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domingo, 28 de junho de 2015

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, de Wes Anderson

A alegoria de Wes Anderson em um filme de  perseguição e revelações familiares


O lendário Gustave H. trabalha como concierge no famoso Grande Hotel Budapeste. Charmoso e simpático, o concierge tem uma vida agitada, envolvendo-se sexualmente com as hóspedes mais estimadas e distintas, idosas ricas, inseguras, vaidosas, superficiais, carentes e louras. Sempre louras. Eis que sua vida muda com a chegada do jovem Zero Moustafa, o novo garoto de recados. Mas a mudança não vem pela chegada do empregado, e sim pela morte de uma de suas amantes. Milionária e cercada de invejosos e interesseiros, Madame D. é assassinada e o acusado é o próprio Gustave, que recebeu um quadro de valor inestimável como herança.
A aventura escrita e dirigida por Wes Anderson (que teve os escritos de Stefan Zweig como inspiração e a ajuda de Hugo Guinness) é repleta de mistério e confusões. A diferença com outros filmes que segue essa linha é que Anderson e Guinniss criaram uma história metafórica muito concisa. Tudo é contado por Zero Moustafa que, por algum motivo, se tornou o dono do Grande Hotel Budapeste. Décadas depois de conhecer Gustave, Moustafa está hospedado no hotel, quase uma ruína que está prestes a ser demolida. Os anos de grandiosidade do Budapeste já passaram, e ele se tornou apenas um hotel grande demais, com histórias demais, funcionários demais e hóspedes de menos. Um jovem escritor, assim sendo, acaba por ouvir as histórias do rico Zero Moustafa sobre como ele chegou até ali. A narrativa poderia ser cansativa, repetitiva, sem graça e surreal demais. Mas não é. Anderson satiriza filmes de perseguição e mistério com uma sutileza ímpar, sem perder a essência da curiosidade provocada no espectador. Personagens sempre muito diferentes são inseridos e todos parecem ter um espaço necessário na trama que envolve Gustave e Moustafa. Personagens essenciais para que os mistérios sejam resolvidos e para que o desfecho seja preciso.


Esse filme, entretanto, não destoa dos demais trabalhos do diretor. Como “Os Excêntricos Tenenbaums” (2001), “ A Vida Marinha com Steve Zissou” (2004) e “Moonrise Kingdom” (2012). “O Grande Hotel Budapeste” possui direção de fotografia e de arte deslumbrantes. Cada enquadramento parece uma verdadeira obra de arte, como os quadros feitos por grandes pintores muito clássicos que usam cores muito saturadas e específicas à sua maneira, com personagens muito bem centralizados e equilíbrios em todos os sentidos. Geralmente, a câmera está parada ou apenas acompanha os movimentos dos personagens, caracterizando os movimentos (como bruscos ou suaves) conforme a tensão da câmera exige. Os planos são sempre muito simétricos, com os personagens como elementos centrais e objetos (ou personagens secundários) muito bem posicionados ao seu redor, ou detalhes nas paredes e no teto que tragam essa simetria. A direção de fotografia é de Robert D. Yeoman, fotógrafo de dezenas de filmes impressionantes, trabalhando com Wes Anderson em todos os seus longas metragem em live action desde “Pura Adrenalina” (1996), primeiro longa do cineasta.
O contexto clássico referente à arquitetura do hotel ajuda a preservar tal simetria, entretanto, isso também se deve ao trabalho magnífico da direção de arte assinada por Stephen Gessler e supervisionada por Gerald Sullivan. Apesar de esse ser o primeiro trabalho de Gessler e Anderson (Sullivan trabalhou com o diretor em “Moonrise Kingdom”), as caracteríticas visuais dos demais filmes do cineastas são lembradas aqui. A diferença é que Gessler opta por cores mais vibrantes (como vermelho, o roxo, o azul), contrapondo-as ou relacionando-as o tempo todo. Sobre a simetria, pode-se obervar o posicionamento de objetos de forma muito perfeita. Cada cômodo do hotel (desde o pequeno quarto de Zero Mustafa até o grande salão de jantar) são muito harmônicos, o que pode ser verificado a cada quadro. Além disso, o figurino de Milena Canone é um escândalo. Não é para menos, a figurinista assinou as roupas usadas em clássicos como “Laranja Mecânica” (1971), “O Iluminado” (1982), “Entre Dois Amores” (1985) e “O Poderoso Chefão – Parte III” (1990), sendo indicada ao Oscar oito vezes e vencendo em três delas. Cada roupa usada pelas dezenas de personagens apresentados em “O Grande Hotel Budapeste” casam com suas respectivas personalidades e reagem conforme o espaço onde estão. A movimentação dos personagens também é muito precisa e contribui para a perfeição simétrica dos quadros.


Alguns acreditam que a trilha sonora de um filme só é ideal quando ela se torna “invisível”, ou seja, quando o sonoro complementa o visual, não distanciando o espectador daquilo que ele está vendo. Contudo, a sonoridade também não pode passar despercebida, logo, o espectador deve reconhecê-la, mas não ater-se apenas a ela em detrimento do restante da produção. E vise-e-versa. Poucos filmes que tenha assistido nos últimos anos conseguem isso. Em sua grande maioria, compositores pretenciosos demais querem se mostrar tão gloriosos quanto o filme para o qual estão compondo, em outros casos, compositores fracos demais não dão conta do recado e sua trilha não se relaciona direito com o filme, muitas vezes, atrapalhando o resultado final. Ainda existem os longas prejudicados pela fama do compositor, que deixa todas as suas trilhas sonoras muito características. Ao longo de sua carreira, Alexander Desplat tem mostrado que está no grupo dos grandes compositores que, surpreendentemente, se contentam em usar a trilha sonora para destacar as tensões de um filme, revelar o que se passa no interior dos personagens, aqueles que sabem distinguir filmes onde a trilha sonora deve ser um persongem e filmes em que deve acompanhar a narrativa. Aqui, Desplat não faz diferente e traz uma trilha simples, mas que casa com perfeição com o longa.
Wes Anderson conquistou, ao longo dos anos, não apenas a admiração do público e da crítica, mas dos atores com o qual trabalhou (e dos que nunca trabalhou também). Assim sendo, sem dúvida, o diretor reuniu, para este filme, o elenco mais estrelar e competente visto nos últimos anos, onde até mesmo os coadjuvantes que aparecem pouco mais de um minuto são atores renomados. No elenco central, estão Ralph Fiennes (M. Gustave), Tony Revolori (jovem Zero Moustafa), F. Murray Abraham (Zero Moustafa idoso) e Jude Law (jovem escritor). Fiennes é simples, realista, com expressões faciais e corporais que dizem tudo a respeito de seu personagem. Deve-se apontar, também, a forma como o ator consegue sempre deixar claro que o mulherengo Gustave guarda algum grande segredo, que será revelado durante a trama. Tony Revolori atuou em cerca de uma dezena de produtos televisivos e curtas-metragem antes de encarar o jovem Zero. O personagem apresentando pelo ator é engraçado, divertido e se mostra sempre muito eficiente e um verdadeiro amigo. Talvez a principal caracterísitica das interpretações desse longa seja exatamente isso: a naturalidade em meio à alegoria habitual dos filmes de Wes Anderson. Murray Abraham e Jude Law dão o tom da história, ao passo que apresentam, respectivamente, narrador e ouvinte dessa grandem fábula moderna. Dentre os demais destaques do elenco, estão Willem Dafoe e Adrien Brody, como os vilões da história, Edward Norton, como o policial caricato, e Tilda Swinton, como a misteriosa Madame D.



Os filmes de Wes Anderson nunca foram grandes vencedores da premiação do Oscar, o próprio diretor já foi indicado seis vezes nas categorias de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro e nunca venceu nenhum deles. O motivo é simples: Anderson foge do comum, o cineasta propõe mundos diferentes do nosso, histórias singulares e que, na cabeça da maioria dos seres humanos, seriam improváveis (ou até impossíveis de acontecer). “O Grande Hotel Budapeste” não foge desse “realismo fantástico” que tanto fascina. Se a discusão permeia sobre qual filme é o melhor filme do ano, podemos propor que se discuta a importância de tantas histórias e estilos diferenciados serem apresentados em um ano como este. “Boyhood”, “Birdman”, “O Grande Hotel Budapeste”, “O Jogo da Imitação”, “Sniper Americano”, por exemplo, são longas que abordam a juventude, a pisiqué, o “reaslismo fantástico”, a vida de um homem que existiu realmente e a guerra no Iraque, todos com estética muito própria, todos filmes interessantes e de destaque. Mas, não há dúvidas de que “Budapeste” se destaque por toda sua genialidade, pelo uso da imagem e do som com tanta sabedoria, por um roteiro magnífico e interpretações memoráveis. Há que se observar, ainda, como é satisfatório saber que Anderson ainda está entre nós para que seus filmes com características muito próprias ainda possam nos consquistar e nos fazer esperar anciosos por seu próximo trabalho.


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sábado, 26 de janeiro de 2013

122. DRAGÃO VERMELHO, de Brett Ratner

O melhor enredo dos filmes sobre Hannibal Lecter, com o melhor elenco de todos, mas, nem por isso, o melhor filme.
Nota: 9,0


Título Original: Red Dragon
Direção: Brett Ratner
Elenco: Edward Norton, Anthony Hopikins, Ralph Fiennes, Emily Watson, Mary-Louise Parker, Philip Seymour Hoffman, Harvey Keitel, Althony Heald
Produção: Dino de Laurentiis e Martha de Laurenthiis
Roteiro: Ted Telly e Thomas Harris (romance)
Ano: 2002
Duração:
Gênero: Drama / Thriller

Aviso: antes de ler qualquer comentário sobre esse filme, acho bom esclarecer as ordens em que os longas sobre Hannibal Lecter foram lançados e a ordem cronológica:
Em ordem de lançamento: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2004) e “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).
Em ordem cronológica: “Hannibal – A Origem do Mal”, “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”.
A ordem respeitada no blog será a cronológica.


Hannibal Lecter assassina o flautista de uma orquestra e o serve em um jantar para os diretores da mesma, o motivo: o músico era péssimo. Por esse e outros assassinatos, na mesma noite, o agente Will Graham, que estava tendo ajuda de Lecter no caso, consegue prendê-lo. Oito anos após a prisão, Graham está aposentado por mérito e Hannibal permanece em um sanatório de segurança máxima. Entretanto, outro assassino já matou duas famílias, para facilitar as coisas, Jack Crawford, ex-chefe de Graham, o chama para ajudar a desvendar o caso. O fato é que, será impossível fazê-lo sem uma ajudinha básica de Hannibal, o Canibal.


A história na qual se baseia esse filme foi escrita por Thomas Harris, e, cronologicamente, esse seria o segundo filme dos quatro sobre a vida e os crimes envolvendo Hannibal Lecter. Antes desse temos “Hannibal – A Origem do Mal” (2007), depois, ainda cronologicamente, “O Silêncio dos Inocentes” (1991) e “Hannibal” (2001). Por esse filme ter sido rotado após os de 1991 e 2001, obviamente, vemos algumas referências aqui ou outras ali do que foi dito ou do que ocorreria nos próximos filmes, mas mais que isso, entendemos um pouco mais algumas coisas a respeito da vida de Hannibal. A primeira cena do filme não é nada menos que memorável para os adoradores da “série”, durante as conversas entre Graham e Hannibal, podemos analisar o quanto o personagem de Hopkins é frio, sem sentimentos ou reações ao que acontece a sua volta, além disso, é um maluco notório, mas um maluco racional que conhece muito da vida e tem muito para passar para o jovem homem que está investigando o caso. Curiosamente, ainda vale a pena falar sobre o novo assassino do filme, Francis Dolarhyde tem problemas, o que verificamos logo em sua primeira aparição, por seu passado triste e doloroso, ainda por cima, sente que essa imagem desse tal “Dragão Vermelho” o domina, obrigando-o a fazer todas as suas vontades.


