segunda-feira, 2 de abril de 2012

344. PIRATAS DO CARIBE: A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA, de Gore Verbinski

Johnny Depp dá vida ao pirata mais clichê possível, mas ao mesmo tempo extremamente original.
Nota: 9,0




Título Original: Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Jack Devenport, Jonathan Pryce, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Damian O'Hare, Giles New, Angus Barnett, David Bailie, Michael Berry J. Isaac C. Singleton Jr., Kevin McNally
Produção: Jerry Bruckheimer
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2003
Duração: 143 min.
Gênero: Comédia / Aventura

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

          A Inglaterra sofre com a ameaça pirata vinda dos mares, dentre ela está o tão famoso Capitão Jack Sparrow. Apesar de o filme ser sempre de Sparrow , a história é sobre o chatíssimo Will Turner e o amor de sua vida, Elizabeth Swann. Quando Elizabeth resolve usar um colar que pegou de Will há anos atrás quando ele foi salvo pela tripulação do navio em que ela estava e a moça cai no mar com o dito medalhão uma força sobrenatural clama pelos inimigos reais, os piratas. Resumidamente, eles pegam a garota e Will, apaixonado por ela, sai atrás deles com Sparrow, que deseja recuperar seu tão amável navio, o Pérola Negra, sobre o qual recaem maldições e dezenas de crenças.


          A filmografia de Verbinski é bem simples: “Um Ratinho encrenqueiro” (1997), que já passou cem vezes na rede globo; “A Mexicana” (2001) com Brad Pitt e Julia Roberts; “O Chamado” (2002), o terror da década; a trilogia “Piratas dos Caribe” (2003, 2006 e 2007); “O Sol de Cada Manhã” (2005), um filme chato além do suportável com o mais chato ainda Nicolas Cage; e o maravilhosamente bem feito, sem palavras para expressar sua genialidade, “Rango” (2011), vencedor do Oscar de melhor animação desse ano, fala sobre um camaleão com crises de existência (dublado por Depp). Nessa trilogia ele é sempre a mesma coisa: bom. Não é ótimo, mas também não é ruim, no terceiro ainda excede as expectativas, nesse começo ele deixa claro que podemos esperar dos outros algo divertido e bem feito, mas nada sensacional de sua parte. Mas aqui o que merece destaque mesmo é o brilhantismo na composição da inacreditável trilha sonora de Klaus Badelt (mais tarde ele será substituído por Hans Zimmer). “He's a Pirate”, tema de Sparrow, é aquele tipo de música que quem assiste ao filme jamais esquecerá, trazendo toda a jovialidade impressa em Sparrow por Depp, a ganância dos piratas e a diversão atribuída a vida de que vivia no mar roubando os outros no Século XVII. Do restante das músicas, seguem-se, em sua maioria, esse estilo eletrizante do tema tão adorado pelos admiradores da série.


          Johnny Depp é o que há nesse filme, seus trejeitos, a forma de falar, de andar e de se portar são maravilhosas e nos remetem a exatamente aquilo que imaginamos ser um pirata: sedutor (apesar de nojento), com metade dos dentes pretos e a outra metade de ouro, a roupa suja, a essência de um bêbado e a esperteza para se safar de todos os perigos propostos pelo seu dia-a-dia. Simplesmente todas as suas cenas são memoráveis e fazem dessa sua maior personagem, não somente por que é a mais famosa e conhecida, mas por que Depp realiza umas das maiores façanhas ao se atuar uma mesma personagem durante quase dez anos: quando entra em Sparrow ele se torna Sparrow, se assistirmos a sua atuação no primeiro e no último não vemos diferença alguma, Depp cria, assim, uma personagem eterna. Com real força no elenco nos resta ainda apenas Geoffrey Rush, o nome deveria bastar, mas Rush faz o mesmo que Depp em relação a não mudança de sua personagem, em todos os filmes parece que ele se torna o Capitão Hector Barbossa, inimigo declarado de Depp, mas daqueles Tom e Jerry: não se suportam, mas não conseguem viver um sem o outro, nem que seja para se atormentarem constantemente, Rush é tão pirata quanto Depp, e vê-lo pular de Barbossa, para Sir Francis Walsingham (em “Elizabeth: a Era de Ouro”, de 2007), para Lionel Logue (“O Discurso do Rei’, de 2010) e voltar para Barbossa em 2011 como se fosse tão simples é como ver um cameleão mudar de cores: inacreditável, mas uma louvável adaptação de animal tão fantástico. Rush é um camaleão, inesperado, mas incrível. Depois temos as atuações sem graça de Orlando Bloom, como o insuportável Will Turner; e Keira Knightley, sua atuação aparenta ser “menos ruim” por sua personagem ser mais aturável. Depp foi indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA por sua interpretação, venceu no Sindicato dos Atores na categoria coadjuvante.


Sequências de qualidade sempre foram raras, eis que temos “Harry Potter”, “O Senhor Dos     Aneis” e “Piratas do Caribe”, todos lançados quase que simultaneamente. Isso faz da primeira década uma década para ótimas continuações, o que os três tem em comum além de serem adaptações é que nunca chegam a ser ruins, diferentemente de tipos como “X-Men” ou “O Homem-Aranha”, talvez porque sequências de super-heróis nunca tenham dado certo mesmo, mas as magias com as quais as três citadas sejam simplesmente perfeitas, por que são tão mágicas e arriscadas quanto qualquer outra. “Piratas do Caribe” é o filme que todos gostam, simplesmente por ser algo além do imaginável, ou por que todos sonhamos em ser piratas um dia, ou sonhamos com um amor como o de Elizabeth e Will, ou apenas por que Johnny Depp nos proporciona uma dos criações mais perfeitas dos últimos anos quando resolve interpretar o temido, famoso, odiado, inescrupuloso e amável Capitão Jack Sparrow.  


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345. BONIQUINHA DE LUXO, de Blake Edwards

Audrey Hepburn em seu papel mais memorável, que lhe rendeu muitos aplausos e que deixou o “pretinho básico” como símbolo feminino.
Nota: 9,2



Título Original: Breakfast at Tiffany’s
Direção: Blake Edwards
Elenco: Audrey Hepburn, George Peppard, Patricia Neal, Buddy Ebsen, Mickey Rooney
Produção: Martin Jurow e Richard Shepherd
Roteiro:  George Axelrod e Truman Capote (romance)
Ano: 1961
Duração: 115 min.
Gênero: Comédia / Romance

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Uma bela mulher vestida com um tubinho longo preto Givenchy caminha em frente a loja da Tiffany enquanto toma seu café da manhã, essa é a idéia inicial da história de Holly, uma bela mulher que, ao que concluiremos com o passar da trama, leva a vida se prostituindo. Holly é reclusa e seu único amigo é seu gato, que se chama “Gato”, mas quando o irreverente Paul chega para morar em seu prédio Holly descobre que há muito mais na vida além de Gato, seu apartamento e sua própria vida privada.


Blake Edwards foi, provavelmente uma das mais queridas estrelas advindas de Hollywood, casado com Julie Andrews foi o responsável por vários grandes filmes depois desse, entre eles a franquia “A Pantera Cor de Rosa” (o primeiro filme foi lançado em 1963, mas ele dirigiu outros seis); “Um Convidado Trapalhão” (1968); “Mulher Nota 10” (1979) e “Victor e Victoria” (1982). Em “Bonequinha de Luxo” ele resolve dar uma amenizada no romance de Truman Capote e não deixar tão claro os modos de levar a vida que as personagens principais escolheram, a cidade de Nova York é o pano de fundo desse romance belíssimo, e Edwards aproveita o fato dela ser uma das cidades mais controvérsias do mundo para nos mostrar os vários lados desse paraíso aterrorizante. Henry Mancini compõe uma das trilhas sonoras mais belas já feitas no cinema e se consagra como um dos três maiores compositores da história (ao lado de Max Steiner e Bernnard Herrman), “Moon River” é um marco, e não foi à toa que tanto essa música, como Mancini venceram o Oscar; Edwards e Mancini fizeram outros filmes juntos, entre eles “A Pantera Cor de Rosa” e “Victor e Victoria”.
Audrey Hepburn era indiscutivelmente uma das maiores mulheres de seu tempo, em quase quarenta anos fez quase trinta filmes, além de três séries, foi indicada a quase oitenta prêmios, venceu um Oscar, foi homenageada pela Academia por sua humanidade, lutou pela igualdade e se tornou uma das maiores atrizes da história. Aqui ela encara um papel ousado para toda ingenuidade e pureza que foi criada a cerca de sua imagem, interpreta a prostituta Holly Golightly, mas sem nunca perder a classe e a afeição atribuídas a sua “funny face”, nos faz amar Holly e desejar que ela se torne mais do que simplesmente aqui que ela quer, desejamos que ela seja uma mulher feliz. Cogitou-se a possibilidade de Marilyn Monroe viver a personagem de Hepburn, graças aos céus ela recusou o papel. Ao lado dessa grande estrela da era de ouro hollywoodiana temos George Peppard, como o suposto gigolô Paul Varjak, um homem bonito, esperto que procura por alguém com quem possa dividir seus sentimentos.


Uma dupla inesperada junta-se a uma dupla de mestres em suas artes, mais tarde essas duplas seriam conhecidas por Audrey e George, um dos casais mais amados da história do cinema, e Edwards e Mancini, dois homens que, juntos, transformaram cinema e música na arte perfeita quando em harmonia perfeita. “Bonequinha de Luxo” é um marco nos romances do cinema, é também um marco para as carreiras de cada pessoas que trabalhou nele, escolher Hepburn e Peppard foi essencial para a criação dessa obra que conquista a todos os tipos de pessoas, homens, mulheres, jovens, adultos, velhos, aqueles que amam os clássicos, aqueles que amam dormir assistindo a clássicos, por um simples motivo, é impossível não se apaixonar por Audrey.


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346. PSICOSE, de Alfred Hitchcock

Feito por um mestre é, indiscutivelmente, o filme que deu origem ao gênero “thriller”. E um dos melhores filmes de todos os tempos.
Nota: 9,3



Título Original: Psycho
Direção e Produção: Alfred Hitchcock
Elenco: Janet Leigh, Antony Perkins, Vela Miles, John Gavin, John McIntire
Roteiro: Joseph Stefano e Robert Bloch
Ano: 1960
Duração: 109 min.
Gênero: Thriller

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Marion Crane é uma jovem que sonha em ter uma vida ao lado de seu namorado, quando tem a chance de roubar quarenta mil dólares de seu patrão ela o faz e foge para a cidade do namorado. No entanto Marion some misteriosamente e agora sua irmã, seu namorado e o detetive do patrão vão a procura dela. O que eles não sabem é que ela foi assassinada no pequeno Motel Bates, onde a história se centrará durante metade do filme. Esse filme pode ser dividido em duas partes: o antes de Marion chegar no Motel, com sequências mais monótonas, e o depois de ela chegar no motel, com sequências mais eletrizantes.


Alfred Hitchcock foi um dos maiores mestres da história na arte de dirigir, falar de cinema sem citá-lo simplesmente não é falar de cinema. Morto com oitenta anos foi indicado a seis Oscars, desmerecidamente não levou nenhum, no entanto foi homenageado em 1968 por sua carreira. Falar sobre ele é algo difícil e fácil ao mesmo tempo, assim como poderia passar horas escrevendo elogios a ele posso resumi-lo em uma palavra: perfeito, pois era isso o que ele era em seus filmes, impecavelmente perfeito. Aqui ele renova o que se conhecia como suspense no cinema, famoso por sua excentricidade, ele nos proporciona cenas memoráveis, quem não conhece a belíssima cena no chuveiro?, pois bem, ele é linda, bem feita, mas também é, aos nosso modernos olhos, engraçada e sem sentido algum, mas para a época foi um choque. Reza a lenda que certa vez um homem mandou uma carta a Hitch (como o diretor ficou conhecido) reclamando que sua filha não queria mais tomar banho sozinha por ter medo que alguém pudesse matá-la, Alfred foi categórico em sua resposta: “Mande sua filha para uma lavagem a seco”. A cena, que se tornou uma das mais famosas do cinema, não seria tão boa sem a perfeição e genialidade de Bernanrd Herrman, aliás o filme não seria tão bom sem suas músicas, um dos melhores compositores da história, ao lado de Max Steiner, nos proporciona algo inimaginável com suas composições para cordas, tão inimaginável quanto o desfecho dessa obra.


Janet Leigh é a loira da vez, a inocente Marion, apesar de roubar o dinheiro ela se culpa um pouco e sabe que não deveria fazer aquilo, mas é movida por algo maior, Leigh foi uma ótima escolha do diretor; aqui não há muito espaço para Vera Miles, Lila Crana, a irmã de Marion; ou para o amante da fugitiva, Sam Loomis, vivido por John Gavin; muito menos para qualquer outro interprete, aqui temos o espaço todo coberto bela brilhante atuação de Anthony Perkins, como Norman Bates, para elogiá-lo o suficiente eu teria de contar todo o filme, portanto apenas ressalto a última cena em que ele pensa consigo que é tão inocente que não seria capaz de matar a mosca que ronda sua cabeça, mas todas as suas cenas são maravilhosas.


Juntar um elenco fortíssimo, um dos maiores diretores de todos os tempos, uma história tão macabra e um dos melhores compositores do cinema só poderia resultar em uma dessas duas coisas: fracasso ou um dos melhores filmes da história, “Psicose” se enquadrou no segundo caso e é a maior obra de todas as realizadas por Hitchcock. Eletrizante e totalmente psicológico, como sugere o título, é um filme com muito mais do que apenas os temores do diretor, é um filme completo para ver e rever quantas vezes possíveis durante a vida.


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347. A ÚLTIMA NOITE, de Robert Altman

Pode não ser nem de longe o melhor trabalho de Altman, mas é um dos mais inspiradores, reflexivos e amáveis dos últimos anos.
Nota: 8,0 



Título Original: A Praire Home Companion
Direção e Produção: Robert Altman
Elenco:Meryl Streep, Lyli Tomlin, Garrison Keillor, Kevin Kline, Woddy, Tommy Lee Jones; Lindsay Lohan, John C. Reilly, Virginia Madsen
Roteiro: Garrison Kaillor (baseado na história de seu próprio show de rádio) e K
Ano: 2006en LeZebnik
Duração: 105 min.
Gênero: Musical / Drama

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O prédio de uma emissora de rádio é vendido e o show “A Prairie Home Companion" é obrigado a fazer sua apresentação de despedida. Ambientado em uma época em que ainda se faziam shows de rádio para uma plateia em um teatro cheio, a partir dessa última apresentação vemos o desenrolar de várias outras histórias: antigos amores vêm à tona, uma misteriosa e belíssima mulher ronda os bastidores, um dos companheiros da apresentação morre, famílias aprendem umas com as outras.


Este foi o último filme de Altman, o diretor foi indicado sete vezes ao Oscar e foi homenageado no ano de sua morte, ao BAFTA foram cinco indicações, mesmo número no Cèsar (Oscar francês), mas não é aí que devemos nos concentrar, e sim em lembrar que foi um indicado eterno em festivais como Cannes, Berlim e no Sindicato dos diretores foram quatro indicações e uma homenagem em 1994 por sua carreira. Listar todos os seus filmes importantes tomaria muitas linhas desse texto, por isso resolvi apenas comentar que sua carreira teve início em 1951 e se estendeu até 2006. Em “A última noite” ele não nos expõe todo seu talento, mas é vivo, e nos cativa com um filme tão belo, o técnico utilizado não faz dele nada muito inimaginável, o que o faz tão bom é como Altman consegue extrair de seus atores tanta emoção e dedicação para nos proporcionar cenas tão raras de felicidade, tristeza, amor, carência, afeição e gratidão.


O tipo de elenco que temos aqui é o tipo que todos querem para um filme tão reflexivo: Meryl Streep vive a cantora Yolanda Johnson; Lyli Tomlin é a irmã de Yolanda, Rhonda; Garrison Keillor é o radialista G. K.; Kevin Kline é o detetive Guy Noir; Woddy Harrelson é o piadista Dusty; Tommy Lee Jones é o homem que comprou o teatro; Lindsay Lohan (sim, essa louca já atuou ao lado dessas feras e foi dirigida por uma lenda do cinema) é a filha de Yolanda, Lola; John C. Reilly é o irmão de Dusty, Lefty; e, o elemento mais importante da trama, Virginia Madsen, dá vida, ou nem tanto, ao anjo da morte Asphodel. Não há como procurar defeitos nesses elementos tão fantásticos que compõe ele elenco maravilhoso.


Asphodel vem para deixar claro que a morte, bem como as desventuras da vida, deve ser atribuída como um presente de uma força muito maior do que nossa vã existência, de que todos devemos abraçar oportunidades e não reclamar quando algumas coisas nos são tiras, afinal outras nos serão proporcionadas através desses sacrifícios. Essa não é somente uma despedida do show “A Prairie Home Companion", e sim uma despedida, com aquele gostinho de que algo ainda paira no ar e continua, de Robert Altman, parecia até que o diretor sabia que seu fim estava próximo e resolveu se redimir com um filme sobre vida e morte e o poder do amor e da amizade. Pode não ser o sonho de um diretor se despedir com um filme com qualidade abaixo de sua capacidade, mas é uma despedida sincera, simples, alegre e, acima de tudo, comovente, por que, bem como as personagens terminam suas vidas pela música, Robert Altman terminou sua vida fazendo aquilo que mais admirava (surpreendentemente, afinal seu tom crítico, sarcástico e por vezes demoníaco some aqui), a mais pura e bela arte, o cinema.


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348. HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO, de Mike Newell

Com roteiro fraco, é a passagem das personagens para o amadurecimento e da série para a qualidade técnica cada vez melhor.
Nota: 8,7



Título Original: Harry Potter and the Globet of Fire
Direção: Mike Newell
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Brendan Gleeson, Maggie Smith
Produção: David Heyman, David Barron e Peter MacDonald
Roteiro: Steve Kloves e J. K. Rowling (romance)
Ano: 2005
Duração: 157 min.
Gênero: Aventura


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Agora Harry e seus amigos entram na adolescência e precisam tomar cada vez decisões mais importantes que poderão mudar tanto o mundo dos bruxos quanto dos trouxas (aquele que não é bruxo). Harry, Ronny e Hermione começam se aventurando na ida a final da Copa Mundial de Quadribol (quadribol é o jogo bruxo, e o evento equivale a Copa do Mundo de Futebol), e lá os estranhos acontecimentos já acontecem: a Marca Negra (marca do Lorde Das Trevas, Voldemort) é conjurada em meio a uma confusão de assassinatos e destruições entre as barracas no acampamento após o jogo. O perigo está claramente rondando Harry, logicamente ronda também Hogwarts e todos próximos a Potter. Eis que foi decidida que a Escola de Magias e Bruxarias sediará outro grande evento: o torneio tribruxo, três participantes das três maiores escola de bruxos competem por ouro e glória eterna, em provas pra lá de arriscadas. Misteriosamente Harry acaba ficando entre os escolhidos e se torna o quarto participante. Parece mentira, mas isso é apenas o começo.


Newell é diretor desde 1964, o que quer dizer que faz muito tempo que ele está familiarizado com a arte de dirigir (dirigiu televisão até 1994). Ele é, resumidamente, o diretor com mais qualidade de todos os oito filmes da franquia. Em seu currículo temos “Quatro Casamentos e um Funeral” (1994) com Hugh Grant; “Jogos de Ilusões” (1995), novamente com Grant e seu primeiro filme com Alan Rickman; em 1997 trabalhou com Johnny Depp e Al Pacino em “Donnie Basco” e, em 2003, fez o belíssimo filme com Julia Roberts e um elenco feminino de ponta em “O Sorriso de Monalisa”. Nesse quarto filme da franquia ele é maravilhoso, os efeitos são incríveis e nada chega a ser mal feito, exceto o roteiro, que é uma decepção por completo, não somente para quem leu o livro, mas por que não explica toda a história e acaba deixando muito a desejar. O duplamente indicado ao Oscar de melhor Trilha Sonora e homenageado pelo AFI (em 2002 por “Assassinato em Gosford Park”), Patrick Doyle compõe a trilha ora eletrizante, ora tocante, ora jovem, ora romântica, dessa sequência.


Tanto os astros que interpretam os protagonistas quanto suas personagens finalmente chegam à puberdade e começam a manifestar desejos, paixões e aflições de todo o adolescente. Vemos claramente a passagem de Hermione Granger, interpretada cada vez melhor por Emma Watson, de menina para mulher em sua tão esperada chagada para o baile de inverno. O elenco básico aqui permanece o mesmo, com o acréscimo de Frances de La Tour como a diretora de uma das escolas, Madame Maxime; Clémence Poésy como uma das três escolhidas para o torneiro, Fleur Delacour; Brendan Gleeson com sua estupenda interpretação do não mais que pirado Alastor “Olho-tonto” Moody; Miranda Richardson como a insuportável jornalista do mundo bruxo Rita Skeeter; por fim deixei o melhor dessa nova leva de ingleses para o elenco: Ralph Fiennes é indiscutivelmente um dos melhores atores de sua época, desde que fez “A Lista de Schindler” (1993), sua carreira se tornou promissora e, apesar de ter alguns problemas socialmente falando, é para mim um dos melhores atores vivos, seu trabalho em Harry Potter não é nada mais além de rápido, mas perfeito, acredito que seria impossível achar alguém tão perfeito para o papel, pelo simples fato de que Fiennes se diverte ao extremo quando se torna Voldemort e nos proporciona mais uma atuação digna de aprovação de sua parte.
Agora mais do que nunca “deve-se escolher entre o que é certo e o que é fácil”, já dizia o mestre Alvo Dumbledore, portanto é hora de Harry resolver se quer mesmo a difícil tarefa de enfrentar um dos maiores bruxos de todos os tempos, colocado sua vida e a de todos os bruxos à prova. Esse filme corre diante de nossos olhos que nem percebemos o tempo que passam em frente a tela, pode ser um dos filmes que menos gosto da série, mas é muito bem feito e que merece, sem dúvida alguma, a chance de ser visto para que se tenha mais um pouco dessa fascinante magia que é a franquia Harry Potter.


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349. DÚVIDA, de de John Patrick Shanley

Streep, Hoffman, Adams e Davis formam um time muito bem conduzido por Shanley e nos proporcionam um dos melhores filmes do ano de 2009.
Nota: 9,1



Título Original: Doubt
Direção e roteiro: John Patrick Shanley
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis, Mike London, Lloyd Clay Brown, Alice Drummond
Produção: Mark Roybal, Scott Rudin, Celia Costas e Nora Skinner
Ano: 2009
Duração: 104 min.
Gênero: Drama

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Aloysius Beauvier é uma freira no Bronx, diretora de uma escola, obviamente católica, ela começa a desconfiar da conduta de um dos padres que leciona na escola em relação a um aluno em especial, que por sinal é negro. Beauvier está convicta de que o padre está violentando o garoto e está disposta a mover céus e terras para provar a culpa do homem que a comunidade tanto gosta. Em contraposição a essa rixa entre a freira e o padre temos a entrada da novata Irmã James, uma noviça professora de história. Deve-se lembrar que a história acontece nos anos 1960, quando era praticamente um insulto às famílias brancas um garoto negro estudar com seus filhos.

Shanley foi também o diretor e roteirista da peça em que esse filme foi baseado, de sua parte temos um ótimo trabalho, apesar de alguns erros e de cenas que podem se tornar um pouco chatas para algumas pessoas. Como diretor destacaria o início do filme, a abertura como um todo e a forma como ele escolheu os locais onde as cenas seriam filmadas; como roteirista apontaria, principalmente, os diálogos fortíssimos e o fato de o filme ser carregado de ironia, já será difícil um adulto compreender ao menos a metade dos detalhes para que saibamos a verdade sobre o caso, para crianças esse filme jamais seria recomendado. Ressalto a cena, muito bem articulada e carregada desse sarcasmo que ronda a trama, em que os padres jantam bebendo vinho, fumando e comendo carne mal passada, enquanto as irmãs jantam em silêncio bebendo leite (neste instante é que a humanidade de Aloysius é posta em jogo: ela ajuda discretamente uma irmã muito velha a pegar um garfo e mais tarde revela que ela já deveria estar longe dali, mas por caridade, Beauvier a mantinha por perto sem delatar seus problemas advindos da idade)



Streep vive Beauvier, fica vinte anos mais velha e toda a simpatia da atriz vai pelo ralo para interpretar essa mulher tão decidida, alguns acham a interpretação dela exagerada, eu gostei, mas sou pra lá de suspeito. Hoffman é o padre supostamente pedófilo, Brendan Flynn, ele é sério quando preciso e alegre perto das crianças. Adams é a coitada perdida da Irmã James, que acaba delatando o padre na maior inocência, a cena em que ela discute com a personagem de Streep é um dos pontos altos do filme. Davis aparece em apenas uma cena em que deixa bem claro a Beauvier não se intrometer na vida do garoto, mas ela é tão sublime que quase consegue se igualar e Streep na atuação e temos aqui uma das maiores batalhas de atuação do ano, digo uma das maiores porque a melhor coube a Streep e Hoffman, eles discutem sobre o caso e tanto ela quanto ele deixam claro que não irão abrir mãe dessa guerra louca, um detalhe importante é que tanto Aloysius deve se curvar diante dele por ele ser o padre e ela a freira, como ele deve se curvar diante dela por ela ser diretora e ele professor. Outra belíssima cena pertence a Hoffman, ele faz um sermão sobre fofocas.


O quarteto citado a cima foi indicado ao Oscar, bem como o roteiro. Streep venceu o sindicato dos atores, ainda teve indicações no Globo de Ouro, no Bafta e em dezenas de outros prêmios. Shanley é capaz de nos fazer odiar, amar, sentir remorso por cada uma das personagens de seu filme, apesar de não ser uma adaptação completa e de muitos terem achado o final horrível, é uma opinião unânime a de que o filme reuniu times de feras em todos os sentidos e nos proporcionou uma grande realização, que nos faz refletir sobre dezenas de coisas e, pior, nos faz ficar sempre com algo inevitável quanto a vida, a dúvida.



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