Mostrando postagens com marcador Charlize Theron. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Charlize Theron. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

046. JOVENS ADULTOS, de Jason Reitman

A típica comédia dramática que expõe a vida e seus problemas sem nenhuma repreensão.
Nota: 9,1


Título Original: Young Adult
Direção: Jason Reitman
Elenco: Charlize Theron, Patton Oswalt, Padrick Wilson, Elizabeth Reaser, Collette Wolfe, Jill Eikenberry, Richard Bekins, Mary Beth Hurt, Kate Nowlin, Jenny Dare Paulin
Produção: Diablo Cody, Lianne Halfon, Mason Novick, Jason Reitman, Russell Smith, Charlize Theron
Roteiro: Diablo Cody
Ano: 2011
Duração: 94 min.
Gênero: Comédia / Drama

Mavis Gary é uma escritora de livros juvenis que vive uma vida desastrosa: está divorciada, é alcoólatra e percebe que ainda é apaixonada pelo seu namorado da época do colégio. Sendo assim e decidida a mudar de vida, Mavis resolve voltar à sua cidade natal e tentar reconquistar Buddy, o antigo amor. O problema é que o cara está casado, acaba de ter uma filha e é um homem feliz. Bom, isso seria um problema para pessoas comuns, mas não parece ser um empecílho para Mavis.


Jason Reitman tem apenas 13 títulos em seu currículo, dentre eles, 6 são curtas, dois são séries e apenas 5 são longas. Todavia, é de extrema importância dizer que desses, quatro longas estão estre as melhores comédias dramáticas dos últimos dez anos. São: “Obrigado por Fumar” (2005), “Juno” (2007), “Amor Sem Escalas” (2009) e “Jovens Adultos” (2011). Recentemente, o diretor lança o drama “Refém da Paixão” (2013), com Josh Brolin e Kate Winslet. Voltando às comédias, vale lembrar que cada uma é única, e temas como contradição, escolhas, vida profissional e decadência são abordados. A semelhança entre os longas é simples: todos são comédias que mostram a vida como ela é, de forma nua e crua, sem rodeios ou tentativas de enaltecer algo que não pode ser enaltecido. Em “Obrigado por Fumar”, o protagonista faz propagandas de cigarros ao mesmo tempo em que deve induzir o jovem filho a não usar drogas, em “Juno”, uma adolescente engravida e resolve entregar seu filho a pais adotivos, em “Amor sem Escalas”, o protagonista vive demitindo pessoas pelos EUA e em “Jovens Adultos”, Mavis é uma mulher frustrada que deseja retomar o passado de onde parou e recuperar o tempo perdido. Há ainda uma coisa em comum entre todas essas histórias: os personagens são pessoas reais, com problemas reais, que precisam se conformar com suas vidas, e que não lutam de forma desesperada e dramática em excesso para mudar alguma coisa. Não que sejam histórias de pessoas conformadas, mas são pessoas que sabem que a vida podia ser bem pior. São pessoas como qualquer um de nós, ou seja, se torna impossível não fazer um paralelo com a vida real e não se identificar.


Não há como falar sobre esse longa sem falar um pouco sobre sua roteirista. Diablo Cody é uma ex-stripper que iniciou sua carreira no cinema com a história perturbadora da menina fria que resolve ter seu filho e deixá-lo com um casal bem de vida. “Juno” trouxe um Oscar para Cody e apresentou ao cinema a atriz Ellen Page. Reitman, obteve sua primeira indicação ao Oscar. Diablo ainda roteirizou a série “United States of Tara” (2009-2011), uma série incrível que contava a vida de Tara, uma mulher de várias personalidades, casada com um bom marido, mãe de uma garota à frente de seu tempo e de um jovem homossexual. A série teve um final prematuro por motivos que até hoje desconheço, mas foi um dos programas mais interessantes que já assisti, realmente perturbador e muito inteligente. Por fim, aponto a trilha sonora de Rolfe Kent como mais um trunfo do longa, pois temos músicas de todos os tipos que trazem aquela nostalgia perfeita pra esse tipo de filme.


