segunda-feira, 18 de novembro de 2013

045. UMA LINDA MULHER, de Garry Marshall

Uma forma simples, bela, inteligente e agradável de quebrar tabus sem ofender à nenhuma geração.
Nota: 9,0


Título Original: Pretty Woman
Direção: Garry Marshall
Elenco: Julia Roberts, Richard Gere, Ralph Bellamy, Jason Alexander, Laura San Giacomo, Alex Hyde-White, Amy Yesbeck, Elinor Donahue
Produção: Aron Milchan, Steven Reuther
Roteiro: J. F. Lawton
Ano: 1990
Duração: 119 min.
Gênero: Comédia / Romance

Durante o dia, milhões de pessoas passam pela Calçada da Fama em Hollywood fotografando as estrelas de pessoas famosas. Durante a noite, essas estrelas e esses nomes servem para apenas um propósito: delimitar o espaço de atendimento das prostitutas. Vivian Ward é uma dessas prostitutas que trabalha na Calçada da Fama. Edward Lewis, por sua vez, é um empresário rico que está de passagem por Los Angeles e precisa de companhia. Agora, Vivian e Edward irão unir o útil ao agradável.


O sonho de qualquer mulher, não importa a classe social ou o tipo de emprego que tenha, é, em algum momento da vida, ser arrebatada por um belo homem que se proponha a fazer tudo por ela, ou, ao menos, sustentá-la. E se esse “príncipe encantado” vier montado em um porshe ao invés de um cavalo e estiver hospedado na suíte do hotel mais caro de um grande cidade ao invés de possuir castelos, melhor ainda. É isso o que acontece com Vivian, e mais, ele está disposto a gastar horrores de dinheiro com ela para que ela se torne uma dama. O problema é que esse príncipe propõe um negócio, não um plano de vida: toda essa mordomia, facilidade e esse sexo com um homem bonito durará apenas alguns dias e, depois, Vivian voltará a ser apenas mais uma profissional do sexo andando de um lado ao outro da Sunset Boulevard. Esse filme poderia ser um drama terrível sobre a pobre prostituta que vê sua chance de ser uma rica mulher ir por água abaixo ou um filme imbecil sobre uma prostituta que ve sua chance de dar um golpe ir por água a baixo, isso, se não fosse dirigido pelo ótimo Garry Marshall. O diretor, indicado a 4 Emmy’s, foi o responsável não apenas por popularizar Julia Roberts como um síbolo feminino de beleza para mulheres e de desejo para homens, e sim, por trazer de volta as comédias românticas que, como “Uma Linda Mulher”, “Noiva em Fuga” (1999), “Idas e Vindas do Amor” (2010) e “Noite de Ano Novo” (2011), celebram o amor de forma bela, misturando o real com o fantasioso, a verdade com a idealização e nos servindo como modelo para termos a certeza de que românticos ainda não foram extintos.


Foi com “Uma Linda Mulher” que Richard Gere e Julia Roberts se tornaram símbolos sexuais sem apelação alguma, ou seja, eles passaram a ser desejados e admirados, mas nunca representando vulgaridade. Roberts ainda não tinha uma carreira consolidada, havia realizado poucos filmes e era um iniciante no auge de seus 23 anos. Não era o ideal de beleza que temos hoje, mas já era uma atriz muito competente que não deixou a peteca cair em nenhum momento do longa, provando sua qualidade como atriz e se tornando a mais linda mulher do mundo por sua simpatia, seu carinho e seu talento. Como Vivian, ela eternizou a beleza dos anos 90 e nos trouxe uma personagem que batalha na vida para atingir seus sonhos. Além disso, Roberts nos presenteia com uma mulher simples, sincera, honesta e de um coração enorme, que prova que os valores espirituais sempre serão mais importantes que os valores materiais. Richard Gere, por outro lado, já era conhecido e tinha uma carreira consolidada. Já era um homem que chamava a atenção, mas interpretar o rico Edward Lewis lhe trouxe o apelo sentimental com o qual o personagem trata uma prostituta e lhe garantiu o posto de homem mais desejado da década de 90. Além disso, Gere tem uma interpretação belíssima de um homem sem preconceitos, que não trata Vivian de forma diferente pelo fato de ela ser uma profissional do sexo.


De tempos em tempos, o cinema aparece com novidades impressionantes que desafiam os padrões sociais e culturais do mundo todo. “Bonequinha de Luxo” (1961) trouxe Audrey Hepburn no papel de uma prostituta e George Peppard como praticamente um gigolô, porém, em momento algum os personagens são tratados diretamente como tais: Hepburn volta para casa apenas ao amanhecer, Peppard se despede de uma “amiga” recebendo dinheiro dela. Em 1976, progredimos com esse tema e Martin Scorsese, em seu brilhante “Taxi Driver”, chegou a mostrar uma jovem prostituta levando um cliente para seu quarto. No início da década de 80, o próprio Richard Gere nos mostrou o lado masculino da coisa em “Gigolô Americano” (poucas vezes a prostituição masculina seria mostrada de forma tão reveladora). Em 1990, “Uma Linda Mulher” rompeu com todos os padrões possíveis e revelou uma prostituta que não via sua vida como depressiva, que fazia isso por não ter outra opção, mas também por saber como era mais fácil agir dessa forma a tentar outros trabalhos considerados mais dignos pela sociedade. Cinco anos depois, a prostituição masculina voltou a ser tema com “O Diário de um Adolescente”, protagonizado por Leonardo DiCaprio, mostrava um jovem viciado que tinha que se prostituir para comprar drogas. “Moulin Rouge! – Amor em Vermelho” (2001), devido a toda sua teatralidade e sua beleza estética, deixa a prostituição subentendida em um contexto relacionado a uma casa de shows. Por fim, com nacionalidade brasileira, o longa “Bruna Surfistinha” (2011), trouxe Deborah Secco na adaptação da vida da garota de programa Raquel Pacheco sem pudores ou vergonhas.



Nesse contexto, “Uma Linda Mulher” foi um divisor de águas, não apenas por se tratar sobre o tema da prostituição, que passou a ser mais abordado e menos preconceituoso no cinema após esse filme, e sim, como um modelo de quebra de tabus. Qual o problema em ser uma prostituta? Qual o problema em ser homossexual? Qual o problema em ter vários relacionamentos? Qual o problema de se falar sobre sexo? Qual o real problema de gostar de fazer sexo? Qual o problema de pessoas velhas se apaixonarem e quererem viver esse amor? Qual o problema de pessoas de idades muito diferentes se apaixonarem? Em suma, qual o problema de um ser humano querer viver sua vida sem ser julgado? E quem somos nós para julgar os desejos ou moldes alheios? O que menos importa nesse filme é se é um longa com qualidade técnica ou não (até por que, a qualidade técnica de 1990 está longe de ser comparada a do tempo em que vivemos hoje), o que interessa é que Vivian e Edward nos mostram  que o mais belo da vida é deixar de se importar com os outros, viver sua vida sem se importar com o que os outros pensam e sem cuidar da vida alheia. Esse casal improvável mostra, de forma simples, bela e romântica que mais vale viver um amor, seja qual for, a chorar por sua perda no futuro.


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046. JOVENS ADULTOS, de Jason Reitman

A típica comédia dramática que expõe a vida e seus problemas sem nenhuma repreensão.
Nota: 9,1


Título Original: Young Adult
Direção: Jason Reitman
Elenco: Charlize Theron, Patton Oswalt, Padrick Wilson, Elizabeth Reaser, Collette Wolfe, Jill Eikenberry, Richard Bekins, Mary Beth Hurt, Kate Nowlin, Jenny Dare Paulin
Produção: Diablo Cody, Lianne Halfon, Mason Novick, Jason Reitman, Russell Smith, Charlize Theron
Roteiro: Diablo Cody
Ano: 2011
Duração: 94 min.
Gênero: Comédia / Drama

Mavis Gary é uma escritora de livros juvenis que vive uma vida desastrosa: está divorciada, é alcoólatra e percebe que ainda é apaixonada pelo seu namorado da época do colégio. Sendo assim e decidida a mudar de vida, Mavis resolve voltar à sua cidade natal e tentar reconquistar Buddy, o antigo amor. O problema é que o cara está casado, acaba de ter uma filha e é um homem feliz. Bom, isso seria um problema para pessoas comuns, mas não parece ser um empecílho para Mavis.


Jason Reitman tem apenas 13 títulos em seu currículo, dentre eles, 6 são curtas, dois são séries e apenas 5 são longas. Todavia, é de extrema importância dizer que desses, quatro longas estão estre as melhores comédias dramáticas dos últimos dez anos. São: “Obrigado por Fumar” (2005), “Juno” (2007), “Amor Sem Escalas” (2009) e “Jovens Adultos” (2011). Recentemente, o diretor lança o drama “Refém da Paixão” (2013), com Josh Brolin e Kate Winslet. Voltando às comédias, vale lembrar que cada uma é única, e temas como contradição, escolhas, vida profissional e decadência são abordados. A semelhança entre os longas é simples: todos são comédias que mostram a vida como ela é, de forma nua e crua, sem rodeios ou tentativas de enaltecer algo que não pode ser enaltecido. Em “Obrigado por Fumar”, o protagonista faz propagandas de cigarros ao mesmo tempo em que deve induzir o jovem filho a não usar drogas, em “Juno”, uma adolescente engravida e resolve entregar seu filho a pais adotivos, em “Amor sem Escalas”, o protagonista vive demitindo pessoas pelos EUA e em “Jovens Adultos”, Mavis é uma mulher frustrada que deseja retomar o passado de onde parou e recuperar o tempo perdido. Há ainda uma coisa em comum entre todas essas histórias: os personagens são pessoas reais, com problemas reais, que precisam se conformar com suas vidas, e que não lutam de forma desesperada e dramática em excesso para mudar alguma coisa. Não que sejam histórias de pessoas conformadas, mas são pessoas que sabem que a vida podia ser bem pior. São pessoas como qualquer um de nós, ou seja, se torna impossível não fazer um paralelo com a vida real e não se identificar.


Não há como falar sobre esse longa sem falar um pouco sobre sua roteirista. Diablo Cody é uma ex-stripper que iniciou sua carreira no cinema com a história perturbadora da menina fria que resolve ter seu filho e deixá-lo com um casal bem de vida. “Juno” trouxe um Oscar para Cody e apresentou ao cinema a atriz Ellen Page. Reitman, obteve sua primeira indicação ao Oscar. Diablo ainda roteirizou a série “United States of Tara” (2009-2011), uma série incrível que contava a vida de Tara, uma mulher de várias personalidades, casada com um bom marido, mãe de uma garota à frente de seu tempo e de um jovem homossexual. A série teve um final prematuro por motivos que até hoje desconheço, mas foi um dos programas mais interessantes que já assisti, realmente perturbador e muito inteligente. Por fim, aponto a trilha sonora de Rolfe Kent como mais um trunfo do longa, pois temos músicas de todos os tipos que trazem aquela nostalgia perfeita pra esse tipo de filme.


No auge de seus 28 anos, Charlize Theron interpretou uma assassina lésbica em “Moster – Desejo Assassino” (2003). Com esse filme, a atriz ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e o SAG e consolidou sua carreira, que já estava sendo construída desde sua excelente interpretação como a perturbada Mary Ann Lomax em “Advogado do Diabo” (1997). Theron nunca foi de fazer grandes filmes, mas, quando é de desejo da atriz, ela se entrega e suas interpretações são um arraso. Foi isso o que aconteceu com “Jovens Adultos”, a atriz mostra sua capacidade de atuar do começo ao fim, sem precisar de sua beleza para chamar a atenção em qualquer cena. Os rompantes da personagem, que finge ter uma vida perfeita, são os trunfos de Theron para dar ao longa uma cara mais séria e real. Enfim, Charlize Theron está em uma de suas mais brilhantes interpretações. Patton Oswalt é um ator com centenas de trabalhos conhecidos por seus títulos na televisão, eu o havia visto apenas em “United States of Tara”. Aqui ele vive um gordinho que sofreu bulling no colégio a ponto de ter sequelas para o resto da vida. Matt Freehauf se torna o único amigo de Mavis nessa sua volta insana e será o responsável por trazer aquele drama típico de pessoas derrotadas. Patrick Wilson, um dos atores com quem mais simpatizo de sua geração, é Buddy. Wilson tem a tarefa de desempenhar o papel do bom samaritano, que superou os problemas do passado e agora vive uma vida normal e tranquila, um homem que cresceu e aceitou perder a juventude.



O que levou Mavis Gary a decidir voltar a sua cidade natal e bagunçar a vida de todos? Essa é a inevitável questão que será feita do início ao fim desse longa. Mas será que tudo o que fazemos na vida possui algum sentido ou somos vítimas de nossas própria dúvidas? Será que fazemos tudo de forma racional o tempo todo ou somos condicionados por impulsos? E esses impulsos? Surgem dessas tais dúvidas ou surgem de nossos medos e desesperos quando nossas vidas parecem perder todo o sentido? A protagonista desse longa se agarra ao seu passado, às belezas do que viveu na época do colégio para tentar disfarçar seus problemas atuais. Não julgo as loucuras de Mavis por um motivo simples: quem somos nós para julgar os atos desesperados de uma mulher que tinha tudo para ter uma vida perfeita e, também por problemas do passado, resolve tentar voltar no tempo? E é bem isso que o longa nos mostra, de forma debochada e real: é impossível regressar ao passado e recuperar o tempo perdido. Retomar de onde paramos pode ser algo viável quando duas ou mais pessoas ainda possuem os mesmos desejos de outrora. Entretanto, se existe algo que a ciência ainda não inventou é como recuperar o tempo perdido.


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047. INCONTROLÁVEL, de Tony Scott

Apesar de ser uma boa distração, acaba sendo uma verdadeira decepção.
Nota: 7,5


Título Original: Unstoppable
Direção: Tony Scott
Elenco: Denzel Washington, Chris Pine, Rosario Dawson, Ethan Suplee, Kevin Dunn, Kevin Chapman, Lew Temple, T. J. Miller, Jessy Schram, David Warshofsky, Andy Umberger, Elizabeth Mathis, Meagan Tandy, Dylan Bruce, Jeff Hochendoner
Produção:
Roteiro: Mark Bomback
Ano: 2010
Duração: 98 min.
Gênero: Ação / Thriller

O jovem Will está começando sua carreira como condutor de trens. O veterano Frank é um maquinista prestes a se aposentar. Quando um comboio sem condutor e portando produtos químicos perigosos acarranca da estação, a dupla terá de conviver com as diferenças e se unir para que o trem seja parado e impedido de destruir uma pequena cidade. Juntos, eles verão que a força e a determinação advindas da juventude de Will e a experiência e a sagacidade adquiridas ao longo da vida de Frank são o suficiente para salvar inúmeras vidas.


Tony Scott é um experiente diretor e produtor, que se especializou em filmes de ação e suspense semelhantes a “Incontrolável”. Com Denzel Washington, o diretor já realizou quatro filmes além desse, e ainda possui uma lista de dezenas de bons atores e atrizes os quais dirigiu. Aqui, o trabalho do diretor parece simples: dar gás a uma história interessante que mistura ação, drama e elementos da vida real. Porém, tal tarefa não é tão fácil. Scott começa o filme de forma inteligente e astuta: apresenta os personagens de forma tranquila, sem muita ação ou sem mostrar muito interesse na vida de ambos. Aos poucos, o filme vai tomando forma e ganhando as características conhecidas dos principais filmes de Scott. Apesar de não ser meu estilo preferido de filme, o gênero particular que Tony Scott desenvolveu é preferido de muitas pessoas e digo mais: nenhum de seus filmes é chato ou repetitivo. Todos os longas, sem exceção são filmes que prendem o espectado do começo ao fim. “Incontrolável” não é diferente de nenhum outro. É claro que o longa possui defeitos e está longe de ser uma obra da Sétima Arte, em alguns momentos, por exemplo, é exagerado e muito previsível, o clímax do filme chega como um déjà vu, como se soubéssemos desde o início o que aconteceria. Entretanto, essa previsão não é o suficiente para comprometer todo o longa. O filme é instigante, excitante e eletrizante. As atuações são pesadas e bem realistas. A trilha sonora só ajuda nessa composição que mistura ação com suspense e com incerteza quanto ao sucesso dos protagonistas.


O nome Denzel Washington já diz, por si só, tudo o que possa ser dito sobre esse ator fantástico. Como de costume, não há nenhuma decepção a cerca do trabalho de Washington. Vivendo Frank ele é verdadeiro e simples, demostrando os anseios e as decepções de um homem que ama o que faz, mas que vê sua vida chegando ao fim por ser dispensado. Além disso, o Frank de Washinton é humano, preocupado, sobretudo, com o bem  estar das pessoas que correm perigo pelo trem quase desgovernado que avança sobre os trilhos. Ao lado de Washington está Chris Pine como Will. O ator, evidentemente, não pode ser comparado a Denzel, por motivos óbvios, o veterano é melhor que o iniciante. Todavia, Pine demonstra que é o típico “ator potencial”, ou seja, em determinadas cenas, sua interpretação supera as expectativas e se torna quase tão grandiosa e bela quanto a de Washinton. Pine, dessa forma, nos mostra que tem potencial para ser mais que um rosto bonito, mas ainda falta um pouco para nos trazer essa certeza.



Will, no contexto da trama, é um jovem promissor que está trabalhando como condutor de trens apenas visando o salário no final do mês, ele não se importa muito com a carga ou com todo o resto além dele mesmo. Frank é um homem que já aprendeu muito com a vida, um funcionário que se dedicou ao seu serviço e aprendeu a amar o que faz, e, diga-se de passagem, faz muito bem. É claro, desde o início da trama, que ambos os personagens possuem qualidades e defeitos. Nesse contexto, ambos terão de lidar com suas qualidade e defeitos para uma boa convivência no trabalho. Entretanto, a emergência de parar o trem faz com que os personagens sejam obrigados a saber usar as habilidades de cada um em prol de um bem maior. As diferenças devem ser deixadas de lado e tudo o que está ao alcance deles deve ser feito. No final das contas, mesmo com toda essa filosofia humana de boa convivência, respeito mútuo e um por todos, todos por um, permanece camuflada em um filme sobre a tentativa de parar um trem. E, mesmo com as boas atuações da dupla ou com a qualidade técnica, é isso que o filme se revela: uma tentativa de para um trem.


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048. DE BICO CALADO, de Niall Johnson

Uma boa comédia de humor negro.
Nota: 7,0


Título Original: Keeping Mum
Direção: Niall Johnson
Elenco: Rowan Atkinson, Kristin Scott Thomas, Maggie Smith, Patrick Swayze, Tamsin Egerton, Toby Parkes, Liz Smith, Emilia Foz, James Booth, Patrick Monckton, Rowley Irlan, Vivianne Moore, Murray McArthur, Morgan Gower, Alex Macqueen
Produção: Julia Palau, Matthew Payne, Nigel Wooll
Roteiro: Richard Russo e Niall Johnson
Ano: 2005
Duração: 103 min.
Gênero: Comédia / Crime / Assassinos

Há mais de trinta anos Rosie Jones, uma mulher grávida, assassinou seu marido e a amante do mesmo. Ela foi internada e sua filha entregue à adoção. Hoje, Walter Goodfellow é um admirado pastor de uma pequena cidade. Casado com Gloria, ele é pai de Holly, uma jovem fogosa, e de Petey, um garoto excluído que sofre bulling na escola. Gloria, desolada pela falta de atenção do marido, acaba iniciando um romance com seu professor de golf, o bonitão Lance. Com a chegada da misteriosa governanta, a vida de todos mudará drasticamente.


Não é preciso ser um gênio para saber que a governanta Grace e a mulher grávia no início do longa são a mesma pessoa. Até acho que Emilia Fox, intérprete de Rosie, e Maggie Smith, intérprete de Grace, possuem suas semelhanças físicas. Até mesmo algumas expressões das atrizes são parecidas. Somos mais convencidos de tudo isso quando Gloria revela, durante o longa, que era uma menina órfã. O filme não é algo memorável, mas a ironia e o sarcasmo presentes para contar toda essa história louca são tão deliciosos e o roteiro possui diálogos tão bem escritos que todo o longa acaba nos cativando de alguma forma. “De Bico Calado” é um filme inteligente, não devemos esperar muitas coisas a respeito dele, mas que é divertido e engraçado, isso ele é. O trabalho técnico não merece muito destaque, o que merece ser avaliado é como a criação do ambiente em que essa família vive é explorado. As fofocas de velhos e os desejos dos jovens, o contraponto entre o conservadorismo religioso de pequenas cidades e a inovação trazida pelos adolescentes. Além disso, a cidade é um personagem ímpar, típica do interior inglês.


Rowan Atkinson ficou famoso por viver o Mr. Bean na televisão e no cinema, não gosto do personagem, portanto não acho que a atuação de Atkinson seja grande coisa vivendo Bean. Aqui ele é o confuso Walter, um homem que já deixou de se preocupar com sua esposa e está mais preocupado com o sermão que deve fazer em uma grande reunião de pastores. O ator nos apresenta uma boa atuação sobre um homem como qualquer outro: um homem de meia idade confuso que não sabe como retomar o calor perdido pelos anos de casamento. Kristen Scott Thomas é a também confusa Gloria, aliás, o casal é uma excelente representação ao que alguns homens e mulheres estão expostos quando ficam casados durante muito tempo, ela, ao contrário do marido que encontra consolo no tal sermão, acaba se interessando por outro homem e tudo piora quando descobre que a mãe é uma assassina. Os filhos do casal são representados por Tamsin Egerton e Toby Parkes, respectivamente Holly e Pettey, ela é uma adolescente típica: interessada em sexo e em experimentar todo o tipo de rapaz possível; o garoto é um menino que precisa de mais atenção para aumentar sua auto confiança e deixar de lado as brincadeiras dos colegas. O amante de Gloria, Lance, é vivido por Patrick Swayze, o perfeito bonitão americano odiado pelos ingleses conservadores, Swayze é engraçado e ele mesmo satiriza esse perfil. O melhor do longa é Maggie Smith, o motivo para que eu resolvesse conferir o filme. Como a assassina Grace, Smith está engraçada e parece muito natural, demonstrando que verdadeiros loucos não sabem a hora de parar e não ligam para as vidas alheias, a única coisa que importa é garantir que um grupo seleto, nesse caso sua filha e a família dela, estejam bem, mesmo que isso signifique matar um ou outro indivíduo.



O ditado poucas vezes foi pôde ser tão cruelmente cômico aplicado quando nesse filme: “Tal mãe, tal filha”. Ou ainda, lembro-me de uma frase da insuportável tia Guida no terceiro filme da Saga Harry Potter: “Se tem alguma coisa errada com a cadela, haverá alguma coisa errada com o filhote”. Assim como não é preciso ser um gênio para saber que Grace e Rosie são a mesma pessoa, não precisamos de muito para saber que Gloria e Holly são assassinas em potencial. Isso tudo, por que as atuaões do longa são perfeitas para cada pepel, e são exatamente o que sustentam esse filme, que tinha tudo para ser fraco. Em especial, as mulheres do longa nos trazem personalidades totalmente diferentes, mas que, em algum momento, se mostrarão muito semelhantes.


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049. BLING RING: A GANGUE DE HOLLYWOOD, de Sofia Coppola

Uma lição sobre as consequências dos atos impetuosos dos jovens de hoje.
Nota: 9,2


Título Original: The Bling Ring
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson, Claire Julien, Taissa Farmiga, Georgia Rock, Leslie Mann, Carlos Miranda, Gavin Rosdale, Marck Coppola, Stacy Edwards, G. Mac Brown, Janet Song, Annie Fitzgeralde,
Produção: Roman Coppola, Sofia Coppola, Youree Henley
Roteiro: Sofia Coppola e Nancy Jo Sales (artigo “The Suspect Wore Louboutins”)
Ano: 2013
Duração: 90 min.
Gênero: Comédia

Entre outubro de 2008 e agosto de 2009, uma quadrilha de jovens roubou casas de pessoas famosas em Hollywood. Os crimes renderam à gangue uma quatia de joias, dinheiro e objetos de marca avaliados em 3 milhões de dólares. O grupo obcecado por celebridades, deu preferência aos famosos que possuiam marcas como Chanel, Gucci, Tiffany, Cartier e Marc Jacobs. Dentre as vitimas, estão: Paris Hilton, Lindsay Lohan, Audrina Patrige, Rachel Bilson, Orlando Bloom, Shia Labeouf e Megan Fox. Os integrantes da quadrilha foram pegos e condenados por seus crimes.


No filme, os jovens narram tudo o que aconteceu durante o um ano em que cometeram seus crimes. Tudo inicia com a amizade de Rebecca e Marc, dois jovens que vivem mais para observar o que os famosos fazem do que para progredir na vida real. Depois, outros conhecidos começam a integrar o grupo: Nicki, a mais popular de todos, Chloe, a mais temperamental, e Sam, a irmã adotada de Nicki que acabou se safando dos roubos. Durante o longa, conferimos a ação da quadrilha nas casas de Hilton e Bloom, por exemplo, além dos planos, gastos e festas.


O longa, dirigido e roteirizado por Sofia Coppola, é baseado nos acontecimentos reais relatados no artigo da jornalista Nancy Jo Sales: “The Suspect Wore Louboutins” (que pode ser conferido na íntegra clicando aqui). Jo Sales, que trabalha na famosa revista Vanity Fair, confirmou que o que ocorreu com os jovens remete a temas recorrentes na obra de Coppola: narcisismo, obsessão e vazio da fama. No filme, vale lembrar, os nomes dos personagens foram modificados: Rachel Lee virou Rebbeca, Nick Prugo virou Marc, Alexis Neiers nos é apresentada como Nicki, Coustney Ames é Chloe e Tess Taylor é Sam. Alguns desses jovens confessaram os crimes, vangloriando-se por estarem nas casas de pessoas consideradas tão importantes por eles. Tess Taylor, que aparece no longa sempre ao lado da gangue, roubou, mas não foi presa. Rachel lee tentou fugir, mas acabou sendo pega com fotos pessoais de Paris Hilton. Alexis Neiers chegou a negar e alegou seu envolvimento no caso como um carma, dizendo: “Acho que essa situação entrou em minha vida para que eu pudesse aprender uma importante lição para crescer e me desenvolver espiritualmente. Posso me ver me transformando em alguém como a Angelina Jolie.” Nenhum dos jovens passava necessidades financeiras, Neiers, por exemplo, já estava com o episódio piloto de sua série televisiva (que foi ao ar em 2010) pronto quando foi pega pela polícia (como foi liberada 30 dias após a condenação, pode desfrutar da fama).


O trabalho de Sofia Coppola não é nada simples nesse longa. Fica claro, mesmo sem se ouvir muito sobre essa história (a real ou a do filme), que os jovens em questão eram egoístas e extremamente fúteis. Dessa forma, é papel de Coppola denunciar os problemas dos jovens da atualidade sem apelar para cenas estúpiadas que pudessem diminuir a qualidade do longa. Perguntamo-nos, ouvindo falar sobre os roubos, o que motivou esses garotos a realizarem-os? A responta vem como uma bomba durante o filme: famílias desestruturadas criam jovens desestruturados por medo de procurar ajuda; vida regrada a festas, a bebedeiras e a drogas criam jovens influenciados por qualquer ideia que possa parecer uma aventura; padrões estabelecidos pela sociedade criam jovens fúteis que desejam se parecer com essa ou aquela celebridade. A culpa do que ocorreu não era das celebridades que levavam vidas aparentemente interessantes, a culpa é da sociedade que insiste em mostrar que essa vida é mais valiosa que a vida normal. E é isso o que Coppola pretende com esse filme, mostrar que a frustração, a falta de atenção e os padrões tornam os jovens sucetíveis à marginalização. Para completar, é primordial lembrar que Coppola não trata os criminosos como deuses, muito menos glorifica o que eles fazem, e sim, apresenta aos jovens as aconsequências para as imprudências cometidas pela gangue.


Rebecca, a líder do grupo, é interpretada por Katie Chang, uma inciante na carreira como atriz. Apesar de interpretar com sucesso essa jovem entusiasmada pela fama alheia e loca para que algo que ela considere interessante aconteça em sua vida, Chang não tem presença suficiente para viver a líder de uma gangue que rouba casas descaradamente. Israel Broussard tem em Mark seu primeiro grande papel. Diferentemente de Chang, Broussard tem presença durante o longa e carrega nas costas muito bem o fardo de representar o único homem do grupo. O ator deixa claro o quanto o rapaz tem uma vida frustrada e precisa obter objetos de famosos para acreditar que está mais perto de ser uma pessoa rica e conhecida no mundo todo. Emma Watson é a maior atração do longa. Conhecida por seus trabalho na saga “Harry Potter”, Watson vive Nicki de forma debochada e claramente irônica. Emma nos apresenta a típica menina rica que luta para ser uma celebridade, uma jovem que não liga para o que é certo ou para o que é errado, decidindo que, de uma forma ou outra, conseguirá o que deseja, mesmo que para isso mentir e trapacear possa parecer necessário. Taissa Farmiga compõe a dupla de irmãs com Watson, vivendo Sam ela nos mostra uma jovem que é reflexo de outra pessoa (no caso, Nicki) e que está satisfeita com isso. Juntas, Watson e Farmiga são o melhor de todo o filme. Por fim, completando o elenco e a gangue, Claire Julien, como a louca Chloe, uma jovem claramente perturbada que se joga na proposta dos roubos por acreditar que aquilo pode ser uma aventura interessante de alguma forma.


Emma Watson tem apenas um propósito nesse longa: chamar a atenção dos jovens do mundo todo para um filme interessante que denuncia a estupidez da juventude da atualidade. Além disso, com a direção de Coppola, a atriz vem e diz, de forma clara, que não será a nerd Hermione Granger para o resto da vida. Watson cresceu e seu talento cresce com ela, pois, mesmo não sendo a protagonista da trama, é ela quem rouba todas as cenas, deixando qualquer outro integrante da gangue de lado. Durante o longa, além de me indagar acerca do motivos que levaram o grupo a realizar os roubos, perguntei-me se eles realmente acreditavam que jamais seriam pegos. Ao longo da trama, percebemos que não ligavam para isso e foi exatamente o que os deteu: a inssegurança e o desejo de se parecer com as celebridades os levou a crer que seriam uns deles apenas por terem as coisas deles, e, sendo uns deles, por que os famosos os excluiriam ou os denunciariam? O fato é que esse jovens estavam longe de serem tão improtantes socialmente quanto seus ídolos o eram, e sofreram graves consequências por isso. Ou não, se levarmos em consideração a sociedade hipócrita na qual vivemos, que se postou fraca e alienada frente ao sucesso desses adolescentes, que conquistaram o que queriam: fama. Mesmo que isso tenha lhes custado algum tempo na cadeia.


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050. BIUTIFUL, de Alejandro González Iñárritu

A interpretação memorável de Javier Bardem nos traz reflexões sobre nós mesmos, sobre a vida que levamos e sobre o mundo no qual vivemos como poucos artistas o fizeram
Nota: 9,5


Título Original: Biutiful
Direção: Alejandro González Iñárritu
Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanaa Bouchaib, Guilhermo Estrella, Eduardo Fernández, Cheich Ndiaye, Diaryatou Chen, Jin Luo, George Chibuikwem Chukwuma, Lang Sofia Lin, Yodian Yang, Tuo Lin,
Produção: Fernando Bovaira, Jon Kilik, Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Alezandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone e Armando Bo
Ano: 2010
Duração: 148 min.
Gênero: Drama

Uxbal é um pai separado que ficou com a guarda de seus dois filhos. Para ganhar a vida, poder sustentar as crianças e dar um futuro melhor a elas, ele trabalha, dentre outras coisas, com asiáticos trazidos de forma ilegal no México. Além disso, usa sua habilidade de falar com os mortos para ganhar um dinheiro extra. Uxbal ainda precisa lidar com os problemas de sua ex-esposa e mãe das crinças, Maramba, uma alcólatra que tenta recuperar sua família. Em meio a isso tudo, ele descobrirá que está com câncer na próstata e está prestes a morrer.


“Babel” (2006) é um dos filmes mais enigmáticos e intrigantes da primeira década desse século. “21 Gramas” (2003) é um filme que chega a perturbar por sua realidade. “Amores Brutos” (2000) é um dos dramas mexicanos mais belos já feitos. O que todos tem em comum? A genialidade por tras da câmera representada por Alejandro González Iñarritu, diretor de “Biutiful”. Assim como seus outros filmes, o longa é um soco no estômago por atingir nossos maiores instintos como seres humanos, mechendo com nossa pisiquique por abordar um drama que qualquer homem está sujeito a viver. A decadência que assola Uxbal a partir do momento que descobre o câncer na próstata é desumana e é impossível não se emocionar com as cenas em que ele expressa a dor que sente, não apenas por estar morrendo,e sim por estar sendo obrigado a deixar seus filhos e a vida que, apesar de difícil, é tão querida a ele. Além disso, o drama aumenta por ele ser obrigado a conviver com a mãe dos filhos, a mulher que ainda ama, mas uma mulher desequilibrada, de quem foi obrigado a se afastar por saber que seria o mais sensato a fazer pelo bem das crianças. A vida de Uxbal, por sim, é um tormento justamente por aquilo que mais buscamos: dinheiro. Trazer asiáticos para trabalhar na cidade em que mora e ver que eles não possuem condições de mordia adequadas é algo que deixa o personagem inquieto e usar seus dons espirituais para conseguir dinheiro não é forma que ele considera mais sorreta de “ajudar” aos outros. A vida do protagonista, portando, se torna um inferno por exiistirem tantas dificuldade e tão poucos meios de solucioná-las.


Javier Barden, indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação, é o que há de melhor no longa, é a vida e a morte do filme. Como Uxbal, ele está magnifico, aquele verdadeiro assombro de que tanto falo. Bardem nos traz um homem à beira do abismo provocado pelas derrotas que vem sofrendo com o passar dos anos. No contexto mexicano em que o protagonista vive, a decadência se torna algo inevitável na busca por uma vida melhor, e Bardem representa o homem que, não importa a nacionalidade, luta por algo melhor. Em uma cena incrível, Uxbal se aproxima da morte e vê, no teto de sua casa, pessoas que morreram por sua culpa indireta. Ali, Bardem nos mostra que o Oscar era merecido, que a perturbação e a culpa que assolam um homem com índole boa são as mais tristes que podemos presenciar, e, talvez, os únicos homens que mereçam perdão sejam, justamente, esses. O ator, por fim, nos força, de forma simples e bela, a não julgar o protagonista em hipótese alguma, afinal, tudo o qeu ele tem feito é pelo bem de sua família. Ao lado de Bardem, está Maricel Álvarez, como Maramba. Apesar de o filme ser de Bardem, com o tempo sentimos a sintonia entre os intérpretes e nos convencemos que ela é perfeita para o papel dessa mulher que também quer o melhor para sua família, mas que, tomada pelos vícios, já não sabe mais que caminho deve percorrer para chegar à felicidade. Ambos nos fazem refletir durante o longa todo sobre a vida e seus propósitos. Sendo impossível se desligar do filme após seu término, pois uma onda de questionamentos sobre a vida toma conta de nossos seres: quem somos; o que somos; para onde vamos; de onde viemos; quem manda nisso tudo; quem criou o mundo que habitamos? E mais: será que somos humanos o bastante; fazemos o bem tantas fezes quanto deveríamos; doamo-nos a quem necessita de forma plena; estamos em paz com nós mesmos, mesmo não fazendo o bem para pessoas que precisam?


 Uxbal, assim como a grande maioria da população que passa necessidades no mundo, é uma vítima do sistema que privilegia os ricos, é uma vítima do destino que não trata todos da mesma forma e, pior, é uma vítima do Estado, que não dá assistência, muito menos oportunidades para que as pessoa possam crescer profissionalmente. O protagonista, nesse contexto, deseja que seus filhos tenham algo melhor para suas vidas, e acaba sobrevivendo por eles o máximo que pode, para lhes dar uma vida melhor. Mesmo que isso signifique ultrapassar os limites da lei ou do bom senso, mesmo que isso signifique deixar de lado suas crenças a respeito de seus dons e usá-los em prol de lucro material. Em uma das cenas mais belas do ano, uma amiga de Uxbal deixa claro que oque está acontecendo com ele tem relação direta com o fato de ele fazer dinheiro com o dom de ver e falar com os mortos. No final das contas, “Biutiful” nos revela que a vida não é tão bela e que tudo o que acorre com o nosso destino tem relção com aquilo que fazemos enquanto percorremos o caminho da vida. De uma forma ou outra, tudo o que recebemos é o preço que pagamos por nossos pecados.


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