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sábado, 11 de maio de 2013

078. AMOR A TODA PROVA, de Glenn Ficarra e John Requa

“Louco, Estúpido, Amor”, definitivamente a melhor definição desse sentimento!
Nota: 9,2


Título Original: Crazy, Stupid, Love.
Direção: Glen Ficarra e John Requa
Elenco: Steve Carrel, Julianne Moore, Ryan Gosling, Emma Stone, Analeigh Tipton, Jonah Bobo, Joey King, Marisa Tomei, Beth Littleford, John Carroll Lynch, Kevin Bacon, Janine Barris, Josh Groban, Mekia Cox, Julianna Guill, Zayne Emory, Crystal Reed
Produção: Steve Carell, Denise Di Novi
Roteiro: Dan Fogelman
Ano: 2011
Dureção: 118 min.
Gênero: Comédia / Romance

Cal Weaver tinha uma vida aparentemente perfeita: filhos jovens, uma bela esposa, um bom trabalho e uma casa ótima. Todavia, seu mundo desaba quando Emily, a esposa, conta que dormiu com um colega de trabalho, David Lundhagen. Desolado, Cal vai embora de casa e resolve passar as noites em um bar. Lá, o novo solteiro conhece Jacob Palmer, um playboy que vive a vida azarando as mulheres e levando-as para a cama. Ao mesmo tempo em que tudo isso acontece, o filho de Cal, Robbie, se apaixona pela baba de sua irmã, Jessica, filha de um casal amigo dos Weaver, mas a jovem está apaixonada por Cal. Além disso, Jacob paquera Hannah, que tem namorado e dá um fora em Jacob, mas que se arrepende ao se decepcinar com o tal namorado.


Obviamente, assim como ocorre na vida real, as histórias de todos começam a se entrelaçar de forma que uma personagem não consegue se desvencilhar da outra, o que faz com que todos se enredem de forma única na vida da família Weaver, e pior, no momento mais crítico que eles já viveram. Acrescente a isso, temos personalidades e histórias muito comuns ao nosso dia-a-dia, e por isso acabamos nos identificando com tudo: Cal Weaver é um homem que passou dos 40, apesar de não parecer muito velho, veste-se mal, com roupas que o desvalorizam completamente, e parece ter deixado o casamento cair em uma rotina terrível; Emily Weaver é uma mulher relativamente bem sucedida que acaba se arrependendo de trair o marido, mas que precisava fazer isso, afinal, essa tal rotina em que o casamento dos dois caiu estava deixando a mulher louca – não que eu concorde com o que ela fez; Jacob Palmer é o perfeito conquistador que não se importa em perder uma ou outra mulher, que tem todas as suas mais variadas e infalíveis táticas para fazer com que uma mulher queira ir para cama com ele; Hannah é a jovem iludida que deseja se dar bem profissional e pessoalmente ao mesmo tempo, mas que acabará entendendo que isso é praticamente impossível sem ao menos uma desilusão aqui ou outra ali; Bernie Riley e Claire Riley, pais de Jessica, são o perfeito casal que parece não conversar há anos, o que está deixando o casamento dos dois muito chato; David Lindhagen, o amante, é o homem que se apaixona pela colega de trabalho que está casada, mas não parece ver isso como um empecilho; Jessica é a menina apaixonada pelo cara mais velho; Robbie é o menino apaixonado pela garota mais velha; e a professora de Robbie, Kate Taffety, é uma ex-alcoólatra que anda louca para beber um pouco. Glenn Ficarra e John Requa realizaram um tal de “I Love You Phillip Morris” – traduzido, ridiculamente, no Brasil como “O Golpista do Ano” (2009) -, um filme chato e muito sem graça, sendo assim, eu não esperava grandes coisas desse filme, no entanto, Dan Fogelman, o roteirista, já escreveu excelentes animações: “Carros” (2006), “Bolt – Supercão” (2008), “Enrolados” (2010) e “Carros 2” (2011). Sendo assim, ficou a esperança de que o ótimo e carismático elenco, e o bom roteirista infantil, nos trouxessem a menos um bom filme. Para mim, aqui, acaba acontecendo mais que isso, não estamos diante de uma obra, mas, ainda assim, temos um filme bem feito que retrata, com certa perfeição, como a vida pode ser.


Steve Carell é, sem dúvida, um dos melhores comediantes do cinema/televisão contemporâneo, aqui ele vive Cal, apesar de não gostar muito dos filmes que o ator faz – justo por serem comédias -, acho sua atuação aqui muito boa, pelo simples fato de que ele está dramático, deixando o lado cômico vir naturalmente, trazendo o estilo que adora da vida sendo uma comédia de erros, ou seja, Cal é um homem que está à beira da derrota pessoal, mas não há como as situações que ocorrem na vida deixarem de ser engraçadas, pelo fato de que o humor negro, o deboche da própria vida, é o melhor que pode existir. Ao seu lado, está a sempre ótima e linda Julianne Moore, como a esposa Emily, a idade parece estar fazendo bem a atriz que, além de mais bonita, parece ter voltado com a naturalidade e a espontaneidade de comédia que ela tinha no começo do século, ao viver Emily ela alterna entre a mulher que quer mudar de vida e a mulher arrependida que deseja voltar para o marido, entretanto, podemos ver sua escolha final apenas no olhar de Moore durante toda a trama. Ryan Gosling vive o charmoso Jacob Palmer que resolve, sabe-se lá o porquê, ajudar Cal quando o vê em um bar, mas antes disso já podemos fazer idéia do perfil do personagem: Gosling transforma o olhar, o caminhar, a forma de sorrir e falar de seu personagem em puro clichê de como um conquistador barato se comporta, no entanto, mostra-se bem mais que isso ao encontrar alguém por quem realmente valha à pena mudar, mas que, mesmo assim, seja merecedora de algo melhor. Apesar de um pouco apagada nesse filme, Emma Stone apresenta mais uma boa atuação como Hannah, nos mostrando uma jovem sonhadora, mas que acaba sendo abrigada a permanecer com os pés no chão para não se decepcionar pelo resto de sua vida. Analeigh Tipton, Jonah Bobo e Joey King são, respectivamente, Jessica, Robbie e Molly, ela, uma adolescente apaixonada inconsequente, eles, os filhos do casal protagonista, Bobo está bem no papel de um garoto de 13 anos que se sente um adulto em relação aos seus sentimentos. Por fim, Kevin Bacon e Marisa Tomei estão perfeitos como o amante, David e a professora, Kate.


Não há como escapar do enfadado destino de ser um brasileiro que reclama sobre as péssimas traduções de títulos de filmes estrangeiros. Não que “Amor a Toda Prova” não seja propício, mas na essência desse longa nada é posto a prova, não é apenas o fato de um dos casais ter sido infiel que está em jogo, afinal, outros casais estão se formando, e cada um deles segue sua vida de forma diferente. Volto a dizer, o título ficou bom, dessa vez ficou realmente bom, mas o que o longa deseja passar está longe da mensagem de que o amor de todos será posto a prova um dia, de fato, isso acaba sendo mostrado, mas o principal gira em torno de toda a loucura acerca desse sentimento tão enigmático que é o amor. Na tradução literal, o título seria “Louco, Estúpido, Amor”, e que forma mais perfeita de se definir o amor que não como algo louco e estúpido? Algo que mexe e desperta coisas de dentro de nós que nem sabíamos que poderiam existir, mas, acima de tudo, um sentimento que nos faz agir de formas completamente diferente, nos tornado audaciosos, românticos, intensos, felizes, sagazes e, por que não, loucos e estúpidos.

terça-feira, 17 de julho de 2012

243. HALF NELSON: ENCURRALDOS, de Ryan Fleck


Um drama/comédia sobre a vida como ela realmente é.
Nota: 8,5


Título Original : Half Nelson
Direção : Ryan Fleck
Elenco: Ryan Gosling, Shareeka Epps, Jeff Lima, Nathan Corbett, Tyra Kwao-Vovo, Rosemary Ledee, Tristan Wild
Produção: Anna Boden, Lynette Howell, Rosanne Korenberg, Alex Orlovsky, Jamie Patricof
Roteiro: Ryan Fleck e Anna Boden
Ano: 2006
Duração: 106 min.
Gênero: Drama / Comédia

Durante o dia Daniel Dunne é professor em uma escola pública de ensino médio, durante a noite ele é uma mistura de tentativa de escritor de livros infantis e de um drogado convicto. Apesar de já ter feito alguns tratamentos, as frustrações de seu dia-a-dia falam mais alto. Certa noite ele é pego por uma aluna fumando no banheiro da escola, a partir daí, apesar das diferenças de idade e cultura, os dois iniciarão uma amizade que vai além das diferenças.


Ryan Fleck havia dirigido curtas e documentários antes desse filme, após ele, foi o responsável pelo início de duas séries muito conceituadas e premiadas: “In Treatment” (2009) e “The Big C” (2011), além dos filmes medianos “Sugar” (2008) e “Se Enlouquecer, Não se Apaixone” (2010). Aqui, seu trabalho é impressionante: além de utilizar câmera de mão quase que o tempo todo sem deixar o filme ficar mal feito, ele consegue deixar uma história de subúrbio e dificuldade da vida das classes média e baixa algo revigorante e atraente. Fleck trata o filme como uma produção destinada a adultos, apesar de termos a escola como plano de fundo durante boa parte do filme e crianças estudando e brincando, ele foca mais em como jovens pobres precisam amadurecer de forma rápida e não tem pudor ao mostrar as consequências do uso de drogas na vida do protagonista.


Ryan Gosling lidera um elenco que não tem muito a dizer. O ator apresenta a imagem perfeita de um homem frustrado que se nega a aceitar ajuda alheia, mas que ainda acredita que o mundo só pode ser mudado se cada um fizer sua parte, e a dele está sendo feita com êxito com suas aulas de história. Apesar da indicação ao Oscar do ator, apenas uma coisa merece destaque grande em sua atuação, vemos, aqui, a construção de personagem bem mais nitidamente que em outros filmes do ator, bem como no recente “Drive” (2011), a personagem tem algumas manias e trejeitos durante todo o filme, o que a torna mais real a palpável. Além de Gosling, merece destaque a jovem Shareeka Epps, que interpreta Drey, a aluna de Dunne que o encontra se drogando e acaba se tornando amiga do professor, a atriz é simples, mas sincera, talvez suas origens tenham ajudado, afinal, ela nasceu no Brooklyn em Nov York.


A proposta do filme é bem clara: refletir acerca de assuntos que envolvem a sociedade como um todo. De um lado temos o professor tentando fazer o melhor por seus alunos e pelo mundo que vive, do outro temos o homem frustrado que afoga suas mágoas nas drogas. Além disso, durante as aulas de Dunne na trama, os alunos falam sobre direitos civis, igualdade e mudanças. “Half Nelson – Encurralados” nos propõe uma análise da vida como ela realmente é, um drama/comédia de dúvidas, problemas, decisões, confusões e, principalmente, erros.


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244. ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS, de Andrew Jarecki


Intrigante e misterioso como somente um fato real pode ser.
Nota: 8,2


Título Original: All Good Things
Direção: Andrew Jarecki
Elenco: Ryan Gosling, Kirsten Dust, Frank Langella, Lily Rabe, Philip Baker Hall, Michael Esper, Diane Venora, Nick Offerman, Kristen Wiig, Stephen Kunken, John Cullum, Maggie Kiley
Produção:
Roteiro: Marcus Hinchey e Marc Smerling
Ano: 2010
Duração: 101 min.
Gênero: Drama / Biografia

Em 1982 a bela Katherine McCarthy, então casada com o herdeiro milionário David Marks, desapareceu misteriosamente. Durante anos a polícia tentou desvendar seu caso, mas ele foi arquivado por falta de provas. Em 2000 o caso de desaparecimento mais famoso de Nova York, foi reaberto pela promotora da época e todos os membros da família Marks, que continuava trabalhando no mercado imobiliário, foram procurados e ouvidos, incluindo David, que também estava desaparecido, tornando-se o maior suspeito do crime.


