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domingo, 2 de março de 2014

008. (ESPECIAL OSCAR 2014) GRAVIDADE, de Alfonso Cuarón

Uma obra prima.
Nota: 9,8


Título Original: Gravity
Direção: Alfonso Cuarón
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed harris, Orto Ignatiussen, Phaldut Sharma, Amy Warren, Basher Savage e Janes Ahern
Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman, Christopher DeFaria, Stephen Jones, Nikki Penny e Gabriela Rodriguez
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón e George Clooney
Ano: 2013
Duração: 91 min.
Gênero: Drama / Ficção / Ação


Ryan Stone é uma engenheira que foi chamada para trabalhar um tempo no espaço. Ao lado do experiente astronauta Matt Kowalski, ela deixa o interior seguro de uma nave espacial para realizar um conserto. Enquanto Stone finaliza o trabalho, Kowalski é alertado quanto a destroços de um aparelho destruído por russos. Sem conseguir chegar até a nave, Stone e Kowalski são atingidos pelos destroços e ficam afastados da nave. Agora, a dupla está à deriva, com pouco oxigênio, chances remotas de conseguir ajuda, e chances menores ainda de permanecerem vivos.


“A 600km acima do planeta Terra a temperatura oscila entre 120º e -100º Celsius. Não há nenhuma transmissão de som, nenhum oxigênio, e nenhuma pressão atmosférica. Vida aqui é impossível.” São essas palavras que fizeram parte de qualquer comercial de “Gravidade”. São elas, ainda, as primeiras palavras apresentadas ao espectador. Com isso, esperamos um filme longo, demorado e chato, pois imaginamos que tipo de longa pode ser realizado tendo como ambiente um local sem som, sem oxigênio, sem pressão atmosférica, sem vida. Antes de assistir a esse longa, inúmeras pessoas perguntavam se eu já havia ouvido falar sobre ele. Minha resposta sempre foi: sim, mas ainda não tive coragem suficiente para assisti-lo.  Certa noite, resolvi encarar o longa como uma forma de relaxar. Qual foi minha surpresa quando comecei a assistir ao filme e em momento algum visualizei cenas enfadonhas. Desmitificando tudo o que dezenas de pessoas falam acerca do filme, afirmo que o longa é excitante e curioso do começo ao fim. Não que cenas de ação sejam necessárias, até acho que algumas delas poderiam ter sido mais monótonas, mas o roteiro e as interpretações são tão intensas que nos levam diretamente para o que os personagens estão vivendo (ainda mais se o filme for assistido em 3D) e passamos o longa desesperados.


Alfonso Cuarón é conhecido por três grandes trabalhos: “E Sua Mãe Também” (2001), “Harry Potter e o Prisioneira de Azkaban” (2004) e “Filhos da Esperança” (2006). Com “Gravidade”, o diretor entra para o grupo dos grande nomes indicados ao Sindicato dos Diretores e ao Oscar, a maior premiação do cinema. E não há uma alma que diga que Cuarón não merece tais indicações e, ainda, ser o vencedor desses prêmios. Inclusive, Cuarón e Mark Sanger, editores do longa, criaram novas tecnologias para realizar as filmagens, uma delas, por exemplo, faz a câmera rodar, acompanhando os movimentos dos personagens que estão girando pelo espaço. O filme possui algumas singularidades que devem ser mencionadas. Não posso deixar de citar, e o faço logo no começo, o fato de os russos causarem tantos estragos por detonarem um aparelho no espaço, o que torna o filme ainda mais americano, apesar de o diretor ser mexicano e o produtor David Heyman ser inglês. Ainda cito algumas cenas que esperava encontrar e não encontrei: muitas pessoas observaram que o filme tinha momentos de extremo silêncio, mas eles não existem. Acredito que algumas cenas poderiam ser completamente mudas, sem alterar sua grandiosidade ou seu impacto (provavelmente elas não existam pois podriam quebrar o clímax eterno do longa. A escolha de existirem poucos personagens é muito arriscada, mas é um dos grandes pontos do longa.


O roteiro de Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, filho do diretor, e George Clooney, que despensa apresentações, é rico e não deixa o espectador se perder ou de distrair com outra coisa. É interessante a forma como toda a trama se desenvolve em um possível tempo real, ou seja, a história, provavelmente, ocorre no mesmo tempo do filme, em uma hora e meia. Os diálogos dos personagens e a forma como é feita a construção de Stone (uma mulher inexperiente no espaço e, por isso, temerosa) e Kovalski (um homem com experiência em problemas no espaço e, por isso, mas tranquilo) é maravilhosa e nos cativamos por ambos desde o início do longa. A trilha sonora do filme é do iniciante compositor Steven Price (e estará a disposição aqui no blog durante mais uma semana). Apesar de ter apenas dois filmes em seu currículo como compositor, o inglês trabalhou como programador musical em “A Liga Extraordinária” (2003)  e em “Resgate Sem Limites” (2003) e editor musical em “O Senhor dos Aneis: As Duas Torres” (2002), “O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei” (2003), “Batman Begins” (2005), “Criatura Perfeita” (2006), “A Última Legião” (2007) e “Terra” (2007). “Gravidade” portanto, é seu primeiro grande trabalho na composição. Price, nesse contexto, excede expectativas, pois a trilha do longa, como já citei, se torna essencial devido ao número reduzido de personagens e ao fsto de tudo ocorrer no espaço, onde não há possibilidade de propagação sonora. Músicas dramáticas que protagonizam as cenas melancólicas de Bullock se misturam às músicas agitadas que permeiam as cenas em que Stone é atingida pelos destroços do aparelho russo. A música da cena final do longa é uma das mais belas do ano e, sem dúvida, uma das que mais causa emoção dos últimos anos.


Em termos de atuação, temos apenas duas: Sandra Bullock, como Stone, e George Clooney, como Kowalski. Assim como muitos outros críticos, até hoje não engoli o Oscar de Bullock em 2009 por “Um Sonho Possível” (2008), o filme é chato e a personagem da atriz é cômica demais, exigindo pouco dela. Dali por diante confesso ter pegado um implicância por Bullock, que parecia artificial demais em cada um de seus filmes. Entretanto, “Gravidade” quebrou qualquer problema do passado existente em relação a ela. Finalmente incumbiram à atriz uma personagem realmente dramática, e mais, uma personagem que carrega o filme nas costas. Enquanto Stone está no espaço – o que ocorre na maior parte do filme – Bullock está coberta por aquela roupa típica de astronautas, por isso, o único artifício que pode ser usado são suas feições. O desespero de uma mulher à beira da morte que não sabe como agir, o medo de uma leiga ao ligar uma nave espacial, a culpa de uma profissional ao ver seu colega e sacrificar por ela, a angústia de uma mãe ao contar sobre a morte prematura da filha e o alívio de um ser humano ao constatar que ainda existe possibilidade de vida são intensos e poucas vezes atingiram um grau tão alto em uma interpretação quanto Sandra Bullock atingiu aqui. Não estamos acostumados a ver George Clooney ser pouco considerado em premiações, não sei se foi o teor subjetivo do longa, mas sua interpretação me comoveu e me conquistou como poucas conseguem fazer. O Kowalski criado pelo ator é um homem vivo, disciplinado, calmo e extremamente espirituoso. É um ser humano como outro qualquer, as feições de Clooney e a voz do ator são essenciais para que o longa seja tão absurdamente pavoroso e acho uma lástima o ator ter sido esnobado por inúmeras premiações.


“Gravidade” é uma das grandes promessas para o Oscar esse ano. Ao todo, são 10 indicações à premiação. A mais importante, sem dúvidas é como melhor filme. Tendo em vista a indicação a melhor direção, é um dos cinco favoritos e concorre penas com “12 Anos de Escravidão”, com quem dividiu o prêmio do Sindicato dos Produtores e grande favorito do ano. Melhor direção para Alfonso Cuarón, que concorre com Martin Scorsese (sempre um favorito), por “O Lobo de Wall Street” e com Steve McQueen, por “12 Anos de Escravidão”, lembrando que David O. Russell pode ser a grande surpresa com seu “Trapaça”, Cuarón é o favorito do ano, tendo vencido 26 prêmios ao longo da temporada (incluindo do Sindicato de Diretores) e, provavelmente, deverá vencer o prêmio. Melhor atriz, para Sandra Bullock, apesar de ser a melhor interpretação da carreira da atriz, a disputa está entre Cate Blanchett e Amy Adams, mas que a vitória de Bullock seria uma surpresa muito agradável, isso seria. Melhor fotografia, tendo em vista a qualidade e o fato de o filme ter vencido vários outros prêmios na categoria, provavelmente a vitória é dele. Melhor edição, a exclusão de “O Lobo de Wall Street” e a qualidade técnica de “Gravidade” praticamente garantem a vitória do longa, que acaba tendo como ameaça “Trapaça”, vencedor do prêmio do Sindicato dos Editores. Melhor trilha sonora, para Steve Price, apesar dos concorrentes de peso (John Williams e Alexander Desplat) é, sem dúvida, a trilha mais marcante do ano, devendo levar o prêmio. Melhores efeitos visuais, talvez seja o grade prêmio do longa, devido às pesquisas, ao melhoramentos e aos avanços que o filme traz ao cinema. Melhor edição de som, outra categoria em que o longa arranca como favorito, é impossível não se impressionar com a beleza sonora e visual do filme, “Capitão Phillips” pode ser o azarão na categoria. Melhor mixagem de som, com “Capitão Phillips” em seu encalço novamente, é uma categoria um pouco incerta, mas “Gravidade” ainda é o favorito”. Melhor direção de arte, outro ponto forte do longa, sua única ameaça é “O Grande Gatsby”, filme com direção de arte impecável.



É inegável que o conjunto técnico de “Gravidade” torna esse filme um dos melhores do ano, senão o melhor. Poucos longas possuem tal qualidade sonora (incluindo mixagem, edição de som e trilha sonora), visual (incluindo figurino, fotografia, edição), de direção e de roteiro, entretanto, são as interpretações de Bullock e Clooney que seguram o longa de forma inexplicável. São os sentimentos expressos pela voz do ator que dão o tom experançoso e forte vindos da segurança e experiência de um astronauta vivido. São os sentimentos de desepsero e alívio que vemos nos olhos e no corpo de Bullock que humanizam o longa e o tornam ainda mais comovente e belo. O espaço, por sua vez, é um vilão real que não tem pena de nossos personagens e não pretende se redimir. Sem as grandes interpretações de Bullock e Clooney o longa não seria nada. Dessa vez, se Sandra Bullock vencesse o Oscar, jamais me ouviriam contestar, pois dessa vez, sem sombra de dúvidas, seria mais que merecido. Mas também não podemos deixar o trabalho de Cuarón de lado. Se não fosse sua maestria, todos os sentimentos de Bullock jamais teriam sido capturados. E mais: foi Cuarón quem criou a história desse filme, foi ele quem planejou cada segundo, foi Cuarón quem idealizou e materializou toda essa obra da sétima arte. E se Cuarón não o tivesse feito com tanta originalidade, qualidade e perfeição, ninguém mais o faria.

TOP 10 FILMES INDICADOS AO OSCAR
Essa é a minha lista dos filmes que eu considero os 10 melhores do ano (dentre aqueles que foram indicados ao Oscar em qualquer categoria):
10. Nebraska
09. Inside Llewyn Davis
08. Capitão Phillips
07. Alabama Monroe
06. A Grande Beleza
05. Frozen: Uma Aventura Congelante
04. Ela
03. O Lobo de Wall Street
02. A Caça
01. Gravidade

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sábado, 1 de março de 2014

015. (ESPECIAL OSCAR 2014) O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG, de Peter Jackson

Jackson está cada vez mais perto do fim, e cada vez mais perto da perfeição
Nota: 9,0


Título Original: The Hobbit: The Desolation of Smaug
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambleton, Jed Brophy, Mark Hadlow, Sam Brown, Orlando Bloom, Evangline Lilly, Cate Blanchett, Bnedict Cumberbatch, Mikael Persbrandt, Sylvester McCoy, Luke Evans, Stephen Fry, Ryan Cage, John Bell, Lee Pace
Produção:
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guilhermo Del Toro e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2013
Duração: 161 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

Bilbo Bolseiro, Gandalf o Cinzento e os 13 anões que saíram do contado já estão em sua aventura há cerca de 12 meses. Eles já passaram por gigantes de pedra, por orcs que desejam a cabeça de Thórin e trolls amedrontadores. Também já se encontraram com os elfos Galadriel e Elrond, em Valfenda e Bilbo já está em pose do Um Anel, o qual “roubou” de Gollum. Agora, o grupo deve continuar sua jornada para a Montanha Solitária, onde o Dragão Smaug se encontra, e eles nunca estivem tão próximos. Mas, para chegar ao seu destino, precisarão enfrentar outros obstáculos: a Floresta das Trevas, moradia de dezenas de aranhas gigantes, a ganância dos Rei dos Elfos, Thranduil, a loucura do Mestre de Laketown, e, claro, mais e mais bandos de orcs que, agora, estão cumprindo ordens de uma força muito mais maligna do que os pequenos imaginam.


É sempre importante lembrar que Peter Jackson, quando decidiu voltar à Terra Média e adaptar “O Hobbit”, também escrito pelo mestre J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Aneis”, resolveu continuar vivendo seu sonho e optou por realizar uma trilogia. Sim, uma trilogia, com três filmes de duas horas e meia, adaptando cerca de 300 páginas. Claro que faltou história para tanto tempo. E Jackson usou sua criatividade para driblar esse problema. Antes de proseguir, é preciso lembrar que Gandalf e sua turma estão nessa aventura com o propósito de os anões tomarem sua montanha de volta de Smaug. Há anos, o monstro, sabendo que a montanha dos anões estava cheia de ouro e pedras preciosas, tomou o local, expulsando os que ali viviam, ou pior: quimando-os. Agora, Thórin Escudo de Carvalho, filho de Thráin II, neto de Thrór, membro do povo de Dúrin e herdeiro da Montanha Solitária quer recuperar o que é seu de direito, mesmo que isso custe muito tempo e algumas vidas. Convencido por Gandalf, o Cinzento, Bilbo Bolseiro aceita participar dessa aventura, e deixa o pacato Condado onde vive para trilhar o caminho ao lado dos anões. São essa figuras, um mago, um hobbit e 12 anões, que compõe a Companhia dos Anões, muito menos glamorosa que a Sociedade do Anel do primeiro filme da trilogia “O Senhor dos Aneis”, mas igualmente decidida e forte. E foi, ainda, Gandalf quem convenceu, em um prólogo mostrado nesse filme, Thorin de ir até a Montanha Solitária e recuperar a Pedra Arken, o maior símbolo do povo de Dúrin, para que ele recupere seus direitos e se torne rei. Para compreender melhor, basta dizer que a pedra foi encontrada pelos anões enquanto cavavam a Montanha, possui luz própria (que foi intensificada pelos anões) e representa um tesouro de valor inestimável para os senhores das montanhas. Também é importante dizer, que pouco antes de entrarem na Montanha Solitária, Thorin promete ao povo de Laketown, que também sofreu com o ataque do Dragão, que, caso ele conseguisse recuperar seu ouro, eles seriam agraciados com uma parte significativa para que a cidade pudesse voltar a ser um ponto comercial. Os anões e Bilbo, entram na Montanha e, com isso, Smaug acorda, e promete fogo, muito fogo. Também é bom lembrar que, nesse contexto, Gandalf está muito longe de seus parceiros de viagem, foi ao encontro das ruínas de Dol Guhur, onde acaba sendo aprisionado após um confronto com o Necromante – na verdade, Sauron, a tal força malígna que está pronta para se re-erger das sombras. O mesmo Sauron que convenceu os anões, os elfos e os homens a aceitarem os grandes aneias, o mesmo Sauron que enganou a todos e ,no fogo da Montanha da Perdiçao, “forjou em segredo um anel mestre para controlar todos os outros, e neste anel colocou toda a sua crueldade, sua maldade e sua vontade de governar todas as formas de vida [...]Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los.” [Galadriel].


Todavia, o mais incrível de toda essa história é que, diferente do primeiro filme, funciona muito bem. A primeira ora se divide entre momentos monótonos e momentos de tensão pura. Personagens, como Legolas, e cenas que não aparecem no livro, não importam tanto já que o conjunto é bem mais interessante que o primeiro longa. Apesar da construção de Thórin torná-lo cada vez mais fraco, a força e beleza do personagem de Bilbo Bolseiro é algo que merece destaque. E mais: as lutas internas dos personagens devem ser lembradas. Bilbo luta contra sua vontade de usar o Um Anel, e Thórin luta com a ganância tão natural de seu povo. A primeira aparição dos elfos nesse filme (uma parte deles já havia se apresentado no longa anterior) é ótima e podemos ver como alguns seres da Terra Média não estavam preocupados com outros, apenas desejavam o poder e o bem de seu povo. Os orcs estão caminhando, cada vez mais, para o futuro cruel e enojador que conferimos na trilogia de “O Senhor dos Aneis”. E Samug é fantástico! Se a cena do encontro com Bilbo e Gollum/Smeagall foi uma das melhores do ano passado, o mesmo podemos dizer da cena em que, mais uma vez, um Bilbo que teve pouco destaque nesse filme rouba todas as atenções e, finalmente, encontra (e acorda) o adormecido Dragão Smaug. Os dois conversam (muitos já afirmam que foi pura enrolação), discutem (mais enrolação ainda), Bilbo encontra a Pedra de Arken, mas não consegue pegá-la (momento de êxtase) e, finalmente, Smaug, com toda a sua fúria, o Dragão tenta queimar Bilbo (o que alguns acharam cedo demais). Para mim, a cena foi perfeita, e melhorou muito mais com a chegada dos anões e a luta dos mesmos com a fera.


Claro que alguns erros foram cometidos pelo diretor. E que nos os cometeria na emoção de estar deixando, por fim, a Terra Média após concluir essa trilogia? A cena dos barris é ridícula, e sentimos que os personagens estão mais em algum brinquedo de parque de diversões ou em um joguinho bobo para crianças que fugindo de orcs – sem falar na estupidez que foi ter colocar Legolas pulando de cabeça em cabeça para matar alguns monstros, tudo bem, ele é um elfo e os elfos são incríveis em tudo o que fazem, mas fazer com que o personagem estivesse em uma fase bônus de algum vídeo game foi gozação. Gozação com Legolas, com Orlando Bloom e com o espectador. Ver Tauriel curando Killy é repetitivo demais se lembrarmos da cena em que Arwen salva Frodo em “O Senhor dos Aneis”, até as personagens (elfos) são parecidas. Aliás, Tauriel, sem dúvida, é muito bem vinda, mas o romance entre ela, Legolas e Killy, também vai além da ficção, além da adaptação. Porém, devemos nos ater aos efeitos que o longa traz. À criação de uma Terra Média, mais uma vez, impecável, descrita pelo diretor como aquele lugar instável, repleto de mistérios e belezas. Aquele mundo paralelo que esconde segredos entre as calmas vilas e os agitados palácios. Uma terra explorada por Tolkien, Jackson e cada fã dessa história incrível. A trilha sonora de Howard Shore nos remete ao trabalho feito para a trilogia anterior, não que tenha algum tema parecido, a semelhança é em como ela é original, bem feita e conduzida. Apesar de acreditar que o longa merecesse mais indicações ao Oscar, levou apenas três. A primeira vai para Brent Burge, editor de efeitos sonoros na trilogia “O Senhor dos Aneis” e concorrendo com “Capitão Phillips” e “Gravidade” como melhor edição de som. A segunda, vai para um quarteto de especialistas em som que, juntos, somam cerca de 350 títulos ao longo de suas carreiras e que concorrem, mais uma vez, com “Capitão Phillips” e “Gravidade” pela estatueta de melhor mixagem de som. Por último, o quarteto liderado por Joe Letteri, vencedor de 4 Oscars, incluindo um pela carreira, é indicado por melhores efeitos visuais, prêmio que, provavelmente, irá para “Gravidade”. Claro que o filme poderia ter sido indicado em outras categorias, como melhor maquiagem e cabelo, direção de arte, trilha sonora e pela canção “I See Fire” totalmente encaixada no contexto da trama.


O maior problema, no entanto é podermos assistir a esse filme mesmo depois de ter falado tanto sobre sua história. Em meio a tanta beleza estética e sonora, Peter Jackson pesa a mão e traz um filme sem muitas novidades. Contar tudo o que acontece durante o longa não fará diferença, e não que o que interessa seja o desenrolar da trama como em alguns grandes filmes do cinema, o que interessa mesmo são os efeitos visuais e sonoros, a história é mais uma passagem entre a revelação da situação vista no primeiro filme e os acontecimentos que veremos no próximo longa. Conferir o desfecho dessa história deixa o espectador louco pelo próximo longa, e esse é o maior acerto de Jackson. Ouvir as últimas palavras de Smaug (dublado por Benedict Cumberbatch em uma interpretação fantástica), proferidas enquanto ele voa da Montanha Solitária direto para a aldeia de Laketown, faz nossos olhos se arregalarem, nossas mãos suarem e nossos lábios sorrirem, pois sabemos, que no próximo longa, a coisa vai esquentar ainda mais e, quem sabe, tenhamos o filme que tanto esperamos. Desta vez, ao que tudo indica, “Gravidade” será o grande vencedor da noite no Oscar, o que deixa “O Hobbit” fora do páreo. Quem sabe, Peter Jasckson acerte novamente, como fez três vezes seguidas com “O Senhor dos Aneis” e, no ano que vem, “O Hobbit” seja um vencedor em todos os sentidos. Afinal, ainda não foi dessa vez.

PRÊMIOS EDDIE (SINDICATO DOS EDITORES)
Melhor Edição em Drama: Chris Rouse, por Capitão Phillips
Melhor Edição em Comédia ou Musical: Jay Cassidy, Crispin Struthers e Alan Baumgarten, por Trapaça
Melhor Edição em Animação: Jeff Draheim, por Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Edição em Documentário: Douglas Blush, Kevin Klauber e Jason Zeldes, por A Um Passo do Estrelato
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

150. (ESPECIAL OSCAR 2013) O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA, de Peter Jackson

Poderia ser melhor, mas não chega a decepcionar, afinal, voltar à Terra Média é sempre uma boa idéia.
Nota: 9,7


Título Original: The Hobbit – An Unexpected Journey
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William  Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambledon, Jed Brophy, Mark Hadlow, Adam Brown, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Christopher Lee, Elijah Wood, Iam Holm, Sylvester McCoy, Jafrey Thomas, Andy Serkis
Produção: Carolynne Cunningham, Peter Jackson, Fran Walsh, Zane Weiner
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro e J. R. R Tolkien (romance)
Ano: 2012
Duração: 169 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

O jovem hobbit Bilbo Bolseiro vive em paz em sua casinha no Contado – uma espécie de vila onde vemos apenas “hobbitesses” felizes, muito verde e muita paz. Sem mais nem menos, eis que o pequeno recebe a visita do querido Mago Gandalf, o Cinzento, sem muito dizer o Mago vai embora e deixa Bilbo confuso sem saber o que fazer. De repente, ao cair da noite, sem convite algum – o que só pode ser uma afronta – anões começam a entrar na casa de Bilbo; ao todo eles são treze – mais Gandalf – eles comem da comida de Bilbo, bebem de sua bebida, usam sua louça e o convidam – melhor, intimam – para uma viajem que tomará de volta todo o ouro, glória e reino dos anões, o único problema é que essa tarefa exige a eliminação de um pequeno ser voador e cuspidor de fogo, um Dragão. Apesar de excitar um pouco, é claro que o pequeno Hobbit aceita e se verá em uma jornada totalmente inesperada, e hilária.


A intenção do mestre Tolkien ao escrever o livro “O Hobbit” era apresentar aos fãs a verdadeira personalidade dos pequenos, a obra foi lançada em 1937 e logo foi aclamada por público e crítica, recebendo prêmios e tornando-se um clássico da literatura infantil – a linguagem utilizada é simples, contrariando o que vemos na trilogia “O Senhor dos Anéis”, fugindo daquele estilo característico em que tudo é tão bem caracterizado que quase nos perdemos na história. A adaptação, entretanto, não é tão infantil ou amena. Bilbo é, primeiramente, mostrado como um Hobbit sem muita emoção ou vontade de viver aventuras – exatamente como sempre imaginamos que eles fossem, pois reparamos a sua vida tranqüila e em paz -; posteriormente, ao aceitar a proposta de entrar na aventura com os anões e Gandalf, o pequeno se torna alguém destemido, forte e, até, audacioso, representando como os Hobbits podem ser inesperados. Para compreender melhor a história, entretanto, é bom já ir preparado para o cinema sabendo que o que move os anões a ir até o Dragão Smaug e tentar reivindicar o tesouro que ele guarda é o fato de todo esse ouro ter pertencido aos próprios anões, sendo que o líder do grupo é liderado por Thorin, filho de Thráin, neto de Thrór e herdeiro do trono de Durin, o local invadido pelo Dragão – a fera roubou tudo o que pertencia aos anões, afinal, esses animais são conhecidos pela fúria e pela luxúria pelo ouro. Quando Thorin ouve rumores de que Smaug está morto, ele chama os outros anões para atacar o animal e tomar tudo o que é seu de volta. Quando foi dito que Peter Jackson dirigiria a adaptação, logo me animei e esperei durante os últimos anos como se estivesse esperando por um momento épico do cinema. Apesar de o filme não ser tal evento e se reter em momentos inúteis e que enrolam de forma inacreditável, conferimos a mesma técnica perfeita de Jackson que vimos na trilogia “O Senhor dos Anéis” – senão melhor – e o filme não é nada chato como algumas pessoas vêm dizendo. Devo confessar que existem momentos em que a monotonia permanece tão constante que até pude ir ao banheiro durante a sessão no cinema – compreensível, afinal, o livro tem poucas páginas para ser adaptado para três filmes (essa tal idéia de serem feitos três filmes é que é inaceitável) –, mas é nesse momento que vemos a paixão de Jackson, pois parece que ele não quer mais se desgarrar da Idade Média, e acaba se perdendo em uma ou outra cena absolutamente desnecessária.
Para falar sobre cada atuação é essencial lembrar alguns anões, além de algumas outras personagens cruciais para a história. Sendo assim, são necessárias algumas divisões no elenco:
Os Hobbits: Bilbo Bolseiro é interpretado por Martin Freeman (vale lembrar a participação ótima de Iam Holm na primeira cena da personagem). Freeman nos trás a perfeição do que imaginamos ser o povo britânico: conservador, organizado e que odeia surpresas – no caso, visitas sem avisar. Além disso, ele consegue incorporar de forma tão incrível a personagem que parece que estamos, realmente, diante daquele Bilbo que lemos no livro. Além dele, Elijah Wood volta como o sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro, apesar de aparecer pouco, o ator volta na personagem como aquele Frodo que vimos no início da série, pouco maduro e muito feliz.


Os Magos: Gandalf, o Cinzento, volta a ser interpretado pelo majestoso Ian McKellen, que nos proporciona os momentos mais inteligentes e engraçados da trama. Bem como foi feito na Trilogia, é tarefa dele liderar de forma racional essa trupe atrapalhada, além da personagem cumprir com seu papel, McKellen cumpre com o seu ao nos trazer ora o Gandalf sério, ora o Gandalf divertido. Além dele, Christopher Lee também encara novamente Saruman, o Branco, outra grande atuação que merece destaque por nos trazer uma ponta do que Saruman faria sessenta anos depois (sim, ele já estava mancomunado com forças do mal que acabariam com a Terra Média durante a aventura de Frodo). Radagast, o Marrom (um mago bem natural que é citado apenas uma vez nos livros) é encarado por Sylvester McCory, em uma das atuações mais vivas e bem vindas do filme.


Os Elfos: Novamente temos Hugo Weaving como o Senhor de Valfenda, Elrond, um dos Elfos mais importantes de toda a história, além de uma das personagens mais poderosas da obra; Weaving está mais sereno e bem menos preocupado com o mundo, mas ainda sim é sério e mantêm o equilíbrio em qualquer momento. Ao seu lado, está a sempre maravilhosa Cate Blanchett, também de volta a série, como Galadriel, definitivamente a personagem mais serena de todo o universo de Tolkien, mas também poderosa, temida e respeitada, ela já estava na história quando o Um Anel foi criado, e outros anéis foram distribuídos para os seres mais importantes da Terra (ela, inclusive, recebeu um dos três dados aos Elfos). Devo destacar a segunda cena mais perfeita do filme, onde Elrond, Galadriel, Gandalf e Saruman conversam sobre as pretensões dos anões, se existe uma cena que merece respeito pelas atuações no ano de 2012, essa é uma delas.


Os Anões: Para falar sobre esses pequenos, vou apenas destacar alguns deles
Thorin, Escudo de Carvalho (o nome se deve ao escudo que usa há décadas: um pedaço de carvalho) é interpretado por Richard Armitage, já li sobre como o ator não é capaz de se igualar ao que Viggo Mortensen fez ao encarar o enigmático Aragorn na Trilogia, para mim, Armitage realiza um trabalho diferente, conseguindo ser mais natural que Mortensen e se tornando um personagem original e único, além disso, é forte, destemido e bem inteligente para um anão, mas podemos conferir sua audácia por sentir o sangue real correndo por suas veias.


O velho Balin é vivido por Ken Stott, o personagem por si só já é algo único, pois ele é um dos únicos que viveu tudo o que o próprio Thorin viveu, e Stott nos trás um velhinho que ainda tem muito a mostrar e não desistirá tão fácil, até porque, quando um anão entra em uma aventura, ele a tornará épica.


Os inseparáveis Fili e Kili são interpretados, respectivamente, por Dean Gorman e Aidan Turner, apesar de as personagens serem jovens demais (para dois anões) e eles darem alguns foras, através dos atores, fica claro que eles desejam mesmo é estar nessa aventura, custe o que custar, e eles podemos ter certeza de uma coisa sobre a aventura: eles aproveitarão ao máximo.


Ao viver Gloin, Peter Hambleton nos trás mais um anão engraçado e divertido (ele me lembra muito a interpretação de John Rhys-Davies na Trilogia, onde viveu o também anão Gimli). Apesar das semelhanças, Hambleton nos trás mais um personagem original e cheio de novidades.


Graham McTavish vive o anão Dwalin, que merece destaque por ser um personagem que mistura as duas principais características dos anões: o bom humor e o mau humor. Sim, podemos dizer que essas são duas características primordiais para a formação de um anão, mas sempre alguma delas prevalece – a exemplo, Thorin (o mau humor) e Gloin (o bom humor). Dwalin é um intermédio entre eles, um anão sério, mas que não perde a oportunidade de uma piada.


No restante dos anões, temos: Jed Brophy (Nori), Adam Brown (Ori), Mark Hadlow (Dori), 


John Callen (Oin), Stephen Hunter (Bombur), James Nesbitt (Bofur) e William Kircher (Bifur).


O Gollun: Por fim, não se pode deixar de falar do personagem gráfico mais incrível do cinema. Vivido por Andy Serkins em uma atuação cheia de detalhes, ele continua sendo um dos personagens mais incríveis que já li, e aqui, ele se torna mais digno de pena que nunca. E é ele que protagoniza, ao lado de Bilbo, a melhor cena desse filme (e uma das melhores cenas do ano) onde os dois jogam a vida do Hobbit em uma brincadeira de adivinhações. O mais incrível é lembrar que Gollun já foi Smeagol, um Hobbit.


Não há como assistir a esse filme e não se impressionar com a caracterização das personagens, pois tanto a maquiagem quanto a edição que transforma alguns seres mágicos em reais, são perfeitas. Nesse contexto, podemos criticar o que for aqui (principalmente o roteiro, que é o que dá ao filme seu maior problema: cenas desnecessárias), mas criticar a parte técnica da produção ou as atuações de uma forma geral, é algo imprudente e, caso seja feito, não se deve atribuir muitos créditos. Mais um trunfo utilizado por Jackson para atrair os fãs da Trilogia do Anel é fazer algumas referências aos três filmes lançados há quase 10 anos. Ainda sim, o principal trunfo de toda a história é mostrar um pouco mais das tradições dos Hobbits (os quais conhecemos muito pouco nas outras produções), dos anões, dos Elfos e alguma coisa relacionada aos magos (sobre os quais não sabíamos nada). Como disse, se um anão já pode fazer um estrago ao encarar qualquer aventura, imaginem 13 anões em busca de um tesouro guardado por um Dragão. Entretanto, apesar do excesso de anões e da presença de três magos, sentimos falta de mais elfos, e, sem dúvida, apesar da excelente atuação de Martin Freeman (que coloca Bilbo em um posto que sempre desejamos ver), em uma história intitulada “O Hobbit” falta-nos “hobbitesses”. Por fim, vale a pena conferir por um simples fato: é sempre bom voltar a Terra Média, e se tem alguém nesse mundo que é capaz de tornar esse universo palpável, esse alguém é Peter Jackson.

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domingo, 25 de março de 2012

351. O SENHOR DOS ANEIS: O RETORNO DO REI, de Peter Jackson

A união de Jackson e Tolkien foi perfeita nos dois primeiros filmes da Trilogia, aqui ela atinge um nível superior a perfeição, “O Retorno do Rei” é divino.
Nota: 9,8



Título Original: The Lord Of Rings: The Return of The King
Direção: Peter Jackson
Elenco: Ian McKellen, Elijah Wood, Sean Astin, Andy Serkis, Viggo Mortensen, Dominic Monaghan, Billy Boyd, John Rhys-Davies, Orlando Bloom, Bernard Hill, Miranda Otto, John Noble, David Wenham, Karl Urban, Liy Tyler
Produção: Peter Jackson, Barrie M. Osborne e Fran Walsh
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyes, Peter Jackson e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2003
Duração: 201 min. / 251 min. / 263 min.
Gênero: Fantasia / Drama

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

             Frodo, Sam e Gollum estão a caminho de Mordor; Gandalf e Pippin protegem Minas Tirith do regente; os últimos elfos da terra buscam a eterna imortalidade; Rohan recebe o chamado do branco para a batalha e se prepara; Aragorn busca ajuda dos mortos; Mordor se prepara para a guerra; e o mundo está, mais do que nunca, dividido entre o bem e o mal. Resumir toda a história em apenas um parágrafo seria impossível, e é bem mais excitante não saber nada além desses detalhes mínimos. Portanto me reservo ao direito de não falar mais acerca do enredo para não expor o destino das personagens que aprendemos a adorar com os primeiros dois filmes da Trilogia.
             Já elogiei tanto Peter Jackson e acredito que não conheça mais nenhum adjetivo para expressar sua genialidade na adaptação da Trilogia O Senhor Dos Anéis. Esse é o último filme da série, e, apesar de termos visto as guerras no segundo, as batalhas não se tornam enjoativas em nenhum momento, muito pelo contrário, elas são cada vez mais eletrizantes e divertidas. Aqui o que realmente é um pouco chato são as cenas de Frodo, Sam e Gollum, e ainda sim quando elas possuem as tomadas em que a criatura reflete sobre sua existência elas se tornam menos ridículas que nos primeiros filmes. As escolhas do diretor para as locações foram as mais variadas, dentre elas na Nova Zelândia (a maior parte, num todo 100 locações), as quais foram usadas durante mais de cinco anos (entre a gravação e as pré e pós gravações), entre a equipe técnica escolhida (chegam a mais de 2400 pessoas em algumas fases das gravações) ser a melhor possível na época; e os 114 interpretes com fala, escolhidos a dedo por serem apaixonados pela história e a conhecerem muito bem (como já foi apontado pela leitora do blog Madalena Derzi) e mais de 20 mil figurantes; além disso os costureiros, maquiadores, sapateiros, designers, bordadeiros, joalheiros,  escultores, desenhistas que cuidaram de todo o figurino, acessórios, miniaturas, máscaras, dentre outros e especialistas em línguas para as criações de línguas totalmente diferentes das que conhecemos.
             Mais uma vez é impossível deixar de falar sobre a estupenda trilha sonora de Howard Shore (salientando que ao todo mais de nove horas de música foram feitas para toda a Trilogia), o compositor nos proporciona tanto lindas músicas quando aquelas próprias para cenas devastadoras, que não são necessariamente feias, mas fazem seu papel obscuro muito bem; em uma épica cena Gandalf define o a morte ao som da música “Into the West”: “Fim? Não, a jornada não acaba aqui. A morte é apenas um outro caminho, que todos demos que tomar. A cortina cinza desse mundo se enrola e tudo se transforma em vidro prata. E, então você vê. Praias brancas, e o além. Os campos verdes longínquos sobre um belo amanhecer. Não, não é tão ruim.”
             Confesso que até cogitei a possibilidade de continuar no parágrafo a cima para falar sobre os prêmios que o filme conquistou, mas aí sim seria muito. Portanto cá estamos, comecemos pelo mais importante de todos, indicado a onze Oscar venceu todos: filme, direção, roteiro, trilha sonora, canção original (Into the West), direção de arte, figurino, edição, maquiagem, mixagem de som e efeitos visuais; no BAFTA foram doze indicações, mas apenas quatro prêmios: efeitos especiais, fotografia, roteiro e filme; no Globo de Ouro foram quatro indicações e quatro prêmios: filme, direção, trilha sonora e canção original (Into the West); no Grammy levou os óbvios: trilha sonora e canção original (“Into the West); além de diversos prêmios de críticos: Toronto, Chicago, Phoenix, Australia, Dallas, Flórida, Las Vegas, Londres, San Diego, San Francisco entre outros; indicado no prêmio do Sindicato dos Roteiristas (ao lado de “Sobre Meninos e Lobos”) e perdeu para “Anti-Herói Americano”; venceu o sindicato de Atores como melhor elenco e dos diretores como melhor direção; ao todo mais de cem prêmios e mais de setenta indicações.
             Falar sobre os atores seria por demais repetitivo, portanto é suficiente voltar as críticas em uma ou duas semanas e ler o que escrevi sobre eles, mas devo deixar claro o que não deixei (por motivos compreensíveis) que o novo Gandalf de McKellen é totalmente diferente do visto no primeiro filme, agora além de mais poderoso ele parece mais inteligente, confiante, esperto e certo do que se deve fazer na vida.Quando disse que assim que assistisse “A Invenção de Hugo Cabret em 3D diria alguma coisa no blog, aqui vai: o 3D de Scorsese é simplesmente tudo o que se espera de um 3D bem feito, é lindo e supera em todos os sentidos todos os 3D até aqui, nos faz rir e chorar, nos faz sentir felicidade e tristeza e me fez parecer um eterno bobo na sala de cinema, por um simples fato: faz a maior homenagem a criação do cinema que se pode ver. Admito, portanto, que se “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” fosse feito com o 3D de “A Invenção de Hugo Cabret” seria não apenas um dos maiores marcos da história do cinema, seria o melhor filme de todos os tempos. Não que esse desfecho precise disso, vale todos os minutos em frente a tela por ter a coragem de fazer a adaptação de uma das histórias mais amadas de todos os tempos, e essa coragem vem com estilo e precisão inimagináveis, aliás é isso o que Tolkien nos propõe em suas história e Jackson reproduz com sucesso: o inimaginável.
             Dez cenas simplesmente inesquecíveis (vale lembrar que existem mais de 30 cenas deletadas, elas podem ser conferidas em sites como o youtube, é só procurar por “cenas deletadas o senhor dos anéis o retorno do rei”), sei que muitos irão discordar de minhas cenas e de sua ordem, quem lembrar de outras comente aí.

10. Laracna, a aranha gigante 

09. A verdadeira história de Smeagol

08. Legolas e o Olifante (aqui uma espécie de elefante gigantesco)

07. O ataque fantasma à Cidade Branca;

06. A última cena de Frodo, Sam, Gollum e Um Anel

05. Pippin sinalizando o pedido de ajuda a Rohan, e Rohan correspondendo

04. A recriação da Espada Andúril e sua volta para o verdadeiro rei

03. A última batalha em frente aos portões de Mordor

02. Chegada de Gandalf e Pippin em Minas Tirith

01. Gandalf de encontro ao Nazgul para salvar o que restou dos homens de Minas Tirith

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