Anthony Hopkins já estava bem familiarizado com Lecter em seu último filme na série, apesar de essa ser a primeira história cronológica com o ator como protagonista. Bem como disse nas críticas da franquia “Piratas do Caribe”, Hopkins, assim como Johnny Depp, prova o quanto é um ator completo e maravilhoso: ele pode passar quanto tempo for longe de Lecter, pode filmar várias outras coisas e, mesmo com esse vai e vem da história, permanece o mesmo Hannibal frio e realista, mas também um homem utópico com suas manias estranhas e seus desejos mais estranhos ainda. Edward Norton, o melhor ator americano de sua geração, é o agente Will Graham, um homem destemido e apaixonado pelo que faz, mas, ao mesmo tempo, tão racional e realista quanto Hannibal, suas feições em frente aos colegas de quem não se importa muito com o que está acontecendo são contrastadas pelas feições de quando está preocupado ou com medo. As cenas protagonizadas por Norton e Hopkins são as melhores de todos os filmes e a química entre eles parece bem melhor do que a que acontece entre Hopkins e as atrizes dos outros dois filmes. Ralph Fiennes é o assassino da vez, Francis Dolarhyde, sendo o ator, ao lado de Daniel Day Lewis, o melhor ator inglês de sua geração, é de se esperar que a personagem seja construída de forma perfeita, e é bem isso que o ator consegue: em todos os momentos, suas reações, os olhos arregalados e nenhuma expressão nos mostram o quanto ele tem medo daquilo que se tornou e mais, nos mostram como ele está tomado pelo ódio e pelo poder do Dragão Vermelho. Além deles, as ótimas Emily Watson e Maty-Louise Parker e os excelentes Philip Seymour Hoffman, Anthony Heald e Harvey Keitel integram o elenco como, Reba McClane (única paixão de Francis), Molly Graham (esposa de Will), Freddy Loudns (um jornalista intrometido), Dr. Frederick Chilton (o dono do sanatório onde Hannibal está internado) e Jack Crowford (chefe de Will no FBI), respectivamente.


Percebemos, como disse, o quanto Francis é louco por seu passado – inclusive, não podemos esquecer que Hannibal também é um homem louco que inventa, em alguns momentos seu próprio mundo -, todavia, apesar de ter escrito um diário onde conta tudo o que aconteceu em sua vida, não temos certeza se tudo aquilo é verdade ou não, digo, não sei como isso é apresentado no livro de Thomas Harris, mas aqui temos apenas uma certeza: Francis é louco, logo, tudo pode ter ficado em seu imaginário desde quando era criança. Em contra ponto, durante o filme nos é apresentada a forma como o menino foi tratado pela avó, uma mulher que não parecia muito feliz e interessada em cuidar dele, o que aconteceu com seus pais para ele ficar com a avó – que também parecia ter problemas psicológicos – também não sabemos. Como de praxe, portanto, esse é mais um filme relacionado a Hannibal Lecter sobre o qual não entendemos muitas coisas, mas é o melhor enredo de todos e o que reúne o melhor elenco entre os quatro longas sobre o canibal.

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

152. (ESPECIAL OSCAR 2013) 007 – OPERAÇÃO SKYFALL, de Sam Mendes

Se formos presenteados com produções tão fantásticas quanto essa, que venham mais 22 filmes, que venham mais 50 anos, que venham mais James Bonds.
Nota: 9,6


Título Original: Skyfall
Direção: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice MarloheAlbert Finney, Ben Whishaw, Rory Kinner, Ola Rapace, Helen McCrory
Produção: Barbara Broccoli, Michael G. Wilson
Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Ian Fleming
Ano: 2012
Duração: 148 min.
Gênero: Ação / Thriller / Aventura

O agente 007 é dado como morto em uma missão, sua pretensão é a mais óbvia: sumir sem deixar rastros e viver seus dias em algum lugar paradisíaco. Todavia, ataques misteriosos colocam a vida de todos os seus colegas em risco, dessa forma, Bond se sente pressionado  a voltar e fazer seu papel de forma rápida e eficiente. O problema é que quem está por trás de tudo é um ex-agente do comando MI6, disposto a tudo pelo enrugado pescoço de ninguém mais, ninguém menos que a enigmática M.
Sam Mendes é, sem dúvida, um dos diretores mais surpreendentes e geniais em atividade. Apesar de possuir apenas seis títulos no cinema, desde seu primeiro filme, Beleza Americana (1999), até aqui, nenhum deles decepciona. Comentar seu estupendo trabalho nessa crítica talvez seja o mais difícil de ser realizado hoje, pois bem, vamos por partes. A abertura é, sem mais delongas, perfeita, além de imagens que fazem referências a vários outros filmes do agente, somos presenteados com a interpretação de Adele na música “Skyfall”, que, por sua letra já indica despedidas emocionantes. O restante da trilha sonora é composta por Thomas Newman, autor de dezena de trilhas conhecidas e apreciadas pela crítica e pelo público, dentre elas, acredito que se destaque “Procurando Nemo” (2003), para “007”, ele nos apresenta um trabalho magnífico e quase impecável, trazendo diversas referências ao conhecido tema do agente e aos demais filmes da franquia. Além disso, é impossível deixar de citar a beleza da fotografia do filme, os figurinos exuberantes e a maquiagem impecável responsável pela caracterização, sobretudo, de Javier Bardem. Dessa forma, digam o que quiserem de Craig (que subiu muito no meu conceito), digam o que quiserem de Adele cantando no filme (para mim, a melhor aquisição de Mendes), digam o que quiserem a respeito das indiretas homossexuais (que não foram nada absurdas), e digam o que quiserem sobre as mortes do filme (a única coisa que não gostei, mas ainda tenho minhas dúvidas quanto suas veracidades), o fato é que, 007 só tem a melhorar, e está melhorando a cada filme.


Com esse longa, confirmo: o problema de Daniel Craig é, justamente, o diretor com quem ele trabalha. O ator demonstra, como o fez em “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (2011, dirigido pelo mestre David Fincher) e contra todas as expectativas, que pode ser um excelente intérprete na pele de James Bond, apesar das feições ora engraçadas, ora grotescas, Craig se torna um 007 quase perfeito, sendo firme, decidido e emocionante quando necessário; nesse contexto, verificamos o crescimento tanto de Craig, quanto o amadurecimento de James Bond, e junto disso, obviamente, somos expostos a dezenas de dúvidas e problemas relacionado a idade. Javier Bardem, assim como Adele, é um presente de valor inestimável oferecido pela trama, sarcástico, imprudente e desinteressado nas consequências de seus atos, é um vilão que lembra muito o Coringa de Heath Ledger, o que significa um elogio pra lá de bem vindo, sem perder sua originalidade. Não posso deixar de comentar a tão falada cena em que Barden insinua uma atividade homossexual com Craig alegando que tudo tem uma primeira vez na vida, ao passo que este responde: “O que o faz pensar que essa é minha primeira vez?”, a ambiguidade da fala de Craig (primeira vez no sexo homo ou como agente em missão), gerou um dos maiores comentários do ano, especialmente ente os conservadores. Ralph Fiennes é uma agradável surpresa no elenco, como uma personagem que parece ser meio definitiva, ele é o chefe de Segurança Internacional da Inglaterra, e é ele que tem de lidar com os problemas advindos dos assassinatos e atentados causados pelo vilão, para mim, a personagem é muito mais do que parece, fica a dica. Apesar da excelência desses três atores e das belas “bondgirls” da vez (Naomie Harris e Bérénice Malohe), é a matriarca que realmente interessa nessa sequência. Judi Dench é a insuperável M, que sofre ao saber dos planos do antigo agente, mas que permanece fria e convicta quando ordena que a arma seja disparada mesmo que a vida de Bond esteja em jogo, sendo assim, mesmo que a atuação de Bardem se sobre saia a dezenas de outras personagens coadjuvantes do ano, é inegável: Dench jamais será superada enquanto M viver.
Após 22 filmes, seis diferentes James Bond (e põe diferentes nisso), mais de uma dezena de diretores e inúmeros roteiristas, finalmente as aventuras do agente 007 completam 50 anos, e como era de se esperar, em grande estilo temos uma das produções mais bem realizadas da história. Pode até ser que Craig não seja o melhor James Bond entre todos, mas sem dúvida, a genialidade de Sam Mendes torna o filme uma obra quase impecável. A missão de Bond, portanto, fica bem além de divertir, o propósito de todo o filme – e isso inclui cada personagem e cada cena- é, justamente, o de indagar ao espectador o quanto podemos nos sentir seguros, afinal, até mesmo grandes personagens de nossa história atual – aqui representados por M, que, aliás, não é humanizada em momento algum como algumas pessoas vem apontando – correm perigo o tempo todo. Portanto, o quanto você está protegido? E o que você acha que deve ser feito para que essa situação seja melhorada? Enquanto pensa em tudo o que esse filme nos faz refletir, corre até a locadora mais próxima – e bem equipada- e divirta-se, e pense com James Bond e seus 22 filmes, até que uma próxima produção seja lançada, afinal, somos lembrados no final do filme que esse não é o fim, afinal, “James Bond will be back”.

A SEGUIR, PARA FECHAR O ESPECIAL "50 ANOS DE JAMES BOND NO CINEMA" A RELAÇÃO DOS FILMES E DOS ATORES QUE INTERPRETARAM O AGENTE 007:













COMO ÚLTIMA HOMENAGEM, O PRIMEIRO JAMES BOND DA HISTÓRIA (SEAN CONNERY) AO LADO DO CRIADOR DO PERSONAGEM (IAN FLEMING):


ESPECIAL TEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2013
INDICADOS AO GLOBO DE OURO


Melhor Filme (Drama)
Argo
Lincoln

A Hora Mais Escura

Django Livre

As Aventuras de Pi


Melhor Filme (Comédia/Musical)

Os Miseráveis

O Exótico Hotel Marigold

Moonrise Kingdom

O Lado Bom da Vida

Amor Impossível


Melhor Diretor

Ben Affleck (Argo)

Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)

Steven Spielberg (Lincoln)

Quentin Tarantino (Django Livre)

Ang Lee (As Aventuras de Pi)


Melhor Ator (Drama)

Daniel Day-Lewis (Lincoln)

Joaquin Phoenix (O Mestre)

Denzel Washington (O Voo)

Richard Gere (A Negociação)

John Hawkes (As Sessões)


Melhor Ator (Comédia/Musical)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Bill Murray(Um Fim de Semana em Hyde Park)
Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Jack Black(Bernie)
Ewan McGregor (Amor Impossível)
Melhor Atriz (Drama)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)
Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Helen Mirren (Hitchcock)
Naomi Watts (O Impossível)
Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)


Melhor Atriz (Comédia/Musical)

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

Judi Dench (O Exótico Hotel Marigold)

Maggie Smith (Quartet)

Emile Blunt (Amor Impossível)

Meryl Streep (Um Divã Para Dois)


Melhor Ator Coadjuvante

Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)

Christoph Waltz (Django Livre)

Tommy Lee Jones (Lincoln)

Leonardo DiCaprio (Django Livre)

Alan Arkin (Argo)



Melhor Atriz Coadjuvante

Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Amy Adams (O Mestre)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As Sessões)
Nicole Kidman (The Paperboy)


Melhor Roteiro

Argo

Django Livre

A Hora Mais Escura

O Lado Bom da Vida

Lincoln



Melhor Filme em Língua Estrangeira

Intocavéis (França)
Amor (Áustria)
Ferrugem e Osso (França)
O Amante da Rainha (Dinamarca)
Kon-Tiki (Reino Unido, Dinamarca e Noruega)


Melhor Animação

Frankenweenie

Detona Ralph

Hotel Transilvânia

A Origem dos Guardiões

Valente


Melhor Trilha Sonora Original

Anna Karenina

Lincoln

As Aventuras de Pi

Argo

A Viagem


Melhor Canção Original

Skyfall (007 - Operação Skyfall)

Safe and Sound (Jogos Vorazes)

Suddenly (Os Miseráveis)

Not Running Anymore (Amigos Inseparáveis)

For You (Ato de Coragem) 


Prêmios para Televisão


Melhor Série (Comédia/Musical)

The Big Bang Theory

Episodes

Girls

Modern Family

Smash


Melhor Ator em Série (Comédia/Musical)

Alec Baldwin (30 Rock)

Don Cheadle (House of Lies)

Louis C.K. (Louis)

Matt LeBlanc (Episodes)J

Jim Parsons (The Big Bang Theory)

Melhor Atriz em Série (Musical/Comédia)

Zooey Deschanel (New Girl)

Julia-Louis Dreyfus (Veep)

Lena Dunham (Girls)

Tina Fey (30 Rock)

Amy Poehler (Parks & Rec)

Melhor Série (Drama)

Breaking Bad

Boardwalk 

EmpireDownton 

AbbeyHomeland

The Newsroom

Melhor Ator em Série (Drama)

Steve Buscemi (Boardwalk Empire)

Bryan Cranston (Breaking Bad)

Jeff Daniels (The Newsroom)

Jon Hamm (Mad Men)

Daniel Lewis (Homeland)


Melhor Atriz em Série (Drama)

Connie Britton (Nashville)

Glenn Close (Damages)

Claire Danes (Homeland)

Julianne Margalies (The Good Wif)
Michelle Dockery (Downton Abbey)


Melhor Minissérie ou Filme para Televisão

Game Change

The Girl

Hatfields

The Hour

Political Animals

Melhor Ator em Minisséries

Kevin Costner (Hatfields & McCoys)

Benedict Cumberbatch (Sherlock)

Woody Harrelson (Game Change)

Toby Jones (The Girl)

Clive Owen (Hemingway & Gelhorn)



Melhor Atriz em Minisséries

Nicole Kidman (Hemingway & Gelhorn)
Jessica Lange (American Horror Story: Asylum)
Sienna Miller (The Girl)
Julianne Moore (Game Change)
Sigourney Weaver (Political Animals)


Melhor Ator Coadjuvante em Minisséries

Hayden Panettiere (Nashville)

Archie Panjabi (The Good Wife)

Sarah Paulson (American Horror Story)

Maggie Smith (Downton Abbey)

Sofia Vergara (Modern Family)


Melhor Atriz Coadjuvante em Minisséries

Max Greenfield (New Girl)

Ed Harris (Game Change)

Danny Huston (Magic City)

Mandy Patinkin (Homeland)

Eric Stonestreet (Modern Family)


DANIEL DAY LEWIS, no filme Lincoln, um dos mais indicados do ano.

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