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sábado, 19 de janeiro de 2013

126. PROCURA-SE UM AMOR QUE GOSTE DE CACHORROS, de Gary David Goldberg


Fundamental é mesmo o amor, pois é impossível ser feliz sozinho.
Nota: 8,3


Título Original: Must Love Dogs
Direção: Gary David Goldberg
Elenco: Diane Lane, John Cusack, Elizabeth Perkins, Christopher Plummer, Dermont Mulroney, Stockard Channing, Ali hills, Brad William Henke, Julie Gonzalo
Produção: Gary David Goldberg, Jennifer Todd, Suzanne Todd
Roteiro: Gary David Goldberg e Claire Cook (romance)
Ano: 2005
Duração: 98 min.
Gênero: Comédia / Romance

Sarah Nolan é uma bela professora de jardim de infância que ainda não se recuperou sentimentalmente de seu divórcio. Devido a sua juventude, seus irmãos e pai insistem para que ela encontre um novo namorado. Para isso, Carol, a irmã mais velha, cria um perfil em um site de relacionamentos na internet. Entretanto, ao mesmo tempo em que Sarah encontra um homem legal pelo tal site, Jake, ela começa a se relacionar com um pai de seus alunos, Bob, um safado incorrigível. Agora Sarah, que estava sem nenhum homem, terá de decidir qual dos dois prefere.


A solteirice e a dificuldade de se encontrar aquele par (quase) perfeito em nossas vidas é, provavelmente, o tema mais visto no cinema. Isso por que, é uma abordagem simples: ele faz parte da vida de todos, seja dos que já foram casados – como Sarah – e estão sozinhos, seja daqueles que nunca tiveram ninguém realmente importante o suficiente para que uma união fosse firmada. Além disso, no filme temos uma abordagem secundária sobre a vida do irmão de Sarah: ele está com problemas no casamento. Outro tema abordado com recorrência em filmes de romance ou comédia, que ganha cada vez mais espaço no mundo contemporâneo por tanto o homem quanto a mulher poderem se expressar de forma mais completa e significativa. Acrescente a isso, o pai de Sarah também cria um perfil no mesmo site que a filha para encontrar mulheres, aliás, isso nos proporciona uma das cenas mais engraçadas que mostra o quanto as pessoas mais velhas podem ser superiores aos jovens no quesito de ver o lado cômico das coincidências da vida.


Diane Lane é uma das mulheres mais belas de Hollywood, sua beleza não é totalmente normal e também não é daquelas mulheres que parecem nem ser de nosso mundo. No filme, ela interpreta Sarah, e é a simplicidade da personagem que faz com que Lane consiga trazer uma naturalidade incrível na sua atuação, ou seja, Sarah é uma mulher comum, uma professora que se divorciou e está á procura de alguém, não que ela esteja desesperada, apenas deseja encontrar alguém com quem possa ter uma afinidade maior, e é aí que está a diferença de Diane Lane para qualquer outra atriz: seria fácil, para outras, serem exageradas e parecerem mulheres procurando (desesperadamente) por um amor que goste de cachorros. John Cusack e Dermot Mulroney são os respectivos pretendentes de Sarah, Jake e Bob. Jake também acabou de se divorciar, e, bem como Sarah, procura por alguém, mas sem ansiedade, Cusack, como sempre, está engraçado no papel, mas também traz um pouco de humanidade em algumas cenas com um tom mais real e dramático. Bob, como a própria ex-esposa define, é um safado incorrigível, Mulroney interpreta aquele tipo de homem que não presta, mas que está tentando melhorar. Para mim, a grande atuação do filme – ao lado da de Diane Lane – é a de Christopher Plummer, ele vive Bill, o pai de Sarah, um velho que também resolve apelar pela internet para conhecer mulheres, a genialidade do ator é simples: tudo o que ele resolve interpretar dá certo, aqui não temos uma exceção.


Provavelmente existem poucas coisas mais difíceis que conviver harmoniosamente com qualquer outro ser humano, e é por isso que casar, viver junto e permanecer unido é algo tão complicado. Nesse contexto, encontrar alguém com quem realmente se forme uma afinidade suficiente para se firmar um relacionamento sério, duradouro e que valha a pena esteja ficando cada vez mas impossível. Viver sozinho, também não é uma opção humana, e é pelo desespero de enlouquecer por isso que Sarah e Bill(representação de todos os homens ou mulheres), decidem procurar alguém para dividir a vida. Afinal de contas, Tom Jobim é quem tinha razão: “Coisas que só o coração pode entender/Fundamental é mesmo o amor/É impossível ser feliz sozinho...”


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sexta-feira, 13 de julho de 2012

250. O IMAGINÁRIO MUNDO DO DOUTOR PARNASSUS, de Terry Gilliam

Um filme mágico que fechou a carreira de Heath Ledger com dignidade e qualidade.
Nota: 9,2


Título Original: The Imaginarium of Doctor Parnassus
Direção: Terry Gilliam
Elenco: Christopher Plummer, Heath Ledger, Andrew Garfield, Lily Cole, Verne Troyer, Johnny Depp, Jude Law, Colin Farrel, Tom Waits
Produção: Terry Gilliam, Amy Gilliam, Samuel Hadida, William Vince
Roteiro: Terry Gilliam e Charles McKeown
Ano: 2009
Duração: 123 min.
Gênero: Fantasia / Aventura / Drama

Doutor Parnassus conheceu o Diabo há centenas de anos atrás, fez pactos com ele durante a vida toda e agora o cara voltou para cobrar as promessas de Parny, como ele o chama. O problema é que Parnassus simplesmente não consegue ficar sem apostar com o Demônio, mas agora é a vida de Valentina, filha de Parny, que está em jogo. Com a filha, o jovem Anton e o estranho Percy, Parnassus viaja o mundo para tentar melhorar a vida das pessoas entrando em suas imaginações. Em uma dessas aventuras, eles encontram e salvam a vida de um homem misterioso que diz não lembrar quem é, daí por diante a vida de todos mudará, e será difícil esquivar-se das tentadoras propostas do Diabo.



Terry Gilliam é o responsável por meia dúzia de conhecidos filmes, dentre eles o conceituado “Brazil – O Filme” (1985), com Jonathan Pryce, Robert De Niro, Katherine Helmond e Jim Broadbent, “As Aventuras do Barão Münchausen” (1988), “O Pescador de Ilusões” (1991), “Os 12 Macacos” (1995), “Medo e Delírio” (1998) e “Os Irmãos Grimm” (2005), como roteirista, os únicos que merecem ser citados em sua carreira e na de Charles McKeown são os dois primeiros e o próprio “O Imaginário Mundo do Doutor Parnassus”, o qual, aliás, ele dirigi da forma mais bela possível. Gilliam alterna o estilo moderno de uma sociedade contemporânea, com o estilo retrógrado com o qual Parny e sua trupe se veste e se comporta: como ciganos que vão de um lado para o outro sem saber direito seu destino, vestidos com roupas ou fantasias coloridas, que dão uma alusão sonhadora e utópica ao filme, o qual foi indicado, merecidamente, ao Oscar por sua bela direção de arte e pelo seu figurino inconfundível. Como compositores temos dois irmãos: um é especialista em trilhas de séries, Jesse Danna, e o outro é Mychael Danna, responsável por filmes como “Capote” (2005), “Pequena Miss Sunshine” (2005), “Nova York, Eu Te Amo” (2009) e “O Homem Que Mudou o Jogo” (2011).



Christopher Plummer é nosso Doutor Parnassus, um homem velho que já não tem tanta certeza do que fez com sua vida ou o que acontecerá com ela, Plummer, como sempre, dá um show em sua interpretação e mostra o quanto as tentação fazem mal a nossas vidas, mas mesmo assim estamos condicionados a persegui-las e acolhe-las para sempre. Lily Cole é Valentina, uma moça que já não aguenta mais essa vida incerta, mas que sempre que pensa em fugir acaba se rendendo ao amor que sente pelo pai e fica com ele em sua vida cheia de aventuras. Andrew Garfield e Verne Troyer completam o quarteto que vai para lá e para cá, o primeiro, Anton, está perdidamente apaixonado por Valentina e decide ficar ao seu lado aconteça o que acontecer, o segundo está com Parny desde sempre, e nenhum deles consegue viver sem o outro. Tom Waits da vida ao Sr. Nick, o Diabo, um homem irônico, pervertido e decididamente mal que deseja, acima de tudo, acabar de vez com a vida de Parny e todos à sua volta. Por fim temos um quarteto de atores pra lá de queridos pelo público, Heath Ledger está em sua última personagem e talvez uma de suas atuações mais belas e sinceras, ele é o homem misterioso que perdeu a memória, alguém que está tentando esquecer o passado que o condena, mas essa não é uma tarefa tão fácil, e o ator consegue demonstrar, de forma perfeita, os sentimentos da personagem. Como seus “imaginários” temos Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, apesar de os três atores representarem, cada um uma diferente personalidade da personagem, os três tem os mesmos trejeitos e manias que vemos na atuação de Ledger, se eles imitam o ator ou interpretam a personagem tal como ele fez, não sabemos, mas que os três estão excelentes, isso eles estão.



Vida e morte, qual das duas é mais trágica e deprimente, ninguém jamais saberá. O fato é que esse filme explora de forma muito reflexiva e aterradora esses dois campos tão certos e incertos de nossa existência, afinal, as únicas certezas que temos é que vamos viver e morrer, mas como viveremos ou o tempo que estaremos na terra ninguém pode dizer, muito menos como morreremos ou para onde vamos depois disso. Em algum momento do filme alguém diz que “nada é permanente, nem mesmo a morte”, se isso estivesse em qualquer outro filme pareceria algo ridículo, mas estando nesse, essa verdade se torna tão concreta quanto vida e morte, ainda mais levando-se em consideração que esse foi o último filme de Heath Ledger, digo, ele pode até ter morrido, mas assim como tantos outros grandes nomes como James Dean, Rodolfo Valentino e Diana Spencer, ele continuará vivo em nossas mentes para sempre. Por fim, prepare-se para assistir ao filme estendendo-se em uma poltrona confortável e seja muito bem-vindo a esse estranho e mágico mundo que é o imaginário do Doutor Parnassus.



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sábado, 7 de julho de 2012

262. OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES, de Niels Arden Oplev

Penetrante e extremamente perturbador.
Nota: 9,4


Título Original: Män Son Hatar Kvinnor
Direção: Niels Arden Plev
Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Sven-Bertil Taube, Peter Haber, Peter Andersson, Marika Lagercrantz, Ingvar Hirdwall
Produção: Søren Stærmose
Roteiro: Nikolaj Arcel, Rasmus Heisterberg e Stieg Larsson (romance)
Ano: 2009
Duração: 152 min.
Gênero: Drama / Suspense / Thriller

Mikael, um jornalista investigativo, enfrenta uma crise em sua vida por sua maior investigação ser frustrada quando é sentenciado por calúnia e difamação de um empresário, seis meses antes de ele ir preso, o milionário Henrik Vanger o convida para investigar a suposta e misteriosa morte de sua sobrinha, que ocorreu há 40 anos atrás. Simultaneamente, Lisbeth Salander, uma hacker de 24 anos que leva uma vida pra lá de estranha, é contratada para investigar a vida de Mikael. Agora o destino dos dois se fundirá e, juntos, eles descobrirão coisas inimagináveis sobre suas vidas e de todos que os cercam.


É bom lembrar que esse filme é a primeira versão do romance de Larsson, o outro é o dirigido por David Fincher com Daniel Craig e Ronney Mara como protagonistas, e chama-se “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Nesse longa o diretor é Niels Arden Oplev, deixar de fazer uma comparação entre a adaptação americana e essa é simplesmente impossível, portanto Oplev não dirigi não chega nem perto da genialidade de Fincher, apesar de o roteiro, os acontecimentos durante o desenrolar da trama e do fechamento do filme sueco serem superiores ao americano, a qualidade da edição do de Fincher, vencedora do Oscar, é indiscutivelmente melhor que a do de Oplev. Entretanto, a adaptação de Steven Zaillian, roteirista de filmes como “A Lista de Schindler” (1993), “Hannibal” (2001), “Gangues de Nova York” (2002) e “O Gangster” (2007), que trabalhou ao lado de David Fincher em “Millennium” é um desastre comparada a de Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg, o roteiro americano chega a ser chato em alguns momentos, e perde a essência que a história possui. Apesar de não ter lido o livro, acredito que o que vemos no filme sueco é bem mais completo e esclarece mais detalhes que a versão americana. Por fim, temos as trilhas sonoras dos dois, ambas são boas, mas a composta por Jacob Groth, versão sueca, é ofuscada demais pelo enredo da trama e acaba não chegando aos pés da versão americana composta por Trent Reznor e Atticus Ross, vencedores do Oscar por “A Rede Social” (2010), também dirigido por David Fincher.


Michel Nyqvist dá vida ao jornalista Mikael Blomkvist, aqui o ator nos revela uma personagem mais discreta que a de Daniel Craig na versão americana. Mikael se torna um homem calmo, mas determinado e que vai realmente até o cerne de suas investigações para descobrir a verdade sobre seus suspeitos. Noomi Rapace vive Lisbeth Salander, essa personagem deve ser o sonho de qualquer jovem atriz que deseja uma posição vantajosa no cinema: Rapace foi indicada ao BAFTA e Rooney Mara, da versão americana, para o Oscar. Aqui temos duas interpretações totalmente distintas, cada atriz nos presenteia com uma Lisbeth diferente e com personalidades totalmente distintas, apesar de ambas terem a mesma aparência. Apesar de achar ótima a interpretação de Christopher Plummer como Henrik Vanger, a versão sueca nos apresenta um homem mais ameno e controlado vivido por Sven-Bertil Taube, que nos revela o típico velho rico.


Com tanta qualidade quanto a versão americana do livro de Stieg Larsson, “Os Homens que não Amavam as Mulheres” é um filme penetrante que absorve nossa mente em cada um de seus mais de 150 minutos. O mais impressionante, entretanto, é que, mesmo sabendo o final da trama, por já ter assistido a versão americana, o filme não se tornou cansativo em momento algum, e quando terminou, minha única vontade era de conferir a continuação logo. Por fim, esse filme pode não nos proporcionar uma reflexão acerca de assuntos da vida como tantos outros costumam fazer, mas que é um thriller bem feito, em meio a tantos filmes idiotas do gênero, e que merece nossa máxima atenção, isso é.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

292. ALEXANDRE, de Oliver Stone

O filme se perde em mostrar as guerras e os amores do imperador, e não consegue atingir nem um décimo da grandeza de Alexandre.
Nota: 6,5


Título Original: Alexander
Direção: Oliver Stone
Elenco: Colin Farrell, Angelina Jolie, Val Kilmer, Anthony Hopkins, Jared Leto, Rosario Dawson, Jonathan Rhys Meyers, Rory McCann, Christopher Plummer
Produção: Oliver Stone, Iain Smith, Thomas Schühly, Moritz Borman, Jon Kilik
Roteiro: Oliver Stone, Christopher Kyle e Laeta Kalogridis
Ano: 2004
Duração: 175 min.
Gênero: Biografia / Drama / Épico

Alexandre, O Grande, como ficou conhecido, foi soberano do maior império visto na terra: indo dos Bálcãs à Índia, incluindo Egito e Báctria. Alexandre era um homem inteligente, culto e esperto, respeitava as várias formas de culturas de todo o mundo e desejava que todas formassem uma só, também era um tanto instável e um homem louco por guerras, as quais sempre liderava. Lutou contra regiões na Europa, na Ásia e na África afim de expandir cada vez mais seu território, esse, por sinal, era o maior objetivo do imperador, conquistar territórios se tornou uma obsessão que o levou a morte, com sua morte veio a separação de seu Império e a dominação Romana. Alexandre casou três vezes, teve dois filhos e levou uma vida regada a muitos prazeres, dizem que não tinha vergonha em deixar claro que mantinha relações com homens e mulheres, o que na época era algo normal. Ele morreu um mês antes de completar 33 anos, a causa exata de sua morte nunca foi descoberta, alguns dizem ter sido envenenamento, outros doença, assassinato brutal, conseqüência do alcoolismo. O que realmente interessa para a história e a sociedade é que Alexandre foi um grande conquistador e uniu diversas culturas na Antiguidade e influenciou centenas de políticos, incluindo o romano Júlio César.


O filme inicia com Alexandre criança, sendo superprotegido por a mãe; depois passamos à sua adolescência, quando é ensinado por Aristóteles sobre as coisas da vida, dos astros e das culturas (dentre elas, vemos o filósofo deixando claro que é permitido homens se relacionarem sexualmente, com tanto que não seja um mero prazer carnal); depois vemos o início de sua vida adulta, em uma lembrança mais para frente do filme acompanharemos o assassinato do pai, a briga com a mãe e sua coroação definitiva como Imperador. Assistimos também à suas maiores batalhas e conquistas, seu casamento, suas relações com as esposas e o amante, Heféstion, seus medos e problemas em relação a todo o poder que conquistou. Em paralelo à sua história podemos descobrir um pouco sobre sua mãe, Olímpia de Épiro, uma mulher arrogante e vingativa, que dizia a todos que Alexandre era filho de Zeus. Amargurada por Filipe II, pai de Alexandre, ter se casado com outra mulher, ela foi ligada por vários historiadores como mandante da morte do marido para que seu filho pudesse se tornar o imperador, mandou matar ainda a esposa de Filipe e seus dois filho. A quem diga que ela manteve um forte relacionamento incestuoso com Alexandre, o qual ela acreditava e dizia ser a personificação de um Deus, havia quem acreditasse que o rapaz era filho de Dionísiso, o qual Olímpia venereva.


Stone é diretor e roteirista de uma lista invejável de filmes bem cults, dentre eles: “Salvador – O Martírio de um Povo” (1986), “Platoon” (1986), “Wall Street – Poder e Cobiça” (1987), “Nascidos em 2 de Julho” (1989), “JFK – A Pergunta que Não quer Calar” (1991), “Assassinos por Natureza” (1994), “Nixon” (1995) e “Um Domingo Qualquer” (1999), ele venceu 3 Oscar e foi indicado para mais 7, e não, “Alexandre” não está entre esses filmes, por um simples motivo: é um filme de qualidade muito, mas muito baixa. Historicamente falando pode até ser algo positivo, sua fotografia e a edição das cenas de guerra também são boas, mas é apenas isso que vale a pena no filme todo, nem mesmo a trilha sonora do filme, composta por Vangelis (que também compôs para o filme “Carruagens de Fogo” de 1981, pelo qual ganhou um Oscar) é merecedora da magnitude de Alexandre.


Existem atores que, sabe-se Deus por que, nós simpatizamos, Colin Farrell e Jonathan Rhys Meyers são dois dos que eu simpatizo. Não sei se é por que eles são irlandeses, e de lá vieram alguns bons nomes da indústria cinematográfica ou porque vejo neles dois ótimos atores em potencial, e realmente eles mostram ser isso mesmo, mas não nesse filme. Farrell interpreta Alexandre, no filme é mais ou menos tudo aquilo o que se espera da personagem histórica, existem momento em que o ator é excelente, mas são muito raros, e na maior parte do filme ele é muito fraco. Meyers é um dos oficiais do Imperador, Cassander, um homem que faz de tudo pelo poder e passa por cima de todos por sua ganância, o ator consegue um ou outro momento de boa interpretação, mas só não é de todo ruim por que aparece pouco. Angelina Jolie está em uma de suas atuações mais deprimentes, Olímpia é uma das personagens mais ricas (em termos técnicos) da trama, isso se não for a mais rica, a atriz podia explorá-la de forma magnífica e ter uma de suas maiores atuações, mas o que ela faz aqui é péssimo, nem mesmo as grandes cenas de discussões com seu filho salvam Jolie. O resto do elenco segue essa linha: grandes personagens, pouca qualidade nos atores. Quem salva o filme são os hiper veteranos Anthony Hopkins e Chistopher Plummer, respectivamente o velho Ptolomeu e o filósofo Aristóteles, o problema de ambos é que eles aparecem pouco, mas o pouco que fazem chega a nos arrepiar pela veracidade aparente desses mestres da sétima arte, por que eles estão aqui eu realmente não sei.


            Em sua tentativa de mostrar várias conquistas estendendo-se em cenas de batalhas, “Alexandre” se torna um filme frustrado sobre a vida de um dos homens mais admiráveis da história. Um homem que conquistou todas as suas ambições, teve tudo o que sonhou, conquistou o maior império do mundo, deixou herdeiros, disseminou e misturou culturas maravilhosas, tornou-se o homem mais poderoso de seu tempo, e conquistou literalmente a glória eterna: até hoje, quase dois milênios e meio depois de tudo o que fez, seu nome ainda é associado à sua figura poderosa de um inconfundível líder. Alexandre foi excepcional em tudo o que fez, obteve êxito em todas as suas tentativas de conquistar territórios e nunca foi totalmente derrotado, se há nomes que o Alexandre desse filme não pode receber é de Alexandre, o Magno, ou Alexandre da Macedônia, muito menos Alexandre, o Grande.

Colin Farrell caracterizado como Alexandre,
e a representação mais famosa do imperador.
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

323. A NOVIÇA REBELDE, de Robert Wise


Merecidamente uma marca no gênero musical e um dos filmes mais adorados de todos os tempos.
Nota: 9,3



Título Orginal: The Sound of Music
Direção: Robert Wise
Elenco: Julie Andrews, Christopher Plummer, Peggy Wood, Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner, Kym Karath
Produção: Robert Wise, Saul Chaplin, Peter Levathes e Richard D. Zanuck
Roteiro: Ernest Lehman, Howard Lindsey, Russel Crouse e Maria von Trapp (romance)
Ano: 1965
Duração: 179min.
Gênero: Drama / Musical

Maria, uma noviça nada convencional que vive cantando e dançando, é enviada à casa do Capitão Von Trapp para cuidar de seus filhos. De início não é bem recebida e logo percebe o quanto Trapp é distante das crianças, mas com muito amor e amizade Maria irá conquistar cada uma das crianças e, obviamente, o pai delas. Um dos filmes mais adorados de todos os tempos, “A Noviça Rebelde” foi um marco no gênero musical dos cinemas, a cena em que Maria ensina as crianças a cantar é uma das mais memoráveis de todos os tempos e a música “Do, Re, Mi” umas das mais cantadas daquelas vindas do cinema.


A direção fica a cargo do mestre vencedor de quatro Oscar’s (dois de melhor filme e dois de melhor direção), Robert Wise. Ele é também o responsável por outro marco no cinema musical, “Amor, Sublime Amor” (1961) é uma história bem mais triste e bem menos leve que “A Noviça Rebelde”, talvez por se tratar de uma espécie de adaptação do romance “Romeu e Julieta”, de William Shakeaspeare. Com fotografia, edição, som e trilha sonora exuberantes, o filme é extremamente bem feito e muito belo de ser visto. As tomadas de Wise são sempre muito abrangentes e ele aproveita todo o espaço que tem para nos deliciar com cenas incríveis. É bom fazer uma ressalva quanto ao roteiro amenizador que nos é apresentado aqui: a história é sempre muito linda e feliz, ninguém tenta ficar separando o casal protagonista e os filhos dele amam-na como uma mãe, o problema está exatamente em tanta felicidade, afinal eles estão em plena Segunda Guerra Mundial e são poucos os momentos que os vemos desesperados e com medo do futuro como era comum na época.


Com um casal tão talentoso como Julie Andrews e Christopher Plummer liderando o elenco nada poderia dar errado. Ela foi indicada ao prêmio da Academia por sua atuação maravilhosamente composta, é viva, alegre e nos passa toda uma energia de alguém que ama a vida, além é claro de sua voz ser uma das mais marcantes do cinema. Ele é um típico Capitão, sempre sério e muito carrancudo, mas que acaba por se mostrar um bom homem quando tem alguém que ama por perto, apesar de sua voz não ser tão marcante quanto de Andrews, Plummer possuí uma voz macia e muito agradável. Do restante temos as ótimas irmãs que vivem no convento em que Maria estava, com destaque para Peggy Wood, que vive Madre Abbess. As crianças são vividas por: Charmian Carr (Liesl Von Trapp), Nicholas Hammond (Friedrich), Heather Menzies (Louisa), Duane Chase (Kurt), Angela Cartwright (Brigitta), Debbie Turner (Marta) e Kym Karath (Gretl).


A história é uma adaptação da vida da família de cantores Von Trapp, eles viviam na Áustria, mas quando ela foi ocupada pelos nazistas foram forçados a deixá-la por questões políticas. Apesar de o casal protagonista não ser absolutamente nem um pouco parecido com o casal real a adaptação é muito marcante e muitos dizem que ela é bem realista quanto as relações entre todos no filme, como já disse, o filme apenas peca mesmo ao amenizar os atos nazistas e não transparecer o medo e a angústia característicos da época. Mas quem se importa com a realidade em um filme tão bem realizado e criado para divertir e mostrar que, apesar de tudo o que aconteça no mundo, a família, o amor e a amizade são para toda a vida, e são elas que nos mantêm vivos e unidos, não importa o restante.

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terça-feira, 24 de abril de 2012

324. UP – ALTAS AVENTURAS, de Pete Docter e Bob Peterson

Um dos melhores filmes dos últimos anos, nos enchendo de alegria e vontade de aproveitar a vida.
Nota: 9,7



Título Original: Up
Direção: Pete Docter e Bob Peterson
Elenco: Edeard Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Pete Docter, Elie Docter
Produção: Jonas Rivera, John Lasseter, Andrew Stanton e Pete Docter
Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy
Ano: 2009
Duração: 96 min.
Gênero: Animação / Comédia / Drama
Carl Fredricksen é um velho que vive em sua casinha isolado do restante do mundo. Nos primeiros minutos do filme entendemos o porquê desse isolamento e choramos e rimos ao vermos um resumo do que foi sua vida ao lado da mulher que amava. Russell é um garotinho gordinho excluído que deseja mais que tudo na vida ser um grande escoteiro, para tal precisa vender chocolates. O que ninguém sabe é que Carl irá literalmente voar em sua casa para repousá-la no lugar que ele e sua esposa quiseram viver a vida toda, no entanto será muito mais difícil do que ele pensava: Russell, acidentalmente, embarcou nessa viajem maluca que será repleta de emoções, perigos e mais companhias indesejáveis.



Para falar sobre essa ótima dupla façamos como Jack. Docter foi diretor apenas de Monstros S. A. ( o que não é pouco levando em conta sua credibilidade entre público e crítica, o filme ganhou o Oscar de melhor canção original e o BAFTA de filme infantil), além disso é o roteirista dos dois primeiros “Toy Story” (1995 e 1999) e do inigualável “Wall-E” (2008), também se envolve com departamentos como música e arte dos filmes que participa.  Peterson parece ter saído de uma das várias animações que já “atuou” como “Procurando Nemo” (2003), no qual também é roteirista, “Os Incríveis” (2004), “Carros” (2006) e mais recentemente “Toy Story 3” (2010), como diretor seu único trabalho é esse mesmo e como roteirista tem em seu currículo o excelente “Ratatouille” (2007). O trabalho realizado aqui por eles é maravilhoso, reflexivo, educativo, colorido, feito para adultos e extremamente minucioso em seus detalhes. A trilha ficou a cargo de um dos mestres da música para animações, Michael Giacchino, que já trabalhou nos mais diversos estilos de filmes e séries e raramente nos decepciona, por “Up” ele ganhou seu primeiro Oscar de melhor trilha sonora.



Reflexões sobre a vida e a morte sempre foi um tema recorrente nos cinemas, aqui o primeiro é explorado com tanta beleza e gratidão que temos apenas a vontade de viver e aproveitar cada segunda no planeta Terra. A idéia de misturar uma criança com um velho, ao invés de refletir sobre a vida de um quarentão (que aos poucos se torna um homem de cinquenta) frustrado ou uma mulher louca prestes a entrar na casa dos trinta (que já passou para os quarenta) torna o filme algo original e muito mais agradável de ser assistido, tornando-se um dos melhores filmes dos últimos anos.



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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

382. TODA FORMA DE AMOR, de Mike Mills

As relações no mundo são complexas, mas necessárias, e é nesse contexto que Christopher Plummer é o favortito entre os coadjuvantes nesse ano.
Nota: 8,3






          Título Original: Beginners
          Diretor: Mike Mills
          Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent, Goran Visnjic, Kai Lennox, Mary Page Keller, Keegan Boos, China Shavers, Melissa Tang, Amanda Payton
           Produção: Miranda de Pencier, Lars Knudsen, Leslie Urdang, Jay Van Hoy, Dean Vanech
           Roteiro: Mike Mills
           Duração: 105 min.
           Ano: 2010
           Gênero: Comédia Dramática

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


          Na vida é precisos que o ser humano leve alguns choques de realidade para viver de verdade e dar valor a nossa existência na Terra, para alguns isso acontece aos vinte, para outros aos trinta, cinquenta, setenta, noventa, ou morre-se sem saber como é possuir sentimentos reais. É disso que esse filme trata, a personagem principal, Oliver Field (Ewan McGregor) precisa conviver com os fatos de a mãe ter morrido e o pai, com 75 anos de idade revelar que foi homossexual a vida toda, para viver sua propria vida e tentar ser feliz da melhor foma possivel.
           Mike Mills não faz nada de muito interessante em sua direção para este filme, é correto do começo ao fim e não há cenas em que nos faça pensar "que m... é essa?". A ediçaõ do filme também é correta, mas o que impressiona é a trilha sonora do trio Roger Neill, Dave Palmer, Brian Reitzell, bem como em "Rango" (mas tão tão bem quanto Hans Zimmer), todas as múscas demonstram a depressão ou a alegria de todas as personagens do filme, o estilo retrô delas nos remete sempre a pensar que todo as dúvias e problemas de Oliver vieram de sua infância nos anos 60 e 70.


            Ewan McGregor tem potencial, vezes para ser péssimo, vezes para ser bom, aqui ele interpreta uma personagem melancólica que volta a dar valor a vida após conhecer um verdadeiro amor, e se questiona se vale a pena largar tudo aquilo em que acreditou ser o casamento durante seus 38 anos de idade para embarcar em algo totalmente incerto, e o faz muito bem. Mas aqui não é McGregor, ou a direção, ou a edição, a trilha ou qualquer outra coisa que chama a atenção, é a maestria com a qual Christopher Plummer vive o pai de Oliver, Plummer sabe que esse filme é sobre a vida da personagem do filho, e não se sobresai a ele em cena alguma, é simples e divertido, e provavelmente está aí o maior trunfo de Plummer, ele sabe o que fazer sempre, e o faz com a grandeza dignida de um rei.
          Toda Forma de Amor trata disso, apesar de o nome original ser "Bigenners", as várias formas de amor, entre pai e filho, mãe e filho, marido e esposa, homem e mulher, homem e homem, homem e animal, enfim, sobre como as relações entre um ser humano e o restante do universo são complexas, mas são essas as relações que mantém a vida como ela é e nos levam a felicidade ou ao desespero da tristeza.
          E é toda essa perfeição de Plummer que indicou o filme a diversos prêmios de Melhor Atuação Coadjuvante, incluindo o Oscar. Ele já levou o Globo de Ouro, o SAG, o BAFTA e outros, o maior prêmio de cinema do mundo já é dele, basta ele comparecer à cerimônia e pegá-lo.


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