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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

055. GANGUES DE NOVA YORK, de Martin Scorsese

Em um de seus maiores filmes, o maior diretor da história do cinema revela as mãos, o sangue e a corrupção que construíram a América e todo o resto do mundo.
Nota: DEZ


Título Original: Gangs Of New York
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Daniel Day Lewis, Carmeron Diaz, Jim Broadbent, John c. Reilly, Henry Thomas, Leam Neeson, Brendan Gleeson, Gary Lewis, Stephen Graham, Eddie Marsan, Alec McCowen, David Hemming, Mychael Byrne
Produção: Alberto Grimaldi, Harvey Weisntein, Bob Weinstein,
Roteiro: Jay Cocks, Steven Zaillian, Kenneth Lonergan e Herbert Asbury (romance)
Ano: 2002
Duração: 167 min.
Gênero: Drama / Crima / História

Em 1847, irlandeses e nativos americanos brigavam pela região dos Cinco Pontos em Nova York. Durante a rápida batalha, o líder dos irlandeses, Padre Vallon, é assassinado brutalmente pelo líder dos nativos, Bill “O Açogueiro” Cutting. Após 16 anos, em plena Guerra da Secessão nos Estados Unidos, o filho de Vallon, Amsterdam, infiltra-se na gangue de Bill com o intuito de esperar a hora perfeita para matá-lo em frente a todos os seus seguidores. Entretanto, muito mais que apenas uma vingança está em jogo: a cidade de Nova York passa por mudanças que afetarão a todos seus habitantes.


Martin Scorsese já tem uma marca bem conhecida na sétima arte: seu amor e louvor por sua cidade natal, Nova York. Aqui, o diretor nos revela o passado sujo, nada glamoroso e totalmente desonesto dessa que se tornou a cidade mais importante do mundo. Para começar, temos a revelação de que a cidade era controlada por gangues terríveis que mandavam e desmandavam da forma que achavam melhor – posteriormente, isso seria papel das grandes famílias italianas, mafiosos vistos em longas como “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”. Além disso, os lados no início da trama dividem-se entre católicos (irlandeses) e protestantes (americanos), denotando como a América foi construída por tantas pessoas diferentes. Após passarem os 16 anos, não mudou muita coisa, todavia, é Bill quem comanda todo o local, sob o comando do político Tweed William ‘Boss’, outro homem sem honra ou dignidade alguma. Durante o longa, conferimos os defeitos do sistema criado na “Nova Inglaterra”, vemos as guerrilhas dentro da própria Nova York que pedem por melhoria no país e clamam pelo fim da Guerra da Secessão que deixou algumas famílias do país desoladas. Ainda podemos refletir um pouco sobre como toda a cidade de Nova York estava confusa, como tudo era uma bagunça ao passo que, enquanto imigrantes chegavam vindos da Itália, por exemplo, os “filhos da América” eram obrigados a pegar em armas e lutar por seu país. Por fim, nada que mude com o sistema corrupto e vigente da época pareça ser bem vindo, deixando com que a lei do mais forte e do mais esperto se sobreponha ao justo e honesto. Curiosamente, vale lembrar que Tweed ‘Boss’, um personagem real da história americana (assim como muitos outros personagens dessa história, incluindo Bill, que foi baseado em personagem real da época), bem como sempre aconteceu com os grandes políticos da história, não suja suas mãos com sangue, deixa isso para seus “milhares de açougueiros”, reservando-se ao direito de utilizar suas mãos apenas para contar seus dólares.


