São 399 dias, e 399 críticas. No final dessas 399 críticas, serão postadas notícias, biografias de grandes nomes do cinema e da televisão e críticas e outros textos relacionados a filmes, séries e minisséries.
Ela é
atriz, cantora e ativista. Todas essas funções deixam Zezé Motta ainda mais
apaixonante.
Dona de
uma presença e talento marcantes, no palco e na TV, Zezé tem uma legião de fãs,
que acompanham seu trabalho artístico e político. Esta entrevista exclusiva que
ela deu para o blog da TheBridge tem
como intuito não apenas marcar o Dia Internacional da Mulher, que será
comemorado no próximo dia 8, mas também mostrar o quão relevante é sua atuação
para todas as mulheres e, principalmente, para o movimento negro brasileiro.
Maria José
Motta de Oliveira nasceu em Campos (RJ), é presidente de honra do CIDAN (Centro
Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro), responsável por
criar o primeiro banco de dados de artistas negros no país, e também ocupou,
por dois anos, o cargo de superintendente da Igualdade Racial do governo
do Rio de Janeiro.
A seguir,
a incansável Zezé conta sobre seu trabalho à frente do CIDAN e opina, entre
outras coisas, sobre a participação do negro na TV. Confira:
TheBridge:
Como você vê a arte como ferramenta para o enfrentamento contra a desigualdade
racial e de gênero?
Zezé Motta: A arte é uma ferramenta forte, porque tem a coisa
da palavra em si. A palavra dá a oportunidade de cobrar, fazer denúncias, de
encenar situações que não são justas. O que eu acho é que essa questão da arte
deu visibilidade para os negros e foi importante para a auto-estima dos mais
jovens. E não somente para o ator [negro], mas para o médico, o engenheiro, o
arquiteto…
TB: Como
você divide seu tempo entre a arte e a militância?
ZM: Tem gente que acha que artista não deve se meter
em política. Mas eu acho o contrário: o artista tem espaço na mídia e esse
espaço não pode ser aproveitado apenas para interesse próprio. Felizmente,
sempre tive a preocupação de usar a mídia para fazer denúncias, cobranças e até
mesmo aproveitar as conquistas que eu fiz na vida para usar em projetos, como é
o caso do CIDAN.
TB: Eu
ia mesmo perguntar sobre o CIDAN. Como ele surgiu e atua?
ZM: Surgiu pelo seguinte: toda vez que a gente cobrava
essa quase invisibilidade do negro da mídia, cada um dava uma desculpa. A única
coisa que não se admitia era que não havia uma democracia racial. Quando o Cacá
Diegues fez o filme Quilombo, eu vi o trabalho que o Pitanga [o ator Antônio
Pitanga, que assim como Zezé atua no filme] teve para localizar atores negros.
Foi ali que comecei a anotar o nome de todo mundo. Assim surgiu o CIDAN. Lembro
que, na época, o ator tinha até dificuldade para fazer book. Fizemos um banco
de dados, eu e outras pessoas ligadas ao movimento negro, que hoje em dia virou
uma página na internet: www.cidan.org.br. Temos muito orgulho do CIDAN,
porque não se faz nada com o ator negro. O próprio [ator] Lázaro Ramos foi
localizado através do CIDAN.
TB: O
CIDAN faz parcerias público-privadas, recebe algum tipo de investimento?
ZM: Já tivemos um projeto muito interessante, que era
patrocinado pela Comunidade Solitária, da Dona Ruth Cardoso, nas comunidades do
Rio. Hoje ainda temos parceria com a Eletrobras e Petrobras, mas por enquanto
está tudo parado. Temos também um curso de arte dramática, chamado Arte de
Representar Dignidade, que foi um sucesso na Mangueira, Andaraí… Lembro que
quando anunciamos nossa parceria com a UERJ, os meninos desciam o morro para
fazer o curso… É bem interessante. A última pessoa que nos apoiou foi a
ministra Matilde Ribeiro. Mas eu pretendo retomar todos esses projetos.
Zezé no papel que a consagrou: Xica da Silva
TB: E
as emissoras de TV? São parceiras do CIDAN?
ZM: Não se faz cinema, teatro nem televisão sem
parcerias. Lembro que a produção do Jô Soares nos ligou querendo saber como
funcionava. Realmente somos muito orgulhosos de termos feito a coisa certa.
Tenho visto uma mudança. Agora mesmo vou fazer uma minissérie no [canal pago]
GNT, Copa Hotel, em que vou fazer uma recepcionista de hotel. Antes, por
exemplo, eu só fazia empregada. Devagarinho estamos chegando lá. O movimento
negro foi fundamental pra essa virada e o CIDAN também. A Revista Raça também
contribuiu muito. Lembro que quando comecei minha carreira não encontrava
maquiagem para pele negra. Eu tinha que comprar importada. Nesse sentido, a
revista acendeu o alerta que o negro consome e que negro é bonito.
TB: É
possível dizer que ainda existe preconceito na TV, apesar de evidentes avanços?
ZM: Felizmente, eu percebo uma preocupação na
distribuição dos papéis, em não deixar o negro fora de qualquer situação. Agora
mesmo, nessa minissérie, vou fazer uma recepcionista do hotel, e, por acaso,
minha colega de elenco, que é branca, vai fazer a camareira. Antigamente, eles
reproduziam na TV o que acontecia na vida real. Quando, na verdade, sempre
existiu uma classe média negra. Nunca fomos maioria, mas sempre existiu.
TB: Como
foi seu trabalho à frente da Superintendência da Igualdade Racial do RJ?
ZM: Ela fazia parte da Secretaria de Direitos Humanos.
Fiquei 2 anos e meio lá, infelizmente consegui fazer pouca coisa, mas fiquei
inteirada sobre a questão dos quilombolas, por exemplo. Fizemos um vídeo e o
levamos a Brasília, entregamos para os senadores, deputados e para o próprio
presidente Lula, para saberem como era a dificuldade. Cada quilombo tem um tipo
de dificuldade, tem quilombo que não tem luz, tem crianças com dificuldade de
estudar. Mas ao mesmo tempo tudo era muito difícil, a máquina é engessada, não
tem verba pra quase nada. E você fica mal na fita, porque você quer ver as
coisas acontecerem, mas elas não são tão simples assim. Não pretendo aceitar
mais esse tipo de convite. Eu queria resolver logo, mas não é assim que a coisa
funcionava.
TB: A
questão da violência contra a mulher é algo muito preocupante na sociedade
brasileira. O que você diria para a mulher que sofre com esse tipo de
violência?
ZM: Que não tenha medo, que denuncie, porque enquanto
as mulheres não reagirem, o homem fica contando com a impunidade. Tem que ter
coragem e denunciar mesmo.
“A
minha carne negra já está cansada de ser presa, de viver debaixo do papel
preto, de lixo. Tudo que acontece é a minha carne negra. Tudo que acontece
é minha carne negra. Vamos dar um basta e ta na hora de acabar com a
violência. A violência. A violência. Nós vivemos hoje num país de guerra e não
tomamos conta. Estamos esperando o que? Esperando o que mulheres do meu país?
As matriarcas. Vamos à luta, vamos à luta! Precisamos de liberdade. Paz, paz.
Vamos à luta! Arrebentar, arrebentar essas correntes. Tirar as grades de nossas
portas. A liberdade, o direito de ir e vir. Saber que seu filho volta pra casa.
A liberdade, a liberdade à minha carne negra! Negra, negra negra, negra, negra,
negra. A minha carne negra. Negra. Negra. Justiça. Negra. Negra. Chega de ter menina de 13 anos levando tiro.
Negra!”.
Elza Soares, 2007
Vive-se um momento de crise no mundo todo.
Ninguém está seguro e livre do que está acontecendo. Ao mesmo tempo, vive-se em
um mundo globalizado. Nunca o direito de ir e vir esteve tão propenso a ser
garantido devido às tecnologias disponíveis para comunicação e locomoção. Entretanto,
a intolerância parece imperar. Intolerância para as religiões, para os gêneros,
para as sexualidades, para os posicionamentos políticos e sociais. Intolerâncias
desmedidas, injustificáveis, retrógradas, absurdas, inaceitáveis. Como sempre,
negros estão no foco de grande parte dos intolerantes. Como sempre, mulheres
estão no foco de grande parte dos intolerantes. Mulheres negras, então, nem se
fala. São elas algumas das pessoas que mais sofrem com preconceitos e com desigualdades.
As lutas femininas negras, porém, vem ganhando cada vez mais espaço no globo.
Mulheres com fibra e coragem estão enfrentando a sociedade machista e racista
na qual foram criadas. Leis que contribuem para que as mulheres negras lutem também
foram criadas. Mas isso não é o suficiente. Ainda é preciso lutar muito.
No dia 25 de julho, comemora-se o Dia Internacional
da Mulher Negra. Apesar de ser um dever do mundo agradecer às mulheres negras
todos os dias, o blog faz, durante os próximos dias, uma homenagem para as
mulheres negras envolvidas no audiovisual. A primeira homenagem será com uma
lista de músicas cantadas por mulheres negras que se destacaram nos últimos 100
anos. Na sequência, entrevistas realizadas nos últimos anos com mulheres negras
e textos que relacionam a mulher negra e o audiovisual escritos por mulheres
negras. Abaixo, segue uma lista de mulheres cantoras negras que se destacaram
ao ter suas vozes em alguma música de algum filme para cinema, músicas que, a partir
do filme, ganharam ainda mais o gosto do público. O maior critério, entretanto,
é pela luta dos direitos civis que essas mulheres participaram, cada uma
lutando, e incentivando outras mulheres, por um mundo onde as mulheres negras
sejam devidamente respeitadas e valorizadas.
Aretha
Franklin- Respect (Otis Redding), Forrest Gump: O Contador de Histórias
(1994), de Robert Zemeckis
Aretha Franklin, a Rainha do Soul ou Dama
do Soul, era filha de um pregador da Igreja Batista que se tornou muito popular
ao construir sua própria congregação, recebendo visitas de pessoas famosas e
ligadas à música gospel e soul. Assim, Aretha começou a ser influenciada. Não
demorou muito para que a jovem chamasse a atenção. Prestes a completar 20 anos,
Aretha começou sua carreira como cantora de jazz. Um tempo depois, Aretha se
livrou dos padrões estéticos, assumiu o black power e lançou Respect, canção que a popularizou mundialmente
e que, mais tarde, virou um hino dos direitos civis e do feminismo. Como um dos
nomes mais famosos da música, Aretha, uma mulher negra, passou a defender os
direitos civis dos negros e apostar nos novos talentos jovens da música
americana. Segundo Aretha, nunca foi sua intenção impulsionar o feminismo, mas
fica feliz em tê-lo feito inconscientemente, e hoje, apoia a causa.
Billy
Holiday
- Strange Fruit (Lawis Allan), 9 ½ Semanas de Amor (1986), de Adrian
Lyne
Strange
Fruit,
de Lewis Allan, é uma canção de 1939 que revela a história de um negro linchado
e condenado ao racismo em um Estados Unidos ainda segregado. A música ficou
famosa ao ser interpretada por Billie Holiday, que nasceu de uma mãe com apenas
13 anos de idade, foi abandonada pelo pai ainda bebê, foi abusada sexualmente,
trabalhou de forma inaceitável, foi prostitua, casou com um marido abusivo,
sofreu violência de músicos com quem trabalhou, teve que comer nos fundos dos
locais onde trabalhava por ser negra, foi viciada em álcool e heroína e morreu
com apenas 44 anos na cama de um hospital e sob prisão domiciliar. Ainda assim,
Billie dominou sua voz sem nenhum ensinamento prévio, ouvindo grandes cantores
desde que conheceu o saxofonista Kenneth Hollan, com quem começou a cantar
profissionalmente. A cantora, sem duvidas, encabeçou o movimento dos direitos
civis femininos negros nos EUA ao se arriscar como artista. Billie teria
completado cem anos em 2015 e, apesar de ter vivido apenas 44, é vista por
alguns como a maior e mais influente cantora da história do jazz. Aqueles que
discordam, a veem como a maior cantora da história da música.
Diana
King
- I Say a Little Prayer (Burt
Bacharach e Hal David), O Casamento do
Meu Melhor Amigo (1997), de P. J. Hogan
Descendente de indianos e africanos e
nascida em 1970 na Jamaica, Diana King é uma cantora que mescla o R&B
contemporâneo, o reggae e o pop numa voz poderosa, afiada, sexual, com letras
nervosas e provocativas. Aos 41 anos, King assumiu sua homossexualidade e
admitiu não tê-lo feito anteriormente por medo do desconhecido e pelo que isso
causaria em sua carreira, família e amigos. Segundo ela, entretanto, “não é meu
trabalho fazer a vontade dos outros... Neste momento na minha vida não me
importo com as coisas que me assustam mais”. Nos últimos anos, Diana tem usado
suas páginas em redes sociais, como o Facebook e o Twitter, para defender os
direitos iguais a negros e homossexuais, bem como a liberdade de todo ser
humano.
Dionne
Warwick
– Walk on By (Hal David e Burt
Bacharach), Um Tiro para Andy Warhol (1997),
de Mary Harron
Walk
on By
foi composta especialmente para Dionne Warwick, que a gravou em 1963 e foi
lançada no ano seguinte. Na década de
1980, a cantora já demonstrava grande apreço pelas questões humanitárias,
participando de duas músicas beneficentes: We
Are the World, fazendo parte da USA For Africa, e That’s What Friends Are For. Grande admiradora da música
brasileira, Dionne possui casas no Brasil e é engajada na luta em prol dos
direitos humanos. Dionne possui um projeto no Vidigal, no Rio de Janeiro, que
luta por mais educação e pela redução da pobreza. Em 2010, ela e o filho, David
Elliott, participaram de um movimento social “em prol do direito a busca da felicidade”.
No mesmo ano, foi concedido o título de cidadã honorário do município do Rio de
Janeiro à doutora em Educação Musical desde 1973.
Ella
Fitzgerald
- It's de-Lovely (Cole Porter), Trapaça (2013), de David O. Russell
Filha de pais que nunca casaram e vivendo
com um o padrasto que a maltratava, Ella teve infância e adolescência
conturbadas, especialmente, após a morte da mãe, quando acabou trabalhando em
um bordel e em uma casa de apostas de jogo de números, foi presa e enviada a um
reformatório, de onde fugiu e passou a viver nas ruas. Acabou sendo internada
em um asilo para jovens de cor. Aos 17 anos, Ella começou sua carreira como
cantora em teatros de variedades interpretando músicas populares da época. A
cantora, assim, tornou-se uma das cantoras mais conhecidas e adoradas da década
de 40 representando as mulheres no jazz. Com carreira de 59 anos, 14 prêmios
Emmy e duas medalhas de honra de diferentes presidentes estadunidenses, Ella, a
“primeira dama da música”, é considerada, por muitos, a maior cantora do século
XX. Ella tinha voz doce, mas pulso filme e se defendia como mulher e negra,
prezando pela igualdade e a liberdade.
Elza
Soares
- Paciência (Lenine), Estamos Juntos (2011), de Toni Venturi
Segundo a própria Elza, ela nasceu mulher,
negra e pobre, nada podia ser mais desanimador. A mulher que pode ser tudo ou
nada, foi uma das figuras mais desejadas da década de 1960 no Brasil. Elza,
como a maioria das mulheres negras do mundo, teve uma infância complicada, e se
tornar uma estrela não fez sua vida virar um céu. Após perder alguns filhos –
começou a ter filhos aos 13 anos -, Elza casou com o jogador de futebol
Garrincha e passou a ser apontada pelo mundo todo. Ela era uma negra, uma
mulher, uma cantora em início de carreira que fez o craque se separar da esposa
para ficar com ela. Segundo Elza, a mulher, a negritude e o mundo gay são a
minorias mais afetadas na sociedade, e é por elas que Elza luta no dia-a-dia,
utilizando, até hoje, sua influência e sua voz – cantando ou falando/gritando –
para lutar pela igualdade e pela democracia.
Gloria
Gaynor
– I Will Survive (Dino Fekaris e
Freedie Perren), de Priscilla – A Rainha
do Deserto (1994), de Stephan Elliott
Gloria Gaynor nasceu em 1949. Seu primeiro
contrato foi assinado em 1968 e, em menos de uma década, já era conhecida no
mundo todo como uma grande artista. Mas foi em 1978, que Gloria ganhou o mundo
com a música I Will Survive, o hino da
resistência feminina que logo virou o maior hino gay da história, especialmente
por sua relação com o filme Priscilla – A
Rainha do Deserto. A canção composta por dois homens, conta a história de
uma mulher que é deixada pelo marido e lhe manda o recado de que não precisa
mais dele, e é uma das músicas populares mais tocadas no cinema. A Rainha do
Disco, desde essa época lutava pelos direitos civis de mulheres e negros, usando,
como tantas outras, sua popularidade para garantir que sua voz seria ouvida,
ou, pelo menos, que poderia fazer os demais pesarem um pouco.
Margareth Menezes - Protesto do Olodum Lá Vou Eu (Tatau), Ó Paí, Ó (2007), de Monique Gardenberg
Margareth Menezes nasceu em Salvador, filha de uma doceira e costureira e um motorista. Seu avô tocava violão e, desde cedo, a cantora teve muito incentivo musical. Durante a adolescência, ainda participou de aulas de teatro em sua cidade natal. Com a música Faraó – Divindade do Egito, Margareth despontou como cantora nacional e caiu na graça do público e dos grandes músicos brasileiros. Cantando sobre a cultura brasileira, sobretudo baiana, e sobre a história negra, Margareth nunca abandonou suas raízes e se tornou um símbolo cultural importante para o Brasil todo. A música, dessa forma, foi usada pela artista como forma de apontar a importância de se valorizar o negro e a cultura nordestina, ambos alvos certos do preconceito. Além disso, Margareth encabeça o Movimento Afro POP Brasileiro e criou a Fábrica Cultural na Cidade Baixa em Salvador, projeto que leva a cultura para a população em massa da região. A artista acredita, e aposta, assim, na juventude do nosso país, defendendo que é preciso que as consciências de cada um estejam iluminadas para que o Brasil mude.
Nina
Simone
- Feeling Good (Leslie Bricusse e
Anthony Newley), Os Intocáveis
(2011), de Olivier Nakache e Eric Toledano
Eunice Waymon, foi descoberta por uma
professora de piano na igreja de sua comunidade. A professora, branca e de
classe alta, convidou a menina para aulas em sua casa, no bairro branco e de
classe alta da professora, em um Estados Unidos ainda segregado. A pequena
Eunice, entretanto, não se deixou abalar e completou seus estudos, sendo a
primeira negra a ingressar na Julliard School. Mas Eunice não tinha dinheiro
para se sustentar e começou a tocar piano em bares, onde foi obrigada a cantar
para segurar o emprego. Foi quando surgiu Nina Simone (Nina vinha de “niña”,
apelido ganhado de um namorado, e Simone vinha da atriz francesa Simone
Signoret). Nina era casada com o marido e agente, que a violentava, humilhava e
roubava. Apesar disso, a fama veio em 1958 com
I Love You, Porgy, e Nina ficou conhecida com uma mulher de temperamento
forte que lutava pelos direitos civis de negros e mulheres. Enaltecer e negritude
e defender as mulheres, foram, assim, seus maiores objetivos até sua
morte.
Tina
Turner
- GoldenEye (Bono e The Edge), 007 Contra GoldenEye (1995), de Martin
Campbell
Única música composta originalmente para
um filme da lista, GoldenEye foi
composta e escrita por Bono e The Edge e gravada, originalmente, pela própria
Tina Turner. A rainha do rock, como ficou conhecida, tornou-se ícone black, pop
e rock. Em sua autobiografia, Turner revelou que viveu agressões físicas de seu
ex-marido e mentor musical, Ike Turner. As declarações acerca da violência
sofrida na segunda metade da década de 1970, serviram de alerta para muitas
mulheres e passaram a servir de exemplo para lutas em prol da igualdade sexual.
No cinema, Tina também foi destaque ao participar do longa Mad Max – Além da Cúpula do Trovão.
Zezé
Motta
- Miragem de Carnaval (Caetano
Veloso), Tieta do Agreste (1996), de
Carlos Diegues
Zezé Motta nasceu no Rio de Janeiro e aos
20 anos estreou Roda-Viva, peça de
Chico Buarque. Apesar de uma carreira excelente desde o início, foi perto dos
trinta anos que eternizou a personagem Chica da Silva, no filme homônimo que
conta a história da escrava alforriada que casou e teve filhos com um homem branco
e rico. Como tantos outros negros, Zezé nasceu em uma família pobre e teve de
lutar para ter seu lugar na cultura brasileira. Assim, a atriz, cantora e
ativista, foi uma das primeiras artistas brasileiras negras a mostrar a cara e
defender os direitos feministas e dos negros com pulsos firmes. A fama e o gosto
do público fizeram com que Zezé também se tornasse uma das mulheres mais
ouvidas de sua geração no combate ao racismo e aos mecanismos de exclusão socioeconômica
e política dos negros na sociedade contemporânea. Zezé já ocupou os cargos de presidente de
honra do CIDAN (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro) – fundado
por ela em 1984 - e de superintendente da Igualdade Racial do Governo do Rio de
Janeiro.
BÔNUS: ELZA SOARES
CANTA A CARNE
Como
faixa bônus, Elza Soares cantando a música de Seu Jorge, A Carne, uma das músicas
símbolo da luta negra por igualdade no Brasil. Destacando, claro, o momento em
que Elza expressa sua indignidade e lembra que mais barata ainda que a carne
negra, é a carne da mulher negra. Confira o vídeo da memorável interpretação de
Elza em seu show em 2007.
A alegoria de Wes Anderson em um filme de perseguição e revelações familiares
O lendário Gustave H. trabalha como
concierge no famoso Grande Hotel Budapeste. Charmoso e simpático, o concierge
tem uma vida agitada, envolvendo-se sexualmente com as hóspedes mais estimadas
e distintas, idosas ricas, inseguras, vaidosas, superficiais, carentes e
louras. Sempre louras. Eis que sua vida muda com a chegada do jovem Zero
Moustafa, o novo garoto de recados. Mas a mudança não vem pela chegada do
empregado, e sim pela morte de uma de suas amantes. Milionária e cercada de
invejosos e interesseiros, Madame D. é assassinada e o acusado é o próprio
Gustave, que recebeu um quadro de valor inestimável como herança.
A aventura escrita e dirigida por Wes
Anderson (que teve os escritos de Stefan Zweig como inspiração e a ajuda de
Hugo Guinness) é repleta de mistério e confusões. A diferença com outros filmes
que segue essa linha é que Anderson e Guinniss criaram uma história metafórica
muito concisa. Tudo é contado por Zero Moustafa que, por algum motivo, se tornou
o dono do Grande Hotel Budapeste. Décadas depois de conhecer Gustave, Moustafa
está hospedado no hotel, quase uma ruína que está prestes a ser demolida. Os
anos de grandiosidade do Budapeste já passaram, e ele se tornou apenas um hotel
grande demais, com histórias demais, funcionários demais e hóspedes de menos.
Um jovem escritor, assim sendo, acaba por ouvir as histórias do rico Zero
Moustafa sobre como ele chegou até ali. A narrativa poderia ser cansativa,
repetitiva, sem graça e surreal demais. Mas não é. Anderson satiriza filmes de
perseguição e mistério com uma sutileza ímpar, sem perder a essência da
curiosidade provocada no espectador. Personagens sempre muito diferentes são
inseridos e todos parecem ter um espaço necessário na trama que envolve Gustave
e Moustafa. Personagens essenciais para que os mistérios sejam resolvidos e
para que o desfecho seja preciso.
Esse filme, entretanto, não destoa dos
demais trabalhos do diretor. Como “Os Excêntricos Tenenbaums” (2001), “ A Vida
Marinha com Steve Zissou” (2004) e “Moonrise Kingdom” (2012). “O Grande Hotel
Budapeste” possui direção de fotografia e de arte deslumbrantes. Cada
enquadramento parece uma verdadeira obra de arte, como os quadros feitos por
grandes pintores muito clássicos que usam cores muito saturadas e específicas à
sua maneira, com personagens muito bem centralizados e equilíbrios em todos os
sentidos. Geralmente, a câmera está parada ou apenas acompanha os movimentos
dos personagens, caracterizando os movimentos (como bruscos ou suaves) conforme
a tensão da câmera exige. Os planos são sempre muito simétricos, com os
personagens como elementos centrais e objetos (ou personagens secundários)
muito bem posicionados ao seu redor, ou detalhes nas paredes e no teto que
tragam essa simetria. A direção de fotografia é de Robert D. Yeoman, fotógrafo
de dezenas de filmes impressionantes, trabalhando com Wes Anderson em todos os
seus longas metragem em live action desde “Pura Adrenalina” (1996), primeiro
longa do cineasta.
O contexto clássico referente à
arquitetura do hotel ajuda a preservar tal simetria, entretanto, isso também se
deve ao trabalho magnífico da direção de arte assinada por Stephen Gessler e
supervisionada por Gerald Sullivan. Apesar de esse ser o primeiro trabalho de
Gessler e Anderson (Sullivan trabalhou com o diretor em “Moonrise Kingdom”), as
caracteríticas visuais dos demais filmes do cineastas são lembradas aqui. A
diferença é que Gessler opta por cores mais vibrantes (como vermelho, o roxo, o
azul), contrapondo-as ou relacionando-as o tempo todo. Sobre a simetria,
pode-se obervar o posicionamento de objetos de forma muito perfeita. Cada
cômodo do hotel (desde o pequeno quarto de Zero Mustafa até o grande salão de
jantar) são muito harmônicos, o que pode ser verificado a cada quadro. Além
disso, o figurino de Milena Canone é um escândalo. Não é para menos, a
figurinista assinou as roupas usadas em clássicos como “Laranja Mecânica”
(1971), “O Iluminado” (1982), “Entre Dois Amores” (1985) e “O Poderoso Chefão –
Parte III” (1990), sendo indicada ao Oscar oito vezes e vencendo em três delas.
Cada roupa usada pelas dezenas de personagens apresentados em “O Grande Hotel
Budapeste” casam com suas respectivas personalidades e reagem conforme o espaço
onde estão. A movimentação dos personagens também é muito precisa e contribui para
a perfeição simétrica dos quadros.
Alguns acreditam que a trilha sonora de
um filme só é ideal quando ela se torna “invisível”, ou seja, quando o sonoro
complementa o visual, não distanciando o espectador daquilo que ele está vendo.
Contudo, a sonoridade também não pode passar despercebida, logo, o espectador
deve reconhecê-la, mas não ater-se apenas a ela em detrimento do restante da
produção. E vise-e-versa. Poucos filmes que tenha assistido nos últimos anos
conseguem isso. Em sua grande maioria, compositores pretenciosos demais querem
se mostrar tão gloriosos quanto o filme para o qual estão compondo, em outros
casos, compositores fracos demais não dão conta do recado e sua trilha não se relaciona
direito com o filme, muitas vezes, atrapalhando o resultado final. Ainda
existem os longas prejudicados pela fama do compositor, que deixa todas as suas
trilhas sonoras muito características. Ao longo de sua carreira, Alexander
Desplat tem mostrado que está no grupo dos grandes compositores que,
surpreendentemente, se contentam em usar a trilha sonora para destacar as tensões
de um filme, revelar o que se passa no interior dos personagens, aqueles que
sabem distinguir filmes onde a trilha sonora deve ser um persongem e filmes em
que deve acompanhar a narrativa. Aqui, Desplat não faz diferente e traz uma
trilha simples, mas que casa com perfeição com o longa.
Wes Anderson conquistou, ao longo dos
anos, não apenas a admiração do público e da crítica, mas dos atores com o qual
trabalhou (e dos que nunca trabalhou também). Assim sendo, sem dúvida, o
diretor reuniu, para este filme, o elenco mais estrelar e competente visto nos
últimos anos, onde até mesmo os coadjuvantes que aparecem pouco mais de um
minuto são atores renomados. No elenco central, estão Ralph Fiennes (M.
Gustave), Tony Revolori (jovem Zero Moustafa), F. Murray Abraham (Zero Moustafa
idoso) e Jude Law (jovem escritor). Fiennes é simples, realista, com expressões
faciais e corporais que dizem tudo a respeito de seu personagem. Deve-se
apontar, também, a forma como o ator consegue sempre deixar claro que o
mulherengo Gustave guarda algum grande segredo, que será revelado durante a
trama. Tony Revolori atuou em cerca de uma dezena de produtos televisivos e
curtas-metragem antes de encarar o jovem Zero. O personagem apresentando pelo
ator é engraçado, divertido e se mostra sempre muito eficiente e um verdadeiro
amigo. Talvez a principal caracterísitica das interpretações desse longa seja
exatamente isso: a naturalidade em meio à alegoria habitual dos filmes de Wes
Anderson. Murray Abraham e Jude Law dão o tom da história, ao passo que
apresentam, respectivamente, narrador e ouvinte dessa grandem fábula moderna.
Dentre os demais destaques do elenco, estão Willem Dafoe e Adrien Brody, como
os vilões da história, Edward Norton, como o policial caricato, e Tilda
Swinton, como a misteriosa Madame D.
Os filmes de Wes Anderson nunca foram
grandes vencedores da premiação do Oscar, o próprio diretor já foi indicado
seis vezes nas categorias de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro e
nunca venceu nenhum deles. O motivo é simples: Anderson foge do comum, o
cineasta propõe mundos diferentes do nosso, histórias singulares e que, na
cabeça da maioria dos seres humanos, seriam improváveis (ou até impossíveis de
acontecer). “O Grande Hotel Budapeste” não foge desse “realismo fantástico” que
tanto fascina. Se a discusão permeia sobre qual filme é o melhor filme do ano,
podemos propor que se discuta a importância de tantas histórias e estilos
diferenciados serem apresentados em um ano como este. “Boyhood”, “Birdman”, “O
Grande Hotel Budapeste”, “O Jogo da Imitação”, “Sniper Americano”, por exemplo,
são longas que abordam a juventude, a pisiqué, o “reaslismo fantástico”, a vida
de um homem que existiu realmente e a guerra no Iraque, todos com estética
muito própria, todos filmes interessantes e de destaque. Mas, não há dúvidas de
que “Budapeste” se destaque por toda sua genialidade, pelo uso da imagem e do
som com tanta sabedoria, por um roteiro magnífico e interpretações memoráveis. Há
que se observar, ainda, como é satisfatório saber que Anderson ainda está entre
nós para que seus filmes com características muito próprias ainda possam nos
consquistar e nos fazer esperar anciosos por seu próximo trabalho.
No dia 19
de junho de 1898, o italiano Afonso Segreto chegou ao Brasil, era a primeira
vez que um cinegrafista colocava os pés no país tropical, filmando "Vista
da Baía de Guanabara".
No dia 19 de junho, então, comemora-se o Dia do Cinema Brasileiro. Este
ano, o blog lembra dez canções que se popularizaram ao fazerem parte de filme
consagrados do cinema nacional. São canções originais (compostas para os respectivos
filmes) e canções que já eram bem consagradas e voltaram à boca do povo graças
aos filmes. Além disso, a lista foi pensada conforme canções que combinem com
os filmes e os contextos sociais das realizações. A lista de músicas está em
ordem de lançamento dos filmes. O player se encontra no topo da página, logo
abaixo da caixa do endereço virtual.
Da esquerda para a direita estão os botões de “faixa anterior”, “pausar/iniciar”
e “próxima faixa”; informações sobre a música: o título da música, seu
compositor, o filme do qual a música faz parte da trilha sonora e o ano do
filme; site que gera o player (SCM Music Player), tempo decorrido e tempo total
da música e os botões de volume e da lista de músicas. Confira!
01. A Felicidade (Vinicius de Moraes e Tom Jobim), Orfeu Negro (1959), de Marcel Gomes
Sinopse: Baseado da peça de Vinicius de Moraes, o
filme adapta o mito grego do romance de Orfeu e Eurídice para as favelas do Rio
de Janeiro, durente a maior festa do mundo, o carnaval. Aqui, Eurídice é uma
nordestina que vem fugida para o sudeste, e Orfeu é o malandro carioca boa gente
que se apaixona perdidamente, de forma inocente e pura. Como todo romance, os
dois não poderão viver sua paixão sem alguns obstáculos.
02. Perseguição: Sertão Vai Virar Mar (Sérgio Ricardo), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963),
de Glauber Rocha
Sinopse: Manuel e Rosa são um casal que vive no
sertão nordestino trabalhando de sol a sol para garantir seu sustento. Certo
dia, Manuel conhece um homem, Sebastião, que já está sendo considerado santo
pelo povo da região. Esperançoso, Manuel encontra a esposa a esposa que,
indiferente, fingi não ouvir uma palavra do marido. Como de costume, o vaqueiro
segue seu rumo e leva pouco mais de uma dezena de vacas até um coronel.
Chegando lá, Manuel informa que perdeu alguns bichos no meio do caminho. O
coronel lhe nega qualquer pagamento, alegando que os animais que morreram eram
os de Manuel. Revoltado, o vaqueiro acaba matando o latifundiário. Desesperado
e arrependido deste pecado, Manuel corre até Sebastião, pedindo por clemência.
03. Bye, Bye Brasil (Chico Buarque), Bye, Bye Brasil (1979), de Cacá Diegues
Sinopse: A Caravana Rolidei vai de um lado a outro
percorrendo o Brasil. À sua frente, está o Lorde Cigano. Salomé, por sua vez, é
uma sexy dançarina que chama a atenção de todos. Em uma parada, eis que um jovem
acordeonista se apaixona pela dama e implora para seguir com a Caravana. Apesar
da beleza lúdica dos artistas muito talentosos da Caravana, a chegada da
televisão os ameaça e eles resolvem adentrar os confins da Amazônia. O Brasil
se moderniza, e os artistas procuram a civilização que ainda se encante com seu
agonizante espetéculo.
04. Nois Não Usa Bleque Tais (Adoniram Barbosa), Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon
Hirsman
Sinopse: 1980. Cidade de São Paulo. Apaixonados, um
jovem operário, Tião, e sua namorada, Maria, descobrem que ela está grávida e
decidem se casar e formar uma família. Paralelamente, um movimento grevista
para a empresa onde Tião trabalha. Tião, preocupado com o emprego e o futuro de
sua família, fura a greve. A consequência, é o conflito com o pai, Otávio,
líder sindical que já luta contra os reflexos da Ditadura Militar há anos.
05. Preciso Me Encontrar (Cartola), Central do Brasil (1998), de Walter Salles
Sinopse: Dora
é uma professora aposentada que escreve cartas para analfabetos e envia algumas
delas para fazer um dinheiro extra. Todavia, sua vida mudará completamente
quando Ana e Josué pedem para que envie uma carta ao pai do menino, pois Ana
morre e Dora se sente responsável por ajudar Josué a encontrar o pai. Para
isso, ela e o garoto atravessam centenas de obstáculos rumo ao nordeste, e o
maior deles são as próprias frustrações e medos de cada um a cerca do passado,
presente e futuro.
06. Bicho de Sete Cabeças (Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Zeca
Baleiro), Bicho de Sete Cabeças (2000),
de Laís Bodanzky
Sinopse: Neto é trancafiado pelos pais em um hospital
psiquiátrico. O motivo? Cometer pequenas rebeldias tão normais pelos jovens,
como pichar muros da cidade, usar brinco e fumar maconha. O que os pais de Neto
não percebem é que o problema está na relação confusa e distante de pai e
filho, e, onde não há nada, fazem “um bicho de sete cabeças”. Neto, uma vez no
hospital, conhecerá emoções e horrores, experimentará uma realidade desumana,
inimagináveis anteriormente.
07. Imunização Nacional (Que Beleza) (Tim Maia), Durval Discos (2002), de Anna Muylaert
Sinopse: A era do disco fivou no passado, a nova moda
é o CD. Entretanto, Durval e sua mãe idosa, Carmita, insistem em permanecer com
sua loja de discos de vinil que fica em uma pequena peça na casa onde moram.
Durval contrata uma empregada para ajudar Carmita nos afazeres da casa. Célia
traz consigo Kiki, sua pequena filha. Dias depois de chegarem, a empregada vai
embora e deixa a menina para trás. Durval e Carmita decidem cuidar da criança,
mas descobrem segredos das duas que os deixam apreesivos. Dessa apreenção,
surgem, também, segredos de mãe e filho e coisas estranhas começam a acontecer.
08. Convite ara a Vida (Antônio Pinto, Ed Cortez e Seu Jorge), Cidade de Deus (2002), de Fernando
Meirelles
Sinopse: O jovem Buscapé é um rapaz sonhador que
vive na favela Cidade de Deus e acaba realizando seu desejo de ser um
fotógrafo. Mas antes disso, Buscapé vive toda a intensidade da favela onde mora
observando tudo o que acontece a sua volta. O garoto relembra sua infância,
onde era o irmão mais novo de um dos maiores marginais do local. Revela a
história de Dadinho (ou Zé Pequeno) e toda a ascensão do tráfico na favela.
Nesse contexto, Buscapé revive os passos que o levaram ao destino de se tornar
um fotógrafo e mostra como a vida podia ser dura para os favelados entre as
décadas de 1960 e 1980 na tão temida Cidade de Deus.
09. Você não me ensinou a te Esquecer (Caetano Veloso), Lisbela e o Prisioneiro (2003), de Guel
Arraes
Sinopse: Lisbela é uma jovem sonhadora que adora ver
filmes americanos e divaga com os heróis do cinema e suas histórias
maravilhosas. Ela está noiva e tem um pai repressor que cuida todos os seus
passos. Na pequena cidade onde Lisbela vive, chega o malandro, aventureiro e
sonhador Leléu, por quem ela se apaixona. Com grande influência de personagens
do sertão nordestino, os dois tentam viver sua paixão ultrapassando obstáculos
familiares, sociais e pessoais. Adaptação da peça de teatro homônima de Osman
Lins.
10. Faroeste Caboclo (Legião Urbana), Faroeste Caboclo (2013), de René Sampaio
Sinopse: São João de
Santo Cristo, quando criança, viveu no meio de bandidos e teve a infância
reduzida a momentos de violência, muita sexualidade e inveja. Depois de
crescer, “Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda, só pra sentir no sangue o ódio
que Jesus lhe deu”. Assim, foi para a capital brasileira tentar a vida. Mas João
era negro, pobre e não tinha nenhum contato político, e experimentou de todo o inferno
que Brasilia pode representar àqueles que não estão preparados para o calor
muito particular do Planalto Central. Adaptação da famosa canção do grupo
Legião Urbana