segunda-feira, 6 de agosto de 2012

229. PROCURANDO NEMO, de Andrew Stanton e Lee Unkrich


Uma das animações mais originais e inteligentes do novo milênio
Nota: 9,6


Título Original: Finding Nemo
Direção: Andrew Stanton e Lee Unkrich
Elenco: Albert Brooks, Ellen DeGeneres, Alexander Gould, Williem Dafoe, Brad Garrett, Allison Janney, Austin Pendleton, Stephen Root, Vicki Lewis, Joe Ranft, Geoffrey Rush
Produção: Jinko Gotoh, John Lasseter e Grahm Walters
Roteiro: Andrew Stanton, Bob Peterson e David Reynolds
Ano: 2003
Duração: 100 min.
Gênero: Animação / Comédia

Marlin e Nemo são dois Peixes-Palhaços, pai e filho que são obrigados a viver por conta e risco quando a mãe de Nemo e seus irmãozinhos são devorados. Quando Nemo cresce, ele quer, mais que tudo na vida e como qualquer jovem, ser o mais independente possível de seu pai. Nemo decide então, correr perigo e vai para uma parte proibida do mar, lá é capturado e elevado para o continente. Enquanto Marlin procura por Nemo, o peixinho está em um aquário vivendo fortes emoções.


Andrew Stanton foi co-diretor de “Vida de Inseto” (1998) e dirigiu, posteriormente a aventura de Marlin, “Wall-E” (2008), já Lee Unkrich é o responsável por co-dirigir “Toy story 2” (1999) e “Monstros S. A.” (2001), dirigiu ainda o fantástico “Toy Story 3” (2010). Os dois diretores, portanto, não são nada amadores na arte de fazer filmes de animação. O trabalho realizado por eles para contar a aventura de um pai atrás do filho que fugiu é inteligente, divertido e atrai tanto jovens quanto adultos. Os temas da trama são bem amplos, mas claramente vemos o relacionamento, nem sempre fácil, entre pais e filhos, a dificuldade de se comunicar com estranhos e a forma como qualquer ser pode se encontrar em apuros caso seja imprudente, ainda nos propõe a pensar sobre assuntos que vemos na sociedade em nosso dia-a-dia, como o alcoolismo (presente no fato de tubarões comerem peixes) e a influência que uns podem exercer sobre os outros em qualquer meio. Não é intencional fazer críticas onde a trilha sonora seja de Thomas Newman, mas esse filme também tem o compositor na equipe, ele já foi indicado dez vezes ao Oscar, uma delas devido com esse trabalho.


“Procurando Nemo” é um dos filmes que me lembro exatamente da época em que foi lançado e como tomou conta de todas as crianças da época, eu era uma delas. No filme ainda temos várias outras personagens interessantes, como Dory, a inesquecível companheira de Marlin em sua jornada, Gill, um mourisco, Bloat, um baiacu, Bubbles, um yellow tang, Peach, uma estrela do mar, Gurgle, um peixe Royal Gramma, Jacques, um camarão limpador, Deb, uma Blacktail Humbug, Crush, a tartaruga centenária, Bruce, o tubarão e outras dezenas de espécies marítimas extremantes curiosas e que deixam o filme mais interessante. Além de ser um filme que traz muita diversão e aborda temas inteligentíssimos, “Procurando Nemo” é bem feito em todos os sentidos: a trilha sonora, a edição, o roteiro, a direção e tudo o mais é muito bem-vindo para fazer dessa uma das animações mais originais e melhores do século XXI, e, segundo os produtores, uma sequência é prevista para os próximos anos.

Vai lá, idêntico ao Bruce do pôster.
Foto capturada por Amos Nachoum na costa do México.
ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

230. O DIÁRIO DA PRINCESA, de Garry Marshall


Uma comédia melosa e sem graça que ganha pela presença de Julie Andrews e pela estréia de Anne Hathaway
Nota: 7,2


Título Original: The Princess Diaries
Direção: Garry Marshall
Elenco: Julie Andrews, Anne Hathaway, Hector Elizondo, Caroline Goodall, Heather Matarazzo, Mandy Moore, Robert Schwartzman, Erik Von Detten
Produção: Debra Martin Chase, Whitney Huston, Mario Iscovich e Ellen H. Schwartz
Roteiro: Gina Wendkos e Meg Cabot (romance)
Ano: 2001
Duração: 115 min.
Gênero: Comédia / Romance

Mia Thermopolis é uma jovem americana que nuca soube todas as verdades sobre seu pai. Apesar de inteligente, ela não é nada popular no colégio e é apaixonada pelo garoto mais bonito e desejado da redondeza, até aí a história não tem nada de novidade para o estilo da trama. Entretanto, Mia descobrirá que o pai morreu, e quem contará toda a verdade de sua família é a mãe de seu pai, ninguém mais ninguém menos que a Rainha da Genovia. Mia terá, portanto, de aprender a agir, se portar e ser uma verdadeira princesa, pois é a única herdeira direta do trono.


Garry Marshall ficou conhecido e popularizado na década de 70 com a série para televisão vencedora do Emmy e do Globo de Ouro, “The Odd Couple” (1971-1974), além de uma dezena de filmes de comédia divertidos, engraçados e bem populares: “Nada em Comum” (1986), com Tom Hanks, “Um Salto para a Felicidade” (1987), com Goldie Hawn, “Uma Linda Mulher” (1990), com Julia Roberts e Richard Gere, “Frankie & Johnny” (1991), com Al Pacino e Michelle Pfeiffer, “Simples Como Amar” (1999), com Juliette Lewis e Diane Keaton, “Noiva em Fuga” (1999), novamente com a dupla Gere-Roberts, “Um Presente para Helen” (2004), com Kate Hudson e Joan Cusack, “O Diário da Princesa 2” (2004), “Ela é Poderosa” (2007, com Jane Fonda, Lindsey Lohan e Felicity Huffman, “Idas e Vindas do Amor” (2010), com Julia Roberts, Anne Hathaway e grande elenco e “Noite de Ano Novo” (2011), com Michelle Pfeiffer e Robert De Niro. Além de dirigir, Marshall é roteirista, produtor e ator. Seu trabalho nos filmes que retratam a vida da princesa Mia é simples: adaptar os livros melosos de Meg Cabot para um filme mais meloso e sem graça. Não que o filme seja de todo ruim, afinal, ele conta com Julie Andrews no elenco, mas o resto simplesmente parece não funcionar, o fato é que todos os outros filmes do diretor conseguem fugir tranquilamente do quesito comédia idiota, mas esse passa perto do gênero. A trilha sonora de John Debney é bem jovem e propícia para um filme destinado ao público adolescente feminino.


Talvez o melhor do filme seja mesmo em ele trazer uma das atrizes mais carismáticas e promissoras do século XXI, Mia é a primeira personagem de Anne Hathaway que, desde então não parou mais de trabalhar, depois desse vieram: “O Herói da Família” (2002), “Uma Garota Encantada” (2004), “O Segredo de Broakeback Mountain” (2005), “O Diabo Veste Prada” (2006), “Amor e Inocência” (2007), “O Casamento de Rachel” (2008), “Noivas em Guerra” (2009), “Alice no País das Maravilhas” (2010), “Rio” (2011) e “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2012). No início da trama, Hathaway nos traz uma personagem feia e toda desengonçada, depois que descobre sua nobreza, a menina passa a ficar bela e se tornar uma verdadeira dama. A outra parte do elenco é formada pela grande atriz Julie Andrews, conhecida por seus papeis em “Mary Poppins” (1964), “A Noviça Rebelde” (1965), “Mulher Nota 10” (1979) e “Victor ou Victoria” (1982). Apesar de ser uma das melhores coisas do filme, parece-me mais que Andrews age naturalmente e deixa a personagem extremamente fácil de ser interpretada, afinal, poucas mulheres possuem a mesma classe que a atriz. Além dessa ótima dupla, no elenco ainda temos Caroline Goodall com a mãe de Mia, Heather Matarazzo como a melhor amiga de Mia, Mandy Moore em um dos seus primeiros papeis como o desafeto escolar de Mia, Robert Schwartzman como o amigo apaixonado de Mia e Hector Elizondo como o motorista real.

Toda garota que se preze um dia já sonhou em ser uma autentica princesa, encontrar a perfeição em um belo príncipe ao estilo europeu, ter um casamento de conto de fadas, ter filhos tão lindos quanto o pai e serem felizes para sempre, pois bem, em algum momento da vida, toda garota que se preze acorda desse sonho ridículo. Aqui o sonho vem de forma aparentemente agradável, até Mia começar a descobrir que não é tão fácil ser uma princesa e se questionar quanto ao que ela deseja da vida. Definitivamente esse não é um dos melhores filmes de Garry Marshall, aliás, está longe de ser, mas que todas as adolescentes sonhadoras irão gostar dele, isso é indiscutível.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

231. DESVENTURAS EM SÉRIE, de Brad Silberling


A adaptação da querida obra de Daniel Handler é satisfatória, engraçada e bem feita.
Nota: 8,5


Título Original: Lemony Snicket’s A Series of Unfortunate events
Direção: Brad Silberling
Elenco: Jim Carrey, Liam Aiken, Emily Browning, Kara Hoffman, Shelby /Hoffman, Jude Law, Timothy Spall, Merryl Streep, Billy Connolly, Catherine O’Hara
Produção: Laurie MacDonald, Walter F. Parkes, Jim Van Wyck
Roteiro: Robert Gordon e Daniel Handler (livros)
Ano: 2004
Duração: 108 min.
Gênero: Aventura / Fantasia / Drama

Misteriosamente a casa dos Baudelaire é incendiada e os pais de Klaus, Violet e Sunny morrem, deixando o trio órfão. Para que eles possam continuar a ter uma vida digna são enviados para seu parente mais próximo, Conde Olaf, entretanto o monstro apenas deseja o dinheiro dos jovens e eles terão de permanecerem fortes e unidos para enfrentarem todos os medos e problemas que estão por vir.

Brad Silberling ficou conhecido após dirigir o divertido “Gasparzinho, O Fantasminha Camarada” (1995) e pelo drama “Cidade dos Anjos” (1998), nessa adaptação da série de Daniel Handler, ele reúne as histórias de três dos 13 livros, são elas: “Um Mau Começo”, sobre a chegada até a casa de Olaf, “A Sala dos Répteis”, relata a ida das crianças até a casa de um tio pesquisador e amante dos répteis e “A Janela Larga” ou “O Lago das Sanguessugas”, sobre o tempo em que as três passam na casa da enigmática Tia Josephine. O diretor é fiel ao permanecer em um certo tom obscuro e melancólico advindo da constante infelicidade que os jovens tem pela saudade que sentem dos pais, também é feliz na escolha de seus ângulos e o elenco escolhido é perfeito. A trilha sonora é do dez vezes indicado ao Oscar Thomans Newman, compositor de filmes como “Um Sonho de Liberdade” (1994), “Beleza Americana” (1999), “Procurando o Nemo” (2004), “O Segredo de Berlin” (2006) e “Wall-E” (2008), seu trabalho alterna entre o divertido, estimulante, depressivo e obscuro, sendo uma das quatro indicações que o filme recebeu ao Oscar.

Liam Aiken, Emily Browning, Kara Hoffman e Shelby Hoffman são, respectivamente, Klaus, Violet e Sunny (sim, as duas irmãs gêmeas fazem a mesma personagem), cada um deles possui suas características citadas logo no início da trama: o garoto leu livros e mais livros sobre os mais diversos assuntos, a menina mais velha é praticamente um gênio mirim para inventar coisas práticas, engenhosas e úteis, por fim, Sunny é uma expert em morder tu do o que vê pela frente. Jim Carrey lidera um elenco adulto pra lá de perfeito para cada papel: ele é o malvado Conde Olaf, pesar de só pensar no dinheiro das crianças e se considerar o homem mais esperto do mundo, não passa de um ator falido e que não possui talento para nada, surpreendentemente o ator está ótimo no papel e todos os seus exageros para comédia caem muito bem. Timothy Spall vive o Mr. Poe, o homem que leva as crianças de casa em casa sem escutar o que elas tem a dizer sobre tudo que está acontecendo, o ator consegue ser uma das personagens mais idiotas possíveis. Jude Law faz a voz do escritor Lemony Snicket, apesar de somente narrar, Law nos transmite a exata dor do locutor enquanto conta a história. Billy Connolly é o Tio Monty, um excêntrico adorador de répteis que, como todos os outros não acredita nas crianças, mas é o que se pode esperar de melhor para elas, pois é carinhoso, amoroso e atencioso. Meryl Streep, por fim, faz Tia Josephine, uma mulher bem perturbada que perdeu o marido há alguns anos e desde então não se recuperou do trauma, Streep é perfeita no papel demonstrando os medos da mulher com relação a tudo o que pode acontecer.


À primeira vista o filme se trata apenas de uma história triste sobre órfãos que se meterão nas mais diferentes aventuras pela sobrevivência, mas, na realidade, a trama nos revela uma crítica que todas as crianças tem a fazer a respeito do resto do mundo: a falta de credibilidade que dada para cada uma delas. O filme é divertido, de uma forma um pouco grotesca e sarcástica, é bem feito, possuí atuações exemplares e até mesmo Jim Carrey está bem no papel, mas o que mais intriga no filme é mesmo o fato dessa tal desconfiança para com crianças, pois é impossível saber se tudo o que acontece durante o filme não se trata apenas da fértil imaginação dos jovens? Afinal, é sabido que ninguém é tão criativo quanto uma criança, quem dirá três.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

232. BONS CONSTUMES, de Stephan Elliott

Comédia divertida que supera as expectativas ao satirizar a tão temida sociedade inglesa.
Nota: 7,8


Título Original : Easy Virtue
Direção : Stephen Elliot
Elenco: Jessica Biel,Bem Barnes, Kristen Scott Thomas, Colin Firth, Kimberley Nixon, Ktherine Parkinson, Kris Marshall, Christian Brassington
Produção: Joseph abrams, James D. Stern, Barnaby Thompson
Roteiro: Stephan Elliot, Sheridan Jobbins e Noel Coward (peça teatral)
Ano: 2008
Duração: 97 min.
Gênero: Drama / Comédia

Os Whittaker são uma família rica e tradicional da Inglaterra, quando o único filho do casal, John, volta para casa casado com uma mulher mais velha, viúva, independente e toda moderna, os alicerces assegurados pela matriarca Veronica vão ser testados das mais diversas formas. Enquanto Veronica tenta convencer o filho de ficar na casa de campo da família, Larita, a nova esposa, quer mudar para Londres e fazer com que o rapaz se desgarre da mãe, por fim ainda temos o pai do garoto, um homem destruído pela guerra que já não sabe como levar sua vida. Dessa forma, a família se tornou apenas aparências sobre um cotidiano totalmente destroçado.


Stephen Elliot é conhecido por seu trabalho mais célebre: o extravagante “Pricilla, a Rainha do Deserto” (1994). Aqui ele adapta uma história que já havia sido feita para o cinema em 1928 por Alfred Hitchcock, claro que na primeira versão temos o estilo mais sinistro típico do mestre do suspense, apesar disso os dois filmes possuem um enredo semelhante ao abordarem Larita como uma mulher que deseja uma vida melhor que a que possui e acaba se entregando ao amor loucamente. Elliot trás o melhor do estilo inglês: mansões luxuosas, caças, festas, e tradições e mistura a originalidade que os americanos possuíam na época para fazer com que o mundo da família Whittaker vire de cabeças para baixo. Ainda nos proporciona uma fotografia linda e uma edição satisfatória, o figurino é algo à parte. A trilha sonora é do nada experiente Marius De Vries, apesar de ter feito apenas um filme anterior a esse a trilha é divertida e suas escolhas para as músicas da época são excelentes, para quem gosta do estilo super recomendo correr atrás nas lojas da internet.


Jessica Biel é uma atriz com a qual não simpatizo muito, mas, ao assistir a esse filme, descobri que o problema não é ela, são as personagens que ela faz, Larita se encaixa perfeitamente na americana e parece que ela se sente super a vontade interpretando uma mulher moderna e independente, pode não ser uma atuação de todo fantástica, mas é satisfatória. Bem Barnes vive o inocente e iludido John, apesar de saber que ama Larita e que ela o ama, o rapaz é, definitivamente, um garoto inexperiente que não sabe nada da vida, com Barnes tenho uma simpatia grande e acredito em sua competência. Kristen Scott Thomas é simplesmente única como a matriarca Veronica: insuportável e orgulhosa, Scott Thomas demonstra de forma simples como esse tipo de mulher se comportava na sociedade. Colin Firth está um pouco apagado e não tem nessa uma de suas melhores atuações, talvez pela personagem ser bem fraca. Por fim, Kimberley Nixon e Katherine Parkinson são as irmãs Hilda e Marion, respectivamente.

O filme não é nenhuma obra de arte, mas é divertido e inteligente ao estudar a sociedade inglesa da época (o que já o faz valer a pena, afinal, geralmente os filmes que abordam esse tema durante sua trama são bem reflexivos e seus roteiros bem feitos. Enfim, não é apenas no contexto do filme, e sim em toda a sociedade inglesa durante anos, quiçá até hoje, que pode ser tratada somente de uma forma: da mesma que se trata um afogamento, deixando-se de se debater e levar na maior tranquilidade.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

233. A DUQUESA, de Saul Dibb


Apesar de focar muito apenas no ponto de vista da protagonista, o filme é uma clara defesa dos direitos e da igualdade feminina
Nota: 8,0


Título Original: The Duchess
Direção: Saul Dibb
Elenco: Keira Knighthley, Ralph Fiennes, Charlotte Rampling, Dominic Cooper, Hayley Atwell, Simon McBurney, Aidan McArdle, John Shrapnel
Produção: Michael Kuhn, Gabrielle Tana
Roteiro: Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen, Saul Dibb e Amanda Foreman (biografia)
Ano: 2008
Duração: 110 min.
Gênero: Biografia / Drama

Georgiana Spencer nasceu em 1757, filha de nobres, foi cortejada durante toda a vida por diversos homens que desejavam tomá-la como esposa, no entanto em 1774 ela desposou William Cavendish, Duque de Devonshire. Durante anos Georgiana não conseguiu gerar filhos homens para o marido, enquanto isso William divertia-se com todas as mulheres que podia. Dentre as amantes do Duque, a mais conhecida foi a que veio a tornar-se sua segunda esposa, a melhor amiga de Georgiana, Lady Elizabeth Foster. A Duquesa também ficou conhecida por sua fama entre as mulheres da corte inglesa: era copiada constantemente e, reza a lenda, certa vez a Rainha da Inglaterra da época proibiu que as mulheres utilizassem penas de pavão nos cabelos, pois Georgiana era a que possuía as mais belas, raras e compridas. Além de sua fama e beleza, a Duquesa de Devonshire ficou conhecida por sua influência no partido político liberal Whigs, por seu vício em jogos de azar e por seu romance com Charles Gray, com quem teve uma filha. Morreu em 1806, extremamente endividada e hoje sua história é comparada com a vida da descendente direta de seu irmão George Spencer, Diana, ex Princesa de Gales.

Georgina Cavendishi, Duquesa de Devonshire

Keira Kneightley como a Duquesa
       No filme temos, inicialmente, a jovem Georgiana Spencer, bela e rica, sendo cortejada por William Cavendish, rapidamente os dois se casam e o inferno na vida de Georgiana inicia por ela não conseguir ter filhos. Enquanto está reclusa no interior da Inglaterra fazendo um tratamento, conhece e fica amiga de Elizabeth Foster. Para esquecer os problemas ela se diverte em festas e envolve-se com política e conhece Charles Grey, que se apaixona por ela rapidamente. Entretanto, Georgiana continua fazendo parte da aristocracia inglesa e ainda é a esposa do todo poderoso Duque de Devonshire, portanto, sua vida deixou de pertencer a ela há muito tempo.




Antes desse filme, Saul Dibb dirigiu apenas um filme, um documentário curta e uma mini-série de TV. O trabalho do diretor é passar a história de Georgiana da melhor forma possível como realmente aconteceu, é claro que o contexto de época dificulta um pouco as coisas, mas levando-se em consideração o fato de ele ter em mãos uma Inglaterra conservada, cada cena em que conferimos dois séculos passados ficam bem características pelos locais onde o filme foi gravado .O figurino, obviamente, auxilia muito nesse processo, ele foi desenhado por Michael O’Connor, advindo de poucos, mas bons, trabalhos, dentre eles: “A Casa dos Espíritos” (1993), “Emma” (1996), “Contos Proibidos do Marquês de Sade” (2000), “Harry Potter e a Câmara Secreta” (2002) e “A Vida num Só Dia” (2008). A responsável pela trilha sonora já fez dezenas de filmes conhecidos e de gêneros e estilos de época bem diferentes, Rachel Portman foi indicada a três Oscar e venceu uma por “Emma”.


Keira Knightley vem em uma de suas melhores performances ao viver Georgiana Spencer, a atriz demonstra de forma bem nítida como a personagem cresce e amadurece com o passar dos anos e vai de uma menina pura e inocente a uma mulher sexy e desejada por todos. Dominic Cooper é o charmoso Charles Grey, um jovem apaixonado e iludido ao acreditar que poderia ficar ao lado de sua amada para sempre sem ter de enfrentar um verdadeiro caos na vida dos dois. Hayley Atwell é a bela Elizabeth Foster, mais que uma mulher, uma mãe que só deseja ter os filhos ao seu lado novamente, mas se para isso ela tiver de se deitar com um Duque, não será nenhum grande sacrifício. Existem dos atores ingleses ainda vivos que, simplesmente tudo o que os dois fazem, eu acho incrível, são eles Jeremy Irons, atualmente na série “The Bórgias”, e Ralph Fiennes, que interpreta o Duque de Devonshire nesse filme, com maestria o ator mostra a dificuldade de ser pressionado como um nobre que precisa ter filhos logo para ter os tão exigidos herdeiros de sua fortuna e título, em uma das cenas mais incríveis do filme, o Duque deixa claro a sua esposa que tudo o que ele faz não é por opção, e sim por que ele deve fazer, denunciando a forma como as pessoas viviam na época.


O filme nos trás a história da vida de Georgiana apenas pela perspectiva da Duquesa, não vemos muito do que o marido dela pensa ou do que acontece ao redor dela, é como se ela contasse sua história enfatizando seus problemas e deixando o resto de lado. Não que isso seja ruim, errado ou que a personagem se faça de vítima, ela deixa bem claro que não é nenhuma santa, mas a trama acaba esquecendo de deixar claro como o Duque foi criado e faz parecer que ele é o vilão da história. O fato é que não existem vilões, aqui existem apenas seres humanos tentando sobreviver em um mundo que sempre se mostrou desumano, ainda mais para quem tem “compromissos” para com a aristocracia.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

sábado, 4 de agosto de 2012

234. BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, de Christopher Nolan

Um fechamento original, que traz toda a maestria de Nolan para sua despedida do Homem-Morcego.
Nota: 9,7


Título Original: The Dark Knight Rises
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordom-Levitt, Anne Hathaway, Morgan Freeman, Michael Kane, Matthew Modine, Alon Aboutboul, Ben Mendelson, Juno Temple, Liam Neeson
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven, Emma Thomas
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer, Bob Kane (quadrinhos)
Ano: 2012
Duração: 164 min.
Gênero: Drama / Aventura / Ação / Fantasia


Há 8 anos Bruce Wayne, ou melhor, Batman, deixou que toda a culpa da morte de Harvey Dent caísse sobre ele. Após todos os acontecimentos do filme anterior, portanto, o excêntrico bilionário exilou-se em sua própria mansão para ficar longe de tudo e todos. Entretanto, Gothan City jamais está a salvo de todos os perigos do mundo: agora o perigoso vilão Bane irá deixar a cidade apavorada, ele conseguirá uma máquina capaz de destruir tudo o que os cidadãos tanto amam. Agora é mais que hora do protetor de Gothan ressurgir e mostrar que um herói jamais morre.


Não existe herói sem vilão, e é por isso que reservei esse parágrafo apenas para falar, rapidamente, sobre o que temos nesse filme. Claro que falar sobre qualquer vilão de Batman e não compará-lo com a, literalmente, monstruosa atuação de Heath Ledger como Coringa no filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2009) é impossível. Acho o segundo filme da trilogia fantástico, mas como um todo vejo nesse desfecho o melhor filme dos três, o que realmente me chamou a atenção no segundo foi Ledger, o ator foi original e repugnante, o que nos faz pensar o quanto seria agradavelmente diabólico assistir a um filme onde os dois vilões se encontrassem e aterrorizassem Gothan City, afinal, bem como o Coringa, aqui temos alguém que pensa somente em si próprio, em fazer o que considera certo e ir além do que qualquer ser humano seria capaz, sem se preocupar com a vida das demais pessoas em detrimento de sua vingança.


Christopher Nolan dirigiu três filmes que gosto antes de sua trilogia de Batman: “Amnésia” (2000), com Guy Pearce; “Insônia” (2002), com Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank; e “O Grande Truque” (2006), com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine e Andy Serkis. Em 2005 deu início a sua épica trilogia do super-heroi de Gothan City, com “Batman Begins” ele renovou todo o filme e nos trouxe o melhor Batman de todos, ainda superou todas as possíveis expectativas ao escolher Michael Cane para viver o mais perfeito Alfred que poderia se imaginar, e ainda completou o trio com Morgan Freeman vivendo Lucius Fox. Nos três filmes das sequência Nolan nos traz a excelência de sempre em seus trabalhos, sua técnica é exatamente o que se espera, isso quando não se supera: para um filme que tem como protagonista o cavaleiro das trevas, nada mais digno que as sombras e a escuridão permanecerem presentes a maior parte do tempo. As sequências em que Batman, ainda um bandido, é perseguido pela polícia, sua luta com o vilão Bane, as ironias (como o fato de Bane querer devolver o poder ao povo e a bandeira americana toda rasgada), as retomadas de outras passagens dos outros filmes (a sensação de ser deixado sozinho do nada) e a parceria do homem-morcego com a Mulher-Gato são pontos altos do filme.


Nolan, toda via, não está só para deixar essa produção tão fantástica: ninguém mais que Hans Zimmer faz a vez do compositor da melhor trilha sonora nos três filmes. Apesar de ter começado em 1984 e sempre ter sido querido pela crítica, foi apenas dez anos depois que ganhou o público, e o Oscar, com “O Rei Leão”. Na franquia produzida por Nolan, os dois primeiros filmes contam com James Newton Howard, mas aqui o trabalho é apenas de Zimmer, e, é claro, que ele o faz com perfeição. Desde o início da trama conferimos cenas de ação e com elas é quase obrigação dos compositores serem impecáveis nas músicas, entretanto, chama a atenção a originalidade de Zimmer ao optar por deixar a primeira e mais significativa luta de Batman e Bane ser praticamente muda: ouvimos apenas a pancadaria e o barulho da água do esgoto em que os dois estão. Nas demais cenas, Zimmer nos proporciona uma trilha irreverente e maravilhosa, cheia de diferenças e adaptações para cada momento.

Christian Bale é um dos atores mais versáteis do cinema atual, já  interpretou um jovem preso em um campo de concentração japonês, foi Demetrio na adaptação do romance de Shakespeare, um psicopata com sérios problemas, um operário com problemas de saúde, um pastor e um ex-lutador de boxe (com o qual venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante). Aqui ele é o maior estímulo que se pode existir na ficção: o super-heroi que preza pela moral e os bons costumes, apesar de seu alter ego, Batman, ser o perfeito homem que quer ajudar os outros, Bruce Wayne está confuso e frustrado com muitas coisas que aconteceram em sua vida, e precisará superar todos seus anseios e medos para voltar a salvar a humanidade. Anne Hathaway é bela Mulher-Gato, uma mulher sexy, inteligente, esperta, audaciosa e confiante, que ganha a vida roubando dos ricos, a atriz surpreende ao ser sexy andando, sentando, beijando o protagonista, subindo na moto de Batman e até mesmo roubando. Gary Oldman volta como o comissário Gordon, uma das melhores e mais queridas personagens da trama, perdendo apenas para o amável e insuperável Alfred de Michael Caine, a única pessoa que realmente compreende e ama Wayne verdadeiramente. Além deles temos Josephe Gordon-Levitt como o policial Blake, um órfão que vê em Wayne o maior exemplo de superação; Tom Hardy é o vilão Bane, simplesmente irreconhecível, ele não tira sua máscara o filme todo e nos traz uma personagem condicionada a matar, criada para fazer o mal, bem como os inúmeros terroristas que vemos em nosso dia-a-dia; Morgan Freeman é Fox, o homem que auxilia Wayne/Batman em seus projetos; e Marion Cotillard vem em sua performance mais decepcionante, apesar de sempre ser fantástica, como a apagada mulher de negócios Miranda Tate, que preza pela saúde, educação e pelo desenvolvimento sustentável.


Como disse, esse filme é o melhor de todos já produzidos sobre o bilionário super-heroi órfão que encontrou uma forma de fazer algo de bom pelo mundo e dedicou cada segundo de sua vida a isso. Voltamos a personagens adoradas pelo público e temos atores e atrizes sempre muito elogiados pela crítica, a relação entre Batman e a Mulher-Gato se torna uma receita infalível e o desespero proporcionado pelos exatos 30 últimos minutos de filme são excitantes e nos deixam inquietos na poltrona, além de proporcionarem inúmeras surpresas (ressalvo, nem todas muito agradáveis), nesse filme, até mesmo os clichês românticos e relacionados a super-herois e ao cinema funcionam perfeitamente. “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, fecha com chave de ouro a trilogia criada por Christopher Nolan, sem sombra de dúvidas os três filmes marcaram a história contemporânea do cinema e jamais será possível falar do super-heroi sem ao menos citar um pouco cada um dos filmes. Nosso Batman volta forte, obstinado, decidido e cheio de vida para salvar a terra que tanto ama, Nolan, portanto, presenteia o cinema e o público ao nos apresentar uma série que só fez melhorar de um filme para o outro e se tornar uma das melhores dos últimos tempos, se tem alguma coisa que o diretor pode se orgulhar de ter em comum com a personagem com quem viveu tantos anos é da inigualável sensação do ar de superioridade.


ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

235. VINICIUS, de Miguel Faria Jr.

Mais que apenas um tributo, essa é uma mensagem de admiração e saudade de um dos maiores nomes da cultura brasileira.
Nota: 9,0


Título Original: Vinicius
Direção: Miguel Faria Jr.
Produção: Miguel Faria Jr., Susana de Moraes, Tereza Gonzalez e Carlos Eduardo
Roteiro: Rubem Braga, Miguel Faria Jr., Eucanaã Ferras e Diana Vasconcellos
Ano: 2005
Duração: 121 min.
Gênero: Documentário

Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 1913, seu pai e sua mãe eram cultos, inteligentes e de boas famílias. Quando rapaz estudou em excelentes colégios e tornou-se diplomata, mas sua fascinação e amor pela música fez com que, lentamente, se distanciou dessa carreira. Vinicius foi, na realidade, um grande boêmio que se casou nove vezes, morou no Brasil e no exterior, um grande apreciador de todas as culturas e dos melhores uísques existentes, não se importou com o material, apenas queria viver, conquistou o respeito e admiração do mundo todo como escritor e músico e influenciou os principais nomes que formaram a verdadeira musica que representa a real identidade brasileira. Vinicius morreu em 1980, aos 66 anos de idade, seu legado é inestimável e incomparável para o povo brasileiro.


No documentário temos a narração da vida de Vinicius, além de fotos pessoais e do país da época, também podemos conferir raros e preciosos vídeos de quando o compositor ainda estava vivo, músicos e atores cantam suas músicas e recitam seus poemas. Mas, realmente, o que mais interessa, e tem mais relevância, são os depoimentos de parentes e amigos de Vinicius, mas não são amigos quaisquer, são nomes dos de maior importância para a música popular brasileira, que fazem desse tributo algo agradável e o tornam belo ao demonstrarem a saudade que Vinicius deixou.
Antes desse filme, Miguel Faria Jr. já havia dirigido filmes como “Pecado Mortal” (1971), com Fernanda Montenegro, “República dos Assassinos” (1979), com Tarcísio Meira, “Para Viver um Grande Amor”, também sobre Vinicius, “Stelinha” (1990), com Ester Góes, e a comédia “O Xangô de Baker Street, adaptação do romance de Jô Soares. Faria Jr. ainda é roteirista e produtor de diversos títulos. Em “Vinicius” é sua responsabilidade deixar o filme ainda mais belo e comovente. A excelência de seu trabalho vai desde o momento em que ele e sua equipe escolheram cada foto que representasse algo na vida do artista, passa pelos diversos vídeos que mostram a identidade de Vinicius, e vai até a simples forma como os depoimentos foram recolhidos e filmados. Claro que, de um filme que fala sobre a vida de Vinicius de Moraes, a trilha sonora é maravilhosa e retoma dezenas de seus maiores e mais importantes trabalhos.



Não foi à toa que deixai a ficha técnica sem o elenco. O que faz o elenco do filme, em primeiro plano, são Camila Morgado, Ricardo Blat e Caco Ciocler que nos emprestam todo seu talento para relatarem fatos da vida de Vinicius e declamam alguns de seus mais famosos poemas. Não menos importante, talvez pelo contrário, temos um time imbatível relembrando a personalidade e os momentos mais marcantes da carreira do poeta, são eles: Maria Bethânia, M. S. Bom, Renato Braz, Chico Buarque de Hollanda, Olívia Byington, Adriana Calcanhoto, Elizeth Cardoso, Tônia Carrero, Sérgio Cassiano, Yamandú Costa, Gilberto Gil, Ferreira Gullar, Francis Hime, Nego Jeff, Lerov, Edu Lobo, Carlos Lyra, Mart’nália, Miúcha, Zeca Pagodinho, Mônica Salmaso, Toquinho, Caetano Veloso e Carlinhos Vergueiro, além das filhas de Vinícius: Georgiana, Luciana, Maria, Mariana e Susana, para completar, vemos nas fotos figuras como Haroldo Costa, Léa Garcia, Nara Leão, João Gilberto, Ana Maria Magalhães, Pedro Moraes, Baden Powell, Márcia Rodrigues e, um dos maiores ídolos de Vinícius, Pixinguinha. Alguns dos mesmos nomes nos dão a satisfação de ouvir algumas das músicas mais importantes do compositor, tais como: “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Medo de Amar”, “Modinha”, “Eu Sei que vou te Amar”, “Eu Não Existo sem Você”, “Valsa de Eurídice”, “Coisa mais Linda”, “Formosa”, “Sem Mais Adeus”, “Berimbau”, “Sei lá... a Vida tem Sempre Razão”, “Pra que Chorar” e, claro, “Garota de Ipanema”, internacionalmente a música mais conhecida do compositor e utilizada em centenas de filmes estrangeiros (com o nome “The Girl From Ipanema”, versão em inglês da canção). Outros grandes sucessos de Vinicius foram as obras "Orfeu da Conceição", adaptado para o cinema, e "Arca de Noé", obra de grande conteúdo didático.



Divertido, descontraído e muito bem feito, esse documentário foge totalmente do que alguns podem achar ser o gênero, apesar ser um apreciador assumido de qualquer espécie de documentário, eu bem sei o quanto grande parte do público tem aversão a esse tipo de filme, portanto deixo claro: esse é inovador e jamais consegue ser chato e cansativo. Durante o filme, os depoimentos demonstram de forma simples e natural como todos admiram Vinicius e a falta que ele faz, não somente para a cultura brasileira, mas também por ter sido um homem que sempre mereceu ser chamado de amigo. Vinicius foi e é um dos nomes de maior orgulho para a nação brasileira, aqueles que não vêem qualidade em nossos estilos musicais que definiram todas as personalidades citadas, é porque jamais analisaram a grandiosidade de trabalhos que esses grandes nomes fizeram, e não resta dúvidas, todos foram influenciados, ao menos um pouco, pelo eterno Vinicius de Moraes.
ACESSE NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE:
 http://www.youtube.com/user/projeto399filmes

Poderá gostar também de: