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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

032. (ESPECIAL OSCAR 2014) A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, de Brian Percival

Uma bela história em meio à Segunda Guerra Mundial, nada além disso.
Nota: 8,0


Título Original: The Book Thief
Direção: Brian Percival
Elenco: Sophie Nélisse, Geofrey Rush, Emily Watson,Bem Schnetzer, Roger Allam, Nico Liersch, Oliver Stokowski, Hildegard Schoroedter, Levin Liam, Sandra Nedeleff, Rafael Gareisen
Produção: Ken Blancato, Karen Rosenfelt
Roteiro: Micael Petroni e Markus Zusak (romance)
Ano: 2013
Duração: 131 min.
Gênero: Drama

Liesel é uma jovem órfã e analfabeta que é deixada com Hans e Rosa em plena Segunda Guerra Mundial. Enquanto Hans trata Liesel como sua verdadeira filha e tenta fazer de tudo para que ela se sinta bem, Rosa se mostra uma mulher áspera e fria. Com o tempo, descobre-se que a menina não sabe ler. Com a ajuda de Hans, Liesel começa a devorar todos os livros que pode em sua ânsia pela leitura, sua nova e melhor amiga. Com a chegada de Max, um rapaz judeu e filho de um homem que salvou a vida de Hans, toda a família passará por uma provação muito maior que a própria guerra.


A Segunda Guerra Mundial é, até hoje, o desastre mais lembrado em todo o mundo. Muitas outras catástrofes foram causadas pelo ser humano após essa, mas nenhuma foi capaz de atingir os cinco continentes e espalhar o terror pelo mundo todo. A história de Liesel é inteligente: revela a Guerra sobre o olhar de uma criança. Em alguns momentos, isso é um trunfo dramático inigualável, pois o que poderia ser mais cativante e digno de pena que a inocência de uma criança? Por vezes, entretanto, o longa cai em uma mesmice insuportável e todos à volta de Liesel parecem mais pessoas idiotas que tentam realizar algo impossível: esconder das crianças a verdade sobre a Guerra. Os momentos em que a verdade é mostrada são característicos demais e não chegam nem perto do horror que as pessoas passaram durante o período. Em duas cenas, Liesel e seus vizinhos se escondem de um ataque aéreo, em uma, Hans toca seu acordeom para amenizar o som vindo de cima, em outra, Liesel conta uma história boba para que todos se acalmem. Além da guerra, um amor puro e simples é mostrado entre Liesel e seu colega de classe, Rudy. E talvez seja a simpatia dos personagens e dos pequenos intérpretes que mais cative e faça da amizade deles o mais belo do longa. Outro grande amor de Liesel é Max, um amor fraternal, igualmente puro e belo. E é nesse amor que está a maior mensagem do enredo e, talvez, seu maior erro. Toda a paz vivenciada pelos personagens, as brincadeiras e os amores trocados parecem bobos demais frente ao horror da Segunda Guerra.


Brian Percival dirigiu um premiado curta metragem, “About a Girl” (2001), e uma premiada série inglesa, “Downton Abbey” (2010 - 2013). O que vemos em “A Menina que Roubava Livros” lembra, em muitos aspectos, o que vemos em “Downton”. As guerras mundiais fazem parte de ambos os filmes, e isso é um belo trunfo quando usado com sabedoria, afinal, poucas coisas podem ser mais tocantes que apresentar os reflexos de uma grande guerra. Além do enfoque, as semelhanças se estendem para a fotografia e a trilha sonora, ambas belíssimas. Aliás, é preciso destacar o trabalho sensacional de John Williams como compositor de uma trilha sonora bela e tocante, que oscila entre temas felizes e esperançosos e temas tristes e aterradores. O trabalho de Williams está longe de ser um dos melhores de sua carreira, ainda assim, o compositor recebe, por ele, sua 35ª indicação ao Oscar, dessa vez, na categoria de melhor trilha sonora original. A vitória de Williams é bem improvável considerando o favoritismo de Steven Price por seu trabalho impecável em “Gravidade”. Esse filme não é a primeira adaptação realizada por Michael Petroni, ele ainda é o responsável por roteiros adaptados de “O Ritual” (2011), “As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada” (2010) e “A Rainha dos Condenados” (2002). Não sei se a história de “A Menina que Roubava Livros” é essa confusão toda em livro ou se é um romance bem feito. “Nárnia” é um livro excelente escrito para crianças que foi adaptado de uma forma péssima. O fato é que, o roteiro aqui não funciona direito, parece mais uma mistura de histórias, sentimentos, visões de um mesmo fato. No cinema, portanto, o enredo não funciona da forma esperada. Talvez, a história deveria ter sido restrita apenas ao mundo da literatura.


Se o roteiro confuso e a produção técnica sem novidades são um ponto fraco desse longa, o mesmo não pode ser dito a respeito das interpretações. Sophie Nélisse, que interpreta Liesel, é uma graça de menina, transparecendo toda a pureza, ingenuidade e esperança da personagem. Apesar de a protagonista parecer demasiadamente desinteressada pela Guerra, Nélisse sustenta o longa durante mais de duas horas e nos proporciona uma atuação simples, sem grandes momentos, mas com grandes lições de vida. Ao lado da jovem, vivendo seus pais, dois veteranos que adoro: Geoffrey Rush e Emily Watson. Se existe alguma relação entre o amor e a lei da física em que opostos se atraem, aqui temos o maior exemplo disso. Enquanto Rush apresenta um Hans humilde, alegre, descontraído e que faz de tudo para deixar todos felizes ao seu redor, Watson traz uma Rosa que parece já não ter um coração tão aberto quando o do marido. Nesse contexto, Rush tem um personagem que já lutou na guerra, que sabe como isso pode ser terrível, e, provavelmente por isso, tenta viver com menos tristeza em sua alma. Para Hans, estar vivo já é um lucro inestimável. Já Watson vive o retrato da mulher que não se conforma com a vida pequena e insignificante que escolheu. Além disso, notamos desde o início que a guerra a apavora em todos os sentidos. Mas é na mudança de mulher infeliz para mãe carinhosa e zelosa que está o mais belo da interpretação da atriz. Para completar a família, Bem Schnetzer vive Max, um rapaz com sede de vida que está disposto a tudo para continuar vivo, e reza para que a Alemanha seja derrotada de uma vez. Como todas as interpretações do longa, Schnetzer é simples, calmo e sereno, o que o destaca é a forma como apresenta o medo que o personagem tem de ser pego pelos nazistas. É nesse medo que mora uma das maiores belezas do longa. Esquecemos qualquer outra coisa quando vemos nos olhos do ator tal pavor. Por fim, completando o elenco, o simpático Nico Liersch, como o jovem Rudy, um menino que deseja ter uma vida comum e sem grandes laços com o exército nazista. Liersch é simples e cativa do começo ao fim, com olhares românticos e assustados, com atitudes infantis e adultas e com uma facilidade para encarar o personagem poucas vezes vista em um jovem. Vale destacar a narração de Roger Allam: com uma voz potente e aterradora, o “Sr. Morte” tem falas que, devido a sua entonação, chegam a nos provocar calafrios.



Ainda existem muitas história a serem contadas que envolvam a Segunda Guerra Mundial. Particularmente, prefiro as que se reservam ao direito de deixar os campos de batalha de lado e revelam os sentimentos e acontecimentos daqueles que ficaram em suas casas ou apenas conferir o horror vivenciado pelas vítimas dos campos de concentração. Ainda assim, “A Menina que Roubava Livros” é pouco convincente e não obtêm êxito em ser uma revelação sobre a Segunda Guerra Mundial. Em alguns momentos, confesso que o filme recorda o deprimente “O Menino do Pijama Listrado” (2008), mas são momentos raros e passageiros. O fato de Liesel roubar livros, ao menos no filme (não sei como é tratado no livro) é apenas algo para mostrar como a persistência é algo belo. Acredito que as metáforas sobre isso deveriam ter sido mais exploradas. Mesmo com uma boa fotografia, uma edição agradável e uma trilha sonora do mestre John Williams, “A Menina que Roubava Livros” é um filme sobre amor, esperanças, mudanças e amizade em meio à Segunda Guerra Mundial, mas não passa disso: uma bela história que nos emociona e cativa. 

VENCEDORES DO PRÊMIO DO CIRCULO DE CRÍTICOS DE FILME DE SAN FRANCISCO
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: James Franco, por Spring Breakers
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence, por Trapaça
Melhor Roteiro Original: Eric Singer e David O. Russell, por Trapaça
Melhor Roteiro Adaptado: John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Fotografia: Gravidade
Melhor Direção de Arte: Gravidade
Melhor Edição: Gravidade
Melhor Filme de Animação: Frozen: uma Aventura Congelante
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor mais Escura
Melhor Documentário: The Act of Killig

VENCEDORES DO PRÊMIO DO CÍRCULO DE CRÍTICOS DE FILME DA CIDADE DO KANSAS
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade e Steve McQueen, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Sandra Bullock, por Gravidade
Melhor Ator Coadjuvante: Michael Fassbender, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Roteiro Adaptado: John Ridley12 Anos de Escravidão
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante e Meu Malvado Favorito 2
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Documentário: The Act Of Killing
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

181. ELIZABETH: A ERA DE OURO, de Shekhar Kapur


Aqui sim, temos a estética e a qualidade perfeita para exaltar a governante Elizabeth I.
Nota: 9,5

MULHER, GUERREIRA, RAINHA

Título Original: Elizabeth: The Golden Age
Direção: Shekhar Kapur
Elenco: Cate Blanchett, Geofrey Rush, Abbie Cornish, Rhys Ifans, Jordi Mollà, Clive Owen, Laurence Fox, John Shrepnel, Samantha Morton
Produção: Tim Bevan, Jonathan Cavendish, Eric Fellner
Roteiro: William Nicholson e Michal Hirst
Ano: 2007
Duração: 114 min.
Gênero: Biografia / Drama

BLANCHETT CARACTERIZADA COMO ELIZABETH I
 E UMA PINTURA DA RAINHA VIRGEM
Elizabeth I foi fruto do casamento entre Henrique VII e Ana Bolena, por esse motivo, pode-se dizer que ela foi o fruto da separação da Inglaterra de Roma e a criação da Igreja Anglicana. Após a morte de um irmão, uma prima e uma irmã, Elizabeth assumiu o trono da Inglaterra em 1558, o qual deixou apenas em 1603, alguns defenderam que isso foi obra do Demônio, outros, que foi obra de Deus, eu fico com as duas opções. O fato é que o período de 45 anos em que ela reinou, foi conhecido como a Era de Ouro Inglesa. Durante desses anos ela promoveu o cercamento de terras, o aumento das áreas urbanas no país, ocupação das treze colônias no atual EUA, perseguição de católicos e puritanos que iam contra seu governo, estimulou as atividades de corsários, consolidou o Anglicanismo e venceu a Guerra da Invencível Armada, destroçando o exército espanhol e afundando a economia do país rival e tornando a Inglaterra a maior potência européia da época.


O filme nos apresenta uma Elizabeth madura, sem medo de governar e pronta para vencer qualquer obstáculo. Entretanto, também vemos uma rainha um pouco desesperada e desconfiada com tudo ao seu redor, talvez pelas ameaças que rondam seu reino ou pelo simples fato de ser uma mulher que enfrenta os problemas de todas as mulheres depois dos trinta anos. Ainda conferimos a forma como a rainha não se importava em ser criticada e o quanto debochava do fato de centenas de homens quererem desposá-la, os conflitos econômicos e religiosos com a toda poderosa Espanha, as tentativas de assassinato, mais um romance com um homem qualquer, a relação de amizade com uma de suas damas de companhia e a força e determinação com a qual afundou os navios espanhóis em uma das maiores conquistas da Inglaterra.


Dentre os filmes dirigidos por Kapur, “Elizabeth” (1998) e “Elizabeth: A Era de Ouro” são os únicas que realmente chamam a atenção, pois relatam boa parte da vida de uma das maiores monarcas do Reino Unido. A novidade no roteiro é William Nicholson, indicado duas vezes ao Oscar, foi responsável pelo filme “Gladiador” (2000) e outros do mesmo gênero de época. Mais uma vez, a trilha sonora é uma das coisas que mais chama a tenção na produção, ela foi composta em conjunto por Craig Armstrong, de “O Colecionador de Ossos” (1999), “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (2001), “Simplesmente Amor” (2003), “Ray” (2004) e “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” (2010) e por A. R. Rahman o compositor de mais de 100 filmes, dentre eles: “Quem quer ser um Milionário” (2009), pelo qual venceu o Oscar, e de “127 Horas” (2010). Falar sobre esse filme sem citar mais alguns aspectos técnicos é impossível, portanto: a maquiagem e os penteados coordenados por Jenny Shircore são simplesmente fantásticos e não se podia esperar menos para tal personagem principal; o figurino, vencedor do Oscar, de Alexandra Byrne é uma personagem a parte, que se destaca entre todos e torna a interpretação de Blanchett ainda melhor; e, por fim, a aliança entre a fotografia de Remi Adefarasin e a decoração de Richard Roberts nos leva para o Século XVI e nos colocam ao lado de cada personagem.


Cate Blanchett, assim como a própria personagem, está mais madura e consegue demonstrar perfeitamente o que Elizabeth sentia, como era difícil ser a mulher mais poderosa de seu tempo e como ela estava realmente despreparada para ser a toda poderosa Rainha da Inglaterra, entretanto, a atriz também expõe de formal incrível a aprendizagem eterna que é ser a governante de um país. Em uma das cenas mais belas do filme, Blanchett veste totalmente a personagem e deixa claro aos espanhóis que o destino da Inglaterra é controlado por ela e Deus, e não por qualquer homem que a deseje como esposa, ou por outro governante de um país qualquer. Geoffrey Rush volta como o fiel amigo e conselheiro de Elizabeth, Sir Francis Walsingham, e, mais uma vez, a química entre ele e Blanchett é tanta que chega a assustar. É incrível como a ator consegue se tornar inigualável em cada papel, aqui, ele é um homem preocupado com os interesses da Inglaterra e de sua Rainha, nada além disso. No restante do elenco principal temos Clive Owen e Abbie Cornish, ele é o amor de Elizabeth da vez, Sir Walter Raleigh, ela, a dama de companhia Bess Throckmorton, ambos, atores e personagens, estão tão perdidos na trama que fica claro que eles apenas vieram para fazer volume e deixar a história mais “interessante”, o problema é que a vida de Elizabeth I é interessante o suficiente, e tanto Owen quanto Cornish são perda de espaço e tempo.


Falar sobre conquista de direitos femininos ou sobre mulheres no poder sem citar Elizabeth I é simplesmente impossível. Esse filme é o desfecho quase que perfeito sobre a história dessa mulher incrível, se não por seu roteiro, por toda a estética brilhante, o figurino exuberante, a maquiagem digna de uma rainha e a atuação inacreditável de Cate Blanchett. O único problema da trama acaba, portanto, sendo a falta de atenção dada aos acontecimentos políticos e grandes feitorias de Elizabeth, deixando seu suposto romance mais em evidência que a existência de nomes como do dramaturgo William Shakespeare ou do filósofo Francis Bacon. Todavia, a beleza técnica do filme, e a atuação de Blanchett, como uma mulher a beira da loucura pelas responsabilidades conferidas a ela, tornam o filme uma homenagem quase que verdadeira, e exalta vários feitos de uma das maiores monarcas da história da humanidade.


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182. ELIZABETH, de Shekhar Kapur


Apesar dos escorregões ao enfatizar os romances da monarca, é uma obra satisfatória dobre Elizabeth I.
Nota: 9,0


Título Original: Elizabeth
Direção: Shekhar Kapur
Elenco: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Joseph Fiennes, Crhistopher Eccleston, Richard Attenborough, Vincent Cassel, Edward Hardwicke
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Alison Owen
Roteiro: Michael Hirst
Ano: 1998
Duração: 124 min.
Gênero: Biografia / Drama

Em 1535, o Rei Henrique VIII da Inglaterra separou-se da toda poderosa Igreja Católica para divorciar-se de Catarina de Aragão e casar-se com sua amante Ana Bolena, com quem teve uma filha. Após a morte do rei, seu filho Eduardo VI assumiu o trono, mas morreu jovem e sem deixar herdeiros e nomeou sua prima Joana I como rainha, posteriormente ela foi deposta pela meia-irmã de Eduardo VI e verdadeira herdeira do trono, Mary I, filha de Catarina de Aragão e Católica fervorosa. Apesar de toda a relutância, com a morte de Mary, assumiu o trono a filha de Ana Bolena, Elizabeth, chamada a Rainha Virgem. Elizabeth enfrentou inúmeras dificuldades durante o início de seu reinado, por começar o fato de ser protestante, a não aceitação de parte do povo e de monarcas europeus aliados a Santa Igreja Católica, por ser uma mulher relativamente jovem (25 anos) e por negar-se a aceitar qualquer homem como seu marido.


No filme, vemos exatamente uma rápida passagem entre os últimos dias de Mary como Rainha e a coroação de Elizabeth. Durante o enredo verificamos como dezenas de pessoas temiam a ascensão da Rainha Virgem, as dificuldades em entender tudo o que representava ser uma rainha, a infantilidade de Elizabeth diante de centenas de obrigações e o amadurecimento para ela se tornar uma das maiores monarcas da história. Ainda temos os relacionamentos da rainha: entre os nobres que a apoiavam e os que a odiavam, entre o irmão do rei francês, Duque D’Anjou – com quem ela deveria ter se casado-, com a rainha Mary da Escócia, o jovem Robert Dudley – com quem teve um romance-, e com Sir Francis Walsingham – seu maior amigo e conselheiro. Por fim, assistimos, aliviados, a tal ascensão de Elizabeth ao trono inglês, derrotando seus principais inimigos internos e conquistando seu povo.


Kapur é um indiano que iniciou sua carreira em 1983 com “Masoom”, mas começou a fazer sucesso mesmo onze anos depois com “Bandit Queen”, um filma totalmente indiano. “Elizabeth” foi seu cartão para conquistar o restante do mundo, entretanto, em sua carreira voltou a dirigir apenas mais três longas: “Honra & Coragem – As Quatro Plumas” (2002), “Elizabeth: A Era de Ouro” (2007) e “Nova York, Eu Te Amo” (2009). Em “Elizabeth” seu trabalho é belo, não mais que isso, é satisfatório e traz exatamente o que é preciso para relatar os primeiros anos de reinado da Rainha. O roteirista Michael Hirst, é simples, original e eleva a história de Elizabeth a um nível bem mais acima do esperado, no entanto, peca ao dar muita atenção para a história de amor entre ela e Robert Dudley, romance esse, que nem tem sua veracidade comprovada, é dele também o roteiro da série “The Tudors”, que relata os acontecimentos da vida de Henrique VIII, entre conhecer Ana Bolena, separar-se da Igreja Católica e da esposa até sua morte. Os pontos altos do filme, além da atuação de Blanchett, é a trilha sonora de David Hirschfelder, o figurino de Alexandra Burne e a parte técnica do filme, todos indicados ao Oscar, além da belíssima maquiagem de Jenny Shircore, vencedora do Academy Awards.
Cate Blanchett teve seu primeiro grande destaque em 1997, com “Oscar and Lucinda” atuou ao lado de Ralph Fiennes e começou a chamar a atenção de produtores, diretores e do público, uma no depois veio “Elizabeth” o grande filme de sua carreira, com o qual foi indicada ao Oscar pela primeira vez como atriz principal (sou obrigado a lembrar que ela concorria com Emily Watson, Gwyneth Paltrow e ninguém mais, ninguém menos que Fernanda Montenegro e Meryl Streep,e é inacreditável que tenha sido Paltrow a vencedora do ano, com sua atuação sem graça e apagada em “Shakespeare Apaixonado”). Enfim, Blanchett está linda no papel, simplesmente perfeita; interpretando Elizabeth, de início ela é simples, recatada, inocente e até meio boba, mas com o passar das cenas vemos a verdadeira mulher surgir e deixar claro quem ela realmente é. Um ponto a ressaltar sobre a própria personagem é o fato de ela se orgulhar imensamente de ser filha de Henrique VIII, e mais, tê-lo como seu maior modelo e exemplo. Do restante do elenco, o único que vale a pena destacar é Geofrey Rush, aliás, ele e Blanchett possuem mais química que a triz e os homens que a cercam querendo-a em casamento. Além de Rush, temos o sempre ótimo Vincent Cassel como um homem piadista e com várias surpresas a serem reveladas.


É um alívio poder dizer que temos um segundo filme já feito em homenagem a Elizabeth, pois aqui, não temos a chance de ver a época mais interessante e importante da vida da monarca, nesse filme, apenas somos apresentados à rainha e vemos sua consolidação. Não posso deixar de destacar o fato de o filme fazer uma certa crítica à Igreja Católica ao mostrar as tentativas, com a graça de Deus, fracassadas de a instituição tentar assassinar a rainha inglesa. Se Elizabeth foi ou não a maior rainha da história da Inglaterra, não sou capaz de avaliar, mas que sua grandiosidade ficou conhecida por todos, isso ficou, e o filme, apesar de simples, faz jus a grande mulher, guerreira e rainha que foi Elizabeth I.


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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

229. PROCURANDO NEMO, de Andrew Stanton e Lee Unkrich


Uma das animações mais originais e inteligentes do novo milênio
Nota: 9,6


Título Original: Finding Nemo
Direção: Andrew Stanton e Lee Unkrich
Elenco: Albert Brooks, Ellen DeGeneres, Alexander Gould, Williem Dafoe, Brad Garrett, Allison Janney, Austin Pendleton, Stephen Root, Vicki Lewis, Joe Ranft, Geoffrey Rush
Produção: Jinko Gotoh, John Lasseter e Grahm Walters
Roteiro: Andrew Stanton, Bob Peterson e David Reynolds
Ano: 2003
Duração: 100 min.
Gênero: Animação / Comédia

Marlin e Nemo são dois Peixes-Palhaços, pai e filho que são obrigados a viver por conta e risco quando a mãe de Nemo e seus irmãozinhos são devorados. Quando Nemo cresce, ele quer, mais que tudo na vida e como qualquer jovem, ser o mais independente possível de seu pai. Nemo decide então, correr perigo e vai para uma parte proibida do mar, lá é capturado e elevado para o continente. Enquanto Marlin procura por Nemo, o peixinho está em um aquário vivendo fortes emoções.


Andrew Stanton foi co-diretor de “Vida de Inseto” (1998) e dirigiu, posteriormente a aventura de Marlin, “Wall-E” (2008), já Lee Unkrich é o responsável por co-dirigir “Toy story 2” (1999) e “Monstros S. A.” (2001), dirigiu ainda o fantástico “Toy Story 3” (2010). Os dois diretores, portanto, não são nada amadores na arte de fazer filmes de animação. O trabalho realizado por eles para contar a aventura de um pai atrás do filho que fugiu é inteligente, divertido e atrai tanto jovens quanto adultos. Os temas da trama são bem amplos, mas claramente vemos o relacionamento, nem sempre fácil, entre pais e filhos, a dificuldade de se comunicar com estranhos e a forma como qualquer ser pode se encontrar em apuros caso seja imprudente, ainda nos propõe a pensar sobre assuntos que vemos na sociedade em nosso dia-a-dia, como o alcoolismo (presente no fato de tubarões comerem peixes) e a influência que uns podem exercer sobre os outros em qualquer meio. Não é intencional fazer críticas onde a trilha sonora seja de Thomas Newman, mas esse filme também tem o compositor na equipe, ele já foi indicado dez vezes ao Oscar, uma delas devido com esse trabalho.


“Procurando Nemo” é um dos filmes que me lembro exatamente da época em que foi lançado e como tomou conta de todas as crianças da época, eu era uma delas. No filme ainda temos várias outras personagens interessantes, como Dory, a inesquecível companheira de Marlin em sua jornada, Gill, um mourisco, Bloat, um baiacu, Bubbles, um yellow tang, Peach, uma estrela do mar, Gurgle, um peixe Royal Gramma, Jacques, um camarão limpador, Deb, uma Blacktail Humbug, Crush, a tartaruga centenária, Bruce, o tubarão e outras dezenas de espécies marítimas extremantes curiosas e que deixam o filme mais interessante. Além de ser um filme que traz muita diversão e aborda temas inteligentíssimos, “Procurando Nemo” é bem feito em todos os sentidos: a trilha sonora, a edição, o roteiro, a direção e tudo o mais é muito bem-vindo para fazer dessa uma das animações mais originais e melhores do século XXI, e, segundo os produtores, uma sequência é prevista para os próximos anos.

Vai lá, idêntico ao Bruce do pôster.
Foto capturada por Amos Nachoum na costa do México.
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domingo, 10 de junho de 2012

283. PIRATAS DO CARIBE – NAVEGANDO EM ÁGUAS MISTERIOSAS, de Robb Marshall

Johnny Depp e Hans Zimmer voltaram em sua melhor performance juntos, e melhor: com todo o resto repaginado.
Nota: 8,5


Título Original: Pirates of the Caribbean – On Stranger Tides
Direção: Robb Marshall
Elenco: Johnny Depp, Penélope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Kevin McNally, Sam Claflin, Astrid Bergès-Frisbey, Keith Richards, Richard Griffiths, Judi Dench, Óscar Jaenada
Produção: Jerry Bruckheimer, Bruce Hendricks, Mike Stenson, Pat Sandson, Chad Oman e Eric Mcleod
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2011
Duração: 136 min.
Gênero: Aventura / Fantasia / Comédia

Elizabeth Swann, William Turner, Davy Jones, James  Norrington, Governador Swann, Cutler Beckett, Bootstrap Bill, Tia Dalma, e mais dezenas de personagens dos três primeiros filmes da franquia se foram, simplesmente não aparecem nesse filme. Vocês devem estar se perguntando quem restou do elenco principal, pois é, a lista é pequena: Jack Sparrow, Hector Babossa e Gibbs. Aqui Jack novamente é preso e, após se livrar da cadeia, encontra uma antiga paixão, Angélica. Ela o leva, então, para o navio A Vingança da Rainha Anne, do temido e poderoso Capitão Barba Negra, de quem ela revela ser filha. Ainda é a cora britânica que está atrás de Sparrow, mas da forma mais inusitada possível: o Capitão Hector Barbossa aparentemente virou a casaca e se tornou um oficial da marinha inglesa. O que Jack, Angélica, Barba Negra, Barbossa, o rei da Inglaterra e o da Espanha tem em comum é bem simples: encontrar a Fonte da Juventude. Para tal, é claro, que Sparrow se meterá nos maiores problemas viáveis para um pirata, dentre eles roubar, enfrentar exércitos, caçar sereias e tesouros amaldiçoados.



Como quase tudo mudou, o diretor deixou de ser Gore Verbinski, o que é um alívio. Robb Marshal assume de forma grandiosa e muito bem vinda a franquia daqui para frente, ao menos por enquanto. Conhecido pelos musicais “Chicago” (2002) e “Nine” (2009), o primeiro foi um sucesso de crítica e bilheteria, rendendo-lhe a indicação de melhor diretor no Oscar e vencendo na mesma categoria no Sindicato dos Diretores, já o segundo, apesar de um elenco dos sonhos, foi um fracasso em todos os sentidos; Marshall também dirigiu um dos melhores de 2005, “Memórias de uma Gueixa” onde trabalhou com o compositor John Williams. A fotografia do filme, sua edição, o risco de fazê-lo em 3D (na época o primeiro filme com essa tecnologia gravado fora de um estúdio, ou seja, utilizando-se quase que totalmente da natureza) e efeitos visuais são totalmente maravilhosos e nos surpreendem ao mostrar que o diretor pode fazer esse tipo de filme. 



Essa é, sem dúvida nenhuma, a melhor trilha sonora desde o primeiro filme, Hans Zimmer dá vida ao tema “He’s a Pirate” mais uma vez e nos presenteia com uma trilha criativa, eletrizante, divertida, inquietante e com uma perfeição só sua. A cena em que os piratas comandados por Barba Negra e Angelica são obrigados a caçar as sereias é simplesmente um deleite para nossos olhos e ouvidos, claro que todas as cenas de lutas entre piratas e oficiais são embaladas ao som de músicas excelentes e ainda destaco a música “Angelica”, o tango protagonizado por Penélope Cruz e Johnny Depp é no mínimo memorável. Vale a pena comprar e ouvir essa trilha dezenas de vezes.



Johnny Depp surpreende, ou apenas mostra o que todos já sabíamos, ao encarar mais uma vez Sparrow, dessa vez após quatro anos, e parece que é o Capitão todos os dias de sua vida, sendo perfeito mais uma vez no papel. Ao contrario de outras pessoas que parecem se cansar de sua personagem com o passar do tempo quando encaram algo como isso, Depp parece encarar cada momento como Jack como se fosse o primeiro, como se fosse único, como se fosse um filho, tornando cada momento especial em sua interpretação. Penélope Cruz é Angelica Teach, ambas são sexys, inteligentes, talentosas e destemidas, Cruz nos mostra que pode sim encarar qualquer papel, que essa nova fase de sua vida, que começou em 2006 com “Volver” ela decidiu abraçar o que tiver de vir pela frente e fazê-lo com muita coragem e qualidade. A novidade maior aqui é o excelente Iam McShane, que interpreta o maligno Capitão Barba Negra, um lendário pirata que faz e desfaz nos sete mares com seu misterioso navio, McShane é irônico, esperto e, como a própria personagem diz, mal. Aqui ainda somos presenteados com mais uma atuação de Geoffrey Rush, que, assim, como Depp, parece se divertir muito fazendo o Capitão Barbosa, mas agora com mais sede de vingança e cada vez mais com aquele ar delicioso de sarcasmo em tudo o que fala ou faz.



“Navegando em Águas Misteriosas” é, para mim, o melhor filme dos quatro já feitos na franquia. É diferente, criativo, vivo, engraçado, cheio de cores e sacadas ótimas em todas as cenas. Com atuações superiores a dos outros filmes, técnica mais refinada, um trilha sonora com pouca originalidade por ser bastante baseada no tema tão conhecido e adorado de série, mas que torna esse tema mais marcante e muito mais saboroso, e inova a cada cena. Ver Depp e Cruz atuando lado a lado é algo maravilhoso, ainda ter como suporte Rush e McShane então, é como se não pudesse haver ninguém melhor para assumir cada papel importante da trama. O que nos resta fazer, agora que Depp assinou para mais dois filmes, é esperar por mais diversão e torcer para que Penélope Cruz e Geoffrey Rush voltem em suas respectivas personagens, enquanto isso,podemo assistir incansavelmente aos outros filmes e façamos como os piratas costumam enquanto esperam, ou melhor, como os piratas fazem o tempo todo: bebeis amigos yo ho!



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284. PIRATAS DO CARIBE – NO FIM DO MUNDO, de Gore Verbinski

Mais um filme feito apenas pelo dinheiro.
Nota: 7,0


 Título Original: Pirates of the Caribbean – Ar World’s End
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Keira Knigthley, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Jack Devenport, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Naomi Harrys, Stellan Skarsgard
Produção: Jerry Bruckheimer, Bruce Hendricks, Mike Stenson, Pat Sandson, Chad Oman e Eric Mcleod
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2007
Duração: 169 min.
Gênero: Aventura / Fantasia / Comédia

A canção foi cantada; a Corte da Irmandade dos Piratas convocada; Will, Elizabeth, Barbossa e a tripulação salvaram Jack do mundo dos mortos; Davy Jones recuperou seu coração; mas todos estão movidos por um inimigo perigoso em comum: a cora inglesa. Lord Cutler Beckett tem o comando de Jones, aprisionou Elizabeth e deseja controlar os sete mares colocando um fim na Irmandade dos Piratas e liderando a Companhia das Índias Orientais. Agora todos os piratas terão de se unir para derrotar Beckett.Agora Sparrow, Barbossa, Elizabeth, Will e toda a tripulação do Pérola Negra devem por um fim no monopólio marítimo criado por Jones e salvar suas vidas de uma vez por todas, já que um passo foi dado com a morte do Kraken.


Verbinski volta na direção desse filme, como no segundo, o melhoramento técnico é visível e vai tornado o filme cada vez mais qualitativo. A alternância entre espaços escuros e claros não é feita com muita grandiosidade, apesar de ótimas cenas durante o dia, as cenas das noites em qualquer lugar parecem um pouco confusas pela falta de iluminação necessária. Como um todo não se pode dizer que é um excelente filme, bem como o segundo apenas diverte, sem ambições pare ser um clássico do gênero, é apenas um meio de ganhar mais dinheiro nessa mina de ouro que é a franquia Piratas do Caribe. Hanz Zimmer assume a trilha sonora novamente, e, como era de se esperar, dá mais um show com a adaptação do tema principal da franquia.



Johnny Depp volta apenas após um ano para Sparrow, nos revelando, como sempre, uma atuação maravilhosa, vista nos primeiros filmes da franquia. Seu Sparrow é extremamente convincente, confuso ao não sabe o que quer da vida e se escolhe apenas sua ambição ou se deve pensar em seus amigos também. Aqui é o filme em que muitos nos deixam: Keira Knightley vai tentar a vida em produções que exijam mais dela profissionalmente, Orlando Bloom deixa a série por motivos que eu desconheço, Bill Nighy vê o fim de sua personagem que ia começar a ficar muito chata, o mesmo destino é dado ao ótimo Tom Hollander, que vive o insuportavelmente ganancioso Lorde Cutler Beckett, portanto temos uma despedida digna de todos: Will e Elizabeth resolverão seus problemas e decidirão se ficam juntos ou não, Beckett verá que não pode ter tudo na vida e Nighy dá mais um show em sua interpretação. Portanto, nos restará a parte boa do elenco: Geoffrey Rush, sempre excelente como o Capitão Hector Barbossa; Kevin McNally, como a querido Joshamee Gibbs e a entrada de Keith Richards como o pai de Jack Sparrow, Capitão Teague, que aceitou ser a personagem por insistência de Depp e permanecerá no próximo filme.


Mais um desses filmes feitos para ganhar dinheiro que conquistou seu objetivo, essa é a melhor definição para esse filme. Nada grandioso ou ambicioso em sua técnica, como já disse, é divertido e não passa disso, mas a idéia de dar um desfecho para algumas história surpreenderá com o próximo filme da sequência. Assisti-lo somente é essencial se desejar comprovar o que ocorre com as personagens para tentar entender o quarto filme, nada além de uma grande e desnecessária, é o que o segundo e o terceiro filmes dessa saga representam na história do cinema.



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