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sábado, 23 de fevereiro de 2013

102. (ESPECIAL OSCAR 2013) ANNA KARENINA, de Joe Wright


Apesar da indiscutível beleza visual, é muito teatral e longo demais ao contar inúmeras histórias diferentes.
Nota: 8,0


Título Original: Anna Karenina
Direção: Joe Wright
Elenco: Keira Knightley, Aaron Taylor-Johnson, Jude Law, Matthew Macfadyen , Kelly Macdonald, Domhnall Gleeson, Ruth Wilson, Alicia Vikander, Olivia Williams, Michelle Dockery, Emily Watson, Holliday Grainger, Sirley Henderson, Bill Skarsgârd, Cara Devingne, Hera Hilmar
Produção: Tim Bevan, Paul Webster, Alexander Dostal, Liza Chasin e Alexandra Ferguson
Roteiro: Tom Stoppard e Leo Tolstoy (romance)
Ano: 2012
Duração: 129 min.
Gênero: Drama

Anna Karenina é uma aristocrata na Rússia no século 19 que está casada com o velho Alexei Karenin, um homem frio que já não dá mais tanta atenção a sua esposa. Dessa forma, Anna acaba se apaixonando perdidamente pelo conquistador Conde Vronsky, apesar de o Conde amá-la tanto quanto ela o ama, Anna precisa decidir se quer permanecer ao lado do filho e de Karenin, ou se quer se aventurar em uma paixão louca com Vronsky, ao mesmo tempo em que isso acontece, o irmão de Anna, Oblonsky, e sua esposa, Dolly, vivem uma crise conjugal por ele estar traindo a esposa. Além disso, Konstantin Levin, amigo de Oblonsky, tenta conquistar o coração de Kitty, amiga de Anna.


Acredito que Joe Wright seja um dos diretores modernos mais preocupados com a estética de seus filmes. Sua carreira no cinema se resume em sete anos (2005 – 2012), cinco filmes – “Orgulho & Preconceito” (2005), “Desejo e Reparação” (2007), “O Solista” (2009), “Hanna” (2011) e “Anna Karenina” – e 15 indicações ao Oscar (todas pelos seus trabalhos ao lado de Keira Knightley, os de 2005, 2007 e “Karenina”). Apesar de achar seus trabalhos, especialmente os com Knightley, muito bons, sendo os únicos que a atriz está realmente bem, esse me decepcionou muito. A idéia de usar um estilo semelhante ao de Federico Fellini em suas grandes obras não caiu bem para esse longa, que poderia ser bem menos teatral e mais real, o que quero dizer é que os filmes de Fellini eram incríveis, mas não possuíam nexo algum, nem suas história malucas, muito menos a forma como o mestre as reproduzia, entretanto, a história de Anna Karenina e toda sua trupe possui detalhes que a tornam totalmente plausível, e talvez seja essa mistura do real (a história de Anna) com o irreal (a forma como foi filmado) que torne o filme algo inferior ao esperado. Além disso, os gestos e feições das personagens são tão caracterizados e perfeitos que tudo parece um imenso espetáculo de balé. Acrescente a isso, as principais atuações do longa são caricatas demais e nenhum ator protagonista consegue segurar as pontas do filme ou trazer a verdadeira essência de seu personagem. Por fim, são muitas histórias em diferentes lugares, com diferentes pessoas para um filme tão diferenciado com tanto tempo de duração.


Se a forma como o longa foi tratado, as atuações de grandes estrelas do cinema e o roteiro misturar tantas histórias são um problema, não posso dizer o mesmo sobre toda a parte artística da produção. O longa está indicado em quatro categorias no Oscar 2013: melhor fotografia para Seamus McGarvey, já indicado por “Desejo e Reparação”, apesar de nessa categoria ser um forte concorrente, lutará contra filmes menos teatrais que possuem fotografias e locais mais abertos, com pouca cor ou que chamam menos a atenção, mas mais leves e reais; melhor figurino para Jacqueline Durran, uma das figurinistas mais experientes do ano, para mim o figurino mais digno de vencer o prêmio, e acredito que vença, até por que levou o prêmio do Sindicato dos Figurinistas, a não ser que seja desbancado pela três vezes vencedora Colleen Atwood, por “Branca de Neve e o Caçador”; melhor direção de arte, para Sarah Greenwood e Katie Spencer, ambas indicadas a quatro Oscars e parceiras de Wright em seus dois primeiros filmes, apesar dos grandes concorrentes, mais uma merecida categoria; por fim, e o mais importante, melhor trilha sonora para Dario Marianelli, a trilha de Marianelli é uma das mais belas e agradáveis dos últimos anos, trazendo características da região onde se passa a história, apesar disso, não me parece totalmente original e o tema principal não me é totalmente estranho, mesmo assim, acredito ser a melhor trilha do ano, apesar de as cinco indicadas serem excelentes. Achei a montagem do filme extremamente simpática e dentro do contexto da proposta teatral do diretor, se fosse escolher tiraria “A Hora Mais Escura” do páreo e daria uma chance a “Anna Karenina”


