segunda-feira, 18 de novembro de 2013

051. VIDA SECRETA DAS ABELHAS, de Gina Prince-Bythewood

Há muito não assistia no cinema uma lição de vida tão verdadeira.
Nota: 9,2


Título Original: The Secret Life of Bees
Direção: Gina Prince-Bythewood
Elenco: Dakota Fanning, Queen Latifah, Jennifer Hudson, Alicia Keys, Sophei Okonedo, Paul Bettany, Hilarie Burton, Tristan Wilds
Produção: James Lassiter, Joe Pichirallo, Lauren Shuler Donner, Will Smith
Roteiro: Gina Prince-Bythewood e Sue Monk Kidd (romance)
Ano: 2008
Duração: 114 min.
Gênero: Comédia / Drama

Lily é uma jovem que se culpa pela morte da mãe e tem um pai violento que lhe conta mentiras sobre a mãe. Aos 14 anos, a menina, motivada por uma dica de que sua mãe viveu na Carolina do Sul, foge com sua amiga e babá, Rosaleen, para o estado. Na cidade em que chegam, hospedam-se na casa das irmãs Boatwright: August, June e May. Elas são três negras que ganham a vida criando abelhas. Uma vez na casa dessas boas senhoritas, Lily descobrirá segredos que jamais desconfiou acerca de sua mãe e viverá verdadeiras aventuras na descoberta da vida.


Gina Prince-Bythewood é uma jovem diretora de televisão e cinema que, sobretudo, prefere abordar os temas relacionados aos negros. Em “A Vida Secreta das Abelhas”, Gina não propõe um filme épico que luta contra o racismo no mundo, e sim, nos apresenta um longa que contextualiza o preconceito da década de 1964 e mostra a vida de três mulheres que ganham a vida sozinhas, enfrentando os problemas e guardando segredos. O longa, vem como um filme quase revolucionário: mostra três mulheres que, unidas, não precisam de homens para levar a vida, mas que admitem se apaixonar perdidamente por um. Não é o tipo de filme feminista que tenta mostrar as mulheres como seres humanos além de suas capacidades. Revela, dessa forma, como mulheres negras podem viver sozinhas, mas como, também, toda mulher está sujeita a se apaixonar. Lily, sendo assim, adentra o mundo dessas três mulheres para levar mais alegria à casa das irmãs Boatwright, ao passo que Rosaleen encontra pessoas que a compreendem, semelhantes a ela em cor e costumes. Tecnicamente, esse filme é belo e nos traz uma tranquilidade ímpar. Além disso, a trilha sonora de Mark Isham é dramática e melancólica ao mesmo tempo em que consegue ser alegre e cheia de esperança. O roteiro do longa é baseado no romance de Sue Monk Kidd, e é necessário apontar que a adaptação para o cinema, consegue a proeza de transmitir a mesma beleza sentimental e espiritual do livro. A relação que August traça entre Lily e sua mãe é algo belo e puro, poucas vezes tão bem explicado e relatado em um filme no cinema.


Dakota Fanning foi uma das maiores promessas de sua época, entretanto ouso dizer que é possível contar nos dedos suas atuações realmente brilhantes. Lily é uma dessas interpretações. Fanning tem aquele elemento dramático – o timing tão falado entre os artistas – do começo ao fim. Em alguns momentos, a atriz nos apresenta uma menina inocente que tem muito a descobrir; em outras cenas, uma jovem destemida que está disposta a qualquer coisa para descobrir algo sobre sua mãe; em outros momentos é a pequena grande mulher pronta para receber os ensinamentos e as verdades sem enrolação. Queen Latifah é uma das atrizes mais simpáticas de Hollywood. Aqui ela vive August, a irmã mais paciente e experiente das três, uma mulher inteligente que já sofreu o suficiente para saber que Lily merece ensinamentos e, mais que qualquer coisa, deseja ajudar a garota a encontrar o rumo de sua vida. Latifah nos traz mais uma representação humana e de grande valor solidário. A cantora Alicia Keys surpreende vivendo a histérica e pessimista June. Keys é o retrato de uma mulher bonita e inteligente que quer um futuro promissor, mas teme por não saber qual caminho está trilhando, sendo insegura e não deixando que ninguém se aproxime muito de seu mundinho. Sophia Okonedo rouba a cena como May, a mais jovem das irmãs, que tem uma doença mental que a torna limitada em tudo. Porém, mesmo com os limites que um deficiente possui, ela nos transmite como essa parcela da população pode ser carinhosa e atenciosa além do imaginável, ou seja, como podem ser mais humanos que qualquer outra pessoa, e é aí que está a perfeição de sua interpretação. Jennifer Hudon completa o elenco como a simpática Rosaleen, uma negra que tem medo e se sente oprimida como a maioria dos americanos negros da década de 60, mas que encontrará a si mesma convivendo com as irmãs Boatwright.



“A Vida Secreta das Abelhas” nos faz refletir desde o título do longa até o desfecho do filme, com as revelações que Lily tanto procurava. Em uma metáfora antológica, August mostra a Lily como os insetos – no caso, as abelhas – possuem seus segredos, que só são compartilhados por aqueles que elas permitam adentrar suas colmeias. Nesse contexto, August também revela a necessidade de se existiram segredos entre as abelhas para que elas sejam tão perfeitas em viver em uma sociedade quase perfeita e produzir sua arte de forma tão deliciosa. Assim, August compara as abelhas aos seres humanos, alertando a Lily de que todos temos nossas segredos. Nem tudo está tão explicito nesse filme, e é isso que torna ele algo tão belo e singular. “A Vida Secreta das Abelhas” pode não ser uma obra prima da Sétima Arte, mas é um filme essencial para todo ser humano que deseja compreender um pouco do significado da humanidade, da solidariedade e da compaixão.


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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

052. A ERA DO GELO 4, de Steve Martino e Mike Thurmeier

Apesar de repetitivo e cansativo, há uma novidade que o torna o mais engraçado filme da franquia.
Nota: 9,3


Título Original: Ige age: Continetal Drift
Direção: Steve Martino e Mike Thurmeier
Elenco (dublagem): Aziz Ansar, Joy Behar, Alain Chabat, Ester Bean, Pter Dinklage, Queen Latifah
Produção:
Roteiro: Michael Berg, Jason Fuchs e Lori Forte
Ano: 2012
Duração: 88 min.
Gênero: Animação / Comédia

Scrat, em busca de sua noz, ocasiona a separação dos continentes. Enquanto isso, Manny e Ellie vivem os problemas da adolescência de Amora. O destino, porém, como sempre, reservou um contratempo: um terremoto faz com que Manny, Diego e Sid fiquem presos em um iceber, enquanto Ellie e Amora permaneçam no continente. Em alto mar, eles terão de encontrá-las novamente, mas ainda terão de enfrentar o terrível Capitão Gutt.


Mike Thurmeier já havia sido co-diretor de “A Era do Gelo 3” (2009) e, ao lado de Steve Martino, dirigiu dois curtas sobre Scrat (2010 e 2011). O quarto filme de “A Era do Gelo” foi uma sequência de seus trabalhos. Foi tudo feito de forma muito gradual. O roteiro do longa, por sua vez, foi escrito por Michael Berg, que roteirizou o primeiro e o terceiro filmes da série, Jason Fuchs, e Lori Forte, produtor de todos os filmes de “A Era do Gelo. Esse quarto filme é um dos mais bem feitos da série. Visualmente e sonoramente é perfeito, chama a atenção de todos. Todavia, o roteiro é fraco se comparado aos demais filmes, especialmente o primeiro que, mesmo parecendo um teste para a animação em alguns momentos, é o melhor filme de todos. Como em todos os outros longas, temos as lições de amor, companheirismo e amizade que acompanham todos os personagens.



O problema de “A Era do Gelo 4” é, exatamente, a falta de originalidade. A única coisa interessante é a voz do Capitão Gutt, dublada pelo ótimo Peter Dinklage. Para desfarçar um pouco a mesmise na qual o longa cai, temos uma surpresinha: a preciosa avó de Sid. Uma preguiça velha que encanta a todos e faz desse, o filme mais engraçado de todos. A avó do Sid se tornou popular no mundo todo, afirmando que, mesmo que seja impossível realizar um filme como o primeiro “A Era do Gelo”, nunca cansaremos de rir com Sid e sua verdadeira família.


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053. BONNIE E CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS, de Arthur Penn

O precursor no gênero será sempre o melhor.
Nota: 9,4


Título Original: Bonnie and Clyde
Direção: Arthur Penn
Elenco: Warren Beatty, Faey Dunaway, Michael J. Pollard, Gene Hackman, Estelle Parsons, Denver Pyle, Dub Taylor, Evans Evans, Gene Wilder, Martha Adcock, Harry Appling, Owen Bush, Mabel Cavitt, Patrick Cranshaw, Frances Fisher
Produção: Warren Beatty
Roteiro: David Newman, Robert Benton e Robert Towne
Ano: 1967
Duração: 11 min.
Gênero: Comédia / Ação

Bonnie Parker tem uma vida sem graça como garçonete em uma pequena cidade, onde mora com sua mãe. Certo dia, o aventureiro Clyde Barrow se apresenta, rouba um carro e foge com a moça a tira colo, que está achando tudo aquilo o máximo. No meio do caminho, eles acabam achando o jovem Moss, que também se propõe a sair por aí roubando as pessoas. Depois, ainda se juntam à trupe o irmão de Clyde e sua esposa, Buck e Estelle. Agora, os cinco se tornarão as bandidos mais famosos dos EUA.


Quando fui assistir a esse filme pela primeira vez, comentei com meu pai sobre a falta de necessidade de incluírem ao título “Uma Rajada de Balas”. Enquanto eu assitia ao filme, meu pai perguntou se já havia passado da metade do longa. Ao passo que eu respondi que sim ele completou: “então compreendeu o por que das rajadas de bala?” Realmente, há como entender por que o título no Brasil se tornou “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas”. O filme é violento para sua época, e não é violento uma vez ou outra, como alguns filmes da época. “Bonnie e Clyde” é um filme de ação do começo ao fim, as cenas dos roubos representam, sem dúvida, mais de um clímax na história toda. As perseguições e os deboches acerca da fama dos protagonistas são outro trunfo. Arthur Penn foi indicado três vezes ao Oscar de melhor direção, uma antes desse filme, outra por esse filme e outra depois de filme. Seu trabalho é algo impressionante por termos cenas de perseguições e cenas de tiroteio tão bem realizadas, mesmo existindo limitações. O roteiro foi escrito por roteiristas, na época, inciantes, que tiveram suas carreiras iniciadas justamente por esse filme, que lhes rendeu uma indicação ao Oscar: David Newman, de “Superman: O Filme” (1978), Robert Benton, do maravilhoso “Kramer vs. Kramer” (1979) e de Robert Towne (não creditado) de “Chinatown” (1974). E é importante lembrar que a união desse roteiro excelente e de Penn resultou em um longa revelador que pode ser considerado uma das maiores inovações da época, trazendo mudanças no cinema que refletiram na geração sexo-drogas-rockn’roll, que se destacou nos anos 80, até hoje.


Todos os interpretes do quinteto que compõe a trupe foram indicados ao Oscar. Warren Beatty (Clyde) e Faye Dunaway (Bonnie) foram indicados nas categorias de ator e atriz principais, respectivamente, Gene Hackman (Buck) e Michael J. Pollard (Moss) foram indicados na categoria de ato coadjuvante e Estellle Parsons (Blanche) venceu na categoria de atriz coadjuvante por sua interpretação de uma mulher histérica. Beatty interpreta Clyde de forma inteligente: o homem se torna um mistério, ele tem suas manias e seus trejeitos, o que o torna um homem comum, cheio de seus problemas, seus desejos e seus sonhos. Beatty é simples e muito natural em sua interpretação e chega a comover em certos momentos. Faye Dunaway começou sua carreira, verdadeiramente, após viver Bonnie no cinema, no filme ela nos apresenta uma moça desesperada para deixar a cidade insuportável onde vive o quanto antes, mesmo que isso signifique cometer verdadeiras loucuras. Dunaway é intensa e forte o tempo todo, cheia de vida. Pollard é um garoto jovem que não tem nada a perder e que resolve se aventurar, na época o ator já tinha seus 28 anos e trabalhava desde os 20, mas o que vemos é um jovem violento sedento do gosto pela aventura. Gene Hackman que, mais tarde venceria 2 Oscars por suas atuações, vive um homem que deseja começar uma nova vida, mas que se vê tentado demais a não partir com o irmão na aventura de sair roubando bancos. Hackman é o típico ex-presidiário que deseja ter uma nova vida longe do crime, mas, ao mesmo tempo, é o típico homem que não consegue deixar um vício. Estelle Parsons não venceu seu Oscar à toa, suas concorrentes eram de peso, mas sua atuação como uma mulher que está à beira de um ataque de nervos a todo tempo é completa e muito bem estruturada, uma construção impecável, que mistura ódio e pena vindos do espectador, uma construção que apenas um grande atriz seria capaz de fazer.



Como apontei, esse filme foi um marco para o cinema. O Oscar nos mostra isso: é uma comédia de humor negro sobre dois bandidos que matam dezenas de pessoas e roubam bancos a torto e direito e conseguiu a façanha de ser indicado a 10 Oscars, levando o prêmio em 2 categorias. O longa é recheado de violência, de barulho (pessoas gritando, pessoas atirando, pessoas morrendo), não parece haver muita lei e os bandidos vão de um estado a outro buscando a liberdade. Em meio a tudo isso, o longa ainda consegue ser divertido, engraçado e inspirador. Não que assisti-lo seja uma motivação para roubar e matar, mas é uma motivação para viver. Essa tal liberdade que os personagens procuram é contagiante e o final épico e perfeito nos alerta quanto a consequências de nossas insanidades. Não há como deixar de esquecer daquele ditado que todos adaptam ao seu gosto: quem rouba uma vez, rouba duas; quem mata uma vez, mata duas, e por aí se vão Bonnie e Clyde até o fim de suas vidas.


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054. GAROTA, INTERROMPIDA, de James Mangold

Um drama psicológico como poucos.
Nota: 9,6


Título Original: Girl,Interrupted
Direção: James Mangold
Elenco: Winona Ryder, Angelina Jolie, Whopi Golberg, Brittany Murphy, Clea DuVall, Elisabeth Moss, Vanessa Redgrave, Jared Leto, Jeffrey Tambor
Produção: Cathy Konrad, Douglas Wick, Carol Bodie, Gerogia Kacandes, Susanna Kaysen e Winona Ryder
Roteiro: James Mangold, Lisa Loomer, Anna Hamilton Phelan e Susanna Kaysen (romance)
Ano: 1999
Duração: 127 min.
Gênero: Drama / Thriller

EUA, 1967, a jovem Susanna Kaysen é identificada por um psicanalista com vítima do Transtorno de Borderline (instabilidade emocional) e é enviada a uma hopital psiquiátrico. Uma vez no hospital, Susanna conhecerá outras garotas com problemas mentais, todas com suas semelhanças e diferenças bem delimitadas. Dentre elas, Está Lisa Rowe, uma sociopata que é a personificação do Transtorno de Personalidade Antissocial.


O diretor James Mangold possui apenas nove filmes em seu currículo. Porém, conquistou a façanha de reunir grandes elencos em alguns deles: “Kate & Leopold” (2001), com Meg Ryan, Hugh Jackman e Liev Schreiber; “Identidade” (2003), com John Cusack, Ray Liotta, John Hawkes e Alfred Molina; “Johnny & June” (2005), com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, vencedora do Oscar de melhor atriz pelo filme; “Os Indomáveis” (2007), com Russell Crowe, Christian Bale, Peter Fonda e Bem Foster; e, por fim, “Encontro Explosivo” (2010), com Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Paul Dano e Viola Davis. Mas, inquestionavelmente, seu mais brilhante filme, e seu mais brilhante elenco, são “Garota, Interrompida”: Winona Ryder, Angelina Jolie, Clea DuVall, Brittany Murphy, Elizabeth Moss, Jared Leto (todos jovens na época, que tiveram sucesso estrondoso após esse longa), e veteranas como Whopi Goldberg e a fantástica Vanessa Redgrave. O filme é uma daptação do romance de Susanna Kaysen, que relatou os acontecimentos de sua vida no livro de mesmo nome. Não li nenhuma linha do romance de Kaysen, mas posso dizer, em dúvida, que o filme é algo surpreendente. O roteiro não possui falhas e não tenta nos inserir no contexto como o drama, “Ilha do Medo”, de Martin Scorsese, tentaria (ou melhor, conseguiria), onze anos depois. É claro que o que nos é apresentado é um drama psicológico, afinal, estamos diante de um manicômio feminino com as mais variadas doenças e manias. Além disso, as garotas do filmes são jovens bonitas e sensuais, as quais qualquer homem desejaria. Ainda sobre a beleza das moças, é inevitável pensar que qualquer jovem gostaria de ser como Angelina ou Winona. Jolie, por sinal, venceu o Oscar, o Globo de Ouro e o SAG de melhor atriz coadjuvante por sua interpretação incrível de Lisa Rowe, e é necessário falar sobre a beleza da personagem. Digo, não sobre a beleza estética da atriz, e sim sobre a beleza da construção da personagem, que é a representação de toda a loucura, toda a insanidade, mas que, ao mesmo tempo, é a representação da vida e da morte do hospital. Sem Rowe, o hospital é sem graça, dessiteressante e ela se torna assunto obrigatório. Quando Lisa está, tudo é uma catástrofe, e ela faz questão de lembrar sua presença a todo instante.


Winona Ryder interpreta Susanna Kaysen com uma singularidade essencial: no início da trama, vemos uma jovem com problemas, mas, nem de longe, tão problemática quanto se tornará no decorrer da trama. Ryder nos traz todo esse processo de forma nítida e completa, mostrando a confusão que está a cabeça da jovem. Angelina Jolie pode se gabar em dizer que seu Oscar foi conquistado por méríto e não por campanhas. Até concordo com pessoas que alegam a dificuldade em saber se a atriz estava interpretando ou vivendo um pouco de si mesma no cinema, mas isso não diminui a grandiosidade de seu trabalho interpretando uma jovem com tantos altos e baixos e, como já citei, personificando a sociopatia. Como disse anteriormente, as personagens que compõe as pacientes do hospital são muito diversificadas, já apresentei uma em início de tratamento e outra veterana, agora as reais coadjuvantes da trama. Georgia Tuskin é vivida por Clea DuVall, que nos apresenta uma garota tímida e influenciável, que acaba se apagando em detrimento de suas companheiras no hospital (que fique claro, quem se apaga é a própria personagem,o que faz com que a interpretação da atriz fique ainda mais rica e perceptível). Elizabeth Moss é Polly Clark, uma garota que sofreu um acidente e tem o rosto queimado, o acidente traz lembranças péssimas a menina e seus ataques depressivos são outro ponto forte da trama. Por fim, entre as doente, está Brittany Murphy na maior interpretação de sua carreira como a melodramática Daisy Randone, uma jovem de família rica que vê seu mundo desabar devido a sua doença. As cenas em que Murphy transforma a vida de sua personagem em consecutivas catástrofes, com manias e trejeitos únicos, são momentos meoráveis para o forte cinema de 1999. Para finalizar a análise das interpretações, volto a citar as veteranas. Whoopi Goldberg está totalmente diferente daquela simpática comediante a qual nos acostumamos, é a dura enfermeira Valerie Owens, que trata tudo com muita inteligência e pulso firme, mas que consegue demostrar no olhar o quanto sente por meninas tão belas, jovens e que possuem tantas chances na vida estarem naquele hospital, não por escolha própria, e sim por necessidade. Apesar desse tal pulso firme, a interpretação de Goldberg é a mais comovente do longa. Vanessa Redgrave fecha, com chave de ouro, esse elenco estupendo. Ela é a Dr, Sonia Wick, a psiquiatra do local. Vencedora de um Oscar e indicada mais cinco vezes, a inglesa nos apresenta uma personagem sóbria, que faz seu trabalho com muita decência, cautela e competência. Mais uma vez, quaisquer palavras que fossem usadas seriam pouco para definir a grandiosidade que essa atriz adquiriu durante os anos, tornando-a a capaz de ser perfeita em qualquer situação.



“Garota Interrompida” não é nenhum thriller psicológico como os feitos por Alfred Hitchcock e Martin Scorsese, porém, é preciso tanto fôlego para assistir ao assassinato de Marion Crane, quanto os métodos a que as doentes acabam sendo submetidas no hospital psiqueátrico. Enquanto o suspense e o terror se instalavam em “A Ilha do Medo” graças à habilidade de Scorsese em nos envolver na trama a ponto de não sabermos o que é real ou imaginário, os calafrios desse filme são proporcionados por vermos jovens serem maltratadas pela vida devido a suas doenças. O ponto forte do longa, o clássico clímax, também instalado por Hitch e Scorsese é quando as garota pegam o diário de Susanna e se escondem no subsolo do hospital. Susanna se esqueira em túneis intermináveis sem saber o que a aguarda. É inevitável não lembrar das cenas dos filmes citados dos mestres do cinema: o Detetive Arbogast subindo as escadas da casa dos Bates (escada que representou o caminho de sua morte em “Psicose”, de 1960) e o Detetive Teddy Daniels, vivido por Leonardo Di Caprio, andando atônito pelos corredores do grande manicômio central da trama (mal sabia ele que esse seria o caminho para a conclusão de sua completa loucura). “Psicose” até pode ter influenciado em alguma coisa a cena do longa, “Paciente 67” (livro que deu origem a “A Ilha do Medo”) nem havia sido lançado quando o longa foi realizado. Entretanto, o que quero dizer fazendo referência a esses dois longas é que não sabemos ao certo quais momentos dos filmes são reais, e quais deles são imaginações dos nossos protagonistas. É impossível tecer uma conclusão específica em meio a tantas loucuras e incertezas. O fato é que, assim como “Psicose” fez e “A Ilha do Medo” faria mais tarde, “Garota, Interrompida” é um longa perturbador que aposta no melhor para nos persuadir a mergulhar de cabeça na história: a dúvida proporcionada pela insanidade.


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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

055. GANGUES DE NOVA YORK, de Martin Scorsese

Em um de seus maiores filmes, o maior diretor da história do cinema revela as mãos, o sangue e a corrupção que construíram a América e todo o resto do mundo.
Nota: DEZ


Título Original: Gangs Of New York
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Daniel Day Lewis, Carmeron Diaz, Jim Broadbent, John c. Reilly, Henry Thomas, Leam Neeson, Brendan Gleeson, Gary Lewis, Stephen Graham, Eddie Marsan, Alec McCowen, David Hemming, Mychael Byrne
Produção: Alberto Grimaldi, Harvey Weisntein, Bob Weinstein,
Roteiro: Jay Cocks, Steven Zaillian, Kenneth Lonergan e Herbert Asbury (romance)
Ano: 2002
Duração: 167 min.
Gênero: Drama / Crima / História

Em 1847, irlandeses e nativos americanos brigavam pela região dos Cinco Pontos em Nova York. Durante a rápida batalha, o líder dos irlandeses, Padre Vallon, é assassinado brutalmente pelo líder dos nativos, Bill “O Açogueiro” Cutting. Após 16 anos, em plena Guerra da Secessão nos Estados Unidos, o filho de Vallon, Amsterdam, infiltra-se na gangue de Bill com o intuito de esperar a hora perfeita para matá-lo em frente a todos os seus seguidores. Entretanto, muito mais que apenas uma vingança está em jogo: a cidade de Nova York passa por mudanças que afetarão a todos seus habitantes.


Martin Scorsese já tem uma marca bem conhecida na sétima arte: seu amor e louvor por sua cidade natal, Nova York. Aqui, o diretor nos revela o passado sujo, nada glamoroso e totalmente desonesto dessa que se tornou a cidade mais importante do mundo. Para começar, temos a revelação de que a cidade era controlada por gangues terríveis que mandavam e desmandavam da forma que achavam melhor – posteriormente, isso seria papel das grandes famílias italianas, mafiosos vistos em longas como “O Poderoso Chefão” e “Os Bons Companheiros”. Além disso, os lados no início da trama dividem-se entre católicos (irlandeses) e protestantes (americanos), denotando como a América foi construída por tantas pessoas diferentes. Após passarem os 16 anos, não mudou muita coisa, todavia, é Bill quem comanda todo o local, sob o comando do político Tweed William ‘Boss’, outro homem sem honra ou dignidade alguma. Durante o longa, conferimos os defeitos do sistema criado na “Nova Inglaterra”, vemos as guerrilhas dentro da própria Nova York que pedem por melhoria no país e clamam pelo fim da Guerra da Secessão que deixou algumas famílias do país desoladas. Ainda podemos refletir um pouco sobre como toda a cidade de Nova York estava confusa, como tudo era uma bagunça ao passo que, enquanto imigrantes chegavam vindos da Itália, por exemplo, os “filhos da América” eram obrigados a pegar em armas e lutar por seu país. Por fim, nada que mude com o sistema corrupto e vigente da época pareça ser bem vindo, deixando com que a lei do mais forte e do mais esperto se sobreponha ao justo e honesto. Curiosamente, vale lembrar que Tweed ‘Boss’, um personagem real da história americana (assim como muitos outros personagens dessa história, incluindo Bill, que foi baseado em personagem real da época), bem como sempre aconteceu com os grandes políticos da história, não suja suas mãos com sangue, deixa isso para seus “milhares de açougueiros”, reservando-se ao direito de utilizar suas mãos apenas para contar seus dólares.


Algumas pessoas gostam de apontar os defeitos desse filme falando sobre a falta de realidade de algumas batalhas durante a trama, dizer que esse ou aquele ator parece estar no filme para debochar de uma produção tão ridícula e que todo o enredo não possui nexo algum. Defeitos existem nesse filme, mas são poucos comparados com a beleza estética e com a grandiosidade das interpretações de atores muito bem selecionados que passam desapercebidos. Não digo isso apenas por ser um admirador e defensor inquestionável do estilo e do trabalho de Martin Scorsese, digo isso por que acredito que um trabalho tão minucioso como esse deve ser valorizado como merece. Portanto, aponto como o elenco é bom escolhido, aponto como o figurino está belo (principalmente por ser tão característico com os costumes de cada povo), aponto a falta de pudor de Martin ao mostrar Nova York como ela realmente era, sem fazer rodeios ou enrolar o espectador, aponto como o diretor tem a facilidade de alternar cenas de lugares sombrios para lugares claros, de lugares abertos para lugares fechados. Nesse contexto, também sou obrigado a apontar que poucos filmes possuem mais de 160 minutos, como esse, e conseguem fazer com que o assistamos sem monotonia, sem querer que tudo acabe logo. O fim demora a chegar, mas ele vem de forma tão agradável que nos divertimos do começo ao fim (e acredito que um dos maiores trunfos seja trazer personagens reais e eventos reais que acorreram nos EUA). Por fim, aponto a genialidade da trilha sonora composta por Howard Shore, que mistura gêneros e ritmos típicos de todas as culturas que colonizaram os EUA, comprovando, mais uma vez, a miscigenação da América, destaque para a canção do U2 “The Hands That Built America”.


Essa é a primeira parceria entre Leonardo DiCapio e Martin Scorsese, o ator vive Amsterdam, um jovem sedento por vingança que está disposto a tudo para fazer justiça com as próprias mãos. Mesmo que o ator já estivesse perto de completar 30 anos na época em que o longa foi filmado, ele consegue trazer um pouco da infantilidade do personagem por ser jovem, o que se contrasta com a maturidade do rapaz por ter sido criado sozinho no mundo. Daniel Day-Lewis vive Bill Cutting de forma realmente debochada, mas não é que o ator deboche do filme, ele satiriza a forma absurda como funcionava o sistema na época; como de costume, Day-Lewis está excelente no papel, conseguindo a façanha de nos confundir se ele é o vilão da história, ou se apenas está fazendo o que deve ser feito, afinal, é a lei da selva e da guerra: ou você mata, ou você morre. Cameron Diaz é a mocinha da vez (por que nenhum filme pode ser composto apenas por homens), Jenny, uma mulher sedutora que tem como mania roubar os outros; mesmo que eu tenha o costume de não gostar de nenhuma mocinha de qualquer filme americano, essa não é uma garota comum, Diaz dá à personagem um caráter forte de uma mulher que já passou por poucas e boas e não é nenhuma santa. Jim Broadbent, um dos melhores atores ingleses de sua época, é William Tweed, como disse, um homem que não suja suas mãos e a atuação de Broadbent fica ainda mais bela quando vemos a despreocupação dele em relação ao bem estar da população, dando prioridade às eleições em qualquer circunstância.



“Gangues de Nova York”, semelhante a “Taxi Driver”, também de Scorsese, mostra o lado escuro de Nova York, diferentemente de “Taxi”, que aborda os problemas e a escória da cidade no Século XX, “Guangues” traz um panorama de NY quando a cidade ainda estava se formando. Sendo assim, um filme acaba completando o outro – como a maioria dos longas do diretor que retratam a cidade -, pois um fala sobre a criação de todo o sistema governamental e da chegada de diversos povos até a América, e o outro nos mostra como a cidade se tornou suja e nos apresenta a escória que começou a ser formada séculos atrás, por uma marginalização provocada pelos poderosos da época. Mesmo que esse tenha sido o momento de Martin mostrar, da forma mais nua e crua possível, como Nova York não foi criada baseada em pilares democráticos e politicamente corretos, a beleza do filme não se perde, afinal, é mais um momento na carreira desse diretor brilhante em que ele satiriza e critica a forma tosca como o ser humano deixa que outras pessoas o controlem. E mais: mostra como todas as cidades do mundo, sejam pequenas, sejam as mais importantes do planeta, possuem seu passado negro de obscuridade e vermelho de sangue.


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sábado, 9 de novembro de 2013

056. SOB O DOMÍNIO DO MEDO, de Rod Lurie

É fraco em comparação a qualquer filme do gênero
Nota: 7,0


Título Original: Straw Dogs
Direção: Rod Lurie
Elenco: James Marsden, Kate Bosworth, Alexander Skarsgard, James Woods, Daminic Purcell, Rhys Coiro, Billy Lush, Laz Alonso, Willa Holland, Walton Goggins
Produção: Gilbert Dumontet, George Flynn, Marc Frydman e Beau Marks
Roteiro: Rod Lurie, David Goodman Zelag (roteiro 1971), Sam Peckinpah (roteiro 1971) e Gordon Williams (romance)
Ano: 2011
Duração: 110 min.
Gênero: Thriller / Drama

David Summer é um roteirista de cinema que se muda para a cidade natal de sua esposa, Amy, no interior do Mississipi. Ao chegarem lá, conferem o quanto a população se lembra de Amy e se orgulha da menina que foi para a cidade grande e se tornou uma grande e conhecida atriz de cinema. Entretanto, algumas coisas que deviam ficar no passado ainda incendeiam o local. Dentre elas, um antigo namorado de Amy, Charlie, agora um homem respeitado na cidade que faz David perder a credibilidade a cada instante. O pior é que Amy e David nunca imaginaram que seria tão difícil voltar para casa.


Em 1971, Sam Peckinpah realizou esse mesmo filme, com Dustin Hoffman no papel principal, Susan George como Amy e Del Henney como Charlie. O longa foi um sucesso e chegou a ser dito como o melhor filme da carreira de Peckinpah, que trouxe uma inovação para o cinema tornando as cenas de ação o mais realistas possível. Cenas sanguinárias realistas já não são mais uma novidade no cinema, o estrupo precisa ter muito apelo dramático e sexual para ser considerado algo diferente, incêndios catastróficos são algo obrigatório todos os anos em Hollywood e homens que deixam de ser imbecis e se tornam grandes heróis já se tornaram um clichê muito sem graça. Acredito que, principalmente por esse motivos, essa nova versão de “Sob o Domínio do Medo” tenha sido um fracasso tão grande. Apesar de gostar da história do longa e achar que ele é bem editado, todos sabem que refilmagens no cinema geralmente não dão certo, provando o quanto refilmar pode ser algo insensato e muito arriscado: “Psicose”, de Hithcock tinha apenas um motivo para ser bom, era inovador e misterioso, depois que todos souberam o final do longa, qualquer remake iria por água abaixo, e o foi o que aconteceu com o longa de 1998; “Adivinhe quem vem para Jnantar” era protagonizado por Katherine Hepburn e Sidney Poitier e fez sucesso por abordar o racismo de forma tão bela, já a refilmagem, “A Família da Noiva”, inverte papeis e tem um elenco medíocre; o longa “Fama”, um dos mais famosos dos anos 80, foi refilmado deixando de lado a música “Fame” e tentando adaptar tudo para a atualidade, deixando todo o fascínio do original de lado.


James Marsden ficou conhecido entre os jovens por sua interpretação mediana como Scott Summers, o Ciclope da série “X-Men”, fez mais algumas comédias simpáticas e trabalhou na televisão, mas nunca teve nenhum grande papel a sua disposição para mostrar se é ou não um bom ator. Eu acho que Marsden tem potencial a ser desenvolvido, e ele não é nada desenvolvido nesse filme. Como David Summer, o ator está bem, mas nada além disso. Seu maior trunfo era a passagem do nerd idiota para o homem agressivo e vingativo, disposto a lutar por sua esposa, como a parte agressiva ele está bem, mas como o homem nerd ele está um pouco fraco e não parece ter muito a mostrar, para um roteirista de Hollywood, que deve lidar com todas as loucuras das estrelas de cinema em um ramo onde todos tentam derrubar todos, Summer é pouco presente. Kate Boswarth já havia feito alguns trabalhos para o cinema, todos muito diferentes, mas nenhum onde se destacou muito. A bela dá vida a Amy, uma atriz de Hollywood que volta a sua cidade natal para viver tranquila na casa de campo que herdou de seu pai. Mesmo que Bosewarth seja bonita, ele não consegue ser sexy o suficiente para provocar os rapazes da cidade como deveria. A personagem não provoca seus antigos colegas por querer, apenas é um fato: quando uma mulher se sente desejada tudo muda a sua volta e ela se torna mais vulnerável que o normal, porém, a atriz é pouco sensual e tem pouca presença na trama. Alexander Skarsgard é o frio Charlie, o ator ficou conhecido por ser o filho mais velho do sueco Stellan Skarsgard e por encabeçar a série True Blood, apesar de gostar de Skarsgard como o frio vampiro Eric, acredito que ele poderia ser menos frio e ter mais expressões nesse filme, o que acaba não acontecendo. Mesmo assim, a cena em que violenta Emy é levada muito bem pelo ator, que se mostra um real dominador e deixa o espectador na expectativa se acorrera ou não o estupro. Destaco, também, as interpretações de James Woods e Dominic Purcell, respectivamente, o antigo treinador do time da cidade e o doente mental que é suspeito de assassinar a filha do treinador.



Apesar de, normalmente, refilmagens não serem um bom negócio para o cinema, filmes como “Os Infiltrados”, “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “Scarface” e “Drácula de Bram Stocker” são refilmagens que contrariaram tudo o que disse a cima e deram super certo. Não que os longas originais desses filmes não fossem bons, eles eram, mas suas refilmagens foram ou tão boas quanto, ou melhores que os primeiros. A pergunta que fica é por que histórias tão boas como as de “Psicose”, “Adivinhe quem Vem para Jantar”, “Fame” e “Sob o Domínio do Medo” deram tão errado em suas refilmagens. A responta é simples: peca-se no elenco, ou na direção, ou na adaptação do roteiro, ou pior, a história é modificada da forma errada e põe tudo a perder. Acredito que “Sob o Domínio do Mal” tenha um elenco fraco, uma direção sem graça e um roteiro enrolado demais, que demora para trazer ação à trama. Dessa forma, o filme pode ser agradável para quem gosta do gênero thriller e procura por uma distração e não por um filme complexo e bem construído que não sairá de sua cabeça por dias, pois definitivamente, esse longa não se encaixa nesse segundo segmento.


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057. MADAGASCAR 3: OS PROCURADOS, de Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon

O mais engraçado da franquia.
Nota: 9,2


Título Original: Madagascar 3: Europe’s Most Wanted
Direção: Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon
Elenco (dublagem): Bem Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith, Sacha Baron Cohen, Cedric the Entertainer, Andy Richter, Frances Macdormand, Jessica Chastain, Bryan Craston, Martin Short, Chris Miller
Produção: Holly Edwards, Mireille Soria e Mark Swift
Roteiro: Eric Darnell e Noah Baumbach
Ano: 2012
Duração: 93 min.
Gênero: Animação / Comédia / Aventura

Alex se desespera quando os pinguins fogem da África, deixam-nos para trás e nunca mais voltam. Decididos a fazer alguma coisa, Alex, Marty, Melman e Gloria vão atrás das aves. Chegando a Monte Carlo, os animais encontram os pinguins em um cassino e, de forma inimaginável, chamam a atenção de todos. Sendo assim, desejosos de voltar para Nova York, os animais se infiltram em um circo que viajará para Londres, onde um observador decidirá se o circo tem condições ou não de ir para a América.


Os últimos 15 anos foram anos importantes para o setor de animação no cinema mundial. Dezenas de filmes do gênero foram lançados e técnicas e mais técnicas surgiram no mercado para melhorar o resultado dos mesmos. Dentre as animações mais importantes dos últimos anos temos: “Formiguinhaz” (1998), “Shrek” (2001), “Madagascar” (2005) e “Megamente” (2010). O que todos eles têm em comum? As participações de Eric Darnell, Tom MacGrath e Conrad Vernon, diretores de “Madagascar 3”. Acredito que uma das coisas mais interessantes em assistir animações com continuações não chega a ser comparar a história de um com a de outro, e sim ver como a qualidade das produções muda, nesse caso, para melhor. Este terceiro filme da “trilogia” tem cores mais vivas, é o mais engraçado dos três e a composição dos movimentos dos personagens – nunca tantos animais estiveram na mesma cena tantas vezes como nesse filme – é perfeita. Além disso, o roteiro, escrito por Eric Darnell e Noah Baumbach, também roteirista de “A Lula e a Baleia” (2005) e “O Fantástico Sr. Raposo” (2009), tem sacadas ótimas e críticas muito criativas acerca de certos temas de nosso cotidiano. Para completar, Hans Zimmer nos presenteia com uma trilha sonora que mistura suas excelentes composições originais com músicas populares de ontem e hoje, dando uma característica jovial e muito alegre ao enredo.



A amizade é um sentimento recíproco durável apenas quando é alimentado dia após dia. Aqui, vemos a amizade inseparável entre Alex, Marty, Melman e Gloria, que viveram desde sempre no zoológico em Nova York e sempre parecem dispostos a nunca se separar, haja o que houver. Além disso, vemos a criação de novas amizades entre nossos habituais protagonistas e os animais do circo onde estão se escondendo. E o mais importante do que a produção apresenta, é mostrar exatamente isso: como é belo ter amigos, como é necessário ser fiel e valorizar os amigos e estar ao lado deles em qualquer situação.


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