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sábado, 1 de março de 2014

015. (ESPECIAL OSCAR 2014) O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG, de Peter Jackson

Jackson está cada vez mais perto do fim, e cada vez mais perto da perfeição
Nota: 9,0


Título Original: The Hobbit: The Desolation of Smaug
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambleton, Jed Brophy, Mark Hadlow, Sam Brown, Orlando Bloom, Evangline Lilly, Cate Blanchett, Bnedict Cumberbatch, Mikael Persbrandt, Sylvester McCoy, Luke Evans, Stephen Fry, Ryan Cage, John Bell, Lee Pace
Produção:
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guilhermo Del Toro e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2013
Duração: 161 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

Bilbo Bolseiro, Gandalf o Cinzento e os 13 anões que saíram do contado já estão em sua aventura há cerca de 12 meses. Eles já passaram por gigantes de pedra, por orcs que desejam a cabeça de Thórin e trolls amedrontadores. Também já se encontraram com os elfos Galadriel e Elrond, em Valfenda e Bilbo já está em pose do Um Anel, o qual “roubou” de Gollum. Agora, o grupo deve continuar sua jornada para a Montanha Solitária, onde o Dragão Smaug se encontra, e eles nunca estivem tão próximos. Mas, para chegar ao seu destino, precisarão enfrentar outros obstáculos: a Floresta das Trevas, moradia de dezenas de aranhas gigantes, a ganância dos Rei dos Elfos, Thranduil, a loucura do Mestre de Laketown, e, claro, mais e mais bandos de orcs que, agora, estão cumprindo ordens de uma força muito mais maligna do que os pequenos imaginam.


É sempre importante lembrar que Peter Jackson, quando decidiu voltar à Terra Média e adaptar “O Hobbit”, também escrito pelo mestre J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Aneis”, resolveu continuar vivendo seu sonho e optou por realizar uma trilogia. Sim, uma trilogia, com três filmes de duas horas e meia, adaptando cerca de 300 páginas. Claro que faltou história para tanto tempo. E Jackson usou sua criatividade para driblar esse problema. Antes de proseguir, é preciso lembrar que Gandalf e sua turma estão nessa aventura com o propósito de os anões tomarem sua montanha de volta de Smaug. Há anos, o monstro, sabendo que a montanha dos anões estava cheia de ouro e pedras preciosas, tomou o local, expulsando os que ali viviam, ou pior: quimando-os. Agora, Thórin Escudo de Carvalho, filho de Thráin II, neto de Thrór, membro do povo de Dúrin e herdeiro da Montanha Solitária quer recuperar o que é seu de direito, mesmo que isso custe muito tempo e algumas vidas. Convencido por Gandalf, o Cinzento, Bilbo Bolseiro aceita participar dessa aventura, e deixa o pacato Condado onde vive para trilhar o caminho ao lado dos anões. São essa figuras, um mago, um hobbit e 12 anões, que compõe a Companhia dos Anões, muito menos glamorosa que a Sociedade do Anel do primeiro filme da trilogia “O Senhor dos Aneis”, mas igualmente decidida e forte. E foi, ainda, Gandalf quem convenceu, em um prólogo mostrado nesse filme, Thorin de ir até a Montanha Solitária e recuperar a Pedra Arken, o maior símbolo do povo de Dúrin, para que ele recupere seus direitos e se torne rei. Para compreender melhor, basta dizer que a pedra foi encontrada pelos anões enquanto cavavam a Montanha, possui luz própria (que foi intensificada pelos anões) e representa um tesouro de valor inestimável para os senhores das montanhas. Também é importante dizer, que pouco antes de entrarem na Montanha Solitária, Thorin promete ao povo de Laketown, que também sofreu com o ataque do Dragão, que, caso ele conseguisse recuperar seu ouro, eles seriam agraciados com uma parte significativa para que a cidade pudesse voltar a ser um ponto comercial. Os anões e Bilbo, entram na Montanha e, com isso, Smaug acorda, e promete fogo, muito fogo. Também é bom lembrar que, nesse contexto, Gandalf está muito longe de seus parceiros de viagem, foi ao encontro das ruínas de Dol Guhur, onde acaba sendo aprisionado após um confronto com o Necromante – na verdade, Sauron, a tal força malígna que está pronta para se re-erger das sombras. O mesmo Sauron que convenceu os anões, os elfos e os homens a aceitarem os grandes aneias, o mesmo Sauron que enganou a todos e ,no fogo da Montanha da Perdiçao, “forjou em segredo um anel mestre para controlar todos os outros, e neste anel colocou toda a sua crueldade, sua maldade e sua vontade de governar todas as formas de vida [...]Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los.” [Galadriel].


Todavia, o mais incrível de toda essa história é que, diferente do primeiro filme, funciona muito bem. A primeira ora se divide entre momentos monótonos e momentos de tensão pura. Personagens, como Legolas, e cenas que não aparecem no livro, não importam tanto já que o conjunto é bem mais interessante que o primeiro longa. Apesar da construção de Thórin torná-lo cada vez mais fraco, a força e beleza do personagem de Bilbo Bolseiro é algo que merece destaque. E mais: as lutas internas dos personagens devem ser lembradas. Bilbo luta contra sua vontade de usar o Um Anel, e Thórin luta com a ganância tão natural de seu povo. A primeira aparição dos elfos nesse filme (uma parte deles já havia se apresentado no longa anterior) é ótima e podemos ver como alguns seres da Terra Média não estavam preocupados com outros, apenas desejavam o poder e o bem de seu povo. Os orcs estão caminhando, cada vez mais, para o futuro cruel e enojador que conferimos na trilogia de “O Senhor dos Aneis”. E Samug é fantástico! Se a cena do encontro com Bilbo e Gollum/Smeagall foi uma das melhores do ano passado, o mesmo podemos dizer da cena em que, mais uma vez, um Bilbo que teve pouco destaque nesse filme rouba todas as atenções e, finalmente, encontra (e acorda) o adormecido Dragão Smaug. Os dois conversam (muitos já afirmam que foi pura enrolação), discutem (mais enrolação ainda), Bilbo encontra a Pedra de Arken, mas não consegue pegá-la (momento de êxtase) e, finalmente, Smaug, com toda a sua fúria, o Dragão tenta queimar Bilbo (o que alguns acharam cedo demais). Para mim, a cena foi perfeita, e melhorou muito mais com a chegada dos anões e a luta dos mesmos com a fera.


Claro que alguns erros foram cometidos pelo diretor. E que nos os cometeria na emoção de estar deixando, por fim, a Terra Média após concluir essa trilogia? A cena dos barris é ridícula, e sentimos que os personagens estão mais em algum brinquedo de parque de diversões ou em um joguinho bobo para crianças que fugindo de orcs – sem falar na estupidez que foi ter colocar Legolas pulando de cabeça em cabeça para matar alguns monstros, tudo bem, ele é um elfo e os elfos são incríveis em tudo o que fazem, mas fazer com que o personagem estivesse em uma fase bônus de algum vídeo game foi gozação. Gozação com Legolas, com Orlando Bloom e com o espectador. Ver Tauriel curando Killy é repetitivo demais se lembrarmos da cena em que Arwen salva Frodo em “O Senhor dos Aneis”, até as personagens (elfos) são parecidas. Aliás, Tauriel, sem dúvida, é muito bem vinda, mas o romance entre ela, Legolas e Killy, também vai além da ficção, além da adaptação. Porém, devemos nos ater aos efeitos que o longa traz. À criação de uma Terra Média, mais uma vez, impecável, descrita pelo diretor como aquele lugar instável, repleto de mistérios e belezas. Aquele mundo paralelo que esconde segredos entre as calmas vilas e os agitados palácios. Uma terra explorada por Tolkien, Jackson e cada fã dessa história incrível. A trilha sonora de Howard Shore nos remete ao trabalho feito para a trilogia anterior, não que tenha algum tema parecido, a semelhança é em como ela é original, bem feita e conduzida. Apesar de acreditar que o longa merecesse mais indicações ao Oscar, levou apenas três. A primeira vai para Brent Burge, editor de efeitos sonoros na trilogia “O Senhor dos Aneis” e concorrendo com “Capitão Phillips” e “Gravidade” como melhor edição de som. A segunda, vai para um quarteto de especialistas em som que, juntos, somam cerca de 350 títulos ao longo de suas carreiras e que concorrem, mais uma vez, com “Capitão Phillips” e “Gravidade” pela estatueta de melhor mixagem de som. Por último, o quarteto liderado por Joe Letteri, vencedor de 4 Oscars, incluindo um pela carreira, é indicado por melhores efeitos visuais, prêmio que, provavelmente, irá para “Gravidade”. Claro que o filme poderia ter sido indicado em outras categorias, como melhor maquiagem e cabelo, direção de arte, trilha sonora e pela canção “I See Fire” totalmente encaixada no contexto da trama.


O maior problema, no entanto é podermos assistir a esse filme mesmo depois de ter falado tanto sobre sua história. Em meio a tanta beleza estética e sonora, Peter Jackson pesa a mão e traz um filme sem muitas novidades. Contar tudo o que acontece durante o longa não fará diferença, e não que o que interessa seja o desenrolar da trama como em alguns grandes filmes do cinema, o que interessa mesmo são os efeitos visuais e sonoros, a história é mais uma passagem entre a revelação da situação vista no primeiro filme e os acontecimentos que veremos no próximo longa. Conferir o desfecho dessa história deixa o espectador louco pelo próximo longa, e esse é o maior acerto de Jackson. Ouvir as últimas palavras de Smaug (dublado por Benedict Cumberbatch em uma interpretação fantástica), proferidas enquanto ele voa da Montanha Solitária direto para a aldeia de Laketown, faz nossos olhos se arregalarem, nossas mãos suarem e nossos lábios sorrirem, pois sabemos, que no próximo longa, a coisa vai esquentar ainda mais e, quem sabe, tenhamos o filme que tanto esperamos. Desta vez, ao que tudo indica, “Gravidade” será o grande vencedor da noite no Oscar, o que deixa “O Hobbit” fora do páreo. Quem sabe, Peter Jasckson acerte novamente, como fez três vezes seguidas com “O Senhor dos Aneis” e, no ano que vem, “O Hobbit” seja um vencedor em todos os sentidos. Afinal, ainda não foi dessa vez.

PRÊMIOS EDDIE (SINDICATO DOS EDITORES)
Melhor Edição em Drama: Chris Rouse, por Capitão Phillips
Melhor Edição em Comédia ou Musical: Jay Cassidy, Crispin Struthers e Alan Baumgarten, por Trapaça
Melhor Edição em Animação: Jeff Draheim, por Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Edição em Documentário: Douglas Blush, Kevin Klauber e Jason Zeldes, por A Um Passo do Estrelato
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quinta-feira, 7 de março de 2013

083. CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR, de Joe Johnston


Apesar dos defeitos, não podia imaginar nada melhor para o Capitão América.
Nota: 8,8


Título Original: Captain America: The First Avenger
Direção: Joe Johnston
Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Tommy Lee Jones, Dominic Cooper, Richard Armitage, Stanley Tucci, Samuel L. Jackson, Toby Jones, Bruno Ricci, Neal McDonough, Derek Luke, Kenneth Choi, Lex Shrapnel, JJ Feild
Produção: Kevin Feige, Stan Lee, David Maisel, Richard Whelan
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely, Joe Simon, Jack Kirby
Ano: 2011
Duração: 124 min.
Gênero: Ação / Aventura / Ficção

UMA DAS CAPAS MAIS FAMOSAS DOS QUADRINHOS DO HEROI,
ONDE ELE "DERROTA" HITLER.
1942, Nova York, EUA. Steve Rogers tem como maior desejo entrar para o exército norte-americano e lutar na Segunda Guerra Mundial, entretanto, é rejeitado por sua saúde frágil e problemas físicos. Ao ouvir Rogers comentando com um amigo sobre o tal desejo, o Doutor Abraham Erskine permite que o jovem se aliste e o garoto é recrutado para um experimento de supersoldados sob o comando do Coronel Chester Phillips, Dr Erskine e da agente britânica Peggy Carter. Após alguns treinamentos, Erskine escolhe Rogers para ser a primeira cobaia do tal experimento. Enquanto Johann Shimidt, chefe da organização conhecida como H.I.D.R.A., constrói uma máquina capaz de dizimar grandes cidades, Rogers se torna o único ser na Terra capaz de deter Shimidt: O Capitão América.


Entre 1939 e 1945, oficialmente, o mundo viveu o caos provocado por Adolf Hitler chamado de Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, um dos países não europeus que mais encontrou problemas foi os Estados Unidos da América, pois enviou grandes tropas para o Velho Continente na tentativa de conter a Guerra. Apesar de ter sido beneficiado com o seu término, durante os seis anos o povo norte-americano sentiu-se inseguro e pedia, urgentemente, por um heroi que salvasse os filhos da pátria. É claro que nenhum heroi chegou, todavia, em março de 1941, Joe Simon e Jack Kirby deram ao mundo os quadrinhos do tão aclamado Capitão América. Logo o homem vestido de azul e vermelho, com um escudo da mesma cor e com uma estrela no meio e munido de força e coragem tomou o gosto do público, que se sentiu, de forma inexplicável, mais seguro e confiante. Era como se, para os estadunidenses, saber que os soldados da guerra também leriam os quadrinhos do super heroi entre uma batalha e outra fosse dar mais gás e mostrar a eles que nem tudo estava perdido, que, ao voltarem para casa, vivos, eles seriam os novos Capitães América e desfrutariam de tudo o que o próprio heroi desfrutou. É claro que o governo americano deixou que tudo isso fosse vinculado e, a exemplo de Tio Sam – usado desde 1812 na Guerra Anglo-Americana como a personificação nacional dos Estados Unidos e como um senhor de barba branca que pode lembrar o presidente Abraham Lincoln, vestido de azul e vermelho, com uma cartola branca com estrelas brancas em fundo azul desde a Primeira Grande Guerra– usou o Capitão América como um novo símbolo de esperança. No filme, a Segunda Guerra Mundial já está acontecendo e o Capitão América surge como o tal símbolo de força e esperança, entretanto, as demasiadas apresentações em que ele, com seu uniforme e várias belas garotas, chama a atenção para a guerra e pede ajuda ao povo, tornaram o heroi motivo de chacota para os soldados. A fim de acabar com as piadinhas, Rogers decide enfrentar, finalmente, os inimigos e destruir o líder da H.I.D.R.A., salvando dezenas de soldados e deixando que eles voltem para casa. Mesmo que o filme não seja um dos melhores filmes de super heroi já vistos durante a história do cinema, acredito que a adaptação tenha sido fiel em mostrar toda essa história do Capitão, deixando claro o propósito de sua criação. É óbvio que temos alguns problemas aqui e outros ali, pois a história é de um homenzinho franzino que se torna um homem forte e praticamente indestrutível, mas nada que não possa ser relevado, afinal, estamos diante de um filme de super heroi.


Para viver um dos maiores super herois da história dos quadrinhos, foi escolhido Chris Evans, popular entre as mulheres por comédias românticas e conhecido no mundo todo por viver Johnny Storm/Tocha Humana nas péssimas adaptações de “Quarteto Fantástico” (2005 e 2007) – que fique claro, dentre os quatro, ele é o que melhor representa a personalidade esperada do personagem. Confesso que não consigo pensar em ninguém melhor para encarar o Capitão América que não Evans, não por seu tipo físico ou por ser bem aceito pelo público americano, mas por ele se encaixar perfeitamente no papel e trazer as fases de Steve Rogers bem definidas: antes de virar o Capitão, enquanto é o Capitão “corista” e quando vira o Capitão América, um soldado a serviço do Exército dos Estados Unidos da América. Hayley Atwell, a ótima Bess Foster de “A Duquesa” (2008), interpreta Peggy Carter, o grande amor de Rogers no longa e a única parte feminina do filme, sua atuação é boa e possui algo que merece destaque: a forma como consegue ser diferente nos momentos em que está ao lado do protagonista – o homem que ama – e quando precisa ser a durona Agente Peggy Carter. Evans, entretanto, não está sozinho no elenco masculino, ao seu lado está, com uma participação rápida, mas muito especial e bem vinda Stanley Tucci, como o inteligente, sensível e sensato Doutor Abraham Erskine, o único que acredita em Rogers, por quem acaba se afeiçoando de uma forma ou outra, a simplicidade do ator é o que o torna tão bom para o papel. Se é a simplicidade que dá o tom para deixar Tucci tão convincente, é o exagero que torna Hugo Weaving – um exemplo de intrérprete -, um ator mediano vivendo Johann Schimidt, pois tudo o que ele faz parece tão over que nada parece funcionar da forma como deveria, uma pena ver um ator tão bom se encaixando tão pouco em um papel. Para salvar tudo, entretanto, mais uma grande interpretação do veterano Tommy Lee Jones, como o Choronel Phillips, um homem durão que não perde a linha em nenhum momento, que zela por seus homens e não pretende se deixar encantar pelo Capitão América tão facilmente. Em uma pontinha que merece ser lembrada, temos Dominic Cooper vivendo Howard Stark jovem, não é a atuação de Cooper que interessa, no entanto, e sim o fato de o Capitão encontrar com o pai de outro futuro Vingador, Tony Stark, O Homem de Ferro.


Não se pode deixar de apontar a ótima trilha sonora do duplamente indicado ao Oscar Alan Silvestri, compositor de mais de cem trabalhos, dentre comédias, animações, dramas, aventuras e outros tantos gêneros distintos. A figurinista do longa, Anna B. Sheppard, também indicada duas vezes ao Oscar, já participou de inúmeros diferentes gêneros, dentre eles “A Lista de Schindler” (1993), “O Pianista” (2002) e “Bastardos Inglórios” (2009). Com uma direção bem habituada a filmes de ação, um compositor acostumado a encarar qualquer tipo de trilha sonora, os roteiristas da trilogia de “As Crônicas de Nárnia” (2005, 2008 e 2010), uma figurinista experiente e um elenco popular no mundo todo, a adaptação de uma história tão querida não somente nos Estados Unidos, como no mundo todo, não poderia ser nada menos que satisfatória. O fato é que, para os que não gostam muito do gênero, o longa será apenas mais um entre tantos outros filmes sobre super herois, no entanto, para os que gostam dessas produções e admiram o trabalho feito pelos criadores do Capitão América – e é esse público que realmente interessa -, não haverá nada do que reclamar.


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

136. PRISCILLA, A RAINHA DO DESERTO, de Stephen Elliott


O precursor ao não preconceito sexual!
Nota: 8, 7



Título Original: The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert
Direção e Roteiro: Stephen Elliott
Elenco: Hugo Weaving, Guy Pearce, Terence Stamp, Bill Hunter, June Marie Bennett, Murray Davies, John Casey, Frank Cornelius, Bob Boyce
Produção: Al Clark, Michael Hamlyn
Ano: 2004
Duração: 104 min.
Gênero: Comédia / Drama

Mitzi e Felicia são dois travestis que não se importam em serem chamadas de qualquer insulto preconceituoso “anti-homessexuais”. Quando Mitzi (o nome de guerra para Anthony Belrose) recebe um convite para se apresentar no meio do nada na Autrália, ele(a) sente a obrigação de fazê-lo. Dessa forma chama Felicia (nome de guerra de Adam Whitely) e Bernadette Bassenger (antiga Ralph Waite), uma transexual que acaba de perder o parceiro. Para tal aventura ser concretizada e os/as três se meterem nas mais loucas confusões, Felicia consegue, como meio de transporte, um ônibus caindo aos pedaços, ao qual batiza de Priscilla, A Rainha do Deserto.


Sempre que assistimos a um filme como esse, a dúvida a respeito da sexualidade do diretor da produção paira no ar. Pois, a fim de que essa dúvida não persista, sim Stephen Elliott é gay, o que, talvez, seja o maior trunfo para o filme, é bem simples: nenhum hetero seria capaz de compreender tão bem o mundo construído por Drag Queens e homens e mulheres que jamais sabemos se são homens ou mulheres, mundo esse, até hoje muito marginalizado. Alem disso, permanecendo nos problemas envolvendo a temática do longa, não preciso dizer que, se hoje a aceitação já é difícil, imaginam em 1994 quando o filme foi lançado. Mas é bem aí que o roteiro se torna tão bem feito: Felicia e Mitzi não vêem problema algum em saírem de seu charmoso ônibus usando suas roupas de trabalho (e sim, o trabalho de ambas as personagens é tão digno quanto de qualquer outro ser humano), muito menos Bernadette faz questão de esconder suas opções (Bernadette é a mais velha dos três, sendo a mais racional e menos escandalosa). Nesse contexto, durante a trama, vemos apenas duas cenas em que há o preconceito com as diferenças: a primeira é esquecida rapidamente por ser muito bem levada por Bernadette; já a segunda envolve uma soco aqui e outro ali, mas acaba sendo resolvida por um amigo que as viajantes conhecem durante sua jornada. É dispensável dizer que o figurino de um filme sobre Drags seja uma coisa escandalosa, mas ao mesmo tempo é tão surpreendente e colorido e chama tanto a atenção que chegou a receber o Oscar de melhor figurino; quanto a trilha sonora, bem, nada poderia ser mais propício que canções do ABBA – incluindo “Dancing Queen” – e a clássica “I Will Survive”, música destinada ao sofrimento das mulheres negras na América, mas que foi eternizada como o maior símbolo musical gay de todos os tempos graças a este filme.