No auge de seus 28 anos, Charlize Theron interpretou uma assassina lésbica em “Moster – Desejo Assassino” (2003). Com esse filme, a atriz ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e o SAG e consolidou sua carreira, que já estava sendo construída desde sua excelente interpretação como a perturbada Mary Ann Lomax em “Advogado do Diabo” (1997). Theron nunca foi de fazer grandes filmes, mas, quando é de desejo da atriz, ela se entrega e suas interpretações são um arraso. Foi isso o que aconteceu com “Jovens Adultos”, a atriz mostra sua capacidade de atuar do começo ao fim, sem precisar de sua beleza para chamar a atenção em qualquer cena. Os rompantes da personagem, que finge ter uma vida perfeita, são os trunfos de Theron para dar ao longa uma cara mais séria e real. Enfim, Charlize Theron está em uma de suas mais brilhantes interpretações. Patton Oswalt é um ator com centenas de trabalhos conhecidos por seus títulos na televisão, eu o havia visto apenas em “United States of Tara”. Aqui ele vive um gordinho que sofreu bulling no colégio a ponto de ter sequelas para o resto da vida. Matt Freehauf se torna o único amigo de Mavis nessa sua volta insana e será o responsável por trazer aquele drama típico de pessoas derrotadas. Patrick Wilson, um dos atores com quem mais simpatizo de sua geração, é Buddy. Wilson tem a tarefa de desempenhar o papel do bom samaritano, que superou os problemas do passado e agora vive uma vida normal e tranquila, um homem que cresceu e aceitou perder a juventude.



O que levou Mavis Gary a decidir voltar a sua cidade natal e bagunçar a vida de todos? Essa é a inevitável questão que será feita do início ao fim desse longa. Mas será que tudo o que fazemos na vida possui algum sentido ou somos vítimas de nossas própria dúvidas? Será que fazemos tudo de forma racional o tempo todo ou somos condicionados por impulsos? E esses impulsos? Surgem dessas tais dúvidas ou surgem de nossos medos e desesperos quando nossas vidas parecem perder todo o sentido? A protagonista desse longa se agarra ao seu passado, às belezas do que viveu na época do colégio para tentar disfarçar seus problemas atuais. Não julgo as loucuras de Mavis por um motivo simples: quem somos nós para julgar os atos desesperados de uma mulher que tinha tudo para ter uma vida perfeita e, também por problemas do passado, resolve tentar voltar no tempo? E é bem isso que o longa nos mostra, de forma debochada e real: é impossível regressar ao passado e recuperar o tempo perdido. Retomar de onde paramos pode ser algo viável quando duas ou mais pessoas ainda possuem os mesmos desejos de outrora. Entretanto, se existe algo que a ciência ainda não inventou é como recuperar o tempo perdido.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

sexta-feira, 15 de março de 2013

079. (ESPECIAL 0SCAR 2013) PROMETHEUS, de Ridley Scott


Visualmente é um belo filme, mas peca pela falta de originalidade.
Nota: 8,0


Título Original: Prometheus
Direção: Ridley Scott
Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Logan Marshall-Green, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Perce, Sean Harris, Rafe Spall, Emun Ellott, Benedict Wong, Kate Dickie, Branwell Donaghey, Vladimir Furdik, C. C. Amiff, Shane Steyn
Produção: David Giler, Ridley Scott, Walter Hill
Roteiro: Jon Spaihts, Damon Lindelof, Dan O’Bannon e Ronald Shusett
Ano: 2012
Duração: 124 min.
Gênero: Aventura / Ficção / Thriller

Elizabeth Shaw e Charlie Holloway são um feliz casal de arqueólogos que acaba de encontrar pistas de que vários povos antigos conheciam a origem do ser humano. Para completar essa felicidade, os dois são convidados por Meredith Vickers, a mando de Peter Weyland, para integrar um grupo que irá atrás dessas origens a bordo na nave espacial Prometheus. Entretanto, ao chegar no dito local, após dois anos, coisas estranhas começam a acontecer e Elizhabeth terá de tomar uma decisão: ou permanece atrás de seus estudos, ou salva sua vida e da tripulação, convencedo-os de ir embora daquele lugar.


