Mostrando postagens com marcador Cate Blanchett. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cate Blanchett. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de março de 2014

015. (ESPECIAL OSCAR 2014) O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG, de Peter Jackson

Jackson está cada vez mais perto do fim, e cada vez mais perto da perfeição
Nota: 9,0


Título Original: The Hobbit: The Desolation of Smaug
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambleton, Jed Brophy, Mark Hadlow, Sam Brown, Orlando Bloom, Evangline Lilly, Cate Blanchett, Bnedict Cumberbatch, Mikael Persbrandt, Sylvester McCoy, Luke Evans, Stephen Fry, Ryan Cage, John Bell, Lee Pace
Produção:
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guilhermo Del Toro e J. R. R. Tolkien (romance)
Ano: 2013
Duração: 161 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

Bilbo Bolseiro, Gandalf o Cinzento e os 13 anões que saíram do contado já estão em sua aventura há cerca de 12 meses. Eles já passaram por gigantes de pedra, por orcs que desejam a cabeça de Thórin e trolls amedrontadores. Também já se encontraram com os elfos Galadriel e Elrond, em Valfenda e Bilbo já está em pose do Um Anel, o qual “roubou” de Gollum. Agora, o grupo deve continuar sua jornada para a Montanha Solitária, onde o Dragão Smaug se encontra, e eles nunca estivem tão próximos. Mas, para chegar ao seu destino, precisarão enfrentar outros obstáculos: a Floresta das Trevas, moradia de dezenas de aranhas gigantes, a ganância dos Rei dos Elfos, Thranduil, a loucura do Mestre de Laketown, e, claro, mais e mais bandos de orcs que, agora, estão cumprindo ordens de uma força muito mais maligna do que os pequenos imaginam.


É sempre importante lembrar que Peter Jackson, quando decidiu voltar à Terra Média e adaptar “O Hobbit”, também escrito pelo mestre J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Aneis”, resolveu continuar vivendo seu sonho e optou por realizar uma trilogia. Sim, uma trilogia, com três filmes de duas horas e meia, adaptando cerca de 300 páginas. Claro que faltou história para tanto tempo. E Jackson usou sua criatividade para driblar esse problema. Antes de proseguir, é preciso lembrar que Gandalf e sua turma estão nessa aventura com o propósito de os anões tomarem sua montanha de volta de Smaug. Há anos, o monstro, sabendo que a montanha dos anões estava cheia de ouro e pedras preciosas, tomou o local, expulsando os que ali viviam, ou pior: quimando-os. Agora, Thórin Escudo de Carvalho, filho de Thráin II, neto de Thrór, membro do povo de Dúrin e herdeiro da Montanha Solitária quer recuperar o que é seu de direito, mesmo que isso custe muito tempo e algumas vidas. Convencido por Gandalf, o Cinzento, Bilbo Bolseiro aceita participar dessa aventura, e deixa o pacato Condado onde vive para trilhar o caminho ao lado dos anões. São essa figuras, um mago, um hobbit e 12 anões, que compõe a Companhia dos Anões, muito menos glamorosa que a Sociedade do Anel do primeiro filme da trilogia “O Senhor dos Aneis”, mas igualmente decidida e forte. E foi, ainda, Gandalf quem convenceu, em um prólogo mostrado nesse filme, Thorin de ir até a Montanha Solitária e recuperar a Pedra Arken, o maior símbolo do povo de Dúrin, para que ele recupere seus direitos e se torne rei. Para compreender melhor, basta dizer que a pedra foi encontrada pelos anões enquanto cavavam a Montanha, possui luz própria (que foi intensificada pelos anões) e representa um tesouro de valor inestimável para os senhores das montanhas. Também é importante dizer, que pouco antes de entrarem na Montanha Solitária, Thorin promete ao povo de Laketown, que também sofreu com o ataque do Dragão, que, caso ele conseguisse recuperar seu ouro, eles seriam agraciados com uma parte significativa para que a cidade pudesse voltar a ser um ponto comercial. Os anões e Bilbo, entram na Montanha e, com isso, Smaug acorda, e promete fogo, muito fogo. Também é bom lembrar que, nesse contexto, Gandalf está muito longe de seus parceiros de viagem, foi ao encontro das ruínas de Dol Guhur, onde acaba sendo aprisionado após um confronto com o Necromante – na verdade, Sauron, a tal força malígna que está pronta para se re-erger das sombras. O mesmo Sauron que convenceu os anões, os elfos e os homens a aceitarem os grandes aneias, o mesmo Sauron que enganou a todos e ,no fogo da Montanha da Perdiçao, “forjou em segredo um anel mestre para controlar todos os outros, e neste anel colocou toda a sua crueldade, sua maldade e sua vontade de governar todas as formas de vida [...]Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los.” [Galadriel].


Todavia, o mais incrível de toda essa história é que, diferente do primeiro filme, funciona muito bem. A primeira ora se divide entre momentos monótonos e momentos de tensão pura. Personagens, como Legolas, e cenas que não aparecem no livro, não importam tanto já que o conjunto é bem mais interessante que o primeiro longa. Apesar da construção de Thórin torná-lo cada vez mais fraco, a força e beleza do personagem de Bilbo Bolseiro é algo que merece destaque. E mais: as lutas internas dos personagens devem ser lembradas. Bilbo luta contra sua vontade de usar o Um Anel, e Thórin luta com a ganância tão natural de seu povo. A primeira aparição dos elfos nesse filme (uma parte deles já havia se apresentado no longa anterior) é ótima e podemos ver como alguns seres da Terra Média não estavam preocupados com outros, apenas desejavam o poder e o bem de seu povo. Os orcs estão caminhando, cada vez mais, para o futuro cruel e enojador que conferimos na trilogia de “O Senhor dos Aneis”. E Samug é fantástico! Se a cena do encontro com Bilbo e Gollum/Smeagall foi uma das melhores do ano passado, o mesmo podemos dizer da cena em que, mais uma vez, um Bilbo que teve pouco destaque nesse filme rouba todas as atenções e, finalmente, encontra (e acorda) o adormecido Dragão Smaug. Os dois conversam (muitos já afirmam que foi pura enrolação), discutem (mais enrolação ainda), Bilbo encontra a Pedra de Arken, mas não consegue pegá-la (momento de êxtase) e, finalmente, Smaug, com toda a sua fúria, o Dragão tenta queimar Bilbo (o que alguns acharam cedo demais). Para mim, a cena foi perfeita, e melhorou muito mais com a chegada dos anões e a luta dos mesmos com a fera.


Claro que alguns erros foram cometidos pelo diretor. E que nos os cometeria na emoção de estar deixando, por fim, a Terra Média após concluir essa trilogia? A cena dos barris é ridícula, e sentimos que os personagens estão mais em algum brinquedo de parque de diversões ou em um joguinho bobo para crianças que fugindo de orcs – sem falar na estupidez que foi ter colocar Legolas pulando de cabeça em cabeça para matar alguns monstros, tudo bem, ele é um elfo e os elfos são incríveis em tudo o que fazem, mas fazer com que o personagem estivesse em uma fase bônus de algum vídeo game foi gozação. Gozação com Legolas, com Orlando Bloom e com o espectador. Ver Tauriel curando Killy é repetitivo demais se lembrarmos da cena em que Arwen salva Frodo em “O Senhor dos Aneis”, até as personagens (elfos) são parecidas. Aliás, Tauriel, sem dúvida, é muito bem vinda, mas o romance entre ela, Legolas e Killy, também vai além da ficção, além da adaptação. Porém, devemos nos ater aos efeitos que o longa traz. À criação de uma Terra Média, mais uma vez, impecável, descrita pelo diretor como aquele lugar instável, repleto de mistérios e belezas. Aquele mundo paralelo que esconde segredos entre as calmas vilas e os agitados palácios. Uma terra explorada por Tolkien, Jackson e cada fã dessa história incrível. A trilha sonora de Howard Shore nos remete ao trabalho feito para a trilogia anterior, não que tenha algum tema parecido, a semelhança é em como ela é original, bem feita e conduzida. Apesar de acreditar que o longa merecesse mais indicações ao Oscar, levou apenas três. A primeira vai para Brent Burge, editor de efeitos sonoros na trilogia “O Senhor dos Aneis” e concorrendo com “Capitão Phillips” e “Gravidade” como melhor edição de som. A segunda, vai para um quarteto de especialistas em som que, juntos, somam cerca de 350 títulos ao longo de suas carreiras e que concorrem, mais uma vez, com “Capitão Phillips” e “Gravidade” pela estatueta de melhor mixagem de som. Por último, o quarteto liderado por Joe Letteri, vencedor de 4 Oscars, incluindo um pela carreira, é indicado por melhores efeitos visuais, prêmio que, provavelmente, irá para “Gravidade”. Claro que o filme poderia ter sido indicado em outras categorias, como melhor maquiagem e cabelo, direção de arte, trilha sonora e pela canção “I See Fire” totalmente encaixada no contexto da trama.


O maior problema, no entanto é podermos assistir a esse filme mesmo depois de ter falado tanto sobre sua história. Em meio a tanta beleza estética e sonora, Peter Jackson pesa a mão e traz um filme sem muitas novidades. Contar tudo o que acontece durante o longa não fará diferença, e não que o que interessa seja o desenrolar da trama como em alguns grandes filmes do cinema, o que interessa mesmo são os efeitos visuais e sonoros, a história é mais uma passagem entre a revelação da situação vista no primeiro filme e os acontecimentos que veremos no próximo longa. Conferir o desfecho dessa história deixa o espectador louco pelo próximo longa, e esse é o maior acerto de Jackson. Ouvir as últimas palavras de Smaug (dublado por Benedict Cumberbatch em uma interpretação fantástica), proferidas enquanto ele voa da Montanha Solitária direto para a aldeia de Laketown, faz nossos olhos se arregalarem, nossas mãos suarem e nossos lábios sorrirem, pois sabemos, que no próximo longa, a coisa vai esquentar ainda mais e, quem sabe, tenhamos o filme que tanto esperamos. Desta vez, ao que tudo indica, “Gravidade” será o grande vencedor da noite no Oscar, o que deixa “O Hobbit” fora do páreo. Quem sabe, Peter Jasckson acerte novamente, como fez três vezes seguidas com “O Senhor dos Aneis” e, no ano que vem, “O Hobbit” seja um vencedor em todos os sentidos. Afinal, ainda não foi dessa vez.

PRÊMIOS EDDIE (SINDICATO DOS EDITORES)
Melhor Edição em Drama: Chris Rouse, por Capitão Phillips
Melhor Edição em Comédia ou Musical: Jay Cassidy, Crispin Struthers e Alan Baumgarten, por Trapaça
Melhor Edição em Animação: Jeff Draheim, por Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Edição em Documentário: Douglas Blush, Kevin Klauber e Jason Zeldes, por A Um Passo do Estrelato
ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

domingo, 19 de janeiro de 2014

036. (ESPECIAL OSCAR 2014) BLUE JASMINE, de Woody Allen

A dupla Allen-Blanchett apresenta um dos longas mais fortes e impressionantes do ano.
Nota: 9,3


Título Original: Blue Jasmine
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Charlie Tahan, Daniel Jenks, Max Rutherford, Andrew Dice Clay, Kathy Tong, Bobby Cannavale, Max Casella, Ali Fedotowsky, Michael Stuhlbarg, Alden Ehrenreich
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbau e Edward Walson
Ano: 2013
Duração: 98 min.
Gênero: Drama

Jasmine é uma bela mulher que se casa com o milionário Hal após conhecê-lo em uma festa ao som da canção Blue Moon, como ela mesma gosta de lembrar. A vida do casal é, aparentemente, perfeita: vivem em um lindo apartamento em Nova York, possuem uma bela casa de campo, são abençoados com a companhia de Danny, filho de Hal, que adora a madrasta, compram o que querem e frequentam as festas da alta sociedade. Entretanto, o mundo do casal vai ladeira à baixo quando o FBI descobre que Hal era um mentiroso nato e fez fortuna enganando pessoas. Enquanto Hal vai preso e comete suicídio, Jasmine se obriga a se conformar em morar em São Francisco com a irmã pobre que ela sempre rejeitou.


“O ser humano tá na maior fissura porque/Tá cada vez mais down the high society”. Não consigo imaginar outro filme que tenha assistido que se encaixe mais perfeitamente naquela música cantada por Elis Regina quanto esse. Sem dúvida alguma, Jasmine vê seu castelo ruir, sua vida mansa e bela se despedaçar, suas sociais ao entardecer virarem apenas lembrança e suas tardes fazendo compras se transformarem em tardes onde ela é a vendedora e não compradora, isso tudo, por que, após tantos anos vivendo na ilusão, Jasmine, finalmente, está abaixo da sociedade. Em uma das cenas mais características que exemplificam a situação da personagem, Jasmine lamenta o quão triste é fazer serviços comuns em São Francisco como ser secretária de um dentista, alegando que não quer ser mais humilhada como já aconteceu em Nova York, onde, além de ter de vender suas joias e seus casacos de pele, foi obrigada a vender sapatos em uma loja onde, uma vez, comprou tais objetos. Ali, e durante todo o longa, a personagem nos mostra como é fútil e como um monstro foi criado com o passar dos anos. Essa ideia começa a ser armada pelo roteiro desde que a trama inicia: em um avião, Jasmine conta a uma senhora como foi conhecer Hal e fala sobre sua vida chata e mesquinha. A mulher ao lado de Jasmine não dá a mínima para o que a companheira de viagem de primeira classe (mesmo falida Jasmine insiste em viajar na primeira classe) está dizendo. Mais tarde, ainda teremos mais momentos como esses, em que a protagonista relembra o passado glorioso falando sozinha, mesmo que existam centenas de pessoas à sua volta com quem poderia conversar realmente. E em algumas delas somos capazes de perceber que Jasmine sempre foi um pouco perturbada, e tudo começa pelo fato de ela sempre deixar claro que Ginger e ela foram adotadas, filhas de pais diferentes, de mães diferentes, mas adotadas pelo mesmo casal. E o que a consola nesse passado triste é o fato de saber, e negar, que a mãe adotiva sempre preferiu ela a Ginger.


Nos últimos anos, acredito que Woody Allen esteja se tornando um diretor muito melhor do que jamais fora. Não que seus trabalhos do passado sejam ruins, mas acho que a última década deu a Allen mais sabedoria e classe em seus trabalhos. Não estamos mais expostos a ideias loucas como em “Tudo o que Você queria  saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar” (1972) ou a filme lentos como “Manhattan” (1979). O diretor esta trazendo longa mais vivos, mas fortes em todos os sentidos e extremamente cativantes. Sua não aparição nos filmes ajuda nessa melhora, ele apenas trabalha a ideia e a idade lhe trouxe ideias, indiscutivelmente, sensacionais. “Blue Jasmine” é um filme vivo, mesmo com toda a melancolia que ronda a protagonista, é um filme forte e realista, que denuncia a loucura a qual os ricos se expõe devido ao dinheiro e revela como pode ser patética a forma que pessoas falidas levam a vida. Em uma passagem interessante do longa, a decadente Jasmine reencontra com Danny. Enquanto ela está velha, cansada, chorando e reclamando de tudo, Danny, que já passou pelo uso das drogas, está casado e reconstruindo sua vida. Ali, Allen nos apresenta as duas facetas da derrota, não apenas de indivíduos falidos, mas de qualquer homem que veja a derrota pelo caminho da vida: ou se decide optar pela humildade e abaixar a cabeça e seguir em frente, ou ergue-se a cabeça e continua-se a seguir como se tudo estivesse abaixo de você. A diferença é que na primeira hipótese, em algum momento, você terá a chance de reerguer a cabeça e poder seguir em frente feliz e conformado com sua situação, na segunda hipótese, a luta para voltar à riqueza acaba levando o homem ao desespero e, em um momento próximo, ele será obrigado a abaixar a cabeça e seguir em frente com uma vida deprimente e medíocre.


Cate Blanchett é uma das melhores atrizes de sua geração. Não há uma interpretação sua que seja passada desapercebida. Como Jasmine ela está, nada mais, nada menos, que sublime. Como costumo dizer, sua atuação é um assombro, pois, como poucas atrizes, ela consegue nos fazer amar e odiar Jasmine. Blanchett, nesse contexto, cria uma Jasmine bela, pura, sorridente enquanto rica, e uma mulher que parece sempre à beira de um colapso após a falência. Não há nada em Jasmine que sirva de modelo para qualquer ser humano, mas ela nos cativa. E, ao mesmo tempo, questionamo-nos como podemos nos cativar por um ser tão imbecil que transborda hipocrisia e medo. Talvez seja isso: o medo que Jasmine sente por ter uma mudança tão brusca em sua vida nos faz sentir pena. E são as feições e os ataques que Blanchett cria para a personagem que denotam tal medo, são as cenas em que Jasmine fala sozinha que fazem tantos sentimentos vierem à tona. Entretanto, nada do que aconteça com a protagonista nos faz sentir algo mais digno dela que pena, e isso tudo, devemos à interpretação brilhante de Blanchett. A companheira de Cate na trama é Sally Hawkins. Não menos competente, Hawkins tem uma personagem menos interessante. A vida de Ginger, irmã de Jasmine, é a face da derrota eterna, mas, ainda assim, Hawkins consegue a façanha de tratar tal vida com alguma dignidade, provando que o dinheiro não compra tudo e tratando a vida como ela é. Os melhores momentos da atriz são suas reações aos insultos da irmã, o que faz da atriz o par perfeito para Cate na telona. Os homens do longa não são capazes de agregar nada ao filme, talvez seja pelo fato de o longa ter sido escrito focando em mulheres. Apesar de Peter Sarsgaard, Andrew Dice Clay, Bobby Cannavale e Alden Ehrenreich estarem bem e conseguirem segurar as pontas ao lado de Blanchett e Hawkins, Alec Baldwin não consegue ser útil nem mesmo nos momentos cômicos do longa, o que sobre para os momentos dramáticos é característico e comum demais.


O longa tem apenas 3 indicações ao Oscar, nas quais está muito bem representado. Cate Blanchett é indicada como melhor atriz principal, e, mesmo com concorrentes de peso como Judi Dench e Meryl Streep, e com atrizes queridas na América, como Amy Adams e Sandra Bullock, é a grande favorita para o prêmio. A interpretação de Blanchett é tudo o que a academia gosta, pois sua personagem vai da riqueza à decadência, sua personagem não tem nenhuma esperança de que alguma coisa dê certo na vida e podemos ver vários modelos de mulheres reais que já passaram pelo que a personagem passa. Sally Hawkins está na disputa como melhor atriz coadjuvante, apesar de ser uma interpretação marcante e bem realista, a atriz está concorrendo com Jennifer Lawrence, a nova queridinha de Hollywood e deve ficar sem o prêmio. Por fim, Woody Allen concorre na categoria de melhor roteiro original e, apesar de ser um roteiro de Allen, sempre favorito pela academia, o prêmio já está, merecidamente, nas mãos de Spike Jonze por seu trabalho espetacular em "Ela" (2013). Particularmente, simpatizo com a escolha de Allen de iniciar o longa com Jasmine indo para São Francisco e alternar a vida rica da protagonista com a vida decadente em flash backs que esclarecem tudo o que aconteceu com a personagem até ali.



Woody Allen é conhecido por grandes comédias e por grandes personagens femininos criados de forma original. “Blue Jasmine” não é uma comédia. Existem momentos engraçados? Sim, mas eles não são cômicos, são irônicos, são debochados, são realidades escrachadas a respeito de uma sociedade mesquinha, fútil, desonesta, hipócrita e que não merece estar nesse mundo. E, sobre isso, não me refiro apenas aos ricos, refiro-me a qualquer ser humano que trate a vida de forma tão estúpida e sem amor próprio como Jasmine e Ginger fizeram a vida toda. Se Jasmine não é um modelo de ser humano por estar tão acabada após a falência, Ginger também está longe de ser exemplo, pois nunca tentou nada para tornar sua vida algo mais digno. Claro que o filme pode desagradar a alguns por ser tão realista e tão forte, não é um filme simples e está longe de ser um longa agradável para qualquer momento da vida de um ser humano. Mas é essa força e essa realidade que tornam o longa um daqueles essências. Allen e Blanchett formam uma dupla inesperada que criam uma trama e uma personagem inigualáveis. E que casal melhor para apresentar tramas e personagens fortes e complexas que Woody Allen e Cate Blanchett, esses mestres da dramaturgia?


VENCEDORES DOS PRÊMIOS DO SINDICATO DOS ATORES
CINEMA
Melhor Elenco: Trapaça
Melhor Elenco Dublê: O Grande Herói
Melhor Ator: Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Years a Slave

TELEVISÃO:
Melhor Elenco em Série Drama: Breaking Bad
Melhor Elenco em Série Comédia: Modern Family
Melhor Elenco Dublê em Série Drama ou Comédia: Game of Thrones
Melhor Ator em Série Drama: Bryan Cranston, por Breaking Bad
Melhor Atriz em Série Drama: Maggie Smith, por Downton Abbey
Melhor Ator em Série Comédia: Ty Burrell, por Modern Family
Melhor Atriz em Série Comédia: Julia Louis-Dreyfus, por Veep
Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme: Michael Douglas, por Behind the Candelabra
                                                            Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme: Helen Mirren, por Phil Spector

VENCEDORES DOS PRÊMIOS CRITICS CHOICE AWARDS
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Matthew McConaughey, por Clube de Compra Dallas
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dalas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 anos de Escravidão
Melhor Jovem Ator ou Atriz: Adele Exarchopoulos, por Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Elenco: Trapaça
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Roteiro Adaptado: Jojn Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por Gravidade
Melhor Direção de Arte: Catherine Martin e Beverly Dunn, por O Grande Gatsby
Melhor Edição: Alfonso Cuarón e Mark Sanger, por Gravidade
Melhor Figurino: Catherine Martin, por O Grande Gatsby
Melhor Penteado e Maquiagem: Trapaça
Melhores Efeitos Visuais: Gravidade
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Filme de Ação: O Grande Herói
Melhor Ator em Filme de Ação: Mark Wahlberg, por O Grande Herói
Melhor Atriz em Filme de Ação: Sandra Bullock, por Gravidade
Melhor Filme de Sci-Fi ou Terror: Gravidade
Melhor Comédia: Trapaça
Melhor Ator em Comédia: Leonardo DiCaprio, por O Lobo de Wall Street
Melhor Atriz em Comédia: Amy Adams, por Trapaça
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Documentário: 20 Feet From Stardom
Melhor Canção: Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez, por “Let it Go”, de “Frozen”
Melhor Trilha Sonora: Steven Price, por Gravidade
ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes
E CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK:

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

141. CHEGADAS E PARTIDAS, de Lasse Hallström


Manchete: Filme essencial sobre superação, com Kevin Spacey, Julianne Moore e Judi Dench
Nota: 8,6



Título Original: The Shipping News
Direção: Lasse Hallström
Elenco: Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench, Cate Blanchett, Pete Postlethwaite, Scott Glenn, Rhys Ifans, Gordon Pinsent
Produção: Rob Cowan, Linda Goldstein Knowlton, Leslie Holleran, Irwin Winkler, Bob Weinstein, Harvey Weinstein
Roteiro: Robert Nelson Jacobs e Annie Proulx (romance)
Ano: 2001
Duração:  111 min.
Gênero: Drama / Comédia

Quoyle é um homem trabalhador que dá um duro na vida para conciliar a educação que deve dar à sua filha com o relacionamento terrível com sua esposa, Petal. Quando seu pai, com quem ele se dava terrivelmente mau, e sua mãe morrem, sua esposa aproveita para fugir com a filha do casal, mas logo é a vez de Petal encontrar seu fim e Quoyle fica com a garota. Em meio a toda essa confusão, surge a meia tia de Quoyle, irmã de seu pai, a qual Quoyle nem conhecia, e acaba convidando ele e a filha para voltarem para as origens da família: um vilarejo no meio do nada em Newfoundland. Uma vez lá, pai e filha descobrirão uma vida nova que os aguarda pautada no legado deixado por seus ancestrais que ali viveram.


O sueco Lasse Hallström tornou-se conhecido e respeitado no cinema pelo longa “Minha Vida de Cachorro” (1985), ainda dirigiu Johnny Depp e Leonardo Di Caprio em “Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador” (1993), mas foi apenas em 2000 que se tornou popular no mundo todo com o filme “Chocolate”, que conta com Juliette Binoche, Depp e a própria Judi Dench com o qual agradou o público, a crítica e premiações mundo à fora. Apesar da simplicidade com a qual o diretor trata o filme, ele tem ao seu lado a exuberância das locações onde o longa foi feito e um roteiro maravilhoso. Aliás, a roteiro é baseado no romance de Annie Proulx ( a mesma do conto que deu origem ao filme “O Segredo de Brokeback Mountain”, 2005, dirigido por Ang Lee), e o roteirista é Robert Nelson Jacobs, o curioso acerca do roteirista é que seus trabalhos foram sempre destinados ao público infantil, mas ao lado de Hollström ele se transforma e nos presenteia com roteiros fantásticos: tanto em “Chocolate”, quanto em “Chegadas e Partidas” temos histórias que nos fazem pensar em dezenas de escolhas e costumes morais que seguimos apenas por que estamos acomodados a eles.


Kevin Spacey dá vida ao estranho Quoyle, um homem de bem com a vida, mas um tanto idiota e submisso demais para o mundo terrível em que vivemos, talvez por isso seja tão bom e gratificante para a personagem ir para um lugar totalmente novo: mostrar como pode ser útil e aprender um pouco sobre o passado de sua família para entender o presente e melhorar o futuro. Julianne Moore, como sempre excelente, é a recatada Wavey Prowse, uma mulher que ficou sozinha com o filho deficiente quando o marido morreu em um acidente de barco (aliás, essa é a única forma que o povo da nova cidade de Quoyle sabe viver, dos frutos advindos do mar), mas que parece estar esperando não pelo milagre da volta do marido, e sim pelo milagre do aparecimento de um homem verdadeiramente bom que mude tudo ao seu redor. Judi Dench dispensa apresentações ou elogios para exaltar sua capacidade em interpretar qualquer personagem que lhe for proposto, aqui ela não tem nada de muito diferente de qualquer mulher comum, a não ser por um pequeno detalhe sem relevância alguma, o fato é que sua personagem carrega dúvidas, problemas e segredos que a idade insiste em manter e é aí que está a genialidade da atriz: não deixar transparecer nada até que lhe seja imposto revelar o que ela esconde sobre o passado.


