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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

040. MARNIE, CONFISSÕES DE UMA LADRA, de Alfred Hitchcock

A última obra do mestre do cinema foi um dos melhores filmes de seu ano.
Nota: 9,6


Título Original: Marnie
Direção e Produção: Alfred Hitchcock
Elenco: Tippi Hedren, Sean Connery, Diana Baker, Martin Gabel, Louse Latham, Bob Sweeney, Milton Selzer, Alan Napier, Hanry Beckman, Edith Evanson, Mariette Harltey, Bruce Dern, S. John Launer, Meg Wyllie
Roteiro: Jay Presson Allen e Wiston Graham (romance)
Ano: 1965
Duração: 130 min.
Gênero: Thriller / Drama

Marnie é uma bela jovem que possui uma estranha mania: ela rouba, e o faz de forma perfeita. Entretanto, após passar a perna em seu patrão e fugir, Marnie começa a trabalhar para Mark Rutland, um rico empresário. É claro que Marnie está decidida a roubar o novo patrão, mas Mark acaba descobrindo as intenções da bela e, para tentar descobrir o que aconteceu em sua vida, a convence a se casar com ele. Após o casamento, Marnie apresenta estranhos quadros de saúde mental, e Mark decide descobrir o que aconteceu com essa ladra que se tornou o amor de sua vida.


Alfred Hitchcock foi um dos diretores de maior destaque na história do cinema. Poucos mestres da Sétima Arte foram tão perfeitos em representar os medos na telona. Famoso por uma das cenas mais interessantes o cinema, aquela em que Marion Crane é assassinada no chuveiro do enigmático Motel Bates, em sua fase americana, Hitch explorou diversos temas, dois dos principais foram os medos e traumas e confusão da identidade. Em “Marnie”, a protagonista junta tudo isso. É, claramente, perturbada por algum episódio que lhe ocorreu na infância, algum trauma inimaginável que nos será revelado com o passar do tempo. Além disso, a protagonista mescla seu lado ladra com seu lado apaixonada; ela está louca de amores pelo homem que virá a ser seu marido, porém, ao mesmo tempo, não consegue deixar seu vício de lado e insiste em roubá-lo. Existem poucos diretores que conseguem contrastar cores em cenas improváveis e fazer com que o efeito seja positivo para o propósito pretendido. Hitchcock é um deles. Em uma cena inesquecível, Marnie relembra o que ocorreu, e o diretor nos mostra, mais uma vez, como se faz uma cena de revelação que deixe o espectador na ponta da poltrona e que não o deixe esquecer jamais do que viu.
Por fim, a trilha sonora é do fantástico Bernard Herrmann, mesmo compositor de “Psicose” (1960), “Um Corpo que Cai” (1958) e “O Homem que Sabia Demais” (1956), ambos de Hitchcoock. Herrmann trabalhou em cinema e televisão e em nenhum de seus trabalhos decepicinou, aqui não é diferente: cada composição é perfeita e parece caber na cena como uma mão em sua luva. É, também, a trilha sonora da cena das revelações do passado de Marnie que constrói a cena e a torna tão bela, enigmática, inesperada e antológica. Vale destacar a primeira cena do longa: a câmera foca em um objeto amarelo que para uns tem aspecto de uma boca, para outros de uma vagina, a câmera vai se afastando a medida que a personagem segue em frente. Marnie está em uma estação, segurando apenas a controvérsia bolsa e uma mala e está morena, não loira. A cena se tornou um marco no cinema e chega a ser citada como uma das mais importantes na carreira do diretor, e, sem dúvida, diz muito sobre o que veremos durante todo o filme.



A primeira escolha do diretor para viver a protagonista foi a atriz Grace Kelly, que recusou pois o principado de Mônaco não achava digno ver sua princesa interpretando uma ladra, a Paramount sugeriu a Hitch que ele chamasse a americana Lee Remick, Eva Marie Saint e Susan Hampshire perseguiram o papel, mas não obtiveram sucesso. Foi escolhida, então, a estrela do longa “Os Pássaros” (1962), também de Hitchcock, para viver o papel. Tippi Hedren ficou, dessa forma, eternizada no cinema por esse dois trabalhos com o mestre do suspense. Como Marnie, Tippi está fantástica, uma verdadeira diva da era de ouro de Hollywood: classuda, sexy, inteligente e bela. A personagem construída e apresentada pela atriz condiz com os atributos físicos da diva, mas ocorre algo ainda mais belo: sentimos pena de Marnie e torcemos por ela. O clássico anti herói vivido por personagens como Macunaíma no Brasil e outros ladrões no restante do mundo é transferido para uma mulher, Hedren nos faz torcer por ela o tempo todo, queremos que ocorra tudo bem com ela em qualquer situação. Por fim, Tippi atinge a perfeição ao fazer o que Alfred Hitchcock fez toda a vida: nos deixa curiosos, atentos e loucos por saber quais são os segredos de sua personagem. Sean Connery foi um dos atores mais sexys e belos de sua época no cinema, além disso foi um dos grandes atores de seu tempo. Como Mark Rutland ele é firme e não deixa que a moça por quem se apaixona vá embora apenas por ser misteriosa e ter seus defeitos. Talvez essa seja, em meio a tanto terror dos filmes de Hitchcock, a maior representação do amor no cinema. Connery nos traz um homem apaixonado que não se torna cego: Mark quer saber por que Marnie se tornou tão traumatizada, e a beleza está exatamente nisto, ele vai até o fundo para que sua amada esposa vença seus medos.

“Marnie” é, como a maioria dos filmes do mestre Alfred Hitchcock, uma lição para qualquer cineasta e um louvor a qualquer crítico. Além disso, é um longa que, mais uma vez, inova o cinema da época. Marnie, a protagonista, quebra tabus trazendo uma mulher como ladra e trazendo um homem que corre atrás do passado da eposa para resolver seus traumas e problemas psicológicos. A direção de Hitch, a perfeição do roteiro (escrito com grandes diálogos e grandes cenas), a trilha de Herrmann, as interpretações e os experimentos técnicos do diretor são os ingredientes dos principais longas de Alfred Hitchcock. “Marnie” foi, sem dúvida, a última grande obra do mestre do suspense e não é apenas por isso que merece ser assistido, merece ser visto pois, em uma arte como o cinema, que possui pouco mais de cem anos, é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano de 1964.


VENCEDORES DO PRÊMIO DA ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS DE FILMES DE WASHINTON D.C.
Melhor Filme: 12 Years A Slave
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Years A Slave
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Dallas Buyers Club
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Years A Slave
Melhor Elenco: 12 Years A Slave
Melhor Jovem Intérprete: Tye Sheridan, por Mud
Melhor Argumento Adaptado: John Ridley, por 12 Years A Slave
Melhor Argumento Original: Spike Jonze, por Her
Melhor Filme de Animação: Frozen
Melhor Documentário: Blackfish
Melhor Filme Estrangeiro: The Broken Circle Breakdown (Bélgica)
Melhor Direção de Arte: O Grande Gatsby
Melhor Fotografia: Gravidade
Melhor Montagem: Gravidade
Melhor Banda Sonora Original: Hans Zimmer, por 12 Years A Slave
Prémio Joe Barber para o Melhor Retrato de Washington DC: The Butler

VENCEDORES DA SOCIEDADE DE CRÍTICOS DE FILME DE BOSTON
Melhor Filme: 12 Years a Slave
Melhor Direção: Steve McQueen, 12 Years a Slave
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Years a Slave
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: James Gandolfini, por Enough Said
Melhor Atriz Coadjuvante: June Squibb, por Nebraska
Melhor Roteiro: Nicole Holofcener, por Enough Said
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por Gravidade
Melhor Documentário: The Act of Killing
Melhor Filme Estrangeiro: Wadjda
Melhor Filme de Animação: The Wind Rises
Melhor Edição: Daniel P. Hanley e Mike Hill, por Rush
Melhor Primeiro Filme: Ryan Coogler, por Fruit Station
Melhor Elenco: Nebraska
Melhor Canção: Iside: Llewyn Davis

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

168. 007 OS DIAMANTES SÃO ETERNOS, de Guy Hamilton

A despedida de Sean Connory não poderia ser mais honrosa.
Nota: 9,1


Título Original: Diamonds are Forever
Direção: Guy Hamilton
Elenco: Sean Connery, Jill St. John, Charles Gray, Lana Wood, Jimmy Dean, Druce Cabot, Lois Maxwell, Bernard Lee, Bruce Cabot, Bruce Glover
Produção: Albert R. Broccoli e Harry Saltzman
Roteiro: Richard Maibaum, Tom Mankiewicz e Ian Fleming (romance)
Ano: 1971
Duração: 120 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Diamonds Are Forever”, composição de John Barry e Don Black e interpretação de Shirley Bassey.

James Bond é convocado para desvendar um crime que envolve o roubo de diamantes na África do Sul. O que o agente 007 não sabe é que pro trás de tudo isso está seu arquiinimigo Blofeld, que tem como pretensão destruir o planeta Terra com um satélite a Laser que utiliza os tais diamantes. Dessa forma, Bond terá de agir mais uma vez, sem deixar que os diamantes, cobiçados por todos, caiam em mãos erradas, e, assim sendo, salvando sua própria pele, a de seus amigos, de sua nova amante e, é claro, a de todo o mundo.
Guy Hamilton já não é mais um estranho na Saga do agente James Bond: foi o diretor de “007 Contra Goldfinger” (1964) e ainda viria a dirigir “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973) e “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974). Em nenhum de seus filmes para a franquia, Hamilton nos decepciona, apesar de não gostar muito do resultado como um todo de “Goldfinger”, não posso negar que todos os quatro filmes realizados por ele são muito bem feito e extremamente bem conduzidos do começo ao fim. Ao lado de Richard Maibaum (roteirista de 13 filmes da série), está Tom Mankiewicz, em seu primeiro trabalho com 007 (que viria a se repetir em “Com 007 Viva e Deixe Morrer” e em “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro”), juntos os dois formam uma ótima dupla que nos apresenta um dos roteiros mais divertidos e empolgantes de todos, por um motivo simples: Bond está quase aniquilando a sociedade Spectre, que já deu o que tinha que dar em todos os filmes e esta se tornando entediante. Me nego a escrever qualquer crítica a respeito de um filme que tenha John Barry como compositor sem citar seu nome, e o faço com mais felicidade que anteriormente, pois, finalmente, deixamos o tema de lado e temos várias outras músicas interessantes, sobretudo a de abertura.


É com tristeza  e pesar que nos despedimos de Sean Connory na série, e dessa vez o fazemos para sempre. Nessa sua despedida, a personagem já está mais velha, mas, ainda sim, não deixou de ser um conquistador nato e um homem sensual e provocante, mas o que mais interessa aqui é a seriedade com a qual ao ator passa a tratar Bond, deixando a grande parte das piadas de lado e se atendo mais ao que realmente interessa, sem rodeios, tendo um de seus maiores desempenhos. A indicada ao Globo de Ouro, Jill St. John é Tiffany Case, a Bond Girl nada politicamente correta, que não chega a ser a vilã do filme, mas nem por isso deixando de ser uma vilã em um contexto mais amplo ( é ela que negocia os tais diamantes), a triz é bela (como quase todas as Bond Girls, naturalmente) é começa a se tornar inacreditável como as atrizes conseguiam ser cada uma diferente das outras (mas claro que isso era em uma época bem diferente da de hoje, onde as atrizes ainda possuíam diferenças natas). Charles Gray é Blofeld, e, provavelmente, o melhor entre os outros atores que interpretaram a personagem, permanecendo frio e mostrando que não possui nem coração, nem alma.
“Os Diamantes são Eternos” é, provavelmente, o filme protagonizado por James Bond que as pessoas mais se lembram, e não me surpreenderia se estivesse naquelas charmosas listas de filmes que as pessoas mentem ter assistido para não se sentirem tão inferiorizadas e aumentarem seu ego e prestígio perante as rodas sociais. O fato é que, esse é um dos melhores filmes de Bond e essencial para todos que desejam dizer que realmente viram o agente 007, seja pela técnica avançada do filme ou apenas para se despedir de Sean Connery. Apesar dessa despedida de Connery da série do agente 007, aqui fica claro: sua atuação como James Bond, ao contrário dos diamantes (o carbono definha com o tempo), essa sim, é eterna.


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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

170. COM 007 SÓ SE VIVE DUAS VEZES, de Lewis Gilbert

“Só se vive duas vezes: quando nascemos e outra quando a morte bate à nossa porta”.
Nota: 9,0


Título Original: You Only Live Twice
Direção: Lewis Gilbert
Elenco: Sean Connery, Akiro Wakabayashi, Mie Hama, Tetsurô Tanba, Teru Shimada, Karin Dor, Donald Pleasence, Bernad Lee, Lois Maxwell
Produção: Albert r. Broccoli, Harry Saltzman
Roteiro: Harold Jack Bloom, Roald Dahl e Ian Fleming (romance)
Ano: 1967
Duração: 117 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “You Only Live Twice”, composição de John Barry e Nancy Sinatra e interpretação de Leslie Bricusse.

Sem mais nem menos, James Bond morre. Sim, iniciamos esse filme desolados pela morte do agente 007, mas tudo não passa de mais uma tática de M, o chefe do departamento para o qual James trabalha, o MI6. Tudo isso por um simples motivo: misteriosamente, alguma sociedade japonesa está tentando provocar uma guerra entre Estados Unidos e a URSS (atual Rússia). Mas os problemas não acabam por aí, não será preciso muito tempo para James descobrir que ele enfrentará inimigos mais antigos e perigosos que qualquer outro.
Antes de entrar para o seleto grupo de diretores que tiveram a honra de dirigir a franquia 007, Lewis Gilbert ficou conhecido pelo filme “Como Conquistar as Mulheres”, a história, protagonizada por Michael Cane (indicado ao Oscar pelo papel), sobre o sedutor Alfie, todavia, antes mesmo desse, o diretor já havia realizado mais de 25 filmes, dentre eles: “Os Bons Morrem Cedo” (1954), “O Mordomo e a Dama” (1957) e “Revolta em Alto Mar” (1962). Outra novidade na produção são os roteiristas Harold Jack Bloon, conhecido pela aclamada série “Bonanza” (1960), e Roald Dahl, do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1971), aliás, como apontei na crítica anterior, as histórias parecem ficar cada vez melhores e esse acaba sendo uma dos filmes mais criativos até agora. Claro que, agradavelmente, continuamos com John Barry como compositor da trilha sonora e, apesar da tal repetição exagerada do tema, até isso está melhorando. Entretanto, não posso deixar de dizer o quanto foi nada bem vinda a cena em que o vulcão onde acontecem as tramoias da trama entra em erupção, no entanto, também sou obrigado a dizer que o restante dos efeitos especiais estão tão bem feitos para a época que chega a não ser justo reclamar de tal cena.


Antes de nos dar uma folga de um filme, Sean Connory retorna como James Bond e, mais uma vez, faz seu trabalho impecavelmente, deixando algumas piadas idiotas de lado e se tornando um pouco mais maduro em relação aos outros filmes, além disso, não posso me conter em voltar a dizer: Connory é, simplesmente, perfeito para viver Bond. Akiko Wakabayashi e Mie Hama são as primeiras mulheres que passam pelo agente durante o filme, mas é Karin Dor como a Helga Brandt (na real, uma vilã), quem mais interessa, talvez pelo fato de ser vilã, ela acaba sendo uma das Bond Girls mais originais de todas as que vimos ou veremos. Finalmente, aqui somos apresentados, realmente, ao chefe da organização criminosa Spectre: Ernest Stavro Blofeld é vivido por Donald Pleasence, e não é que o ator acaba por ser uma surpresa extremamente agradável? Interpretando de forma ríspida e sem muitos galanteios, apresentando perfeitamente a forma fria com a qual toda a organização trata a si própria.
Apesar de termos várias mudanças em toda a produção (direção, roteiro, Bond Girls), a apresentação do grande vilão da série e, um roteiro bem diferenciado dos demais, o agente continua sendo o mesmo e o humor negro nunca foi tão evidente e bem vindo. “Com 007 Só se Vive Duas Vezes”, temos o resultado de tudo aquilo que venho falando em todas as criticas: nunca estivemos tão perto de chegarmos ao ápice da franquia (sem dúvida o auge da era Connory em questão de qualidade). O fato é, que, “Só se vive duas vezes: quando nascemos e quando temos a morte à nossa porta”, infelizmente, com esse filme, Connory estava vendo seu fim na maior franquia da história do cinema.


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terça-feira, 27 de novembro de 2012

171. 007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA, de Terence Young

A melhora na franquia é cada vez mais nítida, o que deixa toda a série bem mais interessante.
Nota: 8,7


Título Original: Thunderball
Direção: Terence Young
Elenco: Sean Connery, Claudine Auger, Adolfo Celi, Luciana Paluzzi, Rik Van Nutter, Guy Doleman, Molly Peters, Martine Beswick, Bernard Lee, Desmond Llewelyn, Lois Maxwell
Produção: Alber R. Broccoli, Harry Saltzman
Roteiro: Richard Maibaum, John Hopkins, Jack Whittingham, Kevin McClory e Ian Fleming (romance)
Ano: 1965
Duração: 130 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Thunderball”, composição de John Barry e Don Black e interpretação de Tom Jones.

Enquanto Bond está descansando em suas rápidas férias, ele descobre que algo de muito estranho está acontecendo entre um piloto de OTAM e criminosos dispostos a tudo para atingirem seu objetivo. Logo, o agente é informado que duas bombas atômicas foram roubas e que é seu papel descobrir onde elas estão antes que seja tarde e duas das cidades mais importantes do mundo sejam explodidas. Para isso, é mandado até Macau, onde deverá enfrentar Emilio Largo e, como se não bastassem todas as outras vezes, voltará a ficar cara a cara com a organização criminosa Spectre.
Terence Young volta na direção da franquia do agente 007 com todo fôlego, agora, além de a edição de imagem e de som estarem melhorando, o filme parece ter um gás maior pela ação continua e, apesar de mais de duas horas de duração, deixa de ser tão enrolado em alguns aspectos. Além disso, Young tem a seu favor a beleza dos locais onde o filme foi filmado, sem um excelente trunfo momentos como a sacada da piscina cheia de tubarões. A gafe nessa produção acaba sendo mesmo as alucinações por parte do roteiro, por exemplo, a forma como Bond encontra os destroços do avião que transportava as bombas atômicas; outro problema é a falta de treino por parte dos atores para os movimentos de lutas, apesar de, finalmente, Connory parecer ter pegado o jeito das coreografias, o restante do elenco permanece imaturo e inexperiente demais. Por fim, temos aquele problema do exagero do uso do tema criado majestosamente por John Barry, tudo bem, é claro que o tema é maravilhoso, mas usado demasiadamente começa a se tornar enjoativo e parece que existe apenas aquilo de artifício para a trilha sonora. Entretanto, sou obrigado a ressaltar cada vez que falo sobre um filme de James Bond: a excelência com a qual a abertura do filme é feita, nunca não foge a regra.


Mais uma vez, prazerosamente, temos Sean Connery como James Bond, e não me canso de dizer o quanto o ator é maravilhoso no papel, não por ele ser o primeiro 007, até porque pertenço àquela geração da década de 1990 acostuma com Pierce Brosnan na pele do agente, mas porque mesmo assistindo a outros intérpretes ou tentando imaginar se esse ou aquele ator se adaptaria para viver Bond na telona, simplesmente não consigo encontrar nenhum melhor e mais apropriado que Connery. Apesar de ser apaixonado por Ursula Andress, a primeira “Bond Girl, devo confessar: poucas atrizes fazem par tão bem com qualquer um dos seis intérpretes de Bond quanto Claudine Auger, a atriz vive a bela e ingênua Domino, e talvez seja por essa beleza e ingenuidade que nos apaixonemos tão rapidamente pela atriz e pela personagem, sendo rápida nossa comoção perante a moça. Adolfo Celi é o vilão Largo, apesar de a personagem ser ótima e cheia de artifícios, tais características deviam ter sido trabalhas melhor pelo ator, que, como vários atores da séries, é apenas satisfatórios. Outra atriz, entretanto, que faz o filme valer a pena é Luciana Paluzi, a também vilã Fiona nos conquista mais por sua beleza e sensualidade do que pelos talentos de atriz, mas, de qualquer forma, não podemos reclamar.
Cada vez mais vemos os filmes da Saga 007 melhorando, tomando rumos um pouco mais sérios e se tornando mais, e mais, agradáveis de serem assistidos. Após algumas decepções no filme anterior, confesso que esse se tornou uma surpresa ótima, apesar das gafes citadas acima, talvez por ter me animado um pouco mais com a história, que é bem mais criativa, ou pelo simples fato de estar me acostumando a assistir aos filmes de Bond.


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172. 007 CONTRA GOLDFINGER, de Guy Hamilton

Apesar de não ser um dos meus preferidos, conferimos a melhora nos efeitos, o que atribui à série uma seriedade um pouco maior.
Nota: 8,5


Título Original : Goldfinger
Direção : Guy Hamilton
Elenco: Sean Connery, Hanor Blackman, Gert Fröbe, Shirley Eaton, Tania Mallet, Harold Sakata, Bernad Lee, Lois Maxwell
Produção: Albert R. Broccoli, Harry Saltzmen
Roteiro: Richard Maibaum, Paul Dehn e Ian Fleming (romance)
Ano: 1964
Duração: 110 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Goldfinger”, composição de John Barry, Leslie Bricusse e Anthony Newley e interpretação de Shirley Bassey

Desta vez James Bond terá de lidar com o misterioso Sr. Goldfinger, um homem pra lá de suspeito que possui uma estranha fixação pelo ouro, desejando cada objeto que seja feito desse metal. O problema é que o homem é tão maluco quanto se pode imaginar e não tão estúpido quanto Bond acreditava. Dentre os planos de Goldfinger está o roubo ao maior bando dos Estados Unidos, agora o agente 007 terá de agir rápido para impedir que mais pessoas sejam mortas em vão.
Guy Hemilton substitui Terence Young na liderança dessa produção, e, apesar de considerar esse filme o mais chato dos três, começa a dar uma cara mais moderna à franquia. O fato de achar o filme chato é simples: seu enredo tem tudo para este ser um dos melhores filmes de todos, mas a forma como o roteiro é trabalhado e a desnecessária repetição do tema de 007 e de outras músicas durante o filme tornam a trama algo bom, mas nada além disso. Apesar de considerar o roteiro e a trilha um pouco fracos, entretanto, sou obrigado a concordar que o trabalho de Hamilton não possui nada de ruim, muito pelo contrário, tudo o que é feito aqui apenas engrandece a produção e, como já disse, faz com que toda a franquia seja elevada a um patamar cada vez melhor no quesito qualidade técnica. Não posso me dar ao luxo de não lembrar que esse filme possui uma das cenas mais inesquecíveis da história da série: a personagem de Shirley Eaton, deitada em uma cama coberta com uma tinta dourada, morta. Além disso, o chapéu do capanga de Goldfinger é uma das armas mais lembradas de todas as utilizadas por vilões ou heróis.


James Bonda é, pela terceira vez consecutiva, vivido por Sean Connery, e o mais impressionante de tudo é que nunca nos cansamos de ver esse homem na tela. O problema é que na série suas piadas, definitivamente, se tornaram sem graça e ele começa a parecer forçado, talvez pela síndrome de que jamais conseguirá sair da pele do agente 007 (e se era isso que se passava por sua cabeça, ele não estava errado). As belas Tania Mallet e Honor Blackman tão vida, respectivamente, a Tilly Masterson e Pussy Galore; a primeira é irmã da personagem de Shirley Eaton e está disposta a tudo para vingar a morte da irmã, a segunda é piloto de Goldfinger, uma mulher determinada, mas que não será a primeira a se render aos encantos de James Bond. O temido Goldfinger, por sua vez, é interpretado pelo alemão Gert Fröbe, apesar de ser um ator satisfatório, parece que falta alguma coisa em sua atuação, o que deixa o vilão um pouco imbecil e inexperiente demais frente a tudo o que James Bond é capaz de fazer.
“007 Contra Goldfinger” é um dos filmes mais adorados pelos fãs da franquia do agente 007, talvez isso se deva por sua história excelente ou pelo simples fato de Bond estar se fortificando cada vez mais entre os fãs de cinema na época. O fato é que , para mim, esse filme está longe de ser uma das melhores produções protagonizadas pelo agente. Apesar disso, é sempre bom assistir a um filme de James Bond.


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173. MOSCOU CONTRA 007, de Terence Young

Apesar das gafes em relação as efeitos, a série se consolida cada vez mais na Sétima Arte.
Nota: 8,9


Título Original: From Moscou With Love
Direção: Terence Young
Elenco: Sean Connery, Daniela Bianchi, Pedro Armendáriz, Lotte Lenya, Robert Shaw, Bernard Lee, Eunice Gayson
Produção: Abert R. Broccoli e Harry Saltzman
Roteiro: Richard Maibaum, Johanna Hardwood e Ian Fleming (romance)
Ano: 1963
Duração: 115 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “From Russia With Love”, composição Lionel Bert e Johnnie Spence e interpretada por Matt Monro.

Após a morte do satânico Dr. No., a organização criminosa SPECTRE resolve contra atacar James Bond. Para isso, utilizam um objeto de desejo da inteligência inglesa – a máquina decodificadora Lektor- e um objeto de desejo de Bond – a bela Tatiana Romanova. Agora, o agente 007 é enviado para a Turquia para trazer a máquina até o MI6, entretanto, nada na vida de Bond pode ser fácil, e será preciso driblar os mais improváveis inimigos para alcançar seu objetivo.
Novamente o experiente Terence Young é o diretor dessa sequência da série 007. Desta vez, parece que ele arrisca um pouco mais e temos cenas bem mais bem feitas e excitantes, tais como as que ocorrem dentro de um trem durante boa parte do filme. Bem como na direção, não há mudanças nos roteiristas: Johanna Hardwwod está aqui em sua última contribuição para a franquia, já Richard Maibaum permaneceria em mais onze produções, sendo indicado ao Sindicato dos Roteiristas dos EUA por duas vezes. Outra contribuição pra lá de importante que permanece na produção é compositor John Barry, apesar de sua excelência, o tema criado por ele começa a ser recorrente demais aqui, tornando-se enjoativo nos próximos filmes. Apesar disso, o que interessa é ver como a produção melhora cada vez mais em todas as cenas, deixando claro que a franquia só tem a melhorar.


Sean Connory continua como o agente 007, aqui ele começa a se tornar mais carismático ainda e conquista a todos a cada cena, além disso, torna sua personagem mais cômica (suas piadas ainda são engraçadas e não idiotas, o que é um trunfo no filme). Daniela Bianchi é a nova Bond Girl, Tatiana Romanova, a mulher responsável por passar a perna em Bond que, obviamente, acaba se apaixonando pelo agente e todos os seus encantos, sendo impossível continuar sua missão, depois do trabalho belíssimo de Ursula Andress (a eterna Bond Girl) no filme anterior, era de se esperar que Bianchi não tivesse o mesmo resultado, mas, surpreendentemente, ela consegue ser tão sexy e talentosa quanto sua antecessora. Pedro Armenáriz dá vida ao ótimo Kerin Bey, o amigo de Bond na Turquia, um homem gordo de bem com a vida que ajuda o agente em todos os momentos possíveis. Além  deles, continuamos com Bernand Lee no papel do mítico M e com Lois Maxwell, como a Srta. Moneypenny, secretária de M aparentemente apaixonada por Bond, mas que, ao meu ver, é mais uma das mulheres loucas para experimentar de toda a astúcia que deu ao agente licença para matar.
O nome original do filme, literalmente traduzido, significa “Da Rússia Com Amor”,  em certo momento do filme Bond dá uma foto a Moneypenny e escreve tais palavras, entretanto, fica claro o quanto a produção pretende ser debochada desde o título até todo o resto do enredo, sendo assim, podemos concluir que o título se refere às atitudes dos russos contra 007. O mais incrível de toda a franquia, portanto, e que começa a ser mostrado de forma escrachada aqui, é a crítica feita às organizações loucas que tem por finalidade destruir o mundo. Tendo isso em vista, o propósito de todos os filmes de 007 a partir daqui será bem maior que o de entreter mentes cansadas com uma diversão de qualidade.


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

174. 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO, de Terence Young

Não é o melhor filme da série, mas o primeiro é, definitivamente, inesquecível.
Nota: 9,2

  
Título Original: Dr. No
Direção: Terence Young
Elenco: Sean Connery, Ursula Andress, Joseph Wiseman, Jack Lord, Bernard Lee, Anthony Dawson, Zena Marshall, Eunice Gayson
Roteiro: Richard Maibaum, Johanna Hardwood, Berkely Mather, Terence Young, Wolf Mankowitz e Ian Flaming (romance)
Produção: Albert R. Broccoli, Harry Saltzman e Stanley Sopel
Ano: 1962
Duração 110 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Under the Mango Tree”, composição de Monty Norman e interpretação de Diana Coupland.

ANTES DE COMEÇARMOS COM AS CRÍTICAS DE TODOS OS 23 FILMES DA SÉRIE DO AGENTE 007, UM VÍDEO APRESENTADO CADA UM DOS LONGAS OFICIAIS:


Na primeira missão de James Bond adaptada para o cinema, o agente terá de ir até a Jamaica pra resolver o caso de um agente misteriosamente desaparecido. Ao chegar na ilha, Bond descobre que, provavelmente, o agente foi assassinado pelo temido Dr. No, um homem misterioso que comprou uma ilha próxima a Kingston e parece estar fazendo algo muito suspeito. Sendo assim, é dever do agente 007 descobrir tudo por trás do tal homem, e sair ileso para poder voltar a Londres e realizar sua próxima tarefa, afinal, o duplo-0 significa licença para matar, e não licença para morrer.
Em 1950 o inglês Ian Fleming viu seu romance “Casino Royale” se tornar um dos maiores sucessos da época, logo vieram séries televisivas e filmes, entretanto, somente em 1962, quando Harry Saltzman e Albert R. Broccoli resolveram adaptar a série para o cinema, com Sean Connory vivendo o agente especial 007, foi que a história de Fleming ganhou âmbito mundial, tornando-se, atualmente, uma das séries literárias mais vendidas da história – com mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo- e a série cinematográfica mais lucrativa de todos os tempos – cerca de 12 bilhões de dólares. O diretor Terence Young já tinha muita experiência quando iniciou 007, o que se torna nítido em todo o filme. Claro que devemos analisar a produção toda lembrando que ela foi feita há 50 anos, logo, é inadmissível exigirmos grandes feitos, todavia, é bem isso que vemos aqui: a fotografia e a edição das belas praias jamaicanas, os desastres provocados por Bond no desfecho da trama, são alguns dos bons exemplos do filme. É claro que se peca nas representações de assassinatos e em outros momentos do filme, entretanto, nenhum desses erros é capaz de minimizar a beleza e a satisfação de se assistir ao primeiro filme de James Bond.


Sean Connory é, provavelmente, o mais natural entre todos os agentes 007 que nos seriam apresentados no decorrer dessas cinco décadas. Além de ser um grande ator, ele é sexy e sedutor na pele da personagem, além disso, representa de forma totalmente convincente um homem que vive de assassinatos e missões perigosos, sendo obrigado a ser frio e saber a hora de abandonar tudo e simplesmente desaparecer. Como veríamos em todos os outros filmes da franquia, nesse temos a primeira Bond Girl, e ninguém supera a primeira. Desde a saída de Ursula Andress do mar, com uma faca pendurada na cintura (cena que seria copiada por milhares de mulheres e tornou-se a maior característica da personagem) vemos o quanto a atriz está disposta a mostrar a que veio, sendo, ora inocente, ora provocante, ora inofensiva, ora o ser mais perigoso da terra. Por fim, mas não menos importante, não posso deixar de falar de Bernard Lee, que aqui, dá vida a M, o Chefe do departamento MI6, para o qual Bond trabalha, apesar de aparecer pouco, é essencial falar de Lee pelo simples fato de que ele aparecerá nos próximos dez filmes da série e representará o chefe de mais dois 007 além do representado por Connory.
Não se pode deixar de falar também, do inesquecível tema criado por Monty Norman e arranjado por John Barry para o agente 007, o Barry venceu 5 Oscars em sua carreira e é, sem dúvida, um dos maiores compositores e condutores da história do cinema, sendo mais que perfeita sua atribuição, em conjunto com Norman, para essa série inigualável. Apesar de ser o primeiro filme de James Bond na telona, o que temos aqui não é nenhuma apresentação do agente ou coisa parecida, é simplesmente um filme que tem por finalidade dar início a maior franquia da história do cinema, que seria acompanhada por gerações e gerações de homens e mulheres, elas, por desejarem o agente 007, eles pelo simples e real fato de desejarem ser Bond, James Bond.


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