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sábado, 1 de março de 2014

015. (ESPECIAL OSCAR 2014) O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG, de Peter Jackson

Jackson está cada vez mais perto do fim, e cada vez mais perto da perfeição
Nota: 9,0


Título Original: The Hobbit: The Desolation of Smaug
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambleton, Jed Brophy, Mark Hadlow, Sam Brown, Orlando Bloom, Evangline Lilly, Cate Blanchett, Bnedict Cumberbatch, Mikael Persbrandt, Sylvester McCoy, Luke Evans, Stephen Fry, Ryan Cage, John Bell, Lee Pace
Produção:
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guilhermo Del Toro e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2013
Duração: 161 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

Bilbo Bolseiro, Gandalf o Cinzento e os 13 anões que saíram do contado já estão em sua aventura há cerca de 12 meses. Eles já passaram por gigantes de pedra, por orcs que desejam a cabeça de Thórin e trolls amedrontadores. Também já se encontraram com os elfos Galadriel e Elrond, em Valfenda e Bilbo já está em pose do Um Anel, o qual “roubou” de Gollum. Agora, o grupo deve continuar sua jornada para a Montanha Solitária, onde o Dragão Smaug se encontra, e eles nunca estivem tão próximos. Mas, para chegar ao seu destino, precisarão enfrentar outros obstáculos: a Floresta das Trevas, moradia de dezenas de aranhas gigantes, a ganância dos Rei dos Elfos, Thranduil, a loucura do Mestre de Laketown, e, claro, mais e mais bandos de orcs que, agora, estão cumprindo ordens de uma força muito mais maligna do que os pequenos imaginam.


É sempre importante lembrar que Peter Jackson, quando decidiu voltar à Terra Média e adaptar “O Hobbit”, também escrito pelo mestre J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Aneis”, resolveu continuar vivendo seu sonho e optou por realizar uma trilogia. Sim, uma trilogia, com três filmes de duas horas e meia, adaptando cerca de 300 páginas. Claro que faltou história para tanto tempo. E Jackson usou sua criatividade para driblar esse problema. Antes de proseguir, é preciso lembrar que Gandalf e sua turma estão nessa aventura com o propósito de os anões tomarem sua montanha de volta de Smaug. Há anos, o monstro, sabendo que a montanha dos anões estava cheia de ouro e pedras preciosas, tomou o local, expulsando os que ali viviam, ou pior: quimando-os. Agora, Thórin Escudo de Carvalho, filho de Thráin II, neto de Thrór, membro do povo de Dúrin e herdeiro da Montanha Solitária quer recuperar o que é seu de direito, mesmo que isso custe muito tempo e algumas vidas. Convencido por Gandalf, o Cinzento, Bilbo Bolseiro aceita participar dessa aventura, e deixa o pacato Condado onde vive para trilhar o caminho ao lado dos anões. São essa figuras, um mago, um hobbit e 12 anões, que compõe a Companhia dos Anões, muito menos glamorosa que a Sociedade do Anel do primeiro filme da trilogia “O Senhor dos Aneis”, mas igualmente decidida e forte. E foi, ainda, Gandalf quem convenceu, em um prólogo mostrado nesse filme, Thorin de ir até a Montanha Solitária e recuperar a Pedra Arken, o maior símbolo do povo de Dúrin, para que ele recupere seus direitos e se torne rei. Para compreender melhor, basta dizer que a pedra foi encontrada pelos anões enquanto cavavam a Montanha, possui luz própria (que foi intensificada pelos anões) e representa um tesouro de valor inestimável para os senhores das montanhas. Também é importante dizer, que pouco antes de entrarem na Montanha Solitária, Thorin promete ao povo de Laketown, que também sofreu com o ataque do Dragão, que, caso ele conseguisse recuperar seu ouro, eles seriam agraciados com uma parte significativa para que a cidade pudesse voltar a ser um ponto comercial. Os anões e Bilbo, entram na Montanha e, com isso, Smaug acorda, e promete fogo, muito fogo. Também é bom lembrar que, nesse contexto, Gandalf está muito longe de seus parceiros de viagem, foi ao encontro das ruínas de Dol Guhur, onde acaba sendo aprisionado após um confronto com o Necromante – na verdade, Sauron, a tal força malígna que está pronta para se re-erger das sombras. O mesmo Sauron que convenceu os anões, os elfos e os homens a aceitarem os grandes aneias, o mesmo Sauron que enganou a todos e ,no fogo da Montanha da Perdiçao, “forjou em segredo um anel mestre para controlar todos os outros, e neste anel colocou toda a sua crueldade, sua maldade e sua vontade de governar todas as formas de vida [...]Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los.” [Galadriel].


Todavia, o mais incrível de toda essa história é que, diferente do primeiro filme, funciona muito bem. A primeira ora se divide entre momentos monótonos e momentos de tensão pura. Personagens, como Legolas, e cenas que não aparecem no livro, não importam tanto já que o conjunto é bem mais interessante que o primeiro longa. Apesar da construção de Thórin torná-lo cada vez mais fraco, a força e beleza do personagem de Bilbo Bolseiro é algo que merece destaque. E mais: as lutas internas dos personagens devem ser lembradas. Bilbo luta contra sua vontade de usar o Um Anel, e Thórin luta com a ganância tão natural de seu povo. A primeira aparição dos elfos nesse filme (uma parte deles já havia se apresentado no longa anterior) é ótima e podemos ver como alguns seres da Terra Média não estavam preocupados com outros, apenas desejavam o poder e o bem de seu povo. Os orcs estão caminhando, cada vez mais, para o futuro cruel e enojador que conferimos na trilogia de “O Senhor dos Aneis”. E Samug é fantástico! Se a cena do encontro com Bilbo e Gollum/Smeagall foi uma das melhores do ano passado, o mesmo podemos dizer da cena em que, mais uma vez, um Bilbo que teve pouco destaque nesse filme rouba todas as atenções e, finalmente, encontra (e acorda) o adormecido Dragão Smaug. Os dois conversam (muitos já afirmam que foi pura enrolação), discutem (mais enrolação ainda), Bilbo encontra a Pedra de Arken, mas não consegue pegá-la (momento de êxtase) e, finalmente, Smaug, com toda a sua fúria, o Dragão tenta queimar Bilbo (o que alguns acharam cedo demais). Para mim, a cena foi perfeita, e melhorou muito mais com a chegada dos anões e a luta dos mesmos com a fera.


Claro que alguns erros foram cometidos pelo diretor. E que nos os cometeria na emoção de estar deixando, por fim, a Terra Média após concluir essa trilogia? A cena dos barris é ridícula, e sentimos que os personagens estão mais em algum brinquedo de parque de diversões ou em um joguinho bobo para crianças que fugindo de orcs – sem falar na estupidez que foi ter colocar Legolas pulando de cabeça em cabeça para matar alguns monstros, tudo bem, ele é um elfo e os elfos são incríveis em tudo o que fazem, mas fazer com que o personagem estivesse em uma fase bônus de algum vídeo game foi gozação. Gozação com Legolas, com Orlando Bloom e com o espectador. Ver Tauriel curando Killy é repetitivo demais se lembrarmos da cena em que Arwen salva Frodo em “O Senhor dos Aneis”, até as personagens (elfos) são parecidas. Aliás, Tauriel, sem dúvida, é muito bem vinda, mas o romance entre ela, Legolas e Killy, também vai além da ficção, além da adaptação. Porém, devemos nos ater aos efeitos que o longa traz. À criação de uma Terra Média, mais uma vez, impecável, descrita pelo diretor como aquele lugar instável, repleto de mistérios e belezas. Aquele mundo paralelo que esconde segredos entre as calmas vilas e os agitados palácios. Uma terra explorada por Tolkien, Jackson e cada fã dessa história incrível. A trilha sonora de Howard Shore nos remete ao trabalho feito para a trilogia anterior, não que tenha algum tema parecido, a semelhança é em como ela é original, bem feita e conduzida. Apesar de acreditar que o longa merecesse mais indicações ao Oscar, levou apenas três. A primeira vai para Brent Burge, editor de efeitos sonoros na trilogia “O Senhor dos Aneis” e concorrendo com “Capitão Phillips” e “Gravidade” como melhor edição de som. A segunda, vai para um quarteto de especialistas em som que, juntos, somam cerca de 350 títulos ao longo de suas carreiras e que concorrem, mais uma vez, com “Capitão Phillips” e “Gravidade” pela estatueta de melhor mixagem de som. Por último, o quarteto liderado por Joe Letteri, vencedor de 4 Oscars, incluindo um pela carreira, é indicado por melhores efeitos visuais, prêmio que, provavelmente, irá para “Gravidade”. Claro que o filme poderia ter sido indicado em outras categorias, como melhor maquiagem e cabelo, direção de arte, trilha sonora e pela canção “I See Fire” totalmente encaixada no contexto da trama.


O maior problema, no entanto é podermos assistir a esse filme mesmo depois de ter falado tanto sobre sua história. Em meio a tanta beleza estética e sonora, Peter Jackson pesa a mão e traz um filme sem muitas novidades. Contar tudo o que acontece durante o longa não fará diferença, e não que o que interessa seja o desenrolar da trama como em alguns grandes filmes do cinema, o que interessa mesmo são os efeitos visuais e sonoros, a história é mais uma passagem entre a revelação da situação vista no primeiro filme e os acontecimentos que veremos no próximo longa. Conferir o desfecho dessa história deixa o espectador louco pelo próximo longa, e esse é o maior acerto de Jackson. Ouvir as últimas palavras de Smaug (dublado por Benedict Cumberbatch em uma interpretação fantástica), proferidas enquanto ele voa da Montanha Solitária direto para a aldeia de Laketown, faz nossos olhos se arregalarem, nossas mãos suarem e nossos lábios sorrirem, pois sabemos, que no próximo longa, a coisa vai esquentar ainda mais e, quem sabe, tenhamos o filme que tanto esperamos. Desta vez, ao que tudo indica, “Gravidade” será o grande vencedor da noite no Oscar, o que deixa “O Hobbit” fora do páreo. Quem sabe, Peter Jasckson acerte novamente, como fez três vezes seguidas com “O Senhor dos Aneis” e, no ano que vem, “O Hobbit” seja um vencedor em todos os sentidos. Afinal, ainda não foi dessa vez.

PRÊMIOS EDDIE (SINDICATO DOS EDITORES)
Melhor Edição em Drama: Chris Rouse, por Capitão Phillips
Melhor Edição em Comédia ou Musical: Jay Cassidy, Crispin Struthers e Alan Baumgarten, por Trapaça
Melhor Edição em Animação: Jeff Draheim, por Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Edição em Documentário: Douglas Blush, Kevin Klauber e Jason Zeldes, por A Um Passo do Estrelato
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quinta-feira, 7 de março de 2013

082. JOÃO E MARIA: CAÇADORES DE BRUXAS, de Tommy Wirkola


Apenas um conselho: arrume a melhor companhia possível e assista em 3D no cinema, pois não vale a pena assistir sozinho e em casa na televisão, pois perderá o único ponto positivo.
Nota: 6,5


Título Original: Hansel & Gretel: Witch Hunters
Direção e Roteiro; Tommy Wirkola
Elenco: Jeremy Renner, Gemma Arterton, Famke Janssen, Pihla Viitala, Derek Mears, Robin Atkin Downes, Ingrid Bolso Berdal, Joanna Kuling, Thomas Mann, Peter Stormare, Bjorn Sundquist, Rainer Bock, Thomas Scharff, Kathrin Kühnel
Produção: Will Ferrell, Beau Flynn, Chris HEnchy, Adam McKay, Kevin J. Messick
Ano: 2013
Duração: 88 min.
Gênero: Ação / Fantasia / Thriller

Quando crianças, João e Maria foram levados por seu pai para a floresta no meio da madrugada. Sem saber o porquê daquela atitude, os dois correram pedindo por ajuda, foi quando encontraram uma linda casa de doces e adentraram o recinto. Lá dentro, esperando por eles, estava uma terrível bruxa, que os aprisionou e os engordava para serem comidos para servirem de alimento. Entretanto, os dois escaparam e mataram a criatura. Agora, João e Maria são os caçadores de bruxas mais famosos do mundo, e terão de enfrentar poderosas criaturas que planejam vingança.


Na história original, João e Maria chamam-se Hänsel e Gretel, nomes alemães – origem dos personagens -, são largados na floresta por a família não ter dinheiro para alimentá-los, para não se perderem, eles espalham pedaços de pão pelo caminho, que são comidos por pássaros, assim, bem como ocorre no longa, eles se perdem e encontram uma casa cheia de doces, comem os doces e a bruxa acaba os prendendo, com o mesmo intuito: alimentá-los, engordá-los, assá-los e comê-los. Ainda na história dos Irmãos Grimm, as crianças matam a bruxa e fogem, levando comida para o resto de suas vidas, encontram o pai – a mãe está morta -, e vivem felizes para o resto de seus dias. Nesse contexto, as bruxas representam, de forma filosófica, a fome e o desespero dos pais, além disso, a bruxa e a mãe, em algumas análises, representam a mesma pessoa, pois é a mãe quem convence o pai a deixar as crianças no bosque – depois, ao invés da mãe, passou a ser uma madrasta, mesma mudança que ocorreu em “A Branca de Neve”. Assim sendo, não demora muito para que compreendamos que a grande bruxa malvada desse filme, também é uma representação da mãe de João e Maria, pois a mãe deles também é uma bruxa, no entanto, para amenizar a situação, a mãe da dupla é uma bruxa branca – uma bruxa do bem -, eu já acho que seria bem mais interessante se ela fosse a grande vilã da história. Não posso fugir do comentário de que, durante a trama, Maria encontra um ogro chamado Edward e, devido as circunstâncias atuais em que o cinema moderno se encontra, não há como ver isso como algo além de um claro deboche a franquia “A Saga Crepúsculo”. Apesar de termos boas jogadas e bons efeitos, o filme é modernizado demais, a tradução para o português é um fiasco que começa com o título e vai até o desfecho da trama, os rumos que o filme toma em seu desfecho são ridículos e o roteiro é fraco, e só ganha pontos por enrolar menos que o esperado e nos apresentar um filme com menos de um hora e meia de duração.


Jeremy Renner ficou conhecido no mundo todo após ser indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme vencedor de melhor longa de 2009, “Guerra ao Terror”, dirigido por Katherine Bigelow (primeira mulher a vencer o prêmio máximo do cinema em direção), depois disso, e um pouco antes, viveram alguns bons filmes, bons papéis e interpretações medianas, mas nenhuma foi mais triste que essa; não que sua interpretação seja de todo ruim, como disse, ela é triste, pois é deprimente ver um bom ator como Renner interpretando um personagem tão sem sentido e ridículo como João, é claro que o ator parece se divertir em uma boa história sobre dois irmãos matando bruxas malvadas que assolam as cidades das redondezas, mas não há nada nesse João que valha a pena. Gemma Arterton, de “007 – Quantum of Solace” (2008), vive Maria, uma bela jovem que, além de matar bruxas, conquista os corações masculinos das vilas onde passa, apesar de momentos tão deprimentes quanto os do irmão, essa personagem é um pouco – eu disse, um pouco, apenas – menos irritante, talvez pelo fato de ser uma mulher que fuja dos padrões da época, mas mesmo assim, não há nada que possa trazer a Arterton qualquer expectativa de nos apresentar uma atuação decente em um papel que coloca a clássica Maria em uma posição tão desvantajosa. Por fim, a grande bruxa má Muriel, é interpretada pela boa Famke Janssen, famosa pela trilogia “X – Men” (2000, 2003 e 2006), e conhecida pela sensualidade de sua personagem em “007 Contra GoldenEye” (1995), apesar de tudo, talvez seja a única interpretação que tente, em alguns momentos, salvar o elenco, mas põe tudo a perder pela forma imbecil como a personagem acaba sendo tratada pelo próprio roteiro.


“João e Maria” – ou “Hänsel und Gretel”, não importa o título – é uma das histórias mais populares do mundo, e trata, acima de tudo, do problema que as famílias encontraram durante a Idade Média: falta de alimento e recorrente sacrifício de crianças que estavam passando fome. A representação aqui, entretanto, perde um pouco de seu foco e acaba mostrando apenas João e Maria como duas personagens que venceram as bruxas e estão vivos. Apesar disso, duvido muito que quem vá ao cinema, ou espere pelo DVD do filme – sugiro ver em 3D logo e perder o tempo da melhor maneira possível -, vai raciocinar a ponto de lembrar a real crítica da história. Sendo assim, o filme será apenas uma adaptação esdrúxula e desnecessária de uma história que já estava boa e não precisava de nada além de ser lida e passada de geração em geração.

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terça-feira, 5 de março de 2013

084. A FERA, de Daniel Barnz

E permanece a pergunta: por que mudar o que já está perfeito?
Nota: 6,5


Título Original: Beastly
Direção: Daniel Barnz
Elenco: Alex Pettyfer, Vanessa Hudgens, Mary-Kate Olsen, Dakota Johnson, Erik Knudsen, Peter Krause, LisaGay Hamilton, Neil Patrick Harris, Steve Godin, Gio Perez, Roc LaFortune, Jonathan Dubsky, David Francis, Rhinnon Moller-Trotter, Miguel Mendoza, Julie Dretzin
Produção: Susan Cartsonis
Roteiro: Daniel Barnz e Alex Flinn (romance)
Ano: 2011
Duração: 86 min.
Gênero: Drama / Romance / Fantasia

Kyle Kingson é um jovem do colegial, filho de um cara famoso, é bonito, sexy, simpático, rico e idolatrado por mais da metade da escola (incluindo alunos, professores e demais funcionários). Como se não bastasse todo seu ego, ele é eleito o presidente do grêmio estudantil da escola. Entretanto, após zombar com Kendra, uma garota um tanto excêntrica, Kyle acaba sendo amaldiçoado: Kendra o faz ficar feio, muito feio, e lhe dá uma tarefa para receber sua beleza de volta, no prazo de um ano, terá de convencer alguém que, mesmo feio daquele jeito, ele pode ser amado. Agora, Kyle correrá contra o tempo para convencer a bonitinha Lindy de que merece seu amor.



Durante a trama toda a mensagem é muito inteligente e chega a ser louvável o que o escritor do livro fez: mostrar que a beleza exterior não deve ser super favorecida, em detrimento da beleza interior, que é mais vantajoso ter inteligência e real simpatia que ser bonito e sexy. Todavia, é aí que já começam os clichês que nos acompanharão pelo resto do filme. Kendra é dita como uma pessoa feia, mas há tempos não via Mary-Kate Olsen tão bela e carismática no cinema; Lindy, obviamente, é uma menina excluída, que já dá mais valor ao exterior que o interior, nunca foi vista por Kyle, é apaixonada pelo babaca riquinho da escola e tem uma vida problemática (o pai é dependente químico); Kyle, por sua vez, tem a vida perfeita, ignorando todos a sua volta, e sendo o mais imbecil possível, é claro que isso se deve a um problema do passado: a mãe abandonou ele e o pai e o pai não dá a mínima para o garoto, apenas se interessando pelo fato de o filho ser desejado por todos; para contrapor essa relação triste entre pai e filho, a empregada da casa (uma negra), e o professor contratado pelo pai de Kyle depois que o rapaz fica feio (um cego) acreditam no potencial de que o menino poderá compreender e convencer Lindy de que ele a ama e de que ela está apaixonada por ele; para completar, a namorada e o melhor amigo do protagonista são amantes e acham Kyle uma pessoa insuportável. Como se tudo isso não bastasse, o desfecho não poderia ser mais corriqueiro e parece que cada cena do filme já foi vista em um ou outro longa, inclusive a cena ridícula em que Kyle conta sobre sua mãe, trazendo o sentimentalismo clássico necessário para Lindy ter pena do rapaz feio.



Alex Pettyfer começou sua carreira no cinema em 2006 com o juvenil “Alex Rider Contra o Tempo” (2006), tornou-se famoso com “Eu Sou o Número Quatro” (2011) e destacou-se como o striper de “Magic Mike” (2012). Apesar de ser um ator mediano, os personagens parecem se encaixar em seu perfil perfeitamente, e as características fazem sua atuação algo quase natural, sendo assim, mesmo que o filme seja péssimo, o ator convence que a personagem é mesmo insuportável, mas peca ao tentar mostrar que Kyle mudou em algum sentido depois de tudo o que passou, ele parece mais um cachorrinho pedindo por piedade. Vanessa Hudgens, sabe-se Deus o porquê, foi dita, por sei lá eu por quem, ser uma atriz sexy e convincente, não gosto dela, em primeiro lugar por sua personagem nos filmes da Disney “High School Musical”, mas tenho que admitir que chega a dar pena vendo a menina – tão sem graça, apesar de carismática nesse filme – tentando ser uma atriz decente e fazer alguma coisa que preste no cinema, nesse filme, ao contrário de Pettyfer, ela não convence em nenhum sentido. Lembro-me de quando criança, assistir aos filmes com as irmãs Olsen e achar que elas seriam grandes atrizes um dia, grande ilusão a minha, aliás, parece que está cada vez mais difícil encontrar atores e atriz que são bons quando crianças e permanecem no mesmo nível depois de mais velhos, apesar de bonita no filme – o que já é um problema, pois sua personagem deve ser feia e sem graça -, Mary-Kate já esta chegando na casa dos trinta, e não me parece nada plausível tentar continuar usando-a como uma adolescente ressentida.



Assim como não sei dizer quais os motivos para essa modernizada que foi feita com o clássico “A Bela e a Fera” - e quero deixar claro que é sobre essa mudança que se trata a primeira linha da crítica -, não sei dizer por que bons atores como Peter Krause e LisaGay Hamilton e o ótimo comediante Neil Patrick Harris resolveram assumir, respectivamente, os papeis do pai de Kyle – tão presunçoso e detestável quanto o filho -, Zola – a empregada de Kyle que não liga para o gênio estúpido do menino, e que só quer vê-lo feliz (a parte maternal do longa) – e Will – o tutor cego que é ordenado a ensinar Kyle depois que ele fica feio e o pai e ele resolvem que não há a necessidade de se frequentar a escola. Além disso tudo, o um ano, no qual o rapaz deveria convencer alguém que é digno de amor – aliás, definido pela tatuagem de uma árvore de rosa (sim, uma imensa árvore de rosas brancas) que não pode florir duas vezes –, passa muito rápido e tudo perde o nexo de forma inexplicável. Por fim, como eu disse, a mensagem do filme é maravilhosa, mas vale mais a pena assistir, pela trigésima vez que seja, “A Bela e a Fera” (1992) e ver algo de qualidade.




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sábado, 23 de fevereiro de 2013

092. (ESPECIAL OSCAR 2013) FRANKENWEENIE, de Tim Burton


Tim Burton poucas vezes decepciona, essa está longe de ser uma dessas vezes.
Nota: 9,4


Título Original: Frankenweenie
Direção: Tim Burton
Elenco: Winona Ryder, Catherine O’Hara, Martin Short, Martin Mandau, Charlie Tahan, Atticus Shaffer, Robert Capron, James Hiroyuki Liao, Conchata Ferrell, Tom Kenny, Dee Bradley Baker, Jeff Bennett, Frank Welker, Melissa Stribling (filme) e Christopher Lee (filme)
Produção: Allison Abbate, Tim Burton
Roteiro: Leonard Ripps, Tim Burton e John August
Ano: 2012
Duração: 87 min.
Gênero: Animação / Fantasia / Comédia

Victor Frankenstein é um jovem garoto que não tem nenhum amigo, com exceção de Faísca, seu pequeno cãozinho. Quando Faísca é atropelado, entretanto, Victor entra em uma depressão profunda. Mas, ao ver seu novo professor, aparentemente, maluco de ciências dar um choque em uma rã para fazer ela se mexer, Victor resolve fazer o mesmo com Faísca. Aproveitando o fato de a cidade onde mora ser constantemente atingida por raios, o garoto traz seu cão do mundo dos mortos. Mas mexer com vida e morte é algo muito arriscado, e Victor saberá disso em breve.


Tim Burton dispensa apresentações. Por um simples motivo: Tim Burton é Tim Burton. Tim Burton é como se fosse um semi-Deus da cinematografia. Não apenas por eu gostar de Tim Burton, e sim por Tim Burton ser um homem original, que inventou seu próprio estilo e nos traz, sempre, filmes ao menos agradáveis, de uma forma ou outra. Para mim, mesmo quando o filme não fica realmente bom, encontro alguma coisa interessante nele, no ano passado, por exemplo, assisti a “Sombras da Noite” (2012), filme com Johnny Depp, Helena Boham Carter e Michelle Pfeiffer, apesar das críticas negativas, adorei o longa, por ser extravagantemente engraçado e ridículo. “Sweeney Todd – Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007) é um musical sangrento divertido, irônico e muito bem feito, “Os Fantasmas Se Divertem” (1988) foi um pioneiro no humor negro moderno, “O Planeta dos Macacos” (2001) fez parte de minha infância. Todavia, não é apenas seu louco estilo que me conquista, foi ao assistir “Peixe Grande e Suas História Maravilhosas” (2003) que comecei a enxergar o cinema com outros olhos, e foi assistindo aos filmes de Burton que me aproximei da sétima arte. “Frankenweenie”, portanto, é mais que apenas uma simples animação, é uma reflexão nítida de como não podemos mexer naquilo que já aconteceu, afinal, “aquilo que está feito, está feito”, “ o que está morto não pode morrer”, “há três coisas na vida que nunca voltam”, enfim, uma infinidade de ditos populares ou provérbios milenares poderia resumir o que esse filme quer mostrar. Nesse contexto, vemos que, quando alguns colegas de Victor descobrem que ele consegue trazer seres mortos de volta à vida, querem trazer seu animais à vida também. No entanto, como o próprio professor de Victor aponta, tudo deve ser feito com muito amor, mesmo a ciência, de outra forma, só existe um caminho óbvio: o fracasso. Além disso, vemos as lições básicas de amizade, honestidade, força de vontade, amor de pai e mãe. E mais, em uma cena ótima, os pais dos alunos questionam os métodos do novo professor de ciências, pois seus filhos estão, agora, fazendo perguntas sobre tudo, querendo pesquisar e se informar sobre tudo, já os pais de Victor acham tudo isso ótimo e defendem o tal professor; uma crítica clara a como a sociedade sempre foi alienada e prefere viver no que conhece a partir para o desconhecido e viver novas aventuras, sair da rotina e ser uma pessoa diferente de vez em quando, somente para variar um pouco.


Em animações, muitos temas são abordados muitas reflexões são feitas e muito é dito de várias formas diferentes para que, assim, tanto crianças, quanto adultos absorvam ao menos alguma mensagem do filme. Aqui podemos ver muitas dessas características, e mais, referências a grandes filmes do cinema: como ao mostrar uma pequena cena do filme “O Conde Drácula” (1970) protagonizado por Christopher Lee (por isso fiz questão de colocar o nome do ator no elenco da animação); a tartaruga gigante representando Godzilla; o gato-morcego que se parece muito com algumas representações da metamorfose ser humano-vampiro; pequenos animaizinhos pulando de um lado para o outro em bando, que nos lembram dezenas de pequenos personagens irritantes e hiperativos de outros filmes. Enfim, são muitos temas, muitas idéias tratadas em um filme simples, preto e branco, com apenas 87 minutos – outra excelente pedida, ser breve – que se tornaria apenas mais uma animação indicada ao Oscar de melhor animação de 2013 se não fosse dirigida por Tim Burton. E é por esse direção que se torna a melhor animação do ano e uma das únicas que satisfaz.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

112. (ESPECIAL OSCAR 2013) VALENTE, de Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell


Bem feito, nada além disso.
Nota: 7,5


Título Original: Brave
Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell
Elenco: Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Julie Walters, Robbie Coltrane, Kevin McKidd, Craig Ferguson, Sally Kinghorn, Eilidh Fraser, Peigi Barker, Steven Creem Steve Purcell, Callum O’Neill, Patrick Doyle, John Ratzenberger
Produção: Katherine Sarafian
Roteiro: Brenda Chapman, Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman e Michael Arndt
Ano: 2012
Duração: 93 min.
Gênero: Animação / Aventura / Fantasia

Desde criança, Merida é educada pela mãe, Elinor, para se tornar uma grande rainha. Enquanto isso, o pai, Fergus, e os irmãos vivem a vida atrapalhando a eduação da menina, ou comportando como vikings idiotas. Eis que, Merida já está com idade para se casar, e os três lordes mais importantes da região, que comandam o reino ao lado de Fergus, chegam para disputar a mão da menina. Ela, desejosa de uma vida mais intensa e feliz, acaba brigando com a mãe e encontrando uma bruxa, ao pedir que a feiticeira mude a mãe, entretanto, a princesa tem uma surpresa um tanto desagradável: a mãe vira um urso.


Brenda Chapman, que dirigiu o vencedor do Oscar de melhor canção original, “O Príncipe do Egito” (1998) - a canção era “When YOu Belive”, de Stephen Schwartz - e indicado a melhor trilha sonora, composta por Sthephen Shwatz e Hans Zimmer, - devo lembrar que a categoria de melhor filme em animação só foi introduzida em 2001 –, é a única pessoa no time de três diretores que liderou esse longa que realizou algum outro trabalho que mereça destaque. Além disso, Mark Andrews e Steve Purcell participaram da produção “Carros” (2006), indicada ao Oscar de melhor animação e canção original, para Randy Newman, em 2007, perdeu para “Happy Feet: O Pinguim” (2006) e para a música de Melissa Etheridge, de “Uma Verdade Inconveniente” (2006), respectivamente. Tendo em vista os poucos trabalhos realizados pelos diretores, não podemos esperar o melhor filme do ano como este vinha sendo apontado. Na realidade, o roteiro é um pouco chato, e, além da lição básica de relações em família, não há muito a ser dito. Em suma, ele nos apresenta uma menina totalmente ao contrário do que a mãe dela espera que ela seja, afinal, Merida é um princesa, mas insiste em aproveitar seus momentos de descanso cavalgando e treinando arco e flecha, odeia usar os vestidos que sua mãe quer que ela use, vive suja e despenteada – os cabelos da personagem não ajudam nenhum pouco -, é excêntrica, e, o principal das discussões, não quer, de forma alguma, se casar com um dos homens que estão disputando sua mão em um torneio que ela considera idiota e ultrapassado. Dessa forma, Merida e Elinor não param de brigar um segundo, imprudentemente, a jovem pede para que uma bruxa mude sua mãe para que ela permita que a idéia do casamento seja repensada e esquecida; a feiticeira dá um bolinho para Merida, que deve fazer com que sua mãe o coma, a rainha come e vira um urso, o resto do longa gira em torno de fazer Elinor voltar a ser uma humana – antes do nascer do sol do segundo dia, do contrário, ela será sempre um urso – e fazer a relação mãe e filha se tornar algo mais agradável, enquanto o pai de Merida convence os Lordes a esperarem pelas decisões de Elinor. Aliás, o pai de Merida e os Lordes são outra péssima peculiaridade do filme: são vikings imbecis que jamais conseguiriam cuidar deles mesmos, quem dirá de um reino.


Desde que “Valente” foi lançado tive extrema vontade de assistir o filme, o início do longa é bom – a única decepção é o pai de Merida -, mas o filme vai se degringolando e não nos mostra nada de novo. Os acostumados com filmes como os últimos vencedores do Oscar – “Rango” (2011), “Toy Story 3” (2010), “Up – Altas Aventuras” (2009), “Wall-E” (2008), “Ratatouille” (2007) -, entre tantos outros trabalhos realizados a ponto de serem melhores que os filmes de longa metragem com seres humanos, irão se decepcionar muito com “Valente”. Não que o filme não seja bom – até por que -, mas já vimos coisas parecidas e outras que superam muito a qualidade deste. E filme é divertido e um pouco inspirador, nada além disso, e confirmo: não merecia nem estar entre os cinco indicados na categoria de melhor animação do Oscar, quem dirá ser o melhor filme de 2013 do gênero.


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113. BATMAN BEGINS, de Christopher Nolan

O início da melhor narrativa sobre uma lenda!
Nota: 9,5


Título Original: Batman Begins
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Chritian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Gary Oldman, Cillian Murphy, Rade Serbedzija, Rutger Hauer, Jack Gleeson
Produção:
Roteiro: Christopher Nolan, David S. Goyer e Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2005
Duração: 140 min.
Gênero: Drama / Thriller

 Bruce Wayne perde os pais quando criança, desolado por todos os problemas que acaba enfrentando pela perda, decide seguir os passos do pai: exterminar os vilões em Gothan City e acabar com a pobreza. Para isso, decide viver com os pobres e ser preso para aprender a lutar e vencer os tais vilões. Todavia, não é tão fácil assim controlar os crimes da cidade mais importante do mundo, mesmo sendo um playboy bilionário tão popular. Nesse contexto, Wayne cria sua nova identidade: baseado em seus maiores medos e receios surge “Batman”.


Os filmes que envolvem o nome do heroi Batman vão bem além dessa série produzida por Nolan: em 1943 e 1949 foram ao ar as séries para televisão “The Batman” e “Batman & Robin”; em 1966 estreou o primeiro longa para cinema, protagonizado por Adam West, Burt Ward, Cesar Romero e Lee Meriwether; entre o final da década de 1980 e durante a década de 1990, surgiu no cinemas de todo o mundo a tetralogia iniciada por Tim Burton – que permaneceu nos primeiros dois filmes –: “Batman” (1989) com Michael Keaton como o heroi e Jack Nicholson em seu eterno Coringa e venceu o Oscar de melhor direção de arte, “Batman Returns” (1992) ainda com Michael Keaton, e contando com as participações de Michelle Pfeiffer e Danny DeVito; em 1995 chegou “Batman Forever”, onde Keaton foi substituído por Val Kilmer, ainda chegaram no elenco Chris O’Donnell, Jim Carrey e Tommy Lee Jones; por fim, a pior de todas as produções protagonizadas pelo Homem Morcego, “Batman & Robin” (1997), liderado por George Clooney no papel de Wayne, o elenco dispunha de Arnold Schwaznegger, Uma Thurman, Alicia Silverstone, recebeu inúmeras críticas negativas pelas insinuações homossexuais entre os protagonistas que viraram motivo de piada no mundo todo, além de seu tom irônico de mal gosto e sua abordagem toyetic. Christopher Nolan, além desse filme, nos deu o prazer de realizar mais dois longas  (com rumores de futuras produções), são eles: “Batman - O Cavaleiro das Trevas” (2008), protagonizado por Christian Bale, o melhor Batman de todos, além de Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, e Heath Ledger (como o Coringa, papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante) e, por fim, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), com Bale, Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway e Marion Cotillard. Tendo em vista os resultados dos filmes anteriores a esse e a forma como a crítica e o público crítico recebeu os filmes realizados durante a década de 1990, não há como contestar a genialidade de Nolan ao nos trazer de volta para Gothan City e nos fazer querer estar lá o tempo todo, claro que tudo não é mérito apenas do diretor, temos roteiros criativos e intrigantes, a edição/montagem das cenas nos leva ao ápice do que um filme de ação pode proporcionar, a trilha sonora de Hans Zimmer é do tipo inesquecível e as atuações apenas melhoram a cada filme.


A decisão de entregar nas mãos de Christian Bale o papel de um dos herois mais adorados e mais bem sucedidos da história foi a maior sacada da carreira de Nolan. Juntos, ator e diretor criaram uma personagem atormentada por seu passado, com receio do futuro e desejosa de um presente melhor a todos os habitantes da cidade na qual é considerado um “príncipe”, mas mais que isso: Bale nos apresenta um heroi humano, sem qualquer super poder, um homem que lutou e se dedicou para chegar ao ponto de ser considerado um heroi para toda sua cidade, um homem forte e destemido, capaz de vencer qualquer obstáculo para melhorar a vida de todos. Katie Holmes é a mocinha desse filme, claro que todos os filmes de herois precisam de mocinhas para atrapalhar, ajudar ou, ao menos, serem a desculpa de o heroi lutar contra seus inimigos, Rachel Dawes (personagem de Holmes) é uma moça inteligente que também não se rendeu ao tentador mundo do crime, das bajulações e da propina, apesar de ser pouco relevante, a atriz faz seu trabalho com segurança e competência. Liam Neeson é um dos “vilões”, Ducard o misterioso professor de luta e sobrevivência de Wayne, e Cillian Murphy é o Dr. Crane, mais um vilão terrível, como acontece nos demais longas de Nolan, um deles deveria ser um bom ator como vilão e o outro nos traria uma péssima atuação, o fato é que nenhum dos dois está bem. Bem como não há Piu-Piu sem Frajola ou fogueira sem brasa, não há Batman de Christopher Nolan sem um, ou mais, das personagens mais cativantes dos filmes: Gary Oldman é o policial Jim Gordon, Morgan Freeman é o gênio Lucius Fox e Michael Caine, o inesquecível mordomo de Wayne, Alfred, não há nenhuma palavra que defina melhor a atuação de cada um deles que não seja “perfeição”, pois cada um caiu como uma luva em Gothan City para viver as personagens mais queridas da trama.


Quando criança, Bruce Wayne caiu em um poço seco, segundos após sua queda, milhares de morcegos voaram em sua direção e subiram para a luz que vinha lá de cima do poço. Pouco tempo depois, o menino perdeu o pai e a mãe em um assalto premeditado – mais pareceu uma morte encomendada forjada de assalto. Desolado, o jovem tornou-se desejoso de vingança, todavia, os ensinamentos de seu bom pai o fizeram enxergar além disso tudo. Das profundezas dos maiores medos e receios de um menino, surgiu um homem disposto a lutar, literalmente, contra o mal e dar vida, novamente, a cidade que seus pais tanto amavam e esperavam. Além dessas mensagens básicas que as histórias relacionadas a Batman sempre nos trouxeram – significado e importância da amizade, a necessidade de se vencer os medos, a beleza de fazer algo de útil para o restante da humanidade -, esse filme tem por objetivo maior uma única coisa: mostrar que, finalmente e agradavelmente, Batman, o Homem Morcego, está de volta e em sua melhor performance!


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