Algumas pessoas gostam de apontar os defeitos desse filme falando sobre a falta de realidade de algumas batalhas durante a trama, dizer que esse ou aquele ator parece estar no filme para debochar de uma produção tão ridícula e que todo o enredo não possui nexo algum. Defeitos existem nesse filme, mas são poucos comparados com a beleza estética e com a grandiosidade das interpretações de atores muito bem selecionados que passam desapercebidos. Não digo isso apenas por ser um admirador e defensor inquestionável do estilo e do trabalho de Martin Scorsese, digo isso por que acredito que um trabalho tão minucioso como esse deve ser valorizado como merece. Portanto, aponto como o elenco é bom escolhido, aponto como o figurino está belo (principalmente por ser tão característico com os costumes de cada povo), aponto a falta de pudor de Martin ao mostrar Nova York como ela realmente era, sem fazer rodeios ou enrolar o espectador, aponto como o diretor tem a facilidade de alternar cenas de lugares sombrios para lugares claros, de lugares abertos para lugares fechados. Nesse contexto, também sou obrigado a apontar que poucos filmes possuem mais de 160 minutos, como esse, e conseguem fazer com que o assistamos sem monotonia, sem querer que tudo acabe logo. O fim demora a chegar, mas ele vem de forma tão agradável que nos divertimos do começo ao fim (e acredito que um dos maiores trunfos seja trazer personagens reais e eventos reais que acorreram nos EUA). Por fim, aponto a genialidade da trilha sonora composta por Howard Shore, que mistura gêneros e ritmos típicos de todas as culturas que colonizaram os EUA, comprovando, mais uma vez, a miscigenação da América, destaque para a canção do U2 “The Hands That Built America”.


Essa é a primeira parceria entre Leonardo DiCapio e Martin Scorsese, o ator vive Amsterdam, um jovem sedento por vingança que está disposto a tudo para fazer justiça com as próprias mãos. Mesmo que o ator já estivesse perto de completar 30 anos na época em que o longa foi filmado, ele consegue trazer um pouco da infantilidade do personagem por ser jovem, o que se contrasta com a maturidade do rapaz por ter sido criado sozinho no mundo. Daniel Day-Lewis vive Bill Cutting de forma realmente debochada, mas não é que o ator deboche do filme, ele satiriza a forma absurda como funcionava o sistema na época; como de costume, Day-Lewis está excelente no papel, conseguindo a façanha de nos confundir se ele é o vilão da história, ou se apenas está fazendo o que deve ser feito, afinal, é a lei da selva e da guerra: ou você mata, ou você morre. Cameron Diaz é a mocinha da vez (por que nenhum filme pode ser composto apenas por homens), Jenny, uma mulher sedutora que tem como mania roubar os outros; mesmo que eu tenha o costume de não gostar de nenhuma mocinha de qualquer filme americano, essa não é uma garota comum, Diaz dá à personagem um caráter forte de uma mulher que já passou por poucas e boas e não é nenhuma santa. Jim Broadbent, um dos melhores atores ingleses de sua época, é William Tweed, como disse, um homem que não suja suas mãos e a atuação de Broadbent fica ainda mais bela quando vemos a despreocupação dele em relação ao bem estar da população, dando prioridade às eleições em qualquer circunstância.



“Gangues de Nova York”, semelhante a “Taxi Driver”, também de Scorsese, mostra o lado escuro de Nova York, diferentemente de “Taxi”, que aborda os problemas e a escória da cidade no Século XX, “Guangues” traz um panorama de NY quando a cidade ainda estava se formando. Sendo assim, um filme acaba completando o outro – como a maioria dos longas do diretor que retratam a cidade -, pois um fala sobre a criação de todo o sistema governamental e da chegada de diversos povos até a América, e o outro nos mostra como a cidade se tornou suja e nos apresenta a escória que começou a ser formada séculos atrás, por uma marginalização provocada pelos poderosos da época. Mesmo que esse tenha sido o momento de Martin mostrar, da forma mais nua e crua possível, como Nova York não foi criada baseada em pilares democráticos e politicamente corretos, a beleza do filme não se perde, afinal, é mais um momento na carreira desse diretor brilhante em que ele satiriza e critica a forma tosca como o ser humano deixa que outras pessoas o controlem. E mais: mostra como todas as cidades do mundo, sejam pequenas, sejam as mais importantes do planeta, possuem seu passado negro de obscuridade e vermelho de sangue.