Como disse acima, apenas Wright para fazer de Knightley uma atriz completa em seus filmes, entretanto, até mesmo ela decepciona muito aqui. Está caricata demais, como todo o resto do elenco, faz caras e bocas desnecessárias o tempo todo e, apesar de gostar muito da atriz, não convence em nenhum momento o sofrimento e as angústias da personagem; como se não bastasse, o roteiro do filme trata Anna como uma mulher cheia de frescuras e muito chata após deixar o marido e ir viver com o amante, parece que ela deseja que todos a compreendam, esquecendo-se da gravidade (no contexto histórico) do que fez. Jude Law parecia estar se tornando um ótimo ator, mas quando o vemos como o velho Alexei perdemos as esperanças de que venha a ser aquele tipo de ator completo que faz filmes e mais filmes com algum grau de perfeição, apesar de frio, dá a sua personagem um ar demasiadamente idiota. Aaron Taylor-Johnson saído de, pasmem infinitas vezes, “Kick-Ass – Quebrando Tudo” (2010) está longe de ser o galã conquistador que seu personagem deveria ser. Os outros dois casais centrais da trama vividos por Matthew Macfadyen e Kelly Macdonald (Oblonsky e Dolly) e Domhnall Gleeson e Alicia Vikander (Konstantin e Kitty) tem, nos homens, o problema, pois eles são fracos demais; e nas mulheres, duas pontinhas rápidas de leveza e naturalidade. Para deixar tudo menos decepcionante Emily Watson e Michelle Dockery estão ótimas como a simples Condessa Lydia e a extravagante Princessa Myagkay, respectivamente.


A história de Anna Karenina, escrita por Leo Tolstoy entre 1875 e 1877, narra, paralelamente, os eventos que acontecem com a protagonista e os que acontecem com Konstantin, um proprietário de terras apaixonado por uma jovem da alta sociedade russa. Nessa adaptação, apesar dos problemas, há a fidelidade em mostrar a beleza de se sacrificar por amor (a ponto de preferir a morte a não poder estar com quem se ama), apesar de tudo isso ser muito exagerado e desnecessário, o longa acaba sendo o mais belo, esteticamente falando, do ano. Mas mais que isso, não é preciso muito para analisar a real vontade de Tolstoy ao escrever essa história, e somente por não se perder a ponto de esquecer esse detalhe impostantíssimo – talvez o mais crucial de toda a adaptação - que é necessário assistir a esse filme: permanecemos com a boa e velha crítica aos costumes exagerados, aos padrões culturais e sociais que foram se desfazendo durante a humanidade, afinal, essa ruptura se faz necessária por um simples motivo, ou ela acontece, ou nos vemos em uma vida cada vez mais controlada, rotineira e, consequentemente, desesperadora, e quem melhor para romper com padrões que não a Sétima Arte?


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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

233. A DUQUESA, de Saul Dibb


Apesar de focar muito apenas no ponto de vista da protagonista, o filme é uma clara defesa dos direitos e da igualdade feminina
Nota: 8,0


Título Original: The Duchess
Direção: Saul Dibb
Elenco: Keira Knighthley, Ralph Fiennes, Charlotte Rampling, Dominic Cooper, Hayley Atwell, Simon McBurney, Aidan McArdle, John Shrapnel
Produção: Michael Kuhn, Gabrielle Tana
Roteiro: Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen, Saul Dibb e Amanda Foreman (biografia)
Ano: 2008
Duração: 110 min.
Gênero: Biografia / Drama

Georgiana Spencer nasceu em 1757, filha de nobres, foi cortejada durante toda a vida por diversos homens que desejavam tomá-la como esposa, no entanto em 1774 ela desposou William Cavendish, Duque de Devonshire. Durante anos Georgiana não conseguiu gerar filhos homens para o marido, enquanto isso William divertia-se com todas as mulheres que podia. Dentre as amantes do Duque, a mais conhecida foi a que veio a tornar-se sua segunda esposa, a melhor amiga de Georgiana, Lady Elizabeth Foster. A Duquesa também ficou conhecida por sua fama entre as mulheres da corte inglesa: era copiada constantemente e, reza a lenda, certa vez a Rainha da Inglaterra da época proibiu que as mulheres utilizassem penas de pavão nos cabelos, pois Georgiana era a que possuía as mais belas, raras e compridas. Além de sua fama e beleza, a Duquesa de Devonshire ficou conhecida por sua influência no partido político liberal Whigs, por seu vício em jogos de azar e por seu romance com Charles Gray, com quem teve uma filha. Morreu em 1806, extremamente endividada e hoje sua história é comparada com a vida da descendente direta de seu irmão George Spencer, Diana, ex Princesa de Gales.

Georgina Cavendishi, Duquesa de Devonshire

Keira Kneightley como a Duquesa
       No filme temos, inicialmente, a jovem Georgiana Spencer, bela e rica, sendo cortejada por William Cavendish, rapidamente os dois se casam e o inferno na vida de Georgiana inicia por ela não conseguir ter filhos. Enquanto está reclusa no interior da Inglaterra fazendo um tratamento, conhece e fica amiga de Elizabeth Foster. Para esquecer os problemas ela se diverte em festas e envolve-se com política e conhece Charles Grey, que se apaixona por ela rapidamente. Entretanto, Georgiana continua fazendo parte da aristocracia inglesa e ainda é a esposa do todo poderoso Duque de Devonshire, portanto, sua vida deixou de pertencer a ela há muito tempo.




Antes desse filme, Saul Dibb dirigiu apenas um filme, um documentário curta e uma mini-série de TV. O trabalho do diretor é passar a história de Georgiana da melhor forma possível como realmente aconteceu, é claro que o contexto de época dificulta um pouco as coisas, mas levando-se em consideração o fato de ele ter em mãos uma Inglaterra conservada, cada cena em que conferimos dois séculos passados ficam bem características pelos locais onde o filme foi gravado .O figurino, obviamente, auxilia muito nesse processo, ele foi desenhado por Michael O’Connor, advindo de poucos, mas bons, trabalhos, dentre eles: “A Casa dos Espíritos” (1993), “Emma” (1996), “Contos Proibidos do Marquês de Sade” (2000), “Harry Potter e a Câmara Secreta” (2002) e “A Vida num Só Dia” (2008). A responsável pela trilha sonora já fez dezenas de filmes conhecidos e de gêneros e estilos de época bem diferentes, Rachel Portman foi indicada a três Oscar e venceu uma por “Emma”.


Keira Knightley vem em uma de suas melhores performances ao viver Georgiana Spencer, a atriz demonstra de forma bem nítida como a personagem cresce e amadurece com o passar dos anos e vai de uma menina pura e inocente a uma mulher sexy e desejada por todos. Dominic Cooper é o charmoso Charles Grey, um jovem apaixonado e iludido ao acreditar que poderia ficar ao lado de sua amada para sempre sem ter de enfrentar um verdadeiro caos na vida dos dois. Hayley Atwell é a bela Elizabeth Foster, mais que uma mulher, uma mãe que só deseja ter os filhos ao seu lado novamente, mas se para isso ela tiver de se deitar com um Duque, não será nenhum grande sacrifício. Existem dos atores ingleses ainda vivos que, simplesmente tudo o que os dois fazem, eu acho incrível, são eles Jeremy Irons, atualmente na série “The Bórgias”, e Ralph Fiennes, que interpreta o Duque de Devonshire nesse filme, com maestria o ator mostra a dificuldade de ser pressionado como um nobre que precisa ter filhos logo para ter os tão exigidos herdeiros de sua fortuna e título, em uma das cenas mais incríveis do filme, o Duque deixa claro a sua esposa que tudo o que ele faz não é por opção, e sim por que ele deve fazer, denunciando a forma como as pessoas viviam na época.


