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domingo, 29 de junho de 2014

001. O PODEROSO CHEFÃO - PARTE III, de Francis Ford Coppola

Após dois filmes, Coppola mostra que ainda pode surpreender e encerra a saga da família Corleone com chave de ouro.
Nota: 9,7



Título Original: The Godfather Part III
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia, Eli Wallach, Joe Mantegna, George Hamilton, Bridget Fonda, Sofia Coppola, Raf Vallone, Franc D’Ambrosio, Donal Donnelly, Richard Bright, Helmut Berger, Don Novello, John Savage, Franco Citti, Mario Donatone, Vittorio Duse, Enzo Robutti, Richele Russo, Al Martino, Robert Cicchini, Rogerio Miranda, Carlos Miranda, Vito Antuofermo,
Produção: Francis Ford Coppola, Gray Frederickson, Fred Fuchs, Nicholas Gage, Marina Gefter, Charles Mulvehill e Fred Roos
Roteiro: Francis Ford Coppola e Mario Puzo
Ano: 1990
Duração: 170 min.
Gênero: Drama / Crime

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


Michael Corleone ficou conhecido por ser filho de Don Vito Corleone, um dos italianos mais poderosos da América. Depois da morte do pai, mesmo tendo outros dois irmãos, Michael se tornou o novo Don Corleone e, surpreendentemente, tornou-se muito mais poderoso, rico e influente que seu pai. Hoje, passaram-se aproximadamente 20 anos desde que Vito morreu. Os filhos e sobrinhos de Michael são adultos, Kay continua preferindo se manter distante do pai dos filhos e Connie permanece junto ao irmão em qualquer ocasião. Mas Michael está ficando velho, e, apesar de os mafiosos terem o poder de adiantar algumas mortes, nem mesmo eles podem detê-la para sempre.


“O Poderoso Chefão – Parte III” inicia com uma homenagem que Michael recebe da Santa Igreja Católica, homenagem ofertada pelo próprio Papa. Após a cerimônia, todos se reúnem em uma festa muito bonita e agradável, onde Michael doa cem milhões de dólares para a Igreja. E aí já começamos a ver o quanto os Corleone serão sempre os mesmos, não importa o que aconteça. Após 14 anos, Francis Ford Coppola lançou o derradeiro filme de sua trilogia épica. As décadas de 1970 e 1980 foram de extrema importância para o cinema moderno devido a nova geração de cineastas que começou a se impor, trazendo técnicas e temas inéditos, inovadores e inspiradores. Foi devido a essas novidades que os filmes da época conquistaram o público de forma inacreditável e serviam de modelo para outros cineastas, que passaram a experimentar e até desenvolver técnicas propostas por nomes como Coppola, Martin Scorsese, Woody Allen, George Lucas e Steven Spilberg. E se as primeiras partes daquela trilogia inspiraram as décadas de 70 e 80, podemos afirmar que a terceira parte da série foi referência para inúmeros filmes da década de 90. Dentre os exemplos, podemos citar a edição ágil e clássica proposta por Lisa Fruchtman, Barry Malkin e Walter Murch, a direção de arte e a produção de design dos irmãos Alex e Dean Tavoularis, e a iluminação e fotografia de Gordon Willis, proposta que vinha desde a primeira parte da trilogia.


Mario Puzo, que eternizou seu nome na Sétima Arte através dos filmes baseados em seu romance homônimo, está ao lado de Coppola para finalizar a série. Aqui, a história se torna mais moderna e um pouco menos impactante que nos dois primeiros longas. Temos um Michael diferente do visto nos outros filmes. Já não é mais um menino que cometeu seu primeiro assassinato. Também não é um homem que está começando a se firmar como o merecido herdeiro do pai. O Don Michael Corleone do final da década de 70 (quando ocorre a história) é um homem que se arrepende de seu passado, um homem debilitado que está começando a compreender que não é mais capaz de chefiar todos os seus negócios pela idade. E se Michael já não possui aquele vigor de outrora, o mesmo podemos dizer de Connie e Kay. Enquanto a irmã já perdoou Michael pelo assassinato do marido traíra, Kay ainda se ressente por seu grande amor ter se tornado uma pessoa tão diferente. E essas novas personalidades, essa forma de apresentar personagens maduros, se contrasta com os personagens mais jovens vividos pelos filhos e sobrinhos do protagonista: indivíduos cheios de vida que buscam por seus amores e sonhos. O próximo Don, por exemplo, e isso fica claro desde a primeira aparição do personagem, é o filho bastardo de Sonny. Vincent é o perfeito retrato do pai: temperamental e louco pelo poder. Ainda nessa geração, temos os filhos de Michael. Mary é uma jovem sonhadora que se apaixona por Vincent e está decidida a viver esse amor, não importa o que qualquer pessoa pense a respeito. Anthony também tem sua paixão e luta por ela, mas o amor deste é a música e, mesmo que Michael queira obrigá-lo a ser seu sucessor, o jovem está pronto para ir até o fim em se dedicar à sua arte.


Mas nem tudo nesse roteiro é tão novo quanto as personalidades dos personagens ou essa relação com a Igreja: existem dezenas de semelhanças entre esse filme e a primeira parte da trilogia. A primeira já é vista logo no início. Quando Michael é homenageado e depois oferece uma festa aos seus “afilhados” vemos uma clara referência ao casamento de Connie. Depois, temos o tiroteio que tem como objetivo aniquilar alguns Dons, o que inclui Michael. Esteticamente, a cena lembra o assassinato de Sonny, mas também pode ser uma referência à tentativa de assassinato de Vito. Enquanto no primeiro filme os tiros atingem Vito e o levam para o hospital, aqui, Michael, que é diabético, tem um ataque devido ao susto e vai para o hospital. A reação dos Corleone diante desses eventos, entretanto, é a mesma: Michael, na primeira parte, comete seu primeiro assassinato para vingar o pai, e aqui, Vincent assassina o homem que ordenou o ataque contra o tio. De qualquer forma, Vito e Michael, mesmo vingados, ficam à beira da morte. E quando percebem que está na hora de passar seu poder adiante, eles o fazem. Vito deixa claro que o próximo Don Corleone será Michael, ao passo que este nomeia Vincent seu sucessor. No desfecho da trama, Michael revive o primeiro filme: enquanto ele assistia a missa após se tornar Don, dezenas de inimigos eram assassinados por sua ordem, aqui, os assassinatos são coordenados por Vincent enquanto Michael assiste à ópera do filho. Como aconteceu com Vito, por fim, Michael também morre de forma pacífica, estando velho e sem sentir dores. Apesar de viverem momentos distintos, ambos estavam sentados sobre o sol da manhã.


Apontei como os Corleone são os melhores anti-heróis já criados quando disse, na crítica do primeiro filme da saga dessa família, que eles são o que há de mais podre na face da terra e, mesmo sabendo disso, os amamos. E Michael é um dos grandes responsáveis por isso. Ou melhor, Al Pacino é um dos grandes responsáveis por qualquer afeição que nutrimos pelo personagem e por sua família. No início, ele é o filho que não deseja seguir os passos do pai, por isso o amamos. Depois, vinga sua família com sangue e, por isso, ganha nossa admiração. Mais tarde, ordena que o irmão seja assassinado, mas justifica o ato alegando que Fredo estaria comprometendo a família. E mesmo com este fratricídio, continuamos amando Michael. E o personagem passa a ser mais amado ainda pelos estadunidenses após suas palavras ensaiadas sobre ser um americano cumpridor dos deveres no discurso que o livra da cadeia. Mas Al Pacino não é apenas o responsável por viver o maior anti-herói da história do cinema, ele é um assombro ainda maior que nos primeiros filmes da série, pois está ainda mais expressivo. Tanto Michael, quanto Al, são mais experientes, portanto, já viveram mais e estão mais aptos para enfrentar as dificuldades da velhice. Desta vez, Pacino não repetiu a dose de ser indicado ao Oscar (havia sido indicado como melhor ator coadjuvante pelo primeiro filme e como melhor ator pelo segundo), mas, talvez, seja essa sua interpretação mais dramática e verdadeira em toda a trilogia. O trabalho que, sem dúvidas, merecia o prêmio da Academia.


