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domingo, 2 de março de 2014

010. (ESPECIAL OSCAR 2014) O LOBO DE WALL STREET, de Martin Scorsese

Scorsese volta às origens e denuncia, mais uma vez, a corrupção que construiu a América.
Nota: DEZ


Título Original: The Wolf of Wall Street
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal, Jon Favreau, Jean Dujardin, Joanna Lumley, Cristin Milioti, Chrstine Ebersole, Shea Whigham, Katarina Cas, P. J. Byrne
Produção: Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio, Riza Aziz, Joey McFarland, Emma Tillinger Koskoff
Roteiro: Terence Winter  e Jordan Belford (autobiografia)
Ano: 2013
Duração: 180 min

Gênero: Comédia / Biografia

Em 1986, aos 24 anos, Jordan Belfort entrou para o mundo dos negócios trabalhando para a corretora Rotschild. O sonho de Belfort era um sonho simples e comum: tornar-se rico. De forma nada convencional e muito rápida, Jordy abriu sua própria corretora em menos de dois anos. Entre 1988 e 1998, Jordan Belfort somou uma quantia avaliada em mais de 8 bilhões de dólares, roubando somas monetárias de pessoas simples e chegando a passar a perna em grandes investidores. Após gastar o dinheiro que ganhou com muitas festas, sexo e drogas, Belfort foi preso em 1998 e permaneceu 22 meses na prisão. Após deixar a cadeia, Belfort passou a ensinar pessoas a como ganhar dinheiro.


No filme, Belfort é um homem rico, casado com uma mulher perfeita, tem dois filhos e mora em uma mansão dos sonhos de qualquer ser humano. Para conquistar tudo isso, ele foi para Nova York, começou a trabalhar em uma grande empresa, acabou abrindo sua corretora com o amigo Donnie Azoff, fez fortuna, separou-se da esposa chata, casou com a esposa bonita. Com todo seu dinheiro, comprou iates luxuosos, promoveu festas que chegaram a custar mais de meio bilhão de dólares (bilhão!) e consumiu drogas lícitas e ilícitas. O problema é que Belfort nunca investiu seu dinheiro para ganhar mais dinheiro, ele gastava o dinheiro de seus clientes, e foi quando a polícia pegou seu esquema que sua vida esquentou de verdade.


Jordan Belfort nos conta toda sua história. Ele conversa com o público, é como se todo o filme não passasse de um monólogo, onde Belfort se vangloria por cada um de seus feitos. Ele já começa o longa casado com uma mulher invejável e com toda a vida dos sonhos. Tudo de mais interessante que aconteceu com o personagem nos é apresentado. Por exemplo, a forma como ele se tornou o lobo de Wall Street: um apelido dado por uma colunista da revista Forbes, a mais importante publicação de negócios os EUA. O apelido, obviamente, foi aceito por Belfort de imediato. A paixão por sua segunda esposa é outra passagem interessante: Naomi Lapaglia, uma mulher sensual que transpira luxúria e que vê todo o sucesso do marido, aguenta as traições (não de bico calado, mas aguenta) e que contorna as mancadas de Jordan pelo uso das drogas. Naomi se mostra uma mulher de grande personalidade desde o início: aparece nua para Belfort quando ele menos espera, grita com ele e o ameaça quando desconfia de uma traição após o casamento, critica o marido devido ao uso excessivo de drogas, cobra de Belfort responsabilidade paternal, e, em uma das melhores cenas do longa (em que os intérpretes de Naomi e Jordan mostram perfeita sincronia) abre as penas para o marido provocando-o e, quando ele se atira no chão para se deliciar com a esposa ela se masturba e informa que ele apenas verá sua vagina durante um bom tempo e que tocá-la será um milagre. O que vem na sequência seria desagradável revelar. Não podemos deixar de citar as cenas incríveis nos bastidores de Wall Street. O início do longa já é louco: dois homens – um deles Belfort – arremessam um anão em um alvo. Ao redor deles, acontece uma festa inacreditável após o expediente de um grupo formado quase que só por homens típicos da tão famosa rua de Nova York. E se os acontecimentos inusitados dentro do escritório já são inacreditáveis, é por que os acontecimentos fora dele ainda não foram checados: Belfort sofre um naufrágio e é resgatado por um helicóptero; em uma festa na casa de Belfort, quando ele ainda era casado com a primeira esposa, Naomi é apresentada por uma amiga e Donnie fica tão fissurado por ela que se masturba na frente de todos; e, após tomar uma droga guardada há 15 anos, Jordan fica tão mal que tem que se arrastar até seu carro para tentar impedir que Donnie, também drogado, revele segredos pelo telefone da casa de Belfort, que foi grampeado pelo FBI. Alguns fatos são reais, outros, pura ficção. Assim como não é tarefa do diretor Martin Scorsese julgar ou não o que Belfort fez, não é minha tarefa dissertar acerca das veracidades do longa, portanto, caso se interesse sobre aquilo que aconteceu ou não com Belfort, acesse: http://www.publico.pt/cultura/noticia/acusado-de-glorificar-o-crime-e-o-excesso-quao-verdadeiro-e-o-lobo-de-wall-street-1618897#/0.


Quando Martin Scorsese foi anunciado como o diretor dessa adaptação não houve nenhum cinéfilo que não tenha se animado com o longa. Quando o trailer foi lançado não existiu uma pessoa que o assistisse e não tivesse vontade louca de conferir o filme todo. Quando o filme foi lançado, uma enxurrada de críticas negativas caiu sobre a cabeça do mestre. A maioria alegando que Scorsese, ao contrário do que fez em seus filmes anteriores, defende e até glorifica tudo o que o protagonista fez. Outros reclamavam que o longa não possui tanto conteúdo para que possua 180 minutos de duração e que toda a história não passa de enrolação. Alguns ainda falam sobre o filme ser confuso e muito exagerado ao mostrar todas as farras do pessoal da Wall Street. E, ainda, existem os que se consideram mais católicos que Martin (que sonhava em ser padre) e dizem que o longa possui muito sexo, drogas e nudez. O fato é que esse filme é de Martin Scorsese, e o diretor pode fazer o que ele quiser em seus trabalhos com apenas uma certeza: o filme será um acontecimento para o cinema. Aqui, ele foge da Paris vista em seu último filme, “A Invenção de Hugo Cabret” (2011) e volta à Nova York, sua terra natal. Mais que isso: ele deixa a homenagem ao cinema de lado e volta a abordar o tema que lhe rendeu a fama. É necessário apontar que, durante a carreira de Scorsese, vimos muitos de seus filmes completarem uns aos outros. Alguns até parecem cópias deles mesmos, mas todos são originais pela forma diferenciada que cada um mostra, ou delata, o que aconteceu para que os Estados Unidos se formacem. Apesar das três horas de filme, tudo passa de forma muito agradável. Entramos em mundo de cobiça, corrupção, boemia, alucinações, luxúria, enfim, Martin nos coloca dentro do mundo dos negócios. Filmado em 35 mm e em digital, o longa, além de inovar (como “A Invenção de Hugo Cabret” fez com o 3D), sendo lançado nos EUA apenas em versão digital, parece cada vez mais realista e, como sempre, os ângulos escolhidos por Scorsese nos fazem participar da trama em alguns momentos e, em outros, apenas assistir aos absurdos que estão acontecendo e invejar todo o luxo que a vida de Belfort se tornou.


A façanha do diretor é tamanha que, como disse, em momentos, estamos dentro do longa, somos bandidos, frequentamos festas caras e vestimos roupas de 3 mil dólares, em outras ocasiões, somos apenas espectadores, apenas desejamos tudo o que os personagens possuem: a riqueza, a beleza e a astúcia. Scorsese consegue nos fascinar com a história de Belfort (é impossível não sentir um pouco de inveja ou um pouco de admiração por um homem que ganha 4 milhões de dólares por minuto). No entanto, o diretor, de forma maestral, após passar quase duas horas apenas mostrando a beleza de se ter dinheiro e poder gastá-lo da forma que bem se entende, nos traz os “tiras” e vemos a vida do homem rico e admirado por todos, com sua bela mansão, seu belo carro e sua bela esposa ir por água abaixo. Durante todo o longa, Scorsese preparou tudo com cuidado. As músicas falam por si só, seja de forma engraçada ou séria, a canção tocada para Jordy e Naomi dançarem em seu casamento é “Goldfinger”, deixando claro que a paixão por dinheiro de Belfort é comparável à paixão do vilão de 007 por ouro. Scorsese atribuí características muito próprias a cada personagem, apresenta paisagens claras, belas e interessantes ao olho humano e mostra o glamour da vida de pessoas ricas. Mas também, o diretor traz cenas humilhantes para esses endinheirados, apresenta a realidade triste da necessidade do uso de drogas por quem trabalha com negócios – afinal, a pressão é tanta que sem um cigarro (e uma cocaína, e um crack, e algumas pílulas) ninguém segura esse rojão -, mostra o quão deprimente é ser casado com uma mulher fantástica como a de Belfort e precisar de prostitutas para provar que qualquer mulher pode ser sua. O mais deprimente em tudo isso, é ver como Belfort termina o longa achando que a vida ainda é um paraíso. A escolha de Scorsese em colocar o empresário no final do filme não me parece uma homenagem, está longe disso, é mais uma forma sutil do diretor mostrar o quanto esse homem pode ser desprezível.


Leonardo DiCaprio é, se dúvida, um dos melhores atores de sua época. Desde antes de “Titanic” (1998), o ator já se mostrava uma promessa para as próximas décadas. Desde “Gangues de Nova York” (2002), DiCaprio amadureceu, e isso não se deve apenas a sua passagem dos 28 aos 40 anos. Scorsese tem parte nisso. Acredito que DiCaprio vinha sendo moldado por Scorsese como o mocinho bom e honesto dos quatro longas anteriores da dupla para que o diretor entregasse o verdadeiro papel que o ator merecia. Como Belfort ele está fantástico, e ainda parece trazer um pouco da insanidade de Brandon Darrow vivido em “Celebridade” (1998), longa de Woody Allen. Há pouco de Belfort em DiCaprio, e é isso que faz da interpretação de DiCaprio a melhor do ano. Ao mesmo tempo, o ator é nojento e sensual, mesquinho e adorável,  ambicioso e amoroso, desprezível e digno de pena. Apontar apenas uma cena do ator que seja memorável no longa é algo impossível. DiCaprio vai além dos limites que acreditávamos que ele possuía como ser humano. Em uma das melhores cenas, ele debocha de um homem com quem está fechando um negócio por telefone. Outra excelente é a discussão com a esposa Naomi. Sem falar nos momentos em que Belfort está completamente chapado ou quando se mostra um verdadeiro líder admirado por todos na empresa. Ainda existem os momentos cômicos ao extremo, como quando é obrigado a rolar sobre as escadas após ingerir muita droga e não conseguir ter controle sobre seu corpo e ainda ter de arrancar o telefone do amigo e impedir que o mesmo engasgasse com um pedaço de presunto. Isso tudo sem falar nas feições debochadas que nos apresenta durante todo o longa: quando é chamado de “pequeno homem”, quando morde a mão ao comentar com o pai sobre as mulheres com quem ele fica, quando joga dinheiro ao vento, quando nos confessa que tudo o que fazia era ilegal, quando (mais uma fez na cena perfeita dele e Naomi) tenta conquistar o perdão da esposa e dá o troco na mesma por brincadeirinhas que ele não aprova nem um pouco.


Ao lado do ator, e não menos incrível, está a revelação Margot Robbie, como Naomi. A atriz é uma das belezas mais estonteantes lançadas nos últimos anos e nos apresenta uma interpretação intensa, provando que não é apenas um corpo bonito. Robbie é ousada: em seu primeiro grande filme, aparece em um nu frontal de tirar o fôlego, provoca DiCaprio na cena mais que sensual em que se masturba em frente ao marido e fala com ele de uma forma sexy e apelativa ao extremo. Antes disso, ela tem outra boa cena, onde discute com o Belfort e joga água na cara dele algumas vezes, é uma mistura de cena esposa ciumenta com cena cômica. A química entre DiCaprio e Robbie é inegável e mesmo a cena em que os dois discutem a ponto de DiCaprio bater em Robbie é maravilhosa e a sintonia entre os atores permanece do começo ao fim. Jonah Hill, outra grande revelação dos últimos anos, é Donnie, um completo viciado em drogas que faz sua vida pessoal virar um inferno o tempo todo. O personagem criado pelo roteirista é ainda mais intragável que Belfort: é um homem inútil e bajulador que está disposto a tudo para conseguir dinheiro. Hill nos apresenta o personagem mais típico e desagradável. O ator acaba se destacando pela cena em que se masturba em frente a todos, um ato tão ousado quanto os de Robbie, mas a cena em que vê todos os seus colegas sendo presos pela polícia demonstra como o ator tem timing para drama também. Sem falar nas cenas em que o ator está chapado e não consegue nem falar direito. Para acompanhar esse trio, um elenco fantástico. Matthew McConaughey, por exemplo, é o perfeito homem de negócios que acredita ser o homem mais incrível do mundo. Max Belfort, pai do protagonista, é interpretado por Rob Reiner, que consegue mostrar o lado pai e o lado administrador de forma maravilhosa. Jean Dujardin nos presenteia com uma interpretação surpresa como um banqueiro suíço, trazendo cenas engraçadas e debochadas. Joanna Lumley, por fim, tem uma participação como a tia de Naomi, Emma, uma inglesa classuda e muito suspeita que ajudará Belfort a esconder seu dinheiro.


“O Lobo de Wall Street” é indicado a 5 prêmios no Oscar. O mais importante, obviamente, é a indicação como melhor filme do ano. “O Lobo de Wall Street” está entre os cinco favoritos, o problema é que, provavelmente poderíamos classificá-lo como o quarto favorito, perdendo para “12 Anos de Escravidão”, “Gravidade” e “Trapaça”, nessa ordem. Em minha opinião, o único desses que poderia ser melhor que o longa de Scorsese é “Gravidade”, devido a todas as inovações feitas por Alfonso Cuarón. Scorsese é indicado como melhor diretor. Ao seu lado estão bons nomes, mas nomes com carreiras muito inferiores: Cuarón, David O Russel, Steve McQueen e Alexander Payne, o provável vencedor é Cuarón, devido às grandes vitórias nas principais premiações até hoje e ao fato de ter se entregado ao filme de forma inacreditável, desenvolvendo táticas improváveis e muito inusitadas para chegar ao resultado final incrível que é o filme. Leonardo DiCaprio conseguiu a inesperada indicação como melhor ator. Inesperada não significa desmerecida, mas é inacreditável ver o ator indicado por uma comédia. Apesar de acreditar que essa seja uma das interpretações mais surpreendentes e agradáveis de sua carreira, as chances de ele tirar o prêmio de Matthew McGonaughey (excelente em “Clube de Compras Dallas”) é mínima. Mesmo assim, reforço: achei Christian Bale fraco para comédia, McConaughey parece demais com ele mesmo em algumas cenas e Chiwetel Ejiofor é um negro que representa um negro que sofreu preconceito e todos os negros europeus ou americanos já sofreram preconceito alguma vez na vida, DiCaprio possui, por fim, a melhor atuação do ano. Jonah Hill é indicado como melhor ator coadjuvante, o que é mais surpreendente ainda. O que continua não significando incompetência, ele apenas esteve fora de muitas outras premiações importantes. O prêmio já é de Jared Leto e eu não serei um a discutir quanto essa escolha muito previsível da Academia. Por fim, o roteiro de Terence Winter aparece na categoria de melhor roteiro adaptado. Apesar de o provável ganhador ser “12 Anos de Escravidão”, prefiro o roteiro de Winter e ainda torço para que ele vença. A forma como todo o enredo se desenvolve e a sacada de DiCaprio narrar e “conversar” diretamente com o espectador são excelentes e formam um filme com pouca complexidade na trama. Repare: o filme não tem complexidade linear, não nos perdemos na história nem nada do tipo, mas a forma como Winter e Scorsese alternam entre o paraíso e o inferno dos ricos é algo em que devemos prestar muito a atenção para que exposição não se confunda com glorificação. Duas considerações: Telma Schoonmaker ter ficado de fora como melhor edição foi a maior decepção do ano para mim, o trabalho dessa mulher incrível e vivo, inteligente e merecedor de aplausos. Por último, acredito que o filme seja uma das maiores decepções no Oscar esse ano, as chances para qualquer vitória são mínimas. E é triste ver como um filme com tanta qualidade seja desprezado por ser real.



Em uma cena fantástica, o pai de Jordan alerta: um dia você sofrerá as consequências, e, ao contrário do que muitos dizem, “O Lobo de Wall Street”, um dos melhores filmes do ano (a melhor comédia em anos), não glorifica nenhum ato ilícito para lucro financeiro, ele apenas expõe uma realidade nojenta e apavorante. O problema da maioria das pessoas é que é difícil rir de piadas com humor negro, é complicado perceber a ironia humorística de uma canção debochada e é ainda mais difícil admitir que seria incrível ter uma vida como a de Belfort. Para piorar a situação, o povo de modo geral ainda tem medo de admitir que a vida pode ser resumida em sexo, dinheiro e comida sim, pois são essas coisas que, hoje, matem o ser humano vivo. Sem uma delas, nada pode dar certo, pois sem elas não temos nem a auto confiança para permitirmos sermos amados ou amarmos alguém. A nudez, o sexo, o uso de drogas, o consumo desenfreado de bebidas alcoólicas, a roubalheira de dinheiro, a cobiça, a inveja e o desejo, tudo isso faz parte da vida do ser humano, o problema é que assistir a tudo isso em um filme biográfico ainda é algo difícil para o mundo, afinal, a verdade ainda é difícil. Entretanto, a verdade deve ser dita e divulgada. Jamais negarei que Scorsese surpreende e pesa a mão nesse filme (não a ponto de ser ofendido como já chegou a acontecer), mas ele faz isso para dizer apenas uma coisa: no final das contas, mesmo que passemos por momentos de glória, todos sofreremos as consequências de nossos atos, e nenhum homem será poupado. Ou, o diretor estava apenas voltando às suas origens e delatando que as mãos que constroem a América hoje nada possuem em diferente daquelas que, outrora, atracaram em Nova York: são egoístas, mesquinhas, sujas, rasteiras e intragáveis como qualquer outro ser humano.



TOTAL DE VITÓRIAS NA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2013 - 2014
             As contagens são referentes aos prêmios que estão nas tabelas das postagens anteriores (aqui e aqui), ou seja, as principais categorias do Oscar. Todas as demais categorias de todos os prêmios podem ser conferidas no ESPECIAL RESULTADOTEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2013 – 2014. Nem todos os filmes indicados ao Oscar estão listados abaixo, apenas aqueles que aparecem nas tabelas.

12 Anos de Escravidão: 106 vitórias
Gravidade: 44 vitórias
Clube de Compras Dallas: 41 vitórias
Blue Jasmine: 30 vitórias
Ela: 30 vitórias
Trapaça: 24 virórias
Iside Llewyn Davis: 14 vitórias
Nebraska: 6 vitórias
Frozen: 6 vitórias
O Lobo de Wall Street: 5 vitórias
Capitão Phillips: 5 vitórias
Antes da Meia Noite: 5 vitórias
A Grande Beleza: 3 vitórias
O Grande Gatsby: 2 vitórias
Walt nos Bastidores de Mary Poppins: 2 vitórias
Philomena: 2 vitórias
All is Lost: 1 vitória
Os Suspeitos: 1 vitória
O Grande Mestre: 1 vitória
Jackass: Vovô Sem Vergonha: 1 vitória

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

034. (ESPECIAL OSCAR 2014) O GRANDE GATSBY, de Baz Luhrmann

Cores demais, rap demais, futurista demais, intenso demais, decepcionante demais.
Nota: 7,5



Título Original: The Great Gatsby
Direção: Baz Luhrmann
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Isla Fisher, Elizabeth Debicki, Joel Edgerton, Jason Clarke, Adelaide Clemens, Amitabh Bachchan, Kasia Stelmach, Conor Fogarty, Gus Murray, Brendan Mclean, Alison Benstead, Elliott Collinson, Stefen Mogel, Brandon Prince, Henry byalikov
Produção: Lucy Fisher, Catherine Knapman, Baz Luhrmann, Catherine Martin, Douglas Wick
Roteiro: Baz Luhrmann, Craig Pearce e F. Scott Fitzgerald (romance)
Ano: 2013
Duração:
Gênero: Drama

Nova York, 1922. Nick Carraway se muda para a grande cidade e aluga uma casa ao lado da mansão do misterioso Jay Gatsby. Enquanto Gatsby promove festas alucinantes e fantásticas, que são frequentadas por toda a cidade, Nick se fascina com o novo vizinho e passa seu tempo vendendo ações, lendo e visitando a prima que mora no outro lado da baía, Daisy Buchanan. Casada com o milionário Tom Buchanan, ela vive uma vida triste e frustrada. Mas quem é Jay Gastby, um assassino, um herdeiro, um parente de Hitler? Da onde vem todo seu dinheiro, de suas farmácias, do contrabando, de investimentos de sorte? E por que Gatsby promove todas aquelas festas?


Em 1974, a primeira adaptação para o cinema da obra de Fitzgerald foi lançada. A direção era de Jack Clayton e o roteiro de Francis Ford Coppola. O elenco contava com Robert Redford como Gatsby, Mia Farrow como Daisy, Sam Waterston como Nick e Bruce Dern como Tom. O longa é puro, as cores são suficientemente convicentes, o jazz impera o tempo todo, os diálogos são compreensíveis e muito bem escritos e a linearidade é muito bem montada. Além disso, a fotografia e a composição dos cenários são perfeitas, a grandiosidade e a solidão de Gatsby são tão reais e palpáveis quanto seu motivo para realizar as festas. Luhrmann também é intenso, intenso demais. O figurino é lindo, mas muito futurista. O jazz se mistura com o rap e nos traz um estilo que seria visto nos EUA apenas anos depois, alguns arranjos musicais são ótimos, mas, em sua maioria, muito modernos para o contexto histórico. Tudo acontece rápido demais, com muita euforia e muita pompa, muito mais do que Gatsby realmente propunha em sua história. Além disso, o roteiro explica muitas coisas que deveriam ficar subentendidas, tornando-o um filme comum demais. Para completar, o filme é muito colorido, as cores chamam muito a atenção e  os personagens e seus intérpretes acabam ficando em segundo plano em relação ao cenário.


Em resumo, toda a produção parece uma mistura dos filmes anteriores de Lurhmann. A dança e a festividade já haviam sido vistas em “Vem Dançar Comigo” (1992), filme onde temos um figurino exuberante e chamativo. O romance impossível já fora visto em “Romeu+Julieta” (1996), onde o protagonista é DiCaprio e onde o diretor modernizava o clássico inglês. As cores e as músicas futuristas também podem ser identificadas em “Moulin Rouge: Amor em Vermelho” (2001), onde o pano de fundo é a um cabaré que tem Nicole Kidman como a principal dançarina. O filme é um clássico dos musicais do novo século, mas é exagerado, assim como “Gatsby”, em seus figurinos, músicas e cores. Mas é em “Austrália” (2008) que vemos a mesma acentuação das cores, mesmo que o longa seja um drama sobre os problemas enfrentados por uma mulher, que luta para manter a fazenda do falecido marido. A própria Nicole não acreditou que sua atuação possa ter sido tão ruim. As indicações ao Oscar são poucas, mas são merecidas. A primeira é como melhor figurino, para Catherine Martin, vencedora do Oscar pelo figurino e pela decoração do set de Moulin Rouge. Os concorrentes são de peso, mas “Gatsby” é um dos grandes favoritos, e não é preciso dizer muito tendo em vista as fotos apresentadas na crítica. A outra indicação é como melhor direção de arte, para Catherine Martin e Beverly Dunn. Assim como o figurino, as fotos são suficientes para ver como a arte do longa é rica em detalhes e chama muito a atenção. É importante lembrar que, no ano passado, o filme “Anna Karenina” era um dos favoritos nas categorias artísticas, e acabou levando o prêmio pelo figurino.  O mesmo aconteceu com “Alice no País das Maravilhas” (2010), vencedor nas duas categorias.


Tobey Maguire é quem dá vida a Nick Carraway. Não sei se é o fato de ter achado a interpretação de Waterston perfeita como Carraway ou se Maguire está ruim mesmo, mas o fato é que o ator não convence em momento algum. Maguire lembra demais seu personagem em “O Homem-Aranha”, possui cenas histéricas chatas e só tem bons momentos enquanto conversa com o terapeuta. DiCaprio, por outro lado, está ótimo como Jay Gatsby. Não há motivos para comparar sua interpretação com a de Redford por uma simples razão: os atores são completamente diferentes, são originais. DiCaprio, durante todo o longa, mantém a essência do homem apaixonado e rancoroso que compõe Gasby: da mesma forma que ele ama uma mulher, odeia a sociedade por ter feito ele deixá-la para se tornar um homem rico e poderoso. Se há uma coisa que merece ser destacada como superior nesse filme em relação à adaptação de 1974 é a intérprete de Daisy. Carey Mulligan consegue dosar perfeitamente a menina apaixonada, com a mulher interesseira, com a doente histérica. As cenas apaixonadas são cativantes. As cenas em que finge não ligar para as amantes do marido são desprezíveis. Os momentos de angústia, medo e pavor são intensos e combinam com a atmosfera criada por Lurhmann.



“O Grande Gatsby” apresenta uma história rica e muito bonita. A forma como Lurhmann explora tais aspectos se torna pobre em meio a tanto luxo e riqueza. Mesmo com a beleza estética e a qualidade sonora, são as interpretações de DiCaprio e Mulligan que sustentam o longa. O diretor, nesse contexto, acaba explorando mais a vida rica que os personagens levam, a boemia, as bebidas e as festas sem fim e se esquece da essência da história do homem por traz do grande Gatsby. “O Grande Gatsby” é, sem dúvida, um dos maiores romances românticos da história da literatura. Gatsby não é grande apenas por ser rico. Gatsby é grande por ser gentil, educado, inteligente, esperto, e amável por ter buscado fortuna para ser merecedor da mão da mulher que ama. A vida de Gatsby parece grande devido às festas que promove, ao dinheiro que gasta, aos negócios que realiza. Da mesma forma, as frustrações de Gatsby são grandes, seus medos, seus pesadelos, suas dúvidas. Seria injustiça revelar alguns aspectos cruciais e belos que compõe a história de Jay Gatsby, pois seria impossível expô-los sem fazer revelações importantes para o enredo. Basta dizer que “O Grande Gatsby” explora os mais variados sentimentos do ser humano, propõe que indaguemos a nós mesmos questões importantes para a vida e nos faz visualizar as mais diferentes facetas que o destino pode nos mostrar. Mas é o romance de Fitzgerald que faz isso, não o filme de Luhrmann.

VENCEDORES DO PRÊMIO DOS CRÍTICOS DE FILME ONLINE DE NOVA YORK
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Elenco: Trapaça
Melhor Roteiro: Spike Jonze, por Ela
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Filme de Animação: The Act of Killng
Melhor Trilha Sonora: Inside Llewyn Davis
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por Gravidade
VENCEDORES DO PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE FILME ONLINE DE BOSTON
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Steve McQueen, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Elenco: 12 Anos de Escravidão
Melhor Roteiro: Antes d Meia Noite
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Documentário: The Act of Killing
Melhor Filme de Animação (empate): Fozen: Uma Aventura Congelante e Vidas ao Vento
Melhor Trilha Sonora: 12 Anos de Escravidão
Melhor Fotografia: Inside Llewyn Davis
Melhor Edição: 12 Anos de Escravidão
 Os Dez Melhores Filmes do Ano: 1. 12 Anos de Escravidão; 2. Inside Llewyn Davis; 3. O Lobo de Wall Street; 4. Gravidade; 5. Antes da Meia Noite; 6. The Spectacular Now; 7. Azul é a Cor Mais Quente; 8. Spring Breakers; 9. The World’s End; 10. Fruitvale Station: A Última Palavra.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

038. OS INFILTRADOS, de Martin Scorsese

Scorsese jamais será enfadonho enquanto refletir sobre as realidades de sua terra natal.
Nota: 9,7


Título Original: The Departed
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Mark Wahlberg, Jack Nicholson, Martin Sheen, Ray Winstone, Vera Farmiga, Anthony Anderson, Alec Baldwin, Kevin Corrigan, James Badge Dale, David O’Hara, Mark Rolston, Robert Wahlberg
Produção: Brad Grey, Graham King, Brad Pitt,
Roteiro: William Monahan
Ano: 2006
Duração: 151 min.
Gênero: Drama

Quando criança, Colin foi apadrinhado pelo chefe do crime de Nova York, Frank Costello. Anos depois, Frank é um dos homens mais perigosos dos Estados Unidos e um procurado da Polícia Federal. Dessa forma, a mando de Costello, Colin se infiltra no FBI a fim de burlar os planos da polícia de pegar seu “pai”. Billy, por outro lado, é um jovem que deseja entrar para o FBI, mas que vê seu caminho bloqueado por pertencer a uma família extremamente suspeita. A condição para Billy é simples: ele será preso e terá de se infiltrar no bando de Costello.


Martin Scorsese é o melhor diretor vivo da Sétima Arte, e sei que poucas pessoas discordariam dessa afirmação. Em sua carreira, sua principal característica foi a de realizar produções reveladores. “Depois de Horas” (1985), “Cabo do Medo” (1991) e “Ilha do Medo” (2010), por exemplo, abordam as loucuras da psique humana; “Touro Indomável” (1980), “O Aviador” (2004) e “O Lobo de Wall Street” (2013) são biografias que acompanham personagens que viveram intensamente; “A Época da Inocência” (1993) é um romance nada convencional ambientado no século XIX; “A Invenção de Hugo Cabret” é uma ode ao cinema francês muito bem representado por George Méliès; “Taxi Driver” (1976), “New York, New York”(1977), “Os Bons Comanheiros” (1990) e “Gangues de Nova York” (2004) são os responsáveis por revelar o que há de mais belo e obscuro na cidade de Nova York. “Os Infiltrados” se encaixa nesse último grupo. O filme parece uma sequência, ou ainda, uma consequência de tudo o que ocorreu há tempos. Tempos revelados em “Gangues de Nova York”, em “Os Bons Campanheiros” e em “Cassino”, longas que retratam o passado sujo, medíocre e indigesto que fez parte do nascimento e do desenvolvimento dos Estados Unidos da América. Apesar de o longa se passar apenas em Nova York, com o desenrolar da trama, fica fácil perceber o quanto toda a sujeira afeta o país todo.


Além de ser referência no quesito “americanidade”, Scorsese é conhecido por manter alguns membros de sua equipe em seus filmes. Quatro deles são essenciais para transformar “Os Infiltrados” no único filme do diretor vencer do prêmios de melhor direção e filme no Oscar. A fotografia do longa é de Michael Ballhaus, diretor de fotografia de Scorsese em “Os Bons Companheiros”, “Gangues de Nova York”, “A Época da Inocência”, “Depois de Horas”, “a Cor do Dinheiro” e “A Última Tentação de Cristo”, a beleza estética desse longa não pode ser discutida, há uma delicada mistura moderna e uma referência deliciosa aos filmes de policias e bandidos das décadas de 80 e 90. Além da fotografia, a edição também faz esse resgate dos filme policiais, assim, Thlema Schoonmaker deixa claro que o filme é, acima de tudo sobre policias e bandidos. Schoonmaker tralhou com Srcosese desde 1980, dali por diante, todos os filmes do diretor foram editados por essa vencedora de 3 Osrcars. Sandy Powell já foi apontada, por alguns críticos, como a nova Edith Head, Powell e Martin trabalham juntos desde “Gangues de Nova York”,  o figurino de “Os Infiltrados” é muito característico e combina perfeitamente com a personalidade de cada personagem, e é aí onde acredito estar a perfeição do trabalho de Powell. Por fim, e o que eu mais admiro no longa, a trilha sonora estupenda de Howard Shore. Scorsese e Shore começaram juntos em “Depois de Horas” filme que possui uma trilha muito característica do compositor, depois, foi apenas em 2002, com “Gangues de Nova York”, que os dois voltaram a trabalhar juntos. Vieram, ainda, “O Aviador” e “A Invenção de Hugo Cabret”. Aqui, a trilha de Shore é pontual e magnífica ao contrastar a seriedade e  a inexpuginidade da polícia federal, com a boa vida e a violência que cercam os mafiosos. Recomendo que a trilha seja ouvida após o filme ser assistido para que a concentração possa ser apenas nela.


Leonardo DiCaprio é um dos melhores atores de sua geração. Lembro-me de ter assistido a ele, mesmo antes de ver “Titanic” (1997), em “Diário de Um Adolescente” (1995) e ter me surpreendido com a maestria de DiCaprio, mesmo tão jovem. O reflexo dos trabalhos do ator são vistos hoje. A interpretação é intensa e provocante, é aquele tipo de atuação que nos faz sentir como se fossemos o personagem: quando DiCaprio é violento, compreendemos sua violência, quando está com raiva, estamos com raiva, quando ele se acalma, acalmamo-nos também. A Matt Damon, sobra a tarefa de nos trazer um pouco de sarcasmo e muita naturalidade ao FBI. O ator também está excelente, e, como DiCaprio, quando está prestes a ser pego pela polícia, faz com que nos sintamos tão apavorados quanto ele. Jack Nicholson é o veterano em todos os sentidos, ele e seu personagem possuem a inteligência e a experiência de vida em comum, são homens inteligente e astutos. Nicholson dispensa elogios, mesmo assim, decerei alguns: o sarcasmo e a autoconfiança de Costello são impressionantes, a frieza com a qual o mafioso trata tudo e todos é contagiante e as particularidades de Frank nos enojam e cativam ao mesmo tempo.



“Os Infiltrados” não é o melhor filme de Martin Scorsese para ser o único a vencer os Oscars de melhor filme e melhor direção na carreira do diretor. Talvez tenha sido o momento em que a Academia se deu conta de como haviam sido injustos com o mestre a vida toda e resolveram premiá-lo, não pelo longa, e sim por uma carreira inteira. Mesmo assim, o filme é fantástico e jamais hesitaria em dizer que é o melhor do ano de 2006, com as atuações mais impressionantes e com uma qualidade técnica incomparável. A equipe que citei acima que compõe o time de Scorsese não decepciona em momento algum, o roteiro é claro e os diálogos são impecáveis. Apesar de ter citado apenas três intérpretes, o elenco todo é fantástico e merecia muito mais destaque nas premiações do que realmente obteve. De forma objetiva e muito bonita, Scorsese denuncia as mazelas dos Estados Unidos, mostra que a maior potência do mundo está longe de ser o lugar mais seguro para se morar. Ainda, como apenas o mestre consegue fazer, homenageia um estilo de filmes que se perdeu no tempo, o puro gênero policial de qualidade. Aqui, não existem muitas reflexões sobre a vida, não estamos falando de um filme espiritual como “A Invenção de Hugo Cabret”, e sim, de um filme objetivo sobre as realidades envolvendo corrupção e outras coisas muito mais sérias do que imaginamos. Realidades as quais os Estados Unidos, e todo o restante do mundo, estão expostos e sofrerão cedo ou tarde.


PREMIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE FILMES DE TORONTO
Melhor Filme: Inside Llewyn Davis
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Oscar Isaac, por Inside Llewyn Davis
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Dallas Buyers Club
Melhor Atriz Coadjuvante: Janifer Lawrence, por Trapaça
Melhor Roteiro: Speki Jonze, por Her
Melhor Primeiro Filme: Kleber Mendonça Filho, por Neighboring Sounds
Melhor Filme de Animação: The Wind Rises
Melhor Filme Estrangeiro: A Touch of Sin
Melhor Documentário: The Act of Killing
VENCEDORES DO PRÊMIO DOS CRÍTICOS DE FILME DE SAN DIEGO
Melhor Filme: Her
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jamine
Melhor Ator: Oscar Isaac, por Inside Llewyn Davis
Melhor Atriz Coaddjuvante: Shailene Woodley, por The Spectacular Now
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Dallas Buers Club
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Her
Melhor Roteiro Adaptado: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke, por Antes da Meia Noite
Melhor Filme Estrangeiro: Drug War
Melhor Documentário: The Act of Killing
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por To The Wonder
Melhor Filme de Animação: The Wind Rises
Melhot Edição: Christopher Rouse, por Capitão Phillips
Melhor Direção de Arte: Catherine Martin e Karen Murphy, por O Grande Gatsby
Melhor Trilha Sonora: Arcade Fire, por Her
Melhor Elenco: Trapaça
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