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sábado, 26 de janeiro de 2013

120. HANNIBAL, de Ridley Scott


A volta de Hannibal Lecter só prova uma coisa: enquanto houver seres humanos para servirem de alimento, o maior canibal do cinema permanecerá forte e vivo.
Nota: 9,2


Título Original: Hannibal
Direção: Ridley Scott
Elenco: Anthony Hopkins, Julianne Moore, Gary Oldman, Ray Liotta, Frankie Faison, Giancarlo Giannini, Francesca Neri, Zelijko Ivanek, Hazelle Goodman, David Andrews, Francis Guinan
Produção: Dino De Laurentiis, Martha De Laurentiis, Ridley Scott
Roteiro: David Mamet, Steven Zaillian e Thomas Harris (romance)
Ano: 2001
Duração: 131 min.
Gênero: Drama / Thriller

Aviso: antes de ler qualquer comentário sobre esse filme, acho bom esclarecer as ordens em que os longas sobre Hannibal Lecter foram lançados e a ordem cronológica:
Em ordem de lançamento: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2004) e “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).
Em ordem cronológica: “Hannibal – A Origem do Mal”, “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”.

Enquanto Manson Verger, uma das vítimas do Dr. Hannibal Lecter – Verger se apaixonou por Lecter, sádico, como somente o canibal pode ser, Hannibal drogou Verger, que cortou seu próprio rosto, desfigurando-se -, Clarice Starling, a agente do FBI que esteve com Hannibal antes de sua fuga, volta a procurar o criminoso. Entretanto, lidar com Hannibal Lecter não é uma tarefa fácil e o que era um jogo entre um homem vingativo e a polícia, se tornar mais uma manipulação do serial killer mais adorado do cinema.


Ridley Scott tem alguns bons títulos no cinema, alguns fracassos e algumas grandes produções, dentre elas “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979), “Thelma e Louise” (1991), “Gladiador” (2000), “Falcão Negro em Perigo” (2001), “Cruzada” (2005), “O Gângster” (2007), Robin Hood” (2010) e “Prometheus” (2012). Após o sucesso estrondoso e inacreditável de “O Silêncio dos Inocentes” (1991), a primeira história de Hannibal Lacter adaptada para o cinema, onde o assassino ajuda Clarice Starling a encontrar outro serial killer para que possa cometer uma fuga digna de cinema – o filme é um dos únicos que venceu as cinco categorias mais importantes do Oscar: filme, direção, ator, atriz e roteiro adaptado –, era de se esperar que uma sequência entrasse ou para a lista das sequências dispensáveis, ou para as memoráveis. Apesar de o filme ser ótimo, temos a primeira opção. Isso se deve, principalmente, pela substituição da atriz que interpreta a agente Starling, acrescente a isso, o roteiro é mais fraco e não há toda aquela tensão proposta pelo primeiro longa. Em contra ponto, a trilha sonora de Hans Zimmer é tão incrível – se não melhor – quanto a de Howard Shore (responsável por “O Silêncio dos Inocentes”), a edição e mixagem de som são perfeitas e a montagem das cenas é incrível, repleta de metáforas e referências a própria história.


Anthony Hopkins volta a dar vida ao personagem mais enigmático e incrível do cinema e da literatura contemporâneos. Assim como no primeiro filme, vemos uma interpretação sem defeito algum, a única diferença é que o próprio personagem está ficando mais velho, todavia, sua sede e apetite por carne humana não diminuiu, bem como sua loucura, seu caráter, seu bom gosto, sua indiferença as suas vítimas, sua determinação, sua astúcia, e, sobretudo, sua invisibilidade. Não há, simplesmente, como não fazer comparações rápidas de Julianne Moore (Starling desse filme) com Jodie Foster (Starling de “O Silêncio dos Inocentes”), Moore nos apresenta uma personagem mais madura, com menos medo de tudo a sua volta, no entanto, sua Starling é menos natural, um pouco mais artificial e clichê que a de Foster, mesmo assim, não há como negar: é difícil decidir qual das duas encarou melhor Starling, bem como é praticamente impossível saber se teria sido melhor Foster continuar ou Moore ter assumido desde o primeiro longa. Sempre que assinto a um filme com Gary Oldman sem saber que ele está no filme me surpreendo quando descubro qual era sua personagem, por algum motivo deixei passar seu nome durante a abertura, e por outro motivo mais estúpido, não recordava que ele estava na produção, mas mereço um desconto por não o ter reconhecido logo de cara: ele vive Manson Verger, o homem louco totalmente desfigurado. O fato é que o personagem já era louco antes de conhecer Hannibal – ele estuprava crianças, o que já é o suficiente para ser odiado -, sendo assim, resta a Oldman tornar esse homem ainda mais detestável e repugnante, não por sua aparência, mas por seus atos e pela forma como age perante todos, além disso, não há intenção de humanizar Verger em momento algum. Por fim, temos a excelente atuação de Giancarlo Giannini, de “007 – Cassino Royale” (2006) e “007 – Quantum of Solace” (2008), que interpreta o Inspetor Rinaldo Pazzi, um homem que descobre o paradeiro de Lecter, mas que prefere ficar com o segredo para si e entregar o criminoso para Verger, que está oferecendo três milhões de dólares pelo assassino; o medo, a desconfiança e o desespero de Pazzi são notados a cada olhar de Giannini.


Não existe outro ator que pudesse viver o Doutor Hannibal Lecter com tanta classe e sobriedade quanto Anthony Hopkins, isso, porque apenas o ator poderia imortalizar uma personagem tão complexa, e mais, somente ele poderia interpretar com tanta veracidade um homem que perturbaria qualquer profissional da sétima arte. Apesar de um problema aqui e outro ali, o fato de termos a volta de Hannibal e o time de atores que compõe esse elenco, faz do longa mais um filme memorável, não somente sobre mais um serial killer digno de filmes a seu respeito, e sim, do maior, melhor e mais inteligente serial killer produzido pelas indústrias do entretenimento e da cultura, juntas. O melhor de tudo fica a cargo do desfecho, que nos dá apenas uma certeza, mas a melhor certeza de todas: nada mudará para Hannibal Lecter enquanto ele puder saciar sua gula pela carne humana. 


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121. O SILÊNCIO DOS INOCENTES, de Jonathan Demme


O maior filme de suspense/thriller psicológico/terror de todos os tempos. Uma verdadeira obra da Sétima Arte.
Nota: DEZ


Título Original: The Silence of the Lambs
Direção: Jonathan Demme
Elenco: Jodie Foster, Anthony Hopins, Anthony Heald, Frankie Faison, Stuart Rudin, Diane Baker, Roger Corman,
Produção: Ron Bozman, Edward Saxon, Keneth Utt
Roteiro: Ted Tally e Thomas Harris (romance)
Ano: 1991
Duração: 118 min.
Gênero: Drama / Thriller

Aviso: antes de ler qualquer comentário sobre esse filme, acho bom esclarecer as ordens em que os longas sobre Hannibal Lecter foram lançados e a ordem cronológica:
Em ordem de lançamento: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2004) e “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).
Em ordem cronológica: “Hannibal – A Origem do Mal”, “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”.
A ordem respeitada no blog será a cronológica.


Clarice Starling está quase se formando na academia do FBI, formada em psicologia, é destinada para conversar com o assassino em série Hannibal Lecter para tentar arrancar dele alguma informação relevante sobre o caso “Buffalo Bill” – Lecter não possui nada com o caso, mas sua inteligência e perspicácia mostram que ele é o único que pode ajudar o FBI. “Buffalo Bill, por sua vez,  é um assassino em série que mata mulheres e tira pedaços de suas peles, como se não bastasse o alto número de suas vítimas, ele sequestra a filha de uma senadora. Agora, o estado está disposto a negociar com Lecter para ter sua ajuda no caso, entretanto, o canibal enxerga ai a oportunidade de voltar a sua vida normal.



