-feira, 8 de maio de 2012

311. O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, de Ang Lee


Um dos melhores romances dos últimos anos.
Nota: 9,6


Título Original: Brokeback Mountain
Direção: Ang Lee
Elenco: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Michelle Williams, Anne Hathaway, Randy Quaid, Valerie Planche, David Trimble, Larry Reese, Marty Antonini
Produção: Dianna Ossana, James Schamus, Scott Ferguson
Roteiro: Annie Prolux, Larry McMurtry, Diana Ossana
Ano: 2005
Duração: 134 min.
Gênero: Drama / Romance

Ennis Del Mar e Jack Twist são dois homens normais que se conhecem quando são contratados para cuidar de ovelhas em Brokeback Mountain. Jack sonha em ser cowboy enquanto Ennis junta dinheiro para se casar com a jovem Alma no fim do verão. No entanto em uma das cenas mais polêmicas do ano de 2005, Ennis e Jack acabam tento relações sexuais, se apaixonam e resolvem continuar com esse relacionamento. O ano é 1963, se hoje em dia já vemos tanto preconceito a cerca de homossexuais, não preciso dizer que os dois escondem de todos o amor que nutrem um pelo outro, sendo assim, casam-se com mulheres, tem filhos e vivem aparentemente felizes com suas esposas. Mas no fundo aguardam o seu reencontro.


Ang Lee é um dos diretores modernos mais conceituados pelo cinema cult. Dentre seus principais filmes estão: “Razão e Sensibilidade” (1995), adaptação do romance de Jane Austen, com Emma Thompson e Kate Winslet, indicado a sete Oscar, vencedor de um; e “O Tigre e o Dragão” (2000), uma épica história com muita aventura, ação e fantasia na China, 10 indicações ao Oscar, das quais levou 4. Lee parece partilhar de aceitações para que não haja preconceito contra a homossexualidade, no filme, apesar de deixar claro que suas personagens tem receio de sua escolhas e mostrar que na época a opção não era nada aceita, ele leva o fato com bastante tranqüilidade e tenta mostrar como é ridículo prejulgarem as pessoas por suas escolhas, apesar de o homossexualismo não ser uma coisa realmente corriqueira na época e não ser algo fisiologicamente normal, Lee mostra que não existe necessidade para tanto alarde. Deixando de falar do roteiro, que é impecável, falemos do trabalho em si de Lee: de forma meio romântica dos clássicos de Hollywwod e misturando o estilo Western típico de John Ford, ele nos proporciona algo totalmente original, a fotografia do filme é linda por si só, afinal o local onde o filme é filmado é maravilhoso,  a trilha do filme é feita por Gustavo Santaolalla, apesar de não muito conhecido ele já fez vários filmes nesse estilo mais cult moderno e alternativo.


Sempre vi em Jake Gyllenhaal um ator em potencial, mas apenas isso, ele simplesmente não consegue sair do potencial e se tornar um bom ator, como Jack ele é sustentável, não impressiona, mas também não decepciona por completo. Heath Ledger foi uma das maiores perdas do cinema na última década, com tudo para ser um dos melhores atores de seu tempo ele deixou o mundo cinematográfico de forma triste e sem motivo, ele é o confuso Ennis, um típico vaqueiro burro que não consegue escolher entre o amor por Jack e a vida normal com Alma, é bem aquele estilo de gay que tem medo e receio de se admitir gay. Michelle Wlliams é uma Alma sonsa e idiota, mas da qual só nos resta sentir pena e desejar que ela se livre de Ennis e seja feliz, logo ela nos proporciona uma excelente atuação. Anne Hathaway é Laureen Newsome, a esposa de Jack, uma mulher impetuosa, bonita e filha de um homem muito rico, que, ao contrário de Alma, é forte, independente e sabe o que quer, Hathaway é uma das atrizes jovens de mais talento e sensualidade de hoje.


Não importa se é entre pais e filhos, homens e mulheres, homens, irmãos, mulheres, ou o que for, amor é sempre amor e não há nada que se possa fazer quanto a isso. Esse filme não fala sobre os direitos de homossexuais, apesar de deixar claro o preconceito da época, ele é uma história como qualquer outra de um amor visto como impossível, um amor entre dois homens, mas que não deixa de ser digno ou menor por isso. O que o filme nos passa é uma mensagem de integridade e sociedade, nos mostra que, quando duas pessoas se amam e não podem se ter por completo, elas serão infelizes até certo ponto, mas os seus momentos juntos serão os mais belos possíveis, momentos esses que somente quem já amou sabe como a espera é difícil, no caso de Jack e Ennis, a espera por estarem juntos novamente em Brokeback Mountain. E é bem nisso que esse filme se sustenta, não é um apelo para que a homossexualidade seja aceita, simplesmente é uma história de amor.



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quinta-feira, 3 de maio de 2012

322. O DIABO VESTE PRADA, de David Frankel


Comédia sobre moda e as dificuldades pelas quais as mulheres passam para serem aceitas na sociedade machista é bem melhor do que o esperado para o gênero.
Nota: 8,4



Título Original: The Devil Wears Prada
Direção: David Frankel
Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci, Adrien Grenier, Simon Baker
Produção: Wendy Finerman, Karen Rosenfelt e Joe Carracciolo Jr.
Roteiro: Aline Broch McKenna e Lauren Weisberger (romance)
Ano: 2006
Duração: 109 min.
Gênero: Comédia


Andrea Sachs acaba de se formar em jornalismo e decide tentar a vida na tumultuada Nova York. Após levar seu currículo em vários lugares ela é chamada na revista Runway, a mais famosa revista de moda de todo o mundo (equiparando-se a Vogue na vida real, o que não é uma coincidência). No entanto sua chefe não é diabólica como todos falam, é muito pior. Agora a garota terá de conviver com o fato de que quem trabalha próximo a temida Miranda Priestly não trabalha com ela ou para ela, pertence a ela.
Diretor das imperdíveis séries de televisão “Sexy and the City” (2001-2003) e “Entourage” (2004), não se pode dizer que David Frankel não saiba fazer comédias, aliás, as suas estão bem mais a cima da média daquelas odiáveis típicas americanas. Em meio a Gucci’s, Armani’s, Chanel’s, Valentino’s e, claro, Prada’s, ele nos proporciona algo divertido além do que se poderia esperar. A fotografia do filme é legal e a trilha (com músicas pop, entre os artistas temos Madonna, U2, K.T. Tunstall, Jamiroquai, Alanis Morissette) pode não ser nada original, mas as músicas escolhidas se encaixam perfeitamente no contexto do enredo. O figurino feito por Patricia Field é, obviamente, impecável, ela também é a estilista de “Sex and the City”.
Escolher uma atriz jovem e super em alta para viver Andrea foi uma excelente idéia, Anne Hathaway é bonita, simpática, adorada pelo público e uma ótima atriz, apesar de aqui ela não fazer grande coisa sua atuação é bem melhor do que o esperado. No entanto sempre tem alguém para tomar seu lugar em qualquer momento: Emily Blunt é a insuportável assistente sênior de Miranda, Emily, e o faz com ironia e mal humor insuperáveis e Stanley Tucci é a nécessaire ambulante de Miranda, Nigel, um homem com grande coração, bom gosto e o único que parece compreender a chefe. Mas existem poucos que conseguem ofuscar o brilhantismo de quem realmente segura esse filme, Meryl Streep, no auge de seus quase sessenta anos e contra todos os credos da indústria cinematográfica, construiu uma Miranda Priestly perfeita, o filme foi baseado no livro homônimo de uma mulher que trabalhou para Anne Wintor (editora da aclamada revista de moda Vogue), a única conclusão possível é que a personagem e Wintor não são parecidas por acaso, no entanto Streep nos revela uma atuação bem mais original do que a imitação da editora da vida real, dizem que, enquanto estava no set, ela sentava sozinha o tempo todo e era tão estúpida e desagradável quanto sua personagem (claro que essa atitude era totalmente compreensível), resultado: um Globo de Ouro, uma indicação ao Oscar de melhor atriz principal, apesar de seu papel ser coadjuvante e mais um fã no mundo, orgulhosamente eu.




Engraçado e divertido é o tipo de filme que conquistou acima de tudo o público feminino pela belíssima estética. Mas não é simplesmente isso, chega até a nos passar mensagens de como devemos ver mulheres que ocupam lugares geralmente oferecidos a homens e ainda mostra como é a vida de alguém que acaba de sair da faculdade e deseja ser algo mais que apenas um pequeno parafuso nessa engrenagem imensa da máquina maior ainda, respectivamente chamadas de “a cidade que nunca dorme” e planeta Terra. Além, claro, de mostrar como é difícil ser uma mulher como parte essencial de um sistema comandado sobre tudo por homens.






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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

389. RIO, de Carlos Saldanha

É uma animação lindíssima e cativante cheia de referências a uma das cidades mais belas do mundo
Nota: 9,5


Título Original: Rio
Diretor: Carlos Saldanha
Elenco: Vozes de Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jammie Fox, Jesse Eisenberg, George Lopez, Jake T. Austin, Carlos Ponce, Kate del Castillo, Bernardo de Paula
Produção: Bruce Anderson John C. Donkin
Roteiro: Don Rhymer, Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia, Sam Harper, Carlos Saldanha, Earl Richey Jones, Todd Jones
Duração: 105 min.
Ano: 2011
Gênero: Animação / Comédia / Romance

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

Blu é o último de sua espécie, e Jade é a última entre a sua espécie. Uma coisa que eles tem em comum? Ambos são ararinhas azuis, no entanto essa é a única semelhança entre eles. Blu foi levado por contrabandistas e encontrado por Linda no Alaska, os dois são melhores amigos e vivem felizes em sua pacata livraria até Túlio, um especialista em pássaros, chegar e querer levar Blu para o Brasil, após controvérsias eles aceitam ir. Chegando no Brasil Blu conhece Jade e eles acabam se perdendo pelo Rio de Janeiro e vivem loucas aventuras para tentar voltar para casa livres.


Carlos Saldanha é um ótimo diretor de filmes de animação, e também um dos brasileiros mais animados de Hollywood, foi quem dirigiu o divertidíssimo “Robôs” e a franquia de animação de maior sucesso no mundo desde Toy Story: A Era do Gelo. Nesse filme o carioca faz apenas uma coisa: mostra sua bela cidade, o Rio de Janeiro em todos os seus ângulos possíveis. Como ele mesmo disse, é impossível enxergar seu prédio ou uma determinada barraca em Copacabana, mas é totalmente fácil se identificar e identificar todas as faces dessa cidade: as boas e as ruins. As aves representam a bela fauna carioca e brasileira, as mulatas típicas estão presentes em todas as ruas, os macaquinhos representam os garotos geralmente moradores das grandes favelas agressivas do país, vemos a praia de Copacabana, as favelas, o Pão de Açúcar, as florestas, o Cristo Redentor e, como não poderia faltar, o Carnaval, que, por sinal, é o palco de toda a história desde a chegada de Linda e Blu no país do samba.


É inacreditável que um filme tão fascinante não tenha sido indicado ao Oscar de melhor animação do ano, o elenco de dublagem é ótimo, trilha sonora de Sérgio Mendes, Carlinhos Brown, Taio Cruz, Will.I.Am, Bebel Gilberto e outros, as edições de som e imagem ou o simples fato de falar sobre o Rio de Janeiro enriquecem essa belíssima história. Para compensar, Mendes, Brown, Seidah Garrett (compositora da letra) foram nominados na categoria de melhor canção original pela ótima “Real in Rio”, apenas ao lado da chatíssima “Man or Muppet”, do filme “Os Muppets”, é a favorita para vencer o prêmio. Por fim esse é aquele tipo de filme agradável de ver sempre, a qualquer hora do dia e com qualquer companhia, ao lado de “Meia Noite em Paris” é o um dos filmes mais agradáveis do ano.
A baixo confira a letra da música “Real In Rio” e sua versão na língua portuguesa, "Favo de Mel" (no filme dublado ela é bem diferente e não tem o mínimo de compromisso com a original):



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