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domingo, 12 de maio de 2013

074. DRÁCULA DE BRAM STOKER, de Francis Ford Coppola


Junte Francis Ford Coppola, a história do Conde Dracula e um elenco de peso e faça uma das fantasias mais loucas, deliciosas e bem feitas de todos os tempos.
Nota: DEZ


Título Original: Dracula
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Cary Elwes, Billy Campbell, Sadie Foster, Tom Waits, Monica Belluci
Produção: Francis Ford Coppola, Fred Fuchs, Charles Mulvehill
Roteiro: James V. Hart e Bram Stoker (romance)
Ano: 1992
Duração: 128 min.
Gênero: Drama / Thriller / Romance

O corretor inglês Jonathan Harker vai até a Transilvânia para conversar com um cliente muito rico que deseja fazer aquisições em Londres. Entretanto, o que Harker não sabe é que o tal cliente é ninguém menos, ninguém mais que o Conde Vladmir Dracula, um vampiro indecente que atraiu o corretor para seu castelo para lhe afastar de Mina Murray, noiva de Jonathan e a alma do único amor que Dracula teve em toda a sua vida. No entanto, coisas estranhas começam a acontecer em volta de Mina e para ajudar a espantar o mal, é convocado o caçador de monstros Abraham Van Helsing.


Em 1897 o irlandês Abraham “Bram” Stoker” lançou, sem dúvida o maior sucesso de sua carreira, e um dos maiores sucessos de todos os tempos. O livro “Dracula” relatava a mesma história que podemos assistir aqui – talvez por isso a tradução se refira ao escritor -, apesar de não ter lido o livro na íntegra, acaba me parecendo uma das adaptações mais fieis já vistas no cinema. Mesmo que o livro seja um incontestável sucesso e tenha uma qualidade inquestionável, é importante fazer notar que não foi de imediato que Stoker conquistou seu tão amado público, mas a crítica sempre considerou sua obra um dos melhores livros da história da literatura – recentemente o Daily Mail classificou o escritor como sendo superior a Edgar Allan Poe – contista de dezenas de história, como “O Mistério de Marie Rogêt” e “Os Assassinatos da Rua Morgue” -, Mary Shelley – escritora de “Frankenstein ou o Moderno Prometeu” - e Emily Brontë – a irmã que escreveu “O Morro dos Ventos Uivantes”. Além disso, fontes afirmam que o personagem central da história poderia mesmo ter existido, o que torna interessante verificar nos principais sites de busca de vídeos o documentário “Vampiros – Em Busca da Verdade”, que aborda, de forma inteligente e racional, as possibilidades da existência do tal Conde Vladimir Drácula. Mas, voltemos a produção de Coppola. Aqui, o longa se trata de uma verdadeira adaptação da obra de Bram Stoker, onde tudo acontece, aparentemente, da mesma forma que no livro. Apesar de nunca ter lido “Dracula” na íntegra, baseando-me apenas nas resenhas ou críticas que li a respeito do mesmo, o filme parece ser uma história fiel, além disso, toda a fantasia necessária para se adaptar uma história como essa é explorada de forma magnífica. Aliás, o mínimo que se poderia esperar do diretor da Trilogia “O Poderoso Chefão” é o que vemos aqui, ou melhor, temos algo muito mais sutil e depravado que o esperado. Acrescente a isso, Copolla nos traz um pouco do que vemos na Trilogia que lhe consagrou como um dos maiores diretores da história do cinema: obviamente grande parte do filme ocorre em momentos escuros, afinal, é neles que Dracula concentra seu poder, entretanto, cada tomada, seja em ângulos abertos ou fechados, em ambientes internos ou externos, podemos ver tudo claramente, e quando nossa visão acaba nos enganado percebemos a intenção de confundir nossas ideias e nos transportar de forma inacreditável para a história, prendendo nossa atenção mesmo nos momentos mais monótonos   - que são raros, diga-se de passagem.


