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quarta-feira, 2 de julho de 2014

FILMOGRAFIA: MERYL STREEP, a primeira dama da Sétima Arte

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segunda-feira, 30 de junho de 2014

BIOGRAFIA: MERYL STREEP, a primeira dama da Sétima Arte

Com 18 indicações ao Oscar, Meryl Streep é uma das atrizes mais populares e admiradas da história do cinema.



Meryl Streep nasceu em 22 de junho de 1949 em Summit, no estado de Nova Jersey, Estados Unidos. Seu pai, Harry Streep II, era do ramo farmacêutico, e a mãe, Maryl, ilustradora e artista plástica. Durante a infância, a atriz confessa ter sido uma garota com poucos amigos, autoritária e afetada. Também não era nada bonita: usava óculos grandes e aparelhos e o nariz e queixo tortos e as bochechas saltadas, que hoje são uma espécie de marca, se mostravam um incômodo. Aos 12 anos, Meryl teve sua primeira experiência artística reconhecida por alguém que não fosse de sua família e logo começou a ter aulas de canto. Aos 16 anos, entretanto, largou as aulas para viver a adolescência como uma típica chefe de torcida do time da escola. Nessa época, Meryl deixou a menina feia de lado e se tornou uma garota popular no colégio. Foi na escola, também, que Streep teve seu primeiro contato como atriz em uma peçã de teatro. Após finalizar os estudos na escola, Meryl entrou para o Colégio Vassar, onde começou a “desenvolver sua própria identidade e acreditar em si mesma.” Foi lá que a atriz começou a ler seus primeiros grandes livros e a estudar o que realmente a interessava. Quando se formou, Meryl foi aceita pelo Green Mountain Guild, um pequeno grupo teatral. Apesar de não receber muito dinheiro, estava feliz pela oportunidade. Após perceber que a experiência não a levaria a lugar nenhum, matriculou-se na Escola de Drama de Yale, onde permaneceu por três anos. Em Yale, Meryl começou a ser reconhecida pelos professores e acabou trabalhando em mais de 40 produções durante o período em que esteve na Escola. Por seus trabalhos no teatro, Meryl recebeu vários prêmios e chegou a ser indicada ao Tony, o Oscar do teatro.


Na metade da década de 70, a loira conheceu John Cazale nos ensaios da peça “Medida por Medida”, ator por quem se apaixonou. Na mesma época, conseguiu seu primeiro papel no cinema. Em “Julia”, foi dirigida por Fred Zinnemann e contracenou com Jane Fonda e Vanessa Redgrave. Apesar de ter sido uma grande experiência, Streep acabou aparecendo pouco mais de um minuto durante todo o filme. Após o longa, Meryl e John foram convidados por Michael Cimino para estarem ao lado de Robert De Niro e Christopher Walken em “O Franco Atirador”. Apesar de o filme ter rendido à atriz sua primeira indicação ao Oscar como melhor atriz coadjuvante, foi nessa época que descobriu-se o câncer nos ossos do companheiro. No meio das filmagens, enquanto uma equipe foi para a Ásia, Streep e Cazale voltaram para Nova York. Antes de saber que o amado estava doente, porém, Meryl havia assinado um contrato para estrelar a minissérie “Holocausto”, sobre o extermínio durante a Segunda Guerra Mundial. Para cumprir com o contrato, ela teve de deixar John na América e passar um tempo na Europa. Apesar de dividir críticos e público, “Holocausto” foi um sucesso e Meryl recebeu o Emmy, o Oscar da televisão, de melhor atriz por seu trabalho. Streep voltou para os EUA seis semanas depois e permaneceu ao lado de Cazale no hospital. John Cazale, famoso por sua participação nos dois primeiros filmes da trilogia “O Poderoso Chefão”, morreu em março de 1978, aos 42 anos de idade. Logo após a morte de John, Meryl teve de abandonar o apartamento onde vivia e deixou as coisas no atelier de um amigo o irmão, Don Gummer. Meryl, então, começou as filmagens de “A Vida Íntima de um Político” em Washington, D. C.. Assim que as filmagens terminaram e Meryl voltou para Nova York, Woody Allen a convidou para uma pequena participação em seu novo filme, “Manhattan”. Enquanto Don passava um tempo na Europa, Meryl morou em seu atelier. No verão de 1978, Meryl voltou ao teatro e recebeu a proposta para trabalhar na adaptação “Kamer vs. Kamer”. Mas a atriz ainda era pouco famosa e não tinha muitos créditos no cinema, assim, o convite era para uma pequena participação. Meryl, no entanto, chegou à primeira reunião achando que sua personagem era Joana e ninguém quis desfazer o mal entendido, afinal, Kate Jackson, que interpretaria o par de Dustin Hoffman, não havia sido liberada para fazer o filme. Em junho, o longa começou a ser filmado, em setembro, Meryl e Don se casaram e em 13 novembro de 1979, um mês antes do lançamento do filme, Meryl e Don tiveram o primeiro filho: Henry. De imediato, o longa foi um sucesso mundial. O tabu relacionado a divórcio e aos direitos paternos e/ou maternos começou a ser debatido e o filme se tornou um marco na história da sociedade. Uma das cenas mais importantes para tal influência, aliás, a cena do tribunal, foi escrita pela própria atriz. Meryl, que estava escalada apenas para uma participação, ganhou diversos prêmios como atriz coadjuvante, incluindo o Oscar. “Kammer VS. Kammer” ainda saiu vencedor nas categorias de melhor filme, melhor ator (Dustin Hoffman), melhor direção e melhor roteiro adaptado (Robert Benton) e foi indicado em outras quatro categorias.


E assim iniciou a década de 1980 para Meryl Streep: a mamãe de primeira viagem recebendo um Oscar. Após tantos trabalhos e sufoco no cinema e televisão, Meryl resolveu voltar ao teatro com o musical Alice in Concert.  O sucesso foi entre público e críticos e Meryl voltou a receber prêmios. Em 1981, atuou ao lado de Jeremy Irons pela primeira vez no longa “A Mulher do Tenente Francês”, pelo qual recebeu sua primeira indicação ao Oscar como melhor atriz principal. Irons declarou que ele e a atriz tiveram um romance durante as filmagens, o que fez a vida de Meryl virar um inferno onde o demônio era representado pelas câmeras fotográficas que a vigiavam constantemente. Meryl desmentiu e levou um tempo para se recuperar do escândalo. Apesar de não ter levado o Oscar, a atriz foi reconhecida com o Globo de Ouro e o BAFTA (o Oscar britânico). O tão aguardado Oscar de melhor atriz veio em 1983, com a interpretação de Sofia em “A Escolha de Sofia”. O filme, ambientado na Segunda Guerra, conta a história de uma mãe perseguida pelos nazistas que tem que fazer uma escolha terrível. A cena em que Sofia é obriga a tomar tal decisão é uma das cenas mais fortes já produzidas pelo cinema. Para viver a personagem, Meryl desenvolveu o sotaque polonês e aprendeu a falar alemão e polonês para algumas cenas. Em 3 agosto daquele ano, Meryl e Don tiveram Mamie Gummer, a primeira das três filhas do casal. No ano seguinte, Meryl repediu a indicação ao Oscar de melhor atriz pelo filme “Silkwood: O Retrato de Uma Coragem” e contracenou novamente com Robert De Niro em “Amor à Primeira Vista”. A história sobre Karen Silkwood, uma mulher que denuncia a fábrica de plutônio em que trabalhava devido aos erros de segurança, não a deixaram nem próxima do tão cobiçado prêmio. Em 1986, Meryl foi indicada por “Entre dois Amores”, mais uma vez, não saiu vencedora, mas sua interpretação de Karen Blixen foi uma das mais belas de sua carreira. “Entre Dois Amores” foi indicado em 11 categorias na premiação, e saiu vencedor de sete: filme, direção (Sydney Pollack), roteiro adaptado (Kurt Luedtke), fotografia, direção de arte, som e trilha sonora (John Barry). Anos atrás, Meryl desabafou sobre a fatalidade de nunca ter participado de um clássico do cinema. Chegou a fazer uma revisão de sua carreira para tentar encontrar algum filme que se igualasse às grandes produções da Sétima Arte. Streep não encontrou nenhum clássico. Para mim, “Entre Dois Amores” é esse filme. Sydney Pollack é um dos diretores americanos mais importantes da história do cinema americano, a fotografia é surpreendente, o roteiro é real sem ser chato, a edição foi feita por um quarteto exemplar, o figurino (de Milena Canonero) é extremamente expressivo, a trilha sonora é do compositor mais sensível da história do cinema e as interpretações de Streep, Robert Redford, Klaus Maria Brandauer e Malick Bowens são incríveis. Eis um clássico do cinema. Mas, deixando as modéstias de Meryl de lado, voltemos à sua biografia. Em 9 de maio do mesmo ano em que recebeu sua sexta indicação ao Oscar, teve Grace, a segunda filha com Don. Foi naquele ano, também, que estrelou o filme “A Difícil Arte de Amar” ao lado de Jack Nicholson, do diretor Mike Nichols. Durante as filmagens, Meryl ficou grávida de Grace e chegou-se a cogitar a possibilidade de ela e Nicholson estarem tendo um caso. No ano seguinte, repediu a dose ao lado de Nicholson no filme “Ironweed”, de Hector Babenco. Pelo drama (e que drama), ambos foram indicados ao Oscar. Talvez, o teor violento e realista demais do longa tenha feito a academia rejeitar ambos os artistas. “Um Grito no Escuro” (1989), que conta a história de uma mãe que é acusada do assassinato do próprio filho lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. No ano seguinte, Meryl esteve no fracasso “Ela É o Diabo”, filme apresentado constantemente no período diurno em na televisão.