Esse foi o primeiro filme a ser lançado sobre o assassino Hannibal Lecter, causou tanto frisson no mundo todo que logo foi aceito pelo público, pela crítica – vencendo prêmios importantes como dos críticos de Boston, de Chicago, do Kansas e de Nova York – e pelos próprios colegas – venceu os Sindicatos dos Produtores, Diretores e Roteiristas; além disso, é um dos únicos filmes - ao lado de “Um Estranho no Ninho” (1975) e “Aconteceu Naquela Noite” (1934) – da história do cinema a vencer os cinco principais prêmios do Oscar: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor ator (Anthony Hopkins) e melhor atriz (Jodie Foster). A febre pelo longa foi tanta que a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América o considera culturalmente, historicamente e esteticamente importante para a humanidade. Também não é para menos, não há um momento do filme em que o roteiro se perca, bem como, não há uma cena que não seja totalmente detalhista e bem pensada, tanto Jonathan Demme – conhecido por “Filadélfia” (1993) e “Sob o Domínio do Mal” (2004) – quanto sua equipe técnica estão incríveis. Tak Fujimoto, o diretor de fotografia de “Terra de Ninguém” (1973), faz cada cena ampla (aquelas realizadas em exteriores) ficarem magníficas, assim como transforma o esconderijo de Buffalo Bill em uma casa escura, mas com a iluminação necessária para não nos perdermos, acrescente a isso, tudo envolvendo uma tal cena em que dois homens são assassinados e um deles é preso, suspenso, em uma cela, é inacreditavelmente belo. Craig McKay, o editor da clássica série televisiva “Holocausto” (1978), é o responsável por uma montagem cheia de detalhes que não deixa nada ficar em branco, ou seja, sem nenhum furo entre uma cena ou outra. Por fim, e, talvez, o mais importante para essa produção, Howard Shore, compositor da trilogia “O Senhor dos Anéis”, traz a trilha mais inimaginável e perfeita para cada cena do filme. Curiosamente, os três homens citados a cima participaram, ao lado de Demme, do longa “Filadélfia”. Na imagem a seguir está uma análise sobre o pôster oficial do filme: na mariposa vemos uma caveira, caveira essa, composta por sete corpos de mulheres nuas (no detalhe), essa pintura (da caveira feita de mulheres) é uma obra de Salvador Dalí (1904 – 1989), alguns acreditam que ela simboliza as sete mulheres vítimas de “Buffalo Bill”, é bom lembrar que o número sete é, também, um número místico, rodeado de histórias e lendas. Dalí não pintou a obra com o  intuito de que ela fosse parar no pôster do filme.



Aqui, Anthony Hopkins vivia, pela primeira vez, o assassino em série Hannibal Lecter, é nesse filme, também, que começamos a perceber o quanto o canibal é louco e como suas manias são atenuantes durante cada uma das tramas. Em uma cena protagonizada por Jodie Foster ela comenta o fato de Lecter não poder ser grosseiro com ela e não querer fazer mal a ela, nesse momento vemos a contradição do assassino e, mais, vemos a forma psicótica com a qual ele criou seu próprio mundo de ilusões, desejos e acontecimentos, como qualquer outro homem perturbado pelos fatos de seu passado. Jodie Foster é Clarice Starling, uma jovem que ainda é estagiária no FBI, sendo assim, é sua primeira vez interrogando alguém como Hannibal e seu primeiro grande caso, o medo e pavor da personagem destacados pelas feições da atriz se contrapõe em relação a inteligência e coragem da mesma, pois, mesmo temendo ao que irá encontrar na casa de “Buffalo Bill” ou das coisas que lhe acontecerão caso seja manipulada pela mente fértil de Lecter, Starling permanece forte, sem deixar a peteca cair em nenhum momento. Apesar de o elenco ser ótimo e ser muito forte, o único que se destaca, ao lado do brilhantismo de Hopkins e Foster, é Ted Lavine, que vive “Buffalo Bill”, seu personagem é um homem com dúvidas quanto a sua sexualidade, mas que insiste em bater na tecla de ser um travesti, entretanto, falar ou afirmar qualquer coisa a respeito de “Bill” é algo muito difícil, pois sua personalidade e suas atitudes são essências para o suspense do filme, dessa forma, me calo dizendo que sua interpretação é excelente.


O interessante nos filmes de Hannibal Lecter é que sabemos quem são os criminosos ou o que as personagens querem, não há necessidade de apelar para esconder o assassino, afinal, é nesse fato de o espectador saber quem são os culpados que torna esse filme tão bom: queremos saber o que acontecerá com eles, pois, de uma forma ou outra, nos afeiçoamos ao pior tipo de gente que há na terra. Nesse contexto, não saber o próximo passo de Hannibal é algo sensacional, pois, mesmo tento a certeza de que ele permanecerá vivo e conseguirá fugir – isso é, para os que já leram algo sobre o quarto filme da série ( “Hannibal” ) -, não sabemos como ele fará isso ou aquilo, não sabemos, ainda, quais serão os próximos passos tomados pela agente Starling que, mais que tudo na vida, está disposta a vencer seus medos para prender o assassino procurado pelo FBI. Não há como não analisar, ao menos um pouco, o título do longa, em tradução livre “The Silence of the Lambs” seria “O Silêncio dos Cordeiros”, cordeiros esses, seres totalmente inocentes (inclusive pelos arquivos da Bíblia Cristã) que assolam os sonhos de Starling por alguns problemas em sua infância. Mesmo que o título em português não siga a tradução correta, o título em inglês é uma metáfora, pois as jovens mortas no filme são todas inocentes, bem como a agente Starling e, até mesmo, Hannibal. Ou será que Lecter também está por trás desse mistério? Questões como quem é realmente inocente ou culpado acabam sendo feitas durante o longa. Mas quem, no mundo todo, é totalmente culpado de algo? Quem, na face da terra, é tão bom e puro para permanecer em silêncio e se tornar um completo inocente?



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122. DRAGÃO VERMELHO, de Brett Ratner

O melhor enredo dos filmes sobre Hannibal Lecter, com o melhor elenco de todos, mas, nem por isso, o melhor filme.
Nota: 9,0


Título Original: Red Dragon
Direção: Brett Ratner
Elenco: Edward Norton, Anthony Hopikins, Ralph Fiennes, Emily Watson, Mary-Louise Parker, Philip Seymour Hoffman, Harvey Keitel, Althony Heald
Produção: Dino de Laurentiis e Martha de Laurenthiis
Roteiro: Ted Telly e Thomas Harris (romance)
Ano: 2002
Duração:
Gênero: Drama / Thriller

Aviso: antes de ler qualquer comentário sobre esse filme, acho bom esclarecer as ordens em que os longas sobre Hannibal Lecter foram lançados e a ordem cronológica:
Em ordem de lançamento: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2004) e “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).
Em ordem cronológica: “Hannibal – A Origem do Mal”, “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”.
A ordem respeitada no blog será a cronológica.


Hannibal Lecter assassina o flautista de uma orquestra e o serve em um jantar para os diretores da mesma, o motivo: o músico era péssimo. Por esse e outros assassinatos, na mesma noite, o agente Will Graham, que estava tendo ajuda de Lecter no caso, consegue prendê-lo. Oito anos após a prisão, Graham está aposentado por mérito e Hannibal permanece em um sanatório de segurança máxima. Entretanto, outro assassino já matou duas famílias, para facilitar as coisas, Jack Crawford, ex-chefe de Graham, o chama para ajudar a desvendar o caso. O fato é que, será impossível fazê-lo sem uma ajudinha básica de Hannibal, o Canibal.


A história na qual se baseia esse filme foi escrita por Thomas Harris, e, cronologicamente, esse seria o segundo filme dos quatro sobre a vida e os crimes envolvendo Hannibal Lecter. Antes desse temos “Hannibal – A Origem do Mal” (2007), depois, ainda cronologicamente, “O Silêncio dos Inocentes” (1991) e “Hannibal” (2001). Por esse filme ter sido rotado após os de 1991 e 2001, obviamente, vemos algumas referências aqui ou outras ali do que foi dito ou do que ocorreria nos próximos filmes, mas mais que isso, entendemos um pouco mais algumas coisas a respeito da vida de Hannibal. A primeira cena do filme não é nada menos que memorável para os adoradores da “série”, durante as conversas entre Graham e Hannibal, podemos analisar o quanto o personagem de Hopkins é frio, sem sentimentos ou reações ao que acontece a sua volta, além disso, é um maluco notório, mas um maluco racional que conhece muito da vida e tem muito para passar para o jovem homem que está investigando o caso. Curiosamente, ainda vale a pena falar sobre o novo assassino do filme, Francis Dolarhyde tem problemas, o que verificamos logo em sua primeira aparição, por seu passado triste e doloroso, ainda por cima, sente que essa imagem desse tal “Dragão Vermelho” o domina, obrigando-o a fazer todas as suas vontades.


Anthony Hopkins já estava bem familiarizado com Lecter em seu último filme na série, apesar de essa ser a primeira história cronológica com o ator como protagonista. Bem como disse nas críticas da franquia “Piratas do Caribe”, Hopkins, assim como Johnny Depp, prova o quanto é um ator completo e maravilhoso: ele pode passar quanto tempo for longe de Lecter, pode filmar várias outras coisas e, mesmo com esse vai e vem da história, permanece o mesmo Hannibal frio e realista, mas também um homem utópico com suas manias estranhas e seus desejos mais estranhos ainda. Edward Norton, o melhor ator americano de sua geração, é o agente Will Graham, um homem destemido e apaixonado pelo que faz, mas, ao mesmo tempo, tão racional e realista quanto Hannibal, suas feições em frente aos colegas de quem não se importa muito com o que está acontecendo são contrastadas pelas feições de quando está preocupado ou com medo. As cenas protagonizadas por Norton e Hopkins são as melhores de todos os filmes e a química entre eles parece bem melhor do que a que acontece entre Hopkins e as atrizes dos outros dois filmes. Ralph Fiennes é o assassino da vez, Francis Dolarhyde, sendo o ator, ao lado de Daniel Day Lewis, o melhor ator inglês de sua geração, é de se esperar que a personagem seja construída de forma perfeita, e é bem isso que o ator consegue: em todos os momentos, suas reações, os olhos arregalados e nenhuma expressão nos mostram o quanto ele tem medo daquilo que se tornou e mais, nos mostram como ele está tomado pelo ódio e pelo poder do Dragão Vermelho. Além deles, as ótimas Emily Watson e Maty-Louise Parker e os excelentes Philip Seymour Hoffman, Anthony Heald e Harvey Keitel integram o elenco como, Reba McClane (única paixão de Francis), Molly Graham (esposa de Will), Freddy Loudns (um jornalista intrometido), Dr. Frederick Chilton (o dono do sanatório onde Hannibal está internado) e Jack Crowford (chefe de Will no FBI), respectivamente.


Percebemos, como disse, o quanto Francis é louco por seu passado – inclusive, não podemos esquecer que Hannibal também é um homem louco que inventa, em alguns momentos seu próprio mundo -, todavia, apesar de ter escrito um diário onde conta tudo o que aconteceu em sua vida, não temos certeza se tudo aquilo é verdade ou não, digo, não sei como isso é apresentado no livro de Thomas Harris, mas aqui temos apenas uma certeza: Francis é louco, logo, tudo pode ter ficado em seu imaginário desde quando era criança. Em contra ponto, durante o filme nos é apresentada a forma como o menino foi tratado pela avó, uma mulher que não parecia muito feliz e interessada em cuidar dele, o que aconteceu com seus pais para ele ficar com a avó – que também parecia ter problemas psicológicos – também não sabemos. Como de praxe, portanto, esse é mais um filme relacionado a Hannibal Lecter sobre o qual não entendemos muitas coisas, mas é o melhor enredo de todos e o que reúne o melhor elenco entre os quatro longas sobre o canibal.

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123. HANNIBAL – A ORIGEM DO MAL, de Peter Webber


A origem do maior psicopata do Século XX merecia algo melhor.
Nota: 7,0


Título Original: Hannibal Rising
Direção: Peter Webber
Elenco: Gaspard Ulliel, Li Gong, Aaran Thomas, Helena-Lia Tachovská, Richard Leaf, Dominic West, Rhys Ifans, Michelle Wade, Richard Brake, Martin Hub, Kevin McKidd, Ivan Marevich
Produção: Tarak Bem Ammar, Dino De Laurentiis, Martha de Laurentiis
Roteiro: Thomas Harris (baseado em seu próprio romance)
Ano: 2007
Duração: 121 min.
Gênero: Drama / Thriller

Aviso: antes de ler qualquer comentário sobre esse filme, acho bom esclarecer as ordens em que os longas sobre Hannibal Lecter foram lançados e a ordem cronológica:
Em ordem de lançamento: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2004) e “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).
Em ordem cronológica: “Hannibal – A Origem do Mal”, “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”.
A ordem respeitada no blog será a cronológica.



Em plena Segunda Guerra Mundial, a família do pequeno Hannibal Lecter é obrigada a deixar seu Castelo na Alemanha para fugir para um chalé próximo a residência oficial. Entretanto, apesar de os pais de Hannibal acreditarem que eles estavam a salvo, oficiais chegam trazendo inimigos e, de todos os novos habitantes do chalé, sobram Hannibal e Misha, a irmã do futuro canibal. Para que os invasores que ali chegam sobreviverem eles acabam matando Misha e comendo-a. Oito anos depois, os assassinos estão em suas boas vidas, todavia, Hannibal cresceu e virou um jovem inteligente e perturbado que busca por vingança.


Canibalismo: ca.ni.ba.lis.mo. sm (canibal+ismo) 1 Estado de canibais. 2 Ação de canibal. 3 Sociol Costume de comer carne humana, às vezes como alimento, porém, mais frequentemente, para vingar-se de um inimigo, assimilar as qualidades espirituais da vítima ou cumprir um preceito religioso ou cerimonial; antropofagia. 4 Zool Ato pelo qual um animal come a carne ou os ovos de qualquer outro da mesma espécie. 5 Ferocidade, selvajaria. Tento em vista a definição para “canibalismo” do Dicionário Michaelis de Língua Portuguesa, podemos definir a ação de Hannibal, nesse filme, como um ato vingativo. Todavia, com o passar dos anos, Lecter vai tomando verdadeiro gosto pelo sabor do sangue humano e pela consistência da carne humana, logo, Hannibal passa a cometer essa selvageria por ferocidade, por não aceitar o quanto as pessoas podem ser terríveis e desprezíveis, além disso, obviamente, há o fator prazer, por o jovem ter ficado perturbado pela morte dos pais e da irmã. Peter Webber ficou conhecido pela adaptação do romance do americano Tracy Chevalier, “Moça com Brinco de Pérola” (2003) sobre uma jovem camponesa que vai trabalhar na casa de um famoso pintor, apesar de o filme não ser uma verdadeira obra da Sétima Arte, sua técnica foi aplaudida e premiada. Tal técnica e beleza, Webber traz para apresentar a origem de todo a loucura de Hannibal Lecter. Bem como a fotografia e a edição do longa, a trilha sonora de Ilan Eshkeri e Shiregu Umebayashi, são o maior trunfo da produção. O roteiro, que, por sinal, tem um enredo ótimo, mas abordado de forma errada, é escrito pelo próprio criador da personagem, Thomas Harris, autor dos demais livros da série “Hannibal”: “Dragão Vermelho” (lançado nos EUA em 1981), “O Silêncio dos Inocentes” (1988) e “Hannibal” (1999), além da história do assassino Michael Lender, “Domingo Sangrento” (seu debut na literatura, lançado em 1975).


O francês Gaspard Ulliel, de “Eterno Amor” (2004), no qual atuou ao lado de Audrey Tautou, e “Anjo da Guerra”, dirigido por André Téchiné encara Hannibal; a frieza e a força de vontade em procurar os assassinos de Misha e assassiná-los é tão grande e presente quanto a que vemos nos demais filmes, onde o protagonista é vivido por Anthony Hopkins, não que Ulliel seja tão brilhante quanto Hopkins, pois a naturalidade não está tão visível, entretanto, o momento em que o jovem descobre o quanto o sangue e a carne humanos são tão saborosos, é uma cena única, como o próprio personagem. Como o pequeno Hannibal de oito anos, está a maior surpresa do longa: Aaran Thomas é incrível, nos mostrando o quanto o garoto era normal antes de presenciar acontecimentos tão terríveis. Li Gong está linda como a viúva do tio de Hannibal, quando o jovem foge do orfanato (que, por sinal, estava situado em sua antiga residência – o castelo Lecter), ele encontra fotos desse tio com a esposa, que moravam em Paris e resolve ir até ela; mas não é apenas a beleza de Gong que conta no longa, a atriz está muito bem no papel, sendo uma mulher forte, decidida e determinada a ajudar sua nova paixão. Dominic West, de “Chicago” (2002) e “300” (2006), é o inspetor Popil, um homem que se dedica a fazer justiça, mas que acaba compreendendo o que Hannibal está fazendo, e acaba se propondo a ajudar o garoto – não matando os outros, mas internando-o em uma clínica -; apesar dessa idéia maluca de Popil, West mostra que o inspetor esconde um passado triste. Os intérpretes dos assassinos de Misha são a pior coisa no elenco do filme.


O canibalismo é uma ação sem muitas explicações óbvias, para alguns, os demais animais o praticam por serem seres irracionais, para outros não passa de uma questão de sobrevivência ou cultura. Mas não há motivos para um homem estudado – ainda mais formado em medicina, como Lecter – se alimentar de outros seres humanos, a não ser vingança, ou gosto. O maior problema é que não é apenas o fato de degustar tal iguaria que excita Hannibal, ele sente prazer em ver suas vítimas morrendo, gosta de comê-las enquanto elas ainda estão vivas, sente prazer em ver a dor e o sofrimento do medo da morte. É claro que a maior parte da população mundial em sã consciência é da opinião de que está errado e de que é nojento comer carne humana. E não se pode discutir com uma opinião dessas. Entretanto, existe aquela velha semelhança entre a opinião e o gosto: cada um tem o seu, e a respeito de nenhum deles se discute.

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