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domingo, 2 de março de 2014

008. (ESPECIAL OSCAR 2014) GRAVIDADE, de Alfonso Cuarón

Uma obra prima.
Nota: 9,8


Título Original: Gravity
Direção: Alfonso Cuarón
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed harris, Orto Ignatiussen, Phaldut Sharma, Amy Warren, Basher Savage e Janes Ahern
Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman, Christopher DeFaria, Stephen Jones, Nikki Penny e Gabriela Rodriguez
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón e George Clooney
Ano: 2013
Duração: 91 min.
Gênero: Drama / Ficção / Ação


Ryan Stone é uma engenheira que foi chamada para trabalhar um tempo no espaço. Ao lado do experiente astronauta Matt Kowalski, ela deixa o interior seguro de uma nave espacial para realizar um conserto. Enquanto Stone finaliza o trabalho, Kowalski é alertado quanto a destroços de um aparelho destruído por russos. Sem conseguir chegar até a nave, Stone e Kowalski são atingidos pelos destroços e ficam afastados da nave. Agora, a dupla está à deriva, com pouco oxigênio, chances remotas de conseguir ajuda, e chances menores ainda de permanecerem vivos.


“A 600km acima do planeta Terra a temperatura oscila entre 120º e -100º Celsius. Não há nenhuma transmissão de som, nenhum oxigênio, e nenhuma pressão atmosférica. Vida aqui é impossível.” São essas palavras que fizeram parte de qualquer comercial de “Gravidade”. São elas, ainda, as primeiras palavras apresentadas ao espectador. Com isso, esperamos um filme longo, demorado e chato, pois imaginamos que tipo de longa pode ser realizado tendo como ambiente um local sem som, sem oxigênio, sem pressão atmosférica, sem vida. Antes de assistir a esse longa, inúmeras pessoas perguntavam se eu já havia ouvido falar sobre ele. Minha resposta sempre foi: sim, mas ainda não tive coragem suficiente para assisti-lo.  Certa noite, resolvi encarar o longa como uma forma de relaxar. Qual foi minha surpresa quando comecei a assistir ao filme e em momento algum visualizei cenas enfadonhas. Desmitificando tudo o que dezenas de pessoas falam acerca do filme, afirmo que o longa é excitante e curioso do começo ao fim. Não que cenas de ação sejam necessárias, até acho que algumas delas poderiam ter sido mais monótonas, mas o roteiro e as interpretações são tão intensas que nos levam diretamente para o que os personagens estão vivendo (ainda mais se o filme for assistido em 3D) e passamos o longa desesperados.


Alfonso Cuarón é conhecido por três grandes trabalhos: “E Sua Mãe Também” (2001), “Harry Potter e o Prisioneira de Azkaban” (2004) e “Filhos da Esperança” (2006). Com “Gravidade”, o diretor entra para o grupo dos grande nomes indicados ao Sindicato dos Diretores e ao Oscar, a maior premiação do cinema. E não há uma alma que diga que Cuarón não merece tais indicações e, ainda, ser o vencedor desses prêmios. Inclusive, Cuarón e Mark Sanger, editores do longa, criaram novas tecnologias para realizar as filmagens, uma delas, por exemplo, faz a câmera rodar, acompanhando os movimentos dos personagens que estão girando pelo espaço. O filme possui algumas singularidades que devem ser mencionadas. Não posso deixar de citar, e o faço logo no começo, o fato de os russos causarem tantos estragos por detonarem um aparelho no espaço, o que torna o filme ainda mais americano, apesar de o diretor ser mexicano e o produtor David Heyman ser inglês. Ainda cito algumas cenas que esperava encontrar e não encontrei: muitas pessoas observaram que o filme tinha momentos de extremo silêncio, mas eles não existem. Acredito que algumas cenas poderiam ser completamente mudas, sem alterar sua grandiosidade ou seu impacto (provavelmente elas não existam pois podriam quebrar o clímax eterno do longa. A escolha de existirem poucos personagens é muito arriscada, mas é um dos grandes pontos do longa.


O roteiro de Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, filho do diretor, e George Clooney, que despensa apresentações, é rico e não deixa o espectador se perder ou de distrair com outra coisa. É interessante a forma como toda a trama se desenvolve em um possível tempo real, ou seja, a história, provavelmente, ocorre no mesmo tempo do filme, em uma hora e meia. Os diálogos dos personagens e a forma como é feita a construção de Stone (uma mulher inexperiente no espaço e, por isso, temerosa) e Kovalski (um homem com experiência em problemas no espaço e, por isso, mas tranquilo) é maravilhosa e nos cativamos por ambos desde o início do longa. A trilha sonora do filme é do iniciante compositor Steven Price (e estará a disposição aqui no blog durante mais uma semana). Apesar de ter apenas dois filmes em seu currículo como compositor, o inglês trabalhou como programador musical em “A Liga Extraordinária” (2003)  e em “Resgate Sem Limites” (2003) e editor musical em “O Senhor dos Aneis: As Duas Torres” (2002), “O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei” (2003), “Batman Begins” (2005), “Criatura Perfeita” (2006), “A Última Legião” (2007) e “Terra” (2007). “Gravidade” portanto, é seu primeiro grande trabalho na composição. Price, nesse contexto, excede expectativas, pois a trilha do longa, como já citei, se torna essencial devido ao número reduzido de personagens e ao fsto de tudo ocorrer no espaço, onde não há possibilidade de propagação sonora. Músicas dramáticas que protagonizam as cenas melancólicas de Bullock se misturam às músicas agitadas que permeiam as cenas em que Stone é atingida pelos destroços do aparelho russo. A música da cena final do longa é uma das mais belas do ano e, sem dúvida, uma das que mais causa emoção dos últimos anos.


Em termos de atuação, temos apenas duas: Sandra Bullock, como Stone, e George Clooney, como Kowalski. Assim como muitos outros críticos, até hoje não engoli o Oscar de Bullock em 2009 por “Um Sonho Possível” (2008), o filme é chato e a personagem da atriz é cômica demais, exigindo pouco dela. Dali por diante confesso ter pegado um implicância por Bullock, que parecia artificial demais em cada um de seus filmes. Entretanto, “Gravidade” quebrou qualquer problema do passado existente em relação a ela. Finalmente incumbiram à atriz uma personagem realmente dramática, e mais, uma personagem que carrega o filme nas costas. Enquanto Stone está no espaço – o que ocorre na maior parte do filme – Bullock está coberta por aquela roupa típica de astronautas, por isso, o único artifício que pode ser usado são suas feições. O desespero de uma mulher à beira da morte que não sabe como agir, o medo de uma leiga ao ligar uma nave espacial, a culpa de uma profissional ao ver seu colega e sacrificar por ela, a angústia de uma mãe ao contar sobre a morte prematura da filha e o alívio de um ser humano ao constatar que ainda existe possibilidade de vida são intensos e poucas vezes atingiram um grau tão alto em uma interpretação quanto Sandra Bullock atingiu aqui. Não estamos acostumados a ver George Clooney ser pouco considerado em premiações, não sei se foi o teor subjetivo do longa, mas sua interpretação me comoveu e me conquistou como poucas conseguem fazer. O Kowalski criado pelo ator é um homem vivo, disciplinado, calmo e extremamente espirituoso. É um ser humano como outro qualquer, as feições de Clooney e a voz do ator são essenciais para que o longa seja tão absurdamente pavoroso e acho uma lástima o ator ter sido esnobado por inúmeras premiações.


“Gravidade” é uma das grandes promessas para o Oscar esse ano. Ao todo, são 10 indicações à premiação. A mais importante, sem dúvidas é como melhor filme. Tendo em vista a indicação a melhor direção, é um dos cinco favoritos e concorre penas com “12 Anos de Escravidão”, com quem dividiu o prêmio do Sindicato dos Produtores e grande favorito do ano. Melhor direção para Alfonso Cuarón, que concorre com Martin Scorsese (sempre um favorito), por “O Lobo de Wall Street” e com Steve McQueen, por “12 Anos de Escravidão”, lembrando que David O. Russell pode ser a grande surpresa com seu “Trapaça”, Cuarón é o favorito do ano, tendo vencido 26 prêmios ao longo da temporada (incluindo do Sindicato de Diretores) e, provavelmente, deverá vencer o prêmio. Melhor atriz, para Sandra Bullock, apesar de ser a melhor interpretação da carreira da atriz, a disputa está entre Cate Blanchett e Amy Adams, mas que a vitória de Bullock seria uma surpresa muito agradável, isso seria. Melhor fotografia, tendo em vista a qualidade e o fato de o filme ter vencido vários outros prêmios na categoria, provavelmente a vitória é dele. Melhor edição, a exclusão de “O Lobo de Wall Street” e a qualidade técnica de “Gravidade” praticamente garantem a vitória do longa, que acaba tendo como ameaça “Trapaça”, vencedor do prêmio do Sindicato dos Editores. Melhor trilha sonora, para Steve Price, apesar dos concorrentes de peso (John Williams e Alexander Desplat) é, sem dúvida, a trilha mais marcante do ano, devendo levar o prêmio. Melhores efeitos visuais, talvez seja o grade prêmio do longa, devido às pesquisas, ao melhoramentos e aos avanços que o filme traz ao cinema. Melhor edição de som, outra categoria em que o longa arranca como favorito, é impossível não se impressionar com a beleza sonora e visual do filme, “Capitão Phillips” pode ser o azarão na categoria. Melhor mixagem de som, com “Capitão Phillips” em seu encalço novamente, é uma categoria um pouco incerta, mas “Gravidade” ainda é o favorito”. Melhor direção de arte, outro ponto forte do longa, sua única ameaça é “O Grande Gatsby”, filme com direção de arte impecável.



É inegável que o conjunto técnico de “Gravidade” torna esse filme um dos melhores do ano, senão o melhor. Poucos longas possuem tal qualidade sonora (incluindo mixagem, edição de som e trilha sonora), visual (incluindo figurino, fotografia, edição), de direção e de roteiro, entretanto, são as interpretações de Bullock e Clooney que seguram o longa de forma inexplicável. São os sentimentos expressos pela voz do ator que dão o tom experançoso e forte vindos da segurança e experiência de um astronauta vivido. São os sentimentos de desepsero e alívio que vemos nos olhos e no corpo de Bullock que humanizam o longa e o tornam ainda mais comovente e belo. O espaço, por sua vez, é um vilão real que não tem pena de nossos personagens e não pretende se redimir. Sem as grandes interpretações de Bullock e Clooney o longa não seria nada. Dessa vez, se Sandra Bullock vencesse o Oscar, jamais me ouviriam contestar, pois dessa vez, sem sombra de dúvidas, seria mais que merecido. Mas também não podemos deixar o trabalho de Cuarón de lado. Se não fosse sua maestria, todos os sentimentos de Bullock jamais teriam sido capturados. E mais: foi Cuarón quem criou a história desse filme, foi ele quem planejou cada segundo, foi Cuarón quem idealizou e materializou toda essa obra da sétima arte. E se Cuarón não o tivesse feito com tanta originalidade, qualidade e perfeição, ninguém mais o faria.

TOP 10 FILMES INDICADOS AO OSCAR
Essa é a minha lista dos filmes que eu considero os 10 melhores do ano (dentre aqueles que foram indicados ao Oscar em qualquer categoria):
10. Nebraska
09. Inside Llewyn Davis
08. Capitão Phillips
07. Alabama Monroe
06. A Grande Beleza
05. Frozen: Uma Aventura Congelante
04. Ela
03. O Lobo de Wall Street
02. A Caça
01. Gravidade

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013. (ESPECIAL OSCAR 2014) ÁLBUM DE FAMÍLIA, de John Wells

Um exército imbatível de atores armados até os dentes com a pior das armas, a palavra, expõe a realidade e traz um dos filmes mais violentos do ano.
Nota: 9,0


Título Original: August: Osage County
Direção: John Wells
Elenco: Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, Ewan McGregor, Margo Martindale, Sam Shepard, Julianne Nicholson, Juliette Lewis, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch, Dermot Mulroney, Misty Upham
Produção: George Clooney, Jean Doumanian, Grant Heslov, Steve Traxler, Bob Weinstein, Harvey Weinstein
Roteiro: Tracy Letts (roteiro e peça)
Ano: 2013
Duração: 120 min.
Gênero: Drama

Beverly e Violet Weston estão casados há mais de 40 anos e têm três filhas crescidas, Barbara, Karen e Ivy. Quando Beverly desaparece, a família se reúne na casa dos Weston no Contado de Osage, no infernal deserto do Oklahoma. Mas é quando descobrem que Beverly cometeu suicídio que a coisa esquenta de forma inacreditável. Barbara, sua filha e seu marido, de quem ela está se separando; Karen e seu noivo; Ivy; Mattie Fae, irmã de Violet, seu filho e seu marido, todos se reúnem em volta da mesa de jantar na casa dos Weston para prestar condolências à Violet.


Não se engane com a primeira cena do longa. A troca de palavras sutis entre Violet e Beverly não é apenas uma pequena discussão entre dois velhinhos que se amam. Não se engane pela primeira música tocada no filme. A animada “Lay Down Sally”, de Eric Clapton, está longe de ser a representação do humor da família Weston. A emocionante “Last Mile Home”, é bem mais apropriada. A história pode parecer de uma família que acaba de passar por um momento difícil e está se desestruturando, entretanto, os Weston jamais foram uma família estruturada. O calor do Oklahoma se parece em muito com o clima quente, áspero e seco que ronda cada membro dessa família, e pior, que acaba contagiando cada indivíduo que se torna um membro do clã Weston. O suicídio de Beverly também não é uma coincidência: após tantos anos passando vergonha por seu hábito desagradável de beber, ele resolveu afogar a si próprio após ter sido afogado a vida toda pelo álcool e pelas palavras de sua esposa. E, como se não bastasse, Violet está com câncer na boca, sua arma infalível contra a maior parte dos integrantes de sua família.


A matriarca, no entanto, jamais usou seus artifícios sem propriedade, o que não significa que ela cobre alguma coisa de qualquer pessoa, Violet simplesmente diz a verdade na cara de todos. Diz não. Violet arremessa verdades ofensivas, sendo fria, inapropriada e invasiva de todas as formas imagináveis por um homem. E o mais louco em tudo isso é que Violet não se contenta em “conversar” com pessoas que, como Ivy, escutam tudo de boca fechada. Karen, que ri de tudo e finge que a vida é perfeita, também não é uma opção para a fúria da megera. Violet gosta dos que respondem, dos que mostram estarem incomodados, dos que tentam ser mais terríveis que ela. Violet gosta dos sets em que luta, hostilmente, com Barbara, Mattie Fae e, especialmente, Beverly. São esses que a enfrentam que deixam a boca cancerosa de Violet sedenta por palavras ofensivas. E não se engane, também, se está pensando que Mattie Fae é diferente da irmã. Charlie, o marido, e Pequeno Charlie, o filho, são seus alvos: Pequeno Charlie fica acuado, tem medo da mãe e faz o possível para não deixá-la brava, com Charlie a coisa é diferente, ele a enfrenta e a coloca em seu lugar, e é por amá-lo e por ficar calada uma vez ou outra que os dois estão há 38 anos casados.


Diretor de nove episódios da aclamada série “Plantão Médico” (1998 – 2009), de quatro episódios da premiada série “Shameless” (2011 - 2014) e do mediano filme “A Grande Virada” (2013), John Wells é vencedor de seis prêmios Emmy e conhecido mais por seus trabalhos como produtor (o que inclui a produção de uma das melhores minisséries dos últimos anos “Mildred Pierce” [2011]). A notícia de que ele seria o realizador de um filme como esse deixou muitas dúvidas quanto às possibilidades de seu trabalho. O longa, inquestionavelmente, lembra muito uma peça de teatro. Possui marcações teatrais, direção de arte teatral, diálogos teatrais que parecem intermináveis e, até mesmo, atuações um tanto teatrais. Mas isso não significa que o trabalho tenha ficado ruim. Muito pelo contrário. Apesar das marcações incomodarem um pouco, a arte do filme é linda, o figurino é característico e melancólico como esperamos que seja, o roteiro é espetacular, com alguns dos melhores diálogos do ano e, ainda mais interessantes, com falas que mais parecem monólogos que se estendem por minutos e minutos e as atuações são o que há de mais belo. As brigas que o contexto proporciona para a família também são interessantes e nos estimulam a cada momento. Os momentos de conflito entre Violet e Barbara são intensos, a conversa entre Mattie Fae e Charlie é definitiva, as revelações do passado são tocantes, os escândalos de Violet são deprimentes e suas ofensas são inacreditáveis. A trilha sonora também é algo primordial, trazendo canções fortes e adequadas, que misturam o calor do verão em Osage County, a intensidade da vida dos Weston e a afeição inevitável que uns nutrem pelos outros.


Meryl Streep e Julia Roberts são a dupla indicada ao Oscar desse longa. E que dupla, diga-se de passagem. Poucas vezes atrizes se deram tão bem na telona como essas duas. No Oscar, Meryl é indicada como melhor atriz principal e Julia como melhor atriz coadjuvante. Como ocorreu com Judi Dench e Cate Blanchett em “Notas Sobre um Escândalo” (2006) – indicadas, respectivamente, nas mesmas categorias que Streep e Roberts -, o difícil é dizer qual das duas é a protagonista e qual é a coadjuvante. Meryl, mais uma vez, está magnífica. Ela é uma Violet velha, indefesa fisicamente, frágil, viciada em calmantes, com poucos cabelos devido à quimioterapia. Mais uma vez somos enganados, pois quando a atriz coloca a peruca escura e os óculos, esquecemos por completo a boa mãe que a atriz viveu em “Um Amor Verdadeiro” (1998), onde sua personagem também lutava contra o câncer, e somos obrigados a dar espaço a uma mulher má, perversa, desagradável, que se delicia com o prazer de ofender os outros, e se esses outros são sua família, melhor ainda. Indicada pela décima oitava vez ao Oscar (recorde que deixa qualquer outro ator ou atriz muito para trás), essa dama da sétima arte não parece pretender humanizar sua personagem, em um dos momentos mais belos do longa, Violet conta uma passagem de sua infância que nos faz sentir pena, até ela mesma mencionar que é uma mulher diabólica e, ao concordarmos com ela, deixamos de sentir qualquer remorso. E uma das culpadas por ficarmos tão enojados com Violet é Barbara, personagem de Julia Roberts. Talvez por vermos que toda a monstruosidade da matriarca está refletindo em apenas uma coisa: a reprodução de outro monstrinho que tenta se igualar à mãe. Roberts tem a mesma fúria nos olhos, o mesmo desejo insaciável de aniquilar os outros apenas com palavras. A mesma intensidade vista em Streep, vemos em Roberts. Em uma das cenas mais deliciosas, e engraçadas do longa, Barbara, Violet e Ivy estão almoçando e Barbara se enfurece com a irmã e age como Violet: após Ivy atirar um prato no chão, Barbara debocha fazendo o mesmo e gritando que todos devem jogar o prato no chão, Violet, sorrindo diabolicamente, atira seu prato como se fosse algo normal a ser feito. Nessa cena, e na cena em que Barbara se joga sobre a mãe para tomar os calmantes de sua mão, vemos a perfeição na interpretação de Julia, que consegue, até mesmo, se parecer fisicamente com Streep por suas feições. E mais impressionante: compreendemos que, como Violet, Barbara se diverte com tudo aquilo.


O restante do elenco não é menos sublime que a dupla citada à cima. Não podemos dizer que esse ou aquele intérprete segura essa ou aquela cena. A esses gladiadores, foi dado o mesmo treinamento, as mesmas armas, as mesmas chances de treinar antes de entrarem na arena, são os personagens que sairão vivos, ou mortos, não os atores. Margo Martindale é Mattie Fae, outra mulher perversa e rancorosa. É ela quem nos faz sentir que existem apenas duas possibilidades para um filho de uma dessas duas irmãs: ou ele se torna como elas, ou se torna um ser que se sente impotente e insignificante até uma etapa da vida, aliás, os quatro filhos delas se sentem assim, alguns mais, outros menos. Martindale é forte e não tem nada que faça parecer que sua interpretação é uma tentativa de se igualar a Streep ou alguma referência à sua personagem estar tentando imitar a irmã. Martindale deixa claro que ambas são assim, cada uma possui uma personalidade, mas ambas são o retrato da mãe que tiveram. Chris Cooper e Benedict Cumberbatch são Charlie e Pequeno Charlie, respectivamente. Cooper está majestoso, trazendo um Charlie que já sabe como lidar com a esposa e segura as pontas de tanta loucura; Cumberbatch é o retrato da opressão e vemos, claramente, como o Pequeno Charlie criado por ele está tentando sustentar, sobre sua cabeça, o enorme peso de ser filho de Mattie Fae. Mas o Clã Weston nada seria sem Juliette Lewis e Julianne Nicholson, Karen e Ivy. Enquanto Lewis traz uma personagem irritantemente sorridente e que finge que a vida é um paraíso e que ela vive em um conto de fadas desde que conheceu o noivo, Nicholson nos traz uma personagem simples, cativante que também poderá irritar a quem não se contenta com pessoas fracas. Abigail Breslin mostra que cresceu, vivendo Jean, a filha de Barbara, a pobre coitada que, provavelmente, está herdando o dom da língua maldita das mulheres de sua família. Ewan McGregor e Dermot Mulroney são os genros de Violet, Bill, marido de Barbara, e Steve, noivo de Ivy. Os atores provam, mais uma vez, que são muito mais que rostinhos bonitos e trazem personagens distintos. Enquanto Bill é um homem íntegro que, por não aguentar mais a genética da esposa, arrumou uma amante, mas que está tentando concertar as coisas – ao menos com filha -, Steve é um canalha que não tem ideia do que o espera entrando para essa família ao casar com uma das filhas de Violet Weston.



É triste ver como as interpretações magníficas e todo o resto que compõe esse filme foram esnobados pelas grandes premiações. Provavelmente, os votantes ainda não estão preparados para ouvir tantos palavrões saindo de bocas tão decentes quanto as de Meryl Streep e Margo Martindale, ou não conseguiram assistir ao filme sem encontrar um pouco de sua família ali dentro (e você também encontrará) e ficaram revoltados com isso. Ou, ainda, ninguém está pronto para uma trama com tantas verdades, tantas surpresas, tantas ofensas, tantas loucuras entre pessoas que deviam se amar e se respeitar e se tratam como se a família fosse um fardo. As metáforas escondidas, ou escrachadas, da trama, são o que dão o tom melancólico e até agradável. As verdades atiradas pela boca de Violet, como se sua língua fosse o componente principal de uma catapulta que atira pedras para demolir castelos, são, sem dúvida, terríveis e são destinadas a qualquer efeito que não seja lisonjeador.  Mas também não direi que muito do que é dito aqui, se escutado com atenção, deixa de ter graça. Violet, como outra personagem de Streep já foi apontada, é uma sádica notória. Sua risada é violenta, seu temperamento é violento, suas palavras são violentas e até a forma como anda, abraça e diz palavras bonitas (que são raras, mas existem) parece mais um tapa na cara a um carinho de uma mãe amável. Esse filme não é do tipo que traz alguma lição de vida. Ele não quer mostrar a ninguém como o amor é importante ou como a amizade salvará todos das desgraças a que estamos fadados. O longa se refere às decadências vivenciadas pelo ser humano ao longo da vida, que é “longa demais”, como apontaria T. S. Eliot. E também é uma forma de mostrar a intimidade de uma família que representa qualquer outra, afinal, todas as famílias do mundo podem fingir que tem vidas perfeitas e podem esconder o passado, mas todos os clãs a que pertencemos possuem um teto de vidro, e ele não é laminado. Quando estoura, seus cacos se espalham para todos os lados, e será muito difícil juntá-los, e renuí-los será impossível.Também não vemos a referência a uma mãe que há muito começou a perder o controle sobre a vida das filhas, já que Violet não quer controlar, quer importunar. Esse filme é uma exposição afiada e irônica, assim como a boca cancerosa de Violet Weston sempre será. 

VENCEDORES DOS SINDICATOS:
Sindicato dos Roteiristas:
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Roteiro Adaptado: Billy Ray, por Capitão Phillips, baseado no livro “A Capitain’s Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea”, de Richard Phillips com Stephan Talty
Melhor Roteiro para Documentário: Sarah Polley, por Stories We Tell
USC Roteiristas (Roteiros Adaptados):
John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Sindicato dos Diretores:
Melhor Direção em Filme: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Direção em Documentário: Jehane Noujaim, por The Square
Sindicato dos Produtores:
Melhor Filme (empate): 12 Anos de Escravidão e Gravidade
Melhor Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Documentário: We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks
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domingo, 24 de fevereiro de 2013

088. (ESPECIAL OSCAR 2013) ARGO, de Ben Affleck


Não é tão arrebatador quanto o esperado, mas é uma das melhores direções do ano e um dos melhores filme de 2012. Surpeendente!
Nota: 9,5


Título Original: Argo
Direção: Ben Affleck
Elenco: Ben Affleck, Bryan Craston, Alan Arkin, John Goodman, Victor Garber, Tate Donovan, Cleau DuVall, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Chris Messina, Zeljko Ivanek, Titus Welliver, Keith Szarabajka, Bob Gunton, Richard Kind
Produção: Ben Affleck, George Clooney, Grant Heslov
Roteiro: Chris Terrio, Joshuah Bearman (artigo “Escape from Tehran”) e Tony Mendez (livro “The Master of Disguise”)
Ano: 2012
Duração: 120 min.
Gênero: Drama / Histórico / Thriller

Alguns minutos após chegar a uma entrevista de emprego – respondendo a um anúncio de jornal -, o americano Tony Mendez descobriu que se tratava de uma tentativa da Agência de Inteligência dos Estados Unidos da América (CIA) procurando por um bom desenhista. Desde então, Mendes se tornou o melhor falsificador da Agência. Em 1979, porém, fatos fizeram com que o agente enfrentasse a maior missão de sua carreira, e o imortalizasse na mente de grande parte dos americanos. Com a ascensão dos aiatolás liderados por Ruhollah Khomeini, parte do povo iraniano exigiu que os EUA extraditasse Mohammad Pahlavi – ex-governante do Irã e asilado político dos americanos-, em uma das diversas manifestações, o povo invadiu a embaixada norte-americana em Teerã. Apenas seis pessoas conseguiram fugir e foram abrigas pelos representantes do Canadá no Irã, e virou tarefa de Mendez trazê-los de volta.


No filme, a revolução é mostrada, bem como a invasão na embaixada – rica em detalhes que mostram os funcionários destruindo documentos oficiais que não podiam ser vistos por mais ninguém -, além disso, vemos a fuga dessas seis pessoas, que estavam em um prédio bem propício: ele tinha uma saída lateral que dava direto em uma rua mais calma. A partir do momento que o governo dos EUA descobre desses seis indivíduos, passa a estudar os meios de tirá-los de lá com a maior segurança possível, e é aí que Mendez entra, de fato, na história: é dele a idéia de se realizar um filme falso (o qual seria filmado em terras iranianas), fazer dos seis diplomatas seis profissionais do cinema (produtor, diretor, designer de produção, roteirista, câmera e gerente de locação) e tirá-los do Irã pelo aeroporto, como se os sete fossem canadenses.


Ben Affleck havia dirigido “Medo da Verdade” (2007) e “Atração Perigosa” (2010) – dos quais foi, também, roteirista – e, apenas, roteirizado “Gênio Indomável” (1997) – com o qual venceu o Oscar de melhor roteiro ao lado do amigo Matt Damon – e a fracassada série “Push, Nevada”. Não há como fazer uma previsão de um homem que dirigiu apenas dois longas, apesar disso, devemos admitir que ambos os filmes são bem melhores que o esperado. Dessa forma, “Argo” tornou-se uma incerteza para os espectadores que aguardaram o lançamento da produção. Para mim, apesar de todos os prêmios que venceu, o longa é uma surpresa até agora, isso, porque, o trabalho de Affleck na direção não poderia ser melhor (e ainda nem comecei a falar sobre sua atuação), é claro que há problemas graves no roteiro, mas são problemas do roteirista, não do restante da produção. Sendo assim, o que torna o filme algo tão único por parte de Affleck não é a forma como os acontecimentos são relatados, e sim sua preocupação em mostrar de forma simples e real alguns dos eventos que aconteceram de fato, tais como: as manifestações sociais dos jovens no Irã, as montagens feitas pelos garotos das fotografias dos diplomatas que trabalhavam na embaixada – os funcionários haviam colocado alguns dos documentos em um triturador de papel, e os revolucionários incumbiram crianças de encontrar cada tira e formar as fotos para ver quem estava faltando -, o enforcamento de um homem em público – o enforcamento não é mostrado, pior que isso, mostra-se o homem enforcado exposto na rua -, a queima da bandeira norte-americana pelos iranianos, o auxílio de um maquiador e de um produtor de Hollywood – também deixa-se claro que pessoas da área sempre ajudavam a CIA -, a efetiva participação das mulheres nas manifestações, a repercussão de grandes produções da época como “Guerra nas Estrelas”, as homenagens aos recém chegados na América e o não reconhecimento público da ajuda de Tony Mendez – ele chegou a receber a maior condecoração possível, mas teve que manter tudo na surdina, pois o crédito ao resgate ficou todo para o Canadá, apesar disso, há a preocupação de, nos créditos finais, deixar claro que o presidente Ronald Reagan, assim que eleito, resolveu revelar toda a história e deixar Mandez levar sua merecida glória.


Apesar de todos essas semelhanças, segundo o próprio Mendez, não é mostrado, no longa, que havia outras soluções mais arriscadas – obviamente nunca divulgadas -, os reféns não estavam em somente um prédio no Teerã – no filme eles estão apenas na casa do embaixador do Canadá -, e sim em dois; e Ben Affleck, apesar de atuar muito bem, não se parecia em nada com o homem real: é mais alto e mais bonito, “Eu teria escolhido Tommy Lee Jones, mas Ben se encaixa melhor no perfil de idade que eu tinha na época”, revelou o ex-agente, aposentado após 25 anos de serviço, e morando com a esposa, também aposentada da CIA, no estado de Maryland. O roteiro, escrito por Chris Terrio, possui ainda mais problemas em fatos reais, segundo Robert Fisk, escritor do famoso The Independent, os computadores, bem como os cartões de embarque eletrônicos no aeroporto do Irã são uma grande furada, acrescente a isso, não há nada de veracidade na perseguição dos revolucionários no final do filme, muito menos o fato de os iranianos terem sido tão amenos no aeroporto, além disso, a embaixada britânica não negou socorro aos seis diplomatas quando eles fugiram da embaixada americana e os canadenses foram muito mais participativos na fuga, para Fisk, “como é comum, os ianques pegam a maior parta dos louros”. No entanto, todos temos de admitir: a forma eletrizante como se dá a última hora do longa e as sacadas cômicas proporcionadas pelos representantes de Hollywood na primeira hora do filme, deixam a produção toda com leveza e destreza ao mesmo tempo.


Claro que um longa que faz um agradecimento ao cinema por ter auxiliado, mesmo que, na maior parte do tempo, sem intenção alguma, na fuga de seis americanos jurados de morte no Irã, teria indicações ao Oscar. Eis os indicados: melhor filme, após vencer os sindicatos dos produtores, atores, roteiristas e diretores, é o favorito na categoria, podendo perder apenas para “Lincoln” – afinal, é uma homenagem a um dos maiores americanos da história – ou, em minha opinião, para “O Lado Bom da Vida” – pois, parece que a Academia está achando as inovações do longa protagonizado por Bradley Cooper algo maravilhoso -; melhor ator coadjuvante para Alan Arkin, que interpreta o produtor Lester, acredito que o prêmio já seja de Christoph Waltz, por “Django Livre”; melhor roteiro adaptado para Chris Terrio, é um dos grandes favoritos, concorrendo apenas com “Lincoln”; melhor mixagem de som para John T. Reitz, Gregg Rudloff e José Antonio García, o trio já participou de outros grandes filmes que exigem uma excelente mixagem de som para se fazer entender, mas acredito que “Os Miseráveis” tenha mais chances por ter músicas gravadas apenas no set, e serem totalmente compreensíveis no longa; melhor edição de som para Erik Aadahl e Athan Van der Ryan, acredito que seja uma categoria técnica em que o filme esteja mais apto a vencer, mas também acho que o prêmio lhe escorregue pelos dedos e vá para “Django Livre”; melhor montagem para William Goldenberg, a montagem é fantástica, mas pode perder para “As Aventuras de Pi” e toda essa beleza do longa de Ang Lee; por fim, melhor trilha sonora para Alexandre Desplat, o cara é simplesmente fera e vem compondo ótimas trilhas, apesar de não ter gostado muito dela no começo por ser um pouco rara, a última hora de filme trás um tema excelente e um trabalho digno de prêmios. Não há como deixar de falar sobre a falta de Ben Affleck nas indicações esse ano: não passou nem perto de ser indicado por sua atuação e, contra todos os credos do momento da indústria cinematográfica, não está entre os melhores diretores do ano. Talvez você se pergunte como ele pode ser, então, o favorito para vencer o Oscar de melhor filme, exatamente, ninguém sabe o que fez a Academia esnobar Affleck e colocar em seu lugar Benh Zeitlin pelo fraco “Indomável Sonhadora”. Tudo bem que o Oscar goste de apelar um pouco e coloque esse filme por ser uma produção extremamente tocante, mas daí deixar de fora Affleck que acaba de vencer o prêmio do Sindicato dos Diretores?


Affleck está simplesmente excelente como Tony Mendez, pode até ser que o ator não esteja nada parecido com o real Mendez – até porque, na realidade, o ex-agente da CIA é descendente de mexicanos, o que fica evidente pelo sobrenome, mas gera dúvida pela aparência física do ator -, mas não há como negar que é demonstrado com perfeição como um homem na posição de Mendez se sente: nervoso, a ponto de explodir a qualquer momento, mas, ainda sim, sóbrio, afinal, deixar transparecer seu nervosismo significa por tudo a perder; além disso, é dele a tarefa de demonstrar maior interesse pela causa. Alan Arkin tem uma interpretação típica para uma indicação ao Oscar: de um produtor de Hollywood que ajudou Mendez, aqui parece que o ator está se divertindo o tempo todo interpretando o tipo de pessoa com quem ele teve de lidar a vida toda, e é essa experiência óbvia com produtores que faz a interpretação de Arkin ser tão boa. John Goodman é John Chambers, famoso maquiador de “Jornada nas Estrelas” (1966) e “O Planeta dos Macacos” (1968), nunca vi nenhum vídeo de Chamber, mas parece que Goodman está ótimo, pois mostra a parte louca e a parte patriota de um homem que, literalmente, faz sonhos tornarem-se realidade. Os interpretes dos agentes da CIA estão ótimos, assim como todo o pessoal que é visto no Irã, tanto os ligados a embaixada estadunidense quanto os ligados a embaixada canadense, todavia, não acredito que o prêmio do Sindicato dos Atores como melhor elenco do ano tenha sido tão merecido, produções como “Os Miseráveis” e “Lincoln” possuem um elenco mais participativo e não focam apenas em uma história como ocorre aqui, o prêmio foi merecido, mas há muito tempo que o Sindicato premia não o melhor elenco, e sim o melhor filme do ano.


No final das contas, “Argo” é mais uma grande produção que deseja, mais que qualquer outra coisa, fazer uma grande homenagem ao cinema, mostrar que graças a fama de grandes produções como “Guerra nas Estrelas” e “Planeta dos Macacos”, os EUA puderam trazer quase prisioneiros de volta e mostrar como o país ainda tinha aliados à sua volta, literalmente. Além disso, mostra como a indústria cinematográfica pode ganhar força a ponto de influenciar um país, apenas por vaidade, a ceder espaço a ponto de ser enganado pelo falso produtor de uma falsa produtora que está realizando um falso filme. Na há como não falar, também, sobre a beleza da abertura do longa, que nos dá um parâmetro de tudo que estava acontecendo na época no Irã, sem deixar qualquer espectador perdido ou desorientado, pois traz uma voz em off narrando uma história em quadrinhos onde os desenhos se “transformam” em seres humanos, fazendo um ponte entre a literatura, o cinema e a realidade. Acrescente a isso, para completar, os créditos são excelentes, mostrando as personagens reais e comparando-as com os atores caracterizados (chega a ser difícil adivinhar, no início, se a intenção é a de mostrar mesmo as semelhanças e diferenças, pois alguns deles ficaram simplesmente idênticos) e trazendo, ainda, fotos de acontecimentos reais da época. Entretanto, mesmo com tudo isso, não acredito que esse seja o melhor filme do ano, tudo bem, sem dúvida fica entre os cinco favoritos, mas daí ganhar tudo o que vem ganhando, não é para tanto. Tendo em vista todos os concorrentes do longa nas categorias técnicas do Oscar, é difícil que “Argo” vença alguns dos prêmios, entretanto, vendo a não indicação de Affleck e o arrependimento que os membros da Academia devem estar sentindo agora, é compreensível que o filme vença uns dois ou três, afinal, como ele pode ser o melhor filme do ano, e apenas isso? Talvez Arkin também se dê bem no final da história, pois é mais uma forma de mostrar que a Academia se importa e está se redimindo, todavia, nada mais pode ser feito para dar a Affleck o merecido Oscar de melhor direção, apenas podemos esperar que ele vença o de melhor filme – que ainda pode ser dado a qualquer outro concorrente apenas pela velha e boa birra (especialidade de crianças e velhos) - e mandar um recado singelo para a Academia e seus membros idiotas que o chutaram: “Argo fuck yourself!”


MAIORES INJUSTIÇAS DO OSCAR 2013
01. Não indicação de Jean-Louis Trintignant como melhor ator pelo francês "Amor";
02. Não indicação de Ben Affleck como melhor diretor por "Argo";
03. Não indicação de Katherine Bigelow como melhor diretora por "A Hora Mais Escura";
04. Não indicação de John Hawkes como melhor ator por "As Sessões";
05. Não indicação de Marion Cotillard como melhor atriz por "Ferrugem e Osso";
06. Não indicação de "Os Intocáveis" como melhor filme estrangeiro;
07. Não indicação de "007 - Operação Skyfall" como melhor filme do ano;
08. Não indicação de Javier Bardem como melhor ator coadjuvante por "007 - Operação Skyfall";
09.  A indicação de "Indomável Sonhadora" como melhor filme do ano;
10. A indicação de Behn Zeitlin como melhor diretor por "Indomável Sonhadora";

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quinta-feira, 1 de março de 2012

375. TUDO PELO PODER, de George Clooney

Um filme sobre política que fala exatamente sobre isso: política e suas formas sujas e desonestas.
Nota: 9,4



Título Original: The Ides of March
Diretor: George Clooney
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Jeffrey Wright
Produção: Grant Heslov, George Clooney, Brian Oliver,
Roteiro: Grant Heslov, George Clooney e Beau Willimon
Fotografia: Phedon Papamichael
Duração: 101 min.
Ano: 2011
Gênero: Drama


CONFIRA O TRAILER DO FILME:


           A política é um meio arriscado de se viver a vida, e é essa a maior conclusão que podemos tirar dese filme. O publicitário Stephen Myers (Ryan Gosling) é um idealista político que admira profissionalmente Mike Morris (George Clooney) e suas ideias acima de qualquer outro político. Eis que Morris é candidato a presidência dos Estados Unidos da América e Myers um de seus principais assessores políticos, e é ai que mora o perigo. O rapaz se vê rodeado de pessoas que ele não faz ideia do que pretendem, em meio a isso tudo ele descobrirá as sujeiras que envolvem o chefe da assessoria Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), o chefe de assessoria da opocição Tom Duffy (Paul Giamatti), a repórter política de um dos maiores jornais do país Ida Horowicz (Marisa Tomei) e a estagiária por quem ele se apaixona Molly Stearns (Evan Rachel Wood).
           Com um elenco tão fantástico Clooney não poderia errar em nada, apesar de ele ter dirigido poucos trabalhos (filmes foram apenas quatro, e uma série para televisão em 2005) ele se mostra muito mais do que um ator. Aqui ele acumula muitas funções: é diretor, vive o candidato a presidência, adapta a peça de Beau Willimon ao lado do próprio e de Grant Heslov e ainda é um dos produtores do filme, mas faz todas elas com uma competência que eu não espera vindo dele, sua atuação supera em muito o filme "Os Descendentes", aliás, esse filme supera em muito o filme dirigido por Alexander Payne, o roteiro é maravilhoso e a direção impecável. Clooney escolhe as tomadas exatas e os momentos são precisos.



          Mas existe alguma coisa a parte nesse filme, faz algumas críticas que venho querendo dar um ênfase no compositor Alexandre Desplat por seus trabalhos nos últimos anos estarem sendo tão bons, melhor ainda, 2011 foi uma ano e tanto para ele e é imperdoável ver John Willians (que apesar de ser, na minha opinião, um dos melhores compositores de trilhas sonoras para filmes de todos os tempos e um dos maiores vivos não faz muita coisa em "Cavalo de Guerra") indicado por "Cavalo de Guerra" e não ver Desplat entre os cinco. Bem, o fato é que Desplat participou das trilhas sonoras de nada mais nada menos do que oito filmes lançados em 2011: "Tão Forte e Tão Perto", "Carnage", "Tudo Pelo Poder", "Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte II", "Uma Vida Melhor", "A Árvore da Vida", "La Fille du Puisatier" e "Largo Winch II", desses eu assisti cinco (que inclusive são indicados em pelo menos uma categoria no Oscar) e confesso que não me decepcionei nem um pouco. Por fim, podemos concluir que o francês está lutando e se esforçando muito para nos fazer acreditar que ele pode ser o quarto entre os melhores compositores atuais (John Williams, Howard Shore e Hans Zimmer) que juntos os (quatro) somam no ano de 2011 mais de vinte trilhas sonoras e são os responsáveis pelas maiores franquias dos últimos anos: "Harry Potter", "O Senhor dos Anéis" e "Piratas do Caribe", que, juntando-se todos os seus filmes somam quase quinze bilhões de dólares de lucro. Em "Tudo Pelo Poder" ele é fantástico e sua trilha é extremamente apropriada para cada cena.
       Clooney, Seymour Hoffman, Giamatti e Tomei já são nomes conhecidos e garantia de atuações satisfatórias mesmo que em filmes ruins. Já Gosling e Rachel Wood são nomes menos conhecidos, mas que prometem muito. Ele ganhou o público apenas em 2004 (já atuava desde 1995) com o fraco "Diário de uma Paixão" e se firmou como um dos melhores de sua época em 2010 com "Namorados para Sempre" onde contracena com Michelle Williams, esse ano lança quatro filmes entre longas e um curta, todos extremamente bem aclamados pela crítica e pelo público. Ela é um pouco mais nova, apenas 25 anos e conquistou público e crítica em "Aos Treze" de 2003 (lembro-me bem da certa polêmica que esse filme causou e como começou a ser utilizado como material nas escolas alertando os perigos das drogas), hoje ela já possui 27 indicações à prêmios, venceu oito, dentre algumas indicações estão o Globo de Ouro e o Emmy; apesar de tudo foi apenas no ano passado que ela foi reconhecida da forma que devia por uma das melhores minisséries que já assisti, em "Mildred Pierce" ela atua como filha de Kate Winslet e é magnífica, aliás as duas o são, dentre seus outros trabalhos estão filmes como "Across the Universe" (2007) e "O Lutador" (2008) e a série True Blood (2009-2011)



          Existem acontecimentos nesse louco mundo do entretenimento que são inexplicáveis, um deles é "Tudo Pelo Poder" ter sido tão rejeitado pelas premiações, apesar disso marcou 85% de aceitação no maior site de críticos do mundo (http://www.rottentomatoes.com/). Provavelmente devemos essa rejeição ao fato de o filme abordar essa sujeirada da política americana de forma tão aberta para que qualquer um possa ver como rola a coisa entre eles. Pelo poder os humanos são capazes de tudo, não existem inocentes quando o assunto é chegar ao topo de dominar o maior número possível de pessoas no mundo e esse filme mostra de forma perfeita esse ideal.
         O filme foi indicado a apenas um Oscar, de melhor roteiro. Foi indicado em quatro categorias do Globo de Ouro, não levou nenhuma. Também foi indicado no Sindicato dos Produtores, e perdeu.Foi indicado ao BAFTA, não ganhou. Coube ao Instituto Australiano de Filmes considera-lo melhor filme e roteiro do ano.

           Essa semana o Festival de Cannes publicou o cartaz de sua 65ª edição, confiram a homenagem à Marilyn Monroe abaixo:

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