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quarta-feira, 16 de maio de 2012

303. SETE DIAS COM MARILYN, de Simon Curtis

Uma homenagem que tem como pretensão humanizar o furacão Marilyn Monroe
Nota: 8,7


Título Original: My Week With Marilyn
Direção: Simom Curtis
Elenco: Michelle Willims, Kenneth Branagh, Eddie Redmayne, Judi Dench, Emma Watson, Julia Ormand, Dominic Cooper, Zoë Wanamaker
Produção: David Parfitt, Boc Weinstein, Hervey Wenstein
Roteiro: Adrian Hodges e Colin Clark (romance)
Ano: 2011
Duração: 99 min.
Gênero: Biografia / Drama

Marilyn Monroe e uma das primeiras fotos
             divulgadas da caracterização de  Michelle Willims.
Norma Jeane Mortenson nasceu no primeiro dia de junho do ano 1926, depois de muitos problemas em sua juventude, foi descoberta por um fotografo e a partir daí surgiu Marylin Monroe (Marylin era o nome mais chic da época e Monroe o nome de solteira da avó). O início de sua carreira foi bem normal, papéis pequenos em filmes pequenos e depois papeis bem pequenos em filmes enormes. No entanto, sua beleza, sensualidade e carisma, aliados a sua aparente inocência e meiguice, deram à Marilyn mais que pequenos trabalhos: em 1953 trabalhou ao lado de Henry Hathaway em “Torrente de Paixão”, o que lhe rendeu a divisão da telona com Jane Russel no inesquecível “Os Homens Preferem as Loiras” (1953). Daí por diante vieram “Como Agarrar um Milionário” (1953), “O Rio das Almas Perdidas” (1954), “O Mundo da Fantasia” (1954), “O Pecado Mora ao Lado” (1955), “Nunca Fui Santa” (1956), “O Príncipe Encantado” (1957), “Quanto mais Quente Melhor” (1959), “Adorável Pecadora” (1960) e “Os Desajustados” (1961). 1959 foi provavelmente sua melhor escolha, o filme se tornou a maior comédia da história e lhe rendeu dezenas de elogios e um Globo de Ouro. Na tentativa de se livrar da fama de furacão loiro, Marilyn acabou se decepcionando com seus três casamentos e manteve relações com vários outros homens e mulheres. Dentre eles John F. Kennedy, em um dos momentos mais célebres da história popular mundial, a loira cantou “Happy Birthday” para o presidente de forma sensual e magnífica. Em 5 de agosto de 1962, 3 meses após o aniversário de Kennedy, Marilyn Monroe foi encontrada morta em seu apartamento, ela tinha apenas 36 anos.



No filme o que se relata acorreu durante o processo de gravação do filme “O Príncipe Encantado”. Narrado pelo jovem sonhador Colin Clark, veremos a difícil relação entre a atriz e o diretor do filme, Laurence Olivier; a amizade entre Marilyn e Paula Strasberg; os temores de Vivien Leigh ao ver a jovem, bela e descontrolada Monroe no papel que ela interpretou no teatro; o companheirismo da veterana Dame Sybil Thorndick, que sempre defendeu a iniciante; o estranho relacionamento com seu agente Milton Greene, o qual sempre foi apaixonado pela estrela; seu casamento com Arthur Miller e seus sete dias com Clark. Mas, especialmente, veremos a forma como Marilyn via a vida e levava cada um de seus dias, como não era fácil conviver com ela e como ela tentava a todo custo ser perfeita, reza a lenda que colavam as falas da atriz em gavetas que ela abriria durante o filme, logo, podemos concluir como Marilyn Monroe não tinha facilidade para decorar falas ou entrar na personagem.



A equipe diretor e roteirista do filme é formada por dois homens que, basicamente, trabalharam na televisão até hoje. Responsáveis por séries, miniséries e filmes para TV é claro seu amadorismo, “Sete dias com Marilyn” acaba sendo, portanto, mais um filme para televisão do que para cinema, apesar de bem conduzido e de não ser fraco para a telona, seria bem mais aceito se seu destino fosse a televisão. A adaptação do roteiro é um pouco chata, mas todo um conjunto técnico e de atores ótimos faz do filme algo excelente, mas não é uma digna homenagem à essa estrela magnífica que foi Marilyn Monroe. Simon Curtis é o responsável pela trilha sonora maravilhosa do filme, falar sobre sua carreira demoraria horas: de seus mais de 100 trabalhos no departamento de música eu citaria no mínimo uns 50 como sendo marcos dos últimos anos do cinema. Como compositor ele não é nenhuma perfeição, apesar de fazer seu trabalho direito, é simples demais e acaba sendo ofuscado pelo restante do filme.



Michelle Willians, com quem simpatizo demais, não é uma Marilyn Monroe encarnada, apesar de em algumas cenas estar perfeitas, ela é sem sal e não captura toda a sensualidade da diva. Acredito que isso se deva, em parte, a um roteiro humanizador que traz Monroe como uma mulher como outra qualquer que procura afeição e dedicação, ao invés de toda essa badalação que a acompanha aonde vá. Williams, portanto, satisfaz em sua interpretação, mas seus momentos mais fantásticos podem parecer mais uma imitação que uma atuação, apesar disso tudo, sua forma de falar e caminhar durante toda a trama é perfeitamente idêntica a de Marylin. Quando assistimos a filmes biográficos uma das melhores opções para antes ou depois do filme é corrermos para o “youtube” e procurarmos vídeos de nossas personagens, portanto, meu conselho é óbvio e bem útil: procure pelo maior número de artistas que aparecem no filme e confira se os atores foram bons ou não, dessa forma, formará uma opinião bem mais construtiva.


Marilyn Monroe representou gerações de beleza e perfeição, ainda hoje é vista como uma das pessoas mais populares, belas e sexys da história da humanidade. Aqui ela é representada como uma mulher carente de amor verdadeiro e que não sabe lidar com todos os problemas advindos de sua fama repentina, vemos uma mulher bela e talentosa, mas que jamais poderá ser entendida pela sociedade, por que era isso que fazia Marilyn ser tão perfeita: era diferente, imprevisível e maravilhosa.



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quinta-feira, 1 de março de 2012

375. TUDO PELO PODER, de George Clooney

Um filme sobre política que fala exatamente sobre isso: política e suas formas sujas e desonestas.
Nota: 9,4



Título Original: The Ides of March
Diretor: George Clooney
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Jeffrey Wright
Produção: Grant Heslov, George Clooney, Brian Oliver,
Roteiro: Grant Heslov, George Clooney e Beau Willimon
Fotografia: Phedon Papamichael
Duração: 101 min.
Ano: 2011
Gênero: Drama


CONFIRA O TRAILER DO FILME:


           A política é um meio arriscado de se viver a vida, e é essa a maior conclusão que podemos tirar dese filme. O publicitário Stephen Myers (Ryan Gosling) é um idealista político que admira profissionalmente Mike Morris (George Clooney) e suas ideias acima de qualquer outro político. Eis que Morris é candidato a presidência dos Estados Unidos da América e Myers um de seus principais assessores políticos, e é ai que mora o perigo. O rapaz se vê rodeado de pessoas que ele não faz ideia do que pretendem, em meio a isso tudo ele descobrirá as sujeiras que envolvem o chefe da assessoria Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), o chefe de assessoria da opocição Tom Duffy (Paul Giamatti), a repórter política de um dos maiores jornais do país Ida Horowicz (Marisa Tomei) e a estagiária por quem ele se apaixona Molly Stearns (Evan Rachel Wood).
           Com um elenco tão fantástico Clooney não poderia errar em nada, apesar de ele ter dirigido poucos trabalhos (filmes foram apenas quatro, e uma série para televisão em 2005) ele se mostra muito mais do que um ator. Aqui ele acumula muitas funções: é diretor, vive o candidato a presidência, adapta a peça de Beau Willimon ao lado do próprio e de Grant Heslov e ainda é um dos produtores do filme, mas faz todas elas com uma competência que eu não espera vindo dele, sua atuação supera em muito o filme "Os Descendentes", aliás, esse filme supera em muito o filme dirigido por Alexander Payne, o roteiro é maravilhoso e a direção impecável. Clooney escolhe as tomadas exatas e os momentos são precisos.



          Mas existe alguma coisa a parte nesse filme, faz algumas críticas que venho querendo dar um ênfase no compositor Alexandre Desplat por seus trabalhos nos últimos anos estarem sendo tão bons, melhor ainda, 2011 foi uma ano e tanto para ele e é imperdoável ver John Willians (que apesar de ser, na minha opinião, um dos melhores compositores de trilhas sonoras para filmes de todos os tempos e um dos maiores vivos não faz muita coisa em "Cavalo de Guerra") indicado por "Cavalo de Guerra" e não ver Desplat entre os cinco. Bem, o fato é que Desplat participou das trilhas sonoras de nada mais nada menos do que oito filmes lançados em 2011: "Tão Forte e Tão Perto", "Carnage", "Tudo Pelo Poder", "Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte II", "Uma Vida Melhor", "A Árvore da Vida", "La Fille du Puisatier" e "Largo Winch II", desses eu assisti cinco (que inclusive são indicados em pelo menos uma categoria no Oscar) e confesso que não me decepcionei nem um pouco. Por fim, podemos concluir que o francês está lutando e se esforçando muito para nos fazer acreditar que ele pode ser o quarto entre os melhores compositores atuais (John Williams, Howard Shore e Hans Zimmer) que juntos os (quatro) somam no ano de 2011 mais de vinte trilhas sonoras e são os responsáveis pelas maiores franquias dos últimos anos: "Harry Potter", "O Senhor dos Anéis" e "Piratas do Caribe", que, juntando-se todos os seus filmes somam quase quinze bilhões de dólares de lucro. Em "Tudo Pelo Poder" ele é fantástico e sua trilha é extremamente apropriada para cada cena.
       Clooney, Seymour Hoffman, Giamatti e Tomei já são nomes conhecidos e garantia de atuações satisfatórias mesmo que em filmes ruins. Já Gosling e Rachel Wood são nomes menos conhecidos, mas que prometem muito. Ele ganhou o público apenas em 2004 (já atuava desde 1995) com o fraco "Diário de uma Paixão" e se firmou como um dos melhores de sua época em 2010 com "Namorados para Sempre" onde contracena com Michelle Williams, esse ano lança quatro filmes entre longas e um curta, todos extremamente bem aclamados pela crítica e pelo público. Ela é um pouco mais nova, apenas 25 anos e conquistou público e crítica em "Aos Treze" de 2003 (lembro-me bem da certa polêmica que esse filme causou e como começou a ser utilizado como material nas escolas alertando os perigos das drogas), hoje ela já possui 27 indicações à prêmios, venceu oito, dentre algumas indicações estão o Globo de Ouro e o Emmy; apesar de tudo foi apenas no ano passado que ela foi reconhecida da forma que devia por uma das melhores minisséries que já assisti, em "Mildred Pierce" ela atua como filha de Kate Winslet e é magnífica, aliás as duas o são, dentre seus outros trabalhos estão filmes como "Across the Universe" (2007) e "O Lutador" (2008) e a série True Blood (2009-2011)



          Existem acontecimentos nesse louco mundo do entretenimento que são inexplicáveis, um deles é "Tudo Pelo Poder" ter sido tão rejeitado pelas premiações, apesar disso marcou 85% de aceitação no maior site de críticos do mundo (http://www.rottentomatoes.com/). Provavelmente devemos essa rejeição ao fato de o filme abordar essa sujeirada da política americana de forma tão aberta para que qualquer um possa ver como rola a coisa entre eles. Pelo poder os humanos são capazes de tudo, não existem inocentes quando o assunto é chegar ao topo de dominar o maior número possível de pessoas no mundo e esse filme mostra de forma perfeita esse ideal.
         O filme foi indicado a apenas um Oscar, de melhor roteiro. Foi indicado em quatro categorias do Globo de Ouro, não levou nenhuma. Também foi indicado no Sindicato dos Produtores, e perdeu.Foi indicado ao BAFTA, não ganhou. Coube ao Instituto Australiano de Filmes considera-lo melhor filme e roteiro do ano.

           Essa semana o Festival de Cannes publicou o cartaz de sua 65ª edição, confiram a homenagem à Marilyn Monroe abaixo:

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

378. TRANSFORMERS - O LADO OCULTO DA LUA, de Michael Bay.

É eletrizante ao mesmo tempo em que é enrolado e chato ao extremo, mas vale a pena pelos efeitos visuais e sonoros.
Nota: 7,8


          Título Original: Transformers: Dark of the Moon
          Direção: Michael Bay
        Elenco: Shia LaBeouf, Josh Duhamel, John Malkovich, Rosie Huntington-Whiteley, Ken Jeong, Patrick Dempsey, Tyrese Gibson, Alan Tudyk.
          Produção: Ian Bryce, Tom DeSanto, Lorenzo di Bonaventura, Don Murphy
          Roteiro: Ehren Kruger
          Duração: 154 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Ação

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


          Ficção científica não é bem meu gênero preferido de filmes, portanto não é tão fácil gostar de filmes desse estilo quando não dirigidos por Spielberg ou Kubrick. Para aqueles que não assistiram aos dois primeiros filmes dessa trilogia será difícil compreender e gostar de todo ele. Estou nesse grupo de pessoas. Bem, o filme trata de uma revolta de alguns robôs e da frustração de Sam Witwicky por não conseguir emprego e viver pressionado pelos pais e pela namorada. É bem simples entender que alguns desse seres extraterrestres ficarão ao lado dos seres humanos, bem como alguns dos seres humanos irão preferir ficar ao lado dos revoltados.
          Não se pode dizer que o trabalho de Michael Bay seja ruim, porque dirigir um filme que precisa de tanto cuidado por possuir tantos detalhes técnicos não é para qualquer um, mas seu trabalho não é grandioso como o de Cameron em "Avatar", de 2009. As atuações sim, essas são péssimas, não há outra palavra para descrevê-las, logo vou parar por aqui. A trilha sonora é mediana e típica de filmes adaptados de quadrinhos de ação. O que realmente chama a atenção é a técnica que envolve esse filme, é claro que podemos encontrar defeitos durante toda a trama, mas eles são totalmente relevantes. As cenas de ação (que por sinal ocorrem em quase todo o filme) são praticamente impecáveis (é claro tirando as atuações), podemos perceber cada movimento enquanto os carros se transformam e como eles se movem após as transformações durante as lutas que se enrolam durante todo o tempo.
          Talvez seja nesse ponto que o filme peca, é cansativo, demorado e enrolado. As cenas são longas e o desfecho, que será obvio, nunca chega. Podemos concluir, portanto, que Transformes: O Lado Oculto da Lua não é nada fantástico, mas é bem feito e devemos reconhecer que poucos filmes possuem tanta técnica visual e sonora sem utilizar o 3D (o filme foi gravado em terceira dimensão, mas eu assisti em dvd normal).
          
          O filme foi indicado, merecidamente, a três categorias puramente têcnicas no Oscar 2012, perdeu todas para "A Invenção de Hugo Cabret":
          Melhor Mixagem de Som: Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl 
          Melhor Edição de Som: Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin 
          Melhor Efeitos Especias: Scott Farrar, Scott Benza, Matthew E. Butler e John Frazier.


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379. A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, de Martin Scorsese.

Apenas um gênio conseguiria demonstrar o valor do amor, da amizade e dos propositos da vida de forma tão fantástica e ainda homenagear a criação e a evolução do cinema de forma tão perfeita.
Nota: DEZ






          Título Original: Hugo
          Direção: Martin Scorsese
       Elenco: Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ray Winstone, Emily Mortimer, Christopher Lee, Helen McCrory, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour
          Produção: Johnny Depp, Tim Headington, Graham King, Martin Scorsese
          Roteiro: John Logan
          Duração: 126 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Aventura / Drama

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


          Hugo e o pai são companheiros de uma vida, até que o menino se vê sem saber o que fazer quando o pai morre e o tio o leva para uma estação de trem onde ele terá que cuidar dos relógios. Desesperado o garoto se agarra a única coisa que o faz lembrar do pai e de seus bons momentos juntos: um autômoto (uma espécie de robô humano). A partir daí o menino se entregará as mais inimagináveis aventuras para consertar o objeto e tentar descobrir o que envolve o mistério de sua criação. Em meio a tudo isso veremos um interceptor que insiste em apanhar órfãos e entregá-los aos orfanatos, a senhora dona de um café e seu pretendente, a dona de uma floricultura e o proprietário de uma livraria/biblioteca. No entanto as surpresas não acabam por aí, Hugo também encontrará um dos maiores ídolos da história, um precursor no que se acredita ser o cinema, alguém que mudará sua vida para sempre. Revelar sua identidade seria um desacato a todos aqueles que desejam ver o filme, portanto irei parar por aqui fazendo uma ressalva: Ben Kingsley foi pouco ovacionado esse ano por uma atuação digna de todos os prêmios coadjuvantes possíveis no cinema.


          Scorsese tem dedicado os últimos anos de sua vida à restauração de filmes há muito perdidos no tempo e espaço de nossas gerações, aqui ele recria boa parte de todas as descobertas que o fizeram se tornar o maior cineasta de sua geração por um simples fato: ele é simples quando se deve ser simples, agressivo quando se exige agressividade, moderado quando se pede moderação, violento quando retrata a verdade violenta da vida, e faz tudo isso com a perfeição de um mestre em sua arte. Digo "sua arte" por que foi exatamente isso que ele criou: sua própria forma de fazer filmes, claro que ele não é nem de longe um dos primeiros cineastas da história, mas podemos considerá-lo precursor de muitas técnicas que não existiam antes das décadas de 60 e 70. Scorsese, Coppola, Spielberg são três grandes nomes do que no futuro viriam a ser a era drogas, rock e qualidade do cinema contemporâneo. Scorsese optou por fazer um filme 3D, e provavelmente ele mostra o que deve ser encarado como 3D, afinal assistir a "Hugo" sem ser em terceira dimensão já é algo inexplicável, imagina-se que ter toda essa magia mais perto de cada um de nós seja algo insuperável nas mãos dessa lenda. Sequências como os pesadelos do jovem Hugo, as lembranças do grande ídolo, as escapulidas do órfão do inspetor da estação de trem, a cena em que o autômoto faz sua parte na história entre tantas outras jamais serão esquecidadas por aqueles que as virem.



          Ao lado desse ícone tão adorado temos grande nomes que o auxiliam na criação do figurino simples e cheio de presença feito por Sandy Powell (a qual já trabalhou mais vezes com Scorsese), a edição magnífica de uma equipe técnica escolhida a dedo pelo diretor, bem como aqueles que editam o som ou escolhem a fotografia, a trilha sonora delicadamente composta pelo também mestre Howard Shore que nos delicia com músicas bem ao estilo parisiense e merecia ganhar o Oscar por combinar tão bem seu trabalho com o do amigo Scorsese. Se o que surpreende em "O Artista" é a falta de cor não deixar o filme chato, aqui o que surpreende é o excesso de cor compor uma imagem tão perfeitamente planejada e nos fazer sonhar e imaginar a cada passo que o jovem Hugo dá no caminho de sua felicidade. Além dessa equipe técnica fantástica conta-se ainda com uma equipe de atores de tirar o fôlego que ou se entregam facilmente a esta trama adorável ou se deixam levar pelo talendo do diretor em tirar o máximo de seus atores.

          Se Martim Scorsese quis realizar esse filme a pedido de sua pequena filha, devemos a essa menina um dos filmes mais incríveis dos últimos anos, já se disse muito sobre o fato de os filmes desse ano não serem tão bons, mas encontrar a qualidade que se encontra em "a Invenção de Hugo Cabret" não é para qualquer um, talvez devemos isso a bela Paris que se empresta para ser o plano de fundo, ou a estação de trem tão bem arquitetada, ou os cafés e croissants consumidos pelas personagens, ou as músicas que levam o filme ao extremo do que se pode pensar ser magnífico, o fato é que não importa se é um filme sobre política, assassinos, órfãos, contrabandistas, chefes de máfias ou o que for, sendo Scorsese, jamais será decepcionante.
          

          As onze merecidíssimas indicações ao Oscar:
          Melhor Filme: Johnny Depp, Tim Headington, Graham King, Martin Scorsese
          Melhor Direção: Martin Scorsese
          Melhor Roteiro Adaptado: John Logan
          Melhor Trilha Sonora: Howard Shore
          Melhor Direção de Arte: Dante Ferreti e Francesca Lo Schiavo
          Melhor Montagem: Thelma Schoommaker
          Melhor Efeitos Visuais: Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann e Alex Henning
          Melhor Edição de Som: Philip Stockton e Eugene Gearty
          Melhor Mixagem de Som: Tom Fleischman e John Midgley
          Melhor Figurino: Sandy Powel
          Melhor Fotografia: Robert Richardson



ESPECIAL: "O Artista" e "A Invenção de Hugo Cabret" vencem cinco prêmios cada e Meryl Streep leva o prêmio de Melhor Atriz após quase 30 anos.


   Para compensar o fim de semana sem ter publicado nada eis aqui a lista dos vencedores do Academy Awards, o Oscar. O filme "O Artista", mudo e preto e branco, se consagra e é eleito o melhor filme do ano, ao lado do filme de Martin Scosese, "A Invenção de Hugo Cabret", é o maior vencedor da noite com cinco prêmios. Além desses dois curiosamente apenas mais um filme levou mais de um prêmio, "A Dama de Ferro" venceu nas categorias de maquiagem e atriz para a incrível Meryl Streep. 




    A última vez que ela levou um Oscar para casa foi em 1983 por "A Escolha de Sofia", além desse também venceu na categoria de atriz coadjuvante por "Kramer vs. Kramer" em 1979. A atriz mal acreditou em sua vitória e comemorou ao lado do marido Dom Gummer e do vencedor da mesma categoria, só que masculina, Jean Dujardin. Streep havia ganhado o Globo de Ouro e o BAFTA, já Dujardin ganhou também o prêmio do Sindicato dos Atores. Michel Hazanavicius venceu Scorsese na categoria de melhor direção, mas ambos os filmes dos diretores perderam nas categorias de Roteiro Original e Reteiro Adaptado, respectivamente.


Confira a lista dos premiados:
Melhor Filme: O Artista
Melhor Atriz: Meryl Streep, por A Dama de Ferro
Melhor Ator: Jean Dujardin, por O Artista
Melhor Atriz Coadjuvante:Octavia Spencer, por Histórias Cruzadas
Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor
Melhor Diretor: Michel Hazanavicius, por O Artista
Melhor Edição: Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres
Melhor Documentário: Undefeated
Melhor Documentário em Curta-Metragem: Saving Face
Melhor Animação: Rango
Melhor Trilha Sonora: O Artista
Melhor Canção Original: Man or Muppet, de Os Muppets (Bret McKenzie)
Melhor Roteiro Original: Meia-noite em Paris
Melhor Roteiro Adaptado: Os Descendentes
Melhor Som: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Edição de Som: A Invenção de Hugo Cabret
Melhores Efeitos Visuais: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Curta-Metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
Melhor Curta-Metragem: The Shore
Melhor Filme Estrangeiro: A Separação
Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro
Melhor Figurino: O Artista
Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Fotografia: A Invenção de Hugo Cabret



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380. PLANETA DO MACACOS: A ORIGEM, de Rupert Wyatt

Explicar a origem de um fenômeno mundial não é para qualquer um. Mas é isso o que esse filme se propõe a fazer, e o faz de forma clara e objetiva, mas falta-lhe enredo.
8,9


          Título Original: Rise of the Planet of the Apes
          Direção: Rupert Wyatt
          Elenco: James Franco , Tom Felton, Freida Pinto, Andy Serkis, Brian Cox, John Lithgow, Tyler Labine, David Hewlett, Sonja Bennett , Jamie Harris, Leah Gibson,David Oyelowo.
          Produção: Peter Chernin, Dylan Clark, Rick Jaffa, Amanda Silver
          Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, baseado no romance de Pierre Boulle
          Duração: 106 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Ficção Científica

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


          Desde as proposições de que o homem descende dos macacos dezenas de teorias vem sendo propostas a cerca disso, incluindo a que diz que um dia os macacos evoluirão psicologicamente a ponto de dominar o planeta Terra. Muitos filmes e livros foram criados para abordar essa última hipótese, Planeta dos Macacos: A Origem traz a inovação quando resolve mostrar o cerne de tudo aquilo que vimos. Tentando criar uma espécie de remédio para o Alzheimer um cientista interfere no gene de uma macaca que acaba tendo um filhote acidentalmente geneticamente modificado, daí por diante esse filhote será criado pelo cientista e se desenvolverá de forma descontrolada.
          O filme é bem conduzido por Rupert Wyatt, temos belas cenas da cidade onde o macaco vive, uma das pontes características da cidade se revela um dos mais belos cenários para uma sequência de perseguição entre macacos e seres humanos fantástica. Patrick Doyle é quem compõe uma boa trilha sonora, apesar de previsível e pobre diante de tal técnica utilizada com maestria pelo diretor e pelos efeitos especias magníficos (que por sinal rendeu a única indicação do filme ao Oscar na categoria de Melhor Efeitos Visuais para Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White, Daniel Barrett , os quais não possuem chance alguma de vencer.)
         Tal técnica (captura de movimentos) traz um dos maiores comentários do cinema no ano: Andy Serkins (quem "interpreta" o macaco) merecia ou não ser considerado por sua atuação e receber indicações em prêmios como Globo de Ouro e Oscar? Mesmo que merecesse esse ano temos atuações muito boas para ele entrar na dança, apesar de ele se transformar no animal por completo. Serkins foi quem interpretou (recorrendo-se a mesma técnica) o monstruoso Gollum/Smeagol de O Senhor Dos Aneis, devemos lembrar que no último filme da trilogia Gollum arranca o dedo da personagem principal por querer um anel, nesse filme Serkins faz uma cena muito parecida que se torna ridícula se retomarmos seu histórico. O restante do elenco é um bom elenco, James Franco não faz papel de cientista louco ou excluido socialmente por ser um desses nerd's insuportáveis, sua atuação não chama a atenção, mas ele a faz muito bem ao lado de sua companheira de cena Freida Pinto de "Quem Quer ser um Milionário", de 2008, que aqui está bem mais madura e flexivel.
          Planeta dos Macacos: A Origem não precisa de muito para ser um filme interessante, mas poderia ter ousado um pouco mais mostrando os macacos dominando o mundo de forma a se tornarem mais espertos e violentos, o filme dura apenas uma hora e quarenta minutos, esse é o tipo de filme (ao contrário de Transformers 3) que poderia durar até duas horas e meia sem cair na mesmice, e ai sim se tornar um dos melhores filmes do ano, o que só não aconteceu por receio da produção em torná-lo algo muito grande. Resta-nos esperar e torcer para que resolvam realizar uma sequência em que realmente os nosso planeta se torne dos macacos.




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381. TÃO FORTE TÃO PERTO, de Stephen Daldry

Nem um filme explora o 11 de Setembro de forma tão bela quanto esse, que resolve mostrar apenas aqueles que ficam e deixa de lado o sofrimento de quem estava nos prédios.
Nota: 9,2



          Título Original: Extremely Loud and Incredibly Close 
          Diretor: Stephen Daldry
       Elenco: Tom Hanks, Sandra Bullock, John Goodman, Max von Sydow, James Gandolfini, Jeffrey Wright, Thomas Horn, Adrian Martinez, Zoe Caldwell, Gina Varvaro
          Produção: Scott Rudin
          Roteiro: Eric Roth
          Duração: 129 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Drama

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


          Oskar Schel vive uma vida feliz e tranquila ao lado do pai e da mãe. Ele e o pai são melhores amigos e não se desgrudam em momento algum, principalmente quando o pai lhe propoe desafios lógicos, eis que em meio a um desses desafios (encontrar o sexto município de Nova York) o menino se ve deolado com a morte do pai no desastre das Torres Gêmeas. O garoto e a mãe não possuem uma relação tão afetiva quanto ele e o pai em momento algum da vida, portanto a vida dos dois dá uma reviravolta tremenda quando o menino encontra uma chave na armário do pai e, com a ajuda do inquilino mudo de sua avó, resolve descobrir o que que ela abre.
          O filme se torna uma aventura moderna, mas jamais perde o drama da perda de entes que atingiu todo o mundo em 2001. Diretor de um dos melhores filmes contemporâneos, As Horas, Stephen Daldry faz aqui algo bem menos digno de ovação do que fez em 2002, mas isso não significa que o filme seja ruim, muito pelo contrário, filmes como "Cavalo de Guerra" e "Histórias Cruzadas" não merecim ser comparados a este ao serem indicados ao Oscar de melhor filme, pior receberem mais indicações que ele. Nico Muhly compõe uma trilha sonora divertida e impactante e a fotografia do filme é de longe uma das melhores do ano.
          

Sandra Bullock nunca esteve tão bela e tão talentosa, o equivoco de darem a ela o Oscar de melhor atriz em 2009 pela sua atuação simplória em "Um Sonho Possível" impediu que ela fosse lembrada por essa sua atuação que, apesar de simples, é maravilhosa. Tom Hanks não faz nada aqui além de levar seu personagem até a morte, talvez por que Thomas Schelds seja bem menos interessante que personagens como Forrest Gamp. Thomas Horn se entrega tanto para interpretar o menino Oskar que até nos esquecemos que aquilo é apenas uma personagem, mas seu companhairo de cena é quem rouba todas as atenções. Max von Sydow é o inquilino enigmático que ajuda o menino em sua busca, e o faz tão bem que as vezes nos perguntamos se ele não merecia mais o Oscar do que Christopher Plummer.
          Contar tragédias sempre foi algo complicado, alguns apelaram para a comédia negra para amenizá-la, outros preferiram mostrar o que realmente aconteceu, esse filme resolve mostar como é difícil para uma criança (e é ai que está a novidade, vemos tudo pelos olhos de uma criança, e não de um adulto) perder o pai, ou pior, ouvir a últimas palavras daquele que foi seu pai, amigo, irmão e modelo masculino. Tão Forte e Tão Perto merecia mais do que lhe foi dado até agora pelo simples fato de contar algo novo com tanta confiaça que nos faz perguntar se realmente não seria melhor viver o surreal para fugir das complicações da vida.
          As indicações ao Oscar são:
          Melhor Filme: Scott Rudin
          Melhor Ator Coadjuvante: Max Von Sydow


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