Indicado ao Oscar no ano passado por seu papel em “O Espião que Sabia Demais” (2011), Gary Oldman é um dos artistas mais versáteis do atual cenário cinematográfico, conquistando a proeza de estar irreconhecível em diversos dos mais de setenta títulos em que já trabalhou. Aqui ele é, mais uma vez irreconhecível até uma altura do longa, o maior vampiro da história da literatura, ou da humanidade, o Conde Dracula. Incluí “o maior vampiro da humanidade” pois, a brilhante interpretação de Oldman começa logo no início do filme, onde o real Príncipe Vlad é mostrado, em meio a suas guerras e seu único amor, depois vemos Oldman como um velho de pele muito branca, um ser bem assustador que prende Jonathan Harker em seu castelo, por fim, temos o homem apaixonado se digladiando com o vampiro sedento por sangue e louco para se entregar aos prazeres carnais. Além disso, cada cena parece ser única para Oldman e Dracula, e se torna inacreditável como a ator funde suas feições a de seus personagens, criando algo realmente mágico e pavoroso. Harker, por sua vez, é interpretado por Keanu Reeves, quem já leu críticas anteriores de filmes com o ator – “Advogado do Diabo” (1997) e “Alguém Tem Que Ceder” (2003) -, já sabe que não simpatizo totalmente com o ator, mas começo a achar que seja apenas implicância por achar sua atuação na Trilogia Matrix péssima – até por que, os três filmes são terríveis -, todavia, seu trabalho aqui me faz lembrar duas coisas: a primeira é o que já citei nas críticas anteriores, não há meio termo nos trabalhos do ator, ou ele está péssimo ou está ótimo; a outra é uma lembrança, mesmo que mínima de um dos filmes mais inescrupulosos que já tive o prazer de assistir “Ligações Perigosas” (1988), um dos primeiros longas importantes de Reeves, enfim, como Jonathan ele mistura o gênero rapaz romântico e apaixonado, com o homem que está em formação dentro dele e vê o desejo pelo sexo florir ainda mais quando passa a pequena temporada no castelo de Dracula, período em que se vê forçado a se tornar um verdadeiro homem para voltar para os braços da mulher que ama. Para completar o trio masculino de protagonistas está, ninguém mais, ninguém menos, que Anthony Hopkins, interpretando o Professor Abraham Van Helsing, mais um personagem clássico da literatura do gênero, diferente do visto no filme “Van Helsing – Caçador de Vampiros” (2004), onde tínhamos um forte e sensual Hugh Jackman vivendo o protagonista, aqui, Hopkins é um homem sério, mais vivido e com muita história pra contar, alguém que teme ao desconhecido, e mais, que, mesmo sabendo a forma como lutar com qualquer ser que apareça em sua frente, não se deixa levar pela emoção. Para trazer alguma beleza ao filme, temos Winona Rider como Mina Murray, noiva de Jonathan, e Elisabeta, noiva de Dracula no início da história, apesar de achar Ryder uma das atrizes mais belas de sua geração, acho sua atuação fraca e a personagem é inocente demais, mas devo confessar que poucas mulheres poderiam parecer tão sexys e ainda sim desejáveis quanto ela nos momentos em que resolve ceder à tentação do pecado e se entregar aos seus desejos mais insanos, ponto para Ryder que, infelizmente, tem estado um pouco apagada no cinema dos últimos anos.


Como já citei, o resultado desse filme não podia ser algo ruim, todavia, ao saber que e a adaptação da grande obra de Bram Stocker adaptada pelo diretor da Trilogia “O Poderoso Chefão”, confesso que vi nesse trabalho uma realização muito arriscada, e, realmente, o é, afinal, não seria qualquer diretor que poderia tornar essa história tão conhecida e cheia de vertentes algo tão agradável e bem feito. Mas, estamos falando de Francis Ford Copolla o homem que, ao lado de Martin Scorsese, Steven Spielberg, George Lucas, Robert Altman e (por que não), Woody Allen, fez parte da geração mais louca de Hollywood na década de 1970 e trouxe inovações surpreendentes em todas as áreas cinematográficas. Sendo assim, nada se torna um desafio tão complicado e, mais uma vez, Copolla nos presenteia com um filme digno de estar entre os maiores da década de 1990. E isso se faz mais verdadeiro hoje, pois, além de trazer grandes inovações ao gênero, dessa vez, contrariando os vampiros dos últimos anos, nosso Dracula não vive sem sangue humano, possui várias formas, tem poderes obviamente anormais, possui olfato e visão muito mais aguçados que nós e, acima de tudo, exala luxúria por todas as extremidades de seu corpo morto-vivo. E é essa luxúria que faz esse filme algo tão inescrupuloso e delicioso.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

113. BATMAN BEGINS, de Christopher Nolan

O início da melhor narrativa sobre uma lenda!
Nota: 9,5


Título Original: Batman Begins
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Chritian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Gary Oldman, Cillian Murphy, Rade Serbedzija, Rutger Hauer, Jack Gleeson
Produção:
Roteiro: Christopher Nolan, David S. Goyer e Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2005
Duração: 140 min.
Gênero: Drama / Thriller

 Bruce Wayne perde os pais quando criança, desolado por todos os problemas que acaba enfrentando pela perda, decide seguir os passos do pai: exterminar os vilões em Gothan City e acabar com a pobreza. Para isso, decide viver com os pobres e ser preso para aprender a lutar e vencer os tais vilões. Todavia, não é tão fácil assim controlar os crimes da cidade mais importante do mundo, mesmo sendo um playboy bilionário tão popular. Nesse contexto, Wayne cria sua nova identidade: baseado em seus maiores medos e receios surge “Batman”.


Os filmes que envolvem o nome do heroi Batman vão bem além dessa série produzida por Nolan: em 1943 e 1949 foram ao ar as séries para televisão “The Batman” e “Batman & Robin”; em 1966 estreou o primeiro longa para cinema, protagonizado por Adam West, Burt Ward, Cesar Romero e Lee Meriwether; entre o final da década de 1980 e durante a década de 1990, surgiu no cinemas de todo o mundo a tetralogia iniciada por Tim Burton – que permaneceu nos primeiros dois filmes –: “Batman” (1989) com Michael Keaton como o heroi e Jack Nicholson em seu eterno Coringa e venceu o Oscar de melhor direção de arte, “Batman Returns” (1992) ainda com Michael Keaton, e contando com as participações de Michelle Pfeiffer e Danny DeVito; em 1995 chegou “Batman Forever”, onde Keaton foi substituído por Val Kilmer, ainda chegaram no elenco Chris O’Donnell, Jim Carrey e Tommy Lee Jones; por fim, a pior de todas as produções protagonizadas pelo Homem Morcego, “Batman & Robin” (1997), liderado por George Clooney no papel de Wayne, o elenco dispunha de Arnold Schwaznegger, Uma Thurman, Alicia Silverstone, recebeu inúmeras críticas negativas pelas insinuações homossexuais entre os protagonistas que viraram motivo de piada no mundo todo, além de seu tom irônico de mal gosto e sua abordagem toyetic. Christopher Nolan, além desse filme, nos deu o prazer de realizar mais dois longas  (com rumores de futuras produções), são eles: “Batman - O Cavaleiro das Trevas” (2008), protagonizado por Christian Bale, o melhor Batman de todos, além de Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, e Heath Ledger (como o Coringa, papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante) e, por fim, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), com Bale, Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway e Marion Cotillard. Tendo em vista os resultados dos filmes anteriores a esse e a forma como a crítica e o público crítico recebeu os filmes realizados durante a década de 1990, não há como contestar a genialidade de Nolan ao nos trazer de volta para Gothan City e nos fazer querer estar lá o tempo todo, claro que tudo não é mérito apenas do diretor, temos roteiros criativos e intrigantes, a edição/montagem das cenas nos leva ao ápice do que um filme de ação pode proporcionar, a trilha sonora de Hans Zimmer é do tipo inesquecível e as atuações apenas melhoram a cada filme.