O filme nos trás a história da vida de Georgiana apenas pela perspectiva da Duquesa, não vemos muito do que o marido dela pensa ou do que acontece ao redor dela, é como se ela contasse sua história enfatizando seus problemas e deixando o resto de lado. Não que isso seja ruim, errado ou que a personagem se faça de vítima, ela deixa bem claro que não é nenhuma santa, mas a trama acaba esquecendo de deixar claro como o Duque foi criado e faz parecer que ele é o vilão da história. O fato é que não existem vilões, aqui existem apenas seres humanos tentando sobreviver em um mundo que sempre se mostrou desumano, ainda mais para quem tem “compromissos” para com a aristocracia.


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domingo, 10 de junho de 2012

284. PIRATAS DO CARIBE – NO FIM DO MUNDO, de Gore Verbinski

Mais um filme feito apenas pelo dinheiro.
Nota: 7,0


 Título Original: Pirates of the Caribbean – Ar World’s End
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Keira Knigthley, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Jack Devenport, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Naomi Harrys, Stellan Skarsgard
Produção: Jerry Bruckheimer, Bruce Hendricks, Mike Stenson, Pat Sandson, Chad Oman e Eric Mcleod
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2007
Duração: 169 min.
Gênero: Aventura / Fantasia / Comédia

A canção foi cantada; a Corte da Irmandade dos Piratas convocada; Will, Elizabeth, Barbossa e a tripulação salvaram Jack do mundo dos mortos; Davy Jones recuperou seu coração; mas todos estão movidos por um inimigo perigoso em comum: a cora inglesa. Lord Cutler Beckett tem o comando de Jones, aprisionou Elizabeth e deseja controlar os sete mares colocando um fim na Irmandade dos Piratas e liderando a Companhia das Índias Orientais. Agora todos os piratas terão de se unir para derrotar Beckett.Agora Sparrow, Barbossa, Elizabeth, Will e toda a tripulação do Pérola Negra devem por um fim no monopólio marítimo criado por Jones e salvar suas vidas de uma vez por todas, já que um passo foi dado com a morte do Kraken.


Verbinski volta na direção desse filme, como no segundo, o melhoramento técnico é visível e vai tornado o filme cada vez mais qualitativo. A alternância entre espaços escuros e claros não é feita com muita grandiosidade, apesar de ótimas cenas durante o dia, as cenas das noites em qualquer lugar parecem um pouco confusas pela falta de iluminação necessária. Como um todo não se pode dizer que é um excelente filme, bem como o segundo apenas diverte, sem ambições pare ser um clássico do gênero, é apenas um meio de ganhar mais dinheiro nessa mina de ouro que é a franquia Piratas do Caribe. Hanz Zimmer assume a trilha sonora novamente, e, como era de se esperar, dá mais um show com a adaptação do tema principal da franquia.



Johnny Depp volta apenas após um ano para Sparrow, nos revelando, como sempre, uma atuação maravilhosa, vista nos primeiros filmes da franquia. Seu Sparrow é extremamente convincente, confuso ao não sabe o que quer da vida e se escolhe apenas sua ambição ou se deve pensar em seus amigos também. Aqui é o filme em que muitos nos deixam: Keira Knightley vai tentar a vida em produções que exijam mais dela profissionalmente, Orlando Bloom deixa a série por motivos que eu desconheço, Bill Nighy vê o fim de sua personagem que ia começar a ficar muito chata, o mesmo destino é dado ao ótimo Tom Hollander, que vive o insuportavelmente ganancioso Lorde Cutler Beckett, portanto temos uma despedida digna de todos: Will e Elizabeth resolverão seus problemas e decidirão se ficam juntos ou não, Beckett verá que não pode ter tudo na vida e Nighy dá mais um show em sua interpretação. Portanto, nos restará a parte boa do elenco: Geoffrey Rush, sempre excelente como o Capitão Hector Barbossa; Kevin McNally, como a querido Joshamee Gibbs e a entrada de Keith Richards como o pai de Jack Sparrow, Capitão Teague, que aceitou ser a personagem por insistência de Depp e permanecerá no próximo filme.


Mais um desses filmes feitos para ganhar dinheiro que conquistou seu objetivo, essa é a melhor definição para esse filme. Nada grandioso ou ambicioso em sua técnica, como já disse, é divertido e não passa disso, mas a idéia de dar um desfecho para algumas história surpreenderá com o próximo filme da sequência. Assisti-lo somente é essencial se desejar comprovar o que ocorre com as personagens para tentar entender o quarto filme, nada além de uma grande e desnecessária, é o que o segundo e o terceiro filmes dessa saga representam na história do cinema.



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sexta-feira, 1 de junho de 2012

290. PIRATAS DO CARIBE – O BAÚ DA MORTE, de Gore Verbinski


O segundo, apesar de satisfazer, nunca é tão bom quanto o primeiro. Esse não foge à regra.
Nota: 7,8


Título Original: Pirates of the Caribbean – The Dead Man’s Chest
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Keira Knigthley, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Jack Devenport, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Naomi Harrys, Stellan Skarsgard
Produção: Jerry Bruckheimer, Bruce Hendricks, Mike Stenson, Pat Sandson, Chad Oman e Eric Mcleod
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2006
Duração: 151 min.
Gênero: Aventura / Fantasia / Comédia

 O casamento de Elizabeth e Will é impedido e ele recebe uma missão de Lord Cutler Beckett: ir onde for necessário para trazer uma bússola para ele e libertar sua amada da prisão, o único problema é que Will precisará encontrar o proprietário dessa bússola e persuadi-lo a entregá-la para salvar Elizabeth, ninguém menos que o Capitão Jack Sparrow. No entanto, os propósitos de Jack nesse filme não se centrarão muito em resgatar a donzela em perigo, afinal essa honra e dignidade toda não faz parte do pirata mais adorado do mundo, Sparrow quer livrar-se dos problemas que tem com o enigmático Capitão do Holandês Voador, Davy Jones, condenado por toda a eternidade por ter amado a mulher errada. É claro que toda aquela trupe do primeiro filme, irá fazer parte desse para deixá-lo ainda mais hilário.


Gore Verbinski nunca fez nenhum trabalho de muito sucesso, muito menos algum de que eu particularmente goste, a não ser os três primeiros filmes da franquia “Piratas do Caribe”. Dentre seus trabalhos temos a comédia que passou centenas de vezes na Sessão da Tarde, “Um Ratinho Encrenqueiro” (1997); o fracasso estrelado por Brad Pitt e Julia Roberts, “A Mexicana” (2001); o terror “O Chamado” (2002); e o chatíssimo “O Sol de Cada Manhã”, com o péssimo Nicolas Cage. Seu trabalho aqui começa a melhorar em relação ao primeiro filme, a fotografia melhora, a edição toma o mesmo rumo, mas existe algo que não pertence ao diretor que torna essa essa série inconfundível: ninguém mais ninguém menos que o alemão Hans Florian Zimmer assume a trilha sonora do filme e a faz se tornar um marco no cinema moderno. O vencedor do Oscar de 1995 por “O Rei Leão” (1994), tem ao seu lado do tema extremamente popular composta por Klaus Badelt e o melhora cem por cento. Zimmer, como eu já cansei de dizer, é um dos melhores compositores modernos, ao lado de John Williams e Howard Shore eles formariam o trio perfeito, se eles resolvessem se juntar e Williams fosse o responsável pelo piano, Zimmer pelas cordas e Shore pelos sopros eles fariam a trilha mais inimaginavelmente perfeita da história do cinema. Aqui, portanto, Zimmer nos proporciona diversas músicas ótimas, sem nunca deixar de lado o tema “He’s a Pirate”, trazendo toda a jovialidade impressa em Sparrow por Depp, a ganância dos piratas e a diversão atribuída a vida de quem vivia no mar roubando os outros no Século XVII. Do restante das músicas, seguem, em sua maioria, esse estilo eletrizante e divertido, destaque para as músicas compostas para o personagem Davy Jones, que são fortes e chamam muito a atenção. Além da trilha, o ponto forte desse filme é mesmo a parte técnica, as edições de som e imagem são maravilhosas tanto em alto mar quanto na terra e a maquiagem de Davy Jones e sua tripulação é perfeita.


Johnny Depp volta com sua personagem mais querida e a qual, segundo ele próprio, lhe traz muito divertimento. Não é difícil ver o quanto o ator se diverte interpretando Sparrow: é vivo, alegre, irônico, engraçado, sexy e nos mostra que não serão três anos separado de seu tão amado Jack que ele deixará de fazê-lo com perfeição. Keira Knightley tem sua interpretação “menos ruim” dos três filmes nesse aqui, apesar de gostar dela em algumas outras produções, acho sua Elizabeth ruim, talvez por a própria personagem ser chata e sem graça, mas confesso que vê-la na tela é sempre algo agradável para os olhos masculinos. Talvez Orlando Bloom tenha exatamente os mesmos problemas de Knightley,tornando-se algo chamativo para as mulheres que querem ver um pirata mais bonito e menos sujo. Mas aqui ainda temos atores de alto escalão para competir o espaço de Depp, alguns novos no elenco, outros oriundos do primeiro. Kevin McNally é o sempre ótimo Gibbs, uma das personagens mais adoradas da série, e o único que aparece em todos os filmes ao lado de Depp. Jack Davenport volta como um Norrington falido, bêbado e acabado que não sabe a quem se aliar para essas novas disputas. Stellan Skarsgard é o pai de William Turner, Bootstrap Bill, um pirata que, há anos atrás, ficou prisioneiro no Holandes Voador, da onde jamais poderá sair sem a permissão de Davy Jones. Ainda temos Naomie Harris como a enigmática Tia Dalma, uma feiticeira que tem muito mais o que esconder além de um corpo misterioso em sua casa. Jones, por fim, é interpretado pelo maravilhoso Bill Nighy, como um homem literalmente sem coração, que deseja a morte e o sofrimento alheio para tentar esquecer dos seus próprios por sua desilusão amorosa.


Esse segundo filme da franquia é o que eu menos gosto, bem como seu posterior é enrolado e o tempo todo parece que sue roteiro não sabe para que lado seguir. As sacadas do filme são ótimas, as cenas de Depp como o Deus de aborígenes são ótimas, as gaiolas feita de ossos chegam a dar arrepios e, apesar de cenas exageradamente falsas como a da roda em ilha, o filme possui técnica superior a do primeiro e com mais ação e lutas é divertido e nos faz rir bastante, afinal, é sempre algo muito agradável ver as trapalhadas e aventuras que somente um pirata no mundo pode nos proporcionar: o Capitão Jack Sparrow.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

344. PIRATAS DO CARIBE: A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA, de Gore Verbinski

Johnny Depp dá vida ao pirata mais clichê possível, mas ao mesmo tempo extremamente original.
Nota: 9,0




Título Original: Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Jack Devenport, Jonathan Pryce, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Damian O'Hare, Giles New, Angus Barnett, David Bailie, Michael Berry J. Isaac C. Singleton Jr., Kevin McNally
Produção: Jerry Bruckheimer
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio, Stuart Beattie e Jay Wolpert
Ano: 2003
Duração: 143 min.
Gênero: Comédia / Aventura

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

          A Inglaterra sofre com a ameaça pirata vinda dos mares, dentre ela está o tão famoso Capitão Jack Sparrow. Apesar de o filme ser sempre de Sparrow , a história é sobre o chatíssimo Will Turner e o amor de sua vida, Elizabeth Swann. Quando Elizabeth resolve usar um colar que pegou de Will há anos atrás quando ele foi salvo pela tripulação do navio em que ela estava e a moça cai no mar com o dito medalhão uma força sobrenatural clama pelos inimigos reais, os piratas. Resumidamente, eles pegam a garota e Will, apaixonado por ela, sai atrás deles com Sparrow, que deseja recuperar seu tão amável navio, o Pérola Negra, sobre o qual recaem maldições e dezenas de crenças.


          A filmografia de Verbinski é bem simples: “Um Ratinho encrenqueiro” (1997), que já passou cem vezes na rede globo; “A Mexicana” (2001) com Brad Pitt e Julia Roberts; “O Chamado” (2002), o terror da década; a trilogia “Piratas dos Caribe” (2003, 2006 e 2007); “O Sol de Cada Manhã” (2005), um filme chato além do suportável com o mais chato ainda Nicolas Cage; e o maravilhosamente bem feito, sem palavras para expressar sua genialidade, “Rango” (2011), vencedor do Oscar de melhor animação desse ano, fala sobre um camaleão com crises de existência (dublado por Depp). Nessa trilogia ele é sempre a mesma coisa: bom. Não é ótimo, mas também não é ruim, no terceiro ainda excede as expectativas, nesse começo ele deixa claro que podemos esperar dos outros algo divertido e bem feito, mas nada sensacional de sua parte. Mas aqui o que merece destaque mesmo é o brilhantismo na composição da inacreditável trilha sonora de Klaus Badelt (mais tarde ele será substituído por Hans Zimmer). “He's a Pirate”, tema de Sparrow, é aquele tipo de música que quem assiste ao filme jamais esquecerá, trazendo toda a jovialidade impressa em Sparrow por Depp, a ganância dos piratas e a diversão atribuída a vida de que vivia no mar roubando os outros no Século XVII. Do restante das músicas, seguem-se, em sua maioria, esse estilo eletrizante do tema tão adorado pelos admiradores da série.


          Johnny Depp é o que há nesse filme, seus trejeitos, a forma de falar, de andar e de se portar são maravilhosas e nos remetem a exatamente aquilo que imaginamos ser um pirata: sedutor (apesar de nojento), com metade dos dentes pretos e a outra metade de ouro, a roupa suja, a essência de um bêbado e a esperteza para se safar de todos os perigos propostos pelo seu dia-a-dia. Simplesmente todas as suas cenas são memoráveis e fazem dessa sua maior personagem, não somente por que é a mais famosa e conhecida, mas por que Depp realiza umas das maiores façanhas ao se atuar uma mesma personagem durante quase dez anos: quando entra em Sparrow ele se torna Sparrow, se assistirmos a sua atuação no primeiro e no último não vemos diferença alguma, Depp cria, assim, uma personagem eterna. Com real força no elenco nos resta ainda apenas Geoffrey Rush, o nome deveria bastar, mas Rush faz o mesmo que Depp em relação a não mudança de sua personagem, em todos os filmes parece que ele se torna o Capitão Hector Barbossa, inimigo declarado de Depp, mas daqueles Tom e Jerry: não se suportam, mas não conseguem viver um sem o outro, nem que seja para se atormentarem constantemente, Rush é tão pirata quanto Depp, e vê-lo pular de Barbossa, para Sir Francis Walsingham (em “Elizabeth: a Era de Ouro”, de 2007), para Lionel Logue (“O Discurso do Rei’, de 2010) e voltar para Barbossa em 2011 como se fosse tão simples é como ver um cameleão mudar de cores: inacreditável, mas uma louvável adaptação de animal tão fantástico. Rush é um camaleão, inesperado, mas incrível. Depois temos as atuações sem graça de Orlando Bloom, como o insuportável Will Turner; e Keira Knightley, sua atuação aparenta ser “menos ruim” por sua personagem ser mais aturável. Depp foi indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA por sua interpretação, venceu no Sindicato dos Atores na categoria coadjuvante.


Sequências de qualidade sempre foram raras, eis que temos “Harry Potter”, “O Senhor Dos     Aneis” e “Piratas do Caribe”, todos lançados quase que simultaneamente. Isso faz da primeira década uma década para ótimas continuações, o que os três tem em comum além de serem adaptações é que nunca chegam a ser ruins, diferentemente de tipos como “X-Men” ou “O Homem-Aranha”, talvez porque sequências de super-heróis nunca tenham dado certo mesmo, mas as magias com as quais as três citadas sejam simplesmente perfeitas, por que são tão mágicas e arriscadas quanto qualquer outra. “Piratas do Caribe” é o filme que todos gostam, simplesmente por ser algo além do imaginável, ou por que todos sonhamos em ser piratas um dia, ou sonhamos com um amor como o de Elizabeth e Will, ou apenas por que Johnny Depp nos proporciona uma dos criações mais perfeitas dos últimos anos quando resolve interpretar o temido, famoso, odiado, inescrupuloso e amável Capitão Jack Sparrow.  


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quinta-feira, 15 de março de 2012

361. ORGULHO E PRECONCEITO, de Joe Wright

De forma diferente do que se espera, a adaptação do clássico de Jane Austen é uma boa pedida para dias em que se quer ver um romance original, aliás, que originou centenas de outras histórias de amor.
Nota: 8,7


Título Original: Pride & Prejudice
Direção: Joe Wrigth
Elenco: Keira Knigthley, Matthew Macfadyen, Brenda Blethyn, Simon Woods, Kelly Reilly, Tealulah Riley, Rosamund Pike, Jena Malone, Carey Mulligan, Donald Sutherland
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Paul Webster, Joe Wrigth e Deborah Moggach
Roteiro: Deborah Moggach, Emma Thompson, Jane Austen (romance)
Ano: 2005
Duração: 127 min./ 135 min.
Gênero: Romance

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitando de uma esposa. Por pouco que os sentimentos ou as opiniões de tal homem sejam conhecidos ao se fixar numa nova localidade, essa verdade se encontra de tal modo impressa nos espíritos das famílias vizinhas que o rapaz é desde logo considerado propriedade legítima de uma das suas filhas.” E é quando um jovem e belo rapaz rico se instala na mansão vizinha da família Bennett que todas as mãe da região enxergam um marido em potencial, e não é diferente para a Sra. Bennett, que vê no rapaz o futuro da filha mais velha, bonita, inteligente, saudável, versada em serviços domésticos. Mas o enredo não gira em torno desse casal, e sim de um bem mais interessante: a segunda filha dos Bennett, Elizabeth, e o melhor amigo do jovem rapaz, Sr. Darcy; ela uma jovem pobre, sem muitos modos, grossa, mas bela, inteligente e bem mais interessante que as mulheres da época, ele, um homem feito, rico, prepotente, mas também bonito, inteligente e mais interessado em mulheres determinadas que em mulheres submissas e sem opinião.


Existe algo que me faça sentir certa simpatia por Wrigth, até aqui ele não havia feito nada de interessante nos cinemas, mas foi o responsável pela direção da minissérie para televisão “Charles II: The Power & the Passion”, a qual foi super aclamada pela crítica, chegando a vencer o BAFTA TV de melhor minissérie ou filme para TV. A adaptação da obra de Jane Austen dividiu opiniões tanto de crítica quanto de público, foi indicado a alguns poucos prêmios, destacando-se o Oscar em quatro categorias, o BAFTA em cinco e o Globo de Ouro em duas. O erro neste filme não está na direção, nem nas atuações, muito menos na equipe técnica maravilhosa que nos delicia com um figurino lindo, uma fotografia raríssima e uma trilha sonora clássica brilhante, o problema está na adaptação infiel de um mais que clássico da literatura inglesa, o roteiro do filme é fantástico para quem não leu o livro, mas aqueles que lêem o livro acabam se decepcionando um pouco. Confesso que assisti ao filme, me apaixonei pela história e resolvi ler o livro, resultado: “Orgulho e Preconceito” tornou-se minha obra preferida em todas as que eu já li, e posso dizer com firmeza que nenhum livro romântico contemporâneo chega aos pés dessa obra. Portanto há uma direção incrível, com uma equipe técnica melhor ainda, atuações convincentes e um roteiro pobre em relação à obra, mas essa parece ser a preparação de Wrigth para sua obra prima em 2007, “Desejo e Reparação”, que merecia muito mais do que venceu.


Keira Knightley não é a perfeita Elizabeth Bennet, mas sua atuação é totalmente inesperada, por vezes ela se torna a personagem, mas em alguns momentos derrapa e se enche de trejeitos típicos de iniciantes, algumas características da personagem podem ser vistas novamente em sua atuação da Duquesa Georgiana Spencer em “A Duquesa” (2008). Mattew Macfadyen é Fitzwilliam Darcy, é frio como somente Darcy poderia e sua atuação é bem mais que satisfatória, alguns dizem que Colin Firth na série de 1995 era o Darcy perfeito, eu não assisti, mas não duvido. O fato é que tanto Knightley quanto Macfadyen conseguem nos transmitir os sentimentos centrais do filme, ela com o preconceito de achar que por ser rico Darcy não presta e suas atitudes são injustificáveis, e ele tem preconceito por ela ser pobre e ver suas atitudes como inadequadas, e ambos têm um orgulho tão grande a ponto de se negarem a assumir um amor tão lindo.

"Em criança ensinaram-me o que era certo,
mas não me ensinaram a corrigir meu gênio.” Fitzwilliam Darcy
A idéia expressa no início do texto não compõe apenas os dois primeiros parágrafos do livro homônimo que deu origem a este filme, ela resume tudo o que se pensava no século XIX e anteriormente e revela o tipo de vida que se levava na época, mas seria injusto dizer que essa é a mesma idéia que o livro ou o filme nos trazem, muito pelo contrário: trata-se de um alter ego da própria autora. Jane Austen era determinada, bem resolvida (apesar de seu histórico romance, é sabido que após dele ela se dedicou total e exclusivamente a suas obras), inteligente, independente, dona de suas opiniões e cabeça dura, mas era também uma mulher amorosa, cativante, gentil e amável, que representava em seus livros as formas mais puras e lindas do que se pode chamar amor, essa adaptação pode não ser o mais fiel possível, mas também é uma belíssima representação de uma espécie de amor, aquele inesperado, formado por sentimentos que andam sempre juntos, ao lado de paixão e desejo, o orgulho e o preconceito.


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