No filme, durante seu julgamento, David conta tudo o que aconteceu desde que ele conheceu sua esposa até ele se travestir para se esconder da polícia e dos repórteres. David expõe ao júri como era seu relacionamento com Katie: primeiramente o casal vivia em harmonia em uma casinha no meio do mato, isolando-se de tudo e todos, principalmente do pai de David, depois, quando eles vão para Nova York, o rapaz se torna agressivo e demonstra ter vários problemas pelo seu conturbado relacionamento com o pai. Quando Katie desaparece, entretanto, ele faz o mesmo, o cara simplesmente some, e todos enlouquecem atrás dele durante anos por acharem que ele assassinou a esposa.


Indicado ao Oscar pelo documentário “Na Captura dos Friedmans” (2003), que aborda a o final da década de 1980 nas vidas de Arnold Friedman e seu filho, acusados de abuso sexual de menores, o diretor Andre Jarecki, conduz “Entre Segredos e Mentiras” muito bem durante a primeira hora de filme, entretanto, quando a personagem principal se esconde, vestindo-se como mulher e agindo como muda, o diretor se perde e resume de forma ineficiente os acontecimentos na família Marks. No início temos David apaixonado e romântico, depois ele se torna agressivo e estranho para Katie, aí ela descobre que se pedir o divórcio fica sem um centavo, do nada ela some do mapa, até aí o filme é eletrizante e muito bem feito, de repente tudo desmorona e nada fica bem esclarecido. Apesar de serem apresentados dezenas de motivos para David ser tão estranho, o diretor e os roteiristas não deixam totalmente claro qual o principal motivo para suas perturbações , digo, fica claro que não foi apenas o fato de ele ver a mãe se atirar do telhado e espatifar seu cérebro na calçada que o deixou meio pirado, no filme temos várias especulações, mas adaptar um filme sobre um caso que, até hoje, trinta anos depois, não foi resolvido, é algo no mínimo arriscado.


Ryan Goslin dá vida a David Marks, durante o filme vemos dezenas de faces da personagem, e o ator consegue diferenciar cada um de seus humores: ora um bom homem, calmo e cheio de vida, ora um homem apreensivo e tímido pela presença do pai, ora um homem violento e controlador e, por fim, aquele perfil quieto e sombrio do homem sendo julgado por assassinato. Kirsten Dunst é Kathterine, uma jovem sonhadora que vê em David o homem da sua vida, mas que, ao decepcionar-se profundamente, faz o possível para garantir o seu futuro, Dunst parece compreender cada medo e anseio da personagem. Por fim, para completar o elenco principal temos Frank Langella vivendo o pai de David, o poderoso Sanford MArks, controlador e manipulador só pensa no bem dos seus negócios, ainda vale destacar Michael Esper, na trama ele é Daniel Marks, irmão mais novo de David, ambicioso acima de tudo.


Se Katie simplesmente cansou da vida que levava ao lado do marido e resolveu fugir para nunca mais ser encontrada, ou se ela foi assassinada por alguém, parece-me que nem mesmo os grandes detetives da história da humanidade ou do cinema poderiam resolver, o fato é que a mulher continua sumida até hoje e não há sinal de vida. Não há propósito nesse filme que não seja o de contar um fato intrigante que deixou o mundo todo curioso, portanto não é bem o enredo ou a forma como ele é conduzido que interessa, o que deve ser mais observado é a forma como cada ator consegue dar vida à sua personagem como se soubesse o que se passa na cabeça de cada uma delas, sendo as interpretações de Gosling e Langella tão perfeitas que duvidamos o tempo todo do que aconteceu na realidade.


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domingo, 15 de julho de 2012

247. O MUNDO DE LELAND, de Matthew Ryan Hoge


Uma reflexão sobre como na vida as vezes se tenta fazer o melhor e acaba-se piorando tudo.
Nota: 7,8


Título Original: The United States of Leland
Direção e Roteiro: Matthew Ryan Hoge
Elenco: Ryan Gosling, Don Cheadle, Chris Klein, Jena Malone, Lena Olin, Kevin Spacey, Michelle Williams, Martin Donavan, Ann Magnuson, Kerry Washington, Sherilyn Fenn, Matt Malloy
Produção: Kevin Spacey, Jonah Smith, Bernie Morris, Palmer West
Ano: 2003
Duração: 108 min.
Gênero: Drama

Leland é um garoto normal que acaba assassinando o jovem Ryan , um retardado mental. Leland não vive com a presença constante do pai, mas tem uma boa mãe; Leland não é um daqueles rapazes pobres do subúrbio, pelo contrário, dinheiro não falta pra suas futilidades; Leland não é um rapaz com pouco estudo, na verdade tem uma educação ótima. O porquê do assassinato, portanto, ninguém sabe, mas caberá ao professor de Leland no presídio, um escritor fracassado, tentar descobrir os problemas do menino e tentar ajudá-lo da melhor forma possível.


Matthew Ryan Hoge possui apenas dois trabalhos em sua carreira: “Self Storage” (1999) e “O Mundo de Leland”, em ambos faz a vez como diretor e roteirista das tramas. Nesse seu segundo trabalho, seu melhor está em escrever o filme, não em dirigi-lo. O roteiro é algo perto de excelente, se não fosse por um ou outro momento de deslize, mas generalizando ele é composto por ótimos diálogos e o fato de Leland narrar em parte a história e lembrar-se de alguns fatos relevantes para o desfecho do drama é um artifício que deixa o filme mais completo, interessante e palpável. O também nada experiente Jeremy Enigk conduz a trilha sonora do filme, esse foi seu único trabalho como compositor, mas trabalhou também nos filmes “Dream With the Fishes” (1997) e no recente “A Fera” (2011).


O que mais interessa aqui é o fato de o filme ser o início da carreira de jovens atores que se destacaram nos últimos dez anos. Nascidos entre 1976 e 1987, são eles, respectivamente: Michael Penã, o preso Guilhermo, que viria a trabalhar em “Crash – No Limite” (2004), “Menina de Ouro” (2004) e “Leões e Cordeiros” (2007); Chris Klein que interpreta Allan Harris é o cunhado do garoto assassinado, o rapaz é bem perturbado por ter perdido a mãe e pela rejeição do pai, o ator é famoso pela série “American Pie”, onde ele interpreta Chris “Oz” Ostreicher e por outras comédias; Michelle Williams, a irmã do indefeso Ryan, foi indicada três vezes ao Oscar pelos filmes “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), “Namorados para Sempre” (2010), no qual atua ao lado de Gosling novamente e “Sete Dias com Marilyn”, pelos mesmos filmes foi indicada ao Globo de Ouro, ainda possui duas indicações ao BAFTA e quatro ao SAG (Sindicato dos Atores), a atriz dá vida a uma menina feliz que se sente muito perdida e triste com a morte do irmão; Ryan Gosling interpreta o protagonista Leland, o ator nos apresenta um rapaz cheio de dúvidas e receios que não entende muito bem os propósitos da vida, e por isso, sem saber o porquê, acaba matando o rapaz que tem retardamento mental, o ator foi indicado ao Oscar por “Half Nelson – Encurralados” (2006), mas foi de 2007 para cá que ele demonstrou seu talento, foi indicado quatro vezes ao Globo de Ouro e popularizou-se entre público e crítica por “Entre Segredos e Mentiras” (2010), “Drive” (2011) e “Tudo Pelo Poder” (2011), esse dois últimos foram dois dos melhores filmes do ano; Jena Malone é a outra irmã da vítima, uma menina viciada em drogas que vê seu mundo desabar quando o “ex-quase-namorado” mata seu irmão, a atriz participou de títulos como “Cold Mountain” (2003), “O Estranho Mundo de Jack e Rose” (2005), “Orgulho & Preconceito” (2005), “Na Natureza Selvagem” (2007) e “O Solista” (2009); por último temos o jovem assassinado, Ryan é interpretado por Michael Welch, que, recentemente, pode ser visto na “’Saga’ Crepúsculo” (2008 – 2011). Vale citar as ótimas interpretações de Don Cheadle, o professor nada correto frustrado por não conseguir escrever seus livros, mas que vê em Leland um jovem diferente e uma história sobre a qual vale a pena escrever, e Kevin Spacey, o pai de Leland, um homem que não se importa com nada e ninguém além dele próprio.


“O Mundo de Leland” é mais que apenas uma boa história sobre um assassinato cometido por um jovem adolescente, é uma reflexão sobre uma sociedade desinteressada na vida social dos jovens, mas também  reflete sobre o fato de que nem tudo na vida tem uma explicação, e denuncia que o ser humano se atem apenas aos erros das pessoas e esquece tudo de bom que elas já fizeram. O filme não defende a personagem central, não a coloca em um pedestal como se ela realmente tivesse feito algo de bom pelo mundo no momento em que ela matou outro ser humano, afinal, ele acabou com a vida de várias pessoas, mas ele deixa claro como os destinos e histórias de todas as pessoas do mundo estão entrelaçados e como eles irão se encontrar algum dia pelo bem, ou mal, de um, de outro ou de todos.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

249. DRIVE, de Nicolas Winding Refn


A reinvenção do anti-herói no gênero thriller em um dos melhores filmes do ano.
Nota: 9,0


Título Original: Drive
Direção: Nicolas Winding Refn
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Oscar Isaac, Christina Hendricks, Ron Perlman, Kaden Leos, Jeff Wolfe, James Biberi, Russ Tamblyn
Produção: John Palermo, Marc Platt, Gigi Pritzker, Adam Siegel, Michel Litvak
Roteiro: Hossein Amini e James Sallis (romance)
Ano: 2011
Duração: 100 min.
Gênero: Triller / Drama

Durante o dia um homem divide seu tempo entre ser dublê em filmes com cenas perigosas envolvendo carros e trabalhando como mecânico para um homem bem suspeito, durante a noite, o mesmo homem, é contratado para ser motorista de assaltantes. Sua política é bem simples: durante cinco minutos ele servirá para os assaltantes, um minuto antes, um minuto depois o problema é dos assaltantes, não usa arma e não participa do serviço. Entretanto tudo em sua vida mudará ao envolver-se com a bela Irene, que tem um filho com um presidiário recém solto e atolado até o pescoço com problemas com a máfia.


O dinamarquês Nicolas Winding Refn ficou conhecido pela trilogia “Pusher” (1996 / 2004 / 2005), as tramas giram em torno do traficante Milo e todos que estão envolvidos em seus esquemas milionários, os filmes foram sucessos de público, mas especialmente a crítica os elogiou. Em “Drive” ele vai fundo novamente nas máfias e nos criminosos das grandes cidades, quando o motorista se envolve com Irene e com o marido criminoso da mesma, vemos nitidamente a influência da máfia nas prisões e no cotidiano da população. O diretor adapta o livro incrivelmente, tornando a história apreensiva, mas sem ser chata ou parada, as sequências das fugas organizadas pelo protagonista são emocionantes e aceleram o filme o tempo todo. O fato de a história ir e vir na mente da personagem também diferencia e melhora ainda mais o filme. O roteiro é escrito por Hossein Amini, o mesmo de “Paixão Proibida” (1996), “Asas do Amor” (1997), que lhe rendeu uma indicação os Oscar, “Honra & Coragem – As Quatro Plumas” (2002), “Conspiração Xangai” (2010) e, recentemente, “Branca de Neve e o Caçador” (2012). Cliff Martin é o compositor de uma trilha sonora que não aparece muito no filme, mas é bem-vinda o tempo todo, ele também compôs para bons filmes como “Sexo, Mentiras e Videotape” (1989), “Kafka” (1991), “Traffic: Ninguém Sai Limpo” (2000), “O Poder e a Lei” (2011) e “Contágio” (2011).


O ator televisivo Bryan Cranston vive Shannon, uma espécie de agente do Motorista, que o ajuda em todos os seus trabalhos e é seu chefe na oficina. Albert Brooks, de “Taxi Driver” (1976), é o claramente criminoso Bernie Rose que investe no Motorista como piloto de corridas, mas que se revelará um homem egoísta e egocêntrico. Oscar Isaac, de “Robin Hood” (2010), é o marido de Irene, palavra nenhuma define melhor a personagem que não “ferrado”. Ron Perlman, o protagonista de “Hellboy” (2004), vive Nino, outro criminoso inescrupuloso que só se importa com seus negócios e sua vida. Christina Hendricks, famosa por viver Jaon Harris na série “Mad Men” (2007-2012), faz uma pequena participação como a idiota Blanche. A bela Carey Mulligan, indicada ao Oscar por “Educação” (2009), vive Irene, apesar de aparecer pouco, todas as cenas da atriz mostram uma mulher simples e que tenta lutar para sobreviver ao lado do filho da melhor forma possível. Ryan Gosling iniciou sua carreira na televisão em 1995, quase dez anos depois foi que se popularizou no romance “Diário de uma Paixão” (2004), em 2007 foi indicado ao Oscar por “Half Nelson – Encurralados” (2006), mas foram os anos de 2010 e 2001 que trouxeram à carreira do ator fama e admiração de público e crítica com “Namorados para Sempre” (2010), “Entre Segredos e Mentiras” (2010), “Amor a Toda Prova” (2011) e o fantástico “Tudo Pelo Poder”. Em “Drive” o filme pertence totalmente a Gosling, que leva a trama toda nas costa com maestria ao interpretar um homem fechado, de poucos, ou nenhum, amigos, calado e que impressiona a cada cena em que precisa fazer coisas inimagináveis para sobreviver. O fato de a personagem não possuir um nome e ser chamado por alguns de Motorista, Garoto ou Amigo demonstra o quanto ele é sozinho e não depende de ninguém para seguir sua vida.


As semelhanças entre o filme de Nicolas Winding Refn e o clássico “Taxi Driver” (1976) do mestre Martin Scorsese e protagonizado por Robert De Niro, são várias: o protagonista vive sozinho, mantêm sua vida social extremamente privada, pratica certos atos ilícitos, quando encontra uma mulher faz de tudo para protegê-la, ambos matam sem dó nem piedade quando consideram necessário e os perfis dos dois, de modo geral, são muito parecidos. “Drive” não tem função de refletir ou de nos passar alguma bela mensagem sobre a vida, bem como grandes filmes, como o próprio “Taxi Driver” e tantos outros, o filme é mais uma forma de mostrar um tipo que sempre acaba por ser querido pelo público: o anti-herói que faz tudo da forma mais errada possível, mas que consegue persuadir o público a não julgá-lo, pelo contrário, admirá-lo. Sendo assim, o filme apenas serve para divertir àqueles que gostam do gênero e para mostrar que nessa fraca geração de atores lançada precipitadamente por Hollywood, Ryan Gosling é uma exceção.


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quinta-feira, 1 de março de 2012

375. TUDO PELO PODER, de George Clooney

Um filme sobre política que fala exatamente sobre isso: política e suas formas sujas e desonestas.
Nota: 9,4



Título Original: The Ides of March
Diretor: George Clooney
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Jeffrey Wright
Produção: Grant Heslov, George Clooney, Brian Oliver,
Roteiro: Grant Heslov, George Clooney e Beau Willimon
Fotografia: Phedon Papamichael
Duração: 101 min.
Ano: 2011
Gênero: Drama


CONFIRA O TRAILER DO FILME:


           A política é um meio arriscado de se viver a vida, e é essa a maior conclusão que podemos tirar dese filme. O publicitário Stephen Myers (Ryan Gosling) é um idealista político que admira profissionalmente Mike Morris (George Clooney) e suas ideias acima de qualquer outro político. Eis que Morris é candidato a presidência dos Estados Unidos da América e Myers um de seus principais assessores políticos, e é ai que mora o perigo. O rapaz se vê rodeado de pessoas que ele não faz ideia do que pretendem, em meio a isso tudo ele descobrirá as sujeiras que envolvem o chefe da assessoria Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), o chefe de assessoria da opocição Tom Duffy (Paul Giamatti), a repórter política de um dos maiores jornais do país Ida Horowicz (Marisa Tomei) e a estagiária por quem ele se apaixona Molly Stearns (Evan Rachel Wood).
           Com um elenco tão fantástico Clooney não poderia errar em nada, apesar de ele ter dirigido poucos trabalhos (filmes foram apenas quatro, e uma série para televisão em 2005) ele se mostra muito mais do que um ator. Aqui ele acumula muitas funções: é diretor, vive o candidato a presidência, adapta a peça de Beau Willimon ao lado do próprio e de Grant Heslov e ainda é um dos produtores do filme, mas faz todas elas com uma competência que eu não espera vindo dele, sua atuação supera em muito o filme "Os Descendentes", aliás, esse filme supera em muito o filme dirigido por Alexander Payne, o roteiro é maravilhoso e a direção impecável. Clooney escolhe as tomadas exatas e os momentos são precisos.