A decisão de entregar nas mãos de Christian Bale o papel de um dos herois mais adorados e mais bem sucedidos da história foi a maior sacada da carreira de Nolan. Juntos, ator e diretor criaram uma personagem atormentada por seu passado, com receio do futuro e desejosa de um presente melhor a todos os habitantes da cidade na qual é considerado um “príncipe”, mas mais que isso: Bale nos apresenta um heroi humano, sem qualquer super poder, um homem que lutou e se dedicou para chegar ao ponto de ser considerado um heroi para toda sua cidade, um homem forte e destemido, capaz de vencer qualquer obstáculo para melhorar a vida de todos. Katie Holmes é a mocinha desse filme, claro que todos os filmes de herois precisam de mocinhas para atrapalhar, ajudar ou, ao menos, serem a desculpa de o heroi lutar contra seus inimigos, Rachel Dawes (personagem de Holmes) é uma moça inteligente que também não se rendeu ao tentador mundo do crime, das bajulações e da propina, apesar de ser pouco relevante, a atriz faz seu trabalho com segurança e competência. Liam Neeson é um dos “vilões”, Ducard o misterioso professor de luta e sobrevivência de Wayne, e Cillian Murphy é o Dr. Crane, mais um vilão terrível, como acontece nos demais longas de Nolan, um deles deveria ser um bom ator como vilão e o outro nos traria uma péssima atuação, o fato é que nenhum dos dois está bem. Bem como não há Piu-Piu sem Frajola ou fogueira sem brasa, não há Batman de Christopher Nolan sem um, ou mais, das personagens mais cativantes dos filmes: Gary Oldman é o policial Jim Gordon, Morgan Freeman é o gênio Lucius Fox e Michael Caine, o inesquecível mordomo de Wayne, Alfred, não há nenhuma palavra que defina melhor a atuação de cada um deles que não seja “perfeição”, pois cada um caiu como uma luva em Gothan City para viver as personagens mais queridas da trama.


Quando criança, Bruce Wayne caiu em um poço seco, segundos após sua queda, milhares de morcegos voaram em sua direção e subiram para a luz que vinha lá de cima do poço. Pouco tempo depois, o menino perdeu o pai e a mãe em um assalto premeditado – mais pareceu uma morte encomendada forjada de assalto. Desolado, o jovem tornou-se desejoso de vingança, todavia, os ensinamentos de seu bom pai o fizeram enxergar além disso tudo. Das profundezas dos maiores medos e receios de um menino, surgiu um homem disposto a lutar, literalmente, contra o mal e dar vida, novamente, a cidade que seus pais tanto amavam e esperavam. Além dessas mensagens básicas que as histórias relacionadas a Batman sempre nos trouxeram – significado e importância da amizade, a necessidade de se vencer os medos, a beleza de fazer algo de útil para o restante da humanidade -, esse filme tem por objetivo maior uma única coisa: mostrar que, finalmente e agradavelmente, Batman, o Homem Morcego, está de volta e em sua melhor performance!


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114. BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS, de Christopher Nolan


O melhor filme do gênero na história do cinema.
Nota: DEZ


Título Original: The Dark Knight
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Gary Oldman, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal
Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas, Charles roven, Lorne Orleans
Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan, David S. Goyer e Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2008
Duração: 152 min.
Gênero: Drama / Ação / Thriller

Enquanto o jovem promotor Harvey Dent inicia a tão sonhada limpa dos criminosos da maior cidade do mundo, Gothan City, os mafiosos planejam sua morte, armam para que o agente Gordon não pegue o dinheiro deles e continuam manipulando toda a cidade. Para piorar, um novo criminoso está à solta, como se não bastasse, Coringa – como o homem gosta de ser chamado -, não é comandado pela máfia ou pelos políticos corruptos, e sim, por sua própria mente insana e depravada. Agora, a polícia terá de admitir Batman como um heroi, e pedir sua ajuda na luta contra o Coringa, antes que seja tarde demais.


