Mostrando postagens com marcador Michael Gambon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Michael Gambon. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de setembro de 2013

063. O QUARTETO, de Dustin Hoffman

Dustin Hoffman e Maggie Smith nos apresentam o filme mais divertido do ano!
Nota: 9,5


Título Original: Quartet
Direção: Dustin Hoffman
Elenco: Maggie Smith, Tom Courtenay, Billy Connolly, Pauline Collins, Michael Gambon, Sheridan Smith, Andrew Sachs, Gwyneth Jones, Trevor Peacock, David Ryall, Michael Byrne, Ronnie Fox, Patricia Loveland, Eline Powell,, Luke Newberry
Produção: Finola Dwyer, Stewart Mackinnon
Roteiro: Ronald Harwood (roteiro e peça teatral)
Ano: 2012
Duração: 98 min.
Gênero: Comédia / Drama

Diversas personalidades da música erudita aposentadas vivem, juntas, em uma casa de repouso, cantando e tocando dia após dia. Nesse contexto, todos os anos, faz-se uma celebração musical em comemoração ao aniversário do compositor italiano Giuseppe Verdi para angariar fundos para o sustento da instituição, que mantêm os idosos em uma vida luxuosa até onde é possível. Porém, a chegada da famosa cantora de ópera Jean Horton, meche com as estruturas do local, pois ela reencontrará com seus antigos colegas: Reginald, Wilf e Cissy, que formaram, ao lado dela, um dos quartetos mais famosos de sua época. Agora, Jean será persuadida a apresentar novamente a peça Rigoletto e salvar o instituto de qualquer problema financeiro.


Dustin Hoffman foi um dos principais atores das décadas de 60, 70 e 80 no cinema americano, estando em longas como “A Primeira Noite de Um Homem” (1967), “Sob o Domínio do Medo” (1971), “Krammer vs. Kramer” (1979), “Tootsie” (1982), “Rain Man” (1988) e “Negócios de Familia” (1989), vencendo o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator pelos longas de 1979 e 1988. “O Quarteto” é o primeiro longa que Hoffman dirige e, mesmo com uma lista pra lá de invejável de diretores com quem trabalhou, podíamos esperar de tudo de seu trabalho. Entretanto, por mais que sua direção seja simples, o filme não decpciona em nenhum momento, e, talvez, seja essa simplicidade que torne o longa algo tão simpático e agradável. Não temos grandes cenas em teatros ou grandes momentos glamurosos como podíamos esperar, mas temos momentos igualmente belos: uma tomada ao por do sol, uma cena sobre uma árvore imensa, um momento dramático em uma pequena capela, um ensaio de todos os velhinhos que estão na casa de repouso, cafés da manhã com todos reunidos em uma sala cheia da claridade matinal e um camarin improvisado tão real quanto se possa imaginar. Não temos, durante a trama, grandes lições de vida ou algo para refletirmos por muito tempo, ao invés dessa esfera pesada, temos piadas quanto a velhice, esquecimentos pela idade – que proprocianam as melhores cenas de Michael Gambon e Pauline Collins -, conversas sobre passado, presente e futuro, muita música para divertir o espectador e piadas de um velho com mulheres mais novas – as cenas mais engraçadas de Billy Connolly. Em meio a tudo isso, todavia, o roteiro não deixa escapar um romance mal resolvido entre dois dos personagens, que já foram casados, mas contratempos fizeram com que eles se separassem. Por fim, a trilha sonora, que mistura canções originais de Dario Marianelli com a música clássica,  é mais um presente dessa produção maravilhosa.

Michael Gambon, uma das feras do longa.
Maggie Smith é a melhor atriz da história do cinema inglês, uma verdadeira dama respeitada por todos e uma das mulheres mais queridas no cinema atual. Quando li que esse filme teria direção de Dustin Hoffman e que Maggie seria a protagonista soube que não teria possibilidade de dar errado. As feições secas de Maggie, interpretando Jean, no início do longa, de uma mulher que já sofreu muito, que tem alguns arrependimentos na vida e vê seu mundo maravilhoso de cantora famosa de ópera  de sabar, contrapõe-se com as feições alegres e descontraídas que são apresentadas ao longo da história. Para completar, a simpatia de Maggie as desenvolturas de suas falas são sempre perfeitas. Pauline Collins foi indicada ao Oscar em 1989 e interpreta Cyssi, uma das personagens mais engraçadas e divertidas do ano no cinema, isso por que, Cyssi está passando por um momento difícil de sua vida e esquece muito das coisas, confunde passado e presente e não tem noção de algumas coisas. Não estou dizendo que é engraçado ver uma pessoa nessa situação, a graça está em como a personagem trata tudo isso: nunca se deixa desanimar e está sempre alegre com tudo, mostrando que o interessante é estar viva e ter amigos por perto. Tom Courtenay foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por “Doutor Jivago” (1965) e aqui nos presenteia com o papel de um homem que se desapontou muito com a esposa e vive uma vida feliz, mas que tem seus pilares abalados com a volta de Jean, a ex-esposa. Sendo assim, temos os contrapontos novamente: o Reginald animado, versus o Reginald nervoso e confusso. Billy Connelly é um dos atores mais engraçados do cinema atual, nesse filme, interpreta Wilf, o homem divertido que culpa sua idade por suas indecências, mas também uma das almas mais vivas do local, aquele que precisa sustentar os problemas de Cyssi e o ajudar Jean e Reginald a rever o passado para garantir o futuro, é o personagem mais humano de todos e Connelly nos mostra como a velhice pode ser agradável. Por fim, não posso deixar de falar sobre Michael Gambon, um dos atores mais importantes do cinema inglês hoje, é o ex-regente Cedric Livingson, um homem mandão que também está perdendo a memória, mas faz questão de não esquecer seus dias de regente, onde fazia o que queria e tratava todos como bem entendia; apesar de parecer um pouco arrogante, compreendemos logo que as pessoas o ovacionaram tanto que é difícil esquecer a época da fama e do glamour.



Somados, os 5 principais atores do filme e o diretor do longa, são quase 450 anos de idade, quase 140 vitórias em prêmios (dentre elas, 4 Oscars), 120 outras indicações (incluindo 12 indicações ao Oscar) e, pasmem, 440 produções já lançadas e mais 9 produções planejadas para os próximos anos. Sendo assim, me nego a aceitar algumas críticas que apontam esse filme como algo quase desnecessário. É claro que não são apenas os números de filmes ou prêmios que esses atores venceram que os fazem como grandes artistas, há muito mais em cada um deles – e em cada um dos outros intérpretes do restante do elenco. “O Quarteto” vem no estilo de “Crepúsculo dos Deuses” (1950), porém, os dramas vividos por Norma Desmond, os relacionados à decadência de sua bela carreira, são passados para trás pelos personagens. Jean acaba se conformando rapidamente que a vida, agora, é outra e que ela deve aproveitar ao máximo seus dias na casa de repouso, afinal, sempre viveu para trabalhar, agora chegou a hora de aproveitar a vida e apenas se divertir cantando e revivendo as memórias, sem pensar nos erros, a não ser que seja para corrigi-los. Nesse contexto, além de mostrar a importância de levar tudo com muito humor, “O Quarteto” pede para que analisemos mais nossa vida, mas jamais esqueçamos que o importante da vida, não importa a idade, é vivê-la intensamente, cada segundo como se fosse único e, principalmente, aceitar a vida como ela é, aceitar a vinda da idade como um presente por se estar na terra mais um ano!

Raramente posto fotos com o diretor do filme, mas aqui estão os 450 anos, os 140 prêmios, as 120 indicações e os quase 450 filmes: Pauline Collins, Tom Courtenay, Maggie Smith, Billy Connolly (dentre os atores faltou Gambon) e, ao centro, o diretor Dustin Hoffman.
ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:

quinta-feira, 21 de junho de 2012

268. BRIDESHEAD REVISITED – DESEJO E PODER, de Julian Jarrold

Bem abaixo do esperado.
Nota: 6,0


Título Original: Brideshead Revisited
Direção: Julian Jarrold
Elenco: Mathew Good, Hayley Atwell, Ben Whishaw, Emma Thompson, Michael Gambon, Ed Stoppard, Anna Madeley, Richard Teverson, Patrick Malahide
Produção: Robert Bernstein, Kevin Loader, Douglas Rae
Roteiro: Andrew Davies, Jeremy Brock e Evelyn Waugh (romance)
Ano: 2008
Duração: 133 min.
Gênero: Drama