Em 1979, Ridley Scott dirigiu Sigourney Weaver no grande filme “Alien, o Oitavo Passageiro”, a história girava em torno dos sete tripulantes de uma nave rebocadora e de um alienígena que invadia o veículo enquanto o grupo voltava para a terra após encontrar uma grande nave desativada em outro planeta. Weaver viveu Ellen Ripley, a única sobrevivente da nave, depois desse longa, a triz ainda protagonizou “Aliens” (1986), “Alien 3” (1992) e “Alien Resurrection” (1997), dirigidos, respectivamente, por James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet. Entre o primeiro filme de Scott e esse não há muitas diferenças: ao chegarem no estranho planeta, os tripulantes são acordados por David, um andróide criado Weyland – segundo o próprio criador: a coisa mais próxima de um filho que ele já teve -, logo depois a tripulação desce da nave e vai em busca de respostas para o que eles estão procurando, David encontra uma nave desativada, com apenas um corpo vivo dentro dela; os demais tripulantes encontram restos de um suposto Alien; o marido de Elizabeth acaba morrendo por motivos misteriosos e David descobre que ela está grávida de um monstrinho; Elizabeth consegue, da forma mais louca possível, tirar o “bebê”, ela o tranca em uma sala, e após a mais complicada cesariana da história, ela sai andando normalmente. Para não contar toda a história lhes dou apenas o desfecho que deveria ser épico: após ser engolido pelo monstrinho que Elizabeth pariu, aquele único Alien vivo que estava dentro da nave, renasce e vemos como os seres se reproduzem – colocando ovos em um hospedeiro. Surge, aí, o primeiro Alien. Para se ter uma idéia de como o longa é produzido de forma semelhante ao filme de 79, não há necessidade de eu esconder tudo o que ocorre na trama, até por que, ele é tão previsível que sabemos tudo o que acontecerá mesmo antes de chegar no metade do filme, mesmo para alguém que nunca assistiu ao “Alien”. Dessa forma, fica claro que “Prometheus” é mais ou menos um “Alien – A Origem”, entretanto, a única mudança, além do elenco, é a de que, no desfecho, temos a criatura nascendo. Apesar de tudo isso, é inegável, a produção tem uma qualidade de imagem e som encontrada em muitas produções, mas que ganha a superioridade pela direção de Scott, e isso se deve ao fato de sermos guiados por esse diretor competente que merece crédito por tentar voltar ao seu grande sucesso e trazer uma nova história.


Se toda a produção é uma imensa refilmagem de “Alien”, o que a salva de uma catástrofe total são duas atuações que merecem destaque: Michael Fassbender como Michael, e Charlize Theron como Meredith Vickers. Fassbender, que se tornou febre no mundo todo após “300” (2006) e “Bastardos Inglórios” (2009), já foi considerado, por muitos críticos, um dos atores mais promissores dos últimos anos, aqui ele vive um andróide, o que já não é algo fácil de ser feito, e é ele que dá a personagem um tom mais humano, mas sem deixar que o público esqueça da verdadeira forma de vida que David é, agindo como um robô em alguns momentos, e como um homem isolado que deseja ser igual a todos os outros. Theron dá um tom mais racional e menos científico no filme, apesar de ter menos destaque que Fassbender, ela é a mulher rica e poderosa que comanda a expedição, sendo assim, não se importa muito com a beleza de tudo o que eles podem descobrir, apenas está cumprindo com seu dever e realizando aquilo que Wayland queria realizar. Como a protagonista Elizabeth temos Noomi Rapace, mais conhecida pela trilogia “Millenium” (2009), apesar de ser uma boa atriz, a interpretação dela se torna fraca e cheia de absurdos por ser uma personagem com pouco a ser explorado, digo, ela já era sem graça antes de o marido morrer, e fica tudo ainda pior quando seu útero é arrancado, ela arrebenta parte dele com as mãos, faz uma máquina fechar o corte em sua barriga com coisas que parecem mais grampos, levanta da cama e sai correndo e fazendo milhares de coisas antes mesmo do efeito da anestesia passar; mesmo que o longa seja futurista, não há nada que possa explicar tal recuperação. Guy Pearce vive Peter Weyland, e, sabe-se Deus por que, resolveram que era mais digno escolher um bom ator, colocar-lhe a pior maquiagem do ano e deixar ele velho os poucos minutos em que aparece, apesar de interpretar bem, a todo momento o rosto do ator parece prestes derreter, o que deixa sua aparição no filme terrível.


Se esse filme fosse o primeiro longa de todos, com Weaver no papel principal e todo o resto do elenco e da história fossem os mesmos, provavelmente seria um dos filmes de ficção científica mais bem feitos e realizados da história do cinema – isso, é claro, se esquecessem da besteira de engravidar a protagonista, claramente apenas uma forma de enrolar o espectador e dar algum gás na história. Talvez, dessa forma, a monotonia seria quebrada e alguns absurdos relevados. Mesmo assim, não se pode julgar Ridley Scott por voltar a suas origens e querer lembrar ao povo que foi dele uma das mais revolucionárias idéias dos filmes do gênero, até por que, se o filme já decepciona sendo dirigido por um dos melhores diretores do cinema moderno, o que teria acontecido se qualquer outro realizador tentasse filmar essa produção?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

115. O ADVOGADO DO DIABO, de Taylor Hackford


O Satã não podia ser melhor!
Nota: 9,0


Título Original: The Devil’s Advocate
Direção: Taylor Hackford
Elenco: Keanu Reeves, Al Pacino, Charlize Theron, Jeffrey Jones, Judith Ivey, Connie Nielsen, Craig T. Nelson, Tamaa Tunie, Debra Monk, Vyto Ruginis
Produção: Anne Kopelson, Arnold Kopelson, Arnon Milchan
Roteiro: Jonathan Lemkin, Tony Gilroy e Andrew Neiderman (romance)
Ano: 1997
Duração: 144 min.
Gênero: Thriller / Drama

Kevin Lomax é o melhor advogado da Flórida no momento, nunca perdeu uma causa e vive uma ótima vida ao lado de sua esposa Mary Ann Lomax. Quando Kevin livra um estuprador da cadeia, surpreendentemente é convidado pelo representante do poderoso John Milton para ir para Nova York. Ao chegar lá, Kevin e Mary Ann encontram uma vida melhor que o esperado, cheia de mordomias e riquezas. Entretanto, enquanto ela começa a desconfiar de tanta perfeição, Kevin se enreda cada vez mais nas mentiras e tramóias de Milton, as quais o levam para um caminho, aparentemente, sem volta.


Não é preciso começar a assistir ao filme, muito menos chegar até seu desfecho, para perceber que John Milton - aqui interpretado por Al Pacino – é o Diabo em pessoa, aparentemente, algo que somente será descoberto no fim do filme, o homem não está possuído pela alma do Satã, ele é, literalmente, o Demônio em pessoa. Durante a trama, apesar de o enredo parecer mostrar outras coisas, o Diabo é apenas a representação dos pecados, do medo, da dúvida e dos receios que enredam os seres humanos e os fazem cair em desespero. Nesse contexto, Milton pode até fazer parecer que ele é uma espécie de vilão, mas, analisando tudo mais a fundo, percebemos o quanto o personagem pode enlouquecer as pessoas e controlá-las, tal qual, como já disse, o medo, a dúvida, os pecados, etc. O vencedor do Oscar e diretor do longa “Ray” (2004), Taylor Hackford é quem lidera essa produção excelente, mas, obviamente, não é apenas o seu ótimo trabalho que torna esse filme algo tão, absurdamente, agradável. Andrzej Bartkowiak é o diretor de uma fotografia bela, apesar de o longa acontecer todo em ambiente urbano. Além disso, James Newton Howard – indicado ao Oscar oito vezes por longas como: “O Fugitivo” (1993), “O Casamento do Meu Melhor Amigo” (1997) e “Conduta de Risco” (2007) – é o compositor de uma trilha sonora rica e, como de costume, extremamente propícia para cada cena ou personagem do longa.


Keanu Reeves é aquele tipo de ator imprevisível, que está péssimo em alguns filmes e ótimos em outros, sem meio termo. Aqui, graças ao excelente roteiro, ou ao personagem incrível ou ao restante do elenco ser ótimo, Reeves está nesse segundo grupo de atuações: o das ótimas. Como Kevin, Reeves nos proporciona um jovem advogado louco para crescer profissionalmente, mas que se vê confuso ao perder a esposa para a suposta loucura e analisar como deixou tantos criminosos livres durante tanto tampo. Charlize Theron nunca foi uma atriz incrível, mas também nunca decepciona em seus filmes, aqui ela é uma Mary Ann simpática, iludida com o mundo dos ricos e bem pervertida, que não liga para saber quem são os culpados, apenas deseja que o marido faça seu trabalho e ganhe dinheiro; nos momentos de loucura ela se mostra uma pessoa totalmente perturbada, com medo de tudo o que possa a estar rodeando. Dentre todo o resto do grande elenco do filme, não há mais ninguém que mereça grande destaque que não seja o incrível Al Pacino. Um dos maiores mestres da atuação do cinema moderno, Pacino não poderia decepcionar em um papel tão sarcástico e debochado, não aprece que qualquer coisa perturbe o ator durante o longa por ele estar interpretando um ser tão avesso ao que as pessoas depositam sua fé; ao encarar John Milton, Pacino nos traz mais uma de suas grandes atuações, depravado, determinado e com a luxúria e a vaidade acima de qualquer coisa, ele está, mais uma vez inacreditável.