A década de 1990 começou agitada para Meryl: voltou a ser dirigida por Mike Nichols em “Lembranças de Hollywood”. O filme sobre a relação de mãe filha deu à Meryl a chance de contracenar com Shirley MacLaine e lhe trouxe mais uma indicação ao Oscar. Em 1991, no dia 12 de junho, Meryl, então com 41 anos, teve sua última filha, Louisa Jacobson Gummer. Naquele ano, ainda, foi vista no mediano “Um Visto Para o Céu”. Como na década anterior, Meryl emplacou, ao menos, um filme por ano na década de 90. Entre 1992 e 1995, foram: a comédia de humor negro “A Morte Lhe Cai Bem”, o drama épico “A Casa dos Espíritos”, o thriller “O Rio Selvagem” e o romance “As Ponte de Madison”, respectivamente. Este, conta a paixão entre uma fazendeira italiana que vive nos EUA e um fotógrafo americano. Dirigida e dividindo a cenas com Clint Eastwood, Meryl voltou a ser indicada ao Oscar após quatro anos sem aparecer na premiação. Esse foi o período mais longo que Meryl ficou sem receber uma indicação à premiação máxima do cinema. Com “As Pontes de Madison”, Meryl recebeu sua décima indicação ao Oscar (duas de melhor atriz coadjuvante e oito de melhor atriz), igualado-se a Bette Davis em número de indicações. Meryl e Clint foram alvo de notícias que cogitavam um caso amoroso entre eles. Ambos negaram. “Antes e Depois” e “As Filhas de Marvin” foram os dois filmes lançados em 1996. Este, contava, ainda com Leonardo DiCaprio, Diane Keaton, Robert De Niro e Margo Martindale no elenco. O péssimo “A Dança das Paixões” dividiu o ano de 1998 com “Um Amor Verdadeiro”, pelo qual Meryl foi indicada novamente ao Oscar. O filme conta a história de uma mulher que descobre ter câncer e sobre sua relação com a filha que vivia longe da cidade natal há anos. O ano seguinte foi marcado por muitos trabalhos, quatro no total e Meryl provou que optarem por ela para protagonista de “Música do Coração” foi a melhor escolha. Ao lado dela, Madona lutava pelo papel. Meryl aprendeu a tocar violino e recebeu a décima segunda indicação ao Oscar. Agora, a atriz se igualava à Katharine Hepburn em número de indicações. Apesar disso tudo, os anos 90 foram marcados por filmes com pouca ou nenhuma popularidade. Apesar de ser indicada e vencer alguns prêmios, apesar de Meryl ter representado alguns dos melhores papeis de sua carreira, apesar de a atriz ter realizado alguns dos filmes que ela mais gosta, o público não recebeu os longas escolhidos por ela com tanta excitação.


Com o início do novo século, veio a morte de Mary Streep, mãe de Meryl. No ano de 2003 foi a vez de Harry, o pai, dar adeus. Ela morreu com 86 anos e ele com 93. Ainda em 2001, atuou na peça “The Seagull”. Em 2002, Meryl atuou como coadjuvante em dois filmes: “Adaptação”, que lhe rendeu a terceira indicação ao Oscar como melhor atriz coadjuvante, e “As Horas”. Com “Adaptação”, Meryl se tornou a intérprete, entre homens e mulheres, com mais indicações ao Oscar. Entre 2003 e 2007, apesar de grandes filmes, Meryl esteve mais um período sem nenhuma indicação ao prêmio da Academia. Ainda em 2003, venceu o Emmy e o prêmio do Sindicato dos Atores, o SAG, pela minissérie “Angels in America”, onde viveu quatro personagens e atuou ao lado de Al Pacino. Em 2004, foram “Sob o Domínio do Mal” e “Desventuras em Série”, em 2005, “Terapia do Amor” e em 2006, “A Última Noite”, “Lucas: Um Intruso no Formigueiro” (uma animação) e “O Diabo Veste Prada”. Por sua interpretação como a editora de revista de moda Miranda Priestly, Meryl voltou ao Oscar em 2007 com a indicação de melhor atriz. Apesar de o filme ser uma comédia sem grandes atrativos (com exceção a Meryl), foi a representação da volta da atriz aos braços do público. Mesmo que a personagem fosse uma mulher sádica e mau humorada, Meryl foi aceita pelo público e seu nome se tornou um dos mais falados na boca das novas gerações nascidas nas décadas de 1980 e 1990. Em 2006, Meryl ainda esteve na peça teatral “Mother Courage And Her Children”. Nos anos seguinte, prestes a completar 60 anos, contra todos os credos da indústria cinematográfica, Meryl Streep estava se tornando a atriz mais querida pelo povo americano e mundial. A partir dali, Meryl começou a se entregar a intensos ritmos de trabalho. Em 2007, esteve em “Ao Entardecer”, em “O Suspeito” e em “Leões e Cordeiros”. Com “Mamma Mia! – O Filme”, a adaptação do musical da Broadway baseada nas músicas do grupo ABBA, Meryl cantou e dançou como se ainda fosse uma mulher de vinte anos, foi indicada ao Globo de Ouro pelo papel de Donna e viu sua popularidade aumentar consideravelmente. No mesmo ano, recebeu, pela primeira vez por um papel no cinema, o prêmio de melhor atriz do Sindicato dos Atores pelo filme “Dúvida”, o qual rendeu mais uma indicação ao Oscar. O ano de 2009 foi vivido por três comédias: a animação “O Fantástico Sr. Raposo”, a comédia romântica da terceira idade “Simplesmente Complicado” (onde uma mulher de mais de 60 anos, vivida por Streep, foi disputada por personagens vividos por Alec Baldwin e Steve Martin) e, por fim, a biografia de Julie Powell, jovem que se tornou uma grande fã da mestre de cozinha Julia Child. A interpretação de Child rendeu à Meryl sua décima terceira indicação ao Oscar na categoria de melhor atriz (como adjuvante, foram três indicações até hoje), tornando-a a atriz com mais indicações nessa categoria. A popularidade de Meryl a levou a dezenas de programas de entrevistas e a algumas participações em séries como “Web Therapy”.


Em 2011, Meryl, com então 62 anos, tornou-se a mulher mais velha a estampar a capa da revista norte-americana Vogue. No mesmo ano, estreou nos cinemas com a tão esperada cinebiografia da ex primeira ministra britânica, Margaret Thatcher. Era a primeira-dama de Hollywood vivendo a primeira-ministra da Inglaterra. Mesmo sendo americana, Meryl interpretou com perfeição o sotaque de Thatcher. O filme dividiu opiniões, causando inúmeras polêmicas nos EUA, no Reino Unido e na Argentina (o filme retrata o episódio das Ilhas Malvinas). Meryl, após 29 anos sem pronunciar um agradecimento ao Oscar, após 12 derrotas consecutivas, obteve, com “A Dama de Ferro”, seu terceiro Oscar, o segundo de melhor atriz, deixando a lista das mulheres que venceram duas estatuetas e se igualando a Ingrid Bergman, vencedora de dois prêmios de melhor atriz principal e um como coadjuvante. Anunciada por Colin Firth, que a definiu como excepcional, uma Meryl muito surpresa beijou o marido orgulhoso e emocionado e subiu ao palco sendo aplaudida em pé por todo o teatro. “Meu Deus, por favor, tudo bem... Muito obrigada. Obrigada. Obrigada. Quando chamaram meu nome eu tive essa impressão de ouvir metade da América dizendo: ‘Oh não, por favor, por que? Ela, de novo’, mas, você sabe, seja o que for...”, foram as primeira palavras da vencedora. Depois, Meryl agradeceu a Don, antes que começassem a tocar a música anunciando o final do discurso, por ele ter proporcionado a ela os melhores momentos de sua vida. Em especial, agradeceu a Roy Helland, maquiador e cabeleireiro que ela conheceu há 37 anos e com quem trabalhou continuamente desde “A Escolha de Sofia” até “A Dama de Ferro”, quando ele venceu o Oscar na categoria de melhor maquiagem e cabelo.  Meryl ainda aproveitou a oportunidade, “por que eu realmente entendo que nunca mais subirei aqui novamente.” para agradecer não somente a Roy, mas a todos os amigos e colegas. “Eu olho aqui e vejo minha vida em frente aos meus olhos. Meus velhos amigos e meus novos amigos. E, realmente, essa é uma grande honra, mas o que mais conta para mim são as amizades, o amor e a alegria compartilhada enquanto fazemos filmes, meus amigos. Obrigada a todos vocês, os que já se foram e os que estão aqui por essa inexplicável maravilhosa carreira. Obrigada.”, finalizou Meryl. Em 2012, Meryl estrelou o filme “Um Divã Para Dois” sobre um casal de meia idade que tenta recuperar sua vida sexual e voltou aos palcos em “Romeu e Julieta”. No começo deste ano, Meryl obteve sua 18ª indicação ao Oscar pelo filme “Álbum de Família”. Apesar de perder o prêmio, Meryl protagonizou, ao lado de Bradley Cooper, Ellen Degeneres (apresentadora da cerimônia), Jennifer Lawrence, Jared Leto (vencedor como melhor ator coadjuvante), Channing Tatum, Julia Roberts, Kevin Spacey, Brad Pitt, Angelina Jolie, Lupita Nyong’o  (vencedora como melhor atriz coadjuvante) e o irmão desta a selfie mais tuitada da história. Ao todo, foram mais de 2,7 milhões de compartilhamentos.



 No Globo de Ouro, foram 27 indicações e oito prêmios (dois recordes). No BAFTA, foram 12 indicações com duas vitórias, incluindo por “A Dama de Ferro”. No SAG foram 15 indicações (mais um recorde) e duas vitórias. Dentre outros prêmios em festivais e prêmios de críticos de todo o mundo, Meryl foi indicada aproximadamente 130 vezes e venceu cerca de 120 outros prêmios. Isso, sem contar suas indicações e prêmios no teatro. Em 2004, Meryl recebeu uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood, localizada no número 7020 de Hollywood Boulevard e deixou sua assinatura e marca das mãos e dos pés em frente ao Teatro Chinês TCL, um cinema localizado em Hollywood. Em 2007, Meryl foi incluída no Hall da Fama de Nova Jersey, uma homenagem aos nascidos naquele estado que contribuíram de forma significativa para a cultura mundial. A atriz também recebeu o prêmio honorário do American Film Institute (AFI) em 2004 por sua contribuição para a Sétima Arte como atriz. Em 2010, o próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (fã assumido da atriz) a escolheu para receber a Medalha Nacional das Artes e o prêmio do Kennedy pela contribuição às artes. Meryl foi reconhecida com doutorados honorários em artes pelas Universidades de Yale (1983), de Princeton (2008), de Harvard (2010) e de Indiana (2014). No verão americano deste ano, Meryl estreou como coadjuvante do filme “The Homesman”, com direção de Tommy Lee Jones e com interpretações de Hilary Swank e de Grance Gummer, filha de Meryl. Ainda a serem lançados no cinema, estão “Suffragete”, filme sobre a luta dos direitos femininos (Meryl interpreta a personalidade britânica real Emmeline Punkhurst), “O Doados de Memórias”, ficção científica sobre uma sociedade utópica (Meryl é uma das mulheres que controla o sistema social vigente), “Into the Woods”, um musical sobre uma bruxa que quer acabar com vários contos de fadas (Meryl é a bruxa) e “Ricky and the Flash”, drama sobre uma estrela do rock de meia idade que tenta se reconectar com os filhos (Meryl é a estrela do rock). Na televisão, recentemente, publicou-se que Meryl viverá a cantora lírica Maria Callas durante o período em que ela foi professora da Escola Julliard. 


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domingo, 2 de março de 2014

013. (ESPECIAL OSCAR 2014) ÁLBUM DE FAMÍLIA, de John Wells

Um exército imbatível de atores armados até os dentes com a pior das armas, a palavra, expõe a realidade e traz um dos filmes mais violentos do ano.
Nota: 9,0


Título Original: August: Osage County
Direção: John Wells
Elenco: Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, Ewan McGregor, Margo Martindale, Sam Shepard, Julianne Nicholson, Juliette Lewis, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch, Dermot Mulroney, Misty Upham
Produção: George Clooney, Jean Doumanian, Grant Heslov, Steve Traxler, Bob Weinstein, Harvey Weinstein
Roteiro: Tracy Letts (roteiro e peça)
Ano: 2013
Duração: 120 min.
Gênero: Drama

Beverly e Violet Weston estão casados há mais de 40 anos e têm três filhas crescidas, Barbara, Karen e Ivy. Quando Beverly desaparece, a família se reúne na casa dos Weston no Contado de Osage, no infernal deserto do Oklahoma. Mas é quando descobrem que Beverly cometeu suicídio que a coisa esquenta de forma inacreditável. Barbara, sua filha e seu marido, de quem ela está se separando; Karen e seu noivo; Ivy; Mattie Fae, irmã de Violet, seu filho e seu marido, todos se reúnem em volta da mesa de jantar na casa dos Weston para prestar condolências à Violet.


Não se engane com a primeira cena do longa. A troca de palavras sutis entre Violet e Beverly não é apenas uma pequena discussão entre dois velhinhos que se amam. Não se engane pela primeira música tocada no filme. A animada “Lay Down Sally”, de Eric Clapton, está longe de ser a representação do humor da família Weston. A emocionante “Last Mile Home”, é bem mais apropriada. A história pode parecer de uma família que acaba de passar por um momento difícil e está se desestruturando, entretanto, os Weston jamais foram uma família estruturada. O calor do Oklahoma se parece em muito com o clima quente, áspero e seco que ronda cada membro dessa família, e pior, que acaba contagiando cada indivíduo que se torna um membro do clã Weston. O suicídio de Beverly também não é uma coincidência: após tantos anos passando vergonha por seu hábito desagradável de beber, ele resolveu afogar a si próprio após ter sido afogado a vida toda pelo álcool e pelas palavras de sua esposa. E, como se não bastasse, Violet está com câncer na boca, sua arma infalível contra a maior parte dos integrantes de sua família.


A matriarca, no entanto, jamais usou seus artifícios sem propriedade, o que não significa que ela cobre alguma coisa de qualquer pessoa, Violet simplesmente diz a verdade na cara de todos. Diz não. Violet arremessa verdades ofensivas, sendo fria, inapropriada e invasiva de todas as formas imagináveis por um homem. E o mais louco em tudo isso é que Violet não se contenta em “conversar” com pessoas que, como Ivy, escutam tudo de boca fechada. Karen, que ri de tudo e finge que a vida é perfeita, também não é uma opção para a fúria da megera. Violet gosta dos que respondem, dos que mostram estarem incomodados, dos que tentam ser mais terríveis que ela. Violet gosta dos sets em que luta, hostilmente, com Barbara, Mattie Fae e, especialmente, Beverly. São esses que a enfrentam que deixam a boca cancerosa de Violet sedenta por palavras ofensivas. E não se engane, também, se está pensando que Mattie Fae é diferente da irmã. Charlie, o marido, e Pequeno Charlie, o filho, são seus alvos: Pequeno Charlie fica acuado, tem medo da mãe e faz o possível para não deixá-la brava, com Charlie a coisa é diferente, ele a enfrenta e a coloca em seu lugar, e é por amá-lo e por ficar calada uma vez ou outra que os dois estão há 38 anos casados.


Diretor de nove episódios da aclamada série “Plantão Médico” (1998 – 2009), de quatro episódios da premiada série “Shameless” (2011 - 2014) e do mediano filme “A Grande Virada” (2013), John Wells é vencedor de seis prêmios Emmy e conhecido mais por seus trabalhos como produtor (o que inclui a produção de uma das melhores minisséries dos últimos anos “Mildred Pierce” [2011]). A notícia de que ele seria o realizador de um filme como esse deixou muitas dúvidas quanto às possibilidades de seu trabalho. O longa, inquestionavelmente, lembra muito uma peça de teatro. Possui marcações teatrais, direção de arte teatral, diálogos teatrais que parecem intermináveis e, até mesmo, atuações um tanto teatrais. Mas isso não significa que o trabalho tenha ficado ruim. Muito pelo contrário. Apesar das marcações incomodarem um pouco, a arte do filme é linda, o figurino é característico e melancólico como esperamos que seja, o roteiro é espetacular, com alguns dos melhores diálogos do ano e, ainda mais interessantes, com falas que mais parecem monólogos que se estendem por minutos e minutos e as atuações são o que há de mais belo. As brigas que o contexto proporciona para a família também são interessantes e nos estimulam a cada momento. Os momentos de conflito entre Violet e Barbara são intensos, a conversa entre Mattie Fae e Charlie é definitiva, as revelações do passado são tocantes, os escândalos de Violet são deprimentes e suas ofensas são inacreditáveis. A trilha sonora também é algo primordial, trazendo canções fortes e adequadas, que misturam o calor do verão em Osage County, a intensidade da vida dos Weston e a afeição inevitável que uns nutrem pelos outros.


Meryl Streep e Julia Roberts são a dupla indicada ao Oscar desse longa. E que dupla, diga-se de passagem. Poucas vezes atrizes se deram tão bem na telona como essas duas. No Oscar, Meryl é indicada como melhor atriz principal e Julia como melhor atriz coadjuvante. Como ocorreu com Judi Dench e Cate Blanchett em “Notas Sobre um Escândalo” (2006) – indicadas, respectivamente, nas mesmas categorias que Streep e Roberts -, o difícil é dizer qual das duas é a protagonista e qual é a coadjuvante. Meryl, mais uma vez, está magnífica. Ela é uma Violet velha, indefesa fisicamente, frágil, viciada em calmantes, com poucos cabelos devido à quimioterapia. Mais uma vez somos enganados, pois quando a atriz coloca a peruca escura e os óculos, esquecemos por completo a boa mãe que a atriz viveu em “Um Amor Verdadeiro” (1998), onde sua personagem também lutava contra o câncer, e somos obrigados a dar espaço a uma mulher má, perversa, desagradável, que se delicia com o prazer de ofender os outros, e se esses outros são sua família, melhor ainda. Indicada pela décima oitava vez ao Oscar (recorde que deixa qualquer outro ator ou atriz muito para trás), essa dama da sétima arte não parece pretender humanizar sua personagem, em um dos momentos mais belos do longa, Violet conta uma passagem de sua infância que nos faz sentir pena, até ela mesma mencionar que é uma mulher diabólica e, ao concordarmos com ela, deixamos de sentir qualquer remorso. E uma das culpadas por ficarmos tão enojados com Violet é Barbara, personagem de Julia Roberts. Talvez por vermos que toda a monstruosidade da matriarca está refletindo em apenas uma coisa: a reprodução de outro monstrinho que tenta se igualar à mãe. Roberts tem a mesma fúria nos olhos, o mesmo desejo insaciável de aniquilar os outros apenas com palavras. A mesma intensidade vista em Streep, vemos em Roberts. Em uma das cenas mais deliciosas, e engraçadas do longa, Barbara, Violet e Ivy estão almoçando e Barbara se enfurece com a irmã e age como Violet: após Ivy atirar um prato no chão, Barbara debocha fazendo o mesmo e gritando que todos devem jogar o prato no chão, Violet, sorrindo diabolicamente, atira seu prato como se fosse algo normal a ser feito. Nessa cena, e na cena em que Barbara se joga sobre a mãe para tomar os calmantes de sua mão, vemos a perfeição na interpretação de Julia, que consegue, até mesmo, se parecer fisicamente com Streep por suas feições. E mais impressionante: compreendemos que, como Violet, Barbara se diverte com tudo aquilo.


O restante do elenco não é menos sublime que a dupla citada à cima. Não podemos dizer que esse ou aquele intérprete segura essa ou aquela cena. A esses gladiadores, foi dado o mesmo treinamento, as mesmas armas, as mesmas chances de treinar antes de entrarem na arena, são os personagens que sairão vivos, ou mortos, não os atores. Margo Martindale é Mattie Fae, outra mulher perversa e rancorosa. É ela quem nos faz sentir que existem apenas duas possibilidades para um filho de uma dessas duas irmãs: ou ele se torna como elas, ou se torna um ser que se sente impotente e insignificante até uma etapa da vida, aliás, os quatro filhos delas se sentem assim, alguns mais, outros menos. Martindale é forte e não tem nada que faça parecer que sua interpretação é uma tentativa de se igualar a Streep ou alguma referência à sua personagem estar tentando imitar a irmã. Martindale deixa claro que ambas são assim, cada uma possui uma personalidade, mas ambas são o retrato da mãe que tiveram. Chris Cooper e Benedict Cumberbatch são Charlie e Pequeno Charlie, respectivamente. Cooper está majestoso, trazendo um Charlie que já sabe como lidar com a esposa e segura as pontas de tanta loucura; Cumberbatch é o retrato da opressão e vemos, claramente, como o Pequeno Charlie criado por ele está tentando sustentar, sobre sua cabeça, o enorme peso de ser filho de Mattie Fae. Mas o Clã Weston nada seria sem Juliette Lewis e Julianne Nicholson, Karen e Ivy. Enquanto Lewis traz uma personagem irritantemente sorridente e que finge que a vida é um paraíso e que ela vive em um conto de fadas desde que conheceu o noivo, Nicholson nos traz uma personagem simples, cativante que também poderá irritar a quem não se contenta com pessoas fracas. Abigail Breslin mostra que cresceu, vivendo Jean, a filha de Barbara, a pobre coitada que, provavelmente, está herdando o dom da língua maldita das mulheres de sua família. Ewan McGregor e Dermot Mulroney são os genros de Violet, Bill, marido de Barbara, e Steve, noivo de Ivy. Os atores provam, mais uma vez, que são muito mais que rostinhos bonitos e trazem personagens distintos. Enquanto Bill é um homem íntegro que, por não aguentar mais a genética da esposa, arrumou uma amante, mas que está tentando concertar as coisas – ao menos com filha -, Steve é um canalha que não tem ideia do que o espera entrando para essa família ao casar com uma das filhas de Violet Weston.



É triste ver como as interpretações magníficas e todo o resto que compõe esse filme foram esnobados pelas grandes premiações. Provavelmente, os votantes ainda não estão preparados para ouvir tantos palavrões saindo de bocas tão decentes quanto as de Meryl Streep e Margo Martindale, ou não conseguiram assistir ao filme sem encontrar um pouco de sua família ali dentro (e você também encontrará) e ficaram revoltados com isso. Ou, ainda, ninguém está pronto para uma trama com tantas verdades, tantas surpresas, tantas ofensas, tantas loucuras entre pessoas que deviam se amar e se respeitar e se tratam como se a família fosse um fardo. As metáforas escondidas, ou escrachadas, da trama, são o que dão o tom melancólico e até agradável. As verdades atiradas pela boca de Violet, como se sua língua fosse o componente principal de uma catapulta que atira pedras para demolir castelos, são, sem dúvida, terríveis e são destinadas a qualquer efeito que não seja lisonjeador.  Mas também não direi que muito do que é dito aqui, se escutado com atenção, deixa de ter graça. Violet, como outra personagem de Streep já foi apontada, é uma sádica notória. Sua risada é violenta, seu temperamento é violento, suas palavras são violentas e até a forma como anda, abraça e diz palavras bonitas (que são raras, mas existem) parece mais um tapa na cara a um carinho de uma mãe amável. Esse filme não é do tipo que traz alguma lição de vida. Ele não quer mostrar a ninguém como o amor é importante ou como a amizade salvará todos das desgraças a que estamos fadados. O longa se refere às decadências vivenciadas pelo ser humano ao longo da vida, que é “longa demais”, como apontaria T. S. Eliot. E também é uma forma de mostrar a intimidade de uma família que representa qualquer outra, afinal, todas as famílias do mundo podem fingir que tem vidas perfeitas e podem esconder o passado, mas todos os clãs a que pertencemos possuem um teto de vidro, e ele não é laminado. Quando estoura, seus cacos se espalham para todos os lados, e será muito difícil juntá-los, e renuí-los será impossível.Também não vemos a referência a uma mãe que há muito começou a perder o controle sobre a vida das filhas, já que Violet não quer controlar, quer importunar. Esse filme é uma exposição afiada e irônica, assim como a boca cancerosa de Violet Weston sempre será. 

VENCEDORES DOS SINDICATOS:
Sindicato dos Roteiristas:
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Roteiro Adaptado: Billy Ray, por Capitão Phillips, baseado no livro “A Capitain’s Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea”, de Richard Phillips com Stephan Talty
Melhor Roteiro para Documentário: Sarah Polley, por Stories We Tell
USC Roteiristas (Roteiros Adaptados):
John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Sindicato dos Diretores:
Melhor Direção em Filme: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Direção em Documentário: Jehane Noujaim, por The Square
Sindicato dos Produtores:
Melhor Filme (empate): 12 Anos de Escravidão e Gravidade
Melhor Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Documentário: We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks
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sábado, 25 de maio de 2013

072. SOB O DOMÍNIO DO MAL, de Jonathan Demme

Apesar de bom, se auto-destrói quando resolve dar ao bem uma chance de vencer o mal.
Nota: 8,5


Título Original: The Machurian Candidate
Direção: Jonathan Demme
Elenco: Denzel Washington, Liev Schreiber, Meryl Streep, Jon Voight Jeffrey Wright, Pablo Schreiber, Anthony Mackie, Darian Missick, Simon McBurney, Vera Farmiga
Produção: Jonathan demme, Ilona Herzberg, Scott Rudin, Tina Sinatra
Roteiro: Daniel Pyne, Dean Georgaris, George Axelrod (roteiro de 1962) e Richard Condon (romance)
Ano: 2004
Duração: 129 min.

Ben Marco e Raymond Shaw são dois homens totalmente diferentes que serviram ao exército americano durante a Guerra do Golfo. Entretanto, suas vidas seguiram caminhos diferentes: Marco dá palestras sobre o exército, as guerras e seus feitos – o que inclui elogiar a forma inacreditável de como Shaw salvou a vida de todos no Golfo -; e Raymond é um aspirante político que está prestes a se tornar o vice-presidente dos Estados Unidos da América. Todavia, Marco começa a ter estranhos pesadelos que o fazem acreditar que ele e todo o grupo que foi para a Guerra do Golfo ao lado de Shaw tenha sofrido uma lavagem cerebral, e todas as pistas apontam para apenas uma pessoa: a inexpugnável mãe de Raymond, Eleanor Shaw.


É bem simples definir o trabalho de Jonathan Demme em três títulos além desse que fizeram o auge de sua carreira e que o fizeram permanecer como um diretor de renome na última década: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), vencedor dos principais prêmios do Oscar, filme, direção, roteiro, ator e atriz; “Filadélfia” (1993), protagonizado por Tom Hanks e Denzel Washinton; e o recente e controverso “O Casamento de Rachel” (2008), filme que rendeu a Anne Hathaway sua primeira indicação ao Oscar. Apesar de alguns críticos serem muito negativos quanto a esse filme, acho ele excelente, não apenas por ter Meryl Streep no elenco – aliás, elogiada por todos e indicada ao Globo de Ouro e ao Bafta por sua interpretação -, mas por ter uma história envolvente e totalmente explicada durante o contexto do longa, é claro que a produção exige concentração e especulações, mas basta ter a mínima atenção para se compreender o sentido de todo o longa. A temática abordada aqui se torna clara desde as primeiras cenas do filme, e vai sendo destrinchada no decorrer da trama: trata-se de um filme sobre poder, cobiça, luxúria e o desejo de se estar por cima de tudo e todos. Trazer a política para ser o plano de fundo dessa história é mais uma idéia ótima do enredo, afinal, quem deseja mais poder no mundo que não os políticos? Quem possui maiores meios para conquistar poder e dinheiro que não políticos? E foi nesse contexto que em 1962 John Frankenheimer adaptou o romance de Richard Condon e trouxe a primeira versão desse filme, que trazia Frank Sinatra como Marco, Laurence Harvey como Raymond, Janet Leigh como a bela detetive Eugine e a indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, Angela Lansbury como Eleanor Shaw. Apesar de todos afirmarem que essa primeira versão é bem superior a segunda, ainda não assisti a primeira, de forma que não farei comparações entre elas. Apesar do roteirista Dean Georgaris ter roteirizado apenas três filmes além desse – nenhum muito louvável -, Daniel Pyne tem meia dúzia de trabalhos que já foram algum destaque, dentre eles: “Miami Vice” (1984 – 1988), “Morando com o Perigo” (1990), “Um Domingo Qualquer” (1999), “Um Crime de Mestre” (2007) e “Alcatraz” (2012), apesar de a maior parte de seus filmes não ser de grande qualidade cinematográfica, são trabalhos conhecidos pelo público. Dentre tantos grandes compositores no cinema, Rachel Portman foi a primeira mulher a vencer um Oscar por uma trilha sonora, compositora desse filme e de mais 87 trabalhos no cinema e na televisão, ela pode ser destacada como uma compositora versátil que já fez dezenas de bons trabalhos, apesar de gostar de vários dos filmes em que trabalhou, um dos meus favoritos é “Chocolate” (2000).


Denzel Washington é, sem dúvida alguma, o melhor ator negro em atividade, a infinidade de gêneros nos quais ele já atuou o fazem um dos artistas mais completos e versáteis do cinema moderno. Aqui ele vive Bennet Marco, um homem normal que começa a ficar perturbado quando um amigo e ex-parceiro que lutou na Guerra do Golfo o faz desconfiar de tudo e todos a sua volta, e é nessa confusão que fica a cabeça do personagem que está a maestria de Washington ao interpretar um homem a beira da loucura, demonstrando claramente o desespero de Marco em descobrir a verdade e convencer outras pessoas, especialmente os envolvidos, de tudo o que pode ter realmente acontecido. O simpático Liev Schreiber vive Raymond Shaw, o futuro vice-presidente dos Estados Unidos, ao contrário de Marco, ele não acredita muito no que possa estar acontecendo logo de cara, mas fica desconfiado, entretanto, é a forma infantil como o personagem reage ao lado da mãe que torna a atuação de Schreiber uma agradável surpresa que dá ao próprio personagem um destaque inimaginável. Meryl Streep, por vezes, pode se tornar cansativa por toda sua habilidade em fazer uma personagem, apesar de essa não ser minha atuação favorita da atriz, ela está ótima no papel, dentre as várias cenas onde ela demonstra o quanto a senadora é convincente e não admite derrotas, a melhor delas é seu discurso para convencer os membros do partido de que o filho é a melhor opção para a vice-presidência, acrescente a isso, as caras e bocas de Streep caem como uma luva nas loucuras de Eleanor Shaw. Jon Voight está, surpreendentemente, ótimo como o Senador Thomas Jordan, outro político sedento por poder que acaba sendo o único a acreditar na história de Marco. Kimberly Elise pega o lugar de Janet Leigh como a detetive que tenta ajudar Marco, Rosie, e , para completar o quadro feminino mais jovem temos Vera Farmiga como a paixão de juventude de Raymond.



Talvez a maior diferença entre o longa original e esse seja a abolição do sarcasmo e da ironia que ouvi dizer que vemos no filme de 1962, talvez a seriedade absurda com que tudo é tratado aqui, deixando de lado o deboche contra a política e o velho humor negro tão delicioso faça com que esse filme não seja tão prestigiado pelo público ou pela crítica quanto o primeiro, afinal, adaptar um clássico já é arriscado, agora, tirar toda sua essência como um filme revolucionário no sentido de comédia inteligente, pode significar uma catástrofe inimaginável em qualquer produção. Apesar disso, para aqueles que, como eu, não viram o original e gostam do estilo filme-sério-político-crítico a que esse faz jus, irão gostar do filme e se divertirão com as ótimas, mas diferentes, sacadas encontradas durante a trama. No final das contas, a única coisa que derruba o filme mesmo pode ser a tentativa de se exterminar com esse domínio do mal, que, na minha opinião estará sempre por cima de tudo e todos, pois, mesmo que defendamos a paz e o bem como algo supremo, no mundo em que vivemos o mal se faz mais presente, e não são as boas e corretas pessoas que vencem, afinal, o triunfo está reservado aos espertos e esforçados, afinal o mundo é deles mesmo.


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