“Chegadas e Partidas” é aquele tipo de filme que reafirma a frase proposta pelos filósofos: nunca podemos entrar em um mesmo rio duas vezes, afinal, após sairmos dele uma vez a correnteza passará, levando impurezas, seres vivos e, principalmente, a água. Da mesma forma acontece com a vida: as mudanças nos proporcionam a troca de centenas de sentimentos e pessoas em nossa vida. Logo, podemos concluir que a vida é um eterno vem-e-vai, de chegadas e partidas.
CONFIRA: INDICADOS AO BAFTA 2013, o Oscar dos Britânicos:

Melhor Filme
Argo
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
A Hora Mais Escura

Melhor Diretor
Michael Haneke - Amour
Ben Affleck - Argo
Quentin Tarantino - Django Livre
Ang Lee - As Aventuras de Pi
Kathryn Bigelow - A Hora Mais Escura

Melhor Ator
Ben Affleck - Argo
Bradley Cooper - O Lado Bom da Vida
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Hugh Jackman - Os Miseráveis
Joaquin Phoenix - O Mestre

Melhor Atriz
Emmanuellle Riva - Amour
Helen Mirren - Hitchcock
Jennifer Lawrence - O Lado Bom da Vida
Jessica Chastain - A Hora Mais Escura
Marion Cotillard - Ferrugem e Osso

Melhor Ator Coadjuvante
Alan Arkin - Argo
Christoph Waltz - Django Livre
Javier Bardem - 007 - Operação Skyfall
Philip Seymour Hoffman - O Mestre
Tommy Lee Jones - Lincoln

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams - O Mestre
Anne Hathaway - Os Miseráveis
Helen Hunt - As Sessões
Judi Dench - 007 - Operação Skyfall
Sally Field - Lincoln

Melhor Atriz/Ator em Ascensão
Elizabeth Olsen
Andrea Riseborough
Suraj Sharma
Juno Temple
Alicia Vikander
Melhor Filme Britânico
Anna Karenina
O Exótico Hotel Marigold
Os Miseráveis
Sete Psicopatas e um Shih Tzu
007 - Operação Skyfall

Melhor Filme Britânico de Estreia de um Roteirista, Diretor ou Produtor
The Imposter - Bart Layton (diretor), Dimitri Doganis (produtor)
McCullin - David Morris (direror), Jacqui Morris (diretor/produtor)
Wild Bill - Dexter Fletcher (diretor/ roteirista), Danny King (roteirista)
Os Muppets - James Bobin (diretor)
I am Nasrine - Tina Gharavi (diretora/ roteirista)

Melhor Filme em Língua Estrangeira
Amour (Áustria)
Headhunters (Noruega)
A Caça (Dinamarca)
Ferrugem e Osso (França)
Intocáveis (França)

Melhor Longa Animado
Valente
Frankenweenie
ParaNorman

Melhor Roteiro Original
Michael Haneke - Amour
Quentin Tarantino - Django Livre
Paul Thomas Anderson - O Mestre
Wes Anderson, Roman Coppola - Moonrise Kingdom
Mark Boal - A Hora Mais Escura

Melhor Roteiro Adaptado
Chris Terrio - Argo
Lucy Alibar, Benh Zeitlin - Indomável Sonhadora
David Magee - As Aventuras de Pi
Tony Kushner - Lincoln
David O. Russell - O Lado Bom da Vida

Melhor Trilha Sonora Original
Dario Marianelli - Anna Karenina
Alexandre Desplat - Argo
Mychael Danna - As Aventuras de Pi
John Williams - Lincoln
Thomas Newman - 007 - Operação Skyfall

Melhor Fotografia
Anna Karenina
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 - Operação Skyfall

Melhor Edição
Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
007 - Operação Skyfall
A Hora Mais Escura

Melhor Design de Produção
Anna Karenina
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln
007 - Operação Skyfall

Melhor Figurino
Anna Karenina
Grandes Esperanças
Os Miseráveis
Lincoln
Branca de Neve e o Caçador

Melhor Som
Django Livre
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
007 - Operação Skyfall

Melhores Efeitos Visuais
Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
As Aventuras de Pi
Os Vingadores
Prometheus

Melhor Maquiagem
Anna Karenina
Hitchcock
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada
Os Miseráveis
Lincoln

Melhor Curta Animado
Here to Fall
I'm Fine Thanks
The Making of Longbird

Melhor Curta
The Curse
Good Night
Swimmer
Tumult
The Voorman Problem

ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:

Poderá gostar também de: