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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

019. (ESPECIAL OSCAR 2014) O CAVALEIRO SOLITÁRIO, de Gore Verbinski

            Um filme sem nexo, sem propósito e com todos os erros possíveis.
Nota: 7,5



Título Original: The Lone Ranger
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Armie Hammer, Johnny Depp, William Fichtner, Tom Wilkinson, Ruth Wilson, Helena Boham Carter, James Badge Dale, Bryant Prince, Barry Papper, Manson Cook, JD Cullum, Saginaw Grant, Harry Treadway, James Frain, Joaquín Cosio
Produção: Jerry Bruckheimer, Gore Verbinski
Roteiro: Justin Haythe, Ted Elliott e Tery Rossio
Ano: 2013
Duração: 149 min.
Gênero: Ação / Aventura / Faroeste

No meio de uma pequena cidade no velho oeste, uma grande empresa constrói, sobre a supervisão de Lathan Cole, uma estrada de ferro. Para inaugurar essa construção em grande estilo, Cole promete o enforcamento do fora da lei Butch Cavendish. Entretanto, o trem que leva o criminoso é atacado no meio do percurso. John Reid, que está indo para a mesma cidade se tornar promotor, acaba deixando Cavendish escapar por insistir em usar apenas a justiça legal como arma. Ao lado de Cavendish, está preso o índio Tonto, o qual John se certifica de deixar na cadeia assim que chega na cidade. Quando John reencontra se irmão, Dan, o xerife do local, parte em busca de Cavendish, todavia, a trupe toda é assassinada, sobrando apenas John, o futuro Caveleiro Solitário.


Quando o grupo que busca Cavendish sofre a emboscada que mata quase todos, Tonto, que conseguiu fugir da cadeia, salva a vida de John, e é aí que os dois iniciam sua aventura juntos. Além desses homens todos, o filme conta com algumas mulheres. Rebecca Reid é a mais importante. Esposa de Dan e mãe de seu único filho, ela e John tiveram um romance no passado e o reencontro fará reviver antigas chamas do passado. Outra mulher importante é Red Harrington, a dona do bordel da cidade que perdeu a perna por culpa de Cavendish. Tonto e o Cavaleiro Solitário são dois personagens que fizeram muito sucesso há anos, principalmente em rádios. Claro que uma adaptação da história seria esperada por todos que se interessam pela série e pelo velho oeste americano. A junção de Verbinski, Depp, Hans Zimmer (compositor da trilha sonora) e Bruckheimer, após os sucessos da franquia “Piratas do Caribe” só fez aumentar as expectativas e o orçamento do filme (quase 400 milhões de dólares) fez todos enlouquecerem. E o problema está justamente aí: o público enlouqueceu ao saber dessa produção imensa, mas, pare realizar esse filme, o diretor também enlouqueceu, o produtor enlouqueceu, os atores enlouqueceram. A história possui um ótimo enredo, com personagens bem escritos e um desenvolvimento divertido e nada monótono. Todavia, nada supera a loucura a que estamos expostos quando assistimos a esse longa. O ambiente de velho oeste visto em grandes filmes de ficção se mistura com as batalhas horríveis que foram travadas contra índios que foram dizimados no norte da América. Cenas e lutas em cima de trens (onde até os cavalos são capazes de correr) se misturam a cenas muito reais onde homens fazem justiça com sangue. Os costumes e crenças indígenas se opõe aos atos cruéis dos vilões. A realidade sobre a busca do ouro naquela região e naquele tempo são confrontadas com as impossibilidades que rondam a trama. Algumas cenas muito improváveis até são interessantes, mas o conjunto da produção é uma verdadeira catástrofe.


Armie Hammer caiu no gosto do público e da crítica. Johnny Depp sempre foi amado por todos, mesmo sendo excêntrico desde que iniciou sua carreira. Helena Boham Carter chegou a interpretar a diva Elizabeth Taylor para um filme de televisão no último ano. Tom Wilkinson é um dos atores mais respeitados de sua geração. Alguém, qualquer um que seja, explique-me por que esses astros, que podem conseguir papeis em qualquer filme e não precisam de dinheiro urgentemente, toparam realizar “O Cavaleiro Solitário”? Não, ninguém será capaz de responder a esse questionamento. Depp alegou ser grande fã de Tonto, e, talvez, tenha sido essa sua paixão pelo personagem que o afundou mais do que qualquer pessoa podia esperar. Ele está chato, sem graça e idiota demais. O Tonto construído por Depp é um homem fraco sem qualquer perspectiva. Hammer se deu tão bem fazendo o drama “A Rede Social” (2010) em que viveu irmãos gêmeos (ele representava os dois de formas totalmente diferente), chegou a ser indicado ao Sindicato dos Atores pelo drama “J Edgar” (2011). Então, como se não tivesse mais nenhuma proposta, decidiu enfiar sua cabeça em filmes que vão de mau a pior, como “Espelho, Espelho Meu” e “O Cavaleiro Solitário”. Qual o motivo para interpretar John Reid agora? E Boham Carter que possui duas cenas relevantes. Duas cenas ridículas em que, resumindo, Red Harrington levanta sua perna de marfim para atirar em coisas com uma arma imbecil que sai do salto do sapato. E, o pior de todos, Tom Wilkinson. Um dos maiores atores de sua geração acaba de perder o respeito de muitas, mas muitas pessoas. E não falo apenas do público, falo de produtores, atores, diretores, falo de pessoas importantes para o cinema.



“O Cavaleiro Solitário” surpreendeu a todos recebendo duas indicações ao Oscar: melhores efeitos visuais e melhor maquiagem e cabelo. Ambas as indicações são merecidas, claro que filmes como “O Homem de Aço” mereciam mais a indicação na categoria visual, e “Trapaça” também é um filme superior que possui maquiagem e cabelo como grandes componentes. O consolo é saber que as chances de o longa sair vencedor são tão remotas quanto as chances de o pássaro ridículo na cabeça de Tonto soltar um granido. Se, nessa corrida para o Oscar, assistir a “Meu Malvado Favorito 2” foi a maior tortura que meu bom senso pôde aguentar, escrever sobre “O Cavaleiro Solitário” é meu maior teste de paciência, pois fica difícil saber por onde começar a falar dessa confusão que o longa faz acerca dele mesmo. A diferença entre esse e a animação, é que “O Cavaleiro Solitário” ao menos diverte. Apesar de possuir uma beleza estética inquestionável, ter qualidade sonora e ser uma boa diversão, o longa se afunde cada vez mais em uma trama que enrola a cada momento. O filme não cansa por ser monótono, pois ele não é, cansa por ser repetitivo e enrolado. Dessa vez, essa grande produção não acertou o ponto. Talvez, do quarteto composto por Verbinsk, Depp, Zimmer e Bruckheimer, apenas o compositor se salva ao nos presentear com uma trilha muito apropriada e divertida. Entretanto, uma andorinha só não faz verão. E um compositor, apenas, não faz um filme. 

SINDICATO DOS EDITORES DE SOM DE FILME:
Melhor Edição de Som – Efeitos Sonoros: Gravidade
Melhor Edição de Som – Diálogos: Capitão Phillips
Melhor Edição de Som em Animação: Epic
Melhor Edição de Som em Filme Estrangeiro: O grande Mestre
Melhor Edição de Som – Música em Filme Musical: Frozen
Melhor Edição de Som – Música em Filme: O Grande Gatsby
Melhor Edição de Som em Documentário: Dirty Wars

SOCIEDADE DE ÁUDIO DE CINEMA
Melhor Mixagem de Som em Filme Live Action: Gravidade
Melhor Mixagem de Som em Filme Animação: Frozen
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sábado, 19 de janeiro de 2013

124. (ESPECIAL OSCAR 2013) DJANGO LIVRE, de Quentin Tarantino


O heroi do ano se afunda na tentativa imbecil de continuar atrás de sua amada, no final das contas, a culpa é toda de quem o deixa ir embora.
Nota: 9,0


Título Original: Django Unchained
Direção e Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Fox, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Walton Goggins, Dennis Christopher, David Steen, Dana Gourrier, Ato Essandoh
Produção: Reginald Hudlin, Pilar Savone, Stacey Sher, Bob Weinstein, Harvey Weinstein
Ano: 2012
Duração: 165 min.
Gênero: Faroeste / Drama

Em 1858, Django é um escavo no Sul dos Estados Unidos que é separado da mulher que ama por uma fuga do casal, cada um é vendido para um lugar e ele acaba caindo nas graças do Dr. King Schultz, um caçador de recompensas do governo que está atrás de três homens, os quais Django será totalmente capaz de reconhecer. Após matar esse trio, Schultz promete a Django que irá atrás da amada e os libertará, mas essa busca não será tão fácil, pois a bela Broomhilda acabou sendo comprada por Calvin Candie, um proprietário de muitas terras que já passou os limites da loucura.



Fazendo um desabafo que pode deixar a maioria dos leitores do blog totalmente decepcionada e ignorando o fato de que vários poderão passar a me odiar e deixar de ler minhas críticas, não gosto de Quentin Tarantino. Sim, um jovem de 18 que deseja se tornar diretor de cinema, não gosta de Quentin Tarantino. O por quê? Ele, mais que qualquer um de seus atores, é irritantemente exagerado (over, em uma linguagem mais “técnica”). Seus filmes, de forma alguma são mal feitos, muito pelo contrário, é importante apontar o quanto ele dá atenção a suas produções, todavia, sua atenção é exagerada. “Cães de Aluguel” (1992) foi o primeiro filme de Tarantino no cinema, depois vieram mais seis, “Django” é o oitavo e seu melhor longa. Não assisti a “Pulp Fiction” (1994), mas posso garantir que tanto os filmes de “Kill Bill” (2003/2004) quanto seu “Bastardos Inglórios” (2009) seguem a mesma linha que seu novo filme: são bem feitos, mas, como já disse exagerados. Tecnicamente falando, a montagem, a edição de som, a mixagem, o figurino e, em especial, a trilha sonora (da qual dispensava o RAP), são trabalhos realizados por exímios profissionais conhecidos pelo diretor e pelo público por outros trabalhos. Vale a pena, não por críticar, mas a título de curiosidade, destacar que Tarantino foi inspirado por grandes histórias do cinema para criar seu filme: “... E O Vento Levou” (1939) trouxe a realidade das fazendas sulistas dos EUA; “O Valente Treme-Treme” (1948) era protagonizado por um caçador de recompensas disfarçado de dentista; os lutadores negros e alguns nomes para eles vem do longa “Mandingo” (1975); a arma usada por Christopher Waltz em sua última cena é baseada em um dispositivo criado por Travis Bickle, vivido por Robert De Niro em “Taxi Driver” (1976); por fim, o protagonista foi inspirado em Django, do filme “Django” (1966) de Sergio Corbucci, um grande diretor de Faroeste Espaguete.



Nesse filme, o protagonista é vivido por Jamie Foxx, em, sem dúvida alguma, sua interpretação mais significativa e seu melhor desempenho no cinema até hoje. Durante a trama, Django vai ganhando mais espaço e deixa de ser um simples escravo para se tornar um homem que luta pelo amor de sua vida, deixando de lado as leis ou os costumes. Foxx acompanha de forma perfeita essa transição do protagonista, chegando a ser um detestável negro preconceituoso quando convém para Django (ele se disfarça de traficante de negros para conseguir chegar perto de Broomhilda). Christoph Waltz, vencedor do Oscar por “Bastardos”, é o Dr. Schultz, algumas pessoas vem dizendo que sua interpretação aqui e no filme de 2009 é exatamente a mesma, para mim, a personagem de DiCarpio é bem mais parecida com a de Waltz em 2009, enfim, Waltz irá vencer o Oscar de melhor ator coadjuvante novamente esse ano, por um trabalho de merecido respeito e digno de reconhecimento. DiCaprio, por sua vez, é o proprietário de Broomhilda, mais uma vez ignorado pela Academia, ele está simplesmente fantástico no papel, fazendo com que esqueçamos de seu fracasso em “Titanic” (1997) a cada dia e tornando-se um ator sem defeitos. Samuel L. Jackson vive Stephen, um negro de 76 anos que é empregado na fazenda de Calvin Candie, o poder conferido de seus outros patrões, e do atual, fazem com que o negro se torne um homem cruel e desumano com os próprios negros da propriedade, é impossível não se enojar com Jackson, o que faz de interpretação a melhor do ano.



Apesar das várias indicações ao Oscar nesse ano, os fãs se decepcionaram ao não verem Quentin Tarantino entre os diretores indicados (ele terá de se satisfazer com o melhor roteiro do ano), eu acabei me decepcionando em não ver Jackson e DiCaprio na lista dos melhores coadjuvantes. Além de melhor filme, o longa conta com as indicações de Waltz (ator coadjuvante), roteiro original (Tarantino), fotografia e edição de som. Provavelmente Tarantino e Waltz sairão vencedores. Voltando ao filme, não há como dizer que “Django” seja uma produção ruim, de fato, ela tem uma qualidade superior a muitos outros filmes realizados durante o ano, entretanto, apesar de considerar correto demonstrar a covardia com a qual os negros eram tratados, Tarantino sempre resolve trazer uma cena sanguinária memorável, e é nessa cena que o filme se afunda. Se tivéssemos seu desfecho em exatos 147 minutos com uma sequência inexplicável de tiroteios que tiraria a vida de nosso heroi e sua amada, essa crítica seria desenvolvida de forma totalmente diferente, considerando esse filme o melhor do ano e conferindo-lhe nota dez. Todavia, não é isso que acontece, afim de surpreender a todos com cenas de coragem e trazer um Django destemido e determinado, Tarantino nos traz, também, a desgraça para o filme, que não deixa de ser o melhor de sua carreira, mas também não pode ser considerado o melhor do ano. Em suma, o filme é excelente. Se há mudanças que o melhorariam? Sim, elas existem. Se tais mudanças seriam necessárias para o filme se tornar algo muito melhor? Sim, de fato elas são necessárias.




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