Após o sucesso de “Batman Begins”, era, simplesmente impossível, imaginar que não viriam mais filmes sobre o Homem Morcego, nossa sorte, é que a equipe de produção, o elenco, os roteiristas e a direção continuaram os mesmos e tivemos, contra quase todos os credos da indústria cinematográfica, o melhor filme da trilogia de Nolan. Digo isso, por que, primeiramente, sequências não costumam ser bons filmes, geralmente elas são uma catástrofe ou, na melhor das hipóteses, se equiparam ao filme de origem, além disso, o terceiro longa da série foi esperado por todos, e a esperança acerca do mesmo lhe deixou em desvantagem. É difícil comparar um filme com o outro, mas, o grande trunfo de Nolan aqui é um dos maiores vilões da história do cinema e, sem dúvida, o melhor vilão do Século XXI. Em “Batman Begins” conferimos os motivos que levaram Bruce Wayne a se tornar “Batman”, descobrimos porque o símbolo do heroi é um morcego, compreendemos as razões pelas quais Wayne luta por Gotham City, uma cidade, aparentemente, há muito perdida para os mafiosos e ladrões baratos e confrontamos algumas características da vida pessoal de Bruce, vendo que, umas o derrotam, e outras o elevam a um grande homem, mas um homem normal, que anseia por poder passar sua vida ao lado de quem ama. Nessa sequência, apenas esse tal amor volta a ser visto com alguma relevância – além, é claro, dos inesquecíveis Alfred (o mordomo de Wayne, e, mais que um empregado, a única pessoa que o conhece por completo), Lucius Fox (outra herança do pai de Bruce, o homem que cuida de todos os negócios relacionados ao heroi) e o policial Gordon (aqui ele virá a ser o comissário Gordon, uma das figuras mais importantes e características da trilogia) – o resto em volta de Wayne acaba mudando de forma drástica, como aconteceria no terceiro filme da trilogia. A esplendida trilha sonora do longa é de Hans Zimmer e James Newton Howard. Para se ter uma vaga idéia do quanto ambos são excelentes em seus trabalhos anteriores ou posteriores a esse, cito alguns que fizeram, separadamente, que possuem algum teor mais semelhante ao trabalho que podemos conferir nesse filme: Hans Zimmer compôs para longas como, “Hannibal” (2001), “Rei Arthur” (2004), “Piratas do Caribe: O Baú da Morte” (2006), “Sherlock Holmes” (2009) e “A Origem” (2010); já James Newton Howard, assinou filmes como, “A Intérprete” (2005), “Conduta de Risco” (2007), “Jogos do Poder” (2007), “O Legado Bourne” (2012) e “Jogos Vorazes” (2012). Ambos são os compositores de “Batman Begins”, curiosamente, e isso foi visto no filme anterior e se repetiria no longa lançado em 2012, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, a trilha sonora do longa parece perfeita vista no filme, as músicas acompanham os movimentos dos personagens com precisão e não há um tema sequer que não se encaixe no personagem para o qual ele foi escrito, todavia, ouvi-la sem ser no filme pode parecer algo estranho, na realidade, acabará se tornando, com o tempo, algo estranhamente agradável.


Christian Bale lidera o elenco como Bruce Wayne/Batman, há pouco a ser dito sobre sua interpretação que eu já não tenha falado na crítica do último filme da trilogia, mas volto a lembrar que ele é o melhor intérprete de todos na pele do heroi, aqui, ele está mais maduro e consciente dos bônus e dos ônus de ser o Homem Morcego e ajudar a todos em Gothan, para mim, essa é a melhor performance do ator encarando Batman. Ao lado de Bale, o vencedor do Oscar de melhor atuação coadjuvante pelo papel brilhante do Coringa, está Heath Ledger, que era um dos melhores atores da época, já era adorado pelo público jovem pela comédia romântica “10 Coisas que eu Odeio em Você” (1999), mas foi em 2006 que ganhou a crítica como o cowboy homossexual em “O Segredo de Brokeback Mountain”, com o qual foi indicado ao Oscar. Apesar de ter morrido antes de o filme ser lançado, foi com o Coringa que o ator foi imortalizado (e foi com o mesmo personagem que elevou o longa a um dos melhores dos últimos anos), vencendo, além do Oscar, dezenas de prêmios e nos proporcionando uma das atuações mais ricas de um vilão vistas na história do cinema, trazendo uma construção perfeita de um homem perturbado, com trejeitos e modos de falar, andar e agir próprios. Aaron Eckhart é Harvey Dent, posteriormente “Duas Caras”, o alter ego do promotor que colocou dezenas de corruptos e bandidos na cadeia, como Dent, Eckhart está simples, apesar de apresentar um homem forte e decidido, ele não tem muito o que mostrar, mas quando sofre um atentado e se torna o perigoso “Duas Caras”, o ator mostra o quanto pode ser competente – falar mais sobre a personagem seria estragar boas surpresas do desfecho do filme, portanto, me reservo ao direito de parar por aqui. A troca de Katie Holmes por Maggie Gyllenhaal no papel de Rachel Dawes, o amor do passado de Wayne e o atual amor de Dent, não foi uma escolha nada feliz, provavelmente convidaram Holmes para voltar ao filme, todavia, devido ao casamento com Tom Cruise, ela “teve” de recusar. Gary Oldman é o policial Gordon que, nesse filme se torna o inesquecível Comissário Gordon, o ator traz, novamente, um homem racional, apegado a família e bem resolvido quanto a não ser corrompido pelos bandidos. Os mais que veteranos Michael Caine e Morgan Freeman vivem, respectivamente, o mordomo Alfred e o diretor das empresas de Wayne, Lucius Fox, há pouco a ser dito sobre ambos, além de que, como de costume, estão excelentes.


O Coringa criado pelos irmãos Nolan e por Heath Ledger é um personagem cheio de contornos, possibilitando diversas interpretações para seus atos, prova disso são as diversas histórias que o vilão conta sobre suas cicatrizes – algumas envolvem um pai bêbado, outras uma esposa ingrata -, todas carregadas de sofrimento e dor, mas tratadas pelo palhaço com muita ironia e desdém. E é nessa ironia que consiste uma das maiores facetas do Coringa: sua fantasia e maquiagem não nos lembram palhaços por qualquer motivo idiota, nos lembram um palhaço pois o homem faz piada de tudo o que o cerca, sem deixar escapar um comentário maldoso ou desnecessário. Segundo alguns comentários, daqueles terríveis que deveriam ficar apenas no set de gravações, Ledger enlouqueceu encarando o Coringa, o que o teria levado ao suicídio. Quanto a Batman, ou Bruce Wayne, ele permanece um homem forte que tenta driblar seus medos para fazer o melhor que pode para a sociedade, nesse filme ele parece mais maduro e nos mostra uma nobreza surreal quando é confrontado com a decisão de fazer o melhor por Gothan – o que destruiria, de vez, com a reputação do heroi criado por ele -, ou fazer o que qualquer homem que deseja permanecer no topo faria. Além desses dois homens inconfundíveis e incomparáveis, temos Harvey Dent, que mais tarde viria a se tornar o “Duas Caras”, no final das contas, tudo o que Dent desejou na vida foi matar cada um dos homens que prendeu, foi aniquilar todos aqueles que lhe fizeram mal ou machucaram o povo da cidade que ama, o problema é quando esse mostro vingativo que todos temos dentro de nós resolve sair e mostrar suas garras.  Por fim, nada mais justo que dizer que este é o melhor filme já feito sobre Batman, e tudo isso, por um simples motivo: ninguém poderá superar a grandiosidade de Heath Ledger como O Coringa, pois, todos nos identificamos um pouco com ele, afinal, todos temos um vilão debochado dentro de nós, esperando a deixa e pronto para deixar de lado a seriedade, e sorrir.




sábado, 26 de janeiro de 2013

120. HANNIBAL, de Ridley Scott


A volta de Hannibal Lecter só prova uma coisa: enquanto houver seres humanos para servirem de alimento, o maior canibal do cinema permanecerá forte e vivo.
Nota: 9,2


Título Original: Hannibal
Direção: Ridley Scott
Elenco: Anthony Hopkins, Julianne Moore, Gary Oldman, Ray Liotta, Frankie Faison, Giancarlo Giannini, Francesca Neri, Zelijko Ivanek, Hazelle Goodman, David Andrews, Francis Guinan
Produção: Dino De Laurentiis, Martha De Laurentiis, Ridley Scott
Roteiro: David Mamet, Steven Zaillian e Thomas Harris (romance)
Ano: 2001
Duração: 131 min.
Gênero: Drama / Thriller

Aviso: antes de ler qualquer comentário sobre esse filme, acho bom esclarecer as ordens em que os longas sobre Hannibal Lecter foram lançados e a ordem cronológica:
Em ordem de lançamento: “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001), “Dragão Vermelho” (2004) e “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).
Em ordem cronológica: “Hannibal – A Origem do Mal”, “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”.

Enquanto Manson Verger, uma das vítimas do Dr. Hannibal Lecter – Verger se apaixonou por Lecter, sádico, como somente o canibal pode ser, Hannibal drogou Verger, que cortou seu próprio rosto, desfigurando-se -, Clarice Starling, a agente do FBI que esteve com Hannibal antes de sua fuga, volta a procurar o criminoso. Entretanto, lidar com Hannibal Lecter não é uma tarefa fácil e o que era um jogo entre um homem vingativo e a polícia, se tornar mais uma manipulação do serial killer mais adorado do cinema.


Ridley Scott tem alguns bons títulos no cinema, alguns fracassos e algumas grandes produções, dentre elas “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979), “Thelma e Louise” (1991), “Gladiador” (2000), “Falcão Negro em Perigo” (2001), “Cruzada” (2005), “O Gângster” (2007), Robin Hood” (2010) e “Prometheus” (2012). Após o sucesso estrondoso e inacreditável de “O Silêncio dos Inocentes” (1991), a primeira história de Hannibal Lacter adaptada para o cinema, onde o assassino ajuda Clarice Starling a encontrar outro serial killer para que possa cometer uma fuga digna de cinema – o filme é um dos únicos que venceu as cinco categorias mais importantes do Oscar: filme, direção, ator, atriz e roteiro adaptado –, era de se esperar que uma sequência entrasse ou para a lista das sequências dispensáveis, ou para as memoráveis. Apesar de o filme ser ótimo, temos a primeira opção. Isso se deve, principalmente, pela substituição da atriz que interpreta a agente Starling, acrescente a isso, o roteiro é mais fraco e não há toda aquela tensão proposta pelo primeiro longa. Em contra ponto, a trilha sonora de Hans Zimmer é tão incrível – se não melhor – quanto a de Howard Shore (responsável por “O Silêncio dos Inocentes”), a edição e mixagem de som são perfeitas e a montagem das cenas é incrível, repleta de metáforas e referências a própria história.


