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sexta-feira, 8 de março de 2013

080. EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA, de Marc Forster


A história da imaginação com uma pitada de indecência.
Nota: 9,3


Título Original: Finding Neverland
Direção: Marc Forster
Elenco: Johnny Depp, Kate Winslet, Julie Christie, Radha Mitchell, Dustin Hoffman, Freddie Highmore, Nick Roud, Luke Spill, Ian Hart, Kelly Macdonald, Mackenzi Crook, Eileen Essell, Jimmy Gardner, Oliver Fox, Angus Barnett, Toby Jones
Produção: Nellie Bellflower, Richard N. Gladstein
Roteiro: David Magee e Allan Knee (peça)
Ano: 2004
Duração: 106 min.
Gênero: Biografia / Drama / Comédia

James Matthew Barrie nasceu em 9 de maio de 1860, nono de dez filhos, desde pequeno, era fascinado pelas histórias de piratas contadas por sua mãe. Após a morte de seu irmão David, a relação de James e sua mãe jamais foi a mesma, o que marcou muito sua infância. Trabalhou como jornalista, depois mudou-se para Londres, onde escrevia trabalhos humorísticos,  em 1888 publicou “Auld Licht Idylls”, começando a fazer sucesso, fundou, ao lado de alguns amigos, um clube de cricket, três anos depois surgiu seu grande sucesso “The Little Minister”, o que o fez começar a escrever apenas peças de teatro. Em 1894, casou-se com a atriz Mary Ansell, e dez anos depois estreou com sua maior obra: “Peter Pan”, que foi escrita baseada em sua experiência com a família Llewelyn Davies. J. M. Barrie morreu em 1937, aos 77 anos, deixando, além de um legado inestimável, uma vida cheia de mistérios acerca de sua controversa personalidade.


No filme, vemos Barrie comemorando o fracasso de uma de suas peças, depois as dúvidas básicas de um escritor ao tentar escrever mais alguma coisa. Em contraponto, temos a estranha relação entre ele e sua esposa, pois nenhum dos dois parecia se importar mais um com o outro como deveriam. Dessa forma, Barrie acaba conhecendo os filhos da viúva Sylvia Llewelyn Davies em uma praça, e inicia, com os quatro meninos e a mãe, uma bela amizade. Dessa amizade, Barrie encontrou forças e inspirações para criar a inesquecível história de Peter, o menino que morava na Terra do Nunca e não crescia, e de Wendy, a jovem por quem o garoto se apaixonava. Apesar de todos os problemas relatados no filme, vemos, por fim, o sucesso de sua peça e os rumos que sua vida tomou após isso tudo.


Ao encontrar os Llewelyn Davies e começar a frequentar a casa da família para encontrar os meninos – Peter, Jack, George e Michael – começaram as desconfianças e críticas advindas da sociedade. Segundo a biógrafa de Barrie, Janet Dunbar, o escritor possuía disfunção erétil, e muitos acreditam que ele era assexuado, o que poderia ser uma explicação para os problemas em seu casamento, no entanto, na época, alguns afirmavam que Barrie, além de manter uma relação mais íntima com a matriarca Sylvia, cometia pedofilia com os garotos, atraindo-os com sua facilidade de esquecer-se do real e penetrar no imaginário de todos. Dessa forma, vemos, ainda no filme, as tentativas racionais de Emma Du Maurier, esposa do escritor George Du Maurier e mãe de Sylvia, de afastar Barrie de sua família. Além disso, somos expostos as tentativas e frustrações do escritor ao tentar realizar mais um bom trabalho para apresentá-lo ao seu produtor, claro que essa particularidade do filme – encontrada em algumas outras produções – faz com que as pessoas que escrevem, sendo escritores de livros ou qualquer outro gênero, se identifiquem, seja pela dificuldade em encontrar uma boa história, ou pela preocupação do que o público achará do que se está escrevendo. Mesmo que Marc Forster tenha dirigido bons filmes, tais como “A Última Ceia” (2001), “Mais Estranho que a Ficção” (2006) e “007 – Quantum of Solace” (2008), nenhum de seus dez filmes pode ser comparado com a qualidade de “Em Busca da Terra do Nunca”, o que faz desse, a sua obra prima. Isso se deva, talvez, por um conjunto de fatores muito importante – elenco, equipe técnica, enredo -, mas também pela forma genial com a qual o diretor apresenta toda a história, levando-nos a mundos desconhecidos e nos convencendo de que “Neverland” realmente existe, se não em algum lugar de nosso planeta, em nossa imaginação, que, de certa forma, nunca deixa de ser infantil. Acrescente a isso, David Magee, que viria a escrever outros dois filme que eu adoro – o vencedor do Oscar “As Aventuras de Pi” (2012) e a comédia independente “A Vida Num só Dia” (2008) -, assina esse roteiro magnífico que, mesmo mostrando a paciência e afeição que Barrie sentia pelos meninos Llewelyn Davies, não deixa escapar as suposições de adultério e pedofilia, contrapondo-as com a beleza da imaginação de Barrie e sua Terra do Nunca. Por fim, antes de falar sobre as atuações estupendas, a trilha sonora vencedora do Oscar é composta por Jan A. P. Kaczmarek, apesar de o compositor ter feito poucos trabalhos notáveis, essa é uma das trilhas que mais gosto compostas na última década, e, para se ter uma idéia de seu grande trabalho, ele concorria com nomes como John Williams, Thomans Newman e James Newton Howard.


Johnny Depp vive Sir James Matthew Barrie, como já disse, um homem muito misterioso, confuso na época em que se passa a história narrada no filme e, acima de tudo, um grande escritor, talvez o que eu mais goste na atuação de Depp é essa maneira simples com a qual ele não deixa transparecer nada sobre o íntimo do personagem – a não ser em momentos como o em que ele conta a Sylvia a rejeição por parte da mãe, que preferia o irmão David -, nos deixando com dúvidas sobre as reais intenções de Barrie acerca de Sylvia e seus filhos, mas não esquecendo de deixar claro o quanto o homem possuía uma forte imaginação e como podia transformar seus sonhos em realidade. Kate Winslet, uma das melhores atrizes de sua geração, que foi se aprimorando de forma inacreditável a cada filme, é Sylvia Llewelyn Davies, uma viúva um pouco desesperada, que não sabe muito o que fazer agora que não tem mais o marido ao seu lado e vê em Barrie um amigo com o qual pode dividir a carga da preocupação com o futuro dos filhos. Julie Christie vive a mãe de Sylvia, Emma Du Maurier, em uma das melhores interpretações do filme, onde faz a vez da parte racional do longa, mas sem deixar o espírito de mãe se perder em meio ao desejo de que as vidas de sua filha e netos sigam em frente. Freddie Highmore é o único ínterprete dos filhos que vale a pena falar, não que as outras atuações seja ruins, pelo contrário, mas sua personagem, Peter, é quem deu origem ao nome do eterno Peter Pan, o que faz do jovem um dos centros da história e o filho mais relevante de Sylvia. Os outros meninos – Jack, George e Michael – são vividos, respectivamente, por Joe Prospero, Nick Roud e Luke Spill, todos, como citei, ótimos, mas com pequenas participações. Outras duas pequenas paticipações que merem algum destaque, são os irreconhecíveis Dustin Hoffman, como Charles Frogman, o produtor de Barrie, e Kelly Macdonald, intérprete de Peter Pan na peça.


Além de a história de “Peter Pan” nos trazer a lição de que devemos aproveitar nossa infância e de que devemos fazer com que nossos filhos e sobrinhos façam o mesmo, temos lições de amizade, companheirismo, amor, compaixão e, acima de tudo, a lição de que jamais devemos desistir de nossos sonhos, jamais devemos nos dar por vencidos e deixar de sonhar ou deixar de acreditar em nossos desejos mais profundos, afinal, bem como “toda a vez que alguma criança diz que não acredita em fadas, uma fada morre em algum lugar do planeta”, toda a vez que resolvemos não acreditar mais em nossos sonhos, em nossa própria mente eles começam a ser apagados, até, assim como as fadas, restar um mísero fio de luz, que sumirá a qualquer instante. E essa é a magia proposta, não apenas pelo cinema, mas pela história de Peter Pan e pela história contada aqui, deixando de lado todas as suposições acerca do protagonista, nos concentremos apenas na beleza que é assistir a um filme que incentive tanto uma das práticas mais belas do ser humano: sonhar, afinal como apontou algum sábio pensador no decorrer de nossa história, sonhar é lindo e não custa nada.


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segunda-feira, 14 de maio de 2012

307. DEUS DA CARNIFICINA, de Roman Polanski

Em um estilo satírico aos filmes amenos de reflexão da vida na Terra, é uma maravilhosa comédia negra.
Nota: 9,0


Título Original: Carnage
Direção: Roman Polanski
Elenco: Kate Winslet, Jodie Foster, Christoph Waltz, John C. Reilly, Elvis Polanski, Eliot Berger
Produção: Saïd Bem Saïd, Javier Méndez, Jaume Roures, Olivier Berben e Martin Mozkowicz
Roteiro: Roman Polanski, Yasmina Reza (peça teatral e roteiro), Michael Katims
Ano: 2012
Duração: 80 min.
Gênero: Comédia

Em uma bela tarde, aparentemente de Outono, Zachary Cowan discute com Ethan Longstreet e bate na face do menino com uma vara quebrando-lhe os dentes e desfigurando seus lábios. Para tentar resolver tal atrocidade, Nancy e Alan Cowan vão até a casa de Penelope e Michael Longstreet para os supostos adultos maduros terem uma conversa e resolverem esse problema da forma mais civilizada possível. No entanto, veremos mais que uma tentativa de solucionar essa desventura, pois o filme analisa os conflitos de pessoas maduras, que precisam encaram os malefícios das conseqüências de casamento, filhos e trabalho, nos fazendo refletir sobre tudo isso.


Polanski não é um nome estranho à qualquer pessoa que goste de cinema ou que esteve bem antenada para as notícias dos últimos anos e tem boa memória: o célebre diretor foi acusado de ter molestado uma menor de idade na década de 1970 nos EUA, foi submetido à uma série de exames mentais, fugiu para Paris (ele, um cidadão franco-polonês), durante todo o processo a vítima perdoou o diretor, voltou a acusá-lo, outra atriz entrou com uma ação pelos mesmo motivos da primeira, Polanski ficou preso em domicílio na Suíça (de onde seria extraditado para os EUA), mas desde o ano passado ele está em liberdade e, logicamente, voltou a fazer filmes. Responsável pelos cultuados e conhecidíssimos “Repulsa ao Sexo” (1965), o clássico thriller “O Bebê de Rosemary” (1968) e, “Chinatown” (1974), além dos mais novos, como “O Último Portal” (1999), “O Pianista” (2002) e “Oliver Twist (2005). Com um estilo totalmente próprio de fazer filmes excêntricos, foi indicado a vários prêmios durante sua carreira, o Oscar só veio em 2002. Particularmente, gosto de seu estilo e da forma como faz seus filmes, acredito que não podemos julgar seu trabalho a partir da forma como ele levou a vida, pois muitos já fizeram bem mais e foram muito menos julgados pela sociedade. Com “Deus da Carnificina” Polanski trouxe resquícios de todo esse processo que voltou à tona no ano passado, sendo assim o filme foi bem menos aclamado do que deveria. Conseguir fazer com que 80 minutos se passem apenas em dois ou três cômodos de um apartamento de Nova York e no corredor do prédio, e não ser insuportável só foi possível por diretores da época de ouro de Hollywood; Polanski não é nenhum gênio, mas obtêm êxito inimaginável: em momento algum o filme é ruim, e é aí que está a grande sacada desse estilo, quando começa a poder ficar chato, termina de forma muito original e bem feita. As tomados e ângulos escolhidos por ele são ótimas e, aliadas às grandes atuações dos interpretes, chegam a ser perfeitas. A trilha sonora excelente ficou a cargo de Alexander Desplat, um dos melhores do ramo hoje em dia.


John c. Reilly é um dos atores que mais simpatizo, ele não é aquele rosto bonito que estamos acostumados, mas é tão versátil, talentoso e simpático que não tem como não gostar dele, interpretando Michael Longstreet ele é ótimo como um homem divertido que leva seu casamento com uma mulher difícil como algo suportável e que pode ser levado cada vez por mais tempo. Christoph Waltz venceu o Oscar de ator coadjuvante em 2010 com “Bastardos Inglórios” (2009), desde então não fez nenhum filme que preste, mas em todos foi o melhor entre os atores, aqui ele é Alan Cowan, um homem que vive para o trabalho e tem uma aparente vida perfeita com sua bela esposa, Waltz é irônico, estúpido, sincero e prático: o mais racional e o menos descontrolado entre os quatro. Jodie Foster é a chatíssima mãe revoltada do menino que apanhou, Foster acaba decepcionando em uma ou outra cena, mas é igualmente fantástica em seus momentos de ira e descontrole. A sempre ótima Kate Winslet é, por fim, Nancy Cowan, uma mulher bem sucedida que já não aquenta mais a situação de seu casamento há um bom tempo, é dela a cena mais intrigante do filme, depois de muito reclamar de seu estado vomita no meio da sala dos Longstreet, como já disse, Winslet é sempre excelente, e aqui não foge a regra.


Uma tentativa de fazer algo parecido com “Quem tem Medo de Virginia Woolf” (1966), “Deus da Carnificina” é uma excelente pedida para se rir da desgraça alheia e refletir sobre a vida adulta e seus problemas. Apesar de ter como centro dois casais em crise e suas discussões e descobertas, no final nada é justificado, nada pode ser perdoado, tanto os Cowan quanto os Longstreet são pessoas loucas que precisam urgente de um psiquiatra que lhes diga como podem levar a vida a dois, ou simplesmente pedirem divórcio e cada um seguir, separadamente, sua vida. Uma volta fracassada de Roman Polanski, não por falta de qualidade, mas por preconceito a cerca de seu passado, aliás, não está nem perto de ser um filme de baixa qualidade, muito pelo contrário é um dos mais reflexivos do ano, não como os outros que refletem de forma bela e nítida a vida de pessoas em desgraça, mas por refletir de forma tão brutal e realista, afinal, a vida é desse forma mesmo: sem a perfeição da mesmice e da calmaria onde os Deuses resolvem instalar seus temores.


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quarta-feira, 18 de abril de 2012

329. TITANIC / TITANIC 3D, de James Cameron

Em 3D ou não, com um bom roteiro ou não, com boas atuações ou não eis aqui um dos maiores filmes da história do cinema.
Nota: 9,5



Título Original: Titanic
Direção e Roteiro: James Cameron
Elenco: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Billy Zane, Kathy Bates, Frances Fisher, Gloria Stuart, Bernard Hill, Bill Paxton, Victor Garber
Produção: James Cameron, Jon Landau, Sharon Mann, Grant Hill e Al Giddings
Ano: 1999
Duração: 195 min.
Gênero: Drama / Romance
  
Não acho que exista a necessidade de livrá-los dos chamados spoilers (detalhes sobre o enredo que ninguém quer saber antes de o filme terminar), afinal acredito que todos os leitores já tenham assistido a esse filme. Sala do cinema lotada, sessão em terceira dimensão em dia de promoção do cinema, jovens, adultos e velhos, todo tipo de gente, rica, pobre, branca, negra, homens e mulheres, todos lá com seus óculos ridículos prontos para assistirem ao filme mais visto da história do cinema. Logo de início o nome do filme aparece e os suspiros são infindáveis, depois vem as mais de três horas de projeção em que gritaram, choraram, riram e aplaudiram. Quando fiquei sabendo que o filme seria convertido para o 3D fiquei entusiasmado com o simples fato de assistir à história que fez parte de minha vida no cinema. Quando criei o blog resolvi que primeiro o veria no cinema para depois fazer a crítica, portanto lá vai.
Rose é uma jovem falida e infeliz que deve de casar com o insuportável Cal para voltar a ter dinheiro e não deixar que ela e a mãe vivam na miséria; Jack, por outro lado é um jovem alegre, que vive a vida correndo todos os perigos possíveis pelo prazer de aproveitar a dádiva dada por Deus. Eis que o lendário “navio que nem os Deuses afundam” está de partida e ambos estão a bordo, em uma cena pra lá de inesquecível, o rapaz a convence de não se matar e a partir daí teremos uma das mas belas histórias de amor de todos os tempos. O romance em si foi uma criação péssima de Cameron, mas o Titanic, com seus mais de 250 metros de comprimento, mais de 3000 mil pessoas a bordo, apenas 20 botes salva-vidas e a fatal colisão com o iceberg foram reais e inesquecíveis para qualquer um e aqui sua representação é fantástica.
Em menos de meia hora temos o navio em nossa frente e aí começa a maestria do diretor James Cameron que, como roteirista pode ser terrível, faz um trabalho quase perfeito. A imagem troca o navio afundado e velho na obra de arte que realmente foi, nos transporta de volta para 1912 e Kate Winslet levanta majestosamente sua cabeça após sair do carro em que chegou com a mãe e o noivo, logo depois vemos DiCaprio correndo entre a população pedindo passagem, as próximas duas horas e meia serão completamente dentro do transatlântico. Quando digo que Cameron é medíocre em seus roteiros é bem simples explicar: o rapaz pobre se apaixona pela menina rica, um casal de famílias completamente diferentes se apaixonam, um homem faz de tudo para impedir o casal central da trama ser feliz, isso tudo já foi visto e revisto milhões de vezes, mas ele o faz aqui novamente, outro exemplo prático é seu último filme, “Avatar” (2009) que mistura Titanic com Pocahontas. Citar suas cenas antológicas é praticamente impossível, mas farei meu melhor:
10. Primeira cena em que vemos o navio e toda aquela gente parada no porto esperando para se despedir dos que vão ou os que estão com a passagem de ida rumo à estátua da liberdade;


09. A cena final em que Rose sonha com Jack jamais pode deixar de ser citada quando se fala da beleza desse filme;


08. Jack gritando “Eu sou o rei do mundo”, demonstrando toda sua paixão pela vida (aqui o diretor nos proporciona uma cena tão bem feita quanto a de Jack e Rose); 


07. Cal e seu acesso de fúria no café da manhã, não há nada de excepcional nessa cena no quesito atuação, é a beleza como Cameron escolheu a luz, o cenário e as posições que realmente a torna tão bela;


06. Rose e Jack em seu único momento de prazer carnal;


05. Rose, já muito velha, livra-se da jóia que ganhou de Cal e deixa todos com raiva até percebemos que o que ela fez era o mais digno a ser feito;


04. Rose livra Jack de sua mão e o vemos afundar lentamente nas águas gélidas do Oceano Atlântico enquanto ela pede por ajuda e é ali que se te a perfeição dos grandes romances inserida, ela nos faz pensar tanto na despedida louca de Scarlett e Rhett quanto na tragédia shakespiriana de Romeu e Julieta;


03. A sequência como um todo em que o navio se rompe e afunda lentamente enquanto todos tentam salvar suas vidas, aqui a realidade da cena é que nos impressiona e nos faz sentir tanto remorso. Os dois velhinhos abraçados na cama, a mãe contando histórias para os filhos dormirem, o homem que projetou todo o navio bem como o comandante deixando-se afogar, os músicos que não param de tocar um instante, Rose salvando Jack e cada barquinho se afastando e deixando o navio para trás;


02. Jack e Rose na proa, em uma cena dita como cafona, mas que todos sempre amaram assistir e imitar, levantam os braços, ao fundo ouvimos “My Heart Will Go On” e eles se beijam;


01.  Rose posando para Jack, usando o diamante, e somente ele, e é essa a melhor cena do filme, pois aqui é o único momento em que tudo é perfeito, original, belo e inigualável, até mesmo Winslet e DiCaprio estão mais do que excelentes.


Ao contrário do que seria o filme de Cameron de dez anos depois, aqui temos um elenco feliz e forte: Kathy Bates vive Molly Brown, uma mulher dita como “nova rica”, que, apesar de ter dinheiro, não nega suas origens, é destemida, forte e atrevida, mas também dona de uma excelente alma; Frances Ficher é a mãe de Rose, uma mulher que se preocupa apenas em ter sua nobreza e riqueza de volta, não importando a felicidade de ninguém; Billy Zane é o problema do filme, ele é um Cal raivoso e temperameltal, mas não convence nada e seu interpretação deixa muito a desejar; Victor Garber é o criador do navio, Thomas Andrews com tanta simplicidade e simpatia que nos faz querer estar com Rose para pedir para que ele se salve; Bernard Hill é o Capitão Edward James Smith, o homem que acabou levando toda a culpa pelo desastre; Leonardo DiCaprio, na época um menino ainda, nos mostra que é realmente injustiçado pelas crítica, sua atuação aqui é digna de uma indicação ao Oscar, mas nem isso ele teve; Winslet ao menos foi indicada, e não merecia nem mais nem menos, sua interpretação é linda e cheia de vida. Mas não é Bates, Zane, DiCaprio ou Winslet que interessam, é Stuart, Glória Stuart, uma dama da era de ouro de Hollywood faz seu último filme de sucesso aqui, não há outras palavras para definir sua interpretação além da perfeita.
É bom ver cinemas lotados, mas a falta de respeito parece reinar nos jovens de hoje em dia que não conseguiam calar a boca um instante, e bastava Jack beijar Rose para todos enlouquecerem, ou Rose ficar nua para gritarem como se não fosse simples o bastante procurar na internet uma mulher nua e olhá-la durante horas, mas mesmo assim vale a pena esse desgaste pelo filme maravilhoso que Titanic é, em 3D, ou de qualquer forma que seja. Indiscutivelmente o maior clássico popular da história da humanidade (quando digo popular o faço por existirem dezenas de filmes mais importantes que esse e, ao contrário do que se pensa, sua bilheteria não ter chegado nem perto da de "E o Vento Levou" [1939])  esse filme marcou seu tempo e as pessoas que tiveram a oportunidade de vê-lo no cinema, agora posso dizer: fui uma delas.



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domingo, 8 de abril de 2012

341. O LEITOR, de Stephen Daldry

Com atuações belíssimas, ótima trilha sonora e excelente direção foi um dos melhores filmes de 2008.
Nota: 9,5



Título Original: The Reader
Direção: Stephen Daldry
Elenco: Kate Winslet, David Kross, Ralph Fiennes, Jeanette Hain, Bruno Ganz, Ludwing Blochberger
Produção: Anthony Minhella, Redmond Morris e Donna Gigliotti
Roteiro: David Hare e Bernhard Schlink (romance)
Ano: 2008
Duração: 124 min.
Gênero: Drama

 Michael Berg é um jovem cheio de sonhos e vivacidade, apesar de um pouco tímido. Devido a desventuras ele acaba por conhecer a bela Hanna Schmitz, uma mulher mais velha que lhe desperta mais que apenas desejos carnais. É com ela que ele inicia sua vida sexual, mas essa relação não se resume a apenas isso, o garoto se apaixona e se frustra quando a mulher some. Um tempo depois ele, estudante de direito, vai a um julgamento de ex-nazistas, eis que Schimitz é uma das acusadas da morte de centenas de pessoas, no entanto apenas ela leva a culpa desses assassinatos, tudo por que ela insiste em manter um segredo inimaginável.


Daldry, como comentei na crítica sobre o bom “Tão Forte, Tão Perto”, é o responsável por um dos melhores filmes de 2004, “As Horas”, e pelo maravilhosamente inspirador “Billy Eliot” (2000), o trabalho dele aqui é maravilhoso, aliás o ano de 2009 contava com grandes direções em grandes filmes. Em “O Leitor” ele não supera seu feito em 2004, mas se iguala com certeza, é vívido e não deixa que em momento algum pareça que sua história é banal e idiota, o segredo de Hanna pode parecer ridículo para alguns, mas sua reluta em revelá-lo é totalmente compreensível. Nico Muhly nos proporciona uma boa trilha sonora que deixa o filme ainda mais interessante.


Berg é interpretado por David Kross, novato e sem nada de interessante, na juventude, e pelo magnífico Ralph Fiennes quando mais velho. Aqui Fiennes se revela muito mais do que apenas um homem capaz de interpretar papéis fortes, sarcásticos e com aquele drama  insuperável, ele consegue tornar uma personagem chata e sem graça (do tipo mocinho que todos acham um porre) em alguém por quem nos apaixonamos e compreendemos. No entanto, foi Kate Winslet quem mais se mostrou capaz de fazer o que lhe for dado. Uma atriz que sabe o que quer, hoje (depois de seus trinta anos) é uma das melhores atrizes inglesas vivas, deixou de lado sua atuação e sua personalidade da sua época Rose, e conseguiu fazer com que o mundo esquecesse que um dia ela aceitou viver a nova pobre em “Titanic”. As cenas entre ela e Kross, principalmente as que ela lhe ensina as coisas boas da vida, são muito bem seguradas por ambos, e Fiennes consegue dar o tom necessário para mostrar um homem que deseja, de toda a forma, fazer algo por Hanna quando manda gravações de leituras para ela na prisão. Winslet venceu o Oscar por sua interpretação, apesar de coadjuvante, sou obrigado a lembrar que, no mesmo ano, ela havia feito uma atuação impecável em “Foi Apenas um Sonho”.


É fato que Daldry sempre conseguiu reunir ótimos elencos para seus filmes, e em todos nos surpreendemos com as atuações maravilhosas. Conseguir tirar o melhor de Nicole Kidman (a ponto de lhe render um Oscar merecido) e fazer Sandra Bullock perder sua insuportável arrogância de “Um Sonho Possível” e virar uma verdadeira mãe em “Tão Forte, Tão Perto” não é para qualquer um. Em “O Leitor” não nos deparamos com mais uma história sobre a Segunda Guerra Mundial, e sim com algo sobre a vida e todos os seus propósitos, sobre como o ser humano pode agir diante das mais diversas situações que a vida nos impõe e como elas podem influenciar todo um futuro.

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