Na faculdade o jovem e promissor artista Charles Ryder conhece o bom vivant Sebastian Flyte, filho do Lorde e de Lady Marchmain. Após um tempo de convivência o jovem Lorde leva Charles para sua casa e ele conhece toda a família do rapaz: uma das duas irmãs, Julia, é uma moça atraente e provocante que inicialmente despreza o pintor, a irmã mais nova, Cordelia, é uma menina sem noção que não entende nada da vida, o irmão mais velho, Bridey, é um solteirão que obedece a mãe todo o tempo, já a mãe é uma mulher católica fervorosa que acredita em sua religião e em Deus e apenas nisso. Apesar de nenhum demonstrar preconceito por Charles ser ateu, logo ele verá que em Brideshead ou se está ao lado da toda poderosa Lady Marchmain, e de seus ideais, ou a permanência ao lado de qualquer membro da família tem seus dias contados.


Desde 1983 Julian Jarrold dirigiu séries e filmes para televisão, em 2007 resolveu realizar a cinebiografia de Jane Austen no fraquíssimo “Amor e Inocência” com Anne Hathaway, James McAvoy, Julie Walters, James Cromwell e Maggie Smith, com esse elenco ótimo o problema acabou se centrando mesmo na direção e no roteiro que não fazem jus nenhum a grande escritora inglesa. O fato é que em “Brideshead” seu trabalho não é diferente, apesar de uma boa história e locações maravilhosas, ele não consegue extrair nem o mínimo da essência da sociedade inglesa da época, que, convenhamos, é um prato cheio para um bom diretor e um bom roteirista. O problema é que nem o diretor nem os roteiristas são grandes coisas, dessa forma, a história se perde e apenas nos mostra uma mãe orgulhosa e controladora, seus filhos idiotas e sem opinião e o rapaz que entra e sai da convivência com a família diversas vezes, bem como o diretor, eles vieram de séries de televisão, mas devo destacar o maravilhoso trabalho feito por Jeremy Brock em “O Último Rei da Escócia” (2006).


O que acaba sustentando o filme são mesmo as atuações. Matthew Good é Charles, um homem que sabe bem o que quer de sua vida profissional, mas se vê em apuros quanto aos problemas pessoais a partir do momento em que começa a relacionar-se com a família Flyte e todas as obsessividades acerca da matriarca da mesma. Goode iniciou sua carreira em 2002 em filmes para televisão, apenas em 2005, com o filme de Woody Allen “Ponto Final – Match Point”, que ele se lançou no cinema, depois vieram “O Segredo de Beethoven” (2006) e “Direito de Amar” (2009), com Colin Firth. A também oriunda da televisão, Hayley Atwell, trabalhou na adaptação do romance de Jane Austen “Mansfield Park” (2007), no filme com Colin Farrell e Ewan McGragor, “O Sonho de Cassandra” (2007), a cinebiografia de Georgiana Spencer “A Duquesa” (2008) e recentemente a adaptação dos quadrinhos “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011), ela interpreta Julia Flyte, uma garota que sabe o que quer, mas que no fundo é tão controlada pela mãe quanto qualquer outra pessoa que mora na casa. Bem Whishaw, o Jean-Baptist da boa adaptação do romance “Perfume – A História de um Assassino” (2006), é o jovem Sebastian Flyte, outro rapaz perturbado pela mãe, que se afundou na bebida e na vida boa para esquecer dos problemas da vida advindos da família.


Esse filme é bem abaixo da média, e não faz nada além de uma crítica tímida a respeito de crenças exageradas, especialmente do catolicismo. As atuações são medianas, a trilha sonora segue o mesmo nível. Enfim, um filme que não merece ser visto por muitos motivos, mas que é interessante se pensarmos naqueles filmes que analisam a sociedade inglesa do início do século passado, apesar de estar no fim da lista dos melhores do gênero.


terça-feira, 29 de maio de 2012

293. ASSASSINATO EM GOSFORD PARK, de Robert Altman

Não é apenas mais uma das ótimas comédias negras de Altman, é o seu triunfo em fim de carreira.
Nota: 8,8

(Chá às quatro. Jantar às oito. Morte à meia-noite)
Título Original: Gosford Park
Direção: Robert Altman
Elenco: Maggie Smith, Michael Gambon, Kristin Scott Thomas, Camilla Rutherford, Charles Dance, Geraldine Somerville, Tom Hollander, Jeremy Northam, Bob Balaban, Ryan Phillippe, Stephen Fry, Kelly Macdonald, Clive Owen, Helen Mirren, Eillen Atkins, Emily Watson, Alan Bates, Richard E. Grant, Derek Jacobi, Jeremy Swift
Produção:  Robert Altman, Bob Balaban, Julian Fellows, David Levy
Roteiro: Julian Fellowes, Robert Altman e Bob Balaban
Ano: 2001
Duração: 137 min.
Gênero: Drama / Suspense

Durante muito tempo a Inglaterra soube dividir suas casas familiares entre o andar de cima e o andar de baixo (ou no sótão), no primeiro viviam os nobres, homens e mulheres ricos com suas lindas famílias compostas por filhas e filhos maravilhosos que herdariam todo esse luxo, riqueza e títulos, o segundo era habitado pelos empregados da casa, mordomos, governantas, arrumadeiras, cozinheiras, valetes e outras pessoas filhas de pequenos fazendeiros, empregados ou comerciantes, que desejavam uma vida mais segura e digna para seus filhos, afinal, ser empregado em uma grande casa de um nobre importante era o máximo que pobres conseguiriam. Muitos filmes e séries retratam essa convivência e dependência entre um ou outro: tanto os empregados necessitam de seus patrões para serem pagos, quanto os proprietários das casas (ou melhor, mansões), ruiriam se fossem abandonados pela criadagem.


Gosford Park está totalmente preparada para receber inúmeros hóspedes para uns dias de caçada na propriedade de Sir William McGordle e sua esposa Lady Sylvia. No entanto, essa caçada irá agitar muito mais do que se pensava, e não apenas o andar destinado aos convidados, mas também o destinado aos empregados. Cada casal convidado traz, consigo um ou dois empregados para lhe servirem durante a estadia na casa. Dentre eles temos a excêntrica Constance, Condessa de Trenthan, com sua criada Mary; o astro de Hollywood Ivor Novello, seu produtor Morris Weissman e o conquistador criado deles Henry Denton; o orgulhoso e impotente Lord Raymond Stockbridge e sua esposa Louisa Stockbridge, com seu criado Robert Parks; e o confuso Anthony Meredith e sua esposa Lavinia Meredith. Em meio a tanta diversão, libertinagem, falcatruas e conspirações, eis que ocorre o assassinato de ninguém mais ninguém menos que o anfitrião da palhaçada, Sir William McGordle. Quem planejou o assassinato? Quem é o assassino? O que acontecerá com Gosford Park? E quanto ao destino dos criados? Essas são apenas algumas das perguntas a serem respondidas ao longo da trama.


A união de um mestre do cinema satírico, o diretor Robert Altman, e de um roteirista de mãos cheias, Julian Fellowes, não poderia ser melhor. Altman, que fez apenas mais dois filmes antes de morrer (nenhum superior a esse), ficou conhecido e eternizado por seu estilo totalmente próprio em ironizar todos os acontecimentos mais inusitados possíveis. Com muito humor, faz desse filme algo maravilhoso, claro que o local das filmagens é lindo, mas fazer com que um filme de mais de duas horas ocorra em apenas essa casa e, basicamente, dentro dela, e fazer com tanta qualidade e categoria não é para qualquer um. Fellowes, por suas vez, nos proporciona um ensinamento sobre o que era a sociedade inglesa há menos de cem anos, mostrando como os empregados eram tratados, o fato de a criadagem mal ser chamada pelo nome para ser reconhecida, como os ricos tratam uns aos outros escada acima e como ele desejam ser livres dos compromissos sociais. Fellowes é, também, o roteirista de uma minissérie inglesa maravilhosa que acabou virando uma série, “Downton Abbey” (2010 – 2012), ambientada na Primeira Guerra Mundial, aborda essa mesma relação entre os nobres e seus criados, mas é menos denso em relação ao tratamento dos empregados e bem mais profundo nos sentimentos de todas as personagens, uma série simplesmente maravilhosa que eu recomendo para todos. Para completar essa dupla ótima, ainda temos o sempre excelente compositor Patrick Doyle para deixar cada cena ainda mais bela ou intrigante.


No mundo todo ingleses são censurados por alguns de seus comportamentos, mas é sempre um alívio saber que um elenco é composto basicamente por ingleses: são eles que compõem no mínimo 85% desse elenco perfeito, e garanto que todos já viram vários deles, mas não se recordam. Maggie Smith é Constance Trentham, uma mulher cheia de si, arrogante ao extremo, que sabe o que quer, preocupa-se apenas consigo mesma e seu futuro, o curioso de assistir a interpretação de Smith, é que essa sua personagem e a que ela dá vida em “Downton Abbey” são muito parecidas: inglesas perfeitas que mantêm todos os costumes possíveis, mas ela é uma atriz tão fantástica que compõe cada personagem a seu modo e as deixa totalmente diferentes. Outro ator inconfundível, Michael Gambon, apesar de não ser inglês, interpreta William McCordle, um homem que fez muitas coisas erradas na vida, despreza a tudo e todos, menos seu cachorrinho de estimação odiado por toda a família, preferindo ficar sozinho se não pode ter o controle de tudo a sua volta, Gambon tem a mesma avaliação de Smith, perfeito no papel, a dupla trabalhou junto nos filmes da saga “Harry Potter”, ela como Minerva McGonagoll e ele como Alvo Dumbledore. Kristin Scott Thomas, de “O Paciente Inglês” (1996), é uma Lady McCordle que já não aguenta mais o marido e deseja apenas viver ao seu lado pelo conforto e luxo, ainda é orgulhosa e despudorada. Charles Dance, o Tywin Lannister de “Game of Thrones” (2011-2012), é o Lord Stockbridge, severo, frio, aparentemente sem sentimentos, outro ator que tem em suas mãos uma personagem parecida com a da série, mas que a leva de forma magnífica e diferenciada em ambos os casos. Tom Hollander, que na franquia “Piratas dos Caribe” é Cutler Beckett, aqui é o Sr. Meredith, com quem McCordle pretende desfazer alguns negócios que podem arruiná-lo; Jeremy Norton, oriundo da série “The Tudors” (2007-2008), onde dá vida ao lendário Sir Thomas More, vive o astro bonito, gentil e de voz mansa Ivor Novello; Kelly MacDonald, a Margaret Schroeder de Boardwalk Empire (2010-2011) é a iniciante Mary, criada da Condessa Trentham; Clive Owen, o Larry do cultuado “Closer – Perto Demais” (2004), é o criado Parks; Emily Watson, vinda do ótimo “Dragão Vermelho” (2002), é umas das empregadas mais familiarizadas com o emprego e a família a qual serve, Elsie; por fim, a fantástica Helen Mirren, vencedora do Oscar por “A Rainha” (2006), é a governanta Sra. Wilson, uma mulher fechada, mas excelente servente, em suas palavras, por saber o que seus patrões desejam mesmo antes deles terem certeza.


Falar sobre um filme com tanta qualidade em uma crítica pequena é impossível, portanto me estendo mais um pouco para salientar como essa análise sobre as relações humanas é precisa, nos afirmando o que já sabíamos: não há como exigir que todos os costumes de um povo mude, afinal, eles foram criados com eles e para mantê-los o mais firme possível. Esse filme não é apenas uma crítica à sociedade da época e seus costumes ultrapassados, que somente viriam a acabar por completo na Segunda Grande Guerra, é uma obra de arte onde Fellowes, como fará em “Downton Abbey” dez anos depois, revela o quanto os ingleses eram preparados para as desventuras da vida, pelo simples motivo de que dezenas de coisas acontecem durante poucos dias, mas, como em todas as grandes casas das ricas famílias inglesas da época, tudo volta ao normal, por que é assim que os ingleses serão para toda a eternidade: inexplicáveis e dignos de cópia, por seu imenso e milenar tradicionalismo.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

domingo, 15 de abril de 2012

333. HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE I, de David Yates


O começo do fim é sempre mais difícil, apesar de mais entediante que a segunda parte, seguramente elas duas juntas formariam um filme perfeito para os fãns.
Nota: 9,3




Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows – Part I
Direção: David Yates.
Elenco:Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Bonnie Wright, Tom Felton, Maggie Smith, Jim Broadbent, Michael Gambon, John Hurt, Matthew Lewis, Julie Walters, James e Oliver Phelps,Robbie Coltrane, Emma Thompson, Gary Oldman,
Produção: David Barron, David Heyman, J. K. Rowling
Roteiro: Steve Kloves, J.K. Rowling
Duração: 146 min.
Ano: 2010
Gênero: Aventura

As primeiras cenas já nos emocionam e chocam ao mesmo tempo: o ministério enfraquecido diz estar forte; Harry vê sua única referência de família deixá-lo; Rony observa a obscuridade que o mundo vive; e Hermione, em uma cena super emocionante, faz seus pais esquecerem que ela existiu e os deixa, quem sabe, para sempre, isso tudo ao som de “The Obliviation” (referência ao feitiço usado pela menina) música composta maestrialmente por Alexander Desplat. Depois aparece o título, a música é trocada por “Snape to Malfoy Manor” e essa é a deixa para começar uma cena completa com aquele show de interpretações, entre elas Alan Rickman (Severus Snape), Ralph Fiennes (Voldemort), Helena Bohan Carter (Belatrix Lestrange), Helen McCrory (Narcisa Malfoy), Timoty Spall (Rabicho) e Jason Isaacs (Lucius Malfoy). Logo depois a música muda para “Polyjuice Potion/Hedwige’s Theme” e temos mais uma cena tão boa quanto essa, mas sem a obscuridade da Mansão Malfoy: o que restou da Ordem da Fênix buscar Harry em sua casa. Dentre os interpretes temos Robbie Coltrane (Rubeus Hagrid), Rupert Grint (Rony), Emma Watson (Hermione), Brendan Gleeson (Alastor Moody), Natalia Tena (Nynphadora Tonks), David Thewlis (Remus Lupin) e Daniel Radcliffe, e é aí que o filme realmente começa: com a fuga de Harry Potter. Agora Harry, Rony e Hermione finalmente cresceram de vez e deixam de lado a escola para correr atrás do prejuízo e ir onde for necessário para encontrar os objetos escolhidos por Voldemort para depositar partes de sua alma, as Horcrux, e destruí-las. Mas dessa vez eles terão que seguir essa jornada sozinhos.

              Para alguns,  dividir  em  dois filmes  o último livro  foi  apenas para  ganhar dois bilhões de dólares ao invés de um; se era esse o objetivo eles  conseguiram, mas se o objetivo  era deixar a  história mais  clara e   fazer  ao  menos   uma   adaptação   decente  eles  também   conseguiram.   Aqui   o   diretor  começa  a  superar  suas  expectativas, apesar de usar câmera  de  mão  em  cenas  totalmente  inapropriadas para esse  tipo de recurso, os efeitos são mais uma vez  insuperáveis e a edição é linda. Temos ainda a trilha sonora de da promessa  da  década, Alexander  Desplat, apesar  desse  filme  ser  bem  mais  tedioso  que o segundo, a melhor de todas as oito trilhas criadas para a série é essa. O filme foi indicado ao Oscar nas categorias de direção de arte e e efeitos visuais. Citar apenas algumas  cenas é praticamente  impossível, mas aqui  vão 15 delas em ordem de acontecimento que quase resumem o filme:

1.                 Hermione faz seus pais esquecerem sua existência;
2.                 Os sete Potters;
3.                 Leitura do testamento de Dumbledore (importantíssima para se entender o restante da história);

4.                 Chegada no Largo Grimaldo (casa dos Black);


5.                 Reencontro com Dobby;
6.                 Ida de Harry, Rony e Hermione ao Ministério da Magia;
7.                 Hermione descobre como destruir as Horcrux;
8.                 Harry e Hermione dançando, seguida da descoberta do Pomo de Ouro;
9.                 Passada de Harry e Hermione por Godric’s Hallow;
10.             Harry acha a espada de Godric Gryffindor e reencontra Rony;
11.             O trio visita a Xenophilius Lovegood (Hermione conta “O Conto dos Três Irmãos);
12.             Perseguição dos Comensais da Morte após visita a Lovegood (uma das mais bem gravadas de toda a série, simplesmente maravilhosa);

13.             Os três passam pela Mansão Malfoy;

14.             Mais uma importante morte para o mundo bruxo;

15.             Voldemort encontra a Varinha das Varinhas.


As grandes atuações desse filme ficam por conta dos citados nas cenas da Mansão Malfoy e na fuga de Harry, são impressionantes as melhoras de Radcliffe, Grint e, principalmente, Watson (a melhor dos três). Acompanhar uma série durante dez anos de sua vida quando você tem apenas dezesseis é algo inexplicável, “Harry Potter” faz parte de mais da metade de minha vida, e por isso fará parte dela para sempre, durante esses anos li todos os livros da série e aqueles sobre a série, assisti a todos os filmes (apenas o primeiro não foi no cinema), fiz amigos que também gostavam da história e, hoje posso dizer, escrevi sobre todos eles. Ver o fim de uma saga tão importante é ótimo e terrível ao mesmo tempo, quando os livros terminaram nos apegamos aos filmes, e agora nos resta reler e rever, no entanto podemos ficar felizes e satisfeitos vendo que ao menos o desfecho dessa série foi feito com tanta dedicação para se tornar indiscutivelmente épico, afinal, como já disse, assim como o amor de Snape por Lily, essa série é permanecerá em nossas mentes e corações para sempre.


Para finalizar as críticas de todos os filmes da série, um momento de nostalgia para todos os fãs dessa Saga inesquecível. As críticas dos oito filmes podem ser conferidas aqui no blog...
Harry Potter e a Pedra Filosofal

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

NOX...

ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

334. HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE, de David Yates


O mais romântico dos filmes era para ter sido o mais obscuro por contar a vida de Lord Voldemort e mostrar a morte de uma das personagens mais queridas e importantes da saga.
Nota: 8,5 



Título Original: Harry Potter and the Half-Blood Prince
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Ralph Fiennes, Maggie Smith
Produção: David Heyman, David Barron e John Trehy
Roteiro: Steve Kloves
Ano: 2007
Duração: 153 min.
Gênero: Fantasia / Aventura

O mundo trouxa está cada vez mais propenso às maldades de Voldemort; Dumbledore mostra a Harry algumas de suas lembranças para que o passado do Lorde das Trevas seja revelado; Harry se aproxima de seu novo professor de poções; os corações de todos os jovens em Hogwarts estão enlouquecidos e é chegada a hora de Severus Snape provar sua lealdade ao seu verdadeiro mestre. Em uma dessas lembranças desvendada por Harry e Dumbledore será revelada a forma que Voldemort encontrou para viver tanto tempo, e é somente aqui que poderemos compreender um pouco do que está por vir e de tudo o que Harry deverá se sujeitar a fazer.


A direção ficou a cargo do mesmo diretor do filme anterior, David Yates, no entanto a adaptação desse sexto livro consegue ser pior do que a do quinto. Bem como o quinto filme, esse é repleto de qualidade técnica, tanto visual quanto sonora, a trilha ainda é de Nicholas Hooper, que nos traz um trabalho mediano. Portanto, bem como no quinto filme, o roteiro é fraco e o que salva esse filme da catástrofe são as excelentes cenas compostas pelos excepcionais intérpretes. As poucas lembranças mostradas acabam por nos revelar muito menos do que necessário, dessa forma o filme acaba, de certa forma, se perdendo não agregando absolutamente nada à trama da série como um todo, a pouca fidelidade fica para as últimas cenas onde vemos um dos maiores ídolos da série morrer.


O novo professor de poções, Horácio Slughorn, é vivido pelo sempre ótimo Jim Broadbent que, até então, possuía em seu currículo nomes fortes como “A Jovem Rainha Victoria” (2009); “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (2008); “As Crônicas de Nárnia” (2005); “Robôs” (2005); “Bridget Jones: No Limite da Razão” (2004); “O Segredo de Vera Drake” (2004); “Gangues de Nova York” (2002); “Iris” (2001); Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (2001) e “O Diário de Bridget Jones” (2001), isso tudo apenas na primeira década desse século; em 2002 ele venceu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante por “Iris”. Além dele temos a entrada da nada decepcionante Helen McCrory, atriz há apenas vinte anos já possui em seu currículo cinquenta trabalhos, dentre eles “O Conde de Monte Cristo” (2002); a série “Dickens” (2002); “Casanova” (2005); “A Rainha” (2006); “O Fantástico Senhor Raposo” (2009) e, mais recentemente, o incrível “A Invenção de Hugo Cabret” (2011), na série do menino bruxo ela interpreta a mãe do inimigo de escola de Harry, Narcisa Malfoy.


O penúltimo livro da série é um dos melhores por nos revelar um pouco sobre o deprimente passado do Lorde das Trevas, no entanto o filme se perde mostrando apenas os problemas da juventude dos alunos de Hogwarts, não que o filme seja ruim, aliás nenhum dessa série o é, mas poderia ser melhor, muito melhor devido ao enredo criado pela autora dos livros.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

Poderá gostar também de: