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domingo, 19 de janeiro de 2014

036. (ESPECIAL OSCAR 2014) BLUE JASMINE, de Woody Allen

A dupla Allen-Blanchett apresenta um dos longas mais fortes e impressionantes do ano.
Nota: 9,3


Título Original: Blue Jasmine
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Charlie Tahan, Daniel Jenks, Max Rutherford, Andrew Dice Clay, Kathy Tong, Bobby Cannavale, Max Casella, Ali Fedotowsky, Michael Stuhlbarg, Alden Ehrenreich
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbau e Edward Walson
Ano: 2013
Duração: 98 min.
Gênero: Drama

Jasmine é uma bela mulher que se casa com o milionário Hal após conhecê-lo em uma festa ao som da canção Blue Moon, como ela mesma gosta de lembrar. A vida do casal é, aparentemente, perfeita: vivem em um lindo apartamento em Nova York, possuem uma bela casa de campo, são abençoados com a companhia de Danny, filho de Hal, que adora a madrasta, compram o que querem e frequentam as festas da alta sociedade. Entretanto, o mundo do casal vai ladeira à baixo quando o FBI descobre que Hal era um mentiroso nato e fez fortuna enganando pessoas. Enquanto Hal vai preso e comete suicídio, Jasmine se obriga a se conformar em morar em São Francisco com a irmã pobre que ela sempre rejeitou.


“O ser humano tá na maior fissura porque/Tá cada vez mais down the high society”. Não consigo imaginar outro filme que tenha assistido que se encaixe mais perfeitamente naquela música cantada por Elis Regina quanto esse. Sem dúvida alguma, Jasmine vê seu castelo ruir, sua vida mansa e bela se despedaçar, suas sociais ao entardecer virarem apenas lembrança e suas tardes fazendo compras se transformarem em tardes onde ela é a vendedora e não compradora, isso tudo, por que, após tantos anos vivendo na ilusão, Jasmine, finalmente, está abaixo da sociedade. Em uma das cenas mais características que exemplificam a situação da personagem, Jasmine lamenta o quão triste é fazer serviços comuns em São Francisco como ser secretária de um dentista, alegando que não quer ser mais humilhada como já aconteceu em Nova York, onde, além de ter de vender suas joias e seus casacos de pele, foi obrigada a vender sapatos em uma loja onde, uma vez, comprou tais objetos. Ali, e durante todo o longa, a personagem nos mostra como é fútil e como um monstro foi criado com o passar dos anos. Essa ideia começa a ser armada pelo roteiro desde que a trama inicia: em um avião, Jasmine conta a uma senhora como foi conhecer Hal e fala sobre sua vida chata e mesquinha. A mulher ao lado de Jasmine não dá a mínima para o que a companheira de viagem de primeira classe (mesmo falida Jasmine insiste em viajar na primeira classe) está dizendo. Mais tarde, ainda teremos mais momentos como esses, em que a protagonista relembra o passado glorioso falando sozinha, mesmo que existam centenas de pessoas à sua volta com quem poderia conversar realmente. E em algumas delas somos capazes de perceber que Jasmine sempre foi um pouco perturbada, e tudo começa pelo fato de ela sempre deixar claro que Ginger e ela foram adotadas, filhas de pais diferentes, de mães diferentes, mas adotadas pelo mesmo casal. E o que a consola nesse passado triste é o fato de saber, e negar, que a mãe adotiva sempre preferiu ela a Ginger.


Nos últimos anos, acredito que Woody Allen esteja se tornando um diretor muito melhor do que jamais fora. Não que seus trabalhos do passado sejam ruins, mas acho que a última década deu a Allen mais sabedoria e classe em seus trabalhos. Não estamos mais expostos a ideias loucas como em “Tudo o que Você queria  saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar” (1972) ou a filme lentos como “Manhattan” (1979). O diretor esta trazendo longa mais vivos, mas fortes em todos os sentidos e extremamente cativantes. Sua não aparição nos filmes ajuda nessa melhora, ele apenas trabalha a ideia e a idade lhe trouxe ideias, indiscutivelmente, sensacionais. “Blue Jasmine” é um filme vivo, mesmo com toda a melancolia que ronda a protagonista, é um filme forte e realista, que denuncia a loucura a qual os ricos se expõe devido ao dinheiro e revela como pode ser patética a forma que pessoas falidas levam a vida. Em uma passagem interessante do longa, a decadente Jasmine reencontra com Danny. Enquanto ela está velha, cansada, chorando e reclamando de tudo, Danny, que já passou pelo uso das drogas, está casado e reconstruindo sua vida. Ali, Allen nos apresenta as duas facetas da derrota, não apenas de indivíduos falidos, mas de qualquer homem que veja a derrota pelo caminho da vida: ou se decide optar pela humildade e abaixar a cabeça e seguir em frente, ou ergue-se a cabeça e continua-se a seguir como se tudo estivesse abaixo de você. A diferença é que na primeira hipótese, em algum momento, você terá a chance de reerguer a cabeça e poder seguir em frente feliz e conformado com sua situação, na segunda hipótese, a luta para voltar à riqueza acaba levando o homem ao desespero e, em um momento próximo, ele será obrigado a abaixar a cabeça e seguir em frente com uma vida deprimente e medíocre.


Cate Blanchett é uma das melhores atrizes de sua geração. Não há uma interpretação sua que seja passada desapercebida. Como Jasmine ela está, nada mais, nada menos, que sublime. Como costumo dizer, sua atuação é um assombro, pois, como poucas atrizes, ela consegue nos fazer amar e odiar Jasmine. Blanchett, nesse contexto, cria uma Jasmine bela, pura, sorridente enquanto rica, e uma mulher que parece sempre à beira de um colapso após a falência. Não há nada em Jasmine que sirva de modelo para qualquer ser humano, mas ela nos cativa. E, ao mesmo tempo, questionamo-nos como podemos nos cativar por um ser tão imbecil que transborda hipocrisia e medo. Talvez seja isso: o medo que Jasmine sente por ter uma mudança tão brusca em sua vida nos faz sentir pena. E são as feições e os ataques que Blanchett cria para a personagem que denotam tal medo, são as cenas em que Jasmine fala sozinha que fazem tantos sentimentos vierem à tona. Entretanto, nada do que aconteça com a protagonista nos faz sentir algo mais digno dela que pena, e isso tudo, devemos à interpretação brilhante de Blanchett. A companheira de Cate na trama é Sally Hawkins. Não menos competente, Hawkins tem uma personagem menos interessante. A vida de Ginger, irmã de Jasmine, é a face da derrota eterna, mas, ainda assim, Hawkins consegue a façanha de tratar tal vida com alguma dignidade, provando que o dinheiro não compra tudo e tratando a vida como ela é. Os melhores momentos da atriz são suas reações aos insultos da irmã, o que faz da atriz o par perfeito para Cate na telona. Os homens do longa não são capazes de agregar nada ao filme, talvez seja pelo fato de o longa ter sido escrito focando em mulheres. Apesar de Peter Sarsgaard, Andrew Dice Clay, Bobby Cannavale e Alden Ehrenreich estarem bem e conseguirem segurar as pontas ao lado de Blanchett e Hawkins, Alec Baldwin não consegue ser útil nem mesmo nos momentos cômicos do longa, o que sobre para os momentos dramáticos é característico e comum demais.


O longa tem apenas 3 indicações ao Oscar, nas quais está muito bem representado. Cate Blanchett é indicada como melhor atriz principal, e, mesmo com concorrentes de peso como Judi Dench e Meryl Streep, e com atrizes queridas na América, como Amy Adams e Sandra Bullock, é a grande favorita para o prêmio. A interpretação de Blanchett é tudo o que a academia gosta, pois sua personagem vai da riqueza à decadência, sua personagem não tem nenhuma esperança de que alguma coisa dê certo na vida e podemos ver vários modelos de mulheres reais que já passaram pelo que a personagem passa. Sally Hawkins está na disputa como melhor atriz coadjuvante, apesar de ser uma interpretação marcante e bem realista, a atriz está concorrendo com Jennifer Lawrence, a nova queridinha de Hollywood e deve ficar sem o prêmio. Por fim, Woody Allen concorre na categoria de melhor roteiro original e, apesar de ser um roteiro de Allen, sempre favorito pela academia, o prêmio já está, merecidamente, nas mãos de Spike Jonze por seu trabalho espetacular em "Ela" (2013). Particularmente, simpatizo com a escolha de Allen de iniciar o longa com Jasmine indo para São Francisco e alternar a vida rica da protagonista com a vida decadente em flash backs que esclarecem tudo o que aconteceu com a personagem até ali.



Woody Allen é conhecido por grandes comédias e por grandes personagens femininos criados de forma original. “Blue Jasmine” não é uma comédia. Existem momentos engraçados? Sim, mas eles não são cômicos, são irônicos, são debochados, são realidades escrachadas a respeito de uma sociedade mesquinha, fútil, desonesta, hipócrita e que não merece estar nesse mundo. E, sobre isso, não me refiro apenas aos ricos, refiro-me a qualquer ser humano que trate a vida de forma tão estúpida e sem amor próprio como Jasmine e Ginger fizeram a vida toda. Se Jasmine não é um modelo de ser humano por estar tão acabada após a falência, Ginger também está longe de ser exemplo, pois nunca tentou nada para tornar sua vida algo mais digno. Claro que o filme pode desagradar a alguns por ser tão realista e tão forte, não é um filme simples e está longe de ser um longa agradável para qualquer momento da vida de um ser humano. Mas é essa força e essa realidade que tornam o longa um daqueles essências. Allen e Blanchett formam uma dupla inesperada que criam uma trama e uma personagem inigualáveis. E que casal melhor para apresentar tramas e personagens fortes e complexas que Woody Allen e Cate Blanchett, esses mestres da dramaturgia?


VENCEDORES DOS PRÊMIOS DO SINDICATO DOS ATORES
CINEMA
Melhor Elenco: Trapaça
Melhor Elenco Dublê: O Grande Herói
Melhor Ator: Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Years a Slave

TELEVISÃO:
Melhor Elenco em Série Drama: Breaking Bad
Melhor Elenco em Série Comédia: Modern Family
Melhor Elenco Dublê em Série Drama ou Comédia: Game of Thrones
Melhor Ator em Série Drama: Bryan Cranston, por Breaking Bad
Melhor Atriz em Série Drama: Maggie Smith, por Downton Abbey
Melhor Ator em Série Comédia: Ty Burrell, por Modern Family
Melhor Atriz em Série Comédia: Julia Louis-Dreyfus, por Veep
Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme: Michael Douglas, por Behind the Candelabra
                                                            Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme: Helen Mirren, por Phil Spector

VENCEDORES DOS PRÊMIOS CRITICS CHOICE AWARDS
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Matthew McConaughey, por Clube de Compra Dallas
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dalas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 anos de Escravidão
Melhor Jovem Ator ou Atriz: Adele Exarchopoulos, por Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Elenco: Trapaça
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Roteiro Adaptado: Jojn Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por Gravidade
Melhor Direção de Arte: Catherine Martin e Beverly Dunn, por O Grande Gatsby
Melhor Edição: Alfonso Cuarón e Mark Sanger, por Gravidade
Melhor Figurino: Catherine Martin, por O Grande Gatsby
Melhor Penteado e Maquiagem: Trapaça
Melhores Efeitos Visuais: Gravidade
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Filme de Ação: O Grande Herói
Melhor Ator em Filme de Ação: Mark Wahlberg, por O Grande Herói
Melhor Atriz em Filme de Ação: Sandra Bullock, por Gravidade
Melhor Filme de Sci-Fi ou Terror: Gravidade
Melhor Comédia: Trapaça
Melhor Ator em Comédia: Leonardo DiCaprio, por O Lobo de Wall Street
Melhor Atriz em Comédia: Amy Adams, por Trapaça
Melhor Filme Estrangeiro: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Documentário: 20 Feet From Stardom
Melhor Canção: Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez, por “Let it Go”, de “Frozen”
Melhor Trilha Sonora: Steven Price, por Gravidade
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

224. VICKY CRISTINA BARCELONA, de Woody Allen


O início da melhor fase de Woody Allen não poderia ser melhor.
Nota: 9,4


Título Original: Vicky Cristina Barcelona
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Rebecca Hall, Scarlatt Johansson, Javier Bardem, Penélope Cruz, Chris MEssina, Christopher Evan Welch, Patricia Clarkson, Kevin Dunn, Julio Perillán
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum, Gareth Wiley
Ano: 2008
Duração: 96 min.
Gênero: Comédia / Drama / Romance

Vicky e Cristina resolvem passar três meses em Barcelona, Vicky está estudando a cultura catalã para seu projeto de mestrado e está noiva de Doug, já Cristina é uma aspirante a atriz que não sabe bem quais suas vocações e está aberta a qualquer tipo de relacionamento. Na cidade elas conhecem o charmoso Juan Antonio, um pintor que as convida para passar um fim de sema na cidade de Oviedo. Após muitos vai-e-vem da trama Cristina conhece a temperamental quase ex-esposa de Juan Antonio, Maria Elena. O que as amigas não esperavam era que sua viajem mudasse tanto a vida e o modo de ver as coisas de ambas de forma tão drástica.


Woody Allen dispensa apresentações, entretanto não custa fazer um breve histórico de sua carreira, que teve início mesmo com “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar” (1972), depois “O Dorminhoco” (1973), o sucesso vencedor de Oscars “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), “Manhattan” (1979), “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985), “Hannah e Suas Irmãs” (1986), “Simplesmente Alice” (1990), “Celebridades” (1998), “Dirigindo no Escuro” (2002) e “Ponto Final – Match Point” (2005). A genialidade com a qual Allen trata esse filme é algo que vai além do impressionante, qualquer diretor poderia fazer desse roteiro um filme bom, mas sem graça, no entanto, Allen nos proporciona algo fantástico: ele trata de assuntos cotidianos e de situações improváveis, mas totalmente possíveis da vida, com a maior naturalidade e realidade, trazendo o que sempre trouxe para o cinema, a realidade nua e crua, claro que com um toque de magia que somente Woody Allen conhece. Outro aspecto maravilhoso do filme são as escolhas das músicas, dentre os compositores estão Giulia y Los Tellarini, Juan Serrano, Paco de Lucia, Juan Quesada e o trio Biel Ballester, Graci Pedro e Leo Hipaucha, mais uma trilha sonora que vale a pena procurar para se ter em casa.


Apesar de Rabecca Hall ficar um pouco apagada, acredito que ela faz seu trabalho muito bem, afinal a personalidade da personagem exige mais discrição, sendo necessária sua aparição apenas em momentos mais específicos do filme. Scarlatt Johansson, entretanto, acaba sendo super-estimada por Allen, apesar de nos filmes do diretor ela sempre satisfazer (aliás é uma característica dele, conseguir que intérpretes medianos seja maravilhosos), aqui ela acaba perdendo um pouco a graça com o aparecimento de Javier Bardem e Penélope Cruz. Bardem, por sua vez, volta em uma personagem totalmente distinta daquela que lhe rendeu o Oscar em “Onde os Fracos não tem Vez” (2007), como um homem sexy, sedutor, provocante e que não está disposto a aceitar um não como resposta, o ator é, portanto, exatamente aquilo que se espera dele. Penélope cruz é quem mais impressiona no filme (ela ganhou o Oscar por sua interpretação), talvez deva isso ao fato de o filme ser bem normal e tranquilo até sua personagem aparecer e causar toda uma revolução na vida de todas as personagens, Maria Helena é bela, sexy, talentosa, mas possui problemas com álcool e não consegue deixar Juan Antonio por nada no mundo.


É indiscutível: Woody Allen é um dos maiores gênios do cinema atualmente, nos últimos anos o diretor se encontra em uma fase extremamente agradável ao nos proporcionar tudo àquilo que ele conhece da vida em filmes sobre vida, sonhos, desejos, sexo, amor, compreensão, e faz isso de uma forma só dele. Afinal, bem como Maria Elena é a inspiração de Juan Antonio e Juan Antonio a inspiração de Maria Elena, a vida, nua e crua, com um certo tempero provocante, é a inspiração de Woody Allen, e Woody Allen é a inspiração para a vida.


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quinta-feira, 19 de julho de 2012

242. CELEBRIDADES, de Woody Allen

O retrato quase perfeito da vida de celebridades.
Nota: 8,7


Título Original: Celebrity
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Kenneth Branagh, Judy Davis, Winona Ryder, Melanie Griffith, Je Mantegna, Leonardo Di Caprio, Charlize Theron, Adrien Grenier, Kate Burton
Produção: Jean Doumanian, J. E. Beaucaire
Ano: 1998
Duração: 113 min.
Gênero: Comédia / Drama

Lee é um repórter de celebridades que deseja entrar de vez nesse mundo como roteirista ou escritor, para isso ele pede o divórcio de Robin, que enlouquece pelo fim do casamento. Nessa busca pela fama, fortuna e glamour, Lee se envolverá com uma estrela em ascensão, com uma modelo cheia de problemas, uma aspirante a atriz, uma editora, e um ator que acredita ser o centro do universo. Já Robin, mudará de vida ao conhecer o produtor Tony, e se tornará uma apresentadora de televisão querida por todos.


Em 1998, Woody Allen já não era nenhum iniciante no cinema, muito pelo contrário, já possuía estilo próprio a admiração de milhares de pessoas, já havia ganhado três Oscars e havia passado pelas suas décadas de gênio com filmes como “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar” (1972), “O Dorminhoco” (1973), “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), “Manhattan” (1979), “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985) e “Hannah e Suas Irmãs” (1986). Seu roteiro aqui não difere muito do que podemos esperar de Allen hoje, mas é aí que se enquadra a excelência em seu trabalho, ele possui vários filmes com cenas e diálogos parecidos e enredos semelhantes, mas cada qual interage de uma maneira com as personagens, cada qual possui seu próprio desfecho e todos são muito bem feitos. Dirigindo ele é ótimo, a idéia do preto e branco é sempre bem-vinda em seus trabalhos, acredito que esse artifício usado atualmente deixa o público ainda mais curioso e faz a vez das saias longas décadas atrás, escondendo algumas belezas que poderiam ser vistas no colorido, isso faz com que o filme se torne mais misterioso e atrativo esteticamente falando.


Em 1998 Kenneth Branagh já havia sido indicado a quatro Oscars e era conhecido pelos filmes “Henrique V” (1989) e “Hamlet” (1996), recentemente pôde ser visto pelos adolescentes em “Harry Potter e a Câmara Secreta” (2002) e pelos mais velhos em um filme mais cult, “Sete Dias Com Marilyn” (2012), onde vive o lendário Sir Laurence Olivier. Ele lidera o elenco como o atrapalhado Lee, o repórter que quer mais da vida além de ficar com mulheres bonitas e escrever artigos que ele considera chatos sobre pessoas famosas, na realidade, o problema é que quer ser uma dessas pessoas. Judy Davis ficou conhecida pelos filmes “Passagem para a Índia” (1984) e “Maridos e Esposas” (1992), mas foi a interpretação como Judy Garland em “A Vida com Judy Garland: Eu e Minhas Sombras” (2001), que lhe rendeu o respeito máximo como atriz, aqui ela é a perdida Robin, após o divórcio a personagem não sabe o que fazer da vida e fica bem louquinha de uma lado para o outro com medo de encontrar com o marido, mas a chegada de um novo amor a mudará por completo. Joe Mantegna, que viveu Joey Zasa em “O Poderoso Chefão Parte III” (1990) é esse tal novo amor de Robin, um homem perfeito que se apaixona perdidamente por ela e fará de tudo para que os dois fiquem juntos. Winona Ryder, do recente “Cisne Negro” (2010), vive a aspirante a atriz Nola, aquele tipo que não quer compromisso e só deseja ter um ótimo futuro profissional. Melanie Cgriffith é a atriz de sucesso Nicole Olivier, uma mulher que não se importa com os outros e vive a vida como se o mundo a venerasse. Charlize Theron é a modelo com quem o protagonista se encontra uma vez, uma jovem pirada que só quer se divertir. Por fim, Leonardo DiCaprio é o ator Brandon Darrow, um jovem perturbado que tem o mundo aos seus pés e acredita que tudo gira em torno de sua vida e sua fama.


Longe de ser o melhor filme de Woody Allen, a trama de “Celebridades” nos envolve ao mostrar claramente parte da vida de pessoas famosas e as consequências de ser observado pelo restante do mundo. Mas também nos apresenta a dificuldade que alguns possuem para entrar nesse mundo, ou a facilidade de outros pelo simples acaso do destino. Branagh e Davis nos proporcionam dois hemisférios totalmente diferentes, apesar de ambos chegarem a ser irritantes por sua falta de tato e serem totalmente desequilibrados, ela encontra o caminho e se torna uma mulher elegante e respeitada, ele continua sendo o mesmo perdedor do começo ao fim. Sendo assim, o filme é engraçado, divertido, cheio de vida e reflete vários sentidos de nossa existência.


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sábado, 11 de fevereiro de 2012

394. MEIA NOITE EM PARIS, de Woody Allen.

É feito para sorrir e chorar em qualquer época do ano, simplesmente por ser algo mágico.
Nota: 9,6


Título Original: Midnight em Paris
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Owen Wilson, Rachel McAdams, Michael Sheen, Carla Bruni, Yves Heck, Alison Pill, Tom Hiddleston, Corey Stoll, Marcial Di Fonzo Bo, Marion Cotillard), Adrien Brody, François Rostain, Yves –Atoine Spoto, David Lowe, Kathy Bates.
Produção: Letty Aronson e Stephen Tenenbaum
Duração: 94 min.
Ano: 2011
Gênero: Comédia / Romance

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


Se existem duas pessoas que são cultuadas de forma exagerada, em minha opinião, são Steven Spielberg e Woody Allen, mas é claro que sempre que resolvo assistir aos seus filmes não me decepciono, apesar de acha-los extravagantes demais. Mas confesso que me surpreendi assistindo Meia Noite em Paris, tanto quanto me indignei com “Cavalo de Guerra” (Crítica 398). Este primeiro é uma obra prima, Allen se supera a cada segundo e me surpreende ainda mais em conseguir tirar de Owen Wilson tudo aquilo que ele jamais conseguiu mostrar: sua capacidade artística.
Na história, Gil (Owen Wilson) é um roteirista frustrado de Hollywood por não conseguir terminar seu livro, ele e a esposa (Rachel MacAdams) vão a Paris a negócios com os pais dela e certa noite ele resolve e perambular pela cidade. Eis que o sino anuncia as doze badaladas da meia noite e Gil se vê em meio a dezenas de confusões ao encontrar seus ídolos do passado, entre eles Cole Porter (Yves Heck), Zelda e F. Scott Fitzgerald (Alison Pill e Tom Hiddleston), Ernest Hemingway (Corey Stoll), Pablo Picasso e sua suposta amnte Adriana (Marcial Di Fonzo Bo e Marion Cotillard), Salvador Dalí (Adrien Brody), Edgar Degas (François Rostain), Henri Matisse (Yves –Atoine Spoto), T. S. Eliot (David Lowe) e a eterna parisinsse Gertrude Stein (Kathy Bates). Provavelmente é sempre esse um dos maiores feitos de Allen, ele consegue extrair o melhor de cada um de seus atores e tornar qualquer filme seu, algo no mínimo agradável de olhar.
Como se não basteassem todos os atributos dados aos atores, ao roteiro, a direção e a trilha sonora, Meia Noite em Paris é um deleite para os olhos, escolher a “cidade luz” para uma história tão maluca, foi uma grande sacada do diretor, afinal ela fala por si só, mas o que Paris faz para este filme é maior, não precisamos ver a Torre Eiffel ou o Arco do Triunfo a cada duas cenas, as ruelas, pontes, parques, cafés, restaurantes e o mercado a céu aberto tornam a cidade muito mais original e bela.
Pois bem, junte este elenco magnífico (indicado ao Sindicato dos Atores como melhor Elenco do ano, sua única indicação), um roteiro e a direção do sem noção Woody Allen, a trilha sonora original repetitiva e com músicas eternizadas na década de 1920 e terá um dos melhores filmes do ano. É espirituoso, inteligente, convincente, magnífico. É difícil escolher uma cena que defina bem o filme, tanto em nosso tempo (2010/11) como na década de 20 as histórias são bem entrelaçadas, bonitas, cativantes, e... mágicas, sim é dessa forma que podemos resumir um filme com tantas faces e belezas: dentre todos os filmes dos últimos dez anos Woody Allen nos proporciona simplesmente o mais mágico.


O filme é indicado a poucos prêmios da Academia Cinematográfica, mas provavelmente é um dos únicos que merece cem por cento cada uma delas:
Melhor Filme: Letty Aronson e Stephen Tenenbaum
Melhor Direção e Roteiro: Woody Allen
Melhor Direção de Arte: Anne Seibel e Héléne Dubreuil
É difícil o filme ganhar algum dos quatro, mas estar entre os dois ou três favoritos é uma conquista e tanto. Eu apostaria apena em roteiro, mas pode ser que de uma zebra na Direção de Arte e ele desbanque filmes incríveis como o último Harry Potter e A Invenção de Hugo Cabret (os favoritos, já que venceram o Sindicato dos Diretores de Arte).



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