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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

054. GAROTA, INTERROMPIDA, de James Mangold

Um drama psicológico como poucos.
Nota: 9,6


Título Original: Girl,Interrupted
Direção: James Mangold
Elenco: Winona Ryder, Angelina Jolie, Whopi Golberg, Brittany Murphy, Clea DuVall, Elisabeth Moss, Vanessa Redgrave, Jared Leto, Jeffrey Tambor
Produção: Cathy Konrad, Douglas Wick, Carol Bodie, Gerogia Kacandes, Susanna Kaysen e Winona Ryder
Roteiro: James Mangold, Lisa Loomer, Anna Hamilton Phelan e Susanna Kaysen (romance)
Ano: 1999
Duração: 127 min.
Gênero: Drama / Thriller

EUA, 1967, a jovem Susanna Kaysen é identificada por um psicanalista com vítima do Transtorno de Borderline (instabilidade emocional) e é enviada a uma hopital psiquiátrico. Uma vez no hospital, Susanna conhecerá outras garotas com problemas mentais, todas com suas semelhanças e diferenças bem delimitadas. Dentre elas, Está Lisa Rowe, uma sociopata que é a personificação do Transtorno de Personalidade Antissocial.


O diretor James Mangold possui apenas nove filmes em seu currículo. Porém, conquistou a façanha de reunir grandes elencos em alguns deles: “Kate & Leopold” (2001), com Meg Ryan, Hugh Jackman e Liev Schreiber; “Identidade” (2003), com John Cusack, Ray Liotta, John Hawkes e Alfred Molina; “Johnny & June” (2005), com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, vencedora do Oscar de melhor atriz pelo filme; “Os Indomáveis” (2007), com Russell Crowe, Christian Bale, Peter Fonda e Bem Foster; e, por fim, “Encontro Explosivo” (2010), com Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Paul Dano e Viola Davis. Mas, inquestionavelmente, seu mais brilhante filme, e seu mais brilhante elenco, são “Garota, Interrompida”: Winona Ryder, Angelina Jolie, Clea DuVall, Brittany Murphy, Elizabeth Moss, Jared Leto (todos jovens na época, que tiveram sucesso estrondoso após esse longa), e veteranas como Whopi Goldberg e a fantástica Vanessa Redgrave. O filme é uma daptação do romance de Susanna Kaysen, que relatou os acontecimentos de sua vida no livro de mesmo nome. Não li nenhuma linha do romance de Kaysen, mas posso dizer, em dúvida, que o filme é algo surpreendente. O roteiro não possui falhas e não tenta nos inserir no contexto como o drama, “Ilha do Medo”, de Martin Scorsese, tentaria (ou melhor, conseguiria), onze anos depois. É claro que o que nos é apresentado é um drama psicológico, afinal, estamos diante de um manicômio feminino com as mais variadas doenças e manias. Além disso, as garotas do filmes são jovens bonitas e sensuais, as quais qualquer homem desejaria. Ainda sobre a beleza das moças, é inevitável pensar que qualquer jovem gostaria de ser como Angelina ou Winona. Jolie, por sinal, venceu o Oscar, o Globo de Ouro e o SAG de melhor atriz coadjuvante por sua interpretação incrível de Lisa Rowe, e é necessário falar sobre a beleza da personagem. Digo, não sobre a beleza estética da atriz, e sim sobre a beleza da construção da personagem, que é a representação de toda a loucura, toda a insanidade, mas que, ao mesmo tempo, é a representação da vida e da morte do hospital. Sem Rowe, o hospital é sem graça, dessiteressante e ela se torna assunto obrigatório. Quando Lisa está, tudo é uma catástrofe, e ela faz questão de lembrar sua presença a todo instante.


Winona Ryder interpreta Susanna Kaysen com uma singularidade essencial: no início da trama, vemos uma jovem com problemas, mas, nem de longe, tão problemática quanto se tornará no decorrer da trama. Ryder nos traz todo esse processo de forma nítida e completa, mostrando a confusão que está a cabeça da jovem. Angelina Jolie pode se gabar em dizer que seu Oscar foi conquistado por méríto e não por campanhas. Até concordo com pessoas que alegam a dificuldade em saber se a atriz estava interpretando ou vivendo um pouco de si mesma no cinema, mas isso não diminui a grandiosidade de seu trabalho interpretando uma jovem com tantos altos e baixos e, como já citei, personificando a sociopatia. Como disse anteriormente, as personagens que compõe as pacientes do hospital são muito diversificadas, já apresentei uma em início de tratamento e outra veterana, agora as reais coadjuvantes da trama. Georgia Tuskin é vivida por Clea DuVall, que nos apresenta uma garota tímida e influenciável, que acaba se apagando em detrimento de suas companheiras no hospital (que fique claro, quem se apaga é a própria personagem,o que faz com que a interpretação da atriz fique ainda mais rica e perceptível). Elizabeth Moss é Polly Clark, uma garota que sofreu um acidente e tem o rosto queimado, o acidente traz lembranças péssimas a menina e seus ataques depressivos são outro ponto forte da trama. Por fim, entre as doente, está Brittany Murphy na maior interpretação de sua carreira como a melodramática Daisy Randone, uma jovem de família rica que vê seu mundo desabar devido a sua doença. As cenas em que Murphy transforma a vida de sua personagem em consecutivas catástrofes, com manias e trejeitos únicos, são momentos meoráveis para o forte cinema de 1999. Para finalizar a análise das interpretações, volto a citar as veteranas. Whoopi Goldberg está totalmente diferente daquela simpática comediante a qual nos acostumamos, é a dura enfermeira Valerie Owens, que trata tudo com muita inteligência e pulso firme, mas que consegue demostrar no olhar o quanto sente por meninas tão belas, jovens e que possuem tantas chances na vida estarem naquele hospital, não por escolha própria, e sim por necessidade. Apesar desse tal pulso firme, a interpretação de Goldberg é a mais comovente do longa. Vanessa Redgrave fecha, com chave de ouro, esse elenco estupendo. Ela é a Dr, Sonia Wick, a psiquiatra do local. Vencedora de um Oscar e indicada mais cinco vezes, a inglesa nos apresenta uma personagem sóbria, que faz seu trabalho com muita decência, cautela e competência. Mais uma vez, quaisquer palavras que fossem usadas seriam pouco para definir a grandiosidade que essa atriz adquiriu durante os anos, tornando-a a capaz de ser perfeita em qualquer situação.



“Garota Interrompida” não é nenhum thriller psicológico como os feitos por Alfred Hitchcock e Martin Scorsese, porém, é preciso tanto fôlego para assistir ao assassinato de Marion Crane, quanto os métodos a que as doentes acabam sendo submetidas no hospital psiqueátrico. Enquanto o suspense e o terror se instalavam em “A Ilha do Medo” graças à habilidade de Scorsese em nos envolver na trama a ponto de não sabermos o que é real ou imaginário, os calafrios desse filme são proporcionados por vermos jovens serem maltratadas pela vida devido a suas doenças. O ponto forte do longa, o clássico clímax, também instalado por Hitch e Scorsese é quando as garota pegam o diário de Susanna e se escondem no subsolo do hospital. Susanna se esqueira em túneis intermináveis sem saber o que a aguarda. É inevitável não lembrar das cenas dos filmes citados dos mestres do cinema: o Detetive Arbogast subindo as escadas da casa dos Bates (escada que representou o caminho de sua morte em “Psicose”, de 1960) e o Detetive Teddy Daniels, vivido por Leonardo Di Caprio, andando atônito pelos corredores do grande manicômio central da trama (mal sabia ele que esse seria o caminho para a conclusão de sua completa loucura). “Psicose” até pode ter influenciado em alguma coisa a cena do longa, “Paciente 67” (livro que deu origem a “A Ilha do Medo”) nem havia sido lançado quando o longa foi realizado. Entretanto, o que quero dizer fazendo referência a esses dois longas é que não sabemos ao certo quais momentos dos filmes são reais, e quais deles são imaginações dos nossos protagonistas. É impossível tecer uma conclusão específica em meio a tantas loucuras e incertezas. O fato é que, assim como “Psicose” fez e “A Ilha do Medo” faria mais tarde, “Garota, Interrompida” é um longa perturbador que aposta no melhor para nos persuadir a mergulhar de cabeça na história: a dúvida proporcionada pela insanidade.


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domingo, 12 de maio de 2013

074. DRÁCULA DE BRAM STOKER, de Francis Ford Coppola


Junte Francis Ford Coppola, a história do Conde Dracula e um elenco de peso e faça uma das fantasias mais loucas, deliciosas e bem feitas de todos os tempos.
Nota: DEZ


Título Original: Dracula
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Cary Elwes, Billy Campbell, Sadie Foster, Tom Waits, Monica Belluci
Produção: Francis Ford Coppola, Fred Fuchs, Charles Mulvehill
Roteiro: James V. Hart e Bram Stoker (romance)
Ano: 1992
Duração: 128 min.
Gênero: Drama / Thriller / Romance

O corretor inglês Jonathan Harker vai até a Transilvânia para conversar com um cliente muito rico que deseja fazer aquisições em Londres. Entretanto, o que Harker não sabe é que o tal cliente é ninguém menos, ninguém mais que o Conde Vladmir Dracula, um vampiro indecente que atraiu o corretor para seu castelo para lhe afastar de Mina Murray, noiva de Jonathan e a alma do único amor que Dracula teve em toda a sua vida. No entanto, coisas estranhas começam a acontecer em volta de Mina e para ajudar a espantar o mal, é convocado o caçador de monstros Abraham Van Helsing.


Em 1897 o irlandês Abraham “Bram” Stoker” lançou, sem dúvida o maior sucesso de sua carreira, e um dos maiores sucessos de todos os tempos. O livro “Dracula” relatava a mesma história que podemos assistir aqui – talvez por isso a tradução se refira ao escritor -, apesar de não ter lido o livro na íntegra, acaba me parecendo uma das adaptações mais fieis já vistas no cinema. Mesmo que o livro seja um incontestável sucesso e tenha uma qualidade inquestionável, é importante fazer notar que não foi de imediato que Stoker conquistou seu tão amado público, mas a crítica sempre considerou sua obra um dos melhores livros da história da literatura – recentemente o Daily Mail classificou o escritor como sendo superior a Edgar Allan Poe – contista de dezenas de história, como “O Mistério de Marie Rogêt” e “Os Assassinatos da Rua Morgue” -, Mary Shelley – escritora de “Frankenstein ou o Moderno Prometeu” - e Emily Brontë – a irmã que escreveu “O Morro dos Ventos Uivantes”. Além disso, fontes afirmam que o personagem central da história poderia mesmo ter existido, o que torna interessante verificar nos principais sites de busca de vídeos o documentário “Vampiros – Em Busca da Verdade”, que aborda, de forma inteligente e racional, as possibilidades da existência do tal Conde Vladimir Drácula. Mas, voltemos a produção de Coppola. Aqui, o longa se trata de uma verdadeira adaptação da obra de Bram Stoker, onde tudo acontece, aparentemente, da mesma forma que no livro. Apesar de nunca ter lido “Dracula” na íntegra, baseando-me apenas nas resenhas ou críticas que li a respeito do mesmo, o filme parece ser uma história fiel, além disso, toda a fantasia necessária para se adaptar uma história como essa é explorada de forma magnífica. Aliás, o mínimo que se poderia esperar do diretor da Trilogia “O Poderoso Chefão” é o que vemos aqui, ou melhor, temos algo muito mais sutil e depravado que o esperado. Acrescente a isso, Copolla nos traz um pouco do que vemos na Trilogia que lhe consagrou como um dos maiores diretores da história do cinema: obviamente grande parte do filme ocorre em momentos escuros, afinal, é neles que Dracula concentra seu poder, entretanto, cada tomada, seja em ângulos abertos ou fechados, em ambientes internos ou externos, podemos ver tudo claramente, e quando nossa visão acaba nos enganado percebemos a intenção de confundir nossas ideias e nos transportar de forma inacreditável para a história, prendendo nossa atenção mesmo nos momentos mais monótonos   - que são raros, diga-se de passagem.


Indicado ao Oscar no ano passado por seu papel em “O Espião que Sabia Demais” (2011), Gary Oldman é um dos artistas mais versáteis do atual cenário cinematográfico, conquistando a proeza de estar irreconhecível em diversos dos mais de setenta títulos em que já trabalhou. Aqui ele é, mais uma vez irreconhecível até uma altura do longa, o maior vampiro da história da literatura, ou da humanidade, o Conde Dracula. Incluí “o maior vampiro da humanidade” pois, a brilhante interpretação de Oldman começa logo no início do filme, onde o real Príncipe Vlad é mostrado, em meio a suas guerras e seu único amor, depois vemos Oldman como um velho de pele muito branca, um ser bem assustador que prende Jonathan Harker em seu castelo, por fim, temos o homem apaixonado se digladiando com o vampiro sedento por sangue e louco para se entregar aos prazeres carnais. Além disso, cada cena parece ser única para Oldman e Dracula, e se torna inacreditável como a ator funde suas feições a de seus personagens, criando algo realmente mágico e pavoroso. Harker, por sua vez, é interpretado por Keanu Reeves, quem já leu críticas anteriores de filmes com o ator – “Advogado do Diabo” (1997) e “Alguém Tem Que Ceder” (2003) -, já sabe que não simpatizo totalmente com o ator, mas começo a achar que seja apenas implicância por achar sua atuação na Trilogia Matrix péssima – até por que, os três filmes são terríveis -, todavia, seu trabalho aqui me faz lembrar duas coisas: a primeira é o que já citei nas críticas anteriores, não há meio termo nos trabalhos do ator, ou ele está péssimo ou está ótimo; a outra é uma lembrança, mesmo que mínima de um dos filmes mais inescrupulosos que já tive o prazer de assistir “Ligações Perigosas” (1988), um dos primeiros longas importantes de Reeves, enfim, como Jonathan ele mistura o gênero rapaz romântico e apaixonado, com o homem que está em formação dentro dele e vê o desejo pelo sexo florir ainda mais quando passa a pequena temporada no castelo de Dracula, período em que se vê forçado a se tornar um verdadeiro homem para voltar para os braços da mulher que ama. Para completar o trio masculino de protagonistas está, ninguém mais, ninguém menos, que Anthony Hopkins, interpretando o Professor Abraham Van Helsing, mais um personagem clássico da literatura do gênero, diferente do visto no filme “Van Helsing – Caçador de Vampiros” (2004), onde tínhamos um forte e sensual Hugh Jackman vivendo o protagonista, aqui, Hopkins é um homem sério, mais vivido e com muita história pra contar, alguém que teme ao desconhecido, e mais, que, mesmo sabendo a forma como lutar com qualquer ser que apareça em sua frente, não se deixa levar pela emoção. Para trazer alguma beleza ao filme, temos Winona Rider como Mina Murray, noiva de Jonathan, e Elisabeta, noiva de Dracula no início da história, apesar de achar Ryder uma das atrizes mais belas de sua geração, acho sua atuação fraca e a personagem é inocente demais, mas devo confessar que poucas mulheres poderiam parecer tão sexys e ainda sim desejáveis quanto ela nos momentos em que resolve ceder à tentação do pecado e se entregar aos seus desejos mais insanos, ponto para Ryder que, infelizmente, tem estado um pouco apagada no cinema dos últimos anos.


Como já citei, o resultado desse filme não podia ser algo ruim, todavia, ao saber que e a adaptação da grande obra de Bram Stocker adaptada pelo diretor da Trilogia “O Poderoso Chefão”, confesso que vi nesse trabalho uma realização muito arriscada, e, realmente, o é, afinal, não seria qualquer diretor que poderia tornar essa história tão conhecida e cheia de vertentes algo tão agradável e bem feito. Mas, estamos falando de Francis Ford Copolla o homem que, ao lado de Martin Scorsese, Steven Spielberg, George Lucas, Robert Altman e (por que não), Woody Allen, fez parte da geração mais louca de Hollywood na década de 1970 e trouxe inovações surpreendentes em todas as áreas cinematográficas. Sendo assim, nada se torna um desafio tão complicado e, mais uma vez, Copolla nos presenteia com um filme digno de estar entre os maiores da década de 1990. E isso se faz mais verdadeiro hoje, pois, além de trazer grandes inovações ao gênero, dessa vez, contrariando os vampiros dos últimos anos, nosso Dracula não vive sem sangue humano, possui várias formas, tem poderes obviamente anormais, possui olfato e visão muito mais aguçados que nós e, acima de tudo, exala luxúria por todas as extremidades de seu corpo morto-vivo. E é essa luxúria que faz esse filme algo tão inescrupuloso e delicioso.


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sábado, 23 de fevereiro de 2013

092. (ESPECIAL OSCAR 2013) FRANKENWEENIE, de Tim Burton


Tim Burton poucas vezes decepciona, essa está longe de ser uma dessas vezes.
Nota: 9,4


Título Original: Frankenweenie
Direção: Tim Burton
Elenco: Winona Ryder, Catherine O’Hara, Martin Short, Martin Mandau, Charlie Tahan, Atticus Shaffer, Robert Capron, James Hiroyuki Liao, Conchata Ferrell, Tom Kenny, Dee Bradley Baker, Jeff Bennett, Frank Welker, Melissa Stribling (filme) e Christopher Lee (filme)
Produção: Allison Abbate, Tim Burton
Roteiro: Leonard Ripps, Tim Burton e John August
Ano: 2012
Duração: 87 min.
Gênero: Animação / Fantasia / Comédia

Victor Frankenstein é um jovem garoto que não tem nenhum amigo, com exceção de Faísca, seu pequeno cãozinho. Quando Faísca é atropelado, entretanto, Victor entra em uma depressão profunda. Mas, ao ver seu novo professor, aparentemente, maluco de ciências dar um choque em uma rã para fazer ela se mexer, Victor resolve fazer o mesmo com Faísca. Aproveitando o fato de a cidade onde mora ser constantemente atingida por raios, o garoto traz seu cão do mundo dos mortos. Mas mexer com vida e morte é algo muito arriscado, e Victor saberá disso em breve.


Tim Burton dispensa apresentações. Por um simples motivo: Tim Burton é Tim Burton. Tim Burton é como se fosse um semi-Deus da cinematografia. Não apenas por eu gostar de Tim Burton, e sim por Tim Burton ser um homem original, que inventou seu próprio estilo e nos traz, sempre, filmes ao menos agradáveis, de uma forma ou outra. Para mim, mesmo quando o filme não fica realmente bom, encontro alguma coisa interessante nele, no ano passado, por exemplo, assisti a “Sombras da Noite” (2012), filme com Johnny Depp, Helena Boham Carter e Michelle Pfeiffer, apesar das críticas negativas, adorei o longa, por ser extravagantemente engraçado e ridículo. “Sweeney Todd – Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007) é um musical sangrento divertido, irônico e muito bem feito, “Os Fantasmas Se Divertem” (1988) foi um pioneiro no humor negro moderno, “O Planeta dos Macacos” (2001) fez parte de minha infância. Todavia, não é apenas seu louco estilo que me conquista, foi ao assistir “Peixe Grande e Suas História Maravilhosas” (2003) que comecei a enxergar o cinema com outros olhos, e foi assistindo aos filmes de Burton que me aproximei da sétima arte. “Frankenweenie”, portanto, é mais que apenas uma simples animação, é uma reflexão nítida de como não podemos mexer naquilo que já aconteceu, afinal, “aquilo que está feito, está feito”, “ o que está morto não pode morrer”, “há três coisas na vida que nunca voltam”, enfim, uma infinidade de ditos populares ou provérbios milenares poderia resumir o que esse filme quer mostrar. Nesse contexto, vemos que, quando alguns colegas de Victor descobrem que ele consegue trazer seres mortos de volta à vida, querem trazer seu animais à vida também. No entanto, como o próprio professor de Victor aponta, tudo deve ser feito com muito amor, mesmo a ciência, de outra forma, só existe um caminho óbvio: o fracasso. Além disso, vemos as lições básicas de amizade, honestidade, força de vontade, amor de pai e mãe. E mais, em uma cena ótima, os pais dos alunos questionam os métodos do novo professor de ciências, pois seus filhos estão, agora, fazendo perguntas sobre tudo, querendo pesquisar e se informar sobre tudo, já os pais de Victor acham tudo isso ótimo e defendem o tal professor; uma crítica clara a como a sociedade sempre foi alienada e prefere viver no que conhece a partir para o desconhecido e viver novas aventuras, sair da rotina e ser uma pessoa diferente de vez em quando, somente para variar um pouco.


Em animações, muitos temas são abordados muitas reflexões são feitas e muito é dito de várias formas diferentes para que, assim, tanto crianças, quanto adultos absorvam ao menos alguma mensagem do filme. Aqui podemos ver muitas dessas características, e mais, referências a grandes filmes do cinema: como ao mostrar uma pequena cena do filme “O Conde Drácula” (1970) protagonizado por Christopher Lee (por isso fiz questão de colocar o nome do ator no elenco da animação); a tartaruga gigante representando Godzilla; o gato-morcego que se parece muito com algumas representações da metamorfose ser humano-vampiro; pequenos animaizinhos pulando de um lado para o outro em bando, que nos lembram dezenas de pequenos personagens irritantes e hiperativos de outros filmes. Enfim, são muitos temas, muitas idéias tratadas em um filme simples, preto e branco, com apenas 87 minutos – outra excelente pedida, ser breve – que se tornaria apenas mais uma animação indicada ao Oscar de melhor animação de 2013 se não fosse dirigida por Tim Burton. E é por esse direção que se torna a melhor animação do ano e uma das únicas que satisfaz.


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quinta-feira, 19 de julho de 2012

242. CELEBRIDADES, de Woody Allen

O retrato quase perfeito da vida de celebridades.
Nota: 8,7


Título Original: Celebrity
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Kenneth Branagh, Judy Davis, Winona Ryder, Melanie Griffith, Je Mantegna, Leonardo Di Caprio, Charlize Theron, Adrien Grenier, Kate Burton
Produção: Jean Doumanian, J. E. Beaucaire
Ano: 1998
Duração: 113 min.
Gênero: Comédia / Drama

Lee é um repórter de celebridades que deseja entrar de vez nesse mundo como roteirista ou escritor, para isso ele pede o divórcio de Robin, que enlouquece pelo fim do casamento. Nessa busca pela fama, fortuna e glamour, Lee se envolverá com uma estrela em ascensão, com uma modelo cheia de problemas, uma aspirante a atriz, uma editora, e um ator que acredita ser o centro do universo. Já Robin, mudará de vida ao conhecer o produtor Tony, e se tornará uma apresentadora de televisão querida por todos.


Em 1998, Woody Allen já não era nenhum iniciante no cinema, muito pelo contrário, já possuía estilo próprio a admiração de milhares de pessoas, já havia ganhado três Oscars e havia passado pelas suas décadas de gênio com filmes como “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo E Tinha Medo de Perguntar” (1972), “O Dorminhoco” (1973), “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), “Manhattan” (1979), “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985) e “Hannah e Suas Irmãs” (1986). Seu roteiro aqui não difere muito do que podemos esperar de Allen hoje, mas é aí que se enquadra a excelência em seu trabalho, ele possui vários filmes com cenas e diálogos parecidos e enredos semelhantes, mas cada qual interage de uma maneira com as personagens, cada qual possui seu próprio desfecho e todos são muito bem feitos. Dirigindo ele é ótimo, a idéia do preto e branco é sempre bem-vinda em seus trabalhos, acredito que esse artifício usado atualmente deixa o público ainda mais curioso e faz a vez das saias longas décadas atrás, escondendo algumas belezas que poderiam ser vistas no colorido, isso faz com que o filme se torne mais misterioso e atrativo esteticamente falando.


Em 1998 Kenneth Branagh já havia sido indicado a quatro Oscars e era conhecido pelos filmes “Henrique V” (1989) e “Hamlet” (1996), recentemente pôde ser visto pelos adolescentes em “Harry Potter e a Câmara Secreta” (2002) e pelos mais velhos em um filme mais cult, “Sete Dias Com Marilyn” (2012), onde vive o lendário Sir Laurence Olivier. Ele lidera o elenco como o atrapalhado Lee, o repórter que quer mais da vida além de ficar com mulheres bonitas e escrever artigos que ele considera chatos sobre pessoas famosas, na realidade, o problema é que quer ser uma dessas pessoas. Judy Davis ficou conhecida pelos filmes “Passagem para a Índia” (1984) e “Maridos e Esposas” (1992), mas foi a interpretação como Judy Garland em “A Vida com Judy Garland: Eu e Minhas Sombras” (2001), que lhe rendeu o respeito máximo como atriz, aqui ela é a perdida Robin, após o divórcio a personagem não sabe o que fazer da vida e fica bem louquinha de uma lado para o outro com medo de encontrar com o marido, mas a chegada de um novo amor a mudará por completo. Joe Mantegna, que viveu Joey Zasa em “O Poderoso Chefão Parte III” (1990) é esse tal novo amor de Robin, um homem perfeito que se apaixona perdidamente por ela e fará de tudo para que os dois fiquem juntos. Winona Ryder, do recente “Cisne Negro” (2010), vive a aspirante a atriz Nola, aquele tipo que não quer compromisso e só deseja ter um ótimo futuro profissional. Melanie Cgriffith é a atriz de sucesso Nicole Olivier, uma mulher que não se importa com os outros e vive a vida como se o mundo a venerasse. Charlize Theron é a modelo com quem o protagonista se encontra uma vez, uma jovem pirada que só quer se divertir. Por fim, Leonardo DiCaprio é o ator Brandon Darrow, um jovem perturbado que tem o mundo aos seus pés e acredita que tudo gira em torno de sua vida e sua fama.


Longe de ser o melhor filme de Woody Allen, a trama de “Celebridades” nos envolve ao mostrar claramente parte da vida de pessoas famosas e as consequências de ser observado pelo restante do mundo. Mas também nos apresenta a dificuldade que alguns possuem para entrar nesse mundo, ou a facilidade de outros pelo simples acaso do destino. Branagh e Davis nos proporcionam dois hemisférios totalmente diferentes, apesar de ambos chegarem a ser irritantes por sua falta de tato e serem totalmente desequilibrados, ela encontra o caminho e se torna uma mulher elegante e respeitada, ele continua sendo o mesmo perdedor do começo ao fim. Sendo assim, o filme é engraçado, divertido, cheio de vida e reflete vários sentidos de nossa existência.


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segunda-feira, 19 de março de 2012

357. CISNE NEGRO, de Darren Aranofsky

Thriller mistura problemas emocionais, frustrações da vida e balé e conquista a todos com tamanha beleza e qualidade.
Nota: 9,2



Título Original: Black Swan
Direção: Darren Aranofsky
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Benjamin Millepied, Sebastian Stan
Produção: Mike Medavoy, Brian Oliver e Scott Franklin
Roteiro:  Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin
Ano: 2010
Duração: 108 min.
Gênero: Thriller / Drama

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


Nina é uma aspirante a atriz que deseja, mais que tudo na vida, conseguir o papel principal na peça de Tchaikovsky “O Lago dos Cisnes”, mas para tal precisa demonstrar que é capaz de interpretar tanto o dito cisne bom, quanto o cisne mal. O primeiro a jovem tira de letra, mas encontrar inspiração para a segunda personalidade da personagem está difícil, e nessa busca pela perfeição Nina descobrirá um ser maligno em si mesma. Em meio a isso tudo ela vive constantes em sua relação com a mãe e descobertas de sua vida pessoal. Esse filme conquistou parte da crítica e arrebatou o público de uma forma poucas fezes visto, no ano em que foi lançado os detentores de toda glória para os críticos eram o filme de David Fincher “A Rede Social” e o vencedor do Oscar de melhor filme “O Discurso do Rei”. Vale falar sobre os pôsteres do filme: são simplesmente perfeitos por revelarem tanto e tão pouco sobre a produção, em especial o primeiro, um dos melhores que já vi.


A classificação desse filme é bem relativa, é um drama misturado com um thriller fortíssimo, no entanto quando o diretor sabe usar isso a seu favor não tem como realizar um filme ruim. Poríamos comparar sua estrutura com o filme com Bette Davis e Olivia De Havilland (sobre o qual falei há poucos dias) “Com a Maldade na Alma”, afinal são dois filmes que tem muito em seu enredo para serem fracos, mas que com cenas e diálogos impactantes, além de belíssimas escolhas por parte do diretor e das atuações magníficas se tornam ótimas pedidas quando se busca filmes de qualidade. Aronofsky é um diretor e tanto, veio do muito conceituado “Réquiem para um Sonho” (2000) e do tão falado filme sobre a volta (ou não) de Mickey Rourke “O Lutador” (2008), aqui ele tem uma fotografia mais escura (própria para o filme) o que não se torna algo desfavorável, muito pelo contrário, ele consegue tirar o melhor possível de seu espaço e sua luz (o falta dela). Falar sobre a trilha sonora desse filme é algo complicado por que as vezes as músicas originais criadas para o filme se perdem em meio a tanta genialidade do compositor da peça central do filme.


Natalie Portman dá o seu melhor em cada cena do filme, as dúvidas da personagem parecem se tornar dúvidas da própria atriz e ela nos presenteia com um atuação estupenda, cada prêmio que ela venceu graças a sua personagem, incluindo o Oscar, foram totalmente merecidos (apesar de eu amar Annete Benning e ter adora sua interpretação em “Minhas mães e meu Pai), ninguém naquele ano superou Portman, e sua atuação foi uma das melhores dos últimos anos, o filme representou ainda mais para atriz: conheceu seu marido (o qual faz uma ponta no filme, em uma cena o diretor do espetáculo perguntará a um dos bailarinos que está ensaiando com Nina, “Você foderia essa mulher?” e o cara responde “Não”, o que prova mais ainda a perfeição de Natalia ao dar vida a uma garota fria sem sex appeal nenhum), bem, o cara dormiu com a atriz e em meio as filmagens ela ficou grávida (por isso usam dubles de corpo em algumas cenas). Cenas como a de Nina e sua cutícula no banheiro de uma festa, a masturbação da inocente menina, a aparente primeira balada de sua vida, o sonho dela com  colega e, principalmente, a do espelho, são algumas que merecem destaque entre tantas do filme. Mas Natalie não está sozinha, sua mãe frustrada por ter uma carreira fracassada é interpretada por Barbara Hershey (que possui algumas semelhanças com a personagem, em seu tempo fora uma atriz próspera),Mila Kunis interpreta a colega de palco que a leva para a boa vida das noitadas, Winona Ryder faz uma pontinha como a ex-bailarina que Nina tanto admira e, por fim, temos a grande interpretação de Vincent Cassel que faz o sedutor diretor da peça de teatro que quase nos convence que é ele quem deseja Natalie (particularmente acho o trabalho desse ator francês incrível).


Daren Aranofsky realiza aqui um filme maravilhoso que, com a ajuda de um técnico impecável e lindas atuações, foi considerado por muitos o melhor thriller da década e, realmente, isso é o que podemos chamar de um thriller de qualidade, ele não é nenhum filminho americano sobre assassinados ou loucuras misturadas a um tom de comédia ridículo, e é isso que faz de “Cisne Negro” tão bom, ele não é como os outros, por que possuí uma qualidade inimaginável para um filme independente e traz cenas marcantes como poucos filmes bem maiores tentaram fazer diversas fezes.



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