Anthony Hopkins volta a dar vida ao personagem mais enigmático e incrível do cinema e da literatura contemporâneos. Assim como no primeiro filme, vemos uma interpretação sem defeito algum, a única diferença é que o próprio personagem está ficando mais velho, todavia, sua sede e apetite por carne humana não diminuiu, bem como sua loucura, seu caráter, seu bom gosto, sua indiferença as suas vítimas, sua determinação, sua astúcia, e, sobretudo, sua invisibilidade. Não há, simplesmente, como não fazer comparações rápidas de Julianne Moore (Starling desse filme) com Jodie Foster (Starling de “O Silêncio dos Inocentes”), Moore nos apresenta uma personagem mais madura, com menos medo de tudo a sua volta, no entanto, sua Starling é menos natural, um pouco mais artificial e clichê que a de Foster, mesmo assim, não há como negar: é difícil decidir qual das duas encarou melhor Starling, bem como é praticamente impossível saber se teria sido melhor Foster continuar ou Moore ter assumido desde o primeiro longa. Sempre que assinto a um filme com Gary Oldman sem saber que ele está no filme me surpreendo quando descubro qual era sua personagem, por algum motivo deixei passar seu nome durante a abertura, e por outro motivo mais estúpido, não recordava que ele estava na produção, mas mereço um desconto por não o ter reconhecido logo de cara: ele vive Manson Verger, o homem louco totalmente desfigurado. O fato é que o personagem já era louco antes de conhecer Hannibal – ele estuprava crianças, o que já é o suficiente para ser odiado -, sendo assim, resta a Oldman tornar esse homem ainda mais detestável e repugnante, não por sua aparência, mas por seus atos e pela forma como age perante todos, além disso, não há intenção de humanizar Verger em momento algum. Por fim, temos a excelente atuação de Giancarlo Giannini, de “007 – Cassino Royale” (2006) e “007 – Quantum of Solace” (2008), que interpreta o Inspetor Rinaldo Pazzi, um homem que descobre o paradeiro de Lecter, mas que prefere ficar com o segredo para si e entregar o criminoso para Verger, que está oferecendo três milhões de dólares pelo assassino; o medo, a desconfiança e o desespero de Pazzi são notados a cada olhar de Giannini.


Não existe outro ator que pudesse viver o Doutor Hannibal Lecter com tanta classe e sobriedade quanto Anthony Hopkins, isso, porque apenas o ator poderia imortalizar uma personagem tão complexa, e mais, somente ele poderia interpretar com tanta veracidade um homem que perturbaria qualquer profissional da sétima arte. Apesar de um problema aqui e outro ali, o fato de termos a volta de Hannibal e o time de atores que compõe esse elenco, faz do longa mais um filme memorável, não somente sobre mais um serial killer digno de filmes a seu respeito, e sim, do maior, melhor e mais inteligente serial killer produzido pelas indústrias do entretenimento e da cultura, juntas. O melhor de tudo fica a cargo do desfecho, que nos dá apenas uma certeza, mas a melhor certeza de todas: nada mudará para Hannibal Lecter enquanto ele puder saciar sua gula pela carne humana. 


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sábado, 4 de agosto de 2012

234. BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, de Christopher Nolan

Um fechamento original, que traz toda a maestria de Nolan para sua despedida do Homem-Morcego.
Nota: 9,7


Título Original: The Dark Knight Rises
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordom-Levitt, Anne Hathaway, Morgan Freeman, Michael Kane, Matthew Modine, Alon Aboutboul, Ben Mendelson, Juno Temple, Liam Neeson
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven, Emma Thomas
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer, Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2012
Duração: 164 min.
Gênero: Drama / Aventura / Ação / Fantasia


Há 8 anos Bruce Wayne, ou melhor, Batman, deixou que toda a culpa da morte de Harvey Dent caísse sobre ele. Após todos os acontecimentos do filme anterior, portanto, o excêntrico bilionário exilou-se em sua própria mansão para ficar longe de tudo e todos. Entretanto, Gothan City jamais está a salvo de todos os perigos do mundo: agora o perigoso vilão Bane irá deixar a cidade apavorada, ele conseguirá uma máquina capaz de destruir tudo o que os cidadãos tanto amam. Agora é mais que hora do protetor de Gothan ressurgir e mostrar que um herói jamais morre.


Não existe herói sem vilão, e é por isso que reservei esse parágrafo apenas para falar, rapidamente, sobre o que temos nesse filme. Claro que falar sobre qualquer vilão de Batman e não compará-lo com a, literalmente, monstruosa atuação de Heath Ledger como Coringa no filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2009) é impossível. Acho o segundo filme da trilogia fantástico, mas como um todo vejo nesse desfecho o melhor filme dos três, o que realmente me chamou a atenção no segundo foi Ledger, o ator foi original e repugnante, o que nos faz pensar o quanto seria agradavelmente diabólico assistir a um filme onde os dois vilões se encontrassem e aterrorizassem Gothan City, afinal, bem como o Coringa, aqui temos alguém que pensa somente em si próprio, em fazer o que considera certo e ir além do que qualquer ser humano seria capaz, sem se preocupar com a vida das demais pessoas em detrimento de sua vingança.


Christopher Nolan dirigiu três filmes que gosto antes de sua trilogia de Batman: “Amnésia” (2000), com Guy Pearce; “Insônia” (2002), com Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank; e “O Grande Truque” (2006), com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine e Andy Serkis. Em 2005 deu início a sua épica trilogia do super-heroi de Gothan City, com “Batman Begins” ele renovou todo o filme e nos trouxe o melhor Batman de todos, ainda superou todas as possíveis expectativas ao escolher Michael Cane para viver o mais perfeito Alfred que poderia se imaginar, e ainda completou o trio com Morgan Freeman vivendo Lucius Fox. Nos três filmes das sequência Nolan nos traz a excelência de sempre em seus trabalhos, sua técnica é exatamente o que se espera, isso quando não se supera: para um filme que tem como protagonista o cavaleiro das trevas, nada mais digno que as sombras e a escuridão permanecerem presentes a maior parte do tempo. As sequências em que Batman, ainda um bandido, é perseguido pela polícia, sua luta com o vilão Bane, as ironias (como o fato de Bane querer devolver o poder ao povo e a bandeira americana toda rasgada), as retomadas de outras passagens dos outros filmes (a sensação de ser deixado sozinho do nada) e a parceria do homem-morcego com a Mulher-Gato são pontos altos do filme.


Nolan, toda via, não está só para deixar essa produção tão fantástica: ninguém mais que Hans Zimmer faz a vez do compositor da melhor trilha sonora nos três filmes. Apesar de ter começado em 1984 e sempre ter sido querido pela crítica, foi apenas dez anos depois que ganhou o público, e o Oscar, com “O Rei Leão”. Na franquia produzida por Nolan, os dois primeiros filmes contam com James Newton Howard, mas aqui o trabalho é apenas de Zimmer, e, é claro, que ele o faz com perfeição. Desde o início da trama conferimos cenas de ação e com elas é quase obrigação dos compositores serem impecáveis nas músicas, entretanto, chama a atenção a originalidade de Zimmer ao optar por deixar a primeira e mais significativa luta de Batman e Bane ser praticamente muda: ouvimos apenas a pancadaria e o barulho da água do esgoto em que os dois estão. Nas demais cenas, Zimmer nos proporciona uma trilha irreverente e maravilhosa, cheia de diferenças e adaptações para cada momento.

Christian Bale é um dos atores mais versáteis do cinema atual, já  interpretou um jovem preso em um campo de concentração japonês, foi Demetrio na adaptação do romance de Shakespeare, um psicopata com sérios problemas, um operário com problemas de saúde, um pastor e um ex-lutador de boxe (com o qual venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante). Aqui ele é o maior estímulo que se pode existir na ficção: o super-heroi que preza pela moral e os bons costumes, apesar de seu alter ego, Batman, ser o perfeito homem que quer ajudar os outros, Bruce Wayne está confuso e frustrado com muitas coisas que aconteceram em sua vida, e precisará superar todos seus anseios e medos para voltar a salvar a humanidade. Anne Hathaway é bela Mulher-Gato, uma mulher sexy, inteligente, esperta, audaciosa e confiante, que ganha a vida roubando dos ricos, a atriz surpreende ao ser sexy andando, sentando, beijando o protagonista, subindo na moto de Batman e até mesmo roubando. Gary Oldman volta como o comissário Gordon, uma das melhores e mais queridas personagens da trama, perdendo apenas para o amável e insuperável Alfred de Michael Caine, a única pessoa que realmente compreende e ama Wayne verdadeiramente. Além deles temos Josephe Gordon-Levitt como o policial Blake, um órfão que vê em Wayne o maior exemplo de superação; Tom Hardy é o vilão Bane, simplesmente irreconhecível, ele não tira sua máscara o filme todo e nos traz uma personagem condicionada a matar, criada para fazer o mal, bem como os inúmeros terroristas que vemos em nosso dia-a-dia; Morgan Freeman é Fox, o homem que auxilia Wayne/Batman em seus projetos; e Marion Cotillard vem em sua performance mais decepcionante, apesar de sempre ser fantástica, como a apagada mulher de negócios Miranda Tate, que preza pela saúde, educação e pelo desenvolvimento sustentável.


Como disse, esse filme é o melhor de todos já produzidos sobre o bilionário super-heroi órfão que encontrou uma forma de fazer algo de bom pelo mundo e dedicou cada segundo de sua vida a isso. Voltamos a personagens adoradas pelo público e temos atores e atrizes sempre muito elogiados pela crítica, a relação entre Batman e a Mulher-Gato se torna uma receita infalível e o desespero proporcionado pelos exatos 30 últimos minutos de filme são excitantes e nos deixam inquietos na poltrona, além de proporcionarem inúmeras surpresas (ressalvo, nem todas muito agradáveis), nesse filme, até mesmo os clichês românticos e relacionados a super-herois e ao cinema funcionam perfeitamente. “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, fecha com chave de ouro a trilogia criada por Christopher Nolan, sem sombra de dúvidas os três filmes marcaram a história contemporânea do cinema e jamais será possível falar do super-heroi sem ao menos citar um pouco cada um dos filmes. Nosso Batman volta forte, obstinado, decidido e cheio de vida para salvar a terra que tanto ama, Nolan, portanto, presenteia o cinema e o público ao nos apresentar uma série que só fez melhorar de um filme para o outro e se tornar uma das melhores dos últimos tempos, se tem alguma coisa que o diretor pode se orgulhar de ter em comum com a personagem com quem viveu tantos anos é da inigualável sensação do ar de superioridade.


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domingo, 15 de abril de 2012

333. HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE I, de David Yates


O começo do fim é sempre mais difícil, apesar de mais entediante que a segunda parte, seguramente elas duas juntas formariam um filme perfeito para os fãns.
Nota: 9,3




Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows – Part I
Direção: David Yates.
Elenco:Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Bonnie Wright, Tom Felton, Maggie Smith, Jim Broadbent, Michael Gambon, John Hurt, Matthew Lewis, Julie Walters, James e Oliver Phelps,Robbie Coltrane, Emma Thompson, Gary Oldman,
Produção: David Barron, David Heyman, J. K. Rowling
Roteiro: Steve Kloves, J.K. Rowling
Duração: 146 min.
Ano: 2010
Gênero: Aventura

As primeiras cenas já nos emocionam e chocam ao mesmo tempo: o ministério enfraquecido diz estar forte; Harry vê sua única referência de família deixá-lo; Rony observa a obscuridade que o mundo vive; e Hermione, em uma cena super emocionante, faz seus pais esquecerem que ela existiu e os deixa, quem sabe, para sempre, isso tudo ao som de “The Obliviation” (referência ao feitiço usado pela menina) música composta maestrialmente por Alexander Desplat. Depois aparece o título, a música é trocada por “Snape to Malfoy Manor” e essa é a deixa para começar uma cena completa com aquele show de interpretações, entre elas Alan Rickman (Severus Snape), Ralph Fiennes (Voldemort), Helena Bohan Carter (Belatrix Lestrange), Helen McCrory (Narcisa Malfoy), Timoty Spall (Rabicho) e Jason Isaacs (Lucius Malfoy). Logo depois a música muda para “Polyjuice Potion/Hedwige’s Theme” e temos mais uma cena tão boa quanto essa, mas sem a obscuridade da Mansão Malfoy: o que restou da Ordem da Fênix buscar Harry em sua casa. Dentre os interpretes temos Robbie Coltrane (Rubeus Hagrid), Rupert Grint (Rony), Emma Watson (Hermione), Brendan Gleeson (Alastor Moody), Natalia Tena (Nynphadora Tonks), David Thewlis (Remus Lupin) e Daniel Radcliffe, e é aí que o filme realmente começa: com a fuga de Harry Potter. Agora Harry, Rony e Hermione finalmente cresceram de vez e deixam de lado a escola para correr atrás do prejuízo e ir onde for necessário para encontrar os objetos escolhidos por Voldemort para depositar partes de sua alma, as Horcrux, e destruí-las. Mas dessa vez eles terão que seguir essa jornada sozinhos.

              Para alguns,  dividir  em  dois filmes  o último livro  foi  apenas para  ganhar dois bilhões de dólares ao invés de um; se era esse o objetivo eles  conseguiram, mas se o objetivo  era deixar a  história mais  clara e   fazer  ao  menos   uma   adaptação   decente  eles  também   conseguiram.   Aqui   o   diretor  começa  a  superar  suas  expectativas, apesar de usar câmera  de  mão  em  cenas  totalmente  inapropriadas para esse  tipo de recurso, os efeitos são mais uma vez  insuperáveis e a edição é linda. Temos ainda a trilha sonora de da promessa  da  década, Alexander  Desplat, apesar  desse  filme  ser  bem  mais  tedioso  que o segundo, a melhor de todas as oito trilhas criadas para a série é essa. O filme foi indicado ao Oscar nas categorias de direção de arte e e efeitos visuais. Citar apenas algumas  cenas é praticamente  impossível, mas aqui  vão 15 delas em ordem de acontecimento que quase resumem o filme:

1.                 Hermione faz seus pais esquecerem sua existência;
2.                 Os sete Potters;
3.                 Leitura do testamento de Dumbledore (importantíssima para se entender o restante da história);

4.                 Chegada no Largo Grimaldo (casa dos Black);


5.                 Reencontro com Dobby;
6.                 Ida de Harry, Rony e Hermione ao Ministério da Magia;
7.                 Hermione descobre como destruir as Horcrux;
8.                 Harry e Hermione dançando, seguida da descoberta do Pomo de Ouro;
9.                 Passada de Harry e Hermione por Godric’s Hallow;
10.             Harry acha a espada de Godric Gryffindor e reencontra Rony;
11.             O trio visita a Xenophilius Lovegood (Hermione conta “O Conto dos Três Irmãos);
12.             Perseguição dos Comensais da Morte após visita a Lovegood (uma das mais bem gravadas de toda a série, simplesmente maravilhosa);

13.             Os três passam pela Mansão Malfoy;

14.             Mais uma importante morte para o mundo bruxo;

15.             Voldemort encontra a Varinha das Varinhas.


As grandes atuações desse filme ficam por conta dos citados nas cenas da Mansão Malfoy e na fuga de Harry, são impressionantes as melhoras de Radcliffe, Grint e, principalmente, Watson (a melhor dos três). Acompanhar uma série durante dez anos de sua vida quando você tem apenas dezesseis é algo inexplicável, “Harry Potter” faz parte de mais da metade de minha vida, e por isso fará parte dela para sempre, durante esses anos li todos os livros da série e aqueles sobre a série, assisti a todos os filmes (apenas o primeiro não foi no cinema), fiz amigos que também gostavam da história e, hoje posso dizer, escrevi sobre todos eles. Ver o fim de uma saga tão importante é ótimo e terrível ao mesmo tempo, quando os livros terminaram nos apegamos aos filmes, e agora nos resta reler e rever, no entanto podemos ficar felizes e satisfeitos vendo que ao menos o desfecho dessa série foi feito com tanta dedicação para se tornar indiscutivelmente épico, afinal, como já disse, assim como o amor de Snape por Lily, essa série é permanecerá em nossas mentes e corações para sempre.


Para finalizar as críticas de todos os filmes da série, um momento de nostalgia para todos os fãs dessa Saga inesquecível. As críticas dos oito filmes podem ser conferidas aqui no blog...
Harry Potter e a Pedra Filosofal

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

NOX...

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