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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

037. O HOMEM DE AÇO, de Zack Snyder

Uma boa e grande surpresa entre as novas adaptações dos heróis.
Nota: 9,0



Título Original: Man of Steel
Direção: Zack Snyder
Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Diane Lane, Russel Crowe, Kevin Costner, Antje Traue, Harry Lenixx, Richard Schiff, Christopher Meloni, Aylet Zurer, Laurence Fishburne, Dylan Sprayberry, Cooper Timberline, Richard Cetrone
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven, Deborah Snyder, Emma Thomas
Roteiro: David S. Goyer, Christopher Nolan
Ano: 2013
Duração: 143 min.
Gênero: Ação / Aventura / Fantasia

Quando Jor-El percebe que Krypton, o mundo onde vive com a mulher e o filho recém-nascido, está à beira de ser destruído, o cientista resolve enviar Kal-El, seu filho, para o planeta Terra afim de salvar sua vida. Entretanto, o General Zod, que estava levantando o povo de Krypton contra seus governantes, percebe que Jor enviou com Kal importantes informações sobre as futuras gerações de seu povo. Ao chegar a Terra, o garoto passa a ser chamado de Clark Kent e passa a ser criado por Jonathan e Martha. 33 anos depois, Clark vive isolado em seu próprio eu, com medo de que descubram que detém forças e poderes inimagináveis. No entanto, Zod encontra Clark e decide ir a Terra, encontrar as informações e reconstruir Krypton, custe o que custar.



Uma de minhas maiores críticas acerca de longas que envolvem super-heróis é a falta de seriedade com a qual os filmes acabam sendo tratados. Todavia, algumas histórias necessitam de mais coerência. Superman e Capitão-Amperica são dois dos personagens de quadrinhos que mais me interessam. São os únicos criados e popularizados com algum propósito maior que o de trazer diversão ao público. Clark Kent e Steve Rogers foram popularizados com a finalidade de trazer alguma esperança à América em tempos difíceis. Enquanto o Superman salvava os EUA durante a Grande Depressão que assolou os americanos em 1929, o Capitão América chegou a ter uma revista onde matava Hitler, trazendo confiança e esperança ao povo norte-americano em meio a Segunda Guerra Mundial. Talvez seja por terem atingido propósitos tão louváveis que os longas que trouxeram os personagens para o cinema atualmente, sejam tão interessantes. O enredo de “O Homem de Aço”, é claro, não permitiria que houvesse qualquer menção à crise, todavia, quando Zod chega a Terra ordenando que o Super-Homem seja entregue e o herói mostra que pode fazer muito mais que se entregar, o povo deposita toda sua confiança em Clark. Em uma cena perfeita para o filme, um dos comandantes, após ser salvo pelo herói, declara que Clark não é um inimigo, e é aí que o filme se torna ainda mais belo. Piadas existem, afinal, sem elas os heróis não seriam tão amigáveis, mas elas são raras e não acorrem em momentos de tensão e violência.



Zack Snyder já estava acostumado com filmes de ação e fantasia, que exigem atenção em cenas de batalhas e destruições. É ele o realizador de “300” (2006), “Watchmen: O Filme” (2009), “A Lenda dos Guardiões” (2010) e “Sucker Punch: Mundo Surreal” (2011). Confesso que, ao conferir que Snyder era diretor dos títulos citados anteriormente, não tive muitas esperanças acerca desse longa. Depois da notícia de que Cavill seria o protagonista tudo me pareceu mais possível. O fato é que o trabalho de Snyder até aqui parece ter sido uma espécie de experimento para que atingisse a qualidade de “O Homem de Aço”. Enquanto verificamos vários defeitos visuais e sonoros em seus outros longas, os defeitos aqui são quase imperceptíveis, e não são suficientes para deixar a qualidade do filme defasada. As cenas em que o Super-Homem luta contra os vilões são inteligentes e, apesar de confundir um pouco, são excelentes. Os efeitos visuais e sonoros se mostram, a cada cena, dignos de prêmios. A trilha sonora de Hans Zimmer, que já tinha experiência com heróis por seu trabalho com a trilogia “Batman” de Christopher Nolan, é pontual e tão grandiosa quanto o personagem. Por fim, o roteiro, também escrito pelo roteirista de “Batman”, David S. Goyer, é conciso e a história não se perde em momento algum. O prefácio onde é contada a história do fim de Krypton e do envio de Kal a Terra é esclarecedor, e a forma como foi escolhida a contação da infância de Clark – em flash-backs durante a trama – explica as razões que levaram o jovem a agir da forma que agiu toda a vida.



Henry Cavill, como muitos esperavam, foi a grande escolha para o papel principal. O próprio ator afirmou ser a realização de um sonho que tinha há anos. Apesar de possuir menos de 20 títulos em seu currículo, Cavill demonstra experiência e uma competência poucas vezes vistas em filmes de heróis. Ao lado de Christian Bale, intérprete de Batman, Cavill foi a melhor escolha em anos para viver um herói. Como Clark, ele transparece os problemas sofridos pelo personagem por uma infância cheia de preconceito e uma adolescência reprimida pelo perigo de descobrirem a realidade. Como o Super-Homem, ele é humano, corajoso e forte, não apenas fisicamente, mas mentalmente. Não lembro de nenhuma mocinha de filmes do gênero ser tão boa quanto a Lois de Amy Adams. Como sempre, a atriz está ótima em um papel favorável por ser uma jornalista inteligente e destemida, que não se apaixona por Clark desde o primeiro olhar, mas se apaixona pela ideia do furo de descobrir quem é essa aberração. Os pais terráqueos de Clark são vividos com maestria pelos excelentes Kevin Costner e Diane Lane, ambos apresentando verdadeiros pais que amam e se preocupam com seu filho acima de tudo, não importando o que ele possa ser. O pai biológico é vivido por Russell Crowe em um papel que, de forma inimaginável, coube como uma luva. Por fim, o vilão Zod é interpretado por Michael Shannon, apesar da construção do personagem ser um pouco desagradável, ele representa a ideia absurda de Krypton ao pré-determinar o que cada feto será após nascer. O personagem é duro consigo e com sua espécie, é determinado em reconstruir seu planeta. Ainda assim, Zod está longe de ser um grande personagem. Destaco, por fim, os atores Cooper Timberline e Dyan Sprayberry vivendo Clark aos 9 e 13 anos, respectivamente.


“O Homem de Aço” nos remete à infância ao trazer um super-herói capaz de salvar o mundo sem restrição alguma. Seria injustiça com Henry Cavill alegar que ele está surpreendente no papel, portanto, reservo-me ao direito de afirmar que ele está tão competente quanto o esperado. Snyder, esse sim, surpreende com uma direção mais que inesperada. O roteiro e a trilha sonora deviam ser, no mínimo, impecáveis levando-se em consideração seus realizadores, e, mais uma vez, excederam às expectativas. O restante do elenco é forte e todos parecem ter uma sincronia maravilhosa (sorte de Snyder). Com a seriedade da qual falei antes, “O Homem de Aço” é um blockbuster de qualidade que foge ao esperado, que foge da mesmice encontrada na maior parte dos filmes do gênero. Assim como a trilogia de Nolan e o “Capitão América”, temos aqui um filme feito para adultos. Não há mensagens de superação ou de compaixão, mesmo que Clark se arrisque pelos homens, mesmo sofrendo preconceito por nossa raça. “O Homem de Aço” apenas nos lembra que, não importa o que aconteça, o Super Homem sempre estará ao lado dos homens, ajudando-nos a realizar maravilhas.



VENCEDORES GLOBO DE OURO 2014
CINEMA
Melhor Filme Drama: 12 Anos de Escravidão
Melhor Ator Drama: Matthew McConaughey, por Dallas Buyers Club
Melhor Atriz Drama: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Filme Comédia ou Musical: Trapaça
Melhor Ator Comédia ou Musical: Leonardo DiCaprio, por O Lobo de Wall Street
Melhor Atriz Comédia ou Musical: Amy Adams, por Trapaça
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Dallas Buyers Club
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence, por Trapaça
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Roteiro: Spike Jonze, por Ela
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Filme Estrangeiro: A Grande Beleza (Itália)
Melhor Trilha Sonora: Alex Ebert, por All is Lost
Melhor Canção Original: "Ordinary Love", de U2 ("Mandela: Long Walk to Freedom")
TELEVISÃO
Melhor Série Drama: Breaking Bad
Melhor Ator Série Drama: Bryan Cranston
Melhor Atriz Série Drama: Robin Wright, por House of Cards
Melhor Série Comédia ou Musical: Brooklyn Nine-Nine
Melhor Ator Série Comédia ou Musical: Andy Samberg, por Brooklyn Nine Nine
Melhor Atriz Série Comédia ou Musical: Amy Poehler, por Parks and Recreation
Melhor Minissérie ou Telefilme: Behind the Candelabra
Melhor Ator Minissérie ou Telefilme: Michael Douglas, por Behind the Candelabra
Melhor Atriz Minissérie ou Telefilme: Elisabeth Moss, por Top of the Lake
Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Jon Voigh, por Ray Donovan
Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Telefilme: Jaqueline Bisset, por Dancing on the Age
VENCEDORES DO PRÊMIO DA SOCIEDADE DE CRÍTICOS DE FILME ONLINE
Melhor Filmes: 12 Anos de Escravidão
Melhor Filme de Animação: The Wind Rises
Melhor Filme estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Documetário: The Act of Killing
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Michael Fassbender, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Roteiro Original: Her
Melhor Roteiro Adaptado: 12 Anos de Escravidão
Melhor Edição: Gravidade
Melhor Fotografia: Gravidade 
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sábado, 9 de novembro de 2013

057. MADAGASCAR 3: OS PROCURADOS, de Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon

O mais engraçado da franquia.
Nota: 9,2


Título Original: Madagascar 3: Europe’s Most Wanted
Direção: Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon
Elenco (dublagem): Bem Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith, Sacha Baron Cohen, Cedric the Entertainer, Andy Richter, Frances Macdormand, Jessica Chastain, Bryan Craston, Martin Short, Chris Miller
Produção: Holly Edwards, Mireille Soria e Mark Swift
Roteiro: Eric Darnell e Noah Baumbach
Ano: 2012
Duração: 93 min.
Gênero: Animação / Comédia / Aventura

Alex se desespera quando os pinguins fogem da África, deixam-nos para trás e nunca mais voltam. Decididos a fazer alguma coisa, Alex, Marty, Melman e Gloria vão atrás das aves. Chegando a Monte Carlo, os animais encontram os pinguins em um cassino e, de forma inimaginável, chamam a atenção de todos. Sendo assim, desejosos de voltar para Nova York, os animais se infiltram em um circo que viajará para Londres, onde um observador decidirá se o circo tem condições ou não de ir para a América.


Os últimos 15 anos foram anos importantes para o setor de animação no cinema mundial. Dezenas de filmes do gênero foram lançados e técnicas e mais técnicas surgiram no mercado para melhorar o resultado dos mesmos. Dentre as animações mais importantes dos últimos anos temos: “Formiguinhaz” (1998), “Shrek” (2001), “Madagascar” (2005) e “Megamente” (2010). O que todos eles têm em comum? As participações de Eric Darnell, Tom MacGrath e Conrad Vernon, diretores de “Madagascar 3”. Acredito que uma das coisas mais interessantes em assistir animações com continuações não chega a ser comparar a história de um com a de outro, e sim ver como a qualidade das produções muda, nesse caso, para melhor. Este terceiro filme da “trilogia” tem cores mais vivas, é o mais engraçado dos três e a composição dos movimentos dos personagens – nunca tantos animais estiveram na mesma cena tantas vezes como nesse filme – é perfeita. Além disso, o roteiro, escrito por Eric Darnell e Noah Baumbach, também roteirista de “A Lula e a Baleia” (2005) e “O Fantástico Sr. Raposo” (2009), tem sacadas ótimas e críticas muito criativas acerca de certos temas de nosso cotidiano. Para completar, Hans Zimmer nos presenteia com uma trilha sonora que mistura suas excelentes composições originais com músicas populares de ontem e hoje, dando uma característica jovial e muito alegre ao enredo.



A amizade é um sentimento recíproco durável apenas quando é alimentado dia após dia. Aqui, vemos a amizade inseparável entre Alex, Marty, Melman e Gloria, que viveram desde sempre no zoológico em Nova York e sempre parecem dispostos a nunca se separar, haja o que houver. Além disso, vemos a criação de novas amizades entre nossos habituais protagonistas e os animais do circo onde estão se escondendo. E o mais importante do que a produção apresenta, é mostrar exatamente isso: como é belo ter amigos, como é necessário ser fiel e valorizar os amigos e estar ao lado deles em qualquer situação.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

114. BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS, de Christopher Nolan


O melhor filme do gênero na história do cinema.
Nota: DEZ


Título Original: The Dark Knight
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Gary Oldman, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal
Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas, Charles roven, Lorne Orleans
Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan, David S. Goyer e Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2008
Duração: 152 min.
Gênero: Drama / Ação / Thriller

Enquanto o jovem promotor Harvey Dent inicia a tão sonhada limpa dos criminosos da maior cidade do mundo, Gothan City, os mafiosos planejam sua morte, armam para que o agente Gordon não pegue o dinheiro deles e continuam manipulando toda a cidade. Para piorar, um novo criminoso está à solta, como se não bastasse, Coringa – como o homem gosta de ser chamado -, não é comandado pela máfia ou pelos políticos corruptos, e sim, por sua própria mente insana e depravada. Agora, a polícia terá de admitir Batman como um heroi, e pedir sua ajuda na luta contra o Coringa, antes que seja tarde demais.


Após o sucesso de “Batman Begins”, era, simplesmente impossível, imaginar que não viriam mais filmes sobre o Homem Morcego, nossa sorte, é que a equipe de produção, o elenco, os roteiristas e a direção continuaram os mesmos e tivemos, contra quase todos os credos da indústria cinematográfica, o melhor filme da trilogia de Nolan. Digo isso, por que, primeiramente, sequências não costumam ser bons filmes, geralmente elas são uma catástrofe ou, na melhor das hipóteses, se equiparam ao filme de origem, além disso, o terceiro longa da série foi esperado por todos, e a esperança acerca do mesmo lhe deixou em desvantagem. É difícil comparar um filme com o outro, mas, o grande trunfo de Nolan aqui é um dos maiores vilões da história do cinema e, sem dúvida, o melhor vilão do Século XXI. Em “Batman Begins” conferimos os motivos que levaram Bruce Wayne a se tornar “Batman”, descobrimos porque o símbolo do heroi é um morcego, compreendemos as razões pelas quais Wayne luta por Gotham City, uma cidade, aparentemente, há muito perdida para os mafiosos e ladrões baratos e confrontamos algumas características da vida pessoal de Bruce, vendo que, umas o derrotam, e outras o elevam a um grande homem, mas um homem normal, que anseia por poder passar sua vida ao lado de quem ama. Nessa sequência, apenas esse tal amor volta a ser visto com alguma relevância – além, é claro, dos inesquecíveis Alfred (o mordomo de Wayne, e, mais que um empregado, a única pessoa que o conhece por completo), Lucius Fox (outra herança do pai de Bruce, o homem que cuida de todos os negócios relacionados ao heroi) e o policial Gordon (aqui ele virá a ser o comissário Gordon, uma das figuras mais importantes e características da trilogia) – o resto em volta de Wayne acaba mudando de forma drástica, como aconteceria no terceiro filme da trilogia. A esplendida trilha sonora do longa é de Hans Zimmer e James Newton Howard. Para se ter uma vaga idéia do quanto ambos são excelentes em seus trabalhos anteriores ou posteriores a esse, cito alguns que fizeram, separadamente, que possuem algum teor mais semelhante ao trabalho que podemos conferir nesse filme: Hans Zimmer compôs para longas como, “Hannibal” (2001), “Rei Arthur” (2004), “Piratas do Caribe: O Baú da Morte” (2006), “Sherlock Holmes” (2009) e “A Origem” (2010); já James Newton Howard, assinou filmes como, “A Intérprete” (2005), “Conduta de Risco” (2007), “Jogos do Poder” (2007), “O Legado Bourne” (2012) e “Jogos Vorazes” (2012). Ambos são os compositores de “Batman Begins”, curiosamente, e isso foi visto no filme anterior e se repetiria no longa lançado em 2012, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, a trilha sonora do longa parece perfeita vista no filme, as músicas acompanham os movimentos dos personagens com precisão e não há um tema sequer que não se encaixe no personagem para o qual ele foi escrito, todavia, ouvi-la sem ser no filme pode parecer algo estranho, na realidade, acabará se tornando, com o tempo, algo estranhamente agradável.


Christian Bale lidera o elenco como Bruce Wayne/Batman, há pouco a ser dito sobre sua interpretação que eu já não tenha falado na crítica do último filme da trilogia, mas volto a lembrar que ele é o melhor intérprete de todos na pele do heroi, aqui, ele está mais maduro e consciente dos bônus e dos ônus de ser o Homem Morcego e ajudar a todos em Gothan, para mim, essa é a melhor performance do ator encarando Batman. Ao lado de Bale, o vencedor do Oscar de melhor atuação coadjuvante pelo papel brilhante do Coringa, está Heath Ledger, que era um dos melhores atores da época, já era adorado pelo público jovem pela comédia romântica “10 Coisas que eu Odeio em Você” (1999), mas foi em 2006 que ganhou a crítica como o cowboy homossexual em “O Segredo de Brokeback Mountain”, com o qual foi indicado ao Oscar. Apesar de ter morrido antes de o filme ser lançado, foi com o Coringa que o ator foi imortalizado (e foi com o mesmo personagem que elevou o longa a um dos melhores dos últimos anos), vencendo, além do Oscar, dezenas de prêmios e nos proporcionando uma das atuações mais ricas de um vilão vistas na história do cinema, trazendo uma construção perfeita de um homem perturbado, com trejeitos e modos de falar, andar e agir próprios. Aaron Eckhart é Harvey Dent, posteriormente “Duas Caras”, o alter ego do promotor que colocou dezenas de corruptos e bandidos na cadeia, como Dent, Eckhart está simples, apesar de apresentar um homem forte e decidido, ele não tem muito o que mostrar, mas quando sofre um atentado e se torna o perigoso “Duas Caras”, o ator mostra o quanto pode ser competente – falar mais sobre a personagem seria estragar boas surpresas do desfecho do filme, portanto, me reservo ao direito de parar por aqui. A troca de Katie Holmes por Maggie Gyllenhaal no papel de Rachel Dawes, o amor do passado de Wayne e o atual amor de Dent, não foi uma escolha nada feliz, provavelmente convidaram Holmes para voltar ao filme, todavia, devido ao casamento com Tom Cruise, ela “teve” de recusar. Gary Oldman é o policial Gordon que, nesse filme se torna o inesquecível Comissário Gordon, o ator traz, novamente, um homem racional, apegado a família e bem resolvido quanto a não ser corrompido pelos bandidos. Os mais que veteranos Michael Caine e Morgan Freeman vivem, respectivamente, o mordomo Alfred e o diretor das empresas de Wayne, Lucius Fox, há pouco a ser dito sobre ambos, além de que, como de costume, estão excelentes.


O Coringa criado pelos irmãos Nolan e por Heath Ledger é um personagem cheio de contornos, possibilitando diversas interpretações para seus atos, prova disso são as diversas histórias que o vilão conta sobre suas cicatrizes – algumas envolvem um pai bêbado, outras uma esposa ingrata -, todas carregadas de sofrimento e dor, mas tratadas pelo palhaço com muita ironia e desdém. E é nessa ironia que consiste uma das maiores facetas do Coringa: sua fantasia e maquiagem não nos lembram palhaços por qualquer motivo idiota, nos lembram um palhaço pois o homem faz piada de tudo o que o cerca, sem deixar escapar um comentário maldoso ou desnecessário. Segundo alguns comentários, daqueles terríveis que deveriam ficar apenas no set de gravações, Ledger enlouqueceu encarando o Coringa, o que o teria levado ao suicídio. Quanto a Batman, ou Bruce Wayne, ele permanece um homem forte que tenta driblar seus medos para fazer o melhor que pode para a sociedade, nesse filme ele parece mais maduro e nos mostra uma nobreza surreal quando é confrontado com a decisão de fazer o melhor por Gothan – o que destruiria, de vez, com a reputação do heroi criado por ele -, ou fazer o que qualquer homem que deseja permanecer no topo faria. Além desses dois homens inconfundíveis e incomparáveis, temos Harvey Dent, que mais tarde viria a se tornar o “Duas Caras”, no final das contas, tudo o que Dent desejou na vida foi matar cada um dos homens que prendeu, foi aniquilar todos aqueles que lhe fizeram mal ou machucaram o povo da cidade que ama, o problema é quando esse mostro vingativo que todos temos dentro de nós resolve sair e mostrar suas garras.  Por fim, nada mais justo que dizer que este é o melhor filme já feito sobre Batman, e tudo isso, por um simples motivo: ninguém poderá superar a grandiosidade de Heath Ledger como O Coringa, pois, todos nos identificamos um pouco com ele, afinal, todos temos um vilão debochado dentro de nós, esperando a deixa e pronto para deixar de lado a seriedade, e sorrir.




sábado, 26 de janeiro de 2013

120. HANNIBAL, de Ridley Scott


A volta de Hannibal Lecter só prova uma coisa: enquanto houver seres humanos para servirem de alimento, o maior canibal do cinema permanecerá forte e vivo.
Nota: 9,2


Título Original: Hannibal
Direção: Ridley Scott
Elenco: Anthony Hopkins, Julianne Moore, Gary Oldman, Ray Liotta, Frankie Faison, Giancarlo Giannini, Francesca Neri, Zelijko Ivanek, Hazelle Goodman, David Andrews, Francis Guinan
Produção: Dino De Laurentiis, Martha De Laurentiis, Ridley Scott
Roteiro: David Mamet, Steven Zaillian e Thomas Harris (romance)
Ano: 2001
Duração: 131 min.
Gênero: Drama / Thriller

Aviso: antes de ler qualquer comentário sobre esse filme, acho bom esclarecer as ordens em que os longas sobre Hannibal Lecter foram lançados e a ordem cronológica:
Em ordem de lançamento: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2004) e “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).
Em ordem cronológica: “Hannibal – A Origem do Mal”, “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”.

Enquanto Manson Verger, uma das vítimas do Dr. Hannibal Lecter – Verger se apaixonou por Lecter, sádico, como somente o canibal pode ser, Hannibal drogou Verger, que cortou seu próprio rosto, desfigurando-se -, Clarice Starling, a agente do FBI que esteve com Hannibal antes de sua fuga, volta a procurar o criminoso. Entretanto, lidar com Hannibal Lecter não é uma tarefa fácil e o que era um jogo entre um homem vingativo e a polícia, se tornar mais uma manipulação do serial killer mais adorado do cinema.


Ridley Scott tem alguns bons títulos no cinema, alguns fracassos e algumas grandes produções, dentre elas “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979), “Thelma e Louise” (1991), “Gladiador” (2000), “Falcão Negro em Perigo” (2001), “Cruzada” (2005), “O Gângster” (2007), Robin Hood” (2010) e “Prometheus” (2012). Após o sucesso estrondoso e inacreditável de “O Silêncio dos Inocentes” (1991), a primeira história de Hannibal Lacter adaptada para o cinema, onde o assassino ajuda Clarice Starling a encontrar outro serial killer para que possa cometer uma fuga digna de cinema – o filme é um dos únicos que venceu as cinco categorias mais importantes do Oscar: filme, direção, ator, atriz e roteiro adaptado –, era de se esperar que uma sequência entrasse ou para a lista das sequências dispensáveis, ou para as memoráveis. Apesar de o filme ser ótimo, temos a primeira opção. Isso se deve, principalmente, pela substituição da atriz que interpreta a agente Starling, acrescente a isso, o roteiro é mais fraco e não há toda aquela tensão proposta pelo primeiro longa. Em contra ponto, a trilha sonora de Hans Zimmer é tão incrível – se não melhor – quanto a de Howard Shore (responsável por “O Silêncio dos Inocentes”), a edição e mixagem de som são perfeitas e a montagem das cenas é incrível, repleta de metáforas e referências a própria história.


Anthony Hopkins volta a dar vida ao personagem mais enigmático e incrível do cinema e da literatura contemporâneos. Assim como no primeiro filme, vemos uma interpretação sem defeito algum, a única diferença é que o próprio personagem está ficando mais velho, todavia, sua sede e apetite por carne humana não diminuiu, bem como sua loucura, seu caráter, seu bom gosto, sua indiferença as suas vítimas, sua determinação, sua astúcia, e, sobretudo, sua invisibilidade. Não há, simplesmente, como não fazer comparações rápidas de Julianne Moore (Starling desse filme) com Jodie Foster (Starling de “O Silêncio dos Inocentes”), Moore nos apresenta uma personagem mais madura, com menos medo de tudo a sua volta, no entanto, sua Starling é menos natural, um pouco mais artificial e clichê que a de Foster, mesmo assim, não há como negar: é difícil decidir qual das duas encarou melhor Starling, bem como é praticamente impossível saber se teria sido melhor Foster continuar ou Moore ter assumido desde o primeiro longa. Sempre que assinto a um filme com Gary Oldman sem saber que ele está no filme me surpreendo quando descubro qual era sua personagem, por algum motivo deixei passar seu nome durante a abertura, e por outro motivo mais estúpido, não recordava que ele estava na produção, mas mereço um desconto por não o ter reconhecido logo de cara: ele vive Manson Verger, o homem louco totalmente desfigurado. O fato é que o personagem já era louco antes de conhecer Hannibal – ele estuprava crianças, o que já é o suficiente para ser odiado -, sendo assim, resta a Oldman tornar esse homem ainda mais detestável e repugnante, não por sua aparência, mas por seus atos e pela forma como age perante todos, além disso, não há intenção de humanizar Verger em momento algum. Por fim, temos a excelente atuação de Giancarlo Giannini, de “007 – Cassino Royale” (2006) e “007 – Quantum of Solace” (2008), que interpreta o Inspetor Rinaldo Pazzi, um homem que descobre o paradeiro de Lecter, mas que prefere ficar com o segredo para si e entregar o criminoso para Verger, que está oferecendo três milhões de dólares pelo assassino; o medo, a desconfiança e o desespero de Pazzi são notados a cada olhar de Giannini.


Não existe outro ator que pudesse viver o Doutor Hannibal Lecter com tanta classe e sobriedade quanto Anthony Hopkins, isso, porque apenas o ator poderia imortalizar uma personagem tão complexa, e mais, somente ele poderia interpretar com tanta veracidade um homem que perturbaria qualquer profissional da sétima arte. Apesar de um problema aqui e outro ali, o fato de termos a volta de Hannibal e o time de atores que compõe esse elenco, faz do longa mais um filme memorável, não somente sobre mais um serial killer digno de filmes a seu respeito, e sim, do maior, melhor e mais inteligente serial killer produzido pelas indústrias do entretenimento e da cultura, juntas. O melhor de tudo fica a cargo do desfecho, que nos dá apenas uma certeza, mas a melhor certeza de todas: nada mudará para Hannibal Lecter enquanto ele puder saciar sua gula pela carne humana. 


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sábado, 4 de agosto de 2012

234. BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, de Christopher Nolan

Um fechamento original, que traz toda a maestria de Nolan para sua despedida do Homem-Morcego.
Nota: 9,7


Título Original: The Dark Knight Rises
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordom-Levitt, Anne Hathaway, Morgan Freeman, Michael Kane, Matthew Modine, Alon Aboutboul, Ben Mendelson, Juno Temple, Liam Neeson
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven, Emma Thomas
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer, Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2012
Duração: 164 min.
Gênero: Drama / Aventura / Ação / Fantasia


Há 8 anos Bruce Wayne, ou melhor, Batman, deixou que toda a culpa da morte de Harvey Dent caísse sobre ele. Após todos os acontecimentos do filme anterior, portanto, o excêntrico bilionário exilou-se em sua própria mansão para ficar longe de tudo e todos. Entretanto, Gothan City jamais está a salvo de todos os perigos do mundo: agora o perigoso vilão Bane irá deixar a cidade apavorada, ele conseguirá uma máquina capaz de destruir tudo o que os cidadãos tanto amam. Agora é mais que hora do protetor de Gothan ressurgir e mostrar que um herói jamais morre.


Não existe herói sem vilão, e é por isso que reservei esse parágrafo apenas para falar, rapidamente, sobre o que temos nesse filme. Claro que falar sobre qualquer vilão de Batman e não compará-lo com a, literalmente, monstruosa atuação de Heath Ledger como Coringa no filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2009) é impossível. Acho o segundo filme da trilogia fantástico, mas como um todo vejo nesse desfecho o melhor filme dos três, o que realmente me chamou a atenção no segundo foi Ledger, o ator foi original e repugnante, o que nos faz pensar o quanto seria agradavelmente diabólico assistir a um filme onde os dois vilões se encontrassem e aterrorizassem Gothan City, afinal, bem como o Coringa, aqui temos alguém que pensa somente em si próprio, em fazer o que considera certo e ir além do que qualquer ser humano seria capaz, sem se preocupar com a vida das demais pessoas em detrimento de sua vingança.


Christopher Nolan dirigiu três filmes que gosto antes de sua trilogia de Batman: “Amnésia” (2000), com Guy Pearce; “Insônia” (2002), com Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank; e “O Grande Truque” (2006), com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine e Andy Serkis. Em 2005 deu início a sua épica trilogia do super-heroi de Gothan City, com “Batman Begins” ele renovou todo o filme e nos trouxe o melhor Batman de todos, ainda superou todas as possíveis expectativas ao escolher Michael Cane para viver o mais perfeito Alfred que poderia se imaginar, e ainda completou o trio com Morgan Freeman vivendo Lucius Fox. Nos três filmes das sequência Nolan nos traz a excelência de sempre em seus trabalhos, sua técnica é exatamente o que se espera, isso quando não se supera: para um filme que tem como protagonista o cavaleiro das trevas, nada mais digno que as sombras e a escuridão permanecerem presentes a maior parte do tempo. As sequências em que Batman, ainda um bandido, é perseguido pela polícia, sua luta com o vilão Bane, as ironias (como o fato de Bane querer devolver o poder ao povo e a bandeira americana toda rasgada), as retomadas de outras passagens dos outros filmes (a sensação de ser deixado sozinho do nada) e a parceria do homem-morcego com a Mulher-Gato são pontos altos do filme.


Nolan, toda via, não está só para deixar essa produção tão fantástica: ninguém mais que Hans Zimmer faz a vez do compositor da melhor trilha sonora nos três filmes. Apesar de ter começado em 1984 e sempre ter sido querido pela crítica, foi apenas dez anos depois que ganhou o público, e o Oscar, com “O Rei Leão”. Na franquia produzida por Nolan, os dois primeiros filmes contam com James Newton Howard, mas aqui o trabalho é apenas de Zimmer, e, é claro, que ele o faz com perfeição. Desde o início da trama conferimos cenas de ação e com elas é quase obrigação dos compositores serem impecáveis nas músicas, entretanto, chama a atenção a originalidade de Zimmer ao optar por deixar a primeira e mais significativa luta de Batman e Bane ser praticamente muda: ouvimos apenas a pancadaria e o barulho da água do esgoto em que os dois estão. Nas demais cenas, Zimmer nos proporciona uma trilha irreverente e maravilhosa, cheia de diferenças e adaptações para cada momento.

Christian Bale é um dos atores mais versáteis do cinema atual, já  interpretou um jovem preso em um campo de concentração japonês, foi Demetrio na adaptação do romance de Shakespeare, um psicopata com sérios problemas, um operário com problemas de saúde, um pastor e um ex-lutador de boxe (com o qual venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante). Aqui ele é o maior estímulo que se pode existir na ficção: o super-heroi que preza pela moral e os bons costumes, apesar de seu alter ego, Batman, ser o perfeito homem que quer ajudar os outros, Bruce Wayne está confuso e frustrado com muitas coisas que aconteceram em sua vida, e precisará superar todos seus anseios e medos para voltar a salvar a humanidade. Anne Hathaway é bela Mulher-Gato, uma mulher sexy, inteligente, esperta, audaciosa e confiante, que ganha a vida roubando dos ricos, a atriz surpreende ao ser sexy andando, sentando, beijando o protagonista, subindo na moto de Batman e até mesmo roubando. Gary Oldman volta como o comissário Gordon, uma das melhores e mais queridas personagens da trama, perdendo apenas para o amável e insuperável Alfred de Michael Caine, a única pessoa que realmente compreende e ama Wayne verdadeiramente. Além deles temos Josephe Gordon-Levitt como o policial Blake, um órfão que vê em Wayne o maior exemplo de superação; Tom Hardy é o vilão Bane, simplesmente irreconhecível, ele não tira sua máscara o filme todo e nos traz uma personagem condicionada a matar, criada para fazer o mal, bem como os inúmeros terroristas que vemos em nosso dia-a-dia; Morgan Freeman é Fox, o homem que auxilia Wayne/Batman em seus projetos; e Marion Cotillard vem em sua performance mais decepcionante, apesar de sempre ser fantástica, como a apagada mulher de negócios Miranda Tate, que preza pela saúde, educação e pelo desenvolvimento sustentável.


Como disse, esse filme é o melhor de todos já produzidos sobre o bilionário super-heroi órfão que encontrou uma forma de fazer algo de bom pelo mundo e dedicou cada segundo de sua vida a isso. Voltamos a personagens adoradas pelo público e temos atores e atrizes sempre muito elogiados pela crítica, a relação entre Batman e a Mulher-Gato se torna uma receita infalível e o desespero proporcionado pelos exatos 30 últimos minutos de filme são excitantes e nos deixam inquietos na poltrona, além de proporcionarem inúmeras surpresas (ressalvo, nem todas muito agradáveis), nesse filme, até mesmo os clichês românticos e relacionados a super-herois e ao cinema funcionam perfeitamente. “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, fecha com chave de ouro a trilogia criada por Christopher Nolan, sem sombra de dúvidas os três filmes marcaram a história contemporânea do cinema e jamais será possível falar do super-heroi sem ao menos citar um pouco cada um dos filmes. Nosso Batman volta forte, obstinado, decidido e cheio de vida para salvar a terra que tanto ama, Nolan, portanto, presenteia o cinema e o público ao nos apresentar uma série que só fez melhorar de um filme para o outro e se tornar uma das melhores dos últimos tempos, se tem alguma coisa que o diretor pode se orgulhar de ter em comum com a personagem com quem viveu tantos anos é da inigualável sensação do ar de superioridade.


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