quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

023. (ESPECIAL OSCAR 2014) MEU MALVADO FAVORITO 2, de Pierre Coffin e Chris Renaud

Uma catástrofe do começo ao fim.
Nota: 7,0


Título Original: Despicable Me 2
Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud
Elenco: Steve Carell, Kisten Wiig, Benjamin Bratt, Miranda Cosgrove, Russell Brand, Ken Jeong, Steve Coogan, Else Fisher, Dana Gaier, Moises Arias, Nasim Pedrad, Kristen Schaal, Pierre Coffin, Chris Renaud, Nickolai Stoilov, Vanessa Bayer
Produção: Janet Healy, Christopher Meledandri e Robert Taylor
Roteiro: Cinco Paul e Ken Daurio
Ano: 2013
Duração: 98 min.
Gênero: Animação / Aventura / Comédia

Confira a música "Happy", indicada ao Oscar de Melhor Canção Original, composição e interpretação de Pharrel Williams

Depois de ter feito suas maldades e ter causando problemas como vilão, Gru, agora, é responsável por Edith, Margo e Agnes, três garotinhas que passam por momentos muito distintos em suas vidas. O papai, também é o responsável por centenas de criaturinhas fofas, os Minions. Mesmo que Gru tenha se aposentado de seu tempo como vilão, entretanto, alguém roubou, de forma completamente inusitada, uma poção que pode causar danos irreparáveis ao mundo. Agora, Gru foi recrutado pela Liga Anti-Vilões para, ao lado da agente especial Lucy resolver o caso. A ideia é usar um “vilão” “recuperado” para pegar um vilão ativo.


Os Minios, aquelas coisinhas amarelas, conquistaram o mundo no primeiro filme em que apareceram, “Meu Malvado Favorito” (2010).  O longa se tornou febre no mundo todo e chegou a contar com Julie Andrews para o trabalho de dublagem. Não assisti ao filme, mas também nunca ouvi ninguém que assistiu dizer que não gostou. O fato é que, como de costume, essa sequência fracassa em todos os sentidos. A história pode parecer boa, e é até um pouco interessante, mas a forma como se desenvolve é ridícula. Parece que os personagens, todos, sem exceção alguma, inalaram algum tipo de gás tóxico que afetou seus neurônios e decidiram que enlouquecer completamente era algo normal. Ou melhor: isso parece ter acontecido mesmo com os criadores dessa sequência. O filme é uma produção sobre um super-heroi para crianças, ou ainda, um anti-herói, entretanto, passa-se dos limites do bom senso a respeito das piadas e das brincadeiras entre os personagens. Gru é um homem fraco, bobo que faz tudo errado. Lucy é uma mulher mais idiota ainda que age como se sua profissão fosse uma brincadeira. Nada é levado a sério, nem meso o vilão deixa de ser um completo demente. E se você acha que nada pode piorar, espere até passar uma hora de filme para ver Lucy abrindo a porta de um avião e se atirar de lá como se fosse possível. Claro que é tudo muito bem produzido: o filme é colorido, a trilha sonora do brasileiro Heitor Pereira chama a atenção (aliás, pode ser a única coisa realmente “elogiável” do filme) e os persongens são bem feitos. No entanto, não existem mensagens que se sobreponham à falta de inteligência do roteiro, não existem sátiras ou sacadas que superem a infantilidade de todos os persongens, não existe sabedoria que supere a idiotice vista nesse filme. Sem dúvida, nessa corrida ao Oscar, meu maior sacrifício até agora, foi assistir a esse longa.



“Meu Malvado Favorito 2” está indicado em duas categorias no Oscar: melhor filme de animação e melhor canção original. “Happy” é uma música bonitinha e simpática, ela se encaixa com perfeição na cena em que é tocada, porém, a cena parece perdida no filme, é como se ela tivesse sido feita apenas para que a canção pudesse ser inserida na trama. Tudo acontece mais como se fosse um clip, não uma cena. É lamentável ver boas canções como “Young and Beautiful” de “O Grande Gatsby” e “Last Mile Home” de “Álbum de Família” não terem sido indicadas, essas sim, são canções originais que se ncaixam perfeitamente à trama. Quanto à indicação de melhor animação, bom, parece que a Academia decidiu preencher espaço e indicar cinco filmes mesmo, então, deixou algo tão sem graça ou nexo estar entre os concorrentes. Para os produtores de “Frozen: Uma Aventura Congelante”, “Vidas aos Vento” e “Ernest & Celestine”, ter um filme tão ruim indicado deveria ser uma afronta. Em meio a tantos longas bons indicados ao Oscar esse ano, eis que encontramos uma catástrofe. Nem mesmo os Minios são capazes de salvar esse filme do fracasso total, pois, de forma simples, afirmo: nada aqui funciona. Ao menos, não para mim.


VENCEDORES DO PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE FILME DA CAROLINA DO NORTE
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Steve McQueen, por 12 Ano de Escravidão
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Michael Fassbender, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Roteiro Adaptado: John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Roteiro Original: Joel e Ethan Coen, por Inside Llewyn Davis
Melhor Filme Estrangeiro: A Caça
Melhor Filme de Animação: Universidade Monstros
Melhor Documentário: Stories We Tell
VENCEDORES DO PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE FILME DA GEORGIA
Melhor Filme: Ela
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Michael Fasbender, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o por 12 Anos de Escravidão
Melhor Elenco: Trapaça
Melhor Roteiro Adaptado: Destin Cretton, por Short Term 12
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Filme Estrangeiro: No
Melhor Filme de Animação: Frozen> Uma Aventura Congelante
Melhor Documentário: Storie We Tell
Melhor Trilha Sonora: Arcade Fire, por Ela
Melhor Canção Original: Please Mr. Presidente, de Inside Llewyn Davis
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por Gravidade
Melhores Efeitos Especiais:
Melhor Direção de Arte: Andy Nichaolson, por Gravidade
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024. (ESPECIAL OSCAR 2014) PHILOMENA, de Stephen Frears

Tocante, realista, sensível. O filme mais emocionante do ano.
Nota: 9,0



Título Original: Philomena
Direção: Stephen Frears
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham, Barbara Jefford, Ruth McCabe, Peter Hermann, Sean Mahon, Anna Maxewell Martin, Michelle Fairley, Amy McAllister, Charlie Murphy, Cathy Belton
Produção: Steve Coogan, Tracey Seaward, Gabrielle Tana
Roteiro: Steve Coogan, Jeff Pope e Martin Sixsmith (livro)
Ano: 2013
Duração: 98 min.
Gênero: Drama / Biografia

Philome Lee tinha 18 anos, encantou-se com um homem em uma feira e acabou se entregando a ele. Dessa paixão momentânea, nasceu Anthony. Entretanto, a Irlanda católica da década de 1940 jamais permitiria que uma jovem solteira tivesse seu filho e o criasse sozinha. Sendo assim, Philomenta teve de se conformar em ver seu filho levado para longe aos três anos de idade. O tempo passou e, quando Anthony completaria 50 anos, Philomena contou a filha – que teve em um casamento posteriror – sobre o irmão. Jane Libberton resolveu ajudar a mãe, contatando diversas pessoas e descobrindo sobre o paradeiro e a morte do irmão. Com a ajuda do Martin Sixsmith, Philomena encontrou pessoas que conheceram o filho e que estiveram ao seu lado. Hoje, Philomena está com 80 anos, criou uma entidade que visa facilitar  o encontro entre famílias separadas por adoções forçadas, foi recebida pelo Papa Francisco e afirma que essa história não é apenas sua, é de centenas de outras mães também.

A atriz Judi Dench e a verdadeira Philomena Lee
No filme, Philomena se emociona ao lembrar que seu filho estaria completando 50 anos ao seu lado se não tivesse sido levado à força. Relembra o parto difícil e a crueldade das freiras que não permitiam que visse Anthony com frequência e que sempre se negaram a dar informações sobre a criança. Nesse contexto, Philomena conta à filha toda a verdade. Em uma festa, Jane ouve sobre o desejo de Martin se tornar escritor e conta a história da mãe. Ele, jornalista decadente e passando por vários problemas no trabalho, após relutar um pouco, resolver ajudar Philomena. Juntos, partem em busca de Anthony, indo até o convento onde Philomena deu à luz, atravessando o Oceano Atlântico até os EUA e voltando para casa com a verdade nas mãos e uma história a ser divulgada.

O verdadeiro Martin Sixsmith e o ator Steve Coogan
Philomena, quando jovem, foi obrigada a permanecer no convento onde teve Anthony. Lá, após o parto complicado, ela trabalhou para “pagar” a dívida com as freiras por elas ter “acolhido” ela e seu filho. Claro que, assim como as outras jovens que moravam no convento, Philomena passava por momentos aterradores. As freiras alegavam que tudo aquilo era devido ao fato de elas terem se entregue aos prazeres mundanos da carne. Depois que Anthony foi levado, Philomena sanou sua dívida e foi embora. Anos mais tarde, voltou ao convento pedindo por informações. As freiras inventavam desculpas e chegaram a alegar que um incêndio destruiu todos os documentos que podiam levá-la a qualquer informação. Entretanto, na realidade, foi uma freira que contou tudo à Philomena. Jane colocou a mãe em contato com a mulher, que tinha acesso aos documentos de adoção, e a mesma revelou o que havia acontecido a Anthony, que recebeu o nome de Michael Hess. Mesmo com as atrocidades cometidas pelas freiras, é necessário lembrar que não podemos julgá-las por seus atos. O que elas fizeram foi culpa do sistema, foi culpa de uma Igreja antiquada e mercenária (no filme, chegam a acusá-las de terem vendido as crianças). E Philomena nos lembra da inocência das mulheres durante o longa. Nos Estados Unidos, Philomena foi guiada por Martin – essa informação revelada no filme é verdadeira, foi o jornalista que levou Philomena até lá, mas ela já sabia o que havia acontecido ao filho. Na América, ela conversa com uma mulher com quem o filho trabalhou; com Mary, filha da melhor amiga de Philomena na época do convento, que foi adotada junto com Anthony; e com o companheiro de Anthony, Pete Olsson, com quem Anthony viveu até morrer. Revelar informações como essas, sobre a sexualidade de Anthony, sobre a morte do rapaz ou sobre ele ter sido uma figura importante para o Partido Republicano, chegando a trabalhar diretamente com Ronald Reagan e George Bush (pai).


Stephen Frears foi indicado duas vezes ao Oscar como melhor diretor. Uma delas, foi por seu trabalho magnífico no filme “A Rainha” (2006), um dos longas baseados em fatos reais mais inspiradores, emblemáticos e bem produzidos dos últimos anos. Em termos de comparação, é bom lembrar que, além da direção, são os mesmos os responsáveis pela produção de design, pela trilha sonora e pelo figurino em ambas as produções. Sendo assim, e sabendo que ambos são baseados em fatos sobre pessoas muito inglesas (no caso de Philomena, ela se mudou cedo para a Inglaterra), é inevitável que um filme não lembre um pouco o outro. Como Frears fez no filme sobre a monarca, em “Philomena” temos cenas feitas para o filme e outras que foram coletadas em arquivos de mídia e arquivos pessoais. Outras, ainda, foram gravadas como se fossem recordações feitas em família ou coisas do tipo. Outra relação que podemos traçar sobre os dois filmes, é a forma firme como as protagonistas são mostradas pelo diretor. Mesmo assim, Frears ainda consegue humanizá-las em todos os sentidos, escolhendo ângulos e momentos que mostram, com perfeição, os sentimentos das personagens apenas por suas feições. Frears ainda sabe usar os cenários que lhe são dispostos com sabedoria impressionante, aproveitando os ambientes ingleses e irlandeses e os contrapondo com os americanos, explorando os ambientes sossegados sacros e os contrapondo com bares e restaurantes agitados. A adaptação de Coogan e Pope do livro de Sixsmith, “The Lost Child of Philomena Lee”, é algo belíssimo. Não compreendo ao certo o por que da mudança de ser Sixsmith a estar ao lado de Philomena sempre, mas admito que a construção da relação dessas pessoas tão diferentes é o que há de mais incrível no longa. O roteiro, ainda, desenvolve tudo com tanta humanidade e emoção que saber revelações como as que citei no parágrafo acima jamais será um incômodo, pois, como vemos em poucos filmes, o que interessa é a forma como a história se desenvolve, e não como termina.


Judi Dench é uma das grandes damas da Sétima Arte. Ela já foi indicada a 26 prêmios BAFTA, o Oscar inglês, pelo qual foi homenageada em 2001 por sua contribuição como atriz. A Philomena apresentada por Dench é humana, inteligente, educada, simpática, atenciosa e amável. É impossível não se apaixonar por essa mulher que procura por seu filho, e devemos isso mais à interpretação da atriz e ao contexto do filme. Judi não é indiferente demais, nem exagerada demais, sua interpretação está no meio termo, vem na medida certa, oscilando entre cenas emocionante e cenas cômicas. É sua a responsabilidade, também, de retratar como essa velha mulher está cansada de julgar ou ser julgada, mostrando que a fé em Deus é muito mais importante que acreditar ou não no que a Igreja prega. Mesmo tento sofrido com o catolicismo e suas regras loucas, a Philomena de Dench crê em Deus e sabe que somente ele poderá levá-la até seu filho. Ao lado da atriz está Steve Coogan, em uma interpretação simples, mas muito boa. Como Sixsmith, Coogan traz um homem que já teve momentos de glória como jornalista, mas que agora está por baixo. Entretanto, o mais interessante da atução é ver como o personagem se cativa por Philomena e se torna seu amigo, vivendo o drama da irlandesa e tornando a história e a busca dela seu objetivo de vida. Sophie Kennedy Clark deve ser destacada vivendo Philomena jovem, trazendo uma interpretação forte e tocante de uma mãe que perde o filho por um sistema terrível ao qual teve de se expor. Além dela, outro destaque é Barbara Jefford, que vive a Irmã Hildegarge, o destaque se deve à cena em que deixa claro por que foi cruel e manteve Philomena e Anthony afastados todos aqueles anos, mesmo podendo uní-los novamente. Ademais, o elenco é completo por Sean Mahon, o Anthony adulto, Peter Hermann, que vive Pete Olsson, Anna Maxwell como a filha de Philomena e Michelle Fairley, a nada sentimental Sally Mitchell, editora de Sixsmith.


As indicações ao Oscar são merecidas e em categorias importantes. A primeira, e a maior surpresa entre todos, é como melhor filme. Acho que foi mais a emoção e a influência de Hervey Weinstein que trouxeram essa indicação ao filme, mas é bom ver que os membros da academia se curvaram a um filmes simples, bonito, inteligente e emocionante como esse. Apesar de tudo, o filme não tem chances de levar a estatueta, que mostra-se cada vez mais dividida entre “Gravidade” e “12 Anos de Escravidão”. Judi Dench, merecidamente, está indicada como melhor atriz. Indicada pela segunda vez ao lado de Meryl Streep, ao que tudo indica, sairá perdendo para Cate Blanchett, com quem contracenou no maravilhoso “Notas Sobre um Escândalo” (2006). É lamentável, ver uma atriz como Dench ter tão poucas indicações ao Oscar (são apenas sete em toda a carreira), mas é louvável assistir a cada um de seus filmes e conferir sempre atuações ótimas. Dench não sairá como vencedora, até por que, a interpretação de Blanchett é a melhor do ano, mas isso não signifca, em nenhuma hipótese, que sua atuação não seja uma das melhores de 2013. O trabalho de Coogan e Pope é indicado como melhor roteiro adaptado. Apesar de o prêmio estar entre “12 Anos de Escravidão” e “Capitão Phillips”, é um fato que “Philomena” tem um roteiro maravilhoso, que se sustenta do começo ao fim sem se tornar chato, a melancolia e o humor (o melhor do humor inglês) se misturam e estão sempre em quatidade precisa e suficiente. Como Billy Ray e “Capitão Phillips”, Coogan e Pope não perdem a linha em nenhum momento e proporcionam o segundo melhor roteiro adaptado do ano (perdendo apenas para a história de “Phillips”). Por fim, a trilha sonora de Alexandre Desplat é indicada como melhor trilha sonora original. Apesar de ser um trabalho belíssimo que completa o filme com perfeição, não será dessa vez que o compositor será consagrado pela academia. Mas afirmo: se não fosse pelo trabalho impecável de Steven Price em “Gravidade”, “Philomena” seria melhor trilha sonora do ano.



Apesar de ser um grande filme, lamento dizer que “Philomena” terá de se contentar apenas com as indicações ao Oscar. Recebido pelo público e pela crítica de braços abertos, o filme cativa e emociona, não sentir pena da protagonista é impossével, não julgar a Igreja Católica no princípio é burrice. Todavia, deixar de entender as mensagens do filme é algo mais estúpido ainda. Como já disse, muitos dos filmes da temporada de premiações de 2013 não trazem mensagens, apenas estão aí para trazer o melhor da sétima arte. “Philomena” é um filme que ganha pontos por uma direção forte, um roteiro tocante, interpretações realistas, uma trilha sonora perfeita para o longa e uma fotografia ótima, mas se torna um dos melhores filmes do ano por outros motivos. “Philomena” trás o melhor do ser humano: gentileza, humor, sensibilidade, humanidade e persistência. Além disso, expõe a realidade sem medo, traz em questão as adoções forçadas que ocorreram até a década de 1960 na Irlanda e alertam para esse absurdo. E se mais pessoas se motivaram pela força e persistência de Philomena, então toda essa produção já terá valido a pena.
VENCEDORES DO CÍRCULO DE CRÍTICOS DE FILME DE VANCOUVER
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Oscar Isaac, por Inside Llewyn Davis
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence, por Trapaça
Melhor Filme Estrangeiro: A Caça
Melhor Documentário: The Act of Killing
VENCEDORES DO PRÊMIO DO CÍRCULO DE CRÍTICOS DE FILME DO OKLAHOMA
Melhor Filme: Ela
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence, por Trapaça
Melhor Roteiro Adaptado: Spike Jonze, por Ela
Melhor Roteiro Original: John Riley, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Filme Estrangeiro: A Caça
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

025. (ESPECIAL OSCAR 2014) ANTES DA MEIA-NOITE, de Richard Linklater

Roteiro poderoso, interpretações realistas, direção verdadeira. Um dos filmes mais inteligentes do ano.
Nota: 9,2


Título Original: Before Midnight
Direção: Richard Linklater
Elenco: Etahn Hawke, Julie Dely, Seamus Davey-Fitzpatrick, Jennifer Prior, Charlotte Prior, Xenia Kalogeropoulou, Walter Lassally, Ariane Labed, Yannis Papadopoulos, Athia Rachel Tsangari, Panos Koronis, Enrico Focardi, Manolis Goussias, Anouk Servera, Yota Argyropoulou, Serafim Radis, Tety Kalafati e John Sloss
Produção: Christos V. Konstantakopoulos, Richard Linklater, Sara Woodhatch
Roteiro: Richard Linklater, Kim Krizan, Julie Delpy e Ethan Hawke
Ano: 2013
Duração: 109 min.
Gênero: Comédia / Drama / Romance

Após 18 anos desde seu primeiro encontro, Jesse e Celine finalmente estão casados. Há 9 anos, o casal se reencontrou e começou a viver junto. Dessa união, vieram duas filhas, muitas conquistas, muitas frustrações e todas as dádivas e problemas que apenas um casamento pode trazer. Celine está indecisa sobre sua carreira e começa a cogitar a possibilidade de trabalhar para o governo da França, onde eles vivem. Jesse está confuso sobre qual deve ser o tema abordado em seu próximo livro e ainda tenta manter um bom relacionamento com seu filho, Hank, que vive nos Estados Unidos com a mãe. Para sair um pouco da rotina, Jesse e Celine decidem passar o verão com as filhas em uma ilha na Grécia.


Foi em “Antes do Amanhecer” (1995) que a história de amor entre Jesse e Celine começou. Eles se conheceram em um trem de Budapeste à Viena. Encantado com Celine, Jesse a convida para permanecer em Viena até o amanhecer, quando ela voltará para Paris e ele para os Estados Unidos. Assim, o casal apaixonado decide que aproveitará ao máximo o tempo juntos. Em “Antes do Pôr-do-Sol” (2004), o segundo filme da trilogia, narra o que acontece nove anos depois, quando Jesse lança um livro em Paris onde relata os acontecimentos daquela viagem. Celine, percebendo que a história contada é a deles, vai até o escritor e os dois passam algumas horas discutindo o que aconteceu em suas vidas durante todos esse anos. Em “Antes da Meia-Noite”, o passado é evocado dezenas de vezes. Lembramo-nos de histórias vividas pelo casal enquanto estavam juntos ou separados e descobrimos novas informações. Após nove anos de casamento, é claro que nem tudo mais são flores, e isso é provado durante cada minuto desse longa. Problemas vêm à tona em discussões memoráveis e tão realistas que é impossível não se identificar com o casal. Jesse já está com quarenta anos e Celine está quase lá, já não são mais um casal jovem e apaixonado perdidamente, são pais de duas crianças que devem ser conscientes e sábios em alguns momentos. Mas com isso, também veio a rotina. Celine, inclusive, reclama que o sexo é sempre do mesmo jeito, isso quando ele acontece. A relação de Celine com Hank também é abordada por ser algo tão pacífico, o que chega a deixar Jesse irritado. E a falta de humor de Celine e o humor exagerado de Jesse é mais um motivo para discussão, isso sem falar no fato de eles já estarem envelhecendo e estarem sentindo que isso não é fácil.


O roteiro de Linklater, Krizan, Delpy e Hawke, indicado ao Oscar de melhor roteiro original, é maravilhoso. Aliás, os roteiros originais do Oscar esse ano são magníficos, mas nenhum deles possui uma história tão realista, cotidiana e com diálogos tão pontuais e inteligentes. Eu dividiria o filme em alguns “atos”: a introdução é a despedida de Jesse e Hank no aeroporto, o primeiro “ato” é a viagem até a casa dos amigos na grécia, o segundo é o almoço na casa desses amigos, o terceiro é o passeio que o casal protagonista dá até chegar em um hotel onde passarão a noite como presente dos amigos, e o quarto e último é a noite no hotel. Na introdução, vemos a relação de pai e filho que Jesse e Hank tentam manter mesmo de longe. Esse medo de Jesse em perder o filho pela distância será abordado e citado durante todo o longa. No primeiro “ato” a história nos é apresentada, os personagens lembram naturalmente do passado, Jesse nos informa que é um escritor e Celine apresenta seus problemas com o emprego. É ali, também, que a crise do casal inicia. Diga-se de passagem, apenas por uma falta de diálogo, por uma interpretação errada, por uma colocação mal feita. O segundo “ato” é o mais agradável: na casa dos amigos, Jesse e Celine comentam detalhes de suas vidas. Jesse fala sobre suas ideias para um novo livro. Na mesa do almoço, o casal se junta a mais três casais de três gerações: dois jovens que acabaram de se conhecer e confessam ter passado parte do relacionamento conversando apenas por telefone, os amigos de Jesse e Celine que passam ou passaram por momentos difíceis como o casal, e o pai de um deles e a viúva de um amigo, um casal de amigos idosos. É nesse almoço que inúmeros assuntos são abordados: amor, sexo, dinheiro, carreira profissional, idade, tecnologia, paixão. No terceiro “ato” são as reflexões sobre Jesse e Celine que tomam a tela. Um provoca o outro em todos os sentidos, não são expostos apenas os problemas, e sim tudo o que o casal já passou. O último “ato” dá espaço às discussões do casal: tudo desaba em volta deles e percebemos que isso apenas acontece por dúvidas que ambos possuem em suas vidas particulares. Enquanto Celine vive a dúvida do que deve fazer com seu emprego, Jesse vive a dúvida por estar longe de seu filho e desejar voltar a estar ao lado dele. É esse último ato, também, que lembra que, não importa o que aconteça, o amor que Jesse e Celine nutriram um pleo outro há 18 anos ainda está dentro deles.


Etha Hawke é um ator sem muitos trabalhos conhecidos pelo público em massa, e até já encarou, além de trabalhos como roteirista, títulos onde é o diretor. Não assisti aos filmes anteriores a esse, portanto, não posso traçar paralelos a respeito das interpretações ou do roteiro, mas posso afirmar, sem dúvida, que Hawke está incrível. Não é preciso muito para ele encorporar Jesse, afinal, o personagem é um homem  comum, um homem normal com todos os defeitos e qualidades que qualquer ser humano possa ter. O próprio ator está casado pela segunda vez e, sem dúvidas, expõe as próprias experiências no filme. O Jesse criado por Hawke, é um homem de bom humor, que faz piada de tudo, mas é um pai amável, um marido fiel e um profissional dedicado. Talvez a maior semelhança entre o personagem e os homens do mundo real seja a forma desligada como Jesse leva toda a discussão: o escritor não leva a sério tudo o que está acontecendo, ele acha que Celine exagera e que trazer tudo à tona naquele momento é algo desnecessário. E se o personagem de Hawke é o retrato do homem que se esquiva dos diálogos para não arrumar problemas, a personagem de Julie Delpy, Celine, é a típica mulher que acredita que todos os mínimos detalhes da vida de um casal devem ser discutidos. Delpy não se importa com a idade que chega, ela ainda é uma mulher bonita e interessante e é assim que trata Celine. Entretanto, com a chegada dos quarenta, a personagem está um pouco paranoica e quer se sentir desejada mais que nunca. Além disso, os hormônios dessa mulher de personalidade forte estão se alterando como em qualquer mulher dessa idade. Por fim, Celine vive um conflito interno com sua vida profissional, e isso faz com que ela compreenda que é impossível uma mãe controlar tudo à sua volta sem deixar nada escapar. E são nos reflexos dessas alterações hormonais e dessa confusão em sua vida profissional que vemos o melhor da atuação de Delpy.


“Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr-do-Sol” e “Antes da Meia-Noite” são filmes que retratam a vida de um casal. Não é um casal específico, a trilogia retrata a vida de qualquer casal do mundo, qualquer casal normal que passe por problemas no relacionamento e que encontre muita felicidade pelo caminho. Jesse e Celine, durante esse longa, revivem algumas coisas do passado ou vivem outras que são reflexos do que foi vivido. São um casal apaixonado que está junto há muito tempo e que já passou por muito na vida. Alguns especialistas acreditam que seja exatamente entre os sete e dez anos de relacionamento continuo que um casal tem suas grandes crises, passando esse período juntos, o relacionamento está garantido por um bom tempo. Em alguns momentos, sabemos que Jesse e Caline estão apenas tapando o sol com a peneira, deixando os problemas de lado ao invés de resolvê-los, mas, na maior parte do roteiro, temos as mais belas demostrações de amor. O amor, claramente, muda com o passar do tempo, e é disso que esse casal está provando. Hawke e Delpy são quem sustentam esse filme, o longa é deles. A direção é ótima e a trilogia é fechada com chave de ouro. O roteiro do longa tem poucas chances no Oscar concorrendo com “Ela”, o melhor roteiro do ano em todos os sentidos, mas são poucos os filmes que retratam a vida de forma tão fiel, trazendo os melhores diálogos em anos e nos fazendo, mais uma vez, acreditar que o amor é possível.

VENCEDORES DO CÍRCULO DE CRÍTICOS DE FILME DE LONDRES
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Barkhad Abdi, por Capitão Phillips
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidao
Melhor Roteiro: Joel e Ethan Coen, por Inside Llewyn Davis: Baladas de um Homem Comum
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Documentário: The Act Of Killing 

VENCEDORES DO PRÊMIO DA ACADEMIA BRITÂNICA DE FILME E TELEVISÃO (BAFTA):
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Barkhad Abdi, por Capitão Phillips
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence, por Trapaça
Melhor Filme Estrangeiro: A Grande Beleza
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Documentário: The Act of Killing
Melhor Trilha Sonora: Steven Price, por Gravidade
Melhor Som: Glenn Freemantle, Skip Lievsay, Christopher Benstead, Niv Adiri e Chris Munro, por Gravidade
Melhor Figurino: Catherine Martin, por O Grande Gatsby
Melhor Edição: Dan Hanley e Mike Hill, por Rush, No Limite da Emoção
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por Gravidade
Melhor Maquiagem e Cabelo: Evelyn Noraz, Lori Mccoy-Bell e Katherine Gordon, por Trapaça
Melhores Efeitos Especiais: Gravidade
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026. (ESPECIAL OSCAR 2014) ELA, de Spike Jonze

Um dos filmes mais belos e sentimentais do ano.
Nota: 9,5


Título Original: Her
Direção e Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Scarlett Johansson, Chris Pratt, May Lindstrom, Kristen Wiig, Matt Letscher, Olivia Wilde, Pramod Kumar, Evelyn Edwards, Steve Zissis, Dane White, Nicole Grother, Luka Jones
Produção: Megan Ellison, Spike Jonze, Vincent Landay
Ano: 2013
Duração: 126 min.
Gênero: Drama

Confira a canção "The Moon Song", indicada ao Oscar de Melhor Canção Original, de Karen O e Spike Jonze e interpretada por Karen O

Theodore Twombly é um escritor de cartas que trabalha em uma empresa especializada em cartas escritas à mão. Theo é criativo, inteligente, romântico, simpático e educado. Entretanto, isso tudo não é o suficiente para que seu relacionamento com Catherine permaneça em pé após alguns anos de casamento. Quando ele e Catherine decidem se divorciar, Theodore fica perdido, sem saber para onde ir, sem saber o que deseja ou o que fazer com sua nova vida. E é no auge de sua depressão que Theodore “conhece” Samantha, uma operadora de sistema.


Theodore e Samantha, nesse contexto, iniciam uma relacionamento puro e sincero. Aos poucos eles se conhecem e se apaixonam um pelo outro. O que acontece entre eles é algo mútuo, real, apesar de Samantha não ser real. Uma operadora de sistema, significa que ela está “dentro” de uma máquina, que ela é um istema que organiza os arquivos de quem a compra. Theo e Samantha conversam, discutem, riem e fazem sexo. Aliás, um dos pontos altos do filme são as relações sexuais entre os dois. Em um primeiro momento, Theodore apenas ouve as carícias de Samantha, os gemidos e sussurros enquanto ele se masturba. E o mais impressionante é que isso satisfaz totalmente o personagem. Ele não precisa ter uma mulher o tocando para sentir prazer, basta saber que aquela foz sexy e gentil também se satisfaz apenas com sua voz. No entanto, Samantha não acredita que possa ser tão maravilhoso para Theodore como é para ela e contata uma jovem que está disposta a fazer sexo com Theo, como se ela fosse Samantha. E é aí que temos uma das cenas mais belas do longa, onde Theo expressa tudo o que ele é capaz de sentir por esse sistema operacional que tomou conta de sua vida. Outra cena impressionante é quanto Theodore não consegue mais ligar Samantha. Seu desespero é tão grande e sincero que nos desperta os sentimentos mais profundos que possuímos. Ainda é necessário apontar, como Samantha representa a maior parte dos relacionamentos dos seres humanos. Quando iniciamos um relacionamento, todos nos doamos ao máximo, o sexo é intenso, existe diálogo em qualquer circusntância e deixamos os defeitos do outro passar em branco, todavia, todo esse castelo de conto de fadas começa a desabar com o passar do tempo, por um motivo simples: nos distanciamos. De uma forma ou outra, Samantha representa o que sempre acontece com os casais quando um deles vê a paixão desaparecer: deixa-se de se estar ao lado do parceiro de uma forma ou outra. Nesse caso, Theodore está experimentando o que plantou em seu relacionamento anterior, quando ele se distanciou de Catherine por seus motivos estúpidos.


Spike Jonze possui muitos trabalhos ruins em seu currículo, a exemplo os roteiros para série estúpida chamada “Jackass” (2000 – 2002). Entretanto, é suficiente dizer que ele é o diretor de dois dos melhores filmes lançados entre 1995 e 2004: “Quero ser John Malkovich” (1999), com John Cusack e Cameron Diaz e indicado a 3 Oscar, incluindo melhor direção, e “Adaptação” (2002), com Nicholas Cage, Meryl e Chris Cooper e vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante (Cooper) e indicado em outras três categorias, incluindo melhor roteiro. Apesar da qualidade de ambos os longas, vale lembrar que Jonze apenas os dirigiu, deixando o roteiro para outros. Aqui, entretanto, é a vez de Spike Jonze mostrar toda sua criatividade e competência fazendo a vez de diretor, roteirista e produtor do longa. A ideia proposta pela trama pode parecer muito maluca e pode parecer impossível sustentar tal história em duas horas de filme. Sem dúvida, o enredo em que um homem se apaixona por um máquina é algo maluco, mas isso não significa que exista alguma chance de o filme dar errado, por um motivo simples: é Spike Jonze quem está no comando. Dessa forma, tudo funciona muito bem. O roteiro é espetacular e nos faz refletir sobre tantas coisas na vida que é impossível escolher apenas algumas para citá-las (além de que, fazê-lo, tiraria metade do prazer do longa). Tudo deve ser muito espontâneo ao se assistir “Ela”. A trilha sonora de William Butler e Owen Pallett se encaixa perfeitamente com os sentimentos expressos pelos personagens. O figurino é um dos componentes mais interessantes e a fotografia é surpreendente.


É um fato que Joaquin Phoenix é um dos artistas mais controversos de Hollywood, mas também é uma verdade que quando o ator resolve encarar um bom personagem com toda sua garra e força, sua interpretação valerá a pena. “Ela” é um dos longas que nos fazem relembrar a qualidade dos trabalhos do ator. É ele quem consegue trazer toda a personalidade marcante de Theodore: um homem simples, educado, gentil, amoroso, engraçado, mas que vive uma fase difícil da vida, tornando-se um homem depressivo, chato, fraco e sem esperança alguma em seu futuro. E a beleza da interpretação de Phoenix está em conseguir alternar o Theo triste por estar sozinho com o Theo feliz por ter encontrado o amor em Samantha. O melhor momento de Phoenix, além das relações sexuais e do desespero pela desativação do sistema, é o momento em que Theodore se dá conta de como a vida com Samantha é impossível. Além disso, é impossível não se identificar um pouco com o personagem. A não indicação aos prêmios de melhor ator para Phoenix é lamentável e ridícula. De um lado de Joaquin Phoenix está a ótima Amy Adams, vivendo a amiga de Theodore, Amy, apesar de Adams aparecer pouco, a atriz mostra como mereceu suas quatro indicações a melhor atriz coadjuvante ao Oscar nos últimos anos, e uma a melhor atriz esse ano: ela também consegue alternar sentimentos de felicidade, amor, ódio, saudade e desespero. Do outro lado de Phoenix, está Scarlett Johansson, vivendo Samantha. Apesar de a atriz não aparecer em nenhuma cena, é sua voz a responsável por conquistar Theodore e a todos que assistem a esse filme. Não há nada na voz de Johonsson que lembre um robô ou algo parecido, e isso já nos remete a proposta do sistema operacional de parecer realista. Apenas pela voz, e isso é raro, Johansson proporciona uma das melhores interpretações de sua carreira trazendo todos os sentimentos que esse longa extremamente sensível traz.


Poucas coisas esse ano podem ser mais surpreendentes que as indicações do filme ao Oscar. Ao todo são cinco categorias em que o longa se encontra. E toda essa surpresa se deve a fatores óbvios: o filme é uma viagem sem precedentes sobre um homem que se apaixonada por uma máquina e é correspondido e tudo é abordado de forma simples, sincera, real e muito inteligente. As cenas sexuais do protagonista e de sua amada não são exatamente o que a ala conservado da Academia gostaria de preservar (aliás, a forma natural com a qual a relação dos personagens é tratada está longe de ser a idealização de romance dos membros da Academia). Tudo no filme é muito surreal, nada ali parece ser baseado em alguma realidade, é como se Theodore vivesse em um mundo paralelo ao nosso, e, por fim, o longa não possui grandes cenas românticas ou deprimentes, pelo contrário, tirando a tecnologia avançada demais, o longa mostra a vida como ela é. A produção é, merecidamente, indicada na categoria de melhor filme, porém, considerando a não indicação de Jonze como melhor diretor (eu até deixaria Steve McQueen de lado para dar uma chance maior a “Ela”) o filme não possui nenhuma chance de vencer o prêmio, que será disputado por “Gravidade” e “12 Anos de Escravidão”, ambos indicado na categoria de direção. Spike Jonze é indicado na categoria de melhor roteiro original, e concorre, apenas, com Woody Allen, que pode levar o prêmio por “Blue Jasmine” e com Eric Warren Singer e David O. Russel, por “Trapaça”, filme que vem ganhando força nas últimas semanas. K. K. Barrett e Gene Serdena são indicados na categoria de melhor direção de arte, com um trabalho surpreendente que dá um tom ainda mais realista ao melancolismo do longa, as chances são grandes se levarmos em conta que o filme já faturou o prêmio do Sindicato dos Diretores de Arte. No campo musical, o longa vem forte com indicações em melhor trilha sonora e melhor canção original, para “The Moon Song”, de Karen O e Spike Jonze. A trilha, apesar de ser uma das mais expressivas do ano, deve perder para Steven Price e seu trabalho magnífico em “Gravidade”, filme onde a trilha é essencial. A canção está entre “Let it Go”, da animação “Frozen”, e “Ordinary Love”, de “Mandela: Long Walk to Freedom”. Minha aposta fica apenas no roteiro.



Theodore nos transmite, sobretudo, a importância de priorizarmos quem as pessoas são e não o que elas são. De valorizarmos o que existe no interior de cada alma, aceitando os defeitos e enaltecendo as qualidades de quem amamos. Não importa sua sexualidade, seu gênero, sua raça ou sua cor. Não importa se desejamos uma pessoa de mesma sexualidade, gênero, raça ou cor ou não. Devemos, sem dúvida, deixar o costume mesquinho e imbecil intrincado em nossa sociedade de desejarmos corpos bonitos, indivíduos bem sucedidos, pessoas que a sociedade espera que desejemos, dando espaço para que cada um possa mostrar o mais importante: seus sentimentos e sua capacidade de amar e ser amado. Entretanto, Samantha percebe que Theodore é pouco para ela, somente aquele homem não irá satisfazer todas as suas necessidades. E Theo, como o sistema, também sabe, mesmo sem aceitar, que Samantha não é suficiente para ele. O filme, assim, também expõe uma dura realidade: não há programa, não há criação humana, nada no mundo que substitua o calor humano, o abraço que um parceiro pode proporcionar. Nenhuma voz sensual pode ser tão sincera quanto as expressões de um ser humano quando este sente prazer sexual com seu parceiro. É claro que, por vezes, é muito melhor ter um parceiro virtual que nos compreenda e que possa ser ligado e desligado quando bem se entende. Todavia, o amor não pode ser ligado ou desligado. O amor não pode ser previsto, planejado, esperado ou controlado. O amor não pode ser, especialmente, mensurado. Até hoje, nenhum sistema foi criado com tanta precisão para que os humanos sejam indispensáveis uns para os outros para todo o sempre, pois ninguém foi capaz de reproduzir em um sistema a veracidade que somente a alma humana pode interpretar. No final das contas, é isso que Theodore e Samantha revelam.

VENCEDORES DO PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE FILME DE DALLAS
Melhor Filme: 12 anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Cadjuvante: Jared Leto , por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Roteiro: 12 Anos de Escravidão
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Fotografia: Gravidade
Melhor Trilha Sonora: Gravidade
VENCEDORES DO PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS DE FILME DE INDIANA
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é A Cor Mais Quente
Melhor Direção: Steve McQueen, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Adele Exarchopoulus, por Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Ator Coadjuvante: Barkhad Abdi, por Capitão Phillps
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence, por Trapaça
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Roteiro Adaptado: Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy, por Antes da Meia Noite
Melhor Documentário: The Act of Killing
Melhor Trilha Sonora: Hans Zimmer, por 12 Anos de Escravidão
Prêmio Visão Original: Ela

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