Existem poucas coisas que pagam ver o sério Elrond da Terra Média – dos filmes do “Senhor dos Anéis” e de “O Hobbit – como um travesti que tem dúvidas quanto a algumas relações que deve fazer ou não, não que ele não tenha certeza, de fato Anthony/Mitzi é bem resolvido quanto sua sexualidade, mas outros problemas, que serão mostrados mais para frente, assolam sua mente fértil. Weaving está ótimo no papel, e nos passa as dúvidas de um homem que tem um passado, no qual talvez não seja uma grande idéia remexer. E se poucas coisas podem pagar ver Weaving nessa situação, a interpretação de Guy Pearce é impagável. É uma pena que o filme tenha sido feito em uma época em que poucas pessoas tinham a cabeça aberta a novas coisas (é bom lembrar que a Sétima Arte só começou a se livrar dos preconceitos quando Ang Lee surgiu com “O Segredo de Brokback Moutain”, filme que seria o preferido de Felicia, sem dúvida alguma), e foi por esse motivo que a interpretação de Adam/Felicia de Pearce passou tão despercebida pelas premiações mundo a fora, enfim, o ator está simplesmente incrível, talvez por sua personagem ser o gay mais “espalhafatoso” dos três, ou pelo simples fato de que ele deixa a naturalidade da personagem transparecer de forma tão simples que tudo o que Felicia faz se torna um escândalo. O veterano Terence Stamp dá vida a Bernadette, uma mulher segura de si, de seus desejos e suas escolhas, feitas no passado ou no presente. Stamp está sóbrio de forma inacreditável, sem se importar com as fofocas ou os mexericos das cidades onde eles vão, e, quando se importa, o faz de forma tão calma que quase se torna uma verdadeira dama.


“Priscilla” abriu caminhos para que a temática da homossexualidade como algo normal fosse se tornando mais fácil e aceitável para o público, como disse, foi apenas em 2005, com o longa de Lee que a abordagem do tema se tornou algo realmente normal, sendo visto mais e mais vezes, de forma singela e tratando o assunto como ele realmente deve ser tratado: não somente para falar do preconceito, mas para mostrar que esse segmento da sociedade – tão marginalizado e excluído – merece tanto quanto qualquer outro ser humano uma chance de ser feliz. Mais que isso, o filme é essencial para qualquer homossexual que se preza. Dizer não ao preconceito pode até ser algo difícil, mas ficará muito mais fácil viver em um mundo cheio de diferenças após conferir toda a originalidade que só pode ser proporcionada por Mitzi, Felicia, Bernadette, o Deserto e, é claro, Priscilla, a Rainha do Deserto.


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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

150. (ESPECIAL OSCAR 2013) O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA, de Peter Jackson

Poderia ser melhor, mas não chega a decepcionar, afinal, voltar à Terra Média é sempre uma boa idéia.
Nota: 9,7


Título Original: The Hobbit – An Unexpected Journey
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William  Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambledon, Jed Brophy, Mark Hadlow, Adam Brown, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Christopher Lee, Elijah Wood, Iam Holm, Sylvester McCoy, Jafrey Thomas, Andy Serkis
Produção: Carolynne Cunningham, Peter Jackson, Fran Walsh, Zane Weiner
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro e J. R. R Tolkien (romance)
Ano: 2012
Duração: 169 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

O jovem hobbit Bilbo Bolseiro vive em paz em sua casinha no Contado – uma espécie de vila onde vemos apenas “hobbitesses” felizes, muito verde e muita paz. Sem mais nem menos, eis que o pequeno recebe a visita do querido Mago Gandalf, o Cinzento, sem muito dizer o Mago vai embora e deixa Bilbo confuso sem saber o que fazer. De repente, ao cair da noite, sem convite algum – o que só pode ser uma afronta – anões começam a entrar na casa de Bilbo; ao todo eles são treze – mais Gandalf – eles comem da comida de Bilbo, bebem de sua bebida, usam sua louça e o convidam – melhor, intimam – para uma viajem que tomará de volta todo o ouro, glória e reino dos anões, o único problema é que essa tarefa exige a eliminação de um pequeno ser voador e cuspidor de fogo, um Dragão. Apesar de excitar um pouco, é claro que o pequeno Hobbit aceita e se verá em uma jornada totalmente inesperada, e hilária.


A intenção do mestre Tolkien ao escrever o livro “O Hobbit” era apresentar aos fãs a verdadeira personalidade dos pequenos, a obra foi lançada em 1937 e logo foi aclamada por público e crítica, recebendo prêmios e tornando-se um clássico da literatura infantil – a linguagem utilizada é simples, contrariando o que vemos na trilogia “O Senhor dos Anéis”, fugindo daquele estilo característico em que tudo é tão bem caracterizado que quase nos perdemos na história. A adaptação, entretanto, não é tão infantil ou amena. Bilbo é, primeiramente, mostrado como um Hobbit sem muita emoção ou vontade de viver aventuras – exatamente como sempre imaginamos que eles fossem, pois reparamos a sua vida tranqüila e em paz -; posteriormente, ao aceitar a proposta de entrar na aventura com os anões e Gandalf, o pequeno se torna alguém destemido, forte e, até, audacioso, representando como os Hobbits podem ser inesperados. Para compreender melhor a história, entretanto, é bom já ir preparado para o cinema sabendo que o que move os anões a ir até o Dragão Smaug e tentar reivindicar o tesouro que ele guarda é o fato de todo esse ouro ter pertencido aos próprios anões, sendo que o líder do grupo é liderado por Thorin, filho de Thráin, neto de Thrór e herdeiro do trono de Durin, o local invadido pelo Dragão – a fera roubou tudo o que pertencia aos anões, afinal, esses animais são conhecidos pela fúria e pela luxúria pelo ouro. Quando Thorin ouve rumores de que Smaug está morto, ele chama os outros anões para atacar o animal e tomar tudo o que é seu de volta. Quando foi dito que Peter Jackson dirigiria a adaptação, logo me animei e esperei durante os últimos anos como se estivesse esperando por um momento épico do cinema. Apesar de o filme não ser tal evento e se reter em momentos inúteis e que enrolam de forma inacreditável, conferimos a mesma técnica perfeita de Jackson que vimos na trilogia “O Senhor dos Anéis” – senão melhor – e o filme não é nada chato como algumas pessoas vêm dizendo. Devo confessar que existem momentos em que a monotonia permanece tão constante que até pude ir ao banheiro durante a sessão no cinema – compreensível, afinal, o livro tem poucas páginas para ser adaptado para três filmes (essa tal idéia de serem feitos três filmes é que é inaceitável) –, mas é nesse momento que vemos a paixão de Jackson, pois parece que ele não quer mais se desgarrar da Idade Média, e acaba se perdendo em uma ou outra cena absolutamente desnecessária.
Para falar sobre cada atuação é essencial lembrar alguns anões, além de algumas outras personagens cruciais para a história. Sendo assim, são necessárias algumas divisões no elenco:
Os Hobbits: Bilbo Bolseiro é interpretado por Martin Freeman (vale lembrar a participação ótima de Iam Holm na primeira cena da personagem). Freeman nos trás a perfeição do que imaginamos ser o povo britânico: conservador, organizado e que odeia surpresas – no caso, visitas sem avisar. Além disso, ele consegue incorporar de forma tão incrível a personagem que parece que estamos, realmente, diante daquele Bilbo que lemos no livro. Além dele, Elijah Wood volta como o sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro, apesar de aparecer pouco, o ator volta na personagem como aquele Frodo que vimos no início da série, pouco maduro e muito feliz.


Os Magos: Gandalf, o Cinzento, volta a ser interpretado pelo majestoso Ian McKellen, que nos proporciona os momentos mais inteligentes e engraçados da trama. Bem como foi feito na Trilogia, é tarefa dele liderar de forma racional essa trupe atrapalhada, além da personagem cumprir com seu papel, McKellen cumpre com o seu ao nos trazer ora o Gandalf sério, ora o Gandalf divertido. Além dele, Christopher Lee também encara novamente Saruman, o Branco, outra grande atuação que merece destaque por nos trazer uma ponta do que Saruman faria sessenta anos depois (sim, ele já estava mancomunado com forças do mal que acabariam com a Terra Média durante a aventura de Frodo). Radagast, o Marrom (um mago bem natural que é citado apenas uma vez nos livros) é encarado por Sylvester McCory, em uma das atuações mais vivas e bem vindas do filme.


Os Elfos: Novamente temos Hugo Weaving como o Senhor de Valfenda, Elrond, um dos Elfos mais importantes de toda a história, além de uma das personagens mais poderosas da obra; Weaving está mais sereno e bem menos preocupado com o mundo, mas ainda sim é sério e mantêm o equilíbrio em qualquer momento. Ao seu lado, está a sempre maravilhosa Cate Blanchett, também de volta a série, como Galadriel, definitivamente a personagem mais serena de todo o universo de Tolkien, mas também poderosa, temida e respeitada, ela já estava na história quando o Um Anel foi criado, e outros anéis foram distribuídos para os seres mais importantes da Terra (ela, inclusive, recebeu um dos três dados aos Elfos). Devo destacar a segunda cena mais perfeita do filme, onde Elrond, Galadriel, Gandalf e Saruman conversam sobre as pretensões dos anões, se existe uma cena que merece respeito pelas atuações no ano de 2012, essa é uma delas.


Os Anões: Para falar sobre esses pequenos, vou apenas destacar alguns deles
Thorin, Escudo de Carvalho (o nome se deve ao escudo que usa há décadas: um pedaço de carvalho) é interpretado por Richard Armitage, já li sobre como o ator não é capaz de se igualar ao que Viggo Mortensen fez ao encarar o enigmático Aragorn na Trilogia, para mim, Armitage realiza um trabalho diferente, conseguindo ser mais natural que Mortensen e se tornando um personagem original e único, além disso, é forte, destemido e bem inteligente para um anão, mas podemos conferir sua audácia por sentir o sangue real correndo por suas veias.


O velho Balin é vivido por Ken Stott, o personagem por si só já é algo único, pois ele é um dos únicos que viveu tudo o que o próprio Thorin viveu, e Stott nos trás um velhinho que ainda tem muito a mostrar e não desistirá tão fácil, até porque, quando um anão entra em uma aventura, ele a tornará épica.


Os inseparáveis Fili e Kili são interpretados, respectivamente, por Dean Gorman e Aidan Turner, apesar de as personagens serem jovens demais (para dois anões) e eles darem alguns foras, através dos atores, fica claro que eles desejam mesmo é estar nessa aventura, custe o que custar, e eles podemos ter certeza de uma coisa sobre a aventura: eles aproveitarão ao máximo.


Ao viver Gloin, Peter Hambleton nos trás mais um anão engraçado e divertido (ele me lembra muito a interpretação de John Rhys-Davies na Trilogia, onde viveu o também anão Gimli). Apesar das semelhanças, Hambleton nos trás mais um personagem original e cheio de novidades.


Graham McTavish vive o anão Dwalin, que merece destaque por ser um personagem que mistura as duas principais características dos anões: o bom humor e o mau humor. Sim, podemos dizer que essas são duas características primordiais para a formação de um anão, mas sempre alguma delas prevalece – a exemplo, Thorin (o mau humor) e Gloin (o bom humor). Dwalin é um intermédio entre eles, um anão sério, mas que não perde a oportunidade de uma piada.


No restante dos anões, temos: Jed Brophy (Nori), Adam Brown (Ori), Mark Hadlow (Dori), 


John Callen (Oin), Stephen Hunter (Bombur), James Nesbitt (Bofur) e William Kircher (Bifur).


O Gollun: Por fim, não se pode deixar de falar do personagem gráfico mais incrível do cinema. Vivido por Andy Serkins em uma atuação cheia de detalhes, ele continua sendo um dos personagens mais incríveis que já li, e aqui, ele se torna mais digno de pena que nunca. E é ele que protagoniza, ao lado de Bilbo, a melhor cena desse filme (e uma das melhores cenas do ano) onde os dois jogam a vida do Hobbit em uma brincadeira de adivinhações. O mais incrível é lembrar que Gollun já foi Smeagol, um Hobbit.


Não há como assistir a esse filme e não se impressionar com a caracterização das personagens, pois tanto a maquiagem quanto a edição que transforma alguns seres mágicos em reais, são perfeitas. Nesse contexto, podemos criticar o que for aqui (principalmente o roteiro, que é o que dá ao filme seu maior problema: cenas desnecessárias), mas criticar a parte técnica da produção ou as atuações de uma forma geral, é algo imprudente e, caso seja feito, não se deve atribuir muitos créditos. Mais um trunfo utilizado por Jackson para atrair os fãs da Trilogia do Anel é fazer algumas referências aos três filmes lançados há quase 10 anos. Ainda sim, o principal trunfo de toda a história é mostrar um pouco mais das tradições dos Hobbits (os quais conhecemos muito pouco nas outras produções), dos anões, dos Elfos e alguma coisa relacionada aos magos (sobre os quais não sabíamos nada). Como disse, se um anão já pode fazer um estrago ao encarar qualquer aventura, imaginem 13 anões em busca de um tesouro guardado por um Dragão. Entretanto, apesar do excesso de anões e da presença de três magos, sentimos falta de mais elfos, e, sem dúvida, apesar da excelente atuação de Martin Freeman (que coloca Bilbo em um posto que sempre desejamos ver), em uma história intitulada “O Hobbit” falta-nos “hobbitesses”. Por fim, vale a pena conferir por um simples fato: é sempre bom voltar a Terra Média, e se tem alguém nesse mundo que é capaz de tornar esse universo palpável, esse alguém é Peter Jackson.

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domingo, 25 de março de 2012

351. O SENHOR DOS ANEIS: O RETORNO DO REI, de Peter Jackson

A união de Jackson e Tolkien foi perfeita nos dois primeiros filmes da Trilogia, aqui ela atinge um nível superior a perfeição, “O Retorno do Rei” é divino.
Nota: 9,8



Título Original: The Lord Of Rings: The Return of The King
Direção: Peter Jackson
Elenco: Ian McKellen, Elijah Wood, Sean Astin, Andy Serkis, Viggo Mortensen, Dominic Monaghan, Billy Boyd, John Rhys-Davies, Orlando Bloom, Bernard Hill, Miranda Otto, John Noble, David Wenham, Karl Urban, Liy Tyler
Produção: Peter Jackson, Barrie M. Osborne e Fran Walsh
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyes, Peter Jackson e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2003
Duração: 201 min. / 251 min. / 263 min.
Gênero: Fantasia / Drama

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

             Frodo, Sam e Gollum estão a caminho de Mordor; Gandalf e Pippin protegem Minas Tirith do regente; os últimos elfos da terra buscam a eterna imortalidade; Rohan recebe o chamado do branco para a batalha e se prepara; Aragorn busca ajuda dos mortos; Mordor se prepara para a guerra; e o mundo está, mais do que nunca, dividido entre o bem e o mal. Resumir toda a história em apenas um parágrafo seria impossível, e é bem mais excitante não saber nada além desses detalhes mínimos. Portanto me reservo ao direito de não falar mais acerca do enredo para não expor o destino das personagens que aprendemos a adorar com os primeiros dois filmes da Trilogia.
             Já elogiei tanto Peter Jackson e acredito que não conheça mais nenhum adjetivo para expressar sua genialidade na adaptação da Trilogia O Senhor Dos Anéis. Esse é o último filme da série, e, apesar de termos visto as guerras no segundo, as batalhas não se tornam enjoativas em nenhum momento, muito pelo contrário, elas são cada vez mais eletrizantes e divertidas. Aqui o que realmente é um pouco chato são as cenas de Frodo, Sam e Gollum, e ainda sim quando elas possuem as tomadas em que a criatura reflete sobre sua existência elas se tornam menos ridículas que nos primeiros filmes. As escolhas do diretor para as locações foram as mais variadas, dentre elas na Nova Zelândia (a maior parte, num todo 100 locações), as quais foram usadas durante mais de cinco anos (entre a gravação e as pré e pós gravações), entre a equipe técnica escolhida (chegam a mais de 2400 pessoas em algumas fases das gravações) ser a melhor possível na época; e os 114 interpretes com fala, escolhidos a dedo por serem apaixonados pela história e a conhecerem muito bem (como já foi apontado pela leitora do blog Madalena Derzi) e mais de 20 mil figurantes; além disso os costureiros, maquiadores, sapateiros, designers, bordadeiros, joalheiros,  escultores, desenhistas que cuidaram de todo o figurino, acessórios, miniaturas, máscaras, dentre outros e especialistas em línguas para as criações de línguas totalmente diferentes das que conhecemos.
             Mais uma vez é impossível deixar de falar sobre a estupenda trilha sonora de Howard Shore (salientando que ao todo mais de nove horas de música foram feitas para toda a Trilogia), o compositor nos proporciona tanto lindas músicas quando aquelas próprias para cenas devastadoras, que não são necessariamente feias, mas fazem seu papel obscuro muito bem; em uma épica cena Gandalf define o a morte ao som da música “Into the West”: “Fim? Não, a jornada não acaba aqui. A morte é apenas um outro caminho, que todos demos que tomar. A cortina cinza desse mundo se enrola e tudo se transforma em vidro prata. E, então você vê. Praias brancas, e o além. Os campos verdes longínquos sobre um belo amanhecer. Não, não é tão ruim.”
             Confesso que até cogitei a possibilidade de continuar no parágrafo a cima para falar sobre os prêmios que o filme conquistou, mas aí sim seria muito. Portanto cá estamos, comecemos pelo mais importante de todos, indicado a onze Oscar venceu todos: filme, direção, roteiro, trilha sonora, canção original (Into the West), direção de arte, figurino, edição, maquiagem, mixagem de som e efeitos visuais; no BAFTA foram doze indicações, mas apenas quatro prêmios: efeitos especiais, fotografia, roteiro e filme; no Globo de Ouro foram quatro indicações e quatro prêmios: filme, direção, trilha sonora e canção original (Into the West); no Grammy levou os óbvios: trilha sonora e canção original (“Into the West); além de diversos prêmios de críticos: Toronto, Chicago, Phoenix, Australia, Dallas, Flórida, Las Vegas, Londres, San Diego, San Francisco entre outros; indicado no prêmio do Sindicato dos Roteiristas (ao lado de “Sobre Meninos e Lobos”) e perdeu para “Anti-Herói Americano”; venceu o sindicato de Atores como melhor elenco e dos diretores como melhor direção; ao todo mais de cem prêmios e mais de setenta indicações.
             Falar sobre os atores seria por demais repetitivo, portanto é suficiente voltar as críticas em uma ou duas semanas e ler o que escrevi sobre eles, mas devo deixar claro o que não deixei (por motivos compreensíveis) que o novo Gandalf de McKellen é totalmente diferente do visto no primeiro filme, agora além de mais poderoso ele parece mais inteligente, confiante, esperto e certo do que se deve fazer na vida.Quando disse que assim que assistisse “A Invenção de Hugo Cabret em 3D diria alguma coisa no blog, aqui vai: o 3D de Scorsese é simplesmente tudo o que se espera de um 3D bem feito, é lindo e supera em todos os sentidos todos os 3D até aqui, nos faz rir e chorar, nos faz sentir felicidade e tristeza e me fez parecer um eterno bobo na sala de cinema, por um simples fato: faz a maior homenagem a criação do cinema que se pode ver. Admito, portanto, que se “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” fosse feito com o 3D de “A Invenção de Hugo Cabret” seria não apenas um dos maiores marcos da história do cinema, seria o melhor filme de todos os tempos. Não que esse desfecho precise disso, vale todos os minutos em frente a tela por ter a coragem de fazer a adaptação de uma das histórias mais amadas de todos os tempos, e essa coragem vem com estilo e precisão inimagináveis, aliás é isso o que Tolkien nos propõe em suas história e Jackson reproduz com sucesso: o inimaginável.
             Dez cenas simplesmente inesquecíveis (vale lembrar que existem mais de 30 cenas deletadas, elas podem ser conferidas em sites como o youtube, é só procurar por “cenas deletadas o senhor dos anéis o retorno do rei”), sei que muitos irão discordar de minhas cenas e de sua ordem, quem lembrar de outras comente aí.

10. Laracna, a aranha gigante 

09. A verdadeira história de Smeagol

08. Legolas e o Olifante (aqui uma espécie de elefante gigantesco)

07. O ataque fantasma à Cidade Branca;

06. A última cena de Frodo, Sam, Gollum e Um Anel

05. Pippin sinalizando o pedido de ajuda a Rohan, e Rohan correspondendo

04. A recriação da Espada Andúril e sua volta para o verdadeiro rei

03. A última batalha em frente aos portões de Mordor

02. Chegada de Gandalf e Pippin em Minas Tirith

01. Gandalf de encontro ao Nazgul para salvar o que restou dos homens de Minas Tirith

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