Todavia Al Pacino não é o único intérprete que volta ao longa com mais experiência e sagacidade. Diane Keaton, a ex esposa Kay Adams, e Talia Shire, a irmã Connie, repetem suas personagens. Keaton demora a aparecer, mas quando surge em cena se mostra a mesma mulher dos outros filmes: mãe zelosa e mulher apaixonada. As duas cenas que definem isso são explícitas: em uma, deixa claro a Michael que estará ao lado de Anthony na ideia de largar o direito e se tornar músico, na outra, passeia ao lado do ex marido pela cidade onde o falecido sogro nasceu, e acaba confessando a Michael que sempre o amou. Shire, por outro lado, não possui nenhuma grande cena, mas aparece em vários momentos demonstrando que a Connie submissa ao marido morreu e deu lugar a uma mulher de fibra que, finalmente, compreendeu o que significa fazer parte da família Corleone. Ambas as atrizes fazem tudo demonstrando como suas personagens cresceram e aprenderam com o que viveram. São duas atrizes que voltam às suas personagens depois de 14 anos, mas não que interpretam mulheres completamente distintas daquelas que largaram no passado. Diferente disso: a Kay doce e romântica e a Connie fiel à família estão lá mais do que nunca.


O elenco, entretanto, não pode ser resumido a duas atrizes e um ator como se isso fosse uma comédia romântica. Longe disso. Longe de ser um elenco de três pessoas e mais longe ainda de ser uma comédia romântica. Andy Garcia, indicado ao Oscar por seu Vincent, lembra muito (a nós e aos personagens) o pai que morreu de forma trágica (assassinado com a ajuda do marido de Connie). E talvez esse seja o ponto alto do ator, uma vez que Sonny representava um personagem tão particular e expressivo, até por que, Garcia apenas lembra o pai do personagem, mas não se tornar uma caricatura ou cópia. Sofia Coppola vem para provar que a década de 90 foi uma das mais românticas do cinema moderno. Ela vive uma Mary boba, inocente e apaixonada por Vincent, uma menina mimada e sem graça. Coppola não possui nada de muito interessante e chega a ser chata em algumas cenas. Ainda bem que a atriz passou para o outro lado da câmera e se tornou uma diretora competente e admirável. Franc D’Ambrosio fecha o elenco principal da família como Anthony Vito Corleone, apesar de ser um ótimo ator, esse foi o único filme da carreira de D’Ambrosio, que se mostra um verdadeiro cantor ao interpretar a canção “Brucia La Luna”. Só para não deixar de citar os demais personagens importante, aqui vai uma pequena lista: Eli Wallach dá vida ao vira-casacas Don Altobello, Joe Mantegna, vive o desafeto Zoey Zasa, Raf Vallone, o Cardeal Lamberto, Donal Donnelly, o Arcebispo Gilday e John Savage, interpreta o filho de Tom Hagen, Padre Andrew Hagen.


Sequências de qualquer tipo de série de filmes sempre dão aquele frio na barriga. Com a trilogia de Coppola não foi diferente. Entretanto, poucas vezes vimos sequências tão satisfatórias como essas. O segundo filme da série mescla as histórias de Michael e Vito e se torna o filme mais violento dos três. A terceira parte, todavia, se mostra um filme mais psicológico, um longa que está disposto a abordar as consequências de tudo o que Michael fez. Consequências sofridas por ele e por toda sua família. Consequências que afetam a consciência do protagonista do início ao fim. O filme, definitivamente, não é o melhor da trilogia, até por que, nenhum filme feito até hoje no cinema supera a primeira parte, mas não podemos negar a qualidade e a importância do desfecho da história. Assim sendo, não foi apenas por ter homenageado a trilogia na centésima e na ducentésima críticas do blog que escolhi a terceira parte da saga dos Corleone para finalizar as 399 críticas. Após 398 análises, acho justo que termine este trabalho da mesma forma que Francis Ford Coppola finalizou a melhor trilogia da história do cinema: com dignidade e muita qualidade. Com chave de ouro.


Como fiz com os outros dois filmes da série, abaixo segue a lista dos dez melhores momentos do longa (as informações abaixo contém SPOILER):
10. Homenagem e festa: o início do filme, como citei, já lembra quem é a família Corleone e do que eles estão dispostos para subirem ainda mais na sociedade. Essa cena mistura a alegria do povo italiano com a malandragem dos mafiosos como se tudo fosse uma coisa só;


09. Michael revela seu interesse pela International Immobiliare: pode não ser uma cena impactante, mas é uma cena de grande valor para o contexto e é muito bom ver o Don Michael Corleone fazendo negócios, ou melhor, fazendo suas propostas irrecusáveis;



08. Tarde de Michael e Kay passeando pela cidade: apesar de ser uma cena simples, evoca os outros filmes, o passado dos Corleone e a relação bonita que o casal tinha quando Kay ainda achava que políticos eram honestos;


07. Volta de Michael para a Itália: aliando-se ao fato de Michael reunir a família para prestigiar o sucesso do filho, é o momento em que o protagonista sai do hospital e mostra a todos que o Don Corleone está vivo e bem de saúde, capaz de tomar as rédeas da própria vida;


06. Michael aceita Vincent como seu herdeiro: após Vincent provar ao tio que é digno de sua confiança, Michael o reconhece como seu sobrinho, chamando-o de Vincent Corleone, e declarando que ele será seu sucessor. Como foi feito com Michael no final do primeiro filme da trilogia, os homens se aproximam de Vincent e beijam a mão do novo Don;


05. Massacre: em uma cena épica, os “aliados” de Michael sofrem um homicídio em massa orquestrado por Altobello e Zasa. A cena é perfeita e não poupa em mostram os homens morrendo. Além disso, a sequência, onde Michael tem seu ataque devido a glicemia e a pressão, é uma das cenas mais forte do longa;


04. Confissão de Michael Corleone: após 30 anos sem se confessar, finalmente, Michael, em sua passagem pela Itália, encontra com um pároco e, como um bom católico que realmente é, resolve se acertar com Deus. Michael confessa seus crimes, o que inclui a morte do irmão, Fredo. A cena é impactante e memorável justamente por isso: friamente, Michael fala que já matou e ordenou que matassem, e, com todo o sentimentalismo do mundo, revela, chorando, que mandou matarem seu próprio irmão;


03. Anthony entoa a canção “Brucia la Terra”: a letra de Giuseppe Rinaldi acompanha a música tema criada por Nino Rota, um dos temas mais inesquecíveis do cinema. D’Ambrosio tem a voz perfeita para a canção e a emoção gerada por ela (e por Al Pacino) é inexplicável;


02. Noite na ópera: desde o momento em que os personagens chegam ao local da apresentação, passando pelas mortes de vários personagens (o que inclui o Papa), até o momento final em que Michael e Kay choram pela morte da filha. A cena tem a mesma tensão proposta pela cena principal do filme “O Homem que Sabia Demais” de Alfred Hitchcock e é o momento mais expressivo dos protagonistas: indo de alegria pelo sucesso do filho, ao desespero pela morte da filha;



01. Morte de Michael Corleone: se esse fosse um filme isolado, provavelmente teria escolhido a cena da ópera como a melhor do filme, mas estamos falando de uma trilogia. Uma trilogia que mostra a passagem de poder de um pai para seu filho, assim, quando Michael resolve passar seus poderes como Don para seu sobrinho, ele fecha um ciclo. Outras pessoas veem essa trilogia como sendo o relato da vida de Michael. De qualquer forma, a morte de Michael é o final definitivo deste ciclo.


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sábado, 23 de fevereiro de 2013

100. O PODEROSO CHEFÃO PARTE II, de Francis Ford Coppolla


Tecnicamente, o melhor filme da trilogia, mas, por ser o segundo, jamais superará o posto da Parte I como o melhor filme da história do cinema.
Nota: DEZ


Título Original: The Godfather Part II
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Al Pacino, Robert De Niro, Diane Keaton, Robert Duvall, John Cazale, Talia Shire, Lee Strasberg, Michael V. Gazzo, G. D. Spradlin, Richard Bright, Gastone Moschin, Tom Rosqui, Bruno Kirby, Frank Sivero
Produção: Francis Ford Coppola, Gray Frederickson, Fred Roos, Mona Skanger e Robert Evans
Roteiro: Francis Ford Coppolla e Mario Puzzo (romance)
Ano: 1974
Duração: 210 min.
Gênero: Drama / Crime

Após a morte de Vito, seu filho mais novo Michael assume a liderança definitiva da família Corleone, apesar de, no primeiro filme, recebermos Michael como o único na família que não deseja assumir os negócios do pai, aqui vemos uma mudança quase inacreditável. Dessa forma, o novo Don Corleone terá que arcar com problemas que já vinham ocorrendo desde antes da morte de Vito, o principal deles: outros mafiosos querem a cabeça do líder Corleone e alguém de dentro da casa de Michael está por trás dessa tramóia. Em contra plano, vemos a história do próprio Vito Corleone, desde a morte de seus pais na Itália, sua ida para os EUA, sua ascensão como chefe, sua vingança e, sobretudo, sua consolidação como o Don Corleone.


Mostrada de forma linear para cada uma das personagens principais, a sequência de um dos maiores filmes da história do cinema vai contra todas as regras: é melhor que o primeiro. Digo isso, porque, geralmente quando nos deparamos com a continuação de qualquer história (mesmo que ela seja baseada em bons livros, ou mesmo que o primeiro filme tenha sido um sucesso estrondoso que dava a chance de se ter uma excelente sequência) costuma decepcionar. Isso ocorreu em  “A Saga Crepúsculo”, “As Crônicas de Nárnia”, “Entrevista com o Vampiro”, “Batman” (Tim Burton), “Jurassic Park”, “X-Man”, “Matrix” e “Instinto Selvagem”; outros não mudam muito (não significa que sejam bons ou ruins, nem que se tornam melhores ou piores, apenas continuam na mesma linha): “Harry Potter”, “Hannibal”, “Quarteto Fantástico”, “Indiana Jones”, “Premonição” “Sherlock Holmes”; por fim, os filmes que obtiveram sequências tão boas quanto ou melhores que os primeiro: “Elizabeth”, “Se Beber Não Case”, “O Senhor dos Anéis”, “Batman” (Christopher Nolan), “007” e, obviamente, “O Poderoso Chefão”. Não é que o primeiro tenha algum defeito, muito pelo contrário, mas a continuação é capaz de nos deixar curiosos e atônitos, sem perder ritmo, acrescente a isso, traz um roteiro que acerta em cheio quando resolve contar as duas histórias, mostrando como não há muitas diferenças naquilo que Vito fez e enfrentou para chegar ao poder para aquilo que Michael está fazendo para permanecer no topo. A diferença, portanto, não está nas atuações (até porque o primeiro conta com a brilhante interpretação de Marlon Brando), nem na trilha sonora (aliás, a do primeiro é melhor) ou no roteiro (ambos são ótimos, mas esse é um pouco melhor, apesar de longo), está no fato de que parece que o próprio Coppolla está mais familiarizado com a Saga dos Corleone, nos trazendo algo mais maduro e rígido, mais bem feito mesmo, com técnicas melhores (costumo dizer que no primeiro filme ele fez muitos testes que, por sorte, já começaram a dar certo ali) e mais adaptadas e a provável ligação entre ele o elenco principal torna tudo mais fácil. Não há como não parabenizar Nino Rota pela maravilha que é sua trilha sonora.


Al Pacino é, sem dúvida, um dos melhores atores da história do cinema, e aqui ele prova mais uma vez sua genialidade; após dois anos longe da personagem, ele está muitas vezes melhor, mais maduro, com uma postura melhor (de macho alfa mesmo), comportando-se como um verdadeiro mafioso, além disso, na construção da personagem, Pacino torna aquele mocinho sonhador que foi para a guerra lutar por seu país, um home frio e calculista, capaz de tudo para proteger sua família, tê-la por perto e continuar no poder. Robert De Niro, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante por sua interpretação, é aquilo que chamo de um assombro vivendo Vito Corleone jovem, o principal fator está em ser, absolutamente, necessário imitar um pouco algumas coisas feitas por Brando no filme anterior, e, logo na primeira fala de De Niro, vemos que ele não decepciona: sua voz ficou idêntica a de Brando na pele de Vito, além disso, seus trejeitos, a forma de falar e andar e até o modo como toca as pessoas nos lembra a eterno Don Corleone. Robert Duvall volta na pele do advogado e amigo de confiança de Vito – e, agora, o braço direito de Michael -, bem como Pacino, Duvall mostra o quanto sua personagem cresceu, pois Tom Hagen já está ficando velho e sente as dificuldades chegando, mas, em momento algum, deixa de estar ao lado de Michael, por mais que suas feições denotem cansaço e exaustão. Diane Keaton volta no papel da insuportável Kay, apesar de a personagem ser chata por continuar querer casada com Michael, mas querendo que ele seja um homem totalmente íntegro, Keaton proporciona uma das cenas mais belas do filme ao lado de Pacino, além disso, não há absolutamente nada a reclamar sobre sua atuação. John Cazele continua no papel do irmão mais velho de Michael, basta lembrar que ele perdeu o posto de chefão para Michael para saber que ele trará problemas e uma das cenas mais aterrorizantes da trilogia. Por fim, além do restante do elenco – que é fantástico – destaco a irmã de Michael, Connie, interpretada pela atriz Talia Shire, apesar de a atriz ser um pouco tímida, ela deixa claro que a personagem não superou o assassinado do marido, mas que está disposta a fingir que esqueceu para poder viver em paz com o irmão, que se torna, com o passar do tempo, um pai para ela.


Quando o primeiro filme da trilogia foi lançado, o público se surpreendeu ao ver tanta veracidade e realidade acerca da máfia nos EUA, com esse filme, a violência aumentou e mortes tornaram-se comuns, acrescente a isso, a Família Corleone consolidou-se não somente como os maiores mafiosos dos EUA no filme, mas como o maior grupo de anti-herois da história do cinema, sendo impossível odiar Vito ou Michael, isso é, sabemos que eles são o que há de mais podre na face da terra, mas ainda sim os amamos, ainda mais com esse filme, onde descobrimos as origens de Vito – o que nos faz ter certeza de que ele não fez tudo o que fez por ter uma índole má, mas porque foi criado no meio de pessoas que o deixaram vingativo e com desejo de poder e dinheiro -, também acabamos compreendendo Michael, afinal, como sair de um negócio como a máfia sem que sua família não seja prejudicada? Durante o primeiro filme, entretanto, parece que Michael Corleone se pergunta mais sobre isso, já aqui, ele assume as responsabilidades e compreende que isso é impossível. Al Pacino e Robert De Niro, não são humanizados por ninguém, mas também não são monstros, são pessoas fezendo o qeu podem para sobreviver, e se fosse dada a você a árdua tarefa de matar alguém para sobreviver e proteger sua família e a si próprio, você não mataria?
A seguir veja lista das dez maiores cenas desse filme em ordem cornológica, mas já faço uma ressalva: contém revelações cruciais para a trama, portanto, assista ao filme e depois volte para conferir e concordar ou discordar de minha opinião:

01. Após a morte do pai, do irmão e da mãe, o pequeno Vito deixa a cidade de Corleone na Itália e vai para os Estados Unidos da América fugindo do poderoso homem que matou sua família

02. Michael Corleone comemora a primeira comunhão de seu filho, e, obviamente, atende homens poderosos, bem como Connie, sua irmã que pula de um casamento para outro;

03. Homens aliados a inimigos de Michael fazem uma tentativa de assassinato na casa de sua família, onde estavam seus filhos, esposa, mãe, irmãos

04. Michael vai até Havana, Cuba, para encontrantrar alguns aliados e alguns inimigos, lá ele descobre que os inimigos estão onde menos imaginamos;

05. Vito Corleone assassina o poderoso Don Fanucci e torna-se um dos homens mais poderosos de Nova York: é aí que inicia a verdadeira Saga da Família Corleone;

06. Vito Corleone instala o letreiro de sua nova empresa: Importações Genco, apenas uma fachada para completar sua vingança e tornar-se o chefe de uma das maiores famílias de carcamanos dos EUA;

07. Michael Corleone é julgado por seus crimes, mas dá uma declaração prá lá de manjada sobre sua contrinuição no exército, suas doações e sua vontade de deixar uma América digna para seus filhos viverem;

08. A esposa de Michael Corleone, Key, se cansa de toda essa loucura de ser casada com um homem tão perigoso e revela não ter perdido o filho que esperava e, sim, ter cometido um aborto, ela deixa o marido para trás, mas também é obrigada a deixar os filhos;

09. Vito Corleone vai até a Itália com sua família e, finalmente, vinga a morte de sua pai, seu irmão e sua mãe: mata o homem que os assassinou;

10. Bem como no filme anterior, temos uma das cenas mais belas da trilogia: Michael Corleone acaba conseguindo tudo o que precisa para seguir em frente – a morte de seus maiores inimigos, dentre eles, o próprio irmão, Fredo.

“Cena Bônus”: em uma cena mais que nostálgica, os Corleone sentam-se esperam Vito Corleone no dia de seu aniversário para lhe fazer uma surpresa, até ali, Michael ainda tinha suas idéias revolucionáris para um país melhor e revela que acabara de, nocentmente, se alistar para o exército América, quem vê até pensa...


VENCEDORES BAFTA AWARDS 2013:

Melhor Filme: Argo
Melhor Filme Britânico: 007 – Operação Skyfall
Melhor Estreia de Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico: The Imposter
Melhor Filme Estrangeiro (não em língua inglesa): Amor
Melhor Documentário: Searching for Sugar Man
Melhor Filme de Animação: Brave
Melhor Direção: Ben Affleck, Argo
Melhor Roteiro Original: Django Livre
Melhor Roteiro Adaptado: Silver Linings Playbook
Melhor Ator: Daniel Day-Lewis, Lincoln
Melhor Atriz: Emmanuelle Riva, Amor
Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, Django Livre
Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway, Os Miseráveis
Melhor Trilha Sonora: 007 – Operação Skyfall, de Thomas Newman
Melhor Fotografia: As Aventuras de Pi
Melhor Edição: Argo
Melhor Design de Produção: Os Miseráveis
Melhor Figurino: Anna Karenina
Melhor Cabelo e Maquiagem: Os Miseráveis
Melhor Som: Os Miseráveis
Melhores Efeitos Visuais: As aventuras de Pi
Melhor Curta-Metragem de Animação: The Making of Longbird
Melhor Curta-Metragem: Swimmer



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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

115. O ADVOGADO DO DIABO, de Taylor Hackford


O Satã não podia ser melhor!
Nota: 9,0


Título Original: The Devil’s Advocate
Direção: Taylor Hackford
Elenco: Keanu Reeves, Al Pacino, Charlize Theron, Jeffrey Jones, Judith Ivey, Connie Nielsen, Craig T. Nelson, Tamaa Tunie, Debra Monk, Vyto Ruginis
Produção: Anne Kopelson, Arnold Kopelson, Arnon Milchan
Roteiro: Jonathan Lemkin, Tony Gilroy e Andrew Neiderman (romance)
Ano: 1997
Duração: 144 min.
Gênero: Thriller / Drama

Kevin Lomax é o melhor advogado da Flórida no momento, nunca perdeu uma causa e vive uma ótima vida ao lado de sua esposa Mary Ann Lomax. Quando Kevin livra um estuprador da cadeia, surpreendentemente é convidado pelo representante do poderoso John Milton para ir para Nova York. Ao chegar lá, Kevin e Mary Ann encontram uma vida melhor que o esperado, cheia de mordomias e riquezas. Entretanto, enquanto ela começa a desconfiar de tanta perfeição, Kevin se enreda cada vez mais nas mentiras e tramóias de Milton, as quais o levam para um caminho, aparentemente, sem volta.


Não é preciso começar a assistir ao filme, muito menos chegar até seu desfecho, para perceber que John Milton - aqui interpretado por Al Pacino – é o Diabo em pessoa, aparentemente, algo que somente será descoberto no fim do filme, o homem não está possuído pela alma do Satã, ele é, literalmente, o Demônio em pessoa. Durante a trama, apesar de o enredo parecer mostrar outras coisas, o Diabo é apenas a representação dos pecados, do medo, da dúvida e dos receios que enredam os seres humanos e os fazem cair em desespero. Nesse contexto, Milton pode até fazer parecer que ele é uma espécie de vilão, mas, analisando tudo mais a fundo, percebemos o quanto o personagem pode enlouquecer as pessoas e controlá-las, tal qual, como já disse, o medo, a dúvida, os pecados, etc. O vencedor do Oscar e diretor do longa “Ray” (2004), Taylor Hackford é quem lidera essa produção excelente, mas, obviamente, não é apenas o seu ótimo trabalho que torna esse filme algo tão, absurdamente, agradável. Andrzej Bartkowiak é o diretor de uma fotografia bela, apesar de o longa acontecer todo em ambiente urbano. Além disso, James Newton Howard – indicado ao Oscar oito vezes por longas como: “O Fugitivo” (1993), “O Casamento do Meu Melhor Amigo” (1997) e “Conduta de Risco” (2007) – é o compositor de uma trilha sonora rica e, como de costume, extremamente propícia para cada cena ou personagem do longa.


Keanu Reeves é aquele tipo de ator imprevisível, que está péssimo em alguns filmes e ótimos em outros, sem meio termo. Aqui, graças ao excelente roteiro, ou ao personagem incrível ou ao restante do elenco ser ótimo, Reeves está nesse segundo grupo de atuações: o das ótimas. Como Kevin, Reeves nos proporciona um jovem advogado louco para crescer profissionalmente, mas que se vê confuso ao perder a esposa para a suposta loucura e analisar como deixou tantos criminosos livres durante tanto tampo. Charlize Theron nunca foi uma atriz incrível, mas também nunca decepciona em seus filmes, aqui ela é uma Mary Ann simpática, iludida com o mundo dos ricos e bem pervertida, que não liga para saber quem são os culpados, apenas deseja que o marido faça seu trabalho e ganhe dinheiro; nos momentos de loucura ela se mostra uma pessoa totalmente perturbada, com medo de tudo o que possa a estar rodeando. Dentre todo o resto do grande elenco do filme, não há mais ninguém que mereça grande destaque que não seja o incrível Al Pacino. Um dos maiores mestres da atuação do cinema moderno, Pacino não poderia decepcionar em um papel tão sarcástico e debochado, não aprece que qualquer coisa perturbe o ator durante o longa por ele estar interpretando um ser tão avesso ao que as pessoas depositam sua fé; ao encarar John Milton, Pacino nos traz mais uma de suas grandes atuações, depravado, determinado e com a luxúria e a vaidade acima de qualquer coisa, ele está, mais uma vez inacreditável.


É sabido que Lúcifer, o anjo caído, possui diversas facetas – até porque, a palavra, vinda do latim, significa “portador de luz” -, sendo assim, pode assumir várias formas, apossar-se de qualquer ser vivo, confundir nossos sentidos, convencer-nos a realizarmos coisas que nós nem sabíamos que poderíamos fazer. E é bem isso o que esse filme mostra, mas acaba indo além propondo que nossos atos não são culpa apenas dos demônios que carregamos dentro de nós, e sim por um conjunto de fatores que formam a personalidade consumista de todos os seres humanos que nos tornamos após a aderência dos ideais capitalistas. Acrescente a isso, é falado muito sobre a vaidade – um dos sete pecados capitais/mortais ditados pela santa Igreja Católica -, o que pode servir a uma crítica direta aos próprios envolvidos com esse louco mundo do entretenimento – atores, cantos, produtores, modelos, jornalistas – que se preocupam o tempo todo com a forma como irão parecer para o mundo. E é usando essa preocupação que, no filme, o Diabo toma a consciência dos homens como se eles fossem fantoches, induzindo-os a realizarem coisas terríveis, pra si e para outras pessoas. Na realidade, a vaidade acaba sendo, não apenas o pecado mais agradável para o Satã, mas, também o mais aterrorizante para o restante da humanidade.


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