          Mas existe alguma coisa a parte nesse filme, faz algumas críticas que venho querendo dar um ênfase no compositor Alexandre Desplat por seus trabalhos nos últimos anos estarem sendo tão bons, melhor ainda, 2011 foi uma ano e tanto para ele e é imperdoável ver John Willians (que apesar de ser, na minha opinião, um dos melhores compositores de trilhas sonoras para filmes de todos os tempos e um dos maiores vivos não faz muita coisa em "Cavalo de Guerra") indicado por "Cavalo de Guerra" e não ver Desplat entre os cinco. Bem, o fato é que Desplat participou das trilhas sonoras de nada mais nada menos do que oito filmes lançados em 2011: "Tão Forte e Tão Perto", "Carnage", "Tudo Pelo Poder", "Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte II", "Uma Vida Melhor", "A Árvore da Vida", "La Fille du Puisatier" e "Largo Winch II", desses eu assisti cinco (que inclusive são indicados em pelo menos uma categoria no Oscar) e confesso que não me decepcionei nem um pouco. Por fim, podemos concluir que o francês está lutando e se esforçando muito para nos fazer acreditar que ele pode ser o quarto entre os melhores compositores atuais (John Williams, Howard Shore e Hans Zimmer) que juntos os (quatro) somam no ano de 2011 mais de vinte trilhas sonoras e são os responsáveis pelas maiores franquias dos últimos anos: "Harry Potter", "O Senhor dos Anéis" e "Piratas do Caribe", que, juntando-se todos os seus filmes somam quase quinze bilhões de dólares de lucro. Em "Tudo Pelo Poder" ele é fantástico e sua trilha é extremamente apropriada para cada cena.
       Clooney, Seymour Hoffman, Giamatti e Tomei já são nomes conhecidos e garantia de atuações satisfatórias mesmo que em filmes ruins. Já Gosling e Rachel Wood são nomes menos conhecidos, mas que prometem muito. Ele ganhou o público apenas em 2004 (já atuava desde 1995) com o fraco "Diário de uma Paixão" e se firmou como um dos melhores de sua época em 2010 com "Namorados para Sempre" onde contracena com Michelle Williams, esse ano lança quatro filmes entre longas e um curta, todos extremamente bem aclamados pela crítica e pelo público. Ela é um pouco mais nova, apenas 25 anos e conquistou público e crítica em "Aos Treze" de 2003 (lembro-me bem da certa polêmica que esse filme causou e como começou a ser utilizado como material nas escolas alertando os perigos das drogas), hoje ela já possui 27 indicações à prêmios, venceu oito, dentre algumas indicações estão o Globo de Ouro e o Emmy; apesar de tudo foi apenas no ano passado que ela foi reconhecida da forma que devia por uma das melhores minisséries que já assisti, em "Mildred Pierce" ela atua como filha de Kate Winslet e é magnífica, aliás as duas o são, dentre seus outros trabalhos estão filmes como "Across the Universe" (2007) e "O Lutador" (2008) e a série True Blood (2009-2011)



          Existem acontecimentos nesse louco mundo do entretenimento que são inexplicáveis, um deles é "Tudo Pelo Poder" ter sido tão rejeitado pelas premiações, apesar disso marcou 85% de aceitação no maior site de críticos do mundo (http://www.rottentomatoes.com/). Provavelmente devemos essa rejeição ao fato de o filme abordar essa sujeirada da política americana de forma tão aberta para que qualquer um possa ver como rola a coisa entre eles. Pelo poder os humanos são capazes de tudo, não existem inocentes quando o assunto é chegar ao topo de dominar o maior número possível de pessoas no mundo e esse filme mostra de forma perfeita esse ideal.
         O filme foi indicado a apenas um Oscar, de melhor roteiro. Foi indicado em quatro categorias do Globo de Ouro, não levou nenhuma. Também foi indicado no Sindicato dos Produtores, e perdeu.Foi indicado ao BAFTA, não ganhou. Coube ao Instituto Australiano de Filmes considera-lo melhor filme e roteiro do ano.

           Essa semana o Festival de Cannes publicou o cartaz de sua 65ª edição, confiram a homenagem à Marilyn Monroe abaixo:

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