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sábado, 1 de março de 2014

015. (ESPECIAL OSCAR 2014) O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG, de Peter Jackson

Jackson está cada vez mais perto do fim, e cada vez mais perto da perfeição
Nota: 9,0


Título Original: The Hobbit: The Desolation of Smaug
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambleton, Jed Brophy, Mark Hadlow, Sam Brown, Orlando Bloom, Evangline Lilly, Cate Blanchett, Bnedict Cumberbatch, Mikael Persbrandt, Sylvester McCoy, Luke Evans, Stephen Fry, Ryan Cage, John Bell, Lee Pace
Produção:
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guilhermo Del Toro e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2013
Duração: 161 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

Bilbo Bolseiro, Gandalf o Cinzento e os 13 anões que saíram do contado já estão em sua aventura há cerca de 12 meses. Eles já passaram por gigantes de pedra, por orcs que desejam a cabeça de Thórin e trolls amedrontadores. Também já se encontraram com os elfos Galadriel e Elrond, em Valfenda e Bilbo já está em pose do Um Anel, o qual “roubou” de Gollum. Agora, o grupo deve continuar sua jornada para a Montanha Solitária, onde o Dragão Smaug se encontra, e eles nunca estivem tão próximos. Mas, para chegar ao seu destino, precisarão enfrentar outros obstáculos: a Floresta das Trevas, moradia de dezenas de aranhas gigantes, a ganância dos Rei dos Elfos, Thranduil, a loucura do Mestre de Laketown, e, claro, mais e mais bandos de orcs que, agora, estão cumprindo ordens de uma força muito mais maligna do que os pequenos imaginam.


É sempre importante lembrar que Peter Jackson, quando decidiu voltar à Terra Média e adaptar “O Hobbit”, também escrito pelo mestre J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Aneis”, resolveu continuar vivendo seu sonho e optou por realizar uma trilogia. Sim, uma trilogia, com três filmes de duas horas e meia, adaptando cerca de 300 páginas. Claro que faltou história para tanto tempo. E Jackson usou sua criatividade para driblar esse problema. Antes de proseguir, é preciso lembrar que Gandalf e sua turma estão nessa aventura com o propósito de os anões tomarem sua montanha de volta de Smaug. Há anos, o monstro, sabendo que a montanha dos anões estava cheia de ouro e pedras preciosas, tomou o local, expulsando os que ali viviam, ou pior: quimando-os. Agora, Thórin Escudo de Carvalho, filho de Thráin II, neto de Thrór, membro do povo de Dúrin e herdeiro da Montanha Solitária quer recuperar o que é seu de direito, mesmo que isso custe muito tempo e algumas vidas. Convencido por Gandalf, o Cinzento, Bilbo Bolseiro aceita participar dessa aventura, e deixa o pacato Condado onde vive para trilhar o caminho ao lado dos anões. São essa figuras, um mago, um hobbit e 12 anões, que compõe a Companhia dos Anões, muito menos glamorosa que a Sociedade do Anel do primeiro filme da trilogia “O Senhor dos Aneis”, mas igualmente decidida e forte. E foi, ainda, Gandalf quem convenceu, em um prólogo mostrado nesse filme, Thorin de ir até a Montanha Solitária e recuperar a Pedra Arken, o maior símbolo do povo de Dúrin, para que ele recupere seus direitos e se torne rei. Para compreender melhor, basta dizer que a pedra foi encontrada pelos anões enquanto cavavam a Montanha, possui luz própria (que foi intensificada pelos anões) e representa um tesouro de valor inestimável para os senhores das montanhas. Também é importante dizer, que pouco antes de entrarem na Montanha Solitária, Thorin promete ao povo de Laketown, que também sofreu com o ataque do Dragão, que, caso ele conseguisse recuperar seu ouro, eles seriam agraciados com uma parte significativa para que a cidade pudesse voltar a ser um ponto comercial. Os anões e Bilbo, entram na Montanha e, com isso, Smaug acorda, e promete fogo, muito fogo. Também é bom lembrar que, nesse contexto, Gandalf está muito longe de seus parceiros de viagem, foi ao encontro das ruínas de Dol Guhur, onde acaba sendo aprisionado após um confronto com o Necromante – na verdade, Sauron, a tal força malígna que está pronta para se re-erger das sombras. O mesmo Sauron que convenceu os anões, os elfos e os homens a aceitarem os grandes aneias, o mesmo Sauron que enganou a todos e ,no fogo da Montanha da Perdiçao, “forjou em segredo um anel mestre para controlar todos os outros, e neste anel colocou toda a sua crueldade, sua maldade e sua vontade de governar todas as formas de vida [...]Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los.” [Galadriel].


Todavia, o mais incrível de toda essa história é que, diferente do primeiro filme, funciona muito bem. A primeira ora se divide entre momentos monótonos e momentos de tensão pura. Personagens, como Legolas, e cenas que não aparecem no livro, não importam tanto já que o conjunto é bem mais interessante que o primeiro longa. Apesar da construção de Thórin torná-lo cada vez mais fraco, a força e beleza do personagem de Bilbo Bolseiro é algo que merece destaque. E mais: as lutas internas dos personagens devem ser lembradas. Bilbo luta contra sua vontade de usar o Um Anel, e Thórin luta com a ganância tão natural de seu povo. A primeira aparição dos elfos nesse filme (uma parte deles já havia se apresentado no longa anterior) é ótima e podemos ver como alguns seres da Terra Média não estavam preocupados com outros, apenas desejavam o poder e o bem de seu povo. Os orcs estão caminhando, cada vez mais, para o futuro cruel e enojador que conferimos na trilogia de “O Senhor dos Aneis”. E Samug é fantástico! Se a cena do encontro com Bilbo e Gollum/Smeagall foi uma das melhores do ano passado, o mesmo podemos dizer da cena em que, mais uma vez, um Bilbo que teve pouco destaque nesse filme rouba todas as atenções e, finalmente, encontra (e acorda) o adormecido Dragão Smaug. Os dois conversam (muitos já afirmam que foi pura enrolação), discutem (mais enrolação ainda), Bilbo encontra a Pedra de Arken, mas não consegue pegá-la (momento de êxtase) e, finalmente, Smaug, com toda a sua fúria, o Dragão tenta queimar Bilbo (o que alguns acharam cedo demais). Para mim, a cena foi perfeita, e melhorou muito mais com a chegada dos anões e a luta dos mesmos com a fera.


Claro que alguns erros foram cometidos pelo diretor. E que nos os cometeria na emoção de estar deixando, por fim, a Terra Média após concluir essa trilogia? A cena dos barris é ridícula, e sentimos que os personagens estão mais em algum brinquedo de parque de diversões ou em um joguinho bobo para crianças que fugindo de orcs – sem falar na estupidez que foi ter colocar Legolas pulando de cabeça em cabeça para matar alguns monstros, tudo bem, ele é um elfo e os elfos são incríveis em tudo o que fazem, mas fazer com que o personagem estivesse em uma fase bônus de algum vídeo game foi gozação. Gozação com Legolas, com Orlando Bloom e com o espectador. Ver Tauriel curando Killy é repetitivo demais se lembrarmos da cena em que Arwen salva Frodo em “O Senhor dos Aneis”, até as personagens (elfos) são parecidas. Aliás, Tauriel, sem dúvida, é muito bem vinda, mas o romance entre ela, Legolas e Killy, também vai além da ficção, além da adaptação. Porém, devemos nos ater aos efeitos que o longa traz. À criação de uma Terra Média, mais uma vez, impecável, descrita pelo diretor como aquele lugar instável, repleto de mistérios e belezas. Aquele mundo paralelo que esconde segredos entre as calmas vilas e os agitados palácios. Uma terra explorada por Tolkien, Jackson e cada fã dessa história incrível. A trilha sonora de Howard Shore nos remete ao trabalho feito para a trilogia anterior, não que tenha algum tema parecido, a semelhança é em como ela é original, bem feita e conduzida. Apesar de acreditar que o longa merecesse mais indicações ao Oscar, levou apenas três. A primeira vai para Brent Burge, editor de efeitos sonoros na trilogia “O Senhor dos Aneis” e concorrendo com “Capitão Phillips” e “Gravidade” como melhor edição de som. A segunda, vai para um quarteto de especialistas em som que, juntos, somam cerca de 350 títulos ao longo de suas carreiras e que concorrem, mais uma vez, com “Capitão Phillips” e “Gravidade” pela estatueta de melhor mixagem de som. Por último, o quarteto liderado por Joe Letteri, vencedor de 4 Oscars, incluindo um pela carreira, é indicado por melhores efeitos visuais, prêmio que, provavelmente, irá para “Gravidade”. Claro que o filme poderia ter sido indicado em outras categorias, como melhor maquiagem e cabelo, direção de arte, trilha sonora e pela canção “I See Fire” totalmente encaixada no contexto da trama.


O maior problema, no entanto é podermos assistir a esse filme mesmo depois de ter falado tanto sobre sua história. Em meio a tanta beleza estética e sonora, Peter Jackson pesa a mão e traz um filme sem muitas novidades. Contar tudo o que acontece durante o longa não fará diferença, e não que o que interessa seja o desenrolar da trama como em alguns grandes filmes do cinema, o que interessa mesmo são os efeitos visuais e sonoros, a história é mais uma passagem entre a revelação da situação vista no primeiro filme e os acontecimentos que veremos no próximo longa. Conferir o desfecho dessa história deixa o espectador louco pelo próximo longa, e esse é o maior acerto de Jackson. Ouvir as últimas palavras de Smaug (dublado por Benedict Cumberbatch em uma interpretação fantástica), proferidas enquanto ele voa da Montanha Solitária direto para a aldeia de Laketown, faz nossos olhos se arregalarem, nossas mãos suarem e nossos lábios sorrirem, pois sabemos, que no próximo longa, a coisa vai esquentar ainda mais e, quem sabe, tenhamos o filme que tanto esperamos. Desta vez, ao que tudo indica, “Gravidade” será o grande vencedor da noite no Oscar, o que deixa “O Hobbit” fora do páreo. Quem sabe, Peter Jasckson acerte novamente, como fez três vezes seguidas com “O Senhor dos Aneis” e, no ano que vem, “O Hobbit” seja um vencedor em todos os sentidos. Afinal, ainda não foi dessa vez.

PRÊMIOS EDDIE (SINDICATO DOS EDITORES)
Melhor Edição em Drama: Chris Rouse, por Capitão Phillips
Melhor Edição em Comédia ou Musical: Jay Cassidy, Crispin Struthers e Alan Baumgarten, por Trapaça
Melhor Edição em Animação: Jeff Draheim, por Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Edição em Documentário: Douglas Blush, Kevin Klauber e Jason Zeldes, por A Um Passo do Estrelato
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

043. OS TRÊS MOSQUETEIROS, de Paul W. S. Anderson

A última adaptação do romance de Alexandre Dumas é chata e decepcionante.
Nota: 6,0


Título Original: The Three Musketeer
Direção: Paul W. S. Anderson
Elenco: Mathew Macfayden, Luke Evans, Ray Stevenson, Logan Lerman, Milla Jovovich, Orlando Bloom, Mads Mikkelsen, Christoph Waltz, Freddie Foz, Juno Temple, James Corden, Gabriella Wilde, Ian McKee
Produção: Paul W. S. Anderson, Jeremy Bolt,Robert Kulzer
Roteiro: Alex Litvak, Andrew Davis e Alexandre Dumas (romance)
Ano: 2011
Duração: 110 min.
Gênero: Aventura / Ação

Athos, Portohs e Aramis eram os três mosqueteiros do Rei francês até serem traídos por Lady de Winter e se tornarem um bêbado, um gigolô e um homem a serviço do estado. Entretanto, a chegada do jovem D’Artagnan, filho de um antigo mosqueteiro, fará com que ressurja o espírito aventureiro desses homens. Nesse contexto, quando o destino os colocarem de frente a um velho inimigo, o Duque de Buckingham, eles decidirão pelo bem da França e lutarão.


Paul W. S. Anderson dirigiu alguns filmes conhecidos, como “Mortal Kombat” (1995), “O Soldado do Futuro” (1998), “Resident Evil: O Hóspede Maldito” (2002), “Alien vc. Predador”(2004), “Resident Evil 4: Recomeço” (2010) e “Resident Evil 5: Retibuição” (2012). Em “Os Três Mosqueteiros” o trabalho do diretor acaba sendo ofuscado pela beleza visual proporcionada pela arte de direção de Nigel Churcher, de Hucky Hornberger e de David Scheunemann, que já foram diretores de arte de outros bons filmes que, assim como esse, se destacaram, justamente, pela beleza visual. Além disso, temos a ótima edição de Alexander Berner e Claus Wehlisch, editores, também, do recente “A Viagem” (2012). Ainda no campo técnico, temos a decoração de set que nos reporta à exata França da época de Luis XIII, realizada por Philippe Turlure, responsável por decorações como de “Último Tango em Paris” (1972), “Perdas e Danos” (1992), “Evita” (1996), “O Último Portal” (1999), “O Enigma do Colar” (2001) e “Perfume – A História de um Assassino” (2006). A trilha sonora é composta por Paul Haslinger, e é mais uma coisa interessante e boa entre tantos desastres desse filme. Dentre os roteiristas, destaco Andrew Davis, em atividade desde 1967 e roterista de mais de 80 trabalhos, especialmente para a televisão.


O quarteto que compõe os três mosqueteiros é simplesmente resumido em péssimo. Respectivamente, como Athos, Aramis, Porthos e D’Artagnan, temos: Matthew Macfadyen, Luke Evans, Ray Stevenson e Logan Lerman. Em primeiro lugar não vejo por que falar deles separadamente se a definição é a mesma: não há sincronia entre eles, nenhum consegue nos transmitir a beleza de ser um mosqueteiro, mesmo quando parece que eles arrumaram algo pelo que vale a pena lutar, enfim, não há nada de produtivo que possa ser tirado desses quatro atores. Macfadyen, um ator com o qual simpatizo, está melancólico e submisso demais; Evan é o menos pior dos quatro, mas, ainda sim é um padre, não um mosqueteiro; Stevenson é um brutamontes que não consegue sustentar nem a ele mesmo, o que o torna um perdedor de marca maior, e só piora pelas feições do ator; Lerman é convencido demais e parece que encarna o narcisismo do personagem, perdendo-se em tantas piadas e em tanta bravura. Milla Jovovich, outra pessoa do elenco por quem tenho simpatia, está simplesmente desnecessária como Lady de Winter (personagem belíssima inspirada na prostituta Marion Delorme, possível amante do Cardeal de Richelieu), ela é chata, artificial demais e a atriz não consegue trazer nenhuma identidade à personagem. Orlando Bloom é outra decepção de marca maior, quando eu começo a me acostumar com suas atuações ele nos traz uma interpretação pobre de um dos melhores personagens da trama, tornando o vilão uma piada. A dupla composta pelo Rei e pela Rainha da França, respectivamente interpretados por Freddie Foz e Juno Temple, faz a vez do casal simpático, mas não há seriedade alguma nesse Rei idiota e ele se expõe de forma ridícula, Temple está aceitável, séria e se porta como uma dama.


Para salvar esse longa da  verdadeira catástrofe, um austríaco e um dinamarquês, nesse filme dirigido por um inglês e que conta a história dos mosqueteiros franceses (vividos por ingleses): Christoph Waltz e Mads Mikkelsen são, respectivamente, Richelieu e Rochefort. Confesso que foi Waltz quem me convenceu a ir ao cinema há poucos anos assistir a esse filme, saí de lá me perguntando o que fez esse homem aceitar o papel e, após algum tempo, conclui: o personagem é ótimo e nos traz um grande nome da história. O Cardeal de Richelieu foi o braço direito do Rei Luis XIII durante todo seu governo, destruindo a imagem da mãe e do irmão do monarca para poder ficar ao seu lado. Foi um dos maiores nomes da história na luta pela preservação do absolutismo e da França como potência europeia. Ao lado do Rei lutou em guerras e conquistou territórios e alianças. Dessa forma, volta à minha teoria: só posso acreditar que Christoph Waltz foi caridoso e emprestou sua genialidade a esse filme devido a força de seu personagem. Mads Mikkelsen vive o Conde de Rochefort, outro personagem que possui muita força devido ao destaque dado a ele na história de Alexandre Dumas. A interpretação é firme como imaginamos o personagem, Mikkelsen não parece ser um homem piedoso que terá qualquer misericórdia.



Alexandre Dumas gostaria da história proposta pelo enredo do longa, mas se decepcionaria com os mosqueteiros que nos são apresentados. Se decepcionaria, também, com um Rei fraco demais e uma Lady de Winter (uma das personagens mais características de sua obra) que parece mais uma bonequinha de porcelana que mal pode se mexer de tão dura, com um Duque de Buckingham deplorável (o dito homem mais poderoso da Inglaterra jamais se pareceria com ele). O longa possui beleza visual e sonora, como apontei, tem como trunfos as ótimas atuações de Waltz e Mikkelsen, mas isso tudo não é o suficiente para ofuscar os defeitos e as enaltações desnecessárias. Com o passar do tempo, o filme fica exagerado até em seu roteiro, alucinado demais e sem graça ou proveito algum a não ser pelo enredo interessante. Não cometam o mesmo erro que eu, se tiverem vontade de conferir o longa por Waltz e Mikkelsen, aconselho: façam uma dobradinha Tarantino com “Bastardo Inglórios” (2009) e “Django” (2012), pelos quais o austríaco venceu dois Oscars, e aproveitem o final de ano para conferir a nova série sobre o serial killer mais adorado do cinema, “Hannibal” (2012), onde o assassino é interpretado com maestria pelo dinamarquês.


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domingo, 10 de junho de 2012

284. PIRATAS DO CARIBE – NO FIM DO MUNDO, de Gore Verbinski

Mais um filme feito apenas pelo dinheiro.
Nota: 7,0


 Título Original: Pirates of the Caribbean – Ar World’s End
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Keira Knigthley, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Jack Devenport, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Naomi Harrys, Stellan Skarsgard
Produção: Jerry Bruckheimer, Bruce Hendricks, Mike Stenson, Pat Sandson, Chad Oman e Eric Mcleod
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2007
Duração: 169 min.
Gênero: Aventura / Fantasia / Comédia

A canção foi cantada; a Corte da Irmandade dos Piratas convocada; Will, Elizabeth, Barbossa e a tripulação salvaram Jack do mundo dos mortos; Davy Jones recuperou seu coração; mas todos estão movidos por um inimigo perigoso em comum: a cora inglesa. Lord Cutler Beckett tem o comando de Jones, aprisionou Elizabeth e deseja controlar os sete mares colocando um fim na Irmandade dos Piratas e liderando a Companhia das Índias Orientais. Agora todos os piratas terão de se unir para derrotar Beckett.Agora Sparrow, Barbossa, Elizabeth, Will e toda a tripulação do Pérola Negra devem por um fim no monopólio marítimo criado por Jones e salvar suas vidas de uma vez por todas, já que um passo foi dado com a morte do Kraken.


Verbinski volta na direção desse filme, como no segundo, o melhoramento técnico é visível e vai tornado o filme cada vez mais qualitativo. A alternância entre espaços escuros e claros não é feita com muita grandiosidade, apesar de ótimas cenas durante o dia, as cenas das noites em qualquer lugar parecem um pouco confusas pela falta de iluminação necessária. Como um todo não se pode dizer que é um excelente filme, bem como o segundo apenas diverte, sem ambições pare ser um clássico do gênero, é apenas um meio de ganhar mais dinheiro nessa mina de ouro que é a franquia Piratas do Caribe. Hanz Zimmer assume a trilha sonora novamente, e, como era de se esperar, dá mais um show com a adaptação do tema principal da franquia.



Johnny Depp volta apenas após um ano para Sparrow, nos revelando, como sempre, uma atuação maravilhosa, vista nos primeiros filmes da franquia. Seu Sparrow é extremamente convincente, confuso ao não sabe o que quer da vida e se escolhe apenas sua ambição ou se deve pensar em seus amigos também. Aqui é o filme em que muitos nos deixam: Keira Knightley vai tentar a vida em produções que exijam mais dela profissionalmente, Orlando Bloom deixa a série por motivos que eu desconheço, Bill Nighy vê o fim de sua personagem que ia começar a ficar muito chata, o mesmo destino é dado ao ótimo Tom Hollander, que vive o insuportavelmente ganancioso Lorde Cutler Beckett, portanto temos uma despedida digna de todos: Will e Elizabeth resolverão seus problemas e decidirão se ficam juntos ou não, Beckett verá que não pode ter tudo na vida e Nighy dá mais um show em sua interpretação. Portanto, nos restará a parte boa do elenco: Geoffrey Rush, sempre excelente como o Capitão Hector Barbossa; Kevin McNally, como a querido Joshamee Gibbs e a entrada de Keith Richards como o pai de Jack Sparrow, Capitão Teague, que aceitou ser a personagem por insistência de Depp e permanecerá no próximo filme.


Mais um desses filmes feitos para ganhar dinheiro que conquistou seu objetivo, essa é a melhor definição para esse filme. Nada grandioso ou ambicioso em sua técnica, como já disse, é divertido e não passa disso, mas a idéia de dar um desfecho para algumas história surpreenderá com o próximo filme da sequência. Assisti-lo somente é essencial se desejar comprovar o que ocorre com as personagens para tentar entender o quarto filme, nada além de uma grande e desnecessária, é o que o segundo e o terceiro filmes dessa saga representam na história do cinema.



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sexta-feira, 1 de junho de 2012

290. PIRATAS DO CARIBE – O BAÚ DA MORTE, de Gore Verbinski


O segundo, apesar de satisfazer, nunca é tão bom quanto o primeiro. Esse não foge à regra.
Nota: 7,8


Título Original: Pirates of the Caribbean – The Dead Man’s Chest
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Keira Knigthley, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Jack Devenport, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Naomi Harrys, Stellan Skarsgard
Produção: Jerry Bruckheimer, Bruce Hendricks, Mike Stenson, Pat Sandson, Chad Oman e Eric Mcleod
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2006
Duração: 151 min.
Gênero: Aventura / Fantasia / Comédia

 O casamento de Elizabeth e Will é impedido e ele recebe uma missão de Lord Cutler Beckett: ir onde for necessário para trazer uma bússola para ele e libertar sua amada da prisão, o único problema é que Will precisará encontrar o proprietário dessa bússola e persuadi-lo a entregá-la para salvar Elizabeth, ninguém menos que o Capitão Jack Sparrow. No entanto, os propósitos de Jack nesse filme não se centrarão muito em resgatar a donzela em perigo, afinal essa honra e dignidade toda não faz parte do pirata mais adorado do mundo, Sparrow quer livrar-se dos problemas que tem com o enigmático Capitão do Holandês Voador, Davy Jones, condenado por toda a eternidade por ter amado a mulher errada. É claro que toda aquela trupe do primeiro filme, irá fazer parte desse para deixá-lo ainda mais hilário.


Gore Verbinski nunca fez nenhum trabalho de muito sucesso, muito menos algum de que eu particularmente goste, a não ser os três primeiros filmes da franquia “Piratas do Caribe”. Dentre seus trabalhos temos a comédia que passou centenas de vezes na Sessão da Tarde, “Um Ratinho Encrenqueiro” (1997); o fracasso estrelado por Brad Pitt e Julia Roberts, “A Mexicana” (2001); o terror “O Chamado” (2002); e o chatíssimo “O Sol de Cada Manhã”, com o péssimo Nicolas Cage. Seu trabalho aqui começa a melhorar em relação ao primeiro filme, a fotografia melhora, a edição toma o mesmo rumo, mas existe algo que não pertence ao diretor que torna essa essa série inconfundível: ninguém mais ninguém menos que o alemão Hans Florian Zimmer assume a trilha sonora do filme e a faz se tornar um marco no cinema moderno. O vencedor do Oscar de 1995 por “O Rei Leão” (1994), tem ao seu lado do tema extremamente popular composta por Klaus Badelt e o melhora cem por cento. Zimmer, como eu já cansei de dizer, é um dos melhores compositores modernos, ao lado de John Williams e Howard Shore eles formariam o trio perfeito, se eles resolvessem se juntar e Williams fosse o responsável pelo piano, Zimmer pelas cordas e Shore pelos sopros eles fariam a trilha mais inimaginavelmente perfeita da história do cinema. Aqui, portanto, Zimmer nos proporciona diversas músicas ótimas, sem nunca deixar de lado o tema “He’s a Pirate”, trazendo toda a jovialidade impressa em Sparrow por Depp, a ganância dos piratas e a diversão atribuída a vida de quem vivia no mar roubando os outros no Século XVII. Do restante das músicas, seguem, em sua maioria, esse estilo eletrizante e divertido, destaque para as músicas compostas para o personagem Davy Jones, que são fortes e chamam muito a atenção. Além da trilha, o ponto forte desse filme é mesmo a parte técnica, as edições de som e imagem são maravilhosas tanto em alto mar quanto na terra e a maquiagem de Davy Jones e sua tripulação é perfeita.


Johnny Depp volta com sua personagem mais querida e a qual, segundo ele próprio, lhe traz muito divertimento. Não é difícil ver o quanto o ator se diverte interpretando Sparrow: é vivo, alegre, irônico, engraçado, sexy e nos mostra que não serão três anos separado de seu tão amado Jack que ele deixará de fazê-lo com perfeição. Keira Knightley tem sua interpretação “menos ruim” dos três filmes nesse aqui, apesar de gostar dela em algumas outras produções, acho sua Elizabeth ruim, talvez por a própria personagem ser chata e sem graça, mas confesso que vê-la na tela é sempre algo agradável para os olhos masculinos. Talvez Orlando Bloom tenha exatamente os mesmos problemas de Knightley,tornando-se algo chamativo para as mulheres que querem ver um pirata mais bonito e menos sujo. Mas aqui ainda temos atores de alto escalão para competir o espaço de Depp, alguns novos no elenco, outros oriundos do primeiro. Kevin McNally é o sempre ótimo Gibbs, uma das personagens mais adoradas da série, e o único que aparece em todos os filmes ao lado de Depp. Jack Davenport volta como um Norrington falido, bêbado e acabado que não sabe a quem se aliar para essas novas disputas. Stellan Skarsgard é o pai de William Turner, Bootstrap Bill, um pirata que, há anos atrás, ficou prisioneiro no Holandes Voador, da onde jamais poderá sair sem a permissão de Davy Jones. Ainda temos Naomie Harris como a enigmática Tia Dalma, uma feiticeira que tem muito mais o que esconder além de um corpo misterioso em sua casa. Jones, por fim, é interpretado pelo maravilhoso Bill Nighy, como um homem literalmente sem coração, que deseja a morte e o sofrimento alheio para tentar esquecer dos seus próprios por sua desilusão amorosa.


Esse segundo filme da franquia é o que eu menos gosto, bem como seu posterior é enrolado e o tempo todo parece que sue roteiro não sabe para que lado seguir. As sacadas do filme são ótimas, as cenas de Depp como o Deus de aborígenes são ótimas, as gaiolas feita de ossos chegam a dar arrepios e, apesar de cenas exageradamente falsas como a da roda em ilha, o filme possui técnica superior a do primeiro e com mais ação e lutas é divertido e nos faz rir bastante, afinal, é sempre algo muito agradável ver as trapalhadas e aventuras que somente um pirata no mundo pode nos proporcionar: o Capitão Jack Sparrow.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

344. PIRATAS DO CARIBE: A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA, de Gore Verbinski

Johnny Depp dá vida ao pirata mais clichê possível, mas ao mesmo tempo extremamente original.
Nota: 9,0




Título Original: Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Jack Devenport, Jonathan Pryce, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Damian O'Hare, Giles New, Angus Barnett, David Bailie, Michael Berry J. Isaac C. Singleton Jr., Kevin McNally
Produção: Jerry Bruckheimer
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2003
Duração: 143 min.
Gênero: Comédia / Aventura

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

          A Inglaterra sofre com a ameaça pirata vinda dos mares, dentre ela está o tão famoso Capitão Jack Sparrow. Apesar de o filme ser sempre de Sparrow , a história é sobre o chatíssimo Will Turner e o amor de sua vida, Elizabeth Swann. Quando Elizabeth resolve usar um colar que pegou de Will há anos atrás quando ele foi salvo pela tripulação do navio em que ela estava e a moça cai no mar com o dito medalhão uma força sobrenatural clama pelos inimigos reais, os piratas. Resumidamente, eles pegam a garota e Will, apaixonado por ela, sai atrás deles com Sparrow, que deseja recuperar seu tão amável navio, o Pérola Negra, sobre o qual recaem maldições e dezenas de crenças.


          A filmografia de Verbinski é bem simples: “Um Ratinho encrenqueiro” (1997), que já passou cem vezes na rede globo; “A Mexicana” (2001) com Brad Pitt e Julia Roberts; “O Chamado” (2002), o terror da década; a trilogia “Piratas dos Caribe” (2003, 2006 e 2007); “O Sol de Cada Manhã” (2005), um filme chato além do suportável com o mais chato ainda Nicolas Cage; e o maravilhosamente bem feito, sem palavras para expressar sua genialidade, “Rango” (2011), vencedor do Oscar de melhor animação desse ano, fala sobre um camaleão com crises de existência (dublado por Depp). Nessa trilogia ele é sempre a mesma coisa: bom. Não é ótimo, mas também não é ruim, no terceiro ainda excede as expectativas, nesse começo ele deixa claro que podemos esperar dos outros algo divertido e bem feito, mas nada sensacional de sua parte. Mas aqui o que merece destaque mesmo é o brilhantismo na composição da inacreditável trilha sonora de Klaus Badelt (mais tarde ele será substituído por Hans Zimmer). “He's a Pirate”, tema de Sparrow, é aquele tipo de música que quem assiste ao filme jamais esquecerá, trazendo toda a jovialidade impressa em Sparrow por Depp, a ganância dos piratas e a diversão atribuída a vida de que vivia no mar roubando os outros no Século XVII. Do restante das músicas, seguem-se, em sua maioria, esse estilo eletrizante do tema tão adorado pelos admiradores da série.


          Johnny Depp é o que há nesse filme, seus trejeitos, a forma de falar, de andar e de se portar são maravilhosas e nos remetem a exatamente aquilo que imaginamos ser um pirata: sedutor (apesar de nojento), com metade dos dentes pretos e a outra metade de ouro, a roupa suja, a essência de um bêbado e a esperteza para se safar de todos os perigos propostos pelo seu dia-a-dia. Simplesmente todas as suas cenas são memoráveis e fazem dessa sua maior personagem, não somente por que é a mais famosa e conhecida, mas por que Depp realiza umas das maiores façanhas ao se atuar uma mesma personagem durante quase dez anos: quando entra em Sparrow ele se torna Sparrow, se assistirmos a sua atuação no primeiro e no último não vemos diferença alguma, Depp cria, assim, uma personagem eterna. Com real força no elenco nos resta ainda apenas Geoffrey Rush, o nome deveria bastar, mas Rush faz o mesmo que Depp em relação a não mudança de sua personagem, em todos os filmes parece que ele se torna o Capitão Hector Barbossa, inimigo declarado de Depp, mas daqueles Tom e Jerry: não se suportam, mas não conseguem viver um sem o outro, nem que seja para se atormentarem constantemente, Rush é tão pirata quanto Depp, e vê-lo pular de Barbossa, para Sir Francis Walsingham (em “Elizabeth: a Era de Ouro”, de 2007), para Lionel Logue (“O Discurso do Rei’, de 2010) e voltar para Barbossa em 2011 como se fosse tão simples é como ver um cameleão mudar de cores: inacreditável, mas uma louvável adaptação de animal tão fantástico. Rush é um camaleão, inesperado, mas incrível. Depois temos as atuações sem graça de Orlando Bloom, como o insuportável Will Turner; e Keira Knightley, sua atuação aparenta ser “menos ruim” por sua personagem ser mais aturável. Depp foi indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA por sua interpretação, venceu no Sindicato dos Atores na categoria coadjuvante.


Sequências de qualidade sempre foram raras, eis que temos “Harry Potter”, “O Senhor Dos     Aneis” e “Piratas do Caribe”, todos lançados quase que simultaneamente. Isso faz da primeira década uma década para ótimas continuações, o que os três tem em comum além de serem adaptações é que nunca chegam a ser ruins, diferentemente de tipos como “X-Men” ou “O Homem-Aranha”, talvez porque sequências de super-heróis nunca tenham dado certo mesmo, mas as magias com as quais as três citadas sejam simplesmente perfeitas, por que são tão mágicas e arriscadas quanto qualquer outra. “Piratas do Caribe” é o filme que todos gostam, simplesmente por ser algo além do imaginável, ou por que todos sonhamos em ser piratas um dia, ou sonhamos com um amor como o de Elizabeth e Will, ou apenas por que Johnny Depp nos proporciona uma dos criações mais perfeitas dos últimos anos quando resolve interpretar o temido, famoso, odiado, inescrupuloso e amável Capitão Jack Sparrow.  


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domingo, 25 de março de 2012

351. O SENHOR DOS ANEIS: O RETORNO DO REI, de Peter Jackson

A união de Jackson e Tolkien foi perfeita nos dois primeiros filmes da Trilogia, aqui ela atinge um nível superior a perfeição, “O Retorno do Rei” é divino.
Nota: 9,8



Título Original: The Lord Of Rings: The Return of The King
Direção: Peter Jackson
Elenco: Ian McKellen, Elijah Wood, Sean Astin, Andy Serkis, Viggo Mortensen, Dominic Monaghan, Billy Boyd, John Rhys-Davies, Orlando Bloom, Bernard Hill, Miranda Otto, John Noble, David Wenham, Karl Urban, Liy Tyler
Produção: Peter Jackson, Barrie M. Osborne e Fran Walsh
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyes, Peter Jackson e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2003
Duração: 201 min. / 251 min. / 263 min.
Gênero: Fantasia / Drama

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

             Frodo, Sam e Gollum estão a caminho de Mordor; Gandalf e Pippin protegem Minas Tirith do regente; os últimos elfos da terra buscam a eterna imortalidade; Rohan recebe o chamado do branco para a batalha e se prepara; Aragorn busca ajuda dos mortos; Mordor se prepara para a guerra; e o mundo está, mais do que nunca, dividido entre o bem e o mal. Resumir toda a história em apenas um parágrafo seria impossível, e é bem mais excitante não saber nada além desses detalhes mínimos. Portanto me reservo ao direito de não falar mais acerca do enredo para não expor o destino das personagens que aprendemos a adorar com os primeiros dois filmes da Trilogia.
             Já elogiei tanto Peter Jackson e acredito que não conheça mais nenhum adjetivo para expressar sua genialidade na adaptação da Trilogia O Senhor Dos Anéis. Esse é o último filme da série, e, apesar de termos visto as guerras no segundo, as batalhas não se tornam enjoativas em nenhum momento, muito pelo contrário, elas são cada vez mais eletrizantes e divertidas. Aqui o que realmente é um pouco chato são as cenas de Frodo, Sam e Gollum, e ainda sim quando elas possuem as tomadas em que a criatura reflete sobre sua existência elas se tornam menos ridículas que nos primeiros filmes. As escolhas do diretor para as locações foram as mais variadas, dentre elas na Nova Zelândia (a maior parte, num todo 100 locações), as quais foram usadas durante mais de cinco anos (entre a gravação e as pré e pós gravações), entre a equipe técnica escolhida (chegam a mais de 2400 pessoas em algumas fases das gravações) ser a melhor possível na época; e os 114 interpretes com fala, escolhidos a dedo por serem apaixonados pela história e a conhecerem muito bem (como já foi apontado pela leitora do blog Madalena Derzi) e mais de 20 mil figurantes; além disso os costureiros, maquiadores, sapateiros, designers, bordadeiros, joalheiros,  escultores, desenhistas que cuidaram de todo o figurino, acessórios, miniaturas, máscaras, dentre outros e especialistas em línguas para as criações de línguas totalmente diferentes das que conhecemos.
             Mais uma vez é impossível deixar de falar sobre a estupenda trilha sonora de Howard Shore (salientando que ao todo mais de nove horas de música foram feitas para toda a Trilogia), o compositor nos proporciona tanto lindas músicas quando aquelas próprias para cenas devastadoras, que não são necessariamente feias, mas fazem seu papel obscuro muito bem; em uma épica cena Gandalf define o a morte ao som da música “Into the West”: “Fim? Não, a jornada não acaba aqui. A morte é apenas um outro caminho, que todos demos que tomar. A cortina cinza desse mundo se enrola e tudo se transforma em vidro prata. E, então você vê. Praias brancas, e o além. Os campos verdes longínquos sobre um belo amanhecer. Não, não é tão ruim.”
             Confesso que até cogitei a possibilidade de continuar no parágrafo a cima para falar sobre os prêmios que o filme conquistou, mas aí sim seria muito. Portanto cá estamos, comecemos pelo mais importante de todos, indicado a onze Oscar venceu todos: filme, direção, roteiro, trilha sonora, canção original (Into the West), direção de arte, figurino, edição, maquiagem, mixagem de som e efeitos visuais; no BAFTA foram doze indicações, mas apenas quatro prêmios: efeitos especiais, fotografia, roteiro e filme; no Globo de Ouro foram quatro indicações e quatro prêmios: filme, direção, trilha sonora e canção original (Into the West); no Grammy levou os óbvios: trilha sonora e canção original (“Into the West); além de diversos prêmios de críticos: Toronto, Chicago, Phoenix, Australia, Dallas, Flórida, Las Vegas, Londres, San Diego, San Francisco entre outros; indicado no prêmio do Sindicato dos Roteiristas (ao lado de “Sobre Meninos e Lobos”) e perdeu para “Anti-Herói Americano”; venceu o sindicato de Atores como melhor elenco e dos diretores como melhor direção; ao todo mais de cem prêmios e mais de setenta indicações.
             Falar sobre os atores seria por demais repetitivo, portanto é suficiente voltar as críticas em uma ou duas semanas e ler o que escrevi sobre eles, mas devo deixar claro o que não deixei (por motivos compreensíveis) que o novo Gandalf de McKellen é totalmente diferente do visto no primeiro filme, agora além de mais poderoso ele parece mais inteligente, confiante, esperto e certo do que se deve fazer na vida.Quando disse que assim que assistisse “A Invenção de Hugo Cabret em 3D diria alguma coisa no blog, aqui vai: o 3D de Scorsese é simplesmente tudo o que se espera de um 3D bem feito, é lindo e supera em todos os sentidos todos os 3D até aqui, nos faz rir e chorar, nos faz sentir felicidade e tristeza e me fez parecer um eterno bobo na sala de cinema, por um simples fato: faz a maior homenagem a criação do cinema que se pode ver. Admito, portanto, que se “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” fosse feito com o 3D de “A Invenção de Hugo Cabret” seria não apenas um dos maiores marcos da história do cinema, seria o melhor filme de todos os tempos. Não que esse desfecho precise disso, vale todos os minutos em frente a tela por ter a coragem de fazer a adaptação de uma das histórias mais amadas de todos os tempos, e essa coragem vem com estilo e precisão inimagináveis, aliás é isso o que Tolkien nos propõe em suas história e Jackson reproduz com sucesso: o inimaginável.
             Dez cenas simplesmente inesquecíveis (vale lembrar que existem mais de 30 cenas deletadas, elas podem ser conferidas em sites como o youtube, é só procurar por “cenas deletadas o senhor dos anéis o retorno do rei”), sei que muitos irão discordar de minhas cenas e de sua ordem, quem lembrar de outras comente aí.

10. Laracna, a aranha gigante 

09. A verdadeira história de Smeagol

08. Legolas e o Olifante (aqui uma espécie de elefante gigantesco)

07. O ataque fantasma à Cidade Branca;

06. A última cena de Frodo, Sam, Gollum e Um Anel

05. Pippin sinalizando o pedido de ajuda a Rohan, e Rohan correspondendo

04. A recriação da Espada Andúril e sua volta para o verdadeiro rei

03. A última batalha em frente aos portões de Mordor

02. Chegada de Gandalf e Pippin em Minas Tirith

01. Gandalf de encontro ao Nazgul para salvar o que restou dos homens de Minas Tirith

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