segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O ATO DE (R)EXISTIR

Durante os dias 2 e 7 de setembro, a cidade de Cachoeira, Bahia, sediou o CachoeiraDoc, o Festival de Documentários da cidade. Com a apresentação de quase 40 produções, dentre mostras especiais e competitiva, o evento contou com a participação dos realizadores dos filmes, dos alunos e professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, da população cachoeirana e de profissionais de diversas áreas.



O Festival iniciou na noite de terça (02) em grande estilo com a apresentação do longa documentário de Eduardo Coutinho, “Cabra Marcado para Morrer” (1984). O filme relata a história de um homem que lutava por seus direitos e de todos com quem convivia e acabou sendo brutalmente assassinado. A origem do documentário é a tentativa de Coutinho em filmar uma ficção sobre a luta do líder camponês João Pedro Teixeira. Interrompido pela ditadura em 1964, Coutinho retornou 20 anos depois e fez o documentário lembrando das filmagens e realidades da época e contrapondo-as com a vida da esposa do camponês, Elizabeth Teixeira, que se tornou ativista pela causa.
O tempo foi cruel com essa mulher forte e esperançosa que vemos na tela: Elizabeth foi obrigada a deixar os filhos para trás e ser testemunha em dezenas de processos abertos pelas revoltas camponesas e pela realização do filme. Além dela, outras pessoas que participaram das filmagens também relatam suas lembranças e histórias. De forma intimista, Coutinho adentra a vida pessoal de cada um desses personagens – nos quais estão incluídos alguns dos 12 filhos de João e Elizabeth - e traz revelações inusitadas. O cineasta, porém, não esquece de denunciar a Ditadura trazendo para a tela declarações do governo que diziam que o filme que estava sendo filmado por ele era uma forma de reunir revoltosos e estimular a desordem no país.
A sessão sobre a família Teixeira continuou no dia seguinte com a apresentação do filme “A Família de Elizabeth Teixeira” (2014). Trinta anos após a realização do primeiro filme, Elizabeth é uma idosa de 87 anos com alguns de seus filhos espalhados pelo Brasil e outros perdidos há muito tempo. Nesse longa, Coutinho opta por mostrar a vida dos filhos da matriarca: vai do sudeste ao nordeste revelando as diferentes vidas que a prole de um dos maiores líderes da reforma agrária levam. Assim, o diretor volta a revelar histórias cada vez mais intimistas e curiosas. Cada filho de Elizabeth lembra de alguma coisa muito diferente, cada um passou por experiências inusitadas devido à perseguição sofrida pela família. Para finalizar, Coutinho ainda conta com a surpresa de saber que uma das netas do casal se tornou professora de história e trabalha com a restauração e recuperação da memória das lutas de João Pedro e Elizabeth Teixeira.

Elizabeth Teixeira e os filhos logo após a morte do marido.
O diretor faz uma ligação entre o passado (décadas de 1964 e 1984, quando tentou gravar a ficção e quando gravou o primeiro documentário, respectivamente) e os dias de hoje (2013). E nessa tentativa de comparar e denunciar, Coutinho exagera ao adentrar no mais profundo íntimo de seus personagens. Não que isso o torne apelativo, mas é exagerado. No final das contas, o que o cineasta faz é revelar o Brasil de forma nua e crua, sem pudor em mostrar os sofrimentos e as consequências advindas do período da ditadura. Por vezes, desrespeitando os limites do que pode ser público e do que, preferencialmente, deveria permanecer em âmbito privado. Para concluir essa denúncia com o filme apresentado no segundo dia do evento – que, na realidade, é um extra do DVD do filme de 1984 - o documentarista acaba trazendo toda a diversidade brasileira em um filme que trata apenas do povo brasileiro.
Cabra marcado para morrer fez parte da Mostra Resistência apresentada pelo festival. No sábado (06), os curtas Manhã cinzenta e África 50 e o média Primeiro caso, segundo caso fecharam a mostra que tinha como objetivo trazer filmes que contém como temática a resistência frente a repressão. Cada um deles foi filmado em um local diferente do mundo, mas todos acabaram sendo perseguidos pelos governos vigentes e até proibidos, sendo vistos como filmes subversivos para suas épocas. O mesmo, como citado acima, ocorreu com Cabra marcado para morrer. Manhã cinzenta também tem como pano de fundo a ditadura no Brasil; África 50 mostra uma África na década de 1950 explorada pelo protecionismo francês; e Primeiro caso, segundo caso foi filmado durante o processo que culminou na queda da monarquia islâmica e na ascensão da república no Irã.
De Olney São Paulo, Manhã cinzenta teve seus negativos confiscados pela ditadura em 1969. O curta mistura realidade e ficção para mostrar os terrores feitos pelos políticos da época. Mas Olney não mostra apenas o terror, ovaciona aqueles que manifestaram. De forma simples, trata os manifestantes como verdadeiros heróis que, infelizmente, não terão a mesma vitória certa que acompanha os heróis das histórias em quadrinho, muito pelo contrário. E é para mostrar essa frustração que o diretor sufoca o espectador através de cenas pavorosas e por uma trilha sonora forte e expressiva. Em uma cena desesperadora, por exemplo, uma personagem corre de um lado a outro fugindo de vários soltados que apontam suas armas para ela, enquanto isso, um homem fica parado apenas esperando que seu destino seja selado pela munição que deixará aquelas armas e se impregnará em seu corpo.


Indivíduos curiosos, uma vida tranquila e muita cultura compõe as primeiras cenas de África 50, de René Vautier. O diretor, assim, apresenta a beleza do povo africano, foca em crianças que olham sua câmera com o desejo de conhecer o objeto, mostra a tradição e o modo de vida adotados por aquele povo e a forma carinhosa com a qual tratam uns aos outros. Depois, entretanto, Vautier deixa os sorrisos, as brincadeiras e as danças de lado e esbofeteia o público com cenas aterradoras da exploração europeia nas colônias da África Ocidental Francesa. O que antes era belo e harmônico passa a se tornar triste e tão sufocante quanto as cenas de Manhã cinzenta. As mulheres que antes arrumavam os cabelos estão mortas, as crianças que antes pulavam alegremente nas águas estão mortas, os homens que antes cuidavam dos animais que alimentariam suas famílias também estão mortos. E todas essas mortes são ocasionadas por um motivo incompreensível, mas simples: a sede de poder que envolve os franceses e o capitalismo, que, sem dúvida, é o maior aliado nessa busca incansável.
Imagine essa cena: um professor está de costas escrevendo no quadro, um garoto, no fundo da sala, bate um apagador na mesa. Sem conseguir identificar o aluno, o professor ordena que os jovens do fundo da sala saiam e voltem apenas em duas circunstâncias: ou quando contarem quem é o “culpado”, ou após passarem uma semana do lado de fora. Baseado nessa encenação, Primeiro caso, segundo caso questiona a solidariedade de grupo e o sistema vigente que faz de tudo para dissolver qualquer grupo que possua opiniões próprias. Para que as mais diversas pessoas possam dar suas opiniões – o que inclui, por exemplo, estudiosos e líderes religiosos e políticos -, o diretor apresenta as duas escolhas que podem ser feitas pelos alunos: na primeira, um aluno revela quem é o culpado e volta para dentro da sala de aula cabisbaixo e, aparentemente, envergonhado, no segundo momento, todos esperam a uma semana e voltam orgulhosos para a sala de aula. Qual seria a melhor opção? Ceder de imediato ao sistema, ou se mostrar resistente e acabar, uma hora ou outra, retornando ao regime? A Revolução Iraniana, por exemplo, trocou o sistema autoritário monárquico, por uma república comandada por líderes militares religiosos radicais. O que você iria preferir?

Como boa parte do planeta, o Brasil, a África e o Irã foram dominados por ideologias radicais que estabeleceram seus regimes de forma autoritária e violenta. A boa notícia é que o povo brasileiro se revoltou e pediu por um governo justo e realmente democrático para que a ditadura terminasse em 1985. Em 1958, a independência da Guiné fez com que os demais territórios africanos começassem a se erguer contra o sistema vigente, o que culminou na independência total até 1960. Há pouco tempo, a Primavera Árabe modificou as realidades sociopolíticas de todos os países da região, e com o Irã não foi diferente. Mais que denunciar os abusos políticos pelos quais o mundo passou, todos os filmes da Mostra Resistência lembram a importância de a população se erguer contra tais regimes. No ano passado, manifestações no Brasil pediram por melhores condições no país. Mais que exercer seu papel como cidadão, o povo deve clamar por igualdade, resistindo a parâmetros que fogem completamente aos direitos de liberdade de expressão, construindo uma identidade forte e exemplar, passando, assim, a existir de forma concreta.

Após a sessão de sábado (06), Ivana Bentes, professora associada do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ e curadora na área de arte, mídia, cinema, audiovisual comentou sobre os filmes e sobre a Mostra Resistência, destacando a importância dos filmes apresentados durante o festival para a construção de uma sociedade moderna e desenvolvida.
(Foto: Tiago Araujo)
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terça-feira, 26 de agosto de 2014

VENCEDORES DOS PRÊMIOS EMMY 2014

Anunciados os vencedores do maior prêmio da televisão norte-americana, o Emmy Awards. Os destques ficaram para “Breaking Bad”, “Modern Family”, “Fargo” e “Sherlock: The Last Vow”. Confira os vencedores das principais categorias.




Na noite de segunda-feira (25), a Academia de Artes e Ciências Televisivas entregou os Prêmios Emmy. Foi a primeira vez desde 1978 que a Academia anunciou os vencedores em um dia de semana desde 1978. Com 16 indicações, “Breaking Bad” foi a grande vencedora dentre as séries indicadas. Alguns dos prêmios desse fenômeno mundial na categoria de série drama foram melhor série, roteiro, ator e ator e atriz coadjuvantes. Dentre as minisséries e telefilmes, os prêmios ficaram divididos: “American Horror Story” levou os prêmios de atriz e atriz coadjuvante, “Fargo” foi considerada a melhor minissérie e a melhor direção do ano e “Sherlock: His Lost Vow” venceu como melhor ator, ator coadjuvante e roteiro.


Em números, os principais vencedores da noite, dentre os principais prêmios ou os artísticos, foram “Sherlock: His Last Vow” (7), “Breaking Bad” (6), “Saturday Night Live” (5), “True Detective” (5), “American Horror Story: Coven” (4), “COSMOS: A SpaceTime Odyssey” (4) e “Game of Thrones” (4). Destaque nas premiações dos últimos anos, das séries feitas para internet pela Netflix, “Orange is The New Black” e “House of Cards”, apenas a primeira obteve prêmios, “Orange” (3).
Abaixo, confira a lista dos vencedores das principais categorias (para saber todos os vencedores, acesse o SITE OFICIAL DO EMMY AWARDS):

Melhor Série: Breaking Bad
Melhor Direção: Cary Joju Fukunaga, por True Detective
Melhor Atriz: Julianna Margulies, por The Good Wife
Melhor Ator: Bryan Cranston, por Breaking Bad
Melhor Atriz Coadjuvante: Anna Gun, por Breaking Bad
Melhor Ator Coadjuvante:  Aaron Paul, por Breaking Bad
Melhor Atriz Convidada: Allison Janney, por Masters of Sex
Melhor Ator Convidado: Joe Morton, por Scandal
Melhor Roteiro: Moira Welley Beckett, por Breaking Bad


Melhor Série: Modern Family
Melhor Direção: Gail Mancuso, por Modern Family
Melhor Atriz: Julia Louis-Dreyfus, por Veep
Melhor Ator: Jim Parsons, por The Big Bang Theory
Melhor Atriz Coadjuvante: Allison Janney, por Mom
Melhor Ator Coadjuvante: Ty Burrell, por Modern Family
Melhor Atriz Convidada: Uz Aduba, por Orange is the New Black
Melhor Ator Convidado: Jimmy Fallon, por Saturday Night Live
Melhor Roteiro: Louis C. K., por Louie


Melhor Minissérie: Fargo
Melhor Telefilme: The Normal Heart
Melhor Direção: Colin Bucksey, por Fargo
Melhor Atriz: Jassica Lange, por American Horror Story: Coven
Melhor Ator: Benedict Cumberbatch, por Sherlock: His Last Vow
Melhor Atriz Coadjuvante: Kathy Bates, por American Horror Story
Melhor Ator Coadjuvante: Martin Freeman, por Sherlock: His Last Vow
Melhor Roteiro: Steven Moffat, por Sherlock: His Last Vow


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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

42 º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO

Entre os dias 8 e 16 de agosto, a cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, sediou o 42º Festival de Cinema Brasileiro e Latino de Gramado. Dentre longas e curtas, a mostra trouxe cerca de 70 de filmes.

Saiba mais sobre o evento na página oficial do 42º Festival de Gramado 


Na quarta-feira (06), o festival iniciou mais cedo para a população da cidade de Gramado, na serra gaúcha. O filme escolhido para uma apresentação especial foi o longa “Colegas” (2012), de Marcelo Galvão. No dia seguinte, mais uma surpresa especial: a apresentação dos filmes produzidos pelo projeto gramadense Educavídeo, resultado de ações educativas com estudantes do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino através da linguagem audiovisual na produção de curtas metragens.
Para abrir oficialmente o evento na quinta-feira (08), foi exibido o filme “Isolados”. De Tomás Portella, o longa conta com Bruno Gagliasso, Regiane Alves e José Wilker no elenco. O filme foi a última participação de Wilker no cinema e sua apresentação foi uma espécie de homenagem ao ator que morreu em abril deste ano. No mesmo dia, foi apresentado o filme “A Despedida”, de Marcelo Galvão e com Juliana Paes e Nelson Xavier no elenco. Os filmes de guerra, “Os Senhores da Guerra”, de Tabajara Ruas que relata a Revolução de 1923 no Rio Grande do Sul, e “A Estrada 47”, com direção de Vicente Ferraz e que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial, foram apresentados no dia 09 (sábado). No domingo (10), foram conhecidos os vencedores da mostra de curtas-metragens gaúchos e foi apresentado o filme direcionado para o público familiar e infantil “O Segredo dos Diamantes”, de Helvácio Ratton. Os vencedores gaúchos foram “Domingo de Marta” (de Gabriela Bervian, que ainda levou outras cinco estatuetas, incluindo melhor direção) e “Linda, uma História Horrível”. Os musicais “A Luneta do Tempo”, estreia de Alceu Valença no cinema, e “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas, foram apresentados, respectivamente, na quarta-feira (13) e na quinta-feira (14), esta, a mesma data em que e o filme “Infância”, protagonizado por Fernanda Montenegro e dirigido por Domingos de Oliveira teve sua estreia nacional oficial. Estreia de Caco Ciocler atrás das câmeras, “Esse Viver Ninguém me Tira”, documentário que conta a história de Dona Aracy, esposa de Guimarães rosa, que ajudou os judeus perseguidos quando morou na Alemanha, foi o último filme apresentado no festival na noite do dia 15.


Durante o evento, quatro pessoas foram homenageadas: Flávio Migliaccio, Rodrigo Santoro, Jean Piere Noher e Walter Carvalho. Flavio Migliaccio começou sua carreira no cinema em 1956 com o filme “O Grande Momento”, de Roberto Santos, com Lima Duarte, Paulo Goulart e Milton Gonçalves. Depois disso, foram mais de 40 produções. Alguns dos principais filmes do ator foram “Como Vai, Vai Bem?” e “Os Machões”. Atualmente, pode ser visto na série global “Tapas e Beijos”, que vai ao ar desde 2011. Agraciado com o Troféu Cidade Gramado, o ator Rodrigo Santoro começou participando do curta “Depois do Escuro” (1996). Trabalhou também em “Bicho de Sete Cabeças”, de Laís Bodanzky, “Abril Despedaçado”, de Walter Salles, “Carandiru”, de Hector Babenco e os internacionais “300” e “Che: O Argentino”. Seu último papel marcante foi no filme “Heleno”. Nascido na França, Jean Pierre Noher foi criado na Argentina, onde começou a fazer cinema em 1984. Trabalhando em cinema e televisão, o ator já atou em vários países da América Latina, incluindo o Brasil. Essa é a segunda vez que recebe um prêmio em Gramado, a primeira foi em 2001 por sua interpretação em “Um Amor de Borges”. Walter Carvalho, por sua vez, premiado com o Troféu Eduardo Abelin, iniciou sua experiência no cinema ao lado do irmão Vladimir Carvalho, 13 anos mais velho e também cineasta. A estreia de Carvalho foi em 1972 com “Incelência para um Trem de Ferro”. De início, Walter trabalhou como fotógrafo, até se tornar cineasta. Dentre seus filmes mais conhecidos e premiados estão “Central do Brasil” e “Lavoura Arcaica”.
Com 794 filmes inscritos, 68 foram exibidos durante o festival. Sendo 44 concorrentes nas mostras competitivas de longas (brasileiros e latinos) e curtas brasileiros. Foram utilizados R$ 3 milhões para a realização do festival. O evento gerou 500 empregos em sua produção e organização, além de ter credenciado 2 mil pessoas (imprensa, cineastas, atores, produtores e comunidade do cinema). Cerca de 150 mil turistas circularam na cidade durante o evento. No último sábado, foi realizada a cerimônia de premiação que destacou “A Estrada 47”, “A Despedida” e “Infância” como os principais vencedores da premiação de longas brasileiros. Este último, recebendo o Prêmio Especial do Júri para a atriz Fernanda Montenegro. Conheça os vencedores de todas as categorias


Filmes Brasileiros de Longa Metragem:
Melhor Filme (R$ 65 mil): A Estrada 47, de Vicente Ferraz
Melhor Diretor (R$ 15 mil): Marcelo Galvão, por A Despedida
Melhor Atriz (R$ 10 mil): Juliana Paes, por A Despedida
Melhor Ator (R$ 10 mil): Nelson Xavier, por A Despedida
Melhor Ariz Coadjuvante (R$ 5 mil): Andrea Buzato, por Os Senhores da Guerra
Melhor Ator Coadjuvante (R$ 5 mil): Paulo Betti, por Infância
Melhor Roteiro (R$ 10 mil): Domingo Oliveira, por Infância
Melhor Fotografia (RS 10 mil): Eduardo Makino, por A Despedida
Melhor Montagem (R$ 10 mil): Tina Saphira, por Infância
Melhor Trilha Sonora (R$ 5 mil): Alceu Valença, por A Luneta do Tempo
Melhor Direção de Arte (R$ 5 mil):Noacyr Gramacho, por A Luneta do Tempo
Melhor Desenho de Som (R$ 5 mil): Branco Neskov, por A Estrada
Prêmio Especial do Júri (1): Os Senhores da Guerra, de Tabajara Ruas
Prêmio do Júri (2): Fernanda Montenegro, por Infância
Melhor Filmes (Júri Popular): O Segredo dos Diamantes, de Helvécio Ratton
Melhor Filme (Júri da Crítica): Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas

Filmes Latinos de Longa Metragem:
Melhor Filme (R$ 65 mil): El Lugar Del Hijo, de Manuel Nieto
Melhor Direção:Moisés Sepúlveda, por Las Analfabetas
Melhor Atriz: Paulina Garcia e Valentina Muhr, por Las Analfabetas
Melhor Ator: Felipe Dieste, por El Lugar Del Hijo
Melhor Roteiro: Manuel Nieto, por El Lugar Del Hijo
Melhor Fotografia: Arnaldo Rodriguez, por Las Analfabetas
Melhor Filme (Júri Popular): Esclavo de Dios, de Joel Novoa
Melhor Filme (Júri da Crítica): El Crítico, de Hermán Guerschuny
Prêmio Don Quixote: Las Analfabetas, de Moisés Sepúlveda

Filmes Brasileiros em Curta Metragem:
Melhor Filme (R$ 15 mil): Se Essa Lua Fosse Minha, de Larissa Lewandowski
Melhor Diretor (R$ 5 mil): Gustavo Vinagre, por La Llamada
Melhor Atriz (R$ 5 mil): Rafaela Souza, por Carranca
Melhor Ator (R$ 5 mil): Guilherme Silva, por Carranca
Melhor Roteiro (R$ 5 mil): Caio Ryuichi Yossimi, por O Coração do Príncipe
Melhor Fotografia (RS 5 mil): Giovanna Pezzo, por La Llamada
Melhor Montagem (R$ 5 mil): Carlos Adriano, por Sem Título #1: Dance of Leitfossil
Melhor Trilha Sonora (R$ 5 mil): Sem Título #1: Dance of Leitfossil
Melhor Direção de Arte (R$ 5 mil): Caio Ryuichi Yossimi, por O Coração do Príncipe
Melhor Desenho de Som (R$ 5 mil): Guga Rocha, por História Natural
Prêmio Especial do Júri: O Clube, de Allan Ribeiro
Melhor Filme (Júri Popular): A Pequena Vendedora de Fósforos, de Kyoko Yamashita
Melhor Filme (Júri da Crítica): La Lamada, de Gustavo Vinagre

Prêmio Canal Brasil: A Vendedora de Fósforos, de Kyoko Yamashita


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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

TEATRO: A HISTÓRIA DOS AMANTES, de Marcelo Serrado

Com enredo criativo e interpretações hilárias, a peça faz rir do começo ao fim, mas também é uma ótima análise de vida. Em cartaz no Rio de Janeiro a partir de 15 de agosto no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca


Ficha Técnica*:
Elenco: Daniel Rocha, Anderson Di Rizzi e Hugo Bonemer
Texto e Direção: Marcelo Serrado
Cenografia: Miguel Pinto Guimarães
Direção Musical e Trilha sonora: Marcio Tinoco
Figurinos: Carol Lobato
Iluminação: Paulo Denizot
Projeto Gráfico: Redondo Estratégia + Design
Direção de Movimento: Marina Salomon
Direção de Produção: Denise Escudero
Assistente de Direção: Danilo Watanabe
Assistente de Produção: Rodrigo Becker
Assistente de iluminação: Daniel Ramos
Produção e assessoria de imprensa: Barata Comunicação
Classificação etária: 16 anos
Duração: 80 minutos

Há muitos séculos, o homem começou a evoluir. Ouvimos, em off, uma história sobre a evolução humana na voz de ninguém mais, ninguém menos que José Wilker (há também a participação em off de Françoise Forton, que interpreta a mãe de um falecido amigo dos protagonistas). Ao mesmo tempo em que Wilker fala, três macacos entram interagindo com a plateia. Eu e minha tia estávamos sentados na primeira fileira do teatro, logo, encarei, aos risos, um desses macacos durante alguns segundos enquanto um dos comediantes se aproximava de mim. E essa foi minha reação na maior parte da peça: rir.


Isso, por que, como mestres da comédia, Daniel Rocha, Anderson Di Rizzi e Hugo Bonemer carregam o texto de Marcelo Serrado de forma maravilhosa. Em “A História dos Amantes”, o trio dá vida a três homens completamente diferentes, mas grandes amigos: um deles é o homem fiel, uma espécie quase em extinção de homens que não traem suas esposas ou namoradas; outro é o homem ereto que acaba de voltar de uma reabilitação em uma clínica onde estava Michael Douglas (claro, o vício era o sexo); o último, o homem “ricardus” está entre seu amor por uma prostituta e uma mulher casada, lutando contra uma profissão complicada e um marido ciumento. O trio forma uma banda que parece ser péssima, mas que se diverte de qualquer forma, o que dá chance para músicas ótimas que vão de Chitãozinho e Chororó a Beatles, finalizando com Cazuza. Durante a peça, os três homens, e apenas eles (contando com uma participação de um contra regra engraçadíssimo), conversam sobre a vida, sobre dificuldades em relacionamentos, relembram o passado e, principalmente, falam sobre mulheres. Daniel, Anderson e Hugo interpretam os personagens centrais e, em alguns momentos bem específicos, dão vidas às companheiras, justificando o porquê de seus problemas ou dúvidas. Além disso, revelações sobre o passado vêm à tona, como acontecerá com qualquer grupo de amigos que resolvam se reunir. Cada um dos atores apresenta um tipo de personalidade e constrói personagens muito singulares. Ao longo, contando com macacos, companheiras e outros, são mais de 15 personagens (dois deles interpretados pelo contra regra e o restante pelo trio).


O texto de Marcelo Serrado, que também assina a direção da peça, é uma verdadeira comédia. Serrado não perde a oportunidade de fazer piadas e até chegou a adaptar um pouco o texto para a cidade de Brasília, citando alguns lugares conhecidos da capital brasileira. Ainda sobre o lado cômico do texto, é impossível não rir com os atores, que parecem muito à vontade em seus personagens, brincando, certas vezes, com o roteiro planejado. Erros ou confusões não são problemas por aqui e poucas vezes vi três atores jovens improvisarem tão bem os momentos embaraçosos de um ou outro. A forma como os personagens vão e vem, contando suas histórias, é perfeita e não há um momento em que os flash-backs se percam. E quando, no início do texto, disse que minha reação na maior parte da peça foi rir, não estava querendo dizer que passei por momentos de indiferença: quando não ria, refletia. E é aí que está o melhor de “A História dos Amantes”: ela retrata a vida como ela é, mas não esquece de trazer um pouco de sarcasmo e piadas inusitadas. Frases ou cenas prontas e conhecidas por cada brasileiro (ou até cidadão de fora do país, como a referência ao filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço”), ou momentos totalmente originais que tenham surgindo na cabeça genial de Marcelo Serrado (como a esposa gaúcha de Passo Fundo, cidade onde eu mesmo morei dois anos), tudo na peça funciona de uma forma inacreditavelmente inteligente e oportuna. A produção da peça é de Serrado, Eduardo Barata e Denise Escudero.
 Análise referente à peça apresentada na cidade de Brasília, Anderson Di Rizzi foi substituido por Bruno Gissoni na temporada carioca.

*Ficha técnica retirada do site: http://teatrogt.com.br/cartaz/


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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

GAME OF THRONES - PARTE IV - TEMPORADA POR TEMPORADA

Abaixo, seguem pequenos resumos e análises de todas as temporadas. Apenas com essas resenhas não é impossível compreender tudo o que se passa na série, portanto, aconselho que sejam lidas apenas por aqueles que já assistiram às temporadas e desejam lembrar um pouco delas. Obviamente, esses resumos e análises contem revelações sobre todo o enredo da série. Essa seção estará em atualização até a temporada final da série.




SPOILERS...
SPOILERS...
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Primeira Temporada: A série inicia com Robert indo até o norte para nomear Ned sua Mão. Descobrimos que Cersei e Jaime são amantes. Jon Snow vai para a Muralha e acaba descobrindo que ela é bem menos honrosa do que pensava. No decorrer da temporada, Ned descobre que os filhos de Cersei e do rei são, na verdade, filhos de Jaime. Catelyn Stark toma Tyron como refém acusando-o de assasinato. A partir daí, e tendo a certeza de que a família Lannister tentou assassinar um de seus filhos, Ned declara que contará a verdade a Robert. No outro lado do Mar Estreito, Daenerys mostra que é uma verdadeira Kaleese e começa um relacionamento de amor e companheirismo com Kal Drogo, que matará Vaserys e prometerá o Trono de Ferro a seu filho.Todavia, antes de fazê-lo, o rei morre. Quando Ned tenta tomar o controle da situação, Cersei e Joeffrey o prendem sobre acusasão de traição. No norte, o filho mais velho de Ned convoca seus vassalos para uma Guerra para libertar seu pai. No sul, Renly se auto proclama rei e recebe o apoio dos Tyrell. No oeste, os Lannisters, comandados por Twyn, se preparam para a guerra. Em Porto Real, Ned é decapitado, Arya foge durante a execusão e Sansa se torna refém. Robb é ungido Rei do Norte e captura Jaime. Jeoffrey senta no Trono de Ferro sobre a proteção de Twyn Lannister. No outro lado do Mar Estreito, após a morte de Khal Drogo, Daenerys Targaryen acordou seus dragões. Na Muralha, Mormont decide enfrentar o que há além dela. A guerra pelo Sete Reinos começou.



Segunda Temporada: Tyrion toma seu lugar no pequeno conselho como Mão do Rei como ordem de seu pai e começa a formar sua propria teia de poder. Stannis Baratheon se declara como rei legítimo e espalha cartas que contam a verdade sobre Cersei e Jaime. Jeoffrey revela o tipo de rei que é. Arya é levada, sob proteção de um irmão juramentado da Muralha, para o norte, mas acaba sendo pega pelo Montanha e se torna copeira de Tywin (que, obviamente, não sabe quem ela é). Catelyn tenta termos de “parceria” com Renly Baratheon, que acaba sendo assassinado. Danny procura por abrigo para ela e seu povo. Theon volta para as Ilhas de Ferro, prova do desgosto de seu pai e da audácia de sua irmã e toma Winterfell. Catelyn liberta Jaime para tentar recuperar suas filhas. Stannis ataca Porto Real, mas Tywin chega a tempo de manter sua família no poder. Theon perde Winterfell, Meistre Luwin morre e Bran e Rickon, que estavam escondidos nas tumbas de seus antepassados, fogem em direção à Muralha. Tyrion acorda após a batalha e percebe que a irmã tentou matá-lo. Robb quebra o juramento feito a Walter Frey e se casa com outra mulher. Arya escapa do Montanha. Jon se torna membro do povo além da Muralha. Daenerys liberta seus filhos e mostra a todos em Qarth por que é a Mãe dos Dragões. Finalmente, a corneta toca além da Muralha, não uma ou duas vezes, mas três.


Terceira Temporada: Daenerys ganha mais um aliado a sua causa. Theon acorda nas masmorras de algum castelo, onde começa a ser torturado. Arya é encontrada pela Irmandade Sem Bandeiras e fica sob sua proteção. Jeoffrey aceita Maegaery Tyrell como noiva. Hoster Tully morre. Tyrion se torna contador da Coroa. Jaime e Brienne são pegos por um homem a serviço dos Bolton. Daenerys conquista seu exército. Jon experimenta uma mulher beijada pelo fogo. Robb aceita que seu tio se case com uma Frey para saldar sua dívida. Em Porto Real, Lady Ollena Tyrell trama pelo bem de sua família e Margaery começa a conquistar Jeoffrey. Tywin informa Tyrion e Cersei de seus interesses em casá-los com Sansa e Loras, respectivamente. Jon escala a muralha ao lado de um grupo de selvagens. Jaime se mostra um homem mais honrável do que se imagina. Jon se separa dos selvagens e retorna à muralha. Daenerys toma uma cidade do outro lado do Mar Estreito. Robb e Catelyn são traídos por Walter Frey e assassinados no Casamento Vermelho. Bran e Rickon se separam e Bran ruma para o norte além da Muralha. James chega a Porto Real. A Patrulha da Noite pede ajuda para combater o que virá do norte.



Quarta Temporada: Oberyn Martell chega a Porto Real. Jon Snow é ferido mas volta à Muralha. Daenwrys chega a Meeren, mãe de todas as cidades. Ramsey usa Theon para conseguir aprovação do pai. Joffrey e Margaery casam, mas ele é misteriosamente assassinado. Tyrion é acusado como culpado e é preso. Sansa foge com Mindinho. Sam envia Gilly para Vila Toupeira. Daenerys enfrenta problemas em Meeren. Jamie manda Brienne na missão de encontrar Sansa. Jon leva alguns homens para a Fortaleza de Craster. Bran e seus amigos são feitos reféns. Tommen se torna rei. Sansa e Baelish chegam ao Ninho da Águia, onde ele se casa com Lysa. Jon e seus homens atacam a Fortaleza. Yara tenta libertar Theon, mas falha. Stannis convence o Banco de Ferro a emprestar dinheiro a ele. Danny se encontra com Hisdahr Loraq. Tyrion sofre com seus julgamento, mas exige julgamento por combate. Danny e Daario passam a noite juntos. Tyrion procura seu campeão. Baelish mata Lysa. Os selvagens atacam Vila Toupeira. Sansa mente para proteger Mindinho. Daenerys descobre que Jorah foi informante do rei. Oberyn Martell luta por Tyrion contra Gregor Clegane e é assassinado. A Patrulha da Noite luta contra os selvagens. Daenerys deve tomar decisões importantes. Bran encontra o corvo. Tyrion é libertado por Jaime, assassina Tiwyn e foge de Porto Real.


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