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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

020. (ESPECIAL OSCAR 2014) TRAPAÇA, de David O. Russel

Uma ótima diversão como somente Russel poderia proporcionar.
Nota: 9,2



Título Original: American Rustle
Direção: David O. Russel
Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jeniffer Lawrence, Jeremy Renner, Robert DeNiro, Louis C. K. , Jack Huston, Michael Peña, Shea Whigham, Alessandro Nivola, Elisabeth Rohm, Paul Herman, Said Taghmaoui, Matthel Russell, Thomas Matthews, Adrian Martinez, Anthony Zerbe
Produção: Megan Ellison, Jonatha Gordon, Charles Roven, Richard Suckle
Roteiro: David O. Russel e Eric Warren Singer
Ano: 2013
Duração: 138 min.
Gênero: Comédia / Crime

Irving Rosenfeld, casado com a jovem Rosalyn, é um trapaceiro de mão cheia que acaba de conhecer a sonhadora Sydney. Juntos, eles armam um plano para arrancar dinheiro de pessoas indefesas: ela finge ser uma Lady inglesa com contatos nos bancos britânicos e ele representa um investidor. Quando o casal é descoberto pelo agente federal Richard DiMaso, tornam-se peças importantes de um jogo que pretende relevar a corrupção em Nova Jersey. Entretanto, a natureza de Irving, o amor de Sydney, a ganância de Richard e a loucura de Rosalyn são fatores que podem lançar todo esse plano improvável pelos ares.

Como mostrado em “O Lobo de Wall Street”, film de Martin Scorsese, Irving e Sydney são duas pessoas sem escrúpulos que só se importam em ganhar dinheiro e em gastar o que ganham com uma vida confortável. Bem como o agente federal do longa de Scorsese, aqui, Richard deseja pegar todos de uma vez: quer peixes grandes e pequenos, quer tubarões e baleias, quanto mais criminosos do colarinho branco, melhor. E, assim, esses dois filmes estão aí para provar o quanto a criminalidade, a trapaça, o suborno e a mentira fizeram e fazem parte da construção dos Estados Unidos da América. Além disso, não podemos deixar de verificar semelhanças entre o filme de David. O. Russel e os filmes ao longo da carreira de Scorsese, e acabamos verificando que “Trapaça” acaba sendo uma grande homenagem ao mestre da sétima arte. Quando Richard propõe a Irving e Sydney que eles o ajudem a capturar outros quatro criminosos, ele oferece liberdade em troca. Todavia, Richard começa a enxergar que toda a corrupção não passa de uma enorme bola de neve: quando se corrompe um, logo, este irá corromper mais dois e, de repente, como num piscar de olhos, toda uma nação poderá ser corrompida. Nesse contexto, é curioso lembrar que Irving não se tornou um trapaceiro por acaso. Desde criança ele já era um cirminoso: sue pai tinha uma vidraçaria e, para que os negócios do pai prosperassem, ele saia pelo bairro quebrando vidros alheios. Ademais, vemos um reflexo de toda essa loucura: Rosalyn Rosenfeld. A esposa de Irving é completamente perturbada, uma mulher sem noção de nada o que acontece a sua volta de forma real. Ela sabe tudo o que está acontecendo, tem os ouvidos bem abertos, mas não compreende nada, não sabe da gravidade do que seu marido faz, muito menos da gravidade que as palavras saídas de sua boca podem gerar. Rosalyn foi “resgatada” por Irving quando ela se tornou mãe solteira, e ele acabou adotando seu filho, uma vida que mantêm o casal unido.


David O. Russel conquistou público, crítica e prêmios por seu ótimo trabalho em “O Lutador” (2010), filme que contava com Christian Bale e Amy Adams no elenco e que venceu dois Oscar, incluindo um pela interpretação de Bale, e foi indicado em outras cinco categorias, incluindo a de melhor atriz coadjuvante para Adams. Depois, foi a vez de Russel voltar com toda a força liderando o melhor filme do ano de 2012: “O Lado Bom da Vida”, protagonizado por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, ambos indicados ao Oscar, ela, vencedora do prêmio de melhor atriz. “Trapaça” reúne os dois elencos, invertendo os papeis: aqui, Bale e Adams são os protagonistas, e Cooper e Lawrence os coadjuvantes. Arriscando um pouco, ainda diria que a própria trapaça divide a tela com esse time ótimo, sendo o principal componente, o principal personagem do longa. O problema aqui, é que Russel imaginou que, reunindo seus astros de filmes anteriores, ele teria um filme ainda melhor que outros. Erro do diretor. “Trapaça” é tão bom quanto “O Lutador”, mas não chega perto de “O Lado Bom da Vida”. O filme é bom, com fotografia ótima, edição precisa e ágil, trilha sonora característica, figurino belíssimo e atuações impressionantes de astros em alta no mercado. No entanto, o roteiro é confuso, forçado e chato em alguns momentos, os personagens são exagerados e o desenrolar da trama não possui aquele tom agradável, sutil e interessante de “O Lado Bom da Vida”. Por fim, é preciso dizer que o diretor homenageia os grandes filmes de Scorsese, como “Os Bons Compnaheiros” (1990) , mas está longe de se igualar à obra da década de 90.


Christian Bale é conhecido por sua habilidade incomparável de mudar fisicamente para viver personagens. Irving é o único personagem criado na medida certa pelos roteiristas e desenvolvido da mesma forma por Bale. Talvez por isso, em meio a tantos personagens exóticos e exagerados, a interpretação do ator esteja um pouco apagada, mas é a melhor do longa. Bale é natural vivendo um trapaceiro que está enlouquecendo por ter de deixar seus ideias de lado e enganar pessoas que ele considera corretas. Também não é do agrado do personagem servir ao FBI, e isso fica claro com as feições de Bale mais que qualquer coisa. Amy Adams está sexy, bela e inteligente como Sydney, entretanto, está over demais. Suas cenas iniciais são ótimas, pois a atriz se mostra natural e muito animada com a vida que Sydney tem levado. Quando ela e o parceiro são pegos, a atriz está igualmente boa, porém, com o passar da trama, Adams não consegue segurar as pontas de viver uma mulher desesperada que está tentando superar os problemas, restando apenas alguns poucos momentos para que possamos ver o quanto a atriz é competente. Bradley Cooper vive Richard DiMaso, da mesma forma que Adams passa um pouco dos limites, Cooper se torna obsessivo e louco demais, exagerando em cenas onde devia ser mais contido. Mesmo assim, restam alguns momentos onde lembramos por que Cooper chegou a ser citado como um dos favoritos ao Oscar no ano passado. Jennifer Lawrence é uma Rosalyn completamente desequilibrada. A personagem lembra um pouco a que rendeu à Lawrence o Oscar por “O Lado Bom da Vida”: existem momentos de paz e tranquilidade, até que ela se descontrola e vira uma completa maluca. Sua melhor cena é sua interpretação memorável de “Live and Let Die”. Para completar o time, está Jeremy Renner, interpretando o Prefeito Carmine Polito, um bom homem que foi corrompido pela política. A interpretação de Renner, como a de Bale, vem na medida certa: é simples, natural e ótima.


O filme é o recordista de indicações ao Oscar esse ano, ao lado de “Gravidade”, concorre em dez categorias. De forma curiosa, segue os passos de “O Lado Bom da Vida”, arrebatando indicações como na direção, nas atuações e no roteiro. Como melhor filme do ano, “Trapaça” está entre os três favoritos, concorrendo com “Gravidade” e “12 Anos de Escravidão”, longas poderosos que vem lutando praticamente sozinhos durante toda a temporada. David O. Russel recebe sua terceira indicação à premiação como melhor diretor. Apesar de seu trabalho ser excelente, o prêmio já está, praticamente, nas mãos de Alfonso Cuarón, que criou novos sistemas e formas de utilizar as câmeras para a perfeição técnica vista em “Gravidade”. Russel, ao lado de Eric Warren Singer, também é indicado como melhor roteiro original, o prêmio, ao que tudo indica, será consquistado por “Ela”, o melhor roteiro do ano sem dúvidas. Christian Bale é indicado como melhor ator, apesar de sua interpretação ser ótima, a briga está entre Chiwetel Ejiofor, por “12 Anos de Escravidão”, e “Matthew McConaughey, por “Clube de Compras Dallas”. Amy Adams surpreendeu ao desbancar Emma Thompson e ser indicada como melhor atriz, apesar de ser querida pela Academia, o prêmio já está, certamente, nas mãos de Cate Blanchett por seu trabalho impecável em “Blue Jamsine”. Cooper recebe sua primeira indicação ao prêmio como melhor ator coadjuvante, apesar de ser um dos melhores atores no páreo, é tão certo que o prêmio irá para Jared Leto, por “Clube de Compras Dallas”, quanto um mais um são dois. Lawrence também recebe sua primeira indicação como melhor atriz coadjuvante, apesar de está muito bem no longa, a atriz não supera a magnitude encontrada em Lupita Nyong’o, indicada por “12 Anos de Escravidão”. A categoria é a uma das mais incertas do ano. O figurino de Michael Wilkinson é indicado como melhor figurino do ano, e a equipe artística como melhor direção de arte, apesar de trabalhos impressinantes, os prêmios parecem estar entre os filmes de época: “O Grande Gatsby” e “12 Anos de Escravidão”. “Trapaça”, apesar de estar sendo visto como o provável maior perdedor do ano, ganhou força na categoria de melhor edição ao sair como um dos vencedores do Sindicato dos Roteiristas. Jay Cassidy, Crispian Struthers e Alan Baumgarten trazem uma edição deliciosa e muito bem feita, um a das melhores do ano.


Esse ano, concluí que podemos dividir os filmes indicados ao Oscar entre aqueles que passam mensagens belas sobre a vida e aqueles que são, puramente, o excercício da Sétima Arte. “Trapaça” é um grande exercício da sétima arte, diga-se de passagem. Com interpretações bonitas, figurino, maquiagem e cabelos estonteantes, trilha sonora divertida, direção agradável, roteiro interessante e edição ágil e inteligente, o filme é uma excelente desculpa para ir ao cinema. Para finalizar, o filme ainda possui personagens interessantes e que chamam a atenção, personagens com os quais até poderemos no sidentificar em algum momento. Seres humanos de verdade que possuem sua natureza e não parecem dispostos a mudá-las. A natureza de Irving é ser um trapaceiro, a de Sydney é se entregar para o amor, a de Richard é de querer sempre mais, e a de Rosalyn é de ser uma completa descontrolada. Esse é o tipo de filme que vale a pena ir ao cinema conferir, pois possui tantos detalhes artísticos que somente a telona do cinema poderá proporcionar uma diversão completa. Aliás, é bem disso que esse filme trata: “Trapaça”, como sugere o nome, é uma boa diversão, nada além disso.

SOCIEDADE DE EFEITOS VISUAIS:
Melhores Efeitos Especiais em Filmes com Efeitos Especiais Predominantes: Gravidade
Melhores Efeitos Especiais de Suporte: O Cavaleiro Solitário
Melhores Efeitos de Animação em uma Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Personagem Computadorizado em um Filme Live-Action: Smaug, por O Hobbit: A Desolação de Smaug
Melhor Personagem Computadorizado em uma Animação: Rainha de Neve, de Forzen: Uma Aventura Congelante
Melhor Ambiente Criado para um Filme em Live Action: Exterior de Gravidade
Melhor Fotografia Virtual em um Filme Live-Action: Gravidade
Melhor Ambiente Criado para uma Animação: Palácio de Gelo de Elsa, de Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Modelo em um Filme Live-Action: Gravidade – Interior da ISS
Melhor Efeito e Animação Simulada em uma Animação: A Nevasca de Elsa em Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Efeito e Animação Simulada em um Filme Live-Action: Gravidade – Pára-quedas e Destruição da ISS
Melhor Composição em um Filme: Gravidade
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

113. BATMAN BEGINS, de Christopher Nolan

O início da melhor narrativa sobre uma lenda!
Nota: 9,5


Título Original: Batman Begins
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Chritian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Gary Oldman, Cillian Murphy, Rade Serbedzija, Rutger Hauer, Jack Gleeson
Produção:
Roteiro: Christopher Nolan, David S. Goyer e Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2005
Duração: 140 min.
Gênero: Drama / Thriller

 Bruce Wayne perde os pais quando criança, desolado por todos os problemas que acaba enfrentando pela perda, decide seguir os passos do pai: exterminar os vilões em Gothan City e acabar com a pobreza. Para isso, decide viver com os pobres e ser preso para aprender a lutar e vencer os tais vilões. Todavia, não é tão fácil assim controlar os crimes da cidade mais importante do mundo, mesmo sendo um playboy bilionário tão popular. Nesse contexto, Wayne cria sua nova identidade: baseado em seus maiores medos e receios surge “Batman”.


Os filmes que envolvem o nome do heroi Batman vão bem além dessa série produzida por Nolan: em 1943 e 1949 foram ao ar as séries para televisão “The Batman” e “Batman & Robin”; em 1966 estreou o primeiro longa para cinema, protagonizado por Adam West, Burt Ward, Cesar Romero e Lee Meriwether; entre o final da década de 1980 e durante a década de 1990, surgiu no cinemas de todo o mundo a tetralogia iniciada por Tim Burton – que permaneceu nos primeiros dois filmes –: “Batman” (1989) com Michael Keaton como o heroi e Jack Nicholson em seu eterno Coringa e venceu o Oscar de melhor direção de arte, “Batman Returns” (1992) ainda com Michael Keaton, e contando com as participações de Michelle Pfeiffer e Danny DeVito; em 1995 chegou “Batman Forever”, onde Keaton foi substituído por Val Kilmer, ainda chegaram no elenco Chris O’Donnell, Jim Carrey e Tommy Lee Jones; por fim, a pior de todas as produções protagonizadas pelo Homem Morcego, “Batman & Robin” (1997), liderado por George Clooney no papel de Wayne, o elenco dispunha de Arnold Schwaznegger, Uma Thurman, Alicia Silverstone, recebeu inúmeras críticas negativas pelas insinuações homossexuais entre os protagonistas que viraram motivo de piada no mundo todo, além de seu tom irônico de mal gosto e sua abordagem toyetic. Christopher Nolan, além desse filme, nos deu o prazer de realizar mais dois longas  (com rumores de futuras produções), são eles: “Batman - O Cavaleiro das Trevas” (2008), protagonizado por Christian Bale, o melhor Batman de todos, além de Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, e Heath Ledger (como o Coringa, papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante) e, por fim, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), com Bale, Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway e Marion Cotillard. Tendo em vista os resultados dos filmes anteriores a esse e a forma como a crítica e o público crítico recebeu os filmes realizados durante a década de 1990, não há como contestar a genialidade de Nolan ao nos trazer de volta para Gothan City e nos fazer querer estar lá o tempo todo, claro que tudo não é mérito apenas do diretor, temos roteiros criativos e intrigantes, a edição/montagem das cenas nos leva ao ápice do que um filme de ação pode proporcionar, a trilha sonora de Hans Zimmer é do tipo inesquecível e as atuações apenas melhoram a cada filme.


A decisão de entregar nas mãos de Christian Bale o papel de um dos herois mais adorados e mais bem sucedidos da história foi a maior sacada da carreira de Nolan. Juntos, ator e diretor criaram uma personagem atormentada por seu passado, com receio do futuro e desejosa de um presente melhor a todos os habitantes da cidade na qual é considerado um “príncipe”, mas mais que isso: Bale nos apresenta um heroi humano, sem qualquer super poder, um homem que lutou e se dedicou para chegar ao ponto de ser considerado um heroi para toda sua cidade, um homem forte e destemido, capaz de vencer qualquer obstáculo para melhorar a vida de todos. Katie Holmes é a mocinha desse filme, claro que todos os filmes de herois precisam de mocinhas para atrapalhar, ajudar ou, ao menos, serem a desculpa de o heroi lutar contra seus inimigos, Rachel Dawes (personagem de Holmes) é uma moça inteligente que também não se rendeu ao tentador mundo do crime, das bajulações e da propina, apesar de ser pouco relevante, a atriz faz seu trabalho com segurança e competência. Liam Neeson é um dos “vilões”, Ducard o misterioso professor de luta e sobrevivência de Wayne, e Cillian Murphy é o Dr. Crane, mais um vilão terrível, como acontece nos demais longas de Nolan, um deles deveria ser um bom ator como vilão e o outro nos traria uma péssima atuação, o fato é que nenhum dos dois está bem. Bem como não há Piu-Piu sem Frajola ou fogueira sem brasa, não há Batman de Christopher Nolan sem um, ou mais, das personagens mais cativantes dos filmes: Gary Oldman é o policial Jim Gordon, Morgan Freeman é o gênio Lucius Fox e Michael Caine, o inesquecível mordomo de Wayne, Alfred, não há nenhuma palavra que defina melhor a atuação de cada um deles que não seja “perfeição”, pois cada um caiu como uma luva em Gothan City para viver as personagens mais queridas da trama.


Quando criança, Bruce Wayne caiu em um poço seco, segundos após sua queda, milhares de morcegos voaram em sua direção e subiram para a luz que vinha lá de cima do poço. Pouco tempo depois, o menino perdeu o pai e a mãe em um assalto premeditado – mais pareceu uma morte encomendada forjada de assalto. Desolado, o jovem tornou-se desejoso de vingança, todavia, os ensinamentos de seu bom pai o fizeram enxergar além disso tudo. Das profundezas dos maiores medos e receios de um menino, surgiu um homem disposto a lutar, literalmente, contra o mal e dar vida, novamente, a cidade que seus pais tanto amavam e esperavam. Além dessas mensagens básicas que as histórias relacionadas a Batman sempre nos trouxeram – significado e importância da amizade, a necessidade de se vencer os medos, a beleza de fazer algo de útil para o restante da humanidade -, esse filme tem por objetivo maior uma única coisa: mostrar que, finalmente e agradavelmente, Batman, o Homem Morcego, está de volta e em sua melhor performance!


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114. BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS, de Christopher Nolan


O melhor filme do gênero na história do cinema.
Nota: DEZ


Título Original: The Dark Knight
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Gary Oldman, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal
Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas, Charles roven, Lorne Orleans
Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan, David S. Goyer e Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2008
Duração: 152 min.
Gênero: Drama / Ação / Thriller

Enquanto o jovem promotor Harvey Dent inicia a tão sonhada limpa dos criminosos da maior cidade do mundo, Gothan City, os mafiosos planejam sua morte, armam para que o agente Gordon não pegue o dinheiro deles e continuam manipulando toda a cidade. Para piorar, um novo criminoso está à solta, como se não bastasse, Coringa – como o homem gosta de ser chamado -, não é comandado pela máfia ou pelos políticos corruptos, e sim, por sua própria mente insana e depravada. Agora, a polícia terá de admitir Batman como um heroi, e pedir sua ajuda na luta contra o Coringa, antes que seja tarde demais.


Após o sucesso de “Batman Begins”, era, simplesmente impossível, imaginar que não viriam mais filmes sobre o Homem Morcego, nossa sorte, é que a equipe de produção, o elenco, os roteiristas e a direção continuaram os mesmos e tivemos, contra quase todos os credos da indústria cinematográfica, o melhor filme da trilogia de Nolan. Digo isso, por que, primeiramente, sequências não costumam ser bons filmes, geralmente elas são uma catástrofe ou, na melhor das hipóteses, se equiparam ao filme de origem, além disso, o terceiro longa da série foi esperado por todos, e a esperança acerca do mesmo lhe deixou em desvantagem. É difícil comparar um filme com o outro, mas, o grande trunfo de Nolan aqui é um dos maiores vilões da história do cinema e, sem dúvida, o melhor vilão do Século XXI. Em “Batman Begins” conferimos os motivos que levaram Bruce Wayne a se tornar “Batman”, descobrimos porque o símbolo do heroi é um morcego, compreendemos as razões pelas quais Wayne luta por Gotham City, uma cidade, aparentemente, há muito perdida para os mafiosos e ladrões baratos e confrontamos algumas características da vida pessoal de Bruce, vendo que, umas o derrotam, e outras o elevam a um grande homem, mas um homem normal, que anseia por poder passar sua vida ao lado de quem ama. Nessa sequência, apenas esse tal amor volta a ser visto com alguma relevância – além, é claro, dos inesquecíveis Alfred (o mordomo de Wayne, e, mais que um empregado, a única pessoa que o conhece por completo), Lucius Fox (outra herança do pai de Bruce, o homem que cuida de todos os negócios relacionados ao heroi) e o policial Gordon (aqui ele virá a ser o comissário Gordon, uma das figuras mais importantes e características da trilogia) – o resto em volta de Wayne acaba mudando de forma drástica, como aconteceria no terceiro filme da trilogia. A esplendida trilha sonora do longa é de Hans Zimmer e James Newton Howard. Para se ter uma vaga idéia do quanto ambos são excelentes em seus trabalhos anteriores ou posteriores a esse, cito alguns que fizeram, separadamente, que possuem algum teor mais semelhante ao trabalho que podemos conferir nesse filme: Hans Zimmer compôs para longas como, “Hannibal” (2001), “Rei Arthur” (2004), “Piratas do Caribe: O Baú da Morte” (2006), “Sherlock Holmes” (2009) e “A Origem” (2010); já James Newton Howard, assinou filmes como, “A Intérprete” (2005), “Conduta de Risco” (2007), “Jogos do Poder” (2007), “O Legado Bourne” (2012) e “Jogos Vorazes” (2012). Ambos são os compositores de “Batman Begins”, curiosamente, e isso foi visto no filme anterior e se repetiria no longa lançado em 2012, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, a trilha sonora do longa parece perfeita vista no filme, as músicas acompanham os movimentos dos personagens com precisão e não há um tema sequer que não se encaixe no personagem para o qual ele foi escrito, todavia, ouvi-la sem ser no filme pode parecer algo estranho, na realidade, acabará se tornando, com o tempo, algo estranhamente agradável.


Christian Bale lidera o elenco como Bruce Wayne/Batman, há pouco a ser dito sobre sua interpretação que eu já não tenha falado na crítica do último filme da trilogia, mas volto a lembrar que ele é o melhor intérprete de todos na pele do heroi, aqui, ele está mais maduro e consciente dos bônus e dos ônus de ser o Homem Morcego e ajudar a todos em Gothan, para mim, essa é a melhor performance do ator encarando Batman. Ao lado de Bale, o vencedor do Oscar de melhor atuação coadjuvante pelo papel brilhante do Coringa, está Heath Ledger, que era um dos melhores atores da época, já era adorado pelo público jovem pela comédia romântica “10 Coisas que eu Odeio em Você” (1999), mas foi em 2006 que ganhou a crítica como o cowboy homossexual em “O Segredo de Brokeback Mountain”, com o qual foi indicado ao Oscar. Apesar de ter morrido antes de o filme ser lançado, foi com o Coringa que o ator foi imortalizado (e foi com o mesmo personagem que elevou o longa a um dos melhores dos últimos anos), vencendo, além do Oscar, dezenas de prêmios e nos proporcionando uma das atuações mais ricas de um vilão vistas na história do cinema, trazendo uma construção perfeita de um homem perturbado, com trejeitos e modos de falar, andar e agir próprios. Aaron Eckhart é Harvey Dent, posteriormente “Duas Caras”, o alter ego do promotor que colocou dezenas de corruptos e bandidos na cadeia, como Dent, Eckhart está simples, apesar de apresentar um homem forte e decidido, ele não tem muito o que mostrar, mas quando sofre um atentado e se torna o perigoso “Duas Caras”, o ator mostra o quanto pode ser competente – falar mais sobre a personagem seria estragar boas surpresas do desfecho do filme, portanto, me reservo ao direito de parar por aqui. A troca de Katie Holmes por Maggie Gyllenhaal no papel de Rachel Dawes, o amor do passado de Wayne e o atual amor de Dent, não foi uma escolha nada feliz, provavelmente convidaram Holmes para voltar ao filme, todavia, devido ao casamento com Tom Cruise, ela “teve” de recusar. Gary Oldman é o policial Gordon que, nesse filme se torna o inesquecível Comissário Gordon, o ator traz, novamente, um homem racional, apegado a família e bem resolvido quanto a não ser corrompido pelos bandidos. Os mais que veteranos Michael Caine e Morgan Freeman vivem, respectivamente, o mordomo Alfred e o diretor das empresas de Wayne, Lucius Fox, há pouco a ser dito sobre ambos, além de que, como de costume, estão excelentes.


O Coringa criado pelos irmãos Nolan e por Heath Ledger é um personagem cheio de contornos, possibilitando diversas interpretações para seus atos, prova disso são as diversas histórias que o vilão conta sobre suas cicatrizes – algumas envolvem um pai bêbado, outras uma esposa ingrata -, todas carregadas de sofrimento e dor, mas tratadas pelo palhaço com muita ironia e desdém. E é nessa ironia que consiste uma das maiores facetas do Coringa: sua fantasia e maquiagem não nos lembram palhaços por qualquer motivo idiota, nos lembram um palhaço pois o homem faz piada de tudo o que o cerca, sem deixar escapar um comentário maldoso ou desnecessário. Segundo alguns comentários, daqueles terríveis que deveriam ficar apenas no set de gravações, Ledger enlouqueceu encarando o Coringa, o que o teria levado ao suicídio. Quanto a Batman, ou Bruce Wayne, ele permanece um homem forte que tenta driblar seus medos para fazer o melhor que pode para a sociedade, nesse filme ele parece mais maduro e nos mostra uma nobreza surreal quando é confrontado com a decisão de fazer o melhor por Gothan – o que destruiria, de vez, com a reputação do heroi criado por ele -, ou fazer o que qualquer homem que deseja permanecer no topo faria. Além desses dois homens inconfundíveis e incomparáveis, temos Harvey Dent, que mais tarde viria a se tornar o “Duas Caras”, no final das contas, tudo o que Dent desejou na vida foi matar cada um dos homens que prendeu, foi aniquilar todos aqueles que lhe fizeram mal ou machucaram o povo da cidade que ama, o problema é quando esse mostro vingativo que todos temos dentro de nós resolve sair e mostrar suas garras.  Por fim, nada mais justo que dizer que este é o melhor filme já feito sobre Batman, e tudo isso, por um simples motivo: ninguém poderá superar a grandiosidade de Heath Ledger como O Coringa, pois, todos nos identificamos um pouco com ele, afinal, todos temos um vilão debochado dentro de nós, esperando a deixa e pronto para deixar de lado a seriedade, e sorrir.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

137. O OPERÁRIO, de Brad Anderson

A melhor interpretação de Christian Bale.
Nota: 9,0

Título Original: The Machinist
Direção: Brad Anderson
Elenco: Christian Bele, Jennifer Jason Leigh, Aitana Sánchez-Gijón, John Sharin, Michael Ironside, Lawrence Gilliard, Reg E. Cathey, Anna Massey
Produção: Julio Fernández
Roteiro: Scott Kosar
Ano: 2004
Duração: 102 min.
Gênero: Thriller / Suspense / Drama

Trevor Reznik é um simples operário de uma fábrica qualquer, o problema é que algo anda o atormentando e não o deixa dormir há um ano. A situação só piora quando um de seus colegas sofre um pequeno acidente e perde o braço, tudo estaria bem se Reznik não fosse o culpado – ele estava distraído olhando para Ivan, um homem que “trabalha” na fábrica. O problema ainda maior é que ninguém jamais viu Ivan, ele nem sequer está na folha de pagamento da empresa. Agora, Reznik terá de enfrentar as tramóias que acredita estarem armadas contra ele, ou aceitar que está louco.


É complicado entender todo o filme após assisti-lo, mais complicado ainda é relatar a história sem deixar escapar um ou outro fato importante. Na história, Reznik possuí apenas duas amigas: Stevie, uma prostituta que parece ter se afeiçoado a ele, e Maria, uma garçonete pra lá de simpática por quem ele está se apaixonando. Além delas, ainda existem conhecidos como os colegas de trabalho e a dona do apartamento onde vive, a Sra. Shrike. É essencial apresentar tais personagens pois, o filme se sustenta na dúvida de quem ali é real ou quem não é. Nesse contexto, cada colega de trabalho e a tal Sra. Shrike são totalmente reais, entretanto, Maria, Ivan e Stevie são vistos apenas por Reznik durante toda a trama, o que os torna suspeitos até que se prove o contrário. Stevie e Maria parecem apenas duas mulheres por quem Reznik está dividido – ambas são belas, atraentes e boas mulheres. Dessa forma, é sobre Ivan que recaem as maiores dúvidas: ele realmente existe? Ou está apenas no pensamento de Trevor? Ele trabalha na empresa e todos estão mancomunados contra Reznik para enlouquecê-lo e forçá-lo a sair do emprego? Ou ele é, de uma forma ou outra, alguma figura formada pelo próprio Trevor para se desculpar por alguma coisa? Mas Ivan também pode ser um fantasma do passado, uma personalidade a mais de Trevor, uma alma que ainda não deixou a terra por completo. Nenhuma dessas perguntas é respondida diretamente, mas todas são esclarecidas, de uma forma ou outra, para um bom entendedor que se entregar por completo a trama e deixar se envolver pela mesma.


Christian Bale é um dos atores que mais está em atividade nos últimos anos, mais: é, provavelmente, o ator de mais sucesso e o mais promissor da última década. Além de ter encarado o heroi Batman na trilogia de Christopher Nolan e ter vencido o Oscar por seu papel coadjuvante em “O Vencedor” (2010), carregou alguns filmes nas costas, como: “Psicopata Americano” (2000), “O Sobrevivente” e “O Grande Truque” (2006). Vale lembrar que Bale é, sem dúvida, o melhor Batman até hoje nos cinemas. Na pele de Reznik ele nos demonstra alguns bons momentos, como aqueles nos quais está com Stevie ou Marie, momentos, esses, nos quais se mostra um homem sereno, sem preocupações ou loucuras em sua mente. Já, em outras passagens da trama, ele está completamente louco, seja por estar vendo coisas ou por estarem contra ele, Reznik começa acreditar que tudo o que está acontecendo é por algum problema psicótico, e é aí que está a grandiosidade da atuação de Bale, nessas passagens ele se torna uma pessoa completamente diferente de tudo, mudando suas expressões, seu modo de falar e sua postura corporal. Não posso deixar de lembrar o quanto o ator emagreceu para fazer a personagem. Os demais atores e atrizes do filme fazem apenas figuração para que Bale possa ser brilhante: Marie e Stevie são vividas por Aitana Sánchez-Gijón e Jennifer Jason Leigh, as duas estão ótimas em seus papéis; John Sharian vive o misterioso Ivan, durante todo o filme sua interpretação parece péssima, até descobrirmos quais os propósitos da personagem e quais as verdades acerca dele.


Durante a trama acompanhamos as dúvidas e os medos de Trevor, desejamos saber a verdade mais que tudo, é como se nos sentíssemos parte do filme e precisamos, mesmo que para dormirmos tranqüilos saber o que está acontecendo realmente, e é isso que torna essa produção um verdadeiro thriller: não sabemos a verdade em nenhum momento, mas desejamos conhecê-la, e quando a mesmo nos é revelada, ficamos pasmos, sem reação. É nesse desfecho que sentimos ainda mais pena de Trevor e tentamos compreender sua vida e todos os seus problemas. Sem dizer mais, para não estragar as surpresas da trama, apenas confirmo: o fato é, que o final é surpreendente e perfeito.

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sábado, 4 de agosto de 2012

234. BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, de Christopher Nolan

Um fechamento original, que traz toda a maestria de Nolan para sua despedida do Homem-Morcego.
Nota: 9,7


Título Original: The Dark Knight Rises
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordom-Levitt, Anne Hathaway, Morgan Freeman, Michael Kane, Matthew Modine, Alon Aboutboul, Ben Mendelson, Juno Temple, Liam Neeson
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven, Emma Thomas
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer, Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2012
Duração: 164 min.
Gênero: Drama / Aventura / Ação / Fantasia


Há 8 anos Bruce Wayne, ou melhor, Batman, deixou que toda a culpa da morte de Harvey Dent caísse sobre ele. Após todos os acontecimentos do filme anterior, portanto, o excêntrico bilionário exilou-se em sua própria mansão para ficar longe de tudo e todos. Entretanto, Gothan City jamais está a salvo de todos os perigos do mundo: agora o perigoso vilão Bane irá deixar a cidade apavorada, ele conseguirá uma máquina capaz de destruir tudo o que os cidadãos tanto amam. Agora é mais que hora do protetor de Gothan ressurgir e mostrar que um herói jamais morre.


Não existe herói sem vilão, e é por isso que reservei esse parágrafo apenas para falar, rapidamente, sobre o que temos nesse filme. Claro que falar sobre qualquer vilão de Batman e não compará-lo com a, literalmente, monstruosa atuação de Heath Ledger como Coringa no filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2009) é impossível. Acho o segundo filme da trilogia fantástico, mas como um todo vejo nesse desfecho o melhor filme dos três, o que realmente me chamou a atenção no segundo foi Ledger, o ator foi original e repugnante, o que nos faz pensar o quanto seria agradavelmente diabólico assistir a um filme onde os dois vilões se encontrassem e aterrorizassem Gothan City, afinal, bem como o Coringa, aqui temos alguém que pensa somente em si próprio, em fazer o que considera certo e ir além do que qualquer ser humano seria capaz, sem se preocupar com a vida das demais pessoas em detrimento de sua vingança.


Christopher Nolan dirigiu três filmes que gosto antes de sua trilogia de Batman: “Amnésia” (2000), com Guy Pearce; “Insônia” (2002), com Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank; e “O Grande Truque” (2006), com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine e Andy Serkis. Em 2005 deu início a sua épica trilogia do super-heroi de Gothan City, com “Batman Begins” ele renovou todo o filme e nos trouxe o melhor Batman de todos, ainda superou todas as possíveis expectativas ao escolher Michael Cane para viver o mais perfeito Alfred que poderia se imaginar, e ainda completou o trio com Morgan Freeman vivendo Lucius Fox. Nos três filmes das sequência Nolan nos traz a excelência de sempre em seus trabalhos, sua técnica é exatamente o que se espera, isso quando não se supera: para um filme que tem como protagonista o cavaleiro das trevas, nada mais digno que as sombras e a escuridão permanecerem presentes a maior parte do tempo. As sequências em que Batman, ainda um bandido, é perseguido pela polícia, sua luta com o vilão Bane, as ironias (como o fato de Bane querer devolver o poder ao povo e a bandeira americana toda rasgada), as retomadas de outras passagens dos outros filmes (a sensação de ser deixado sozinho do nada) e a parceria do homem-morcego com a Mulher-Gato são pontos altos do filme.


Nolan, toda via, não está só para deixar essa produção tão fantástica: ninguém mais que Hans Zimmer faz a vez do compositor da melhor trilha sonora nos três filmes. Apesar de ter começado em 1984 e sempre ter sido querido pela crítica, foi apenas dez anos depois que ganhou o público, e o Oscar, com “O Rei Leão”. Na franquia produzida por Nolan, os dois primeiros filmes contam com James Newton Howard, mas aqui o trabalho é apenas de Zimmer, e, é claro, que ele o faz com perfeição. Desde o início da trama conferimos cenas de ação e com elas é quase obrigação dos compositores serem impecáveis nas músicas, entretanto, chama a atenção a originalidade de Zimmer ao optar por deixar a primeira e mais significativa luta de Batman e Bane ser praticamente muda: ouvimos apenas a pancadaria e o barulho da água do esgoto em que os dois estão. Nas demais cenas, Zimmer nos proporciona uma trilha irreverente e maravilhosa, cheia de diferenças e adaptações para cada momento.

Christian Bale é um dos atores mais versáteis do cinema atual, já  interpretou um jovem preso em um campo de concentração japonês, foi Demetrio na adaptação do romance de Shakespeare, um psicopata com sérios problemas, um operário com problemas de saúde, um pastor e um ex-lutador de boxe (com o qual venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante). Aqui ele é o maior estímulo que se pode existir na ficção: o super-heroi que preza pela moral e os bons costumes, apesar de seu alter ego, Batman, ser o perfeito homem que quer ajudar os outros, Bruce Wayne está confuso e frustrado com muitas coisas que aconteceram em sua vida, e precisará superar todos seus anseios e medos para voltar a salvar a humanidade. Anne Hathaway é bela Mulher-Gato, uma mulher sexy, inteligente, esperta, audaciosa e confiante, que ganha a vida roubando dos ricos, a atriz surpreende ao ser sexy andando, sentando, beijando o protagonista, subindo na moto de Batman e até mesmo roubando. Gary Oldman volta como o comissário Gordon, uma das melhores e mais queridas personagens da trama, perdendo apenas para o amável e insuperável Alfred de Michael Caine, a única pessoa que realmente compreende e ama Wayne verdadeiramente. Além deles temos Josephe Gordon-Levitt como o policial Blake, um órfão que vê em Wayne o maior exemplo de superação; Tom Hardy é o vilão Bane, simplesmente irreconhecível, ele não tira sua máscara o filme todo e nos traz uma personagem condicionada a matar, criada para fazer o mal, bem como os inúmeros terroristas que vemos em nosso dia-a-dia; Morgan Freeman é Fox, o homem que auxilia Wayne/Batman em seus projetos; e Marion Cotillard vem em sua performance mais decepcionante, apesar de sempre ser fantástica, como a apagada mulher de negócios Miranda Tate, que preza pela saúde, educação e pelo desenvolvimento sustentável.


Como disse, esse filme é o melhor de todos já produzidos sobre o bilionário super-heroi órfão que encontrou uma forma de fazer algo de bom pelo mundo e dedicou cada segundo de sua vida a isso. Voltamos a personagens adoradas pelo público e temos atores e atrizes sempre muito elogiados pela crítica, a relação entre Batman e a Mulher-Gato se torna uma receita infalível e o desespero proporcionado pelos exatos 30 últimos minutos de filme são excitantes e nos deixam inquietos na poltrona, além de proporcionarem inúmeras surpresas (ressalvo, nem todas muito agradáveis), nesse filme, até mesmo os clichês românticos e relacionados a super-herois e ao cinema funcionam perfeitamente. “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, fecha com chave de ouro a trilogia criada por Christopher Nolan, sem sombra de dúvidas os três filmes marcaram a história contemporânea do cinema e jamais será possível falar do super-heroi sem ao menos citar um pouco cada um dos filmes. Nosso Batman volta forte, obstinado, decidido e cheio de vida para salvar a terra que tanto ama, Nolan, portanto, presenteia o cinema e o público ao nos apresentar uma série que só fez melhorar de um filme para o outro e se tornar uma das melhores dos últimos tempos, se tem alguma coisa que o diretor pode se orgulhar de ter em comum com a personagem com quem viveu tantos anos é da inigualável sensação do ar de superioridade.


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