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sábado, 11 de maio de 2013

075. LEIS DA ATRAÇÃO, de Peter Howitt


Pode não ser um grande filme, mas é uma excelente comédia romântica.
Nota:8,5


Título Original: Laws of Attraction
Direção: Peter Howitt
Elenco: Julianne Moore, Pierce Brosnan, Michael Sheen, Parker Posey, Frances Fisher, Nora Dunn. Heather Ann Nurgerg, Johnny Myers, Mike Doyle, Allan Houston, Annie Ryan, Vincent Marzello, Sara James, John Discepolo, Annika Pergament
Produção: David Bergstein, Julie Burk, David T. Friendly, Beau St. Clair, Marc Turtletaud
Roteiro: Aline Brosh McKenna e Robert Harling
Ano: 2004
Duração: 90 min.
Gênero: Comédia / Romance

Audrey Woods e Daniel Rafferty são os maiores advogados especializados em divórcio da cidade de Nova York. Enfrentando-se em várias ocasiões, os dois acabam dormindo juntos. Tal ato faz despertar mais ódio de Audrey quando Daniel utiliza essa atitude para se dar bem. Enquanto isso, um dos casais mais badalados do momento, o roqueiro Thorne Jamison e a estilista Serena, vivem uma crise em seu casamento. E é quando os dois decidem se separar que Audrey e Daniel enfrentarão uma de suas maiores aventuras profissionais e pessoais, pois, de uma forma inexplicável, os dois ficarão bêbados e irão se casar enquanto resolvem um pequeno problema de seus clientes na Irlanda.


Peter Howitt não é um grande diretor de cinema, tem poucos filmes no currículo e esse é o melhor deles. Apesar disso, sua direção nesse filme é algo muito bem vindo, sendo seu maior trunfo um elenco de peso que dá conta do recado sem precisar ser guiado o tempo todo. As imagens do longa são bonitas, a fotografia da Irlanda é bem característica, a trilha sonora de Ed Shearmur – que trabalhou em diversos gêneros diferentes – é divertida e as tomadas e ângulos em que o filme foi gravado são bem escolhidas por Howitt. Todavia, apesar de a direção superar expectativas, não é bem ela que mais chama a atenção no campo técnico do filme – até por que, o mais importante, divertido e qualitativo no longa, volto a dizer, são as interpretações maravilhosas -, e sim o roteiro de Aline Brosh McKenna e Robert Harling. Aline iniciou sua carreira no cinema em 1999 com “Um Caso a Três”, cinco anos depois veio “Leis da Atração”, mas foi em 2006 que se destacou ao adaptar o romance “O Diabo Veste Prada” – filme que contou com a presença das vencedoras do Oscar Anne Hathaway e Meryl Streep -, depois vieram bons trabalhos como “Vestida para Casar” (2008), “Uma Manhã Gloriosa” (2010), “Não Sei Como Ela Consegue” (2011) e o excelente “Compramos um Zoológico” (2011), apesar de todos serem comédias e nem todos terem tido um resultado muito bom, todos possuem histórias muito boas e enredos divertidos. Harling, por sua vez, é um destaque na televisão, tendo escrito apenas esse filme e os ótimos “O Clube das Desquitadas” (1996) e “O Entardecer de uma Estrela” (1996). O que interessa em “Leis da Atração” é a forma irreverente como o tema é tratado, abordando os vários lados da vida de duas pessoas bem sucedidas profissionalmente que ainda não encontraram a harmonia pessoal, contraponto o lado que deixa o destino falar por si próprio e se deixa ser levado pela emoção momentânea, e o lado controlado, racional, que não permite que algo sobrenatural – como o destino -, tome conta de sua vida.


Julianne Moore é uma da atrizes de maior sucesso de sua época, e, provavelmente, uma das que manteve a carreira mais estável. A construção e a interpretação vista aqui de Audrey por ela se torna interessante justamente pelo fato de ela negar a paixão que está sentindo, assim sendo, Moore não nos presenteia com uma daquelas atuações emocionantes de dramas como o que fez em “As Horas” (2004) e sim uma performance simples, sobre uma mulher como qualquer outra, que não sabe ao certo o que fazer com sua vida amorosa. Pierce Brosnan, famoso por interpretar James Bond em quatro filmes da franquia do agente 007, é Daniel Rafferty, aproveitando toda a sensualidade acerca do ator advinda dos anos que viveu Bond, Brosnan permanece como um homem sexy, inteligente e que deveria conquistar a todas as mulher com a apenas um olhar, entretanto, encontra dificuldade ao tentar conquistar Woods, mesmo assim, ao contrário do que a personagem de Moore faz, o personagem de Brosnan assume a paixão. Mesmo que eu goste de Moore e Brosnan e goste de suas atuações no longa, ninguém é tão bom nesse filme como Michael Sheen, a ultima vez que havia assistido a esse filme deve ter sido há uns oito anos – o que para mim, hoje com 18, é um tempo considerável – obviamente, quando o assisti há poucos dias não acreditei que era Sheen no papel do roqueiro Thorne Jamison (para já deixar claro quem ele interpreta, selecionei a foto abaixo), Sheen nos traz uma rica construção de Jamison, sendo desprezível em alguns momentos e extremamente engraçado em outros, realmente um homem totalmente diferente do Primeiro Ministro Tony Blair vivido por ele no longa pelo qual comecei a admirar o trabalho do ator, “A Rainha” (2006). Ao lado de Sheen está Perker Posey vivendo Serena, não sei se a interpretação dela é ofuscada pelas dos dois protagonistas ou pela de Sheen, o fato é que Posey está apagada demais, sem graça, sem segurança alguma e parece uma principiante o tempo todo. Para completar o elenco, uma participação bem pequena, mas muito divertida de Frances Fisher, como a coroa bonitona mãe de Audrey.


Nos perguntamos o que atraiu Audrey e Daniel, duas almas, aparentemente tão diferentes, uma mulher justa que luta com os artifícios seguindo todas as regras da moral e da boa conduta, e um homem que se vira como pode, não deixando de negar as mentiras e trapaças para conseguir o que deseja profissionalmente e satisfazer seus clientes. Certa amiga, mais precisamente aquela professora Piti de quem falo na descrição de meu perfil, escreveu uma vez sobre a beleza de nos apaixonarmos, em seu texto, refletia sobre o que nos instigava e atraia em outro ser humano, ela, bem como a ciência, constatou que é apenas um detalhe, apenas um que tem a chance de mostrar todas as qualidades do outro e nos dar a alegria de estar ao lado de alguém que amamos. Eu digo mais, concordo com ela, mas me atrevo a dizer que as várias paixões que temos são motivadas pelo mesmo detalhe, seja por uma beleza diferenciada, por uma carreira profissional bem sucedida (não me refiro a parte financeira, me refiro ao sucesso profissional aliado a satisfação pessoal), pela personalidade (seja ela fraca, forte, ou o que for), pela pureza, ou pela sensualidade. Não importa o que seja, a verdadeira lei da atração ainda permanece como uma incógnita, mas não se pode negar toda sua beleza.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

155. 007 UM NOVO DIA PARA MORRER, de Lee Tamahori

A despedida de Pierce Brosnan não foge a regra de seus demais filmes.
Nota: 8,5


Título Original: Die Another Day
Direção: Lee Tamahori
Elenco: Pierce Brosnan, Halle Berry, Rosamund Pike, Toby Stephens, Judi Dench, John Cleese, Rick Yune, Michal Dadsen, Samantha Bond
Produção: Michael G. Wilson e Barbara Brocolli
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade e Ian Fleming (romance)
Ano: 2002
Duração: 133 min.
Gênero: Ação / Crime
Música Tema: “Die Another Day”, composição de Madonna e Mirwais Ahmadzaï e interpretação de Madonna.

Durante uma missão nas Coréias do Norte e do Sul, em que James Bond investiga o comércio ilegal de armas, o agente é preso e torturado pelo governo coreano. Após alguns meses, o governo inglês negocia a troca de Bond pelo criminoso coreano Zao. Apesar de impossibilitado, James escapa das garras do MI6 que acredita que ele tenha sido influenciado pelas torturas e acaba descobrindo que existe algum agente infiltrado no comando e que está ao lado de Zao e do empresário Gustav Graves, que possuem uma arma de alta tecnologia capaz de colocar o mundo em guerra novamente.
Tornou-se comum a série ser dirigida por diretores com experiência, mesmo que mínima, no gênero de ação ou suspense, Lee Tamahori não foge a regra. Apesar de ter liderado poucos filmes antes desse, ele nos apresenta algo cheio de energia e bastante divertido, além disso, há que se admitir que a fotografia do filme é belíssima – claro que isso também se deve aos locais maravilhosos onde o longa foi rodado, mas a equipe não fica muito atrás – e a edição, bem como na maioria dos filmes da franquia é de deixar o espectador de olhos arregalados e queixo caído. Não há novidades entre os roteiristas, e o compositor da trilha sonora permanece sendo o ótimo David Arnold, indicado duas vezes ao Emmy. O que mais se deve destacar no longa é a abertura fenomenal, que tem, não somente um design perfeito – com dançarinas de fogo e gelo e escorpiões para todo o lado -, mas também é uma das poucas aberturas que se encaixa perfeitamente no contexto da drama, pois vemos as torturas de Bond e a forma terrível como tentam arrancar alguma confissão do agente.


Essa foi a despedida de Pierce Brosnan no papel do agente com licença para matar, e, como apontei nas demais, não há nada de surpreendente na atuação dele, e sim na forma como a personagem se revolta com o MI6 quando desconfiam de sua fidelidade. Halle Berry, apesar da entrada ridícula – que era para homenagear, de forma triunfal, a atriz Ursula Andress -, não decepciona tanto quanto o esperado, e se torna extremamente sexy, inteligente e corajosa como a agente americana Jinx Johnson, a Bond Girl do filme. Outra novidade é a atriz Rosamund Pike, que interpreta a agente do serviço secreto britânico Miranda Frost, uma mulher sensual que usa de todos seus artifícios para lutar pelo que quer. O vilão da vez é interpretado por Toby Stephens, que nos apresenta um Gustav Graves excêntrico, enojador e cheio de segredos para revelar; ao lado dele está Rick Yune, o tal Zao, um homem misterioso que não deixa transparecer nenhuma característica além de sua eterna servidão a seu mestre. Dentre os veteranos temos John Cleese, que substitui Desmont Llewelyn na pele do inventor Q, apesar de Llewelyn ter eternizado a personagem, Cleese supera as expectativas; por fim, Judi Dench permanece maravilhosa no papel de M, entretanto, apesar de sempre lembrarmos das feições sérias de Dench quando a vemos em outro trabalho, é bom deixar claro que essa é uma das poucas atrizes que podemos conferir uma diferenciação única para cada personagem, é óbvio que algumas interpretações de Dench lembram umas as outras, mas se existem pessoas parecidas, porque não podem ser criadas personagens semelhantes?
Mais uma vez, um filme de James Bond nos passa a imagem de vilões que desejam controlar o mundo, e para isso não enxergam limites em seu caminho, nem que isso inclua eclodir a Terceira, e depois a Quarta e a Quinta Guerras Mundiais. Nesse filme, temos a clássica reflexão de até que ponto vale a pena ter o mundo nas mãos, ou destruir o planeta em que vivemos, e permanecer só e sem amor, carinho ou amizades. Por fim, nessa despedida de Pierce Brosnan – que teve direito a uma participação da diva pop Madonna em um papel que lhe caiu como uma luva –, estamos diante de mais uma crítica a respeito do consumismo exagerado, de como alguns seres humanos gostam de esbanjar o que possuem e como o desejo pelo poder pode levar o homem a loucura de uma maneira tão rápida que não se possa dizer “dinheiro” entre o pensamento da glória e a morte certa.


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ESPECIAL TEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2013
CALENDÁRIO

Calendário 2012
Nov. 03 - Prémios Europeus de Cinema (nomeações)
Nov. 26 - Gotham Independent Film Awards (entrega dos prémios)
Nov. 27 - Independent Spirit Awards (nomeações)

Dez. 01 - Prémios Europeus de Cinema (entrega dos prémios)
Dez. 03 - New York Film Critics Circle Awards (entrega dos prémios)
Dez. 03 - Annie Awards (nomeações)
Dez. 03 - Satellite Awards (nomeações)
Dez. 05 - National Board of Review (entrega dos prémios)
Dez. 08 – Boston Online Film Critics Association (entrega dos prémios)
Dez. 09 - New York Film Critics Online (entrega dos prémios)
Dez. 09 - Los Angeles Film Critics (entrega dos prémios)
Dez. 09 - Boston Society of Film Critics (entrega dos prémios)
Dez. 10 - AFI Awards (nomeações)
Dez. 11 – Critics Choice Awards (nomeações)
Dez. 12 – Screen Actors Guild Awards (nomeações)
Dez. 13 – 70º Globos de Ouro (nomeações)
Dez. 16 - Satellite Awards (entrega dos prémios)

Calendário 2013
Jan. 03 - Producers Guild Awards (nomeações)
Jan. 03 - Writers Guild of America Awards (nomeações)
Jan. 03 - Art Directors Guild (nomeações)
Jan. 08 - Directors Guild of America Awards (nomeações)
Jan. 10 - 85º Óscares (nomeações)
Jan. 10 - American Cinema Editors (nomeações)
Jan. 10 - Cinema Audio Society (nomeações)
Jan. 10 - Critics Choice Awards (entrega dos prémios)
Jan. 11 - AFI Awards (entrega dos prémios)
Jan. 13 – 70º Globos de Ouro (entrega dos prémios)
Jan. 17 - Costume Designers Guild Awards (nomeações)
Jan. 26 - Producers Guild Awards (entrega dos prémios)
Jan. 27 - Screen Actors Guild Awards (entrega dos prémios)

Fev. 02 - Directors Guild of America Awards (entrega dos prémios)
Fev. 02 - Annie Awards (entrega dos prémios)
Fev. 02 - Art Directors Guild (entrega dos prémios)
Fev. 10 – BAFTA (entrega dos prémios)
Fev. 16 - American Cinema Editors Awards (entrega dos prémios)
Fev. 16 - Cinema Audio Society Awards (entrega dos prémios)
Fev. 17 - Writers Guild of America Awards (entrega dos prémios)
Fev. 17 - Motion Pictures Sound Editors Awards (entrega dos prémios)
Fev. 19 - Costume Designers Guild Awards (entrega dos prémios)
Fev. 23 - Independent Spirit Awards (entrega dos prémios)
Fev. 24 - 85º Óscares (entrega dos prémios)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

156. 007 O MUNDO NÃO É O BASTANTE, de Michael Apted

Será mesmo que o mundo não é o bastante?
Nota: 8,8


Título Original: The World Is Not Enough
Direção: Michael Apted
Elenco: Pierce Brosnan, Sophie Marceau, Robert Carlyle, Judi Dench, Desmond Llewelyn, John Cleese, Smantha Bond, Denise Richards, Robbie Coltrane
Produção : Milchael G. Wilson e Barbara Broccoli
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade, Bruce Feirstein e Ian Fleming (romance)
Ano: 1999
Duração: 128 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “The World Is Not Enough”, composição de David Arnald e Bon Black e interpretação de Garbage

Sir Robert King, um magnata inglês do petróleo é assassinado, e como se não bastasse o crime ocorre dentro o próprio MI6, dessa forma, M destina o agente James Bond para proteger a filha de King, Elektra. O problema é que o agente 007 acaba tendo um caso com a jovem e descobre uma estranha relação entre ela e o terrorista procurado, Renard, que havia a sequestrado no passado: Elektra e Renard planejam destruir os oleodutos do Mar Cáspio, deixando apenas o seu oleoduto como o único que liga a Europa e a região do Cáucaso.
Quando Michael Apted assumiu esse filme da franquia ele já não era nenhum amador, muito menos um diretor inexperiente em filmes do gênero. Sendo assim, o que nos é mostrado aqui é o mínimo que poderíamos esperar para a série, como fã da Saga do agente 007, afirmo que esse é um dos filmes mais eletrizantes e com um dos melhores enredos de todos, conseguindo reunir, ainda, diálogos inesquecíveis e totalmente bem vindos. No roteiro temos, além de Bruce Feirstein, Neal Purvis e Robert Wade, que continuariam na série pelos próximos filmes, é bom frisar que esse trio nos apresenta uma história fantástica, que alia ação com problemas psicológicos – dentro do contexto da trama, quando Elektra é sequestrada, King pede ajuda para M, que age de forma fria e racional para tentar prender Renard e acaba deixando a jovem tempo demais com o terrorista, acrescente a isso, Elektra acaba, teoricamente, sofrendo da Síndrome de Estocolmo e se apaixona pelo criminoso, por outro lado, não sabemos da realidade, pois ela pode ter feito Renard desejá-la a ponto de ajudá-la a matar o pai para que, juntos, eles se tornassem as pessoas mais poderosas da Europa. Na trilha sonora continua David Arnold, indicado, recentemente, duas vezes ao Emmy pela minissérie “Sherlock”, mesclando vários estilos de música e nos apresentado uma trilha quase comparável com o que John Barry fez para a franquia.


Pierce Brosnan volta na pele do agente James Bond e o mais interessante de toda a participação do ator na série é como ele consegue permanecer da mesma forma, apesar das mudanças ocorrendo no mundo, seu agente 007 não deixa de se relacionar com dezenas de mulheres, mas continua como o homem racional e frio, características que lhe renderam a chance de ter a licença para matar estando a serviço secreto britânico. Quanto a volta de Judi Dench no papel de M, é bem simples: ela continua perfeita, e a personagem se torna cada vez mais importante para a franquia (fato que pode ser observado quando assistimos aos outros filmes do agente, em que M era, ora sério, ora engraçado, mas sempre com uma aparição mínima), algo que deve ser destacado dessa fez, é a bravura felina com a qual Dench faz sua personagem defender seus agentes, apesar de continuar calculista, ela mostra que foi ela quem escolheu seus agentes e se preocupa com eles. Para interpretar a Bond Girl do Mal, Elektra King, temos Sophie Marceau, além de ser uma das mulheres mais belas que já esteve na série, ela atinge um grau de falsidade e de sensualidade para enganar todos a sua volta que chega a impressionar, mas, de qualquer forma, ela também deixa algumas pistas de que ela é a real vilã do filme. Ao lado de Marceau, está Robert Carlyle, o Renard, um homem claramente frio, mas ainda sim, alguém que já foi totalmente humano e tem medo de dezenas de coisas, se tornando um vilão um pouco arrependido, o que gera a dúvida de quem está no comando do casal (Renard sofreu algum tipo de mutação em um experimento, desde o início do filme, ele não sente o frio ou o calor, a dor ou o amor). Para completar o elenco está Robbie Coltrane, mais cômico do que nunca; Samantha Bond, mais apaixonada que nunca; e Desmond Llewelyn, que se despede da personagem que o acompanhou durante anos de sua carreira, e deixa muitas saudades como o eterno fiel cientista que salvou a pele de James Bond a vida toda.
Sem dúvidas, “O Mundo não é o Bastante” é um dos filmes mais políticos da série, e o que mais delata o quanto consumistas as pessoas se tornaram, chegando a ponto de matar e roubar familiares para obter algum lucro financeiro, e não é preciso dizer que isso não acontece somente na ficção. Elektra King é o perfeito perfil daquele tipo de pessoa (seja homem ou mulher) que está disposta a jogar com todas as suas armas mais terríveis para conseguir o que deseja, mesmo que isso signifique se tornar uma pessoa só e sem amor próprio. Tendo em vista, podemos verificar diretamente no título do filme o que as personagens pensam e o que o enredo sugere que todo o mundo pensa: será que não podemos nos contentar com o que temos? Ou ao menos lutar para termos coisas com algum limite? Será que um mundo não é o bastante para aguentar tudo o que o ser humano já fez ao meio ambiente? Será mesmo que precisamos de tantos bens materiais para sobrevivermos? Estamos criando e destruindo tudo e todos para sobreviver, ou estamos sobrevivendo para destruir tudo e todos? Será, realmente, que o mundo não é o bastante?



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domingo, 9 de dezembro de 2012

157. 007 O AMANHÃ NUNCA MORRE, de Roger Spottiswoode

A consolidação de Pierce Brosnan como o agente 007.
Nota: 8,7


Título Original: Tomorrow Never Dies
Direção: Roger Spottiswoode
Elenco: Pierce Brosnan, Jonathan Pryce, Michelle Yeoh, Judi Dench, Desmond Lllewelyn, Samantha Bond, Teri Hatcher, Ricky Jay, Götz Otto, Joe Don Baker, Vincent Schiavelli
Produção: Michael G. Wilson e Barbara Broccoli
Roteiro: Bruce Feirstein e Ian Fleming (romance)
Ano: 1997
 Duração: 119 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Tomorrow Never Dies”, composição de Sheryl Crow e Mitchell Froom e interpretação de Sheryl Crow.

O agente do serviço secreto britânico James Bond é designado para ir até a fronteira russa e descobrir o que está acontecendo em um bazar de armas, lá ele descobre que o terrorista americano Henry Gupta comprou um decodificador de GPS. Posteriormente a isso, o agente 007 precisa ir atrás do magnata da mídia Elliot Carver para impedi-lo de continuar a usar seu poder e o tal GPS para provocar a Terceira Guerra Mundial entre a Inglaterra e a China. Para isso, Bond terá a ajuda da agente especial chinesa Wai Lin e, claro, dos produtos criados pelo inesquecível Q.
O diretor Roger Spottiswoode já havia dirigido vários longas com temas de ação, tanto para televisão, quanto para o cinema, e tudo isso pode ser verificado em sua participação na franquia do agente com licença para matar. Aqui, vemos tanto a experiência com esse gênero, em cenas excitantes de lutas e perseguições, quanto a falta de experiência no cinema, em alguns defeitos que jamais passariam despercebidos por qualquer um. Os trunfos que temos acabam sendo o roteiro e a trilha sonora. O roteirista é o inexperiente Bruce Feirstein, apesar de não ter escrito nada para o cinema além do filme “007 Contra GoldenEye” (1995), Feirstein não decepciona e nos apresenta um dos melhores roteiros dos filmes protagonizados por Pierce Brosnan, tornando a história séria e estimulante. A trilha sonora, por sua vez, é assumida por David Arnold, que permaneceu na série até 2008, com “007 Quantum of Solace”, apresentando-nos diversos estilos de músicas, desde temas compostos por Beethoven e aqueles compostos pelo próprio Arnold e pela rainha do pop Madonna.


Voltando na pele do agente 007, temos Pierce Brosnan, como disse na crítica anterior, Brosnan foi o 007 que fez parte de minha infância, pelo simples fato de ter protagonizado os filmes de James Bond que eu vi serem lançados no cinema enquanto era criança, dessa forma, foi através de Brosnan que me tornei um fã de toda a série. E devo dizer, Brosnan não decepciona tanto quanto poderia ser esperado, muito pelo contrário, em diversos momentos ainda consigo ver em sua atuação resquícios do que Sean Connery e Roger Moore fizeram em seus filmes. Michelle Yeoh vive a Bond Girl, Wai Lin, no filme, uma mulher que, além de bela e provocante, é muito inteligente e tão astuta e destemida quanto o próprio agente James Bond. Para viver o vilão Elliot, Carver, ninguém mais, ninguém menos que o ótimo Jonathan Pryce – mais conhecido por sua participação na franquia “Piratas do Caribe” (2003 – 2007) como o Governador Swan -, sem sombra de dúvida, pode-se dizer que Pryce é perfeito para o papel, conseguindo a façanha de ser detestável e admirável ao mesmo tempo. Além deles, não posso me privar de falar sobre as clássicas personagens: Miss Moneypenny é interpretada por Samantha Bond, Q é vivido por Desmond Llewelyn (sua última participação como único “cientista” do MI6) e, a insuperável, Judi Dench, que dá vida a M, sobre Dench, repito: ninguém poderia ser uma escolha melhor que ela, pois Dench consegue passar o sentimento materno que qualquer mulher possui naturalmente e incorporar o gênio série e frio que qualquer mulher no poder precisa amadurecer a cada momento.
É necessário destacar, também, o fato de a série sempre abordar temas importantes para a sociedade. Nesse caso, vemos a crítica à alienação do ser humano perante a tudo o que a mídia nos apresenta, além disso, verificamos uma análise profunda de como a sociedade atual deixou-se levar pelos meios de comunicação e deu a eles plenos poderes para controlar nossas vidas. Apesar de os filmes de James Bond terem decaído de uma forma geral, na década de 1990 ele voltou com tudo e deixou claro que, se não é possível ser ótimo em qualidade técnica, ao menos no quesito diversão e ação, a franquia do agente 007 garante excelência. 


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158. 007 CONTRA GOLDENEYE, de Martin Campbell

Um novo começo para a série de James Bond.
Nota: 8,9


Título Original: GoldenEye
Direção: Martin Campbell
Elenco: Pierce Brosnan, Sean Bean, Izabella Scorupco,Judi Dench, Famke Janssen, Joe Don Baker, Robbie Coltrane, alan Cumming, Desmond Llewelyn, Samantha Bond
Produção: Albert R. Broccoli e Michael G. Wilson
Roteiro: Michael France, Jeffrey Caine, Bruce Feirstein e Ian Fleming (romance)
Ano: 1995
Duração: 130 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “GoldenEye”, composta por Bono & The Edge, e interpretada por Tina Turner.

Em 1986, James Bond vê seu colega Alex Trevelyan – o agente 006 – ser assassinado pelo Coronel Arkady Ourumov em meio a uma missão. Dez anos depois, Bond é designado por M – pela primeira vez uma mulher, a qual James não aprova – para terminar de cuidar do caso que ficou, de certa forma, pendente. Agora, Bond deve seguir Ourumov (agora General) e Xenia Onatopp. O que o agente 007 não esperava era que, na realidade, mais inimigos estavam a solta, e será preciso mostrar nitidamente a frieza que lhe deu a licença para matar.
Martin Campbell era um diretor de televisão que teve sua carreira um pouco melhorada com “GoldenEye”, não que seus filmes tenham melhorado, mas, a partir daí teve a chance de liderar produções que ficaram bem conhecidas: “A Máscara do Zorro” (1998), “Amor Sem Fronteiras” (2003), “A Lenda do Zorro” (2005), e sua volta à franquia 007, com “007 Cassino Royale” (2006). “GoldenEye” foi, em sua época, a esperança da MGM para trazer de volta, após o término da Guerra Fria, a história do agente James Bond, os dois últimos filmes – “007 Marcado Para a Morte” (1987) e “007 Permissão Para Matar” (1989) – haviam sido dois fracassos, não só pela escolha infeliz de Timothy Dalton (simpático, mas fraco demais), mas pelas histórias parecerem ter pouco nexo e, até mesmo, pela situação de combate ainda existente entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (atual Rússia), maiores potências da época. Além do diretor, os roteiristas também enfrentam seu primeiro trabalho na série: Bruce Feirstein ainda participaria de dois filmes do agente, Michael France trabalharia em filmes de heróis e Jeffrey Caine foi indicado ao Oscar por seu maravilhoso roteiro de “O Jardineiro Fiel” (2005). O compositor da vez é Eric Serra, que nos trás um trabalho mais voltado para a ação e dá várias caras novas ao tema criado por Monty Norman e John Barry.


Cresci, como a grande parcela das pessoas da minha idade, com a imagem de Pierce Brosnan na cabeça como o agente James Bond, talvez por isso ele não me seja tão estranho no papel, o fato é que ele não chega aos pés de Sean Connery ou de Roger Moore, mas é muito superior a George Lazemby e Timothy Dalton, igualando-se, de uma maneira ou outra, a Daniel Craig que viria mais de dez anos depois. Dessa forma, Brosnan é mediano em tudo o que faz: desde seu James engraçado, passando pelo James sedutor, até chegar no James Bond, o agente com licença para matar. Sean Bean é Alec Trevelyn, não tenho como falar sobre sua atuação sem contar que a personagem não morreu e ele se tornará o vilão da história, e, como estamos nos acostumando, um ótimo vilão, aliás, o que falta de competência por parte de Brosnan (que fique claro, nem é tanto assim), sobra por parte de Bean, que pode não ser o melhor vilão da série, mas já é um dos mais agradáveis, e aja fôlego e talento para se tornar um vilão agradável. Izabela Scorupco é Bond Girl da vez, Natalya Simonova, uma jovem nerd que se apaixona por Bond e o ajuda em sua missão. Há aqui duas trocas de intérpretes para personagens bem conhecidos, a primeira é a integração de Samantha Bond como a Srta. Moneypenny, a atriz é mais conhecida por seus trabalhos em televisão, sendo possível vê-la na série “Downton Abbey” (2010-2012), como irmã do protagonista Robert; além dela, a mais importante conquista da produção está em Judi Dench, sem dúvida a melhor pessoa para interpretar M, sendo fria, direta e objetiva do início ao fim, sendo impossível não ver Dench em qualquer outro momento de sua carreira, sem lembrar das feições sérias de M.
Apesar das mudanças e do tempo que James Bond ficou afastado das telas, “GoldenEye”  serviu perfeitamente ao propósito que os produtores desejavam ao realizá-lo: alcançou mais de U$$300 milhões de dólares na época, e trouxe, com todo o gás, as aventura do agente novamente para a telona e para a adoração do público. Claro que, grande parte desse sucesso, é devido ao fato de, em boa parte do filme, Bond deixar claro que ama e faz tudo o que faz pelo Inglaterra (observem que não é nem para a Rainha, e sim, para o próprio país). Além disso, nada no mundo poderia ser mais agradável do que assistir a uma dama totalmente inglesa como Judi Dench integrar o elenco de uma produção que, acima de tudo, parece prestar uma homenagem a Inglaterra, sua Rainha e seu povo, afinal, quem mais pode salvar a Grã-Bretanha que não James Bond?


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segunda-feira, 18 de junho de 2012

272. MAMMA MIA! - O FILME, de Phyllida Lloyd

Apesar da água com açúcar, as músicas do ABBA na voz desse elenco ótimo valem à pena.
Nota: 8,0


Título Original : Mamma Mia !
Direção : Phyllida Lloyd
Elenco: Meryl Streep, Amanda Seyfried, Dominic Cooper, Colin Firth, Pirce Brosnan, Stellan Skarsgard, Julie Walters, Chirstine Baranski, Ashley Lilley, Rachel McDowall
Produção: Judy Craymer, Gary Goetzman
Roteiro: Catherine Johnson (roteiro e peça teatral)
Ano: 2008
Duração: 108 min.
Gênero: Musical / Comédia

Sophie irá casar com Sky, no entanto ela foi criada a vida todo por sua mãe Donna e não sabe quem é seu pai, após encontrar o diário da mãe, a jovem convidará seus três supostos pais para seu casamento. Com a vinda desses três homens, Harry, Sam e Bill, das duas amigas de Donna, Rosie e Tanya e das amigas de Sophie, Lisa e Ali, sentimentos e desejos virão à tona. A história pode parecer um pouco chata, mas o trunfo está em sua trilha sonora, o filme ele é todo embalado ao som das melhores e mais conhecidas músicas do grupo sueco ABBA, que conquistou gerações e gerações durante a segunda metade do século passado.


Phyllipa Lloyd é uma simpática inglesa que dirigiu dois filmes para televisão antes desse, “Gloriana” (2000), uma adaptação do romance entre Elizabeth I e o Duque de Essex, e “Macbeth”, o romance de William Shakespeare sobre reis, rainhas, traições e golpes na Escócia. Aqui seu trabalho não é excelente, mas é bom, o filme foi gravado em ilhas gregas, o que lhe dá uma fotografia lindíssima por si só, os números são apresentados todos por excelentes bailarinos, as atuações são todas ótimas, resta para a diretora extrair o mais engraçado e divertido desse roteiro pobre que se sustenta pelas músicas ótimas e extremamente propicias para cada momento. O filme é o único protagonizado por uma mulher que está entre as 50 maiores bilheterias da história do cinema, foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de melhor filme comédia ou musical e melhor atriz principal para Meryl Streep.


Meryl é Donna, uma mulher que está satisfeita em viver sua vidinha sem graça cuidando de um hotel falido que se sustenta pela crença de ali ser a Fonte de Afrodite, é inacreditável, e uma lição para todas as mulheres do mundo ver, Streep cantando, dançando e atuando como uma menina no auge de seus quase sessenta anos. Amanda Seyfried havia feito alguns filmes para adolescentes, apesar de ter alguma coisa nela que nunca muda em seus filmes, gosto dela e sua voz é ótima, seu parceiro no filme é Dominic Cooper, um jovem ator que não fez muita coisa até aqui, mas que parece competente. Colin Firth, Pierce Brosnan e Stellan Skarsgard são respectivamente Harry, Sam e Bill, o primeiro é o que mais gosto e mais eficiente em cantar, o segundo é um fracasso, e o terceiro é engraçado e bem vindo. Julie Walters e Chirstine Baranski são Rosie e Tanya, a primeira uma velha escritora que gosta de viver sozinha e faz tudo sozinha, já Tanya é uma mulher que se casou várias vezes, fez dezenas de plásticas e vive da pensão dos ex-maridos.


Assistir a um elenco mais velho e vivido cantando e dançando músicas de sua época de juventude como se ainda vivessem naquele tempo é uma lição de vida para todos. O único propósito desse filme é divertir e diversão é algo garantido aqui, afinal não é todo dia que vemos Meryl Streep cantando e dançando as inesquecíveis músicas tocadas em casamentos “Dancing Queen” e “Mamma Mia”, ou a romântica que os quarentões conhecem bem “The Winner Takes It All”, a bela música de mãe e filha “Slipping Through My Fingers”, o sonho de todo pobre em “Money, Money, Money”, ou ainda ver Colin Firth, Pierce Brosnan e Stellan Sakarsgard com a ótima “Our Last Summer”, Julie Walters em “Take a Chance on Me”, Christine Baranski e seu show com “Does Your Mother Know”, e Amanda Seyfried e sua voz excepcional em “I Have a Dream”, mas nada paga o show de Donna & The Dynamon’s com a divertida “Super Trouper” e o final épico reunindo todo o elenco.


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