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domingo, 24 de fevereiro de 2013

087. (ESPECIAL OSCAR 2013) LINCOLN, de Steven Spielberg


A prova de que a palavra impulsionou o primeiro passo para os Estados Unidos da América serem governados por um negro.
Nota: 9,7



Título Original: Lincoln
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee-Jones, Jooseph Gordon-Levitt, David Strathairn, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Bruce McGill, Tim Blake Nelson, Joseph Cross, Jared Harri, Lee Pace, Peter McRobbie, Gulliver McGrath, Gloria Reauben
Produção:  Steven Spielberg, Kathleen Kennedy
Roteiro: Tony Kushner e Doris Kearns Goodwin (livro)
Ano: 2012
Duração: 150 min.
Gênero: Biografia / Drama

Abraham Lincoln, nascido em 12 de Fevereiro de 1809, foi o 16º presidente dos Estados Unidos da América, entre março de 1861 até abril de 1865. Foi durante seu governo que se deu a Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra da Secessão, que matou quase um milhão de pessoas, e culminou na abolição da escravidão naquele país. Lincoln era de família simples, e teve de lutar para estudar e sobreviver, trabalhando em uma fazenda e em uma loja em Ilinois. Antes de se tornar presidente, passou pela Assembléia Legislativa do Estado de Ilinois e foi advogado. Com o colapso do partido Democrata em 1960, a eleição a presidência foi fácil. Dono de discursos famosos, Lincoln foi um dos mais importantes presidentes dos EUA, e um dos mais conhecidos no restante do mundo, foi casado desde 1842 com Mary Todd, com quem teve três filhos. Em 14 de abril de 1865, um ator que desejava ajudar os sulistas, assassinou Lincoln. Sua morte provocou também a morte da possibilidade de paz nos EUA.


No filme, Lincoln acaba de ser reeleito como presidente dos Estados Unidos da América, o país vive o terror da grande Guerra Civil e o presidente ainda precisa lidar com as loucuras de sua esposa, que jamais superou a perda do filho mais velho do casal. Em contra ponto, Lincoln vive bons momentos ao lado de seu filho mais jovem, o único ser humano perto do presidente que ainda tem alguma inocência. Para completar, a chegada de seu outro filho, que deseja ingressar no exército, acaba abalando todos os alicerces de sua vida pessoal, pois a esposa não aguenta a possibilidade de perder outro filho. Mas o maior centro de toda a trama fica a cargo da aprovação da 13ª Emenda na Constituição Americana, que previa a abolição dos escravos.


Steven Spielberg, vencedor de 3 Oscars é o tipo de diretor que dispensa apresentações, ficou conhecido pelo público com “Tubarão” (1975), depois vieram “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) e “E.T. – O Extraterrestre” (1982), e logo mais e mais clássicos do cinema moderno. Dessa forma, quando um homem como Spielberg decide dirigir um longa sobre alguém como ‘Lincoln”, as expectativas são as maiores possíveis. É preciso esclarecer minha opinião a respeito do diretor: acho seu trabalho incrível, tecnicamente falando, seus filmes são impecáveis e pouco posso dizer de negativo sobre isso, todavia, não gosto de grande parte dos gêneros do diretor, é claro que “E. T.” fez parte de minha infância, assim como os filmes de Indiana Jones fazem parte de minha vida, no entanto, sua preferência por filmes históricos de guerra e filmes de ficção se distanciam do bom e velho drama que sou mais habituado. Tento em vista tais características, quando ouvi que esse filme seria sobre os anos da Guerra Civil Americana, logo tive a certeza de que veríamos guerras para todos os lados e que acharia o filme mais uma grande produção, muito bem feita, mas que não ficaria satisfeito com seu resultado. Confesso: foi tudo muito diferente. “Lincoln” não trata de como ocorreu ou o que culminou a Guerra Civil, muito menos das batalhas em si, e sim, como o grande presidente governou durante seu tempo na Casa Branca: usando a palavra, convencendo as pessoas sem utilizar força bruta, e sim usando toda sua lábia com seus discursos e suas histórias incríveis. Além disso, é apresentada a conturbada relação entre ele e sua esposa, não que os dois não se amassem, muito pelo contrário, mas a morte do filho do casal e todo o poder e inveja que vem com a presidência, fizeram com que tudo fosse mais complicado e Mary tivesse momentos loucos em sua vida. Por fim, o longa é sobre como Lincoln tentou convencer todos de que abolir a escravidão era a melhor forma de o país seguir em frente na história, considerando todos como iguais perante a lei.


Esse ano, “Lincoln” é o mais indicado ao Oscar, no total 12 categorias: melhor filme, apesar de ser um dos meus favoritos, provavelmente vá perder para “Argo”, a não ser que o público americano se comova com toda essa bela homenagem e se torne a surpresa do ano; melhor direção para Steven Spielberg, o diretor é sempre um dos favoritos quando indicado, e, levando em consideração a falta de Bem Affleck na categoria, tem grandes chances de vencer; melhor roteiro adaptado para Tony Kushner, o grande favorito na categoria, provavelmente leve o prêmio; melhor ator para Daniel Day-Lewis, falta apenas o ator ir receber o prêmio e falar seu discurso, pois a estatueta já deve ter seu nome; melhor atriz coadjuvante para Sally Field, como a esposa de Lincoln ela está ótima e merece o prêmio, mas, provavelmente, vai perdê-lo para Anne Hathaway, que encantou ao entoar a famosa “I Dreamed a Drem” em “Os Miseráveis”; melhor ator coadjuvante para Tommy Lee Jones, sempre que o ator é indicado a um prêmio se torna o favorito, está entre ele e Christoph Waltz, por “Django Livre”, ambos merecem e não sei para quem torcer; melhor fotografia para Janusz Kaminski, meu favorito e o provável vencedor, isso se “As Aventuras de Pi” não atrapalhar; melhor figurino para Joanna Johnston, apesar da beleza e da perfeição, acredito que “Anna Karenina” leve o prêmio; melhor edição para Michael Kahn, também um dos favoritos, mas o prêmio irá para “A Hora Mais Escura”; melhor trilha sonora para o compositor John Williams, são mais de 40 indicações ao Oscar, preciso dizer mais além de que ele é um dos favoritos?; melhor direção de arte para Jim Erickson e Rick Carter, provavelmente perca para “Anna Karenina”; e melhor mixagem de som para Andy Nelson, Gary Rydstorm e Ron Judkins, apesar de ser excelente, acredito que “007 – Operação Skyfall” vença esse.


Daniel Day-Lewis, já disse isso várias vezes, é um dos melhores atores vivos do mundo, e isso se deve, além de seu talento nato, ao fato de ele ser visto em filmes com grande intervalo de tempo, aceitando participar de poucas produções ruins, e sem nenhuma atuação menos que excelente nas últimas duas décadas. Como a figura de Abraham Lincoln, Day-Lewis está, se considerarmos sua maquiagem, gestos e feições perfeito, mas o que mais surpeende é como ele apresenta cada discurso do presidente, como se fossem grande monólogos, divertidos e assistidos por dezenas ou centenas de pessoas, é como se tanto o personagem quanto o ator fossem natos contadores de histórias, que sentem prazer em falar e se expressar. Sally Fields, oriunda de diversas séries de televisão e do clássico “Forrest Gump, o Contador de Histórias” (1994) vive Mary Todd, uma mulher que ainda ama o marido e deseja que tudo de certo em sua vida profissional, mas que jamais superará a morte do filho e acaba culpando Lincoln por tudo o que aconteceu de ruim na vida dos dois, é de Field o papel de trazer a realidade pessoal dessa figura tão enigmática e adorada que foi o 16º presidente dos Estados Unidos, além disso, a atriz consegue trazer as loucuras de Mary pelo filho e as contrapor com a racionalidade da personagem, que deve se portar decentemente como a primeira dama do país, em uma cena ótima ela questiona a personagem de Tommy Lee Jones pelas investigações sobre seus gastos para arrumar a Casa Branca que estava em ruínas quando eles se mudaram. Joseph Gordon-Levitt é o filho do casal que acaba de chegar, Robert Lincoln, um jovem que deseja entrar para o exército e fazer alguma coisa por seu país, apesar de sua boa atuação, Gordon-Levitt aparece pouco no filme e não tem a chance real de mostrar todo seu potencial, mas a participação não passa despercebida e é totalmente válida. No entanto, uma participação pra lá de incrível é a de Tommy Lee Jones, que aparece pouco nos primeiros momentos do longa, mas que ganha destaque e rouba as cenas em que aparece como Thaddeus Stevens, um homem que deseja, mais que tudo, abolir a escravidão e dar aos negros os mesmos direitos que os brancos possuem, a última cena de Jones é a mais bela de todo o filme e o diálogo com Daniel Day-Lewis após a pequena discussão com a primeira dama é aquele tipo de cena inesquecível, um duelo onde os dois intérpretes saem vencedores.


“Lincoln” não é o filmes mais indicado ao Oscar á toa, se for o grande vencedor da noite  de hoje também será muito merecido, pelo fato de Spielberg, finalmente, encontrar o estilo perfeito para suas produções: uma biografia clássica de um heroi real da história da humanidade, que teve de passar por uma difícil Guerra para provar sua real eficiência. No final das contas, Spielberg me surpreende e me conquista em um dos grandes filmes do ano, um dos prováveis maiores vencedores dos últimos anos na cobiçada premiação da academia. Confesso que não acredito na possibilidade de muitos diretores realizarem um trabalho tão belo e amplo, pois de forma inacreditável, fica a cargo de Steven Spielberg produzir um filme que fala de política, guerras, lutas das mais diversas, traumas, amores, paixões, desejos, vingança e, sobretudo, a inquestionável luta para atrubuir igualdade a todos os seres humanos, independente de sua cor, raça, opção sexual ou gênero sexual. Em uma das mais inteligentes passagens do filme, o personagem de Tommy Lee Jones, que defendia todas as igualdades a todos os negros, defende que todos devemos ser iguais perante as leis, mostrando a maestria com a qual se contra disse apenas para poder realizar seu sonho e convencer a todos que a Emenda devia ser aprovada. Quanto ao papel de Lincoln em toda a história, bem, seu nome e seus discursos já falam por si só.


Abaixo fiz uma relação dos prováveis vencedores em cada categoria do Oscar 2013, da seguinte forma, o primeiro nome é o provável ganhador, minha aposta para o vencedor, o segundo é o que eu realmente gostaria que eu ganhasse, o que eu considero o melhor do ano:

Melhor Filme
Aposta: Argo
Meu Favorito: O Lado Bom da Vida

Melhor Direção
Aposta: Steven Spielberg
Meu Favorito: David O. Russell / Steven Spielberg

Melhor Ator
Aposta: Daniel Day-Lewis
Meu Favorito: Daniel Day-Lewis

Melhor Atriz
Aposta: Jessica Chastain
Meu Favorito: Emmanuelle Riva

Melhor Ator Coadjuvante
Aposta: Christoph Waltz / Tommy Lee Jones
Meu Favorito: Christoph Waltz / Tommy Lee Jones

Melhor Atriz Coadjuvante
Aposta: Anne Hathaway
Meu Favorito: Anne Hathaway / Helen Hunt

Melhor Animação
Aposta: Detona Ralph
Meu Favorito: Frnkenweenie

Melhor Roteiro Adaptado
Aposta: Argo
Meu Favorito: O Lado Bom da Vida

Melhor Roteiro Original
Aposta: A Hora Mais Escura
Meu Favorito: A Hora Mais Escura

Melhor Direção de Arte
Aposta: Anna Karenina
Meu Favorito: Lincoln

Melhor Figurino
Aposta: Anna Karenina
Meu Favorito: Anna Karenina

Melhor Maguiagem
Aposta: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada
Meu Favorito: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada

Melhor Trilha Sonora
Aposta: Lincoln
Meu Favorito: Anna Karenina

Melhor Canção Original
Aposta: “Skyfall”
Meu Favorito: “Skyfall”

Melhor Fotografia
Aposta: Django Livre
Meu Favorito: Lincoln

Melhor Montagem
Aposta: A Hora Mais Escura
Meu Favorito: O Lado Bom da Vida

Melhor Edição de Som
Aposta: 007 – Operação Skyfall
Meu Favorito: 007 – Operação Skyfall

Melhor Mixagem de Som
Aposta: Argo
Meu Favorito: 007 – Operação Skyfall

Melhor Filme Estrangeiro
Aposta: Amor
Meu Favorito: Amor

Melhor Efeitos Especiais
Aposta: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada
Meu Favorito: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada

Melhor Documentário:
Aposta: Searching For a Sugar Man
Meu Favorito: Não assisti nenhum

Melhor Curta Metragem de Animação
Aposta: The Simpsons: The Longest Daycare
Meu Favorito: The Simpsons: The Longest Daycare

Melhor Documentário em Curta Metragem
Aposta: Inocente
Meu Favorito: não assisti nenhum

Melhor Curta Metragem
Aposta: Asad
Meu Favorito: não assisti nenhum
  

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

116. O ÚLTIMO DOS MOICANOS, de Michael Mann

 Um dos filmes, visualmente, mais belos do cinema.
Nota: 9,0


Título Original: Michael Mann
Direção: Michael Mann
Elenco: Daneil Day-Lewis, Madeleine Stowe, Russell Means, Eric Shweig,
Produçaõ: Hunt Lowry e Michael Mann
Roteiro: Michael Mann, Christopher Crowe, John L. Balderston, Paul Perez, Daniel Moore, Philip Dunne (roteiro de 1936) e James Fenimore Coopper
Ano: 1992
Duração: 112 min.
Gênero: Drama / Romance / Aventura

Em meio à Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763) travada entre os franceses que viviam no Canadá e os ingleses que viviam nos EUA, pela colônia da Inglaterra, Nathaniel – um branco adotado por um moicano -, Chingachgook – o pai adotivo – e Uncas – o filho de Chingachgook -, decidem não participar do confronto. Entretanto, por meio das forças do destino, um grupo de oficiais ingleses é traído e atacado por nativos que estavam mancomunados com os franceses. Ao salvar o que restou desse grupo – Major Duncan Heyward e as filhas do Coronel Edmund Munro, Cora e Alice -, fica claro que a vida de todos mudará drasticamente.


As guerras e conflitos antes, durante e depois da Independência dos Estados Unidos da América – antiga colônia da Inglaterra -, exterminaram com os índios do país, isso, por que o povo europeu, obviamente, acreditava ser superior aos reais nativos da região. Apesar de o longa envolver um belo romance entre Cora e Nathaniel, é exatamente dos índios e de sua exterminação nos EUA que esse filme trata. Por um ângulo, vemos a cultura dos nativos, seus ritos – logo na abertura do filme eles matam um animal, mas, antes de mais nada, agradecem aos Deuses e pedem para que os mesmos recebam a alma do bicho -, suas crenças e suas tradições. Em contraste a isso, assistimos a triste humilhação deles para com eles mesmos, pois descobrem que precisarão estar ao lado de um dos homens brancos para lutar pelo país, de outra forma, serão mortos, por outro lado, os índios lutam sem ter certeza alguma de seu destino, se serão mortos, se poderão permanecer como livres ou escravos ou se poderão seguir com suas vidas normalmente sem perturbar os colonizadores.


Michael Mann, triplamente indicado ao Oscar por “O Informante” (1999) e diretor de “Fogo Contra Fogo” (1995), “Colateral” (2004) e, mais recentemente, “Inimigos Públicos” (2009) tem, em “O Último dos Moicanos”, se não o seu melhor trabalho, o mais belo, afinal, por ser uma guerra ambientada em meio ao continente norte-americano ainda sem ter sido desbravado, estamos em uma selva imensa sem cidade alguma, além disso, os fortes e trincheiras das batalhas são o que há de mais próximo de civilização por perto. Nesse contexto, a fotografia do longa, de Dante Spinotti – indicado ao Oscar por “Los Angeles – Cidade Proibida” (1997) e “O Informante”-, é uma das mais belas já vistas, sendo possível compará-la com a trilogia épica de “O Senhor dos Aneis” – claro que tudo com mais sobriedade e simplicidade, afinal, estamos em um mundo totalmente real chamado Estados Unidos da América -, mas não se pode negar que o trabalho de Spinotti está fantástico. Se existe alguma coisa pela qual Randy Edelman deve agradecer a Deus é por ter tido a chance de encarar a trilha sonora desse filme, isso, por que não há absolutamente nenhum filme em sua carreira, além desse, que a salve de ser uma completa catástrofe, não que as trilhas sejam ruins, mas os filmes são péssimos; se por um lado os filmes da carreira de Edelman são ruins, vemos o contrário na carreira de seu parceiro no longa, Trevor Jones.


O inglês Daniel Day-Lewis vive Nathaniel, um homem branco criado por índios que jamais renegou o que os nativos fizeram por ele. Sua interpretação é rica ao mostrar a grande diferença entre ele e os demais brancos que lutam na guerra: Nathaniel compreende o povo indígena, e mais, luta por eles como se lutasse por seu próprio povo, afinal, ele vê os moicanos como sua própria família; além disso, poucos atores conseguem tanta naturalidade quando Lewis ao retratar qualquer personagem, e, talvez, seja por isso, que o ator não é visto em filmes e mais filmes a cada ano, nesse contexto, todas as suas interpretações se tornam ótimas. Madeleine Stowe é a jovem Cora, logo no início do longa ela parece apenas uma bela mulher, daquelas idiotas típicas desse tipo de filme, no estilo Scarlett O’Hara em “... E O Vento Levou” (1939), todavia, o que nos é apresentado é uma jovem inteligente e corajosa, que não tem medo de enfrentar a guerra pelas pessoas que ama ou por si própria. Um dos maiores trunfos da história se dá no romance entre as personagens de Lewis e Stowe, isso, por que, não vemos aquele tipo chato de romance entre duas pessoas apaixonadas sem pensar em todas as consequências do que fazer, Nathaniel e Cora são racionais e sabem que isso é preciso, afinal, eles estão em uma guerra. A sobriedade e a clareza que somente almas mais velhas possuem toma conta da atuação de Russell Means, que vive o patriarca Chingachgook, o ator nos traz algo singelo, sem muito a ser dito além das óbvias referências aos índios, mas quando é preciso o ator mostrar o sofrimento e a dor, ele o faz com uma classe incomparável. Em contra ponto aos mocinhos citados a cima, temos Magua, um detestável traidor, o típico vilão que não está fazendo nada por seu país (como os franceses ou ingleses, que lutam pela sobrevivência e pelo patriotismo às suas respectivas nações), ele luta por vingança, e é nisso que consiste a beleza da interpretação de Wes Studi.


Guerra, vingança, paixão, família e tradição foram os centros de muitos filmes da história da Sétima Arte, entretanto, poucos atingem a proeza de abordar todos eles em apenas uma história entrelaçando fatos e acontecimentos, reais ou fictícios, formando um roteiro rico, que, por sua vez, traz a possibilidade de grandes atuações, com tanto que tenhamos uma boa direção. Tudo isso, é visto em “O Último dos Moicanos”, um filme com certa simplicidade em seus fatos, mas que propõe reflexões e nos apresenta o mais belo de uma cultura há muito destruída e marginalizada. Acrescente a isso, volto a destacar o romance entre os protagonistas: não é preciso beijos e cenas quentes de um sexo sem compromisso, cheio de paixão e desejo, Nathaniel e Cora mostram o amor que sentem um pelo outro apenas com olhares. E se todo o restante do filme serve apenas como pano de fundo para a história do casal, que seja, ao menos uma produção é séria o suficiente para mostrar como um amor pode ser realmente verdadeiro.


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segunda-feira, 9 de julho de 2012

255. NINE, de Rob Marshall

Apesar de uma bela estética e um elenco incrível, o filme não passa de uma tentativa frustrada de inovação do gênero.
Nota: 7,0


Título Original: Nine
Direção: Rob Marshall
Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Sophia Loren, Kate Hudson, Judi Dench, Nicole Kidman, Satcy Ferguson (Fergie)
Produção: Harvey Weinstein, Bob Weinstein, Rob Marshall, Marc Platt, John DeLuca
Roteiro: Michael Tolkin, Anthony Minghella, Arthur Kopit (musical teatral), Maury Yeston (musical teatral) e Mario Fratti (musical teatral italiano)
Ano: 2009
Duração: 118 min.
Gênero: Drama / Musical

Guido Contini é um cineasta italiano que está tentando terminar de escrever o roteiro de seu próximo grande filme, em meio a suas tentativas frustradas e seus problemas no trabalho, ele enfrenta problemas sociais e relembra das mulheres de seu passado e vive com as de seu presente. No passado temos: sua mãe e a mulher que o iniciou sexualmente, Saraghina; no presente a amante Carla e a jornalista Stephanie; e as que fizeram seu passado e fazem seu futuro, provavelmente as mais importantes para a trama, a atriz e musa Claudia, a excêntrica figurinista de seus filmes Lilli e sua esposa, que também já foi atriz, Luisa Contini, e com a qual Guido não consegue deixar de viver por ser a única que o suporta do jeito que ele é. Guido, em meio a seus pensamentos, terá de tomar decisões sobre o que deseja para seu futuro e abrir mão de algumas coisas que ele considera de extrema necessidade.



A carreira de Rob Marshall andava as mil maravilhas: o musical “Chicago” (2002), seu primeira longo, ganhou seis Oscars, incluindo melhor filme e atriz coadjuvante para Catherine Zeta-Jones, além de sete indicações para a mesma premiação, incluindo melhor direção; “Memórias de uma Gueixa” (2005), não fez tanto sucesso na Academia, levou três das seis indicações, mas foi um sucesso de crítica e público. Por que um diretor que está com sua carreira indo tão bem resolve realizar um filme como “Nine”? Se um dia souber a resposta me esclareça. Não sei se Marshall acreditou realmente no projeto e imaginou que daria tudo certo e que ele realizaria um clássico moderno dos musicais. “Nine” é um filme baseado na obra de Federico Fellini “Oito e Meio”, logo, espera-se que seja algo extremamente belo e com qualidade inigualável. O fato é que não temos nada disso. Esteticamente o filme é muito bonito sim, mas, de modo geral, a forma como os números entram na trama não se encaixam, as atuações são catastróficas e o roteiro é um saco. Aliás, esperava-se muito mais de roteiristas como Michael Tolkien, que trabalhou ao lado de Robert Altman em “O Jogador” (1992), e do vencedor do Oscar Anthony Minghella, roteirista de “O Paciente Inglês” (1996), “O Talentoso Ripley” (1999) e “Cold Mountain” (2003).
Chega a ser triste dizer que esse elenco maravilhoso é uma decepção. Daniel Day-Lewis, um dos melhores atores de sua geração, está chato, aparentemente cansado e sem vida, apesar de transmitir os anseios de sua personagem, como Guido ele é a maior desilusão do filme. Sophia Loren, a mãe de Guido, parece mais um boneco de cera, e não há mais nada nela que chegue perto de uma “tentação morena”. Kate Hudson é a jornalista Stephanie, a atriz aparece, dá em cima de Guido, faz seu showzinho sem noção e pronto, sem mais nem menos ela some. Nicole Kidman, a musa Claudia, compete com Loren para ver quem está mais artificial, apesar de gostar da triz, devo admitir que ela está terrível no filme. Fergie, o que dizer sobre ela, simplesmente não sei o que ela está fazendo nesse filme, ela é Saraghina, uma personagem sem muito a ser revelado, que, bem como Stephanie, aparece, dança, canta e nunca mais volta. Judi Dench, Lilli, está aqui para tentar salvar o elenco, mas mesmo ela não está bem em uma personagem que é a sua cara. Penélope Cruz, indicada ao Oscar, merece nossa atenção, é a amante Guido, Carla, uma mulher apaixonada que não entende nada da vida, mas que quer Guido a todo custo, o número musical da atriz é um dos melhores do filme, ela é sexy, provocante e extremamente latina. Marion Cotillard, é por quem vale a pena assistir ao filme, ela é a esposa de Guido, Luisa, uma mulher que ama seu marido, mas não suporta mais o fato de ele viver para seus filmes e para outras mulheres enquanto ela sacrificou tudo o que mais prezava por ele, Cotillard é a única atriz que tem duas apresentações: na primeira, “My Husband Makes Movies”, ela é recatada e fala sobre o marido e seu trabalho, na segunda, “Take It All”, ela joga tudo para cima e mostra ao marido os seus valores como a bela mulher que ela é.



Esse filme é bonito artisticamente falando e mereceu as 4 indicações ao Oscar: atriz coadjuvante (Penélope Cruz), direção de arte, figurino e canção (“Take It All”), mas posso dizer, com toda a certeza, que esperava mais de toda essa produção. Afinal, junte um elenco feminino perfeito com o ótimo Daniel Day-Lewis, adapte uma peça de teatro baseada na obra de Federico Fellini, torne isso tudo um musical e espera-se algo perfeito. Pelo contrário, “Nine” é um fracasso em todos os sentidos, nem mesmo as belas e talentosas Penélope Cruz e Marion Cotillard puderam tornar esse filme algo digno de nota.



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