É sabido que Lúcifer, o anjo caído, possui diversas facetas – até porque, a palavra, vinda do latim, significa “portador de luz” -, sendo assim, pode assumir várias formas, apossar-se de qualquer ser vivo, confundir nossos sentidos, convencer-nos a realizarmos coisas que nós nem sabíamos que poderíamos fazer. E é bem isso o que esse filme mostra, mas acaba indo além propondo que nossos atos não são culpa apenas dos demônios que carregamos dentro de nós, e sim por um conjunto de fatores que formam a personalidade consumista de todos os seres humanos que nos tornamos após a aderência dos ideais capitalistas. Acrescente a isso, é falado muito sobre a vaidade – um dos sete pecados capitais/mortais ditados pela santa Igreja Católica -, o que pode servir a uma crítica direta aos próprios envolvidos com esse louco mundo do entretenimento – atores, cantos, produtores, modelos, jornalistas – que se preocupam o tempo todo com a forma como irão parecer para o mundo. E é usando essa preocupação que, no filme, o Diabo toma a consciência dos homens como se eles fossem fantoches, induzindo-os a realizarem coisas terríveis, pra si e para outras pessoas. Na realidade, a vaidade acaba sendo, não apenas o pecado mais agradável para o Satã, mas, também o mais aterrorizante para o restante da humanidade.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

130. (ESPECIAL OSCAR 2013) BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR, de Rupert Sanders


Pode não ser uma grande adaptação, mas vale o ingresso.
Nota:8,0


Título Original: Snow Withe and the Huntsman
Direção: Rupert Sanders
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemswoorth, Charlize Theron, Sam Claflin, Sam spruell, Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone, Nick Frost, Eddie Marsan, Toby Jones, Johnny Harris, Brian Gleeson, Vincent Regan, Noah Huntley, Liberty Ross, Chrispopher Obi
Produção: Sam Mercer, Palak Patel, Joe Roth
Roteiro: Evan Daugherty, John Lee Hancock, Hossein Amini, Eva Daugherty
Ano: 2012
Duração: 127 min.
Gênero: Fantasia / Aventura

Para quem leu o conto dos irmãos Grimm ou assistiu a adaptação da Disney é fácil lembrar da história original: Branca de Neve, órfã de pai e mãe – rei e rainha de um lugar qualquer -, é criada pela madrasta. Desejando ser a mulher mais bela da terra e temendo que Branca de Neve tome seu lugar, a Rainha encomenda sua morte. Entretanto, o assassino fica com pena da moça, que foge pela floresta e é acolhida pelos anões mineradores. Após algumas tentativas, a Rainha mata Branca de Neve, mas, com o beijo de seu verdadeiro amor, a jovem desperta. A Rainha dança até cair morta e Branca de Neve e seu Príncipe vivem felizes para sempre.


Aqui, Branca de Neve é criada pelo pai e pela mãe, quando esta morre, o reino é invadido por uma onda de Magia Negra, em meio uma guerra, o Rei conhece Ravenna, com quem se casa. Ela, sendo uma feiticeira que deseja o poder do rei, o mata e prende sua filha em uma torre. Longe de tudo e todos, Branca de Neve cresce, torna-se uma mulher e acaba fugindo do castelo. Sabendo que somente Branca de Neve pode desfazer todos os feitiços que envolvem Ravenna para deixá-la tão bela, a Rainha ordena que tragam a jovem de volta.


No meio tempo em que Branca de Neve foge e se reencontra com a Rainha para uma batalha final, a jovem tem o auxílio do Caçador – um bêbado frustrado com a morte da esposa -, dos anões – ex-mineradores que também sofrem com a ascensão de Ravenna –, do Duque Hammond – um homem leal ao pai de Branca de Neve – e de William – filho de Hammond e o primeiro amor de infância da princesa. Mais uma vez não temos uma adaptação muito fiel ao que nos foi apresentado desde a infância, é claro que a estória da Branca de Neve possuí várias versões, mas também é óbvio que a mais conhecida e adora é a que nos foi apresentada pelos irmãos Grimm. Nesse contexto, a trama não segue os mesmos acontecimentos que em qualquer dos contos, e sim faz algumas referências em cenas totalmente diferenciadas das histórias originais: Ravenna acaba dando a maçã a Branca de Neve no meio do filme (em uma cena ótima, por sinal), a jovem come o fruto, mas é salva; a Rainha decide o nome “Branca de Neve” por ver seu sangue pingar na neve; os anões eram mineradores, até a terra, enfurecida pela magia negra, se voltar contra eles; Ravenna possui o tal espelho mágico – aquele que revela a ela quem é a mulher mais bela -, todavia, a apresentação de tal objeto é totalmente diferenciada, nem um pouco imprópria, idiota ou se nexo, na verdade, confesso que é a melhor adaptação do espelho. Em contra ponto, no filme, Branca de Neve luta contra Ravenna – aliás, uma cena extremamente cuidadosa, cheia de detalhes e bem feita -; a princesa se apaixona pelo Caçador; é levada, pelos anões, a um mundo totalmente diferente, repleto de fadas e seres fantásticos; é criada por sua mãe – no original a mãe morre ao dar a luz -; e a história de Ravenna é muito mais explorada. Quanto ao figurino e aos efeitos especiais, basta dizer que ambos estão indicados ao Oscar 2013, e se há algo que possa ser valorizado na premiação, são as indicações técnicas.


Branca de Neve é vivida por Kristen Stewart, a Bela da “Saga Crepúsculo”. Não que a atriz seja de todo ruim, em um ou outro momento ela está natural e quase convence, o problema é que sua feição continua a mesma e não há nada que possa mudar isso. Fora o fato de ser cômico o espelho resolver que ela está mais bela que Charlize Theron, a personagem é ótima: ela não é essas princesas fracas e com medo de tudo, ao contrário, está disposta a lutar pelo que é seu, o problema é que, em sua grande cena, quando resolve dizer a todos que eles devem lutar, Stewart resvala feio. Chris Hemswoorth é ótimo nas cenas de farra do Caçador, nas de ação ele é melhor ainda, o problema é quando cenas mais sérias, que exigem algum potencial maior do ator, são dadas a ele, simplesmente, drama não é seu forte. Charlize Theron ganha, nesse filme o atestado, não somente do Espelho, mas de toda a nação masculina – quiçá feminina – como a mulher mais bela do mundo em 2012. Ela é a perfeita Rainha Ravenna, não só por sua beleza, mas por sua atuação ser muito melhor que o esperado; o mais incrível de tudo é que a atriz inicia o filme como uma mulher bonita e com uma atuação um pouco fraca, depois parece que sua intensidade aumenta pouco a pouco, até chegar o final do filme, onde sua beleza está perfeita, uma mulher sem defeito algum, e sua interpretação atinge o máximo de intensidade, sem chegar a ser over (exagerada), mas sendo a perfeita Madrasta de Branca de Neve que imaginarmos ao lermos o conto.


Apesar de a história não ser fiel aquela que conhecemos, escrita pelos Grimm, o enredo do filme é bom e nos prende quase que durante todos os 130 minutos de duração. Isso, por que, a trilha sonora, de James Newton Howard é de perder o fôlego e digna de qualquer filme que o compositor assuma, os efeitos especiais são de primeira, a montagem é excelente, o figurino é impecável (lembrando um pouco o que vimos na animação de 1929). Mesmo que Kristen Stwart tente realizar uma interpretação melhor, ela não passa de mediana, todavia, merece crédito por estar começando a tentar ser uma atriz melhor. Aliado a isso, não há como deixar de falar, novamente, sobre a cartada genial que foi ter escolhido Charlize Theron como a Rainha Ravenna. Enfim, o filme não é nenhuma obra prima, e está longe de se tornar uma adaptação clássica do conto de Branca de Neve, mas não há como negar, a produção tem sua beleza própria e vale a pena assisti-lo.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

223. MONSTER – DESEJO ASSASSINO, de Patty Jenkins


A história de uma mulher que não desejava nada além de vingança e justiça, ao menos em seu próprio ponto de vista.
Nota: 8,7


Título Original: Monster
Direção e Roteiro: Patty Jekins
Elenco: Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern, Lee Tergesen, Annie Corley, Pruitt Taylor Vince, Marco St. John, Marc Macauley, Scott Wilson
Produção: Mark Damon, Donald Kushner, Clark Peterson, Charlize Theron, Brad Wyman
Ano: 2003
Duração: 109 min.
Gênero: Biografia / Drama

Aileen Carol Pittman foi uma prostituta considera a primeira mulher assassina em série. Após uma conturbada adolescência, incluindo o abandono pela mãe, pai agressivo e suicida, gravidez do irmão e um casamento falido, Aileen Wuornos, como ficou conhecida, começou a frequentar ambientes lésbicos e conheceu Tyra Moore. Durante quatro anos as duas estiveram juntas e viveram da forma que dava: Aileen se prostituía e Tyra não fazia nada além de esperar por sua parceira. Em 1989, Aileen cometeu seu primeiro assassinato, depois vieram mais cinco. Durante o julgamento, ela alegou que cometeu seus crimes pois os homens mereciam, afinal, nenhum deles era correto. Antes de ser executada, diagnosticou-se que ele sofria de Transtorno de Personalidade Borderline,quando o ser sofre traumas durante a vida, fazendo os portadores tornarem-se impulsivos e cometerem esforços frenéticos em prol do não abandono.


No filme, não temos conhecimento nenhum da vida de Aileen antes de toda a história, logo de início ela conhece Selby (ao que tudo indica, a Tyra Moore do filme), elas começam a ter seu relacionamento homossexual e logo Selby deixa a casa dos amigos de seus pais onde mora para viver com Aileen, que lhe promete uma boa vida. Durante a primeira metade do filme ela apenas se prostitui e mata a primeira vítima por legítima defesa, posteriormente vemos seus assassinatos frios e calculistas para que ela possa ficar com dinheiro de seus supostos clientes. Até ser pega, presa e condenada.


A diretora Patty Jenkins não fez absolutamente nada de valor em sua carreira, sendo completamente admirável e louvável assistir ao seu trabalho nesse filme, pois a todo momento, apesar de vermos claramente vestígios de inexperiência, ela nos toma como espectadores totalmente ligados no filme, acompanhando a trama como poucas vezes fazemos em uma cinebiografia. A excelência de Jenkins, portanto, não está em ela ser uma diretora maravilhosa, com técnicas a serem copiadas, está em sua extrema simplicidade que traz cada vez mais realidade ao filme, tornando cada cena imperdível. Aqui, entretanto, não é a trilha sonora, a fotografia ou o figurino que surpreendem, e sim a beleza de toda a produção das maquiagens em torno das protagonistas. O responsável por liderar a caracterização, sobretudo de Charlize Theron, é Toni G, famoso por seus excelentes trabalhos em “O Grinch” (2000), “O Planeta dos Macacos” (2001), “Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra” (2003) e “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, Toni também se tornou um dos preferidos da estrela Angelina Jolie.


Charlize Theron sempre chamou a atenção por sua beleza e carisma, entretanto, nunca havia demonstrado tanto seu talento quanto ao interpretar Aileen Wuornos, o primeiro conselho que dou para quem vai assistir a esse filme é para assistir qualquer vídeo da serial na internet, não precisa ser muito tempo, apenas para dar uma conferida nos trejeitos da mulher e ver a forma como ela se comporta, somente assim podemos analisar a fundo o trabalho de Theron e admitir: é trabalho de mestre. Bem como Marion Cotillard fez em “Piaf – Um Hino ao Amor” (2007), Helen Mirren em “A Rainha” (2006) e até mesmo como Meryl Streep em “A Dama de Ferro” (2011), Charlize Theron nos expõe de forma perfeita a mulher ora louca, ora apaixonada, ora decidida, ora acabada, ora aterrorizada, ora decidida, e toda essa confusão de sentimentos se tornam extremamente humanas, não que a atriz humanize a assassina considerada um monstro, mas ela deixa claro que Wuornos era um ser humano. Theron venceu, mais que merecidamente, o Oscar, o Globo de Ouro e o Sindicato dos Atores por sua interpretação. Christina Ricci, que interpreta Selby, forma o elenco ao lado de Theron, a personagem chega a ser tão odiosa quanto Aileen, ao exigir que sua companheira se prostitui e, posteriormente, mate para que as duas possam ter uma vida teoricamente confortável, Selby é o perfeito retrato de alguém acomodado que não se importa muito com os outros.


“Monster” tem por maior finalidade adaptar para o cinema a vida de uma mulher que chocou o mundo todo com seus assassinatos, não por ter cometido tais atos, e sim por ter cometido cada um deles acreditando que estava fazendo algo correto e benéfico para a humanidade. Apesar de Aileen Wuornos não ser humanizada, vemos um ser humano com vários problemas e bem diferente dos demais, que mereceu o destino que teve, mas ainda sim, um ser humano, servindo como alerta que ainda existem milhares de pessoas como ela, que cometem atos horrendos como ela cometeu e ainda acreditam que estão certos. Parece-me, portanto, que cada dia mais, vemos em nossa moderna sociedade, pessoas dispostas a cometer loucuras em prol de algo que elas acreditam ser maior que todo o resto, realmente, o que os assassinatos de Wuornos alertavam está nítido na sociedade contemporânea: estamos vivendo um caos onde nem mesmo o cinema é seguro.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

quinta-feira, 19 de julho de 2012

242. CELEBRIDADES, de Woody Allen

O retrato quase perfeito da vida de celebridades.
Nota: 8,7


Título Original: Celebrity
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Kenneth Branagh, Judy Davis, Winona Ryder, Melanie Griffith, Je Mantegna, Leonardo Di Caprio, Charlize Theron, Adrien Grenier, Kate Burton
Produção: Jean Doumanian, J. E. Beaucaire
Ano: 1998
Duração: 113 min.
Gênero: Comédia / Drama

Lee é um repórter de celebridades que deseja entrar de vez nesse mundo como roteirista ou escritor, para isso ele pede o divórcio de Robin, que enlouquece pelo fim do casamento. Nessa busca pela fama, fortuna e glamour, Lee se envolverá com uma estrela em ascensão, com uma modelo cheia de problemas, uma aspirante a atriz, uma editora, e um ator que acredita ser o centro do universo. Já Robin, mudará de vida ao conhecer o produtor Tony, e se tornará uma apresentadora de televisão querida por todos.


Em 1998, Woody Allen já não era nenhum iniciante no cinema, muito pelo contrário, já possuía estilo próprio a admiração de milhares de pessoas, já havia ganhado três Oscars e havia passado pelas suas décadas de gênio com filmes como “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar” (1972), “O Dorminhoco” (1973), “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), “Manhattan” (1979), “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985) e “Hannah e Suas Irmãs” (1986). Seu roteiro aqui não difere muito do que podemos esperar de Allen hoje, mas é aí que se enquadra a excelência em seu trabalho, ele possui vários filmes com cenas e diálogos parecidos e enredos semelhantes, mas cada qual interage de uma maneira com as personagens, cada qual possui seu próprio desfecho e todos são muito bem feitos. Dirigindo ele é ótimo, a idéia do preto e branco é sempre bem-vinda em seus trabalhos, acredito que esse artifício usado atualmente deixa o público ainda mais curioso e faz a vez das saias longas décadas atrás, escondendo algumas belezas que poderiam ser vistas no colorido, isso faz com que o filme se torne mais misterioso e atrativo esteticamente falando.


Em 1998 Kenneth Branagh já havia sido indicado a quatro Oscars e era conhecido pelos filmes “Henrique V” (1989) e “Hamlet” (1996), recentemente pôde ser visto pelos adolescentes em “Harry Potter e a Câmara Secreta” (2002) e pelos mais velhos em um filme mais cult, “Sete Dias Com Marilyn” (2012), onde vive o lendário Sir Laurence Olivier. Ele lidera o elenco como o atrapalhado Lee, o repórter que quer mais da vida além de ficar com mulheres bonitas e escrever artigos que ele considera chatos sobre pessoas famosas, na realidade, o problema é que quer ser uma dessas pessoas. Judy Davis ficou conhecida pelos filmes “Passagem para a Índia” (1984) e “Maridos e Esposas” (1992), mas foi a interpretação como Judy Garland em “A Vida com Judy Garland: Eu e Minhas Sombras” (2001), que lhe rendeu o respeito máximo como atriz, aqui ela é a perdida Robin, após o divórcio a personagem não sabe o que fazer da vida e fica bem louquinha de uma lado para o outro com medo de encontrar com o marido, mas a chegada de um novo amor a mudará por completo. Joe Mantegna, que viveu Joey Zasa em “O Poderoso Chefão Parte III” (1990) é esse tal novo amor de Robin, um homem perfeito que se apaixona perdidamente por ela e fará de tudo para que os dois fiquem juntos. Winona Ryder, do recente “Cisne Negro” (2010), vive a aspirante a atriz Nola, aquele tipo que não quer compromisso e só deseja ter um ótimo futuro profissional. Melanie Cgriffith é a atriz de sucesso Nicole Olivier, uma mulher que não se importa com os outros e vive a vida como se o mundo a venerasse. Charlize Theron é a modelo com quem o protagonista se encontra uma vez, uma jovem pirada que só quer se divertir. Por fim, Leonardo DiCaprio é o ator Brandon Darrow, um jovem perturbado que tem o mundo aos seus pés e acredita que tudo gira em torno de sua vida e sua fama.


Longe de ser o melhor filme de Woody Allen, a trama de “Celebridades” nos envolve ao mostrar claramente parte da vida de pessoas famosas e as consequências de ser observado pelo restante do mundo. Mas também nos apresenta a dificuldade que alguns possuem para entrar nesse mundo, ou a facilidade de outros pelo simples acaso do destino. Branagh e Davis nos proporcionam dois hemisférios totalmente diferentes, apesar de ambos chegarem a ser irritantes por sua falta de tato e serem totalmente desequilibrados, ela encontra o caminho e se torna uma mulher elegante e respeitada, ele continua sendo o mesmo perdedor do começo ao fim. Sendo assim, o filme é engraçado, divertido, cheio de vida e reflete vários sentidos de nossa existência.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

Poderá gostar também de: