domingo, 24 de fevereiro de 2013

088. (ESPECIAL OSCAR 2013) ARGO, de Ben Affleck


Não é tão arrebatador quanto o esperado, mas é uma das melhores direções do ano e um dos melhores filme de 2012. Surpeendente!
Nota: 9,5


Título Original: Argo
Direção: Ben Affleck
Elenco: Ben Affleck, Bryan Craston, Alan Arkin, John Goodman, Victor Garber, Tate Donovan, Cleau DuVall, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Chris Messina, Zeljko Ivanek, Titus Welliver, Keith Szarabajka, Bob Gunton, Richard Kind
Produção: Ben Affleck, George Clooney, Grant Heslov
Roteiro: Chris Terrio, Joshuah Bearman (artigo “Escape from Tehran”) e Tony Mendez (livro “The Master of Disguise”)
Ano: 2012
Duração: 120 min.
Gênero: Drama / Histórico / Thriller

Alguns minutos após chegar a uma entrevista de emprego – respondendo a um anúncio de jornal -, o americano Tony Mendez descobriu que se tratava de uma tentativa da Agência de Inteligência dos Estados Unidos da América (CIA) procurando por um bom desenhista. Desde então, Mendes se tornou o melhor falsificador da Agência. Em 1979, porém, fatos fizeram com que o agente enfrentasse a maior missão de sua carreira, e o imortalizasse na mente de grande parte dos americanos. Com a ascensão dos aiatolás liderados por Ruhollah Khomeini, parte do povo iraniano exigiu que os EUA extraditasse Mohammad Pahlavi – ex-governante do Irã e asilado político dos americanos-, em uma das diversas manifestações, o povo invadiu a embaixada norte-americana em Teerã. Apenas seis pessoas conseguiram fugir e foram abrigas pelos representantes do Canadá no Irã, e virou tarefa de Mendez trazê-los de volta.


No filme, a revolução é mostrada, bem como a invasão na embaixada – rica em detalhes que mostram os funcionários destruindo documentos oficiais que não podiam ser vistos por mais ninguém -, além disso, vemos a fuga dessas seis pessoas, que estavam em um prédio bem propício: ele tinha uma saída lateral que dava direto em uma rua mais calma. A partir do momento que o governo dos EUA descobre desses seis indivíduos, passa a estudar os meios de tirá-los de lá com a maior segurança possível, e é aí que Mendez entra, de fato, na história: é dele a idéia de se realizar um filme falso (o qual seria filmado em terras iranianas), fazer dos seis diplomatas seis profissionais do cinema (produtor, diretor, designer de produção, roteirista, câmera e gerente de locação) e tirá-los do Irã pelo aeroporto, como se os sete fossem canadenses.


Ben Affleck havia dirigido “Medo da Verdade” (2007) e “Atração Perigosa” (2010) – dos quais foi, também, roteirista – e, apenas, roteirizado “Gênio Indomável” (1997) – com o qual venceu o Oscar de melhor roteiro ao lado do amigo Matt Damon – e a fracassada série “Push, Nevada”. Não há como fazer uma previsão de um homem que dirigiu apenas dois longas, apesar disso, devemos admitir que ambos os filmes são bem melhores que o esperado. Dessa forma, “Argo” tornou-se uma incerteza para os espectadores que aguardaram o lançamento da produção. Para mim, apesar de todos os prêmios que venceu, o longa é uma surpresa até agora, isso, porque, o trabalho de Affleck na direção não poderia ser melhor (e ainda nem comecei a falar sobre sua atuação), é claro que há problemas graves no roteiro, mas são problemas do roteirista, não do restante da produção. Sendo assim, o que torna o filme algo tão único por parte de Affleck não é a forma como os acontecimentos são relatados, e sim sua preocupação em mostrar de forma simples e real alguns dos eventos que aconteceram de fato, tais como: as manifestações sociais dos jovens no Irã, as montagens feitas pelos garotos das fotografias dos diplomatas que trabalhavam na embaixada – os funcionários haviam colocado alguns dos documentos em um triturador de papel, e os revolucionários incumbiram crianças de encontrar cada tira e formar as fotos para ver quem estava faltando -, o enforcamento de um homem em público – o enforcamento não é mostrado, pior que isso, mostra-se o homem enforcado exposto na rua -, a queima da bandeira norte-americana pelos iranianos, o auxílio de um maquiador e de um produtor de Hollywood – também deixa-se claro que pessoas da área sempre ajudavam a CIA -, a efetiva participação das mulheres nas manifestações, a repercussão de grandes produções da época como “Guerra nas Estrelas”, as homenagens aos recém chegados na América e o não reconhecimento público da ajuda de Tony Mendez – ele chegou a receber a maior condecoração possível, mas teve que manter tudo na surdina, pois o crédito ao resgate ficou todo para o Canadá, apesar disso, há a preocupação de, nos créditos finais, deixar claro que o presidente Ronald Reagan, assim que eleito, resolveu revelar toda a história e deixar Mandez levar sua merecida glória.


Apesar de todos essas semelhanças, segundo o próprio Mendez, não é mostrado, no longa, que havia outras soluções mais arriscadas – obviamente nunca divulgadas -, os reféns não estavam em somente um prédio no Teerã – no filme eles estão apenas na casa do embaixador do Canadá -, e sim em dois; e Ben Affleck, apesar de atuar muito bem, não se parecia em nada com o homem real: é mais alto e mais bonito, “Eu teria escolhido Tommy Lee Jones, mas Ben se encaixa melhor no perfil de idade que eu tinha na época”, revelou o ex-agente, aposentado após 25 anos de serviço, e morando com a esposa, também aposentada da CIA, no estado de Maryland. O roteiro, escrito por Chris Terrio, possui ainda mais problemas em fatos reais, segundo Robert Fisk, escritor do famoso The Independent, os computadores, bem como os cartões de embarque eletrônicos no aeroporto do Irã são uma grande furada, acrescente a isso, não há nada de veracidade na perseguição dos revolucionários no final do filme, muito menos o fato de os iranianos terem sido tão amenos no aeroporto, além disso, a embaixada britânica não negou socorro aos seis diplomatas quando eles fugiram da embaixada americana e os canadenses foram muito mais participativos na fuga, para Fisk, “como é comum, os ianques pegam a maior parta dos louros”. No entanto, todos temos de admitir: a forma eletrizante como se dá a última hora do longa e as sacadas cômicas proporcionadas pelos representantes de Hollywood na primeira hora do filme, deixam a produção toda com leveza e destreza ao mesmo tempo.


Claro que um longa que faz um agradecimento ao cinema por ter auxiliado, mesmo que, na maior parte do tempo, sem intenção alguma, na fuga de seis americanos jurados de morte no Irã, teria indicações ao Oscar. Eis os indicados: melhor filme, após vencer os sindicatos dos produtores, atores, roteiristas e diretores, é o favorito na categoria, podendo perder apenas para “Lincoln” – afinal, é uma homenagem a um dos maiores americanos da história – ou, em minha opinião, para “O Lado Bom da Vida” – pois, parece que a Academia está achando as inovações do longa protagonizado por Bradley Cooper algo maravilhoso -; melhor ator coadjuvante para Alan Arkin, que interpreta o produtor Lester, acredito que o prêmio já seja de Christoph Waltz, por “Django Livre”; melhor roteiro adaptado para Chris Terrio, é um dos grandes favoritos, concorrendo apenas com “Lincoln”; melhor mixagem de som para John T. Reitz, Gregg Rudloff e José Antonio García, o trio já participou de outros grandes filmes que exigem uma excelente mixagem de som para se fazer entender, mas acredito que “Os Miseráveis” tenha mais chances por ter músicas gravadas apenas no set, e serem totalmente compreensíveis no longa; melhor edição de som para Erik Aadahl e Athan Van der Ryan, acredito que seja uma categoria técnica em que o filme esteja mais apto a vencer, mas também acho que o prêmio lhe escorregue pelos dedos e vá para “Django Livre”; melhor montagem para William Goldenberg, a montagem é fantástica, mas pode perder para “As Aventuras de Pi” e toda essa beleza do longa de Ang Lee; por fim, melhor trilha sonora para Alexandre Desplat, o cara é simplesmente fera e vem compondo ótimas trilhas, apesar de não ter gostado muito dela no começo por ser um pouco rara, a última hora de filme trás um tema excelente e um trabalho digno de prêmios. Não há como deixar de falar sobre a falta de Ben Affleck nas indicações esse ano: não passou nem perto de ser indicado por sua atuação e, contra todos os credos do momento da indústria cinematográfica, não está entre os melhores diretores do ano. Talvez você se pergunte como ele pode ser, então, o favorito para vencer o Oscar de melhor filme, exatamente, ninguém sabe o que fez a Academia esnobar Affleck e colocar em seu lugar Benh Zeitlin pelo fraco “Indomável Sonhadora”. Tudo bem que o Oscar goste de apelar um pouco e coloque esse filme por ser uma produção extremamente tocante, mas daí deixar de fora Affleck que acaba de vencer o prêmio do Sindicato dos Diretores?


Affleck está simplesmente excelente como Tony Mendez, pode até ser que o ator não esteja nada parecido com o real Mendez – até porque, na realidade, o ex-agente da CIA é descendente de mexicanos, o que fica evidente pelo sobrenome, mas gera dúvida pela aparência física do ator -, mas não há como negar que é demonstrado com perfeição como um homem na posição de Mendez se sente: nervoso, a ponto de explodir a qualquer momento, mas, ainda sim, sóbrio, afinal, deixar transparecer seu nervosismo significa por tudo a perder; além disso, é dele a tarefa de demonstrar maior interesse pela causa. Alan Arkin tem uma interpretação típica para uma indicação ao Oscar: de um produtor de Hollywood que ajudou Mendez, aqui parece que o ator está se divertindo o tempo todo interpretando o tipo de pessoa com quem ele teve de lidar a vida toda, e é essa experiência óbvia com produtores que faz a interpretação de Arkin ser tão boa. John Goodman é John Chambers, famoso maquiador de “Jornada nas Estrelas” (1966) e “O Planeta dos Macacos” (1968), nunca vi nenhum vídeo de Chamber, mas parece que Goodman está ótimo, pois mostra a parte louca e a parte patriota de um homem que, literalmente, faz sonhos tornarem-se realidade. Os interpretes dos agentes da CIA estão ótimos, assim como todo o pessoal que é visto no Irã, tanto os ligados a embaixada estadunidense quanto os ligados a embaixada canadense, todavia, não acredito que o prêmio do Sindicato dos Atores como melhor elenco do ano tenha sido tão merecido, produções como “Os Miseráveis” e “Lincoln” possuem um elenco mais participativo e não focam apenas em uma história como ocorre aqui, o prêmio foi merecido, mas há muito tempo que o Sindicato premia não o melhor elenco, e sim o melhor filme do ano.


No final das contas, “Argo” é mais uma grande produção que deseja, mais que qualquer outra coisa, fazer uma grande homenagem ao cinema, mostrar que graças a fama de grandes produções como “Guerra nas Estrelas” e “Planeta dos Macacos”, os EUA puderam trazer quase prisioneiros de volta e mostrar como o país ainda tinha aliados à sua volta, literalmente. Além disso, mostra como a indústria cinematográfica pode ganhar força a ponto de influenciar um país, apenas por vaidade, a ceder espaço a ponto de ser enganado pelo falso produtor de uma falsa produtora que está realizando um falso filme. Na há como não falar, também, sobre a beleza da abertura do longa, que nos dá um parâmetro de tudo que estava acontecendo na época no Irã, sem deixar qualquer espectador perdido ou desorientado, pois traz uma voz em off narrando uma história em quadrinhos onde os desenhos se “transformam” em seres humanos, fazendo um ponte entre a literatura, o cinema e a realidade. Acrescente a isso, para completar, os créditos são excelentes, mostrando as personagens reais e comparando-as com os atores caracterizados (chega a ser difícil adivinhar, no início, se a intenção é a de mostrar mesmo as semelhanças e diferenças, pois alguns deles ficaram simplesmente idênticos) e trazendo, ainda, fotos de acontecimentos reais da época. Entretanto, mesmo com tudo isso, não acredito que esse seja o melhor filme do ano, tudo bem, sem dúvida fica entre os cinco favoritos, mas daí ganhar tudo o que vem ganhando, não é para tanto. Tendo em vista todos os concorrentes do longa nas categorias técnicas do Oscar, é difícil que “Argo” vença alguns dos prêmios, entretanto, vendo a não indicação de Affleck e o arrependimento que os membros da Academia devem estar sentindo agora, é compreensível que o filme vença uns dois ou três, afinal, como ele pode ser o melhor filme do ano, e apenas isso? Talvez Arkin também se dê bem no final da história, pois é mais uma forma de mostrar que a Academia se importa e está se redimindo, todavia, nada mais pode ser feito para dar a Affleck o merecido Oscar de melhor direção, apenas podemos esperar que ele vença o de melhor filme – que ainda pode ser dado a qualquer outro concorrente apenas pela velha e boa birra (especialidade de crianças e velhos) - e mandar um recado singelo para a Academia e seus membros idiotas que o chutaram: “Argo fuck yourself!”


MAIORES INJUSTIÇAS DO OSCAR 2013
01. Não indicação de Jean-Louis Trintignant como melhor ator pelo francês "Amor";
02. Não indicação de Ben Affleck como melhor diretor por "Argo";
03. Não indicação de Katherine Bigelow como melhor diretora por "A Hora Mais Escura";
04. Não indicação de John Hawkes como melhor ator por "As Sessões";
05. Não indicação de Marion Cotillard como melhor atriz por "Ferrugem e Osso";
06. Não indicação de "Os Intocáveis" como melhor filme estrangeiro;
07. Não indicação de "007 - Operação Skyfall" como melhor filme do ano;
08. Não indicação de Javier Bardem como melhor ator coadjuvante por "007 - Operação Skyfall";
09.  A indicação de "Indomável Sonhadora" como melhor filme do ano;
10. A indicação de Behn Zeitlin como melhor diretor por "Indomável Sonhadora";

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089. (ESPECIAL OSCAR 2013) INDOMÁVEL SONHADORA, de Benh Zeitlin


Sustentado pela atuação da jovem Quvenzhané, está longe de ser um dos melhores filmes do ano.
Nota: 8,0


Título Original: Beasts oof The Southern Wild
Direção: Behn Zeitlin
Elenco: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly, Lowell LAndes, Panela Harper, Gina Montana, Amber Henry, Jonshel ?Alexander, Nicholas Clark, Joseph Brown, Henry D. Coleman, Katalina Brower, Philip Lawrence, Hannah Holby, Jimmy Lee Moore
Produção: Michael Gottwald, Josh Penn, Dan Janvey
Roteiro: Lucy Alibar, Behn Zeitlin e
Ano: 2012
Duração: 93 min.
Gênero: Drama

No selvagem sul dos Estados Unidos da América, vive a pequena Hushpuppy, uma menina de seis anos que mora as margens de um rio junto com o pai. Correndo o risco de ficar órfã por uma doença que o pai tem, a garota vê seu mundo desabar quando o lugar onde moram fica inundado após um temporal. Apesar de ela, o pai e o povo que mora nos arredores amar muito a vida que levam, o governo os tira de lá e os leva para um abrigo. Entretanto, a menina sonha em ser a rainha da “Banheira” – como eles chamam o local – e não permitirá que toda sua vida seja destruída assim tão facilmente.


Contando-se a história assim pode parecer que Hushpuppy será violentada, obrigada a trabalhar sem querer, ou explorada de qualquer outra forma, entretanto, o que ocorre é diferente: a garota precisa sobreviver, e é isso que ela tenta fazer durante toda a trama, mostrando que, crianças em sua situação são expostas desde muito cedo a uma vida difícil, exigindo delas inimaginável senso do que é certo, errado, fácil, difícil, possível ou impossível. Algumas pessoas vem dizendo que o longa não apela para o sentimentalismo, pois não mostra Husupuppy chorando ou se lamentando pela vida que leva – ao contrário, ela se sente forte e luta para ser mais forte ainda, negando-se a chorar em qualquer situação -, todavia, acredito que a sentimentalismo não esteja exposto dessa forma, estamos diante dele, mas ele se camufla pela coragem e audácia da menina, o sentimentalismo está no simples fato de o governo tentar ajudar aquelas pessoas e eles se negarem a sair do local onde vivem, não para fazer drama, e sim por que amam o local onde moram, é aquela realidade que eles conhecem, por pura ignorância, não burrice, eles desejam ficar ali, por medo do desconhecido. E se isso não é triste e deprimente o bastante, eu não sei o que pode ser. Acrescente a isso, somos expostos a uma dura e triste situação real, pois, pode até ser que não encontremos situações idênticas o tempo todo, mas situações muito semelhantes estão embaixo de nossos olhos e nos negamos a enxergar e ajudar, pois muitas pessoas vêem aquilo tudo como desumano a ponto de ser digno de pena, mas não digno de ajuda. Mesmo que o filme tenha uma proposta tão interessante e inovadora, ele é filmado com câmera de mão, o que poderia ser interessante se fosse um documentário. Mas não é, e isso não me agrada nenhum pouco. Além disso, a forma como ocorre o desenrolar da trama é chata e perde um pouco o nexo vez ou outra. Dessa forma, sinto dizer, não concordo com a indicação a melhor filme do ano no Oscar, muito menos com a de melhor direção ou roteiro, e não acredito que o filme tenha qualquer chance de vencer algum deles, essas indicações são apenas um incentivo que a Academia dá aos filmes independentes uma vez ou outra.


Se acho as indicações ao Oscar citadas a cima incoerentes e desnecessárias, sem dúvidas, aplaudo a Academia por entregar a Quvenzhané Wallis (não tenho idéia de como se fala o nome da menina) a indicação ao Oscar de melhor atriz principal, Quvenzhané, mais nova atriz indicada ao prêmio e única atriz na história do Oscar nascida nesse milênio, dá um show e segura como ninguém o filme todo. Se o roteiro é fraco, se a câmera de mãe é desnecessária, se o local onde se passa a história e o contexto são tristes e deprimentes, nada disso tem valor ao vermos uma triz tão jovem e tão talentosa, emprestando tal talento para ser feito um filme tão complexo. Complexo, pois, com apenas nove anos, ela vive uma menina de seis que deve enfrentar problemas que poucos adultos no mundo de hoje pensam em enfrentar, Wallis é Hushpuppy, uma menina que não sonha em sair da “Banheira”, muito pelo contrário, tem, como objetivo de vida, permanecer ali para sempre. E é isso que faz de sua atuação algo tão belo: Wallis não é nenhuma neta, ou filha de grandes atores, mas também não é nenhuma menina miserável que não tem a noção de que a vida que Hushpuppy leva está longe de ser digna segundo os padrões tradicionais, entretanto, ela também sabe que há a mais pura dignidade e inocência em desejar continuar a levar a vida simples e longe de toda a grande civilização, e talvez seja por compreender isso que ela nos apresenta algo tão belo. Esse ano, Wallis, com nove anos, é a mais jovem atriz a ser indicada ao Oscar, e são longos 75 anos que a separam de Emmanuelle Riva, a francesa de “Amor” (2012), a mulher mais velha alguma vez indicada ao prêmio.


Por mais que o filme tenha seus momentos monótonos e por mais que a história não seja das mais bem escritas – apesar de ter um enredo maravilhoso-, é um bom filme, mas devo advertir: nada além disso. Como disse a cima, está indicado em quatro categorias no Oscar: melhor filme, como disse, para mim é a maior injustiça do ano este estar indicado e terem esnobado “007 – Operação Skayfall”; melhor direção para Benh Zeitlin, não gostei de sua direção, ponto, ela não é de principiante, mas está longe de ser melhor que a de Katherine Bigelow por “A Hora Mais Escura” ou de Ben Affleck por “Argo; melhor roteiro adaptado para Lucy Alibar e Benh Zeitlin, não gostei do roteiro e será difícil vencer devido a qualidade dos demais concorrentes; e melhor atriz para Quvenzhané Wallis, como disse, a pequena é tudo nesse filme, mas, devido a idade, não vencerá, espero que continue fazendo grandes filmes e venha a ser indicada pelo resto da vida. De forma geral, a beleza de “Indomável Sonhadora” está na inocência da protagonista, na bela forma como ela se nega a deixar a vida que leva por qualquer outra coisa, e não há nada mais agradável, em um mundo tão cruel e interesseiro, do que ver alguém inocente tomando o gosto de todos.


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sábado, 23 de fevereiro de 2013

090. (ESPECIAL OSCAR 2013) PARANORMAN, de Chris Butler e Sam Fell


Uma das melhores animações do ano!
Nota: 9,3


Título Original: ParaNorman
Direção: Chris Butler e Sam Fell
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Anna KEndrick, Cristoph Mintz-Plasse, Cassey Affleck, Leslie Mann, Jeff Garlin, Elaine Stritch, Bernard Hill, Tempestt Bledsoe, Jodelle Ferland, Alex Borstein, John Goodman, Hannah Noynes, Jack Blesing
Produção: Travis Knight, Arianne Sutner, Matthew Fried e Carl Beyer
Roteiro: Chris Butler
Ano: 2012
Duração: 92 min.
Gênero: Animação / Aventura / Comédia

Norman Babcock vive numa cidadezinha minúscula, não tem amigos e esconde um segredo que todos na cidade sabem: vê pessoas mortas. Não que isso seja ruim para o garoto, mas, obviamente, isso afasta todas as pessoas dele. Nesse contexto, Norman tem um tio, que também vê pessoas mortas, ao se aproximar do Dia das Bruxas da cidade – que é conhecida por ter sido um vilarejo de bruxas -, Norman recebe uma importante missão: conversar com a Bruxa enterrada perto da cidade para que ela volte a dormir e esqueça do povo que a assassinou.


O roteirista e diretor Chris Butler trabalhou ao lado de Tim Burton no sucesso da animação gótica “A Noiva Cadáver” (2005), apesar de ter assitido apenas alguns pedaços desse filme, parece que Butler, ao lado de Sam Fell – dos medianos “Por Água Abaixo” (2006) e “O Corajoso Ratinho Despereaux” (2008) -, traz muito do estilo de Buurton, nos proporcionando uma história que acaba lembrando um pouco a animação lançada em 2012 e dirigida pelo diretor, “Frankenweenie”, que fala sobre um garoto sem amigos que ressuscita  seu cachorrinho, o que se torna uma grande trabalhada para o povo de sua cidade. Aqui, entretanto, a lição é uma das mais comuns em filme de animação: não pré julgar ninguém por ele/ela ser um algo ou alguém diferente, que tem visões diferentes, gostos diferentes ou um aspecto visual diferente. Além disso, camuflado em toda essa diversão que o filme traz ao dar um tom assustador para uma comédia, está a mensagem de que a melhor forma para acertar tudo de errado ou ruim que vemos na vida basta conversar e tentar compreender as visões dos outros, criando, assim, a harmonia necessária para se viver em sociedade. O filme está indicado para o Oscar de melhor filme de animação.


Ao começar a assistir a esse filme imaginei que me decepcionaria por completo, entretanto, não sei se é devido a essa animação ser divertida e séria ao mesmo tempo que consegue ser original, ou se eu esta enjoado de ver tantos filmes de animação decepcionantes, o fato é que gostei, e muito do que vi. Falando nisso, é impossível não fazer uma ressalva quanto aos indicados do ano, assisti, em primeiro lugar, “Valente” – uma decepção completa-, depois “Piratas Pirados!” – sem noção alguma em qualquer sentido -, em terceiro “Detona Ralph” – não chegou a ser a maior decepção, mas, apesar da mensagem ser ótima, esperava mais -, por último, no mesmo dia, “ParaNorman” e “Frankenweenie”, e foi aí que vi os únicos filmes que merecem a tão cobiçada indicação ao Oscar. E foi isso que me fez gostar tanto do filme, finalmente, após tantas decepções, uma ótima animação de 2012.


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091. (ESPECIAL OSCAR 2013) A HORA MAIS ESCURA, de Kathryn Bigelow


O melhor de Bigelow até agora, por trazer uma história que divide tantas opiniões de forma muito clara. Polêmico sim, desnecessário? Jamais!
Nota: 9,6


Título Original: Zero Dark Thirty
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jessica Chastain, Joel Edgerton, Chris Pratt, Jason Clarke, Reda Kateb, Kyle Chandler, Jennifer Ehle, Harold Perrineau, Jermy Strong, J. J. Kadel, Alexander Karim
Produção: Kathryn Bigelow, Mark Boal, Megan Ellison
Roteiro: Mark Boal
Ano: 2011
Duração: 157 min.
Gênero: Drama / Thriller / Histórico

A crítica sobre “A Hora Mais Escura” se baseia em fatos publicados pelas mídias de todo o mundo, apesar de não acreditar em algumas versões que são consideradas reais, não estou analisando os acontecimentos – se foram provocados ou não pela Al-Qaeda ou por Osama Bin Ladem, muito menos se as tais torturas mostradas no longa são ou não reais -, estou analisando as qualidades técnicas do filme, nada além disso.


Em 11 de setembro de 2001, umas das maiores tragédias da história da humanidade assolou todo o mundo quando a Al-Qaeda destruiu o World Trande Center (popularmente conhecido como “As Torres Gêmeas”). Liderados por Osama Bin Ladem, os ataques, que incluíram, além das Torres, quatro vôos e o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América, quase 3 mil pessoas foram mortas, incluindo vítimas e seqüestradores. É claro que esses ataques tornaram a situação no Oriente Médio com os Estados Unidos algo insustentável, o que provocou a ira dos EUA, que, por sua vez, partiu em busca de Bin Laden como o homem mais procurado do mundo. Resumidamente, em 2 de maio de 2011 agentes da CIA (Agência de Inteligência Americana) noticiaram em todo o mundo que através da Operação Neptune Spear, Osama Bin Laden havia sido encontrado  e assassinado em Abbottabad, no Paquistão.


No filme, a agente da CIA, Maya é uma jovem mulher obcecada por encontrar e matar Osama Bin Laden, tendo em vista, a agência a envia para o Oriente Médio para procurar pelo assassino. De forma rápida, somos apresentados ao contexto da época, lembramos de alguns feitos da Al-Qaeda, vemos as tentativas dos agentes da CIA torturando pessoas para chegar a Bin Laden. Sobretudo, entretanto, somos apresentados a tal Operação Neptune Spear, que adentrou a mansão onde OBL estava escondido, matou as pessoas que viviam na casa, incluindo o próprio Osama e recolheu os arquivos mais importantes antes que as forças paquistanesas, que apoiaram a invasão, chegassem no local.

A MANSÃO ONDE OSAMA BIN LADEN ESTAVA ESCONDIDO

Kathryn Bigelow é a tão famosa ex-esposa do diretor James Cameron, que o derrotou no Oscar há três anos com seu fraquíssimo “Guerra ao Terror” (2008), vencedor nas categorias de melhor filme, direção, roteiro, edição, mixagem de som e edição de som. Apesar de não gostar nem um pouco de “Guerra ao Terror”, não apenas por sua temática, mas por ser um filme chato, me surpreendi com “A Hora Mais Escura”, confesso, inclusive que tinha o filme há semanas e me negava a assisti-lo por acreditar que seria tão monótono quanto o outro longa. Eis que parece que Bigelow está se aperfeiçoando e, apesar de não indicação ao Oscar por sua direção, o longa ganha uma dimensão muito superior em sua qualidade da vista em 2008. Não posso deixar de falar da polemica que cercou o longa por suas cenas de tortura – leves diga-se de passagem -, nelas, um homem, aliado aos “vilões” da história, é submetido a total humilhação para dar alguma pista de onde OBL pode estar escondido. Além disso, devo destacar o feminismo na história. Em alguns momentos, confesso, que o filme parece mais uma homenagem as mulheres que participam das guerras, que um filme sobre a captura e a morte de um dos maiores terroristas da história. Nesse contexto, o protagonista desse filme sobre guerras é uma mulher, determinada e louca para pegar Bin Laden e matá-lo. Acrescente a Jessica Chastain como protagonista e Bigelow dirigindo o longa, a financiadora do filme é a milionária Megan Ellison e a distribuidora é a Sony Pictures, chefiada por Amy Pascal. Para compor o roteiro, Mark Boal entrevistou militars, políticos, autoridades da Casa Branca e funcionários da CIA. Como se não bastasse, a mansão onde Osama estava escondido foi reproduzida em uma réplica em tamanho real para as filmagens. E não há, portanto, como não falar a respeito da cena maravilhosa em que OBL é morto: Bigelow mistura, sabiamente, cenas feitas com uma câmera normal, que mostram imagens médias – está tudo escuro -, mas bem nítidas, e uma câmera que nos traz uma ideia semelhante a da imagem vista pelos soldado com aquelas clássicas lentes que deixam tudo verde, essa mistura se torna algo que, além de original, são uma ótima pedida para intercalar um pouco as formas de se filmar algo e não deixar a sequência, que tinha tudo para ser chata, um momento cansativo. Existem duas coisas curiosas a respeito do filme: James Cameron se interessou pela história, mas desistiu de fazer um filme sobre os acontecimentos por estar envolvido com a sequência do filme “Avatar” (2009); a segunda refere-se a temática da trama, pois, inicialmente o roteiro era destinado a uma das tantas tentativas frustradas de assassinar Bin Laden, até chegar a notícia, em março de 2012, que ele havia sido assassinado, sendo assim, Bigelow e Boal foram forçados a começar tudo do zero e criar uma nova história, obviamente, aproveitando várias informações a respeito do que já havia sido feito pela CIA antes de chegarem definitivamente no terrorista.


E vamos às suas merecidícimas indicações ao Oscar 2013: melhor filme, devido a grande repercussão das cenas de tortura, o filme fica fora da disputa, para mim ficaria entre os cinco melhores do ano, além disso, parece que os americanos esqueceram toda a glorificação feita pelo longa aos capturadores do terrorista; melhor roteiro original para Mark Boal, apesar de ser meu favorito, acredito que Quentin Tarantino leve por “Django Livre”, o motivo? As torturas; melhor edição para William Goldenberg e Dylan Tichenor, apesar de ser boa, para mim não chega nem a ser uma das cinco melhores do ano, “Lincoln”, “As aventuras de Pi” e “Argo” são muito superiores; melhor edição de som para Paul N. J. Ottosson, apesar de ser ótima, votaria em “007 – Operação Skyfall”; por fim, e a mais importante, melhor atriz principal para Jessica Chastain, apesar de sua interpretação estar convincente e ter uma cena forte onde pode se doar ao máximo, no entanto, Naomi Watts, Emmanuelle Riva e Jennifer Lawrence estão bem melhores e merecem o prêmio muito mais que Chastain.


Jessica Chastain, portanto, apesar de ter uma personagem forte e decidida, acaba ficando um pouco apagada durante o desenrolar da trama e não compreendi o porquê de todos os prêmios que a atriz já ganhou, apesar de estar bem, saber o que deve fazer em um ou outro momento e ter cenas fortes que lhe deram um grande destaque, não há muito que faça Chastain merecer o Oscar. Para lembrar, Chastain atua desde 2004, entretanto, seu destaque no cinema se deu apenas em 2011quando atuou em “A Árvore da Vida” e “Histórias Cruzadas”, além disso, fez mais 4 filmes no mesmo ano, quatro filmes em 2012 e tem, em sua agente, três estréias para 2013, o que significa muitos trabalhos em pouco tempo, o que pode indicar bons trabalhos, mas sacrificando alguns que podem ser ruins. Apesar de o filme centrar sua personagem, o resto dele é composto por basicamente homens, com exceção de Jennifer Ehle, que completa a parte feminina do longa como a colega de trabalho de Maya, Jessica, uma mulher tão determinada quanto a personagem de Chastain, que desconfia de Maya no começo, mas, depois, torna-se uma verdadeira amiga. Dentre os homens, destaco Jason Clarke – oriundo de algumas séries e minisséries para televisão -, o protagonista da tão falada cena de tortura, o ator chegou a ser “torturado”, bem como o personagem que ele tortura, para sentir mais ou menos como era aquilo, Clarke é um excelente ator coadjuvante que mostra a que veio e não deixa suas expressões vacilarem um segundo em uma das cenas mais importantes do filme. Além dele, temos Mark Strong – de, no mínimo, dez bons filmes feitos na última década -, o chefe de Maya, George, um homem astuto que tem uma das falas mais aterradoras do filme todo, mas também é ele quem divide com Chastain as melhores cenas que acontecem das dependências da CIA no Paquistão.
O título, traduzido livremente, seria “Zero Escuro Trinta”, na realidade, uma expressão utilizada pelos militares norte-americanos para designar “meia-noite” e meia, a hora mais escura para se matar Bin Laden, sendo uma referência ao momento exato em que o terrorista foi assassinado. Fazendo das palavras da colunista do iG, Luísa Pécora, “Bigelow transforma ucomplexa discussão morel em um exclente filme de ação, polêmico e necessário”, o que me faz voltar ao pequeno problema que, provavelmente tirou Bigelow da corrida pelo Oscar de melhor direção do ano, o que chamou a atenção da maior parte das pessoas foi a forma como a protagonista não fala ou faz nada a respeito, nem ao menos uma fala para dizer como ela reprova tudo aquilo – eu me satisfiz bem com as feições quando vê o homem sendo torturado. Em contra ponto a isso, para mim, o pior fica mesmo em uma das maiores cenas do longa onde um dos chefes do Paquistão chama a tenção de todos por não estar tendo nenhum resultado, interpretado por Mark Strong, ele diz: “I want targets! Do your fuking jobs, bring me people to kill”, ao pé da letra traduzido como, “Eu quero alvos! Façam a porra de seus trabalhos, tragam-me pessoas para matar”. Não que pessoas como Osama Bin Laden não mereçam morrer, mas não se pode esperar pelo Oscar de melhor filme quando se pede pessoas para matar. Pois é, são os direitos humanos e a hipocrisia dizendo o quanto está errado mostrar a verdade. Uma pena.

A TÍTULO DE CURIOSIDADE: A PROPAGANDA PARA SE CANDIDATAR AO OSCAR.
EM CIMA DO TÍTULO ORIGINAL (ZERO DARK THIRTY) O APELO: FOR YOUR CONSIDERANTION
 IN ALL CATGORIES (PARA SUA CONSIDERAÇÃO EM TODAS AS CATEGORIAS)

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092. (ESPECIAL OSCAR 2013) FRANKENWEENIE, de Tim Burton


Tim Burton poucas vezes decepciona, essa está longe de ser uma dessas vezes.
Nota: 9,4


Título Original: Frankenweenie
Direção: Tim Burton
Elenco: Winona Ryder, Catherine O’Hara, Martin Short, Martin Mandau, Charlie Tahan, Atticus Shaffer, Robert Capron, James Hiroyuki Liao, Conchata Ferrell, Tom Kenny, Dee Bradley Baker, Jeff Bennett, Frank Welker, Melissa Stribling (filme) e Christopher Lee (filme)
Produção: Allison Abbate, Tim Burton
Roteiro: Leonard Ripps, Tim Burton e John August
Ano: 2012
Duração: 87 min.
Gênero: Animação / Fantasia / Comédia

Victor Frankenstein é um jovem garoto que não tem nenhum amigo, com exceção de Faísca, seu pequeno cãozinho. Quando Faísca é atropelado, entretanto, Victor entra em uma depressão profunda. Mas, ao ver seu novo professor, aparentemente, maluco de ciências dar um choque em uma rã para fazer ela se mexer, Victor resolve fazer o mesmo com Faísca. Aproveitando o fato de a cidade onde mora ser constantemente atingida por raios, o garoto traz seu cão do mundo dos mortos. Mas mexer com vida e morte é algo muito arriscado, e Victor saberá disso em breve.


Tim Burton dispensa apresentações. Por um simples motivo: Tim Burton é Tim Burton. Tim Burton é como se fosse um semi-Deus da cinematografia. Não apenas por eu gostar de Tim Burton, e sim por Tim Burton ser um homem original, que inventou seu próprio estilo e nos traz, sempre, filmes ao menos agradáveis, de uma forma ou outra. Para mim, mesmo quando o filme não fica realmente bom, encontro alguma coisa interessante nele, no ano passado, por exemplo, assisti a “Sombras da Noite” (2012), filme com Johnny Depp, Helena Boham Carter e Michelle Pfeiffer, apesar das críticas negativas, adorei o longa, por ser extravagantemente engraçado e ridículo. “Sweeney Todd – Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007) é um musical sangrento divertido, irônico e muito bem feito, “Os Fantasmas Se Divertem” (1988) foi um pioneiro no humor negro moderno, “O Planeta dos Macacos” (2001) fez parte de minha infância. Todavia, não é apenas seu louco estilo que me conquista, foi ao assistir “Peixe Grande e Suas História Maravilhosas” (2003) que comecei a enxergar o cinema com outros olhos, e foi assistindo aos filmes de Burton que me aproximei da sétima arte. “Frankenweenie”, portanto, é mais que apenas uma simples animação, é uma reflexão nítida de como não podemos mexer naquilo que já aconteceu, afinal, “aquilo que está feito, está feito”, “ o que está morto não pode morrer”, “há três coisas na vida que nunca voltam”, enfim, uma infinidade de ditos populares ou provérbios milenares poderia resumir o que esse filme quer mostrar. Nesse contexto, vemos que, quando alguns colegas de Victor descobrem que ele consegue trazer seres mortos de volta à vida, querem trazer seu animais à vida também. No entanto, como o próprio professor de Victor aponta, tudo deve ser feito com muito amor, mesmo a ciência, de outra forma, só existe um caminho óbvio: o fracasso. Além disso, vemos as lições básicas de amizade, honestidade, força de vontade, amor de pai e mãe. E mais, em uma cena ótima, os pais dos alunos questionam os métodos do novo professor de ciências, pois seus filhos estão, agora, fazendo perguntas sobre tudo, querendo pesquisar e se informar sobre tudo, já os pais de Victor acham tudo isso ótimo e defendem o tal professor; uma crítica clara a como a sociedade sempre foi alienada e prefere viver no que conhece a partir para o desconhecido e viver novas aventuras, sair da rotina e ser uma pessoa diferente de vez em quando, somente para variar um pouco.


Em animações, muitos temas são abordados muitas reflexões são feitas e muito é dito de várias formas diferentes para que, assim, tanto crianças, quanto adultos absorvam ao menos alguma mensagem do filme. Aqui podemos ver muitas dessas características, e mais, referências a grandes filmes do cinema: como ao mostrar uma pequena cena do filme “O Conde Drácula” (1970) protagonizado por Christopher Lee (por isso fiz questão de colocar o nome do ator no elenco da animação); a tartaruga gigante representando Godzilla; o gato-morcego que se parece muito com algumas representações da metamorfose ser humano-vampiro; pequenos animaizinhos pulando de um lado para o outro em bando, que nos lembram dezenas de pequenos personagens irritantes e hiperativos de outros filmes. Enfim, são muitos temas, muitas idéias tratadas em um filme simples, preto e branco, com apenas 87 minutos – outra excelente pedida, ser breve – que se tornaria apenas mais uma animação indicada ao Oscar de melhor animação de 2013 se não fosse dirigida por Tim Burton. E é por esse direção que se torna a melhor animação do ano e uma